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30 maio 2015

My English Teacher

Quando cheguei a Londres, fui procurar escolas de inglês e me assustei com os preços exorbitantes dos cursos próximos a Richmond, onde morava na época.
Lembro de comentar com a maravilhosa Collorida sobre os cursos e o meu querido Soudemorte responder: mas você só vai morar aqui por 2 meses, como pensa continuar fazendo curso por aqui? 

Vocês que me acompanham sabem bem como vivia feliz e saltitante naquela casa e não respondi nada, só pensei, afinal, poderia arrumar emprego pela região e moradia, eu achava...

Quando me mudei para o outro lado da cidade, para Dalston Kingsland e pensei que seria pra sempre, fui atrás com mais afinco por cursos de inglês. Pesquisei na Revista brasileira que todo mundo lia e sempre tinha propagandas de professores, como fiz quando consegui aulas de português.
Achei um interessante: brasileira que desde criança estava lá e era bilíngue. Parecia ser uma escolha acertada por saber os dois idiomas e eu achei que aulas particulares me ajudariam a aprender mais rapidamente o inglês, de falar mais fluentemente. Liguei para o número e era da mãe dela, era quem marcava, porque as aulas eram na casa delas e nunca se sabia quem estaria ligando.
Marquei e fui conhecê-la.
Ela morava com a família num bairro distante do centro, lá pela quase final da Central Line, a leste de Londres - pra lá de Stratford... super longe...

Gostei dela e da mãe, foram bem simpáticas comigo e resolvi que iria fazer as aulas por 20 libras duas horas de aula. Minha mãe me mandou dinheiro, queria que não me faltasse dinheiro e aprendesse o mais rápido pra voltar o mais rápido rs ela tirou dinheiro da pequena poupança só pra me ajudar. O dinheiro que tinha estava acabando já e ainda não tinha arrumado um emprego, só os bicos das aulas de inglês.

Comecei as aulas e decidimos por aulas de conversação, ela ia me explicando gírias que se usavam lá, expressões, entonação etc. Ela tinha um sotaque inglês, ninguém dizia que era brasileira quando estava falando em inglês. Poderia ser até uma entonação falsa que ela usava sempre, de forma a impressionar e se acostumou, afinal, ela estudava Inglês na faculdade, mas era atriz e esta era a carreira que ela realmente queria seguir.

Fui me adaptando muito as aulas dela porque estava extremamente carente, então, como eu tinha que conversar sobre minha vida, eu sempre tinha muita coisa ruim pra contar e aprender a contar em inglês. Fui me apegando a ela e a mãe dela. Gostava muito delas, mesmo! Achava que tinha encontrado novas amigas, até uma família amiga com a qual poderia contar.
Eu estava extremamente fragilizada e contava todas as minhas tristezas lá, não era uma aula de inglês, era quase um divã...
A mãe dela foi quem me indicou àquela casa que contei aqui, de dividir o quarto com um rapaz gay e pra lá ainda da estação da casa delas... inviável morar tão longe e trabalhar no centro fora dividir o quarto com um rapaz, me desculpe, ele poderia ser uma moça num corpo de rapaz, mas não ia conseguir dividir o quarto...

A mãe me falava de amigos que moravam por aqueles lados ou um pouco mais pro centro, mas com quartos por 100 libras por semana, que eram simpáticos e tudo mais, mas 100 libras por semana era ser rica... eu pensava: mas gente! onde essa mulher tá com a cabeça pra me indicar casas longe dos empregos e por esse preço?? ela acha que tá barato? eu falo tudo que sofro aqui e ainda acha que tenho 100 libras pra dar por semana? e o transporte? Sim, porque quanto mais longe do centro, mais caro o metrô se você tiver que ir pro centro, principalmente.
Ela não conseguia entender o meu problema...
E isso era comum: ninguém conseguia me entender: entender que eu não tinha esse dinheiro, entender que procurava como louca emprego e não conseguia, entender que eu não tinha a agilidade The Flash para limpar casas e entender que eu sofria com tudo isso... que eu me sentia frustrada, me sentia culpada por não conseguir fazer essas coisas todas... era angustiante!!!

Aos poucos, fazendo as aulas, eu fui percebendo que não dava mais pra pagar... fiz por uns 6 meses, acho, nos últimos tempos eu ia de ônibus para economizar - comprava a cota pro mês todo de ônibus que era mais barato - e pegava três ônibus pra chegar lá: de Elephant & Castle eu ia até Liverpool Street, lá pegava outro bus até o terminal de ônibus de Walthamstow e de lá para a casa da professora. Devia levar mais de duas horas. Daí comecei a ficar frustrada com a aula: a professora falava mais que eu e então não adiantava... ela contava muito papo sobre os grandes namorados que teve, sobre os bullyings que sofreu quando chegou na Inglaterra e na escola e não falava inglês. Uma coisa me irritou um dia: ela contava sobre o namorado novo na frente do pai, e o pai brincou com ela, ela virou para ele o xingou... achei aquilo muito chato... 
eu me sentia a filha do Kevin Spacey ouvindo a amiga gostosa falar das conquistas...
A mãe era uma mãe bem à brasileira: fazia tudo para todos e não recebia nenhuma atenção por isso. A filha chegou a ir embora de casa porque brigou com a mãe, briga boba e voltou. A mãe era espírita, então achava que tinha alguém que tinha algo a ver comigo. Ìamos a uma palestra do Divaldo Franco, a mãe falou pra eu ir com uma amiga, porque teria que fazer a janta para o marido e deixar tudo pronto... engraçado porque ela sempre dizia que o marido a acompanhava em tudo e naquele momento não vi isso...

Fazia tudo para participar da família: fui à peça de teatro da teacher, que estava com um outro namorado e quando fomos cumprimentá-la ela mal deu atenção porque estava com o cara... foi muito chato; fui ao aniversário da mãe e comprei um livro do Chico Xavier de presente; fui à casa ver o cachorrinho novo que tinha comprado e que estava doente... eu queria mesmo fazer parte... se me chamavam pra almoçar ou jantar eu não negava, fazia muito tempo que não comia como gente...
Não tinha como pagar e como trabalhava com portugueses, não usava o inglês quase que pra nada e desisti das aulas.

A mãe me indicou ainda um emprego, eu lembro de ter comentado aqui, mas não acho o post... não sei o que aconteceu... foi quando a mãe quebrou a perna e me indicou na escola onde trabalhava como assistente na hora do intervalo das crianças. Eu fui, fiz um teste e gostei de lá, mas a "chefe" das assistentes, uma mexicana, não gostou de mim e da amizade que logo de cara fui fazendo com as meninas (eu era dedicada e estava contente de estar ali - era uma escola católica só para meninas de até uns 14 anos). A mulher disse que eu não era expansiva e não daria pra eu ficar com a vaga. Fiquei bem triste porque, mesmo sendo bem longe, era um lugar que eu poderia, aos poucos, subir para assistente e trabalhar mais horas além do horário do intervalo (é, era só no intervalo, por umas 2 ou 3 horas, um pouco antes para organizar o pátio, auxiliar as crianças para comer e ficar vendo elas brincarem no pátio aberto e depois limpar tudo e ir embora). Mas a Sheena (era o nome da mulher) era punk rock e não me deu chance, deu a vaga para uma outra amiga, que saiu meses depois, quando eu já estava decidida a voltar pro Brasil. 
A mãe também ficou chateada por estar de licença e não pôde me ajudar a ficar com o emprego. Quando fui a Portugal, no Natal, trouxe encomendas para elas e por tudo que faziam pra mim.

Só que a máscara delas caiu e por mais que eu desse uma chance, eu tive que admitir que elas eram como todos os outros brasileiros: egoístas e mentirosos.
Vi no Facebook que a filha tinha ido pro Brasil e voltado com um namorado anterior que ela sempre falava e dizia que não voltaria, jamais, com ele e falava muito mal do cara (brasileiro). E as fotos e conversas no Facebook eram de amigas no Brasil felizes de a reverem no Brasil e saírem com ela - ela nunca me disse que ia ao Brasil enquanto estava tendo aula e eu não tinha parado há muito tempo -  vi fotos dela em São Paulo, Bahia e Porto Alegre (cidade do namorado) e os muitos comentários... achei estranho, porque elas sabiam da história da mala... e como fiquei com isso.

Estava bem escaldada pelos brasileiros e resolvi fazer um teste... liguei pra casa dela e falei com a mãe e perguntei da filha e a mãe: ela está bem, trabalhando muito e estudando (aham!)  
e aí joguei a isca: pois é, você conhece alguém que venha do Brasil esses tempos para trazer um remédio pra mim que eu só sei que tem lá certinho, porque aqui teria que passar no médico e não sei se me daria o mesmo...
mãe da teacher: ah, tem um consultório brasileiro em Stockwell, lá pode ser que você consiga o remédio que quer.
Bingo!
Era tudo que eu precisava saber: que elas iam se fingir de mortas e não me ajudar, como todos. E ia mentir na minha cara da forma mais deslavada com tudo bem claro e exemplificado no Facebook... Acharam que eu era idiota? Eu nem ia fuçar o perfil, era tão simples... era só ler as últimas atualizações... pronto... dei de cara com a amiga falando como foi legal andar por o bairro onde moravam em Sampa...

Daí deixei-as de lado, eram farinha do mesmo saco de todos os outros... cheguei até a mudar postagem aqui por elas terem se sentido ofendidas por eu ter falado mal dos brasileiros e fiquei super mal de tê-las magoado, mas daí veio a comprovação.

Antes de ir embora, como continuaram no meu Fb e fingi que nada tinha acontecido, a filha me falou de almoçarmos num lugar que adorava em Londres e que foi indicação dela, um restaurante italiano.  E eu disse que tudo bem, vamos marcar e tal... (sem nenhuma vontade que isso realmente acontecesse) e a mãe também queria pra se despedir de mim. E eu disse quais dias poderiam ser e marcar, esperando que nunca desse certo porque eu estava com nojo delas.

E aí foi o golpe final, a mãe me escreve em pleno Facebook com no meu mural para que todos leiam me humilhando mais um pouco do que já tinha sido humilhada por lá:




Agora vocês já sabem porque fechei meu mural para que não escrevam nele...

Consegui não me encontrar com elas, fui embora chateada com elas, pensei que eram as únicas amigas que havia feito lá, ledo engano.


27 junho 2013

A Fofolândia invadiu minha vida

Depois de muito tempo sem aparecer aqui, finalmente volto a ter tempo pra postar! Viva!

Bem, eu tenho algumas postagens prontas, mas como estou seguindo a linha cronológica dos fatos ainda terão que esperar por mais Império do Fado e pra conhecer o "povo da escola"... que já falei um pouco...

Minha vida, como sempre, ia miserável. Pensei muito se eu não estava fazendo com que coisas ruins pudessem afetar ainda mais meu estado emocional e minha vida. Achei que era hora de me "purificar", parar de pensar em algumas picuinhas, principalmente depois que um sensitivo me disse:

"M.E., porque tanta mágoa?"

Essas palavras vieram de um brasileiro, grande conhecedor do Espiritismo e que, mal falou comigo e já descobriu o que meu coração gritava: gritava tristeza, guardava coisas ruins...

Pensei muito nisso, sim, comecei a acreditar que as coisas não davam certo comigo porque teria que me "despir" das coisas ruins que carregava comigo... até comentei na época aqui com essa postagem, mas não disse o que fiz.

Depois da Botocada, da Italiana e da Sheena Punk Rocker (que não consigo achar a postagem...), além do meu querido Soudemorte, eu vi que não tinha jeito, precisava dar uma de fênix e ver se as coisas andavam.

Primeira coisa que fiz?
Pedir desculpas para um ex - ele que me chamou de um monte de coisas que me magoaram... -  como eu vinha remoendo a situação desde que saí do Brasil, preferi mandar um e-mail pedindo desculpas, dizendo que assim eu ficaria mais leve e poderia seguir meu caminho.

Ledo engano.
Foi a maior besteira que fiz...
Quis ficar leve para seguir em frente e o que ganhei?

Uma Fofona atrás de mim!

Sim!
O Fofão estava namorando, eu não sabia (JURO!) e, comecei a achar que ele é deu a MINHA ficha toda pra fofa (ou ela xeretava tudo o que ele fazia... é outra possibilidade) que começou a tirar sarro de mim no Twitter. Tanto que o fechei e nunca mais abri - até tentei algumas vezes - depois percebi que ela já tinha os links dos meus blogs e tirava sarro de cada deprê que eu tinha colocado nesses espaços. Virei uma palhaça.




Sim, eu falei da Adele, que gostava...

Não satisfeita, ela contou para as amigas que também começaram a rir da minha cara e até fazer piada com o rivotril... e com Londres, como podem ver...

a música do Caetano Veloso eu tinha postado no 1001covers e ela também leu.

E a piada continuou:


O comentário sobre o inglês e o escocês eu realmente tinha feito no meu twitter, era a prova cabal.

Eu boba, no começo achei que ela e as amigas iam mesmo para Londres, quase comentei com o Fofo que poderia ser guia delas (!!!!????) até entender, nesta última postagem, que estavam tirando o sarro da minha cara e fui rever as postagem e entender.

Sim, eu comecei a ler o Twitter dela, foi uma curiosidade boba, do tipo: "vamos ver se ela é mais legal que eu?"
E aí comecei a ler essas coisas... ela me xeretava há mais tempo e eu, tão boba, "favoritava" esses comentários só pra poder mostrar pras minhas amigas e poder dizer: "eu estou louca ou estou sofrendo bullying de uma criançada chinfrin?"
Porque, pra mim, isso é coisa de criança, não de gente adulta.

Como disse, boba, fui favoritando e, um pouco depois, ela postou algo do tipo "como é bom ter twitterdeck que você vê todos seus twitters que foram favoritados!" claro, ela quis acabar mesmo comigo... mostrar o quanto eu estava fazendo papel de boba por todo aquele tempo, quando ela percebeu que eu favoritava, ela deu mais corda pra que eu me enforcasse, sem saber...

Foi duro, porque fui só xeretar (atire a primeira pedra quem nunca...), vi que o casal parecia feliz e tinha escrito a ele que queria toda a felicidade do mundo para os dois. Tudo na santa paz, mas... parece que não era pra ficar na paz, eu tinha jogado mesmo pedra na cruz.

Daí fechei meu twitter, fiquei extremamente chateada com tanta infantilidade e, quando o fechei, ela obrigou o Fofolete (acredito eu) a me bloquear no twitter dele. Imagino que tenha sido assim e pensei: "ah tá... link para baixar os cds novos das minhas bandas favoritas eu consigo com outro! tô nem aí..."
E ela também fechou o twitter dela, coitadinha!
Me xingou muito quando leu mais do que devia quando falava de postagem velhas dos meus blogs, deve ter ficado mordida com algumas.
Não fiz de propósito, mas ela teve o que mereceu... quem procura, acha...

A verdade é que me senti hiper mal nessa época por que alguém que não me conhecia, não sabia nada de mim poderia falar tão mal, pegar tão pesado?
Não queria ser inimiga da Fofa, só quis ser Madre Teresa e acabei numa encrenca maior... foi duro sair disso por bastante tempo, até este blog ficou fechado e só podia ser visto por quem tinha e-mail cadastrado.

Senti-me péssima porque o único espaço que eu tinha pra extravasar estava sendo cerceado, censurado e espionado para o mal.
Não que era para ela ser minha amiguinha do coração - poderia até ser, quem sabe? - mas acho que não precisava chutar cachorro morto: ela lia minhas postagens, via o quanto eu estava mal e fragilizada e aproveitou mais ainda disso para se beneficiar? No quê?

Não sei... acho que ela é ou era muito insegura, infantil e mimada para ter feito tudo o que fez. E achar divertidíssimo - assim como os amigos superadultos dela - em rirem da desgraça alheia.: as tristezas e desventuras de alguém que tentava encontrar seu caminho longe do Brasil e queria não guardar mais mágoas de ninguém para poder seguir em frente de cabeça erguida.

Ainda me pergunto, que graça teria pisar tanto em alguém que já estava no fundo do poço?
Não estava precisando de uma pá para cavar mais... você nunca encontra quem te tire lá de dentro, só que jogue mais terra em cima...

04 outubro 2011

Sal Grosso!

Como disse uma amiga minha, quando voltar ao Brasil precisarei tomar um banho de sal grosso, porque só assombração me aparece...

Há um tempo eu devo ter comentado aqui sobre não ter respondido ao recado de uma pessoa que conhecia de algum tempo na internet.
Cheguei aqui e tive dificuldades no começo com a internet, lembrem que a Collorida me cortou o acesso ao invés de dizer: pague mais dez libras pra ter internet, mas preferiu mentir descaradamente dizendo que os cabos haviam sido roubados, sim, da internet hi-fi...

Também respondia muita coisa correndo e demorei meses para responder alguns emails...

O que percebo agora que não é diferente do que falo dos outros brasileiros aqui: se reclamo de eles nunca terem tempo para nada, que a vida de trabalho e problemas pra resolver consome, consome a mim também e deveria entender que aqui não é lugar mesmo pra fazer muitas amizades logo de cara...

Bem, com a demora de uma resposta para essa pessoa, recebi, DOIS dias depois a seguinte mensagem via direct message do Twitter:



Achei a coisa mais BOPE do mundo: primeiro atira, depois pergunta. Devo ter desabafado aqui e bloqueei a pessoa. Afinal, estava aqui há 2 meses, cheia de problemas de mudança de casa, de ter saída da casa do terror, sem trabalho, dinheiro acabando e vem alguém do nada, porque não respondi um recado do tipo "tenho novidades!", dizer que sou metida a besta SÓ porque estou em Londres...

Odeio esse tipo de coisa, é como minhas tias que citei antes, fazem o mesmo: primeiro eu te julgo e dou veredicto, saber o que é e o que não é, não é da minha alçada (só pra ficar tudo no mundo jurídico, a pessoa pertence a ele...).

Quase um ano depois e me aparece a pessoa com essa:


Bem, eu sou malcriada além de metida a besta, ok!

E eu queria muuuuito entender porque alguém que sabe que foi bloqueada (por que será?) me acha metida a besta e malcriada ainda quer falar comigo e, pelo jeito, me encontrar!!!!
Sim, eu preciso de um banho de sal grosso pra ver se todo esse povo me deixa em paz!

Será que a metida a besta e malcriada faz falta de alguma forma? Será que a minha amizade era importante?
Bem, se era, não tem volta: ou as pessoas primeiro perguntam pra poder entender os meus motivos ou, por favor, me deixem em paz e esqueçam que eu existo!
Não dá pra darem o veredicto de culpada sem um julgamento digno.
O dia que me julgarem de modo digno, podem vir falar comigo, se eu for culpada, eu aceiterei, porque se eu quero que sejam justos comigo, preciso ser justa com os outros.
Então, quando forem justos comigo, acatarei a sentença.


Desculpem amigos que aparecem aí acima, se quiserem eu apago todos.

12 setembro 2011

3 meses pra voltar ao Brasil

Exatamente de hoje há 3 meses estarei novamente no Brasil.

Existem dois lados pra comentar.

O primeiro é que muitas pessoas, quando digo que estou voltando acham super cedo minha volta. Muita gente que está aqui há um bom tempo diz que o primeiro ano é assim mesmo, depois as coisas entram nos eixos...
Pode até ser, só que eu acho que não tenho idade e nem saúde para esperar mais.
Tenho 36 anos, já percebi que envelheci horrores aqui, além dos 8 kilos a mais...
Não me reconheço quando olho no espelho e nem nas fotos que tiro.
Vejo uma mulher pálida, gorda e feia.
Que deve estar cheia de varizes na pernas (mas nem olho pra não me deprimir), com algum problema de coluna, com toda certeza, pelo "colchão" que dormia na casa da Marciana - e logo vocês saberão mais sobre minha cama de faquir...

Eu acho que se tivesse 10 anos a menos, talvez eu arriscasse ficar mais tempo, tipo, ver se as coisas realmente entrariam nos trilhos... mas não tenho, além do que disse acima, não tenho paciência...

Acho que depois de todas as humilhações e sufocos que passei aqui não tenho pique para aguentar mais...
Semana passada mesmo eu estava deprê total - acho que foi a tpm, mas... tem horas que é muito barra pesada estar sozinha num país já não tão estranho, mas sem com quem contar, sem ter onde chorar tranquila...
Ah, que saudade de chorar na minha cama! Nunca mais tive essa privacidade... acabei chorando em banheiro e ou na rua... que se dane, os outros não me conhecem...

O que acontece é que muita gente por aqui (Londres) não me entende...
Não só por tudo que falei acima, mas porque muitas pessoas vieram acompanhadas, estão com família, amigos, namorado, alguém que dê um apoio, que ajude nos momentos críticos e eu não, eu vim sozinha e continuei sozinha.
Fiz amizades, mas não é a mesma coisa de passar muita raiva e correr pra contar, ainda são amizades muito novas e que, a maioria das pessoas, como não passaram pelo mesmo, não conseguem, mesmo, me entender.

O segundo ponto é o do outro lado do Atlântico.
Voltar e encontrar minha família não será fácil. Os problemas que deixei continuam lá e prefiro eles a estar aqui, pelo menos é sofrimento coletivo, todo mundo junto, sofendo e se ajudando.

Mas o problema maior do outro lado da Atlântico, sim, serão minhas tias que fazem o favor de tudo ficarem no meu pé.
Tanto que teria o casamento de uma prima para ir e só volto dois dias depois.
Fiz de propósito.

Eu sei e já desabafei aqui como será.
Eu passei a vida inteira sendo vista como menos por elas, sempre minhas primas eram superiores a mim.
Então, chega, né?
A vida inteira foi:
"a F ganhou a boneca tal de Natal, você não".
Claro que eu não ganhei, meu pai nunca teve dinheiro pra isso...
"Nós fomos no Playcenter ontem! Fomos na Montanha Encantada que você queria ir, mas não fomos da vez que você foi!"
"Ah, você tá gorda! Essa roupa nunca vai servir pra você, serve na A"
"Você é muito portuguesa, mesmo, né? Por que não pode gostar de axé e pagode como suas primas ao invés desse barulho?"
"Ih, a S trouxe batons e perfumes pra todo mundo, mas esquecemos de guardar pra você... ah, tem esse aqui!"
sempre a coisa pior que ninguém queria...
"Nossa, como seu irmão é mole! Demora tanto pra arrumar uma antena de TV pra gente!"
Sim, meu irmão fazia as coisas e também sempre foi tachado.

E agora uma dessas minhas tias diz que eu sou antissocial e que se eu não arrumo inglês que eu deveria arrumar outra raça, assim, fácil, num estalo!
Antissocial foi porque disse que estava difícil dividir quarto - logo saberão o inferno que vivi.
Só que essa minha tia não me perguntou porque era tão difícil, não quis saber como era, como sempre, foi jogando tudo no ventilador. Não pensa, só fala o que vem na cabeça e, de preferência, tudo que seja pra detonar logo comigo.
Daí a bloqueei no msn e tive que bloquear todo mundo para, como disse pra minha mãe, os outros não ficarem com ciúmes.

Agora ela veio dizer pra minha mãe que tem saudades de falar comigo e que eu nunca mais falei com ela...
Já disse pra minha mãe: ou você diz que estou magoada ou ela espere pra eu jogar na cara quando voltar...
Infelizmente, anos e anos sendo tratada como lixo uma hora tem que acabar... Seja de forma doce ou amarga, acaba.
E sei que quando voltar e ter perdido o casamento todo mundo vai falar e eu vou dizer: pensei que eu não faria falta no casamento, ou eu fiz falta porque não estava lá pra fazer parte da turma de perdedoras que vocês queriam mostrar pros outros?

Não acho que sou perdedora, mas elas acham, sempre acharam e esse seria, pra elas, o momento de coroação da bela, classe média, doce, fã de axé e pagode sobre a pobretona, gorda, baixinha, portuguesa (por ser brava pra elas, e sim porque eu sempre tive opinião).

Acho que tive uma vida muito dura desde criança, com vários problemas familiares e me tornei uma pessoa extremamente tímida e sonhadora, cheia de traumas e se hoje estou sozinha, tenho certeza, não foi porque perdi, não se perde, não se ganha, pelo menos eu acredito nisso, diferente delas que acham que isso é uma vitória.
Talvez eu seja vitoriosa só por conseguir colocar tudo isso no "papel".
E serei vitoriosa só por ter feito o que sonhava, ter descoberto por mim mesma que Londres não é meu lugar.
Hoje sei que não vou passar o resto da vida falando "ah, Londres que era o lugar para eu viver"...
Eu sei por experiência própria que não é assim e se elas continuarão me criticando, seja pelo que for, só que talvez eu esteja mais preparada para dar um basta nesse bullyig familiar.

14 agosto 2011

1 ano em Londres

Dia 15 de agosto, amanhã, fará um ano que estou aqui em Londres e agora posso fazer um balanço melhor da vida na cidade.

Fiquei lembrando das discussões que lia nas comunidades, no orkut, de brasileiros em Londres. Uns odiavam Londres e não viam a hora de voltar, outros, amavam Londres e achavam babacas os outros que odiavam...
Nunca interferi nas discussões, afinal, eu não sabia exatamente o que me esperava e não sabia de que lado ficaria.

Na verdade, hoje, eu sei que não ficaria de nenhum dos lados, porque entendo ambos: adoro Londres, é uma cidade incrível para se viver DESDE QUE você tenha um bom emprego e um bom lugar para morar de forma confortável.

Muitas pessoas vêm para cá com um sonho de que tudo é perfeito, como eu, e se decepciona.
Sim, eu me decepcionei demais com a vida aqui, mas porque a vida não é fácil para uma brasileira que fala mal o inglês e que acabou perdidaça sem saber o que fazer direito... planejamento malfeito ou nem tanto... acho que  foi confiança nas pessoas que eu pensei que me ajudariam mais e acreditei que as coisas eram mais simples, como me diziam...

Então, como eu já disse aqui uma vez, que faria diferente muita coisa, não tem porque eu falar mal da cidade. A cidade tem sujeira, tem muita gente mal-educada, se paga mal - ainda mais com essa crise na Europa toda-, mas realmente, não posso culpá-la, me dei mal aqui, sim, estão todos cansados de saber, mas a verdade é que um conjunto de acontecimentos destruíram meu sonho.

Não sei se é a mesma coisa que acontece com as pessoas que odeiam essa cidade e querem ir embora correndo... mas muita gente vêm com uma ilusão diferente da minha: ganhar muito dinheiro e fácil. O que você não consegue em lugar nenhum, pelo menos de forma honesta.
Daí as pessoas reclamam da cidade, porque queriam poder mostrar logo pro povo no Brasil que está por cima da carne seca... e estão na verdade debaixo do quarter pound rs
Trabalham como eu: se sentindo escravizados, trabalhos duros, mal remunerados, sendo humilhados, vivendo mal, comendo mal e não aproveitando nada, fazendo contas para mandar dinheiro pro Brasil - o que não é meu caso, só vou levar dívidas pro Brasil, por escolha, escolhi não trabalhar como louca e aproveitar o que pudesse.

Os que amam, se apegaram demais à cidade, podem morar mal, podem trabalhar como condenados, mas amam as diferenças, amam o poder aquisitivo de andar com roupa de marca e ter um iphone ou um blackberry, amam se sentir livres, principalmente se não moram com um bando de brasileiros xeretas... o que acontece muito também.

Acredito que se as coisas tivessem acontecido de um jeito diferente na minha vida, eu moraria aqui de vez: a proximidade com o resto da Europa e poder viajar por ela, além ver os shows dos artistas que amo me prenderiam fácil aqui.

INFELIZMENTE as coisas que já contei por aqui e ainda irei contar - porque estou ainda em novembro pra dezembro do ano passado na trilha da história rs - só mostrarão o quanto foi difícil minha vida por aqui e uma coisa eu posso dizer: se soubesse de tudo isso, acho que viria do mesmo jeito, só pelos shows que acabei assistindo, os lugares que conheci e por toda a experiência de vida que, espero do fundo do coração, tenham me tornado uma pessoa melhor.

Porque, eu acredito, que nada do que vivi e ainda viverei são por acaso, acredito num plano maior que eu aceitei há muito tempo... numa galáxia distante (rs) e se eu não tinha cumprido no Brasil, tinha mesmo que quebrar a cara em Londres para aprender algumas coisas e, principalmente, ter certeza do que era viver em Londres e não passar o resto da vida me lamentando do tipo: ah, se eu tivesse ido pra Londres... aqui não é vida... Londres que é!

10 agosto 2011

imitando o classe média sofre

postando a conversa com a mala sem alça, reparem as datas...

27 julho 2011

O imbróglio mala e encomendas para o Brasil

Durante os meses de junho e de julho estive totalmente ansiosa por uma mala minha que iria mandar para o Brasil...

Tudo começou quando a irmã de um amigo viria para cá no começo de junho e ficou até 03 de julho. Ele me avisou que ela entraria em contato e se eu poderia ajudá-la. É claro que sim! Adoro ser guia! (Os amigos fora de Sampa, que a conheceram um pouquinho comigo, que levantem as mãos agora rs).
Sim, estava contente de ver um rosto conhecido e poder mostrar um pouco de Londres, dos lugares que amo e gostaria MUITO de compartilhar com quem quer que fosse que viesse para cá...
Adoro a cidade, apesar dos pesares, e adoro mostrar os lugares mais diferentes e legais que conheço, compartilhar tudo isso é muito bom.

Voltando, daí pedi para ela se poderia trazer umas roupas de verão pra mim - verão que não apareceu... - e ela disse que a mala dela estava bem vazia, que não teria problema. Meu irmão levou as coisas que minha mãe separou pra ela (inclusive minha meia de compressão porque o negócio de trabalhar como condenada tá f*dendo minhas pernas).
Ela trouxe, a encontrei e perguntei se ela poderia levar de volta uma mala minha, pois estou juntando muita coisa e seria bom ter essa oportunidade para conseguir levar aos poucos as coisas para o Brasil.
Ela me disse que tudo bem, disse para ela que me irmão buscaria as coisas no aeroporto, que eu levaria minha mala no aeroporto com ela e que se fosse coisa demais pagaria o excesso de bagagem e ela sempre dizendo: tudo bem, sem problema.

Liguei para a minha mãe e disse que mandaria uma mala para o Brasil. Como tenho vários parentes fazendo aniversário em julho (2 tias, 1 tio, 1 primo e meu irmão), minha mãe me pediu presentes daqui para todos, depositou até dinheiro na minha conta para isso...
E lá fui eu às compras...

Final do mês de junho, nem sinal da cara de banana (já sacaram o nome dela rs), não me passou o número do telefone que usava aqui, mesmo eu sempre pedindo e ligando para o número dela do Brasil que sempre ia pra caixa postal...
Cansei de ligar e deixar mensagens no Facebook da figura...
Estava preocupada, porque ela queria ir no show do Pulp no Hyde Park, só que a viagem de volta dela era no mesmo dia e não sabia se ela havia mudado a data ou não, se teria que ir de manhã no aeroporto com ela despachar as malas ou não... fora que pensava em ir no sábado, véspera da viagem e do Pulp, pra Kent ver um festival que fecharia, naquele dia, com o Morrissey.
Fiquei nessa de esperar uma resposta... que nunca chegava...
Até que na sexta, dia primeiro de julho, a banana me responde que tinha muita coisa pra levar pro Brasil, que a mala dela já não cabia mais nada e que havia comprado outra, que iria pesar e ver se dava pra pôr algo meu...
Isso na sexta à noite e eu já tinha desencanado do show do Morrissey, com raiva de perder, além dele, Lou Reed, Patti Smith e The Stooges... acabei resolvendo ficar por Londres e fazer outra coisa, já tinha combinado outras coisas porque já tinha perdido o tempo hábil que teria, principalmente porque achava que não conseguiria sair de Kent super tarde e voltar pra Londres no mesmo dia... já acreditava que teria que dormir por lá e como faria se tivesse que ir no aeroporto com a mala?
Além do mais, nem tinha procurado hotel em Kent pra dormir...

Só vi a mensagem da menina no sábado, quando tudo já estava terminado...
Daí respondi para ela que tudo bem, que já tinha perdido mesmo o show do Morrissey esperando uma resposta dela e que não precisava se preocupar com nada...
Daí, a menina só me responde, no domingo, acho que do aeroporto falando:

Cara de Banana 03 de julho às 20:51
ai, fui embora no hives... tive que deixar coisa por aqui, abandonei guias... droga! mas desculpa qq coisa?         

DESCULPA QUALQUER COISA?????


CLARO... eu vim pra Londres para, com toda a certeza, passar pela maior prova de vida que alguém pode ter... pra ser canonizada quando voltar pro Brasil rsrs

Não respondi, melhor do que falar um monte, não? Afinal, o malfeito estava feito...
Estava revoltada e fiquei mais ainda com essa respostinha infantil de uma quase trintona infantiloide que veio estudar aqui um mês e ainda fala que queria ir no show do "pÛlpi" (pior que pupil rs é, eu não perdoo, né? rs)

A preocupação veio: e os presentes que seriam entregues no dia 10 na casa da minha tia no aniversário do meu primo e que todos os outros iriam receber o seu presente também  eestavam todos comigo?

A ideia foi mandar por uma empresa de entrega rápida... minha mãe pagou para eu mandar, já que as coisas chegariam no máximo em 3 dias no Brasil. Fiz a caixa e mandei pela empresa de três letras nas cores linda que combinam tanto: amarelo e vermelho...

Mandei na segunda dia 4 de julho e chegaram no Brasil na quarta, dia 6, e ficaram paradas lá... e nada de entregarem em casa e o aniversário chegando... no sábado, vejo no site de rastreamento que as coisas iriam voltar pra mim e fiquei mais do que surpresa, fiquei sem entender e totalmente nervosa...
Tive que esperar segunda para entender o porquê da volta das coisas... as moças da loja de postagem achavam que tinha sido o perfume (é, a burra aqui colocou na lista "perfume, vinho, cd, dvd, azeite"). Eu achava que não teria problema discriminar nada disso, porque tinha pago imposto e tal na postagem...
Um primo da minha mãe que trabalha em outra empresa dessa disse ao meu tio - é, família toda acionada - que se disseram que iria voltar que não teria mesmo jeito...
Meu irmão ligou para a empresa em Sampa que disse que o problema todo era o vinho, vinho é proibido ser mandado, o azeite também, mas que o azeite ainda passando pela anvisa poderia liberar assinando um termo de responsabilidade...
A empresa aqui pediu se poderia tirar o vinho para fazer a entrega, mas não se poderia mexer no pacote que estava em poder da polícia federal... e que iria voltar mesmo...
A moça da loja me manda um email de que iriam me cobrar a viagem de volta das coisas, aí eu entrei em parafuso e falei pra ela que não queria mais nada de volta... que não aguentava tanto estresse (i couldn't cope all this!) e aí pedi pro meu irmão ligar de volta em Sampa e eles confirmaram que não me cobrariam porque as coisas não deram entrada no Brasil, só se tivessem legalmente entrado eu pagaria... ufa!
As coisas iriam voltar e não teria papo... uma pena não conhecer um corrupto numa hora dessas...
Revolta e mais revolta... e não tinha o que fazer... estressei legal... passei quase dois meses nervosona... nervos a flor da pele, mas não adiantou nada...
Só conseguia culpar uma única pessoa que se não tivesse fugido de mim e tivesse conversado como gente grande teria poupado muito sofrimento meu e da minha família. Afinal, ninguém recebeu os presentes e minha mãe ficou muito chateada e gastou uma grana...
Todo mundo ficou muito chateado...

Uma frase adulta teria mudado tudo isso: Regina, eu não posso levar suas coisas, me desculpe, mas acredito que voltarei com muita coisa para o Brasil.

Não ficaria bonitinho?
Minha mãe não teria pensado nos presentes, eu não teria ido comprá-los, eu teria ido pra Kent e dormido lá e ido pro Pulp sem preocupação e não teria rolado todo o grande estresse da transportadora...

O pacote voltou, chegou segunda agora, dia 25, fui buscar na loja e a moça me disse que se eu quiser mandar sem o vinho, eles cobrariam de mim SÓ (rsrs) metade do preço... e que nunca tiveram problema com o envio de vinho para países como States e outros da Europa...
Não sei se é verdade, mas uma outra menina que conheço, e trabalha em outra transportadora, investigou as coisas para mim e disse que deveriam ter me informado do que pode e o que não pode ser enviado, mas que se eu entrasse com uma queixa, elas poderiam alegar que eu insisti que fosse as coisas fossem enviadas - porque se o cliente insiste no risco eles mandam - e que seria a minha palavras contra a dela...

Bem, esse é todo o imbróglio...
E tudo que só consigo pensar agora é na música do Falcão , porque tudo é culpa de uma grandissima mala...

06 junho 2011

Quase uma bipolar... ou ... vencendo o bullying

Estou reabrindo o blog...
Eu sei, vocês devem ficar: decide o que você quer, Regina!

E, na verdade, eu quero ele aberto, nunca tive blog fechado.

Pensei muito sobre o motivo de restringir esse blog e percebi que quem estava perdendo era eu e meus amigos. Afinal, estava fechando meu blog para o bullying e a única coisa que ele causa é revolta, medo e traumas. Como eu não estou mais na escola, não sou mais adolescente e acho que tenho maturidade suficiente pra lidar com isso, estou reabrindo.
Abaixo a censura! rs

Estava no trabalho refletindo: a esperança tem que vencer o medo! (lembram disso? rs)

Pois é!
Eu não posso ser fraca a ponto de me esconder se não faço nada de errado (sou uma pessoa de altos e baixos e gostaria de saber quem não é) não vou mais me esconder como uma criminosa, não sou criminosa, não sou culpada de nada.
Sou apenas uma pessoa que desabafa muito e, às vezes, até demais, o que gera mal entendidos, principalmente para quem não conhece a "raíz" da questão.

Não tenho que me explicar para ninguém, é fato, mas preciso deixar claro que fiquei extremamente chateada e angustiada por falarem mal de mim, rirem de mim, sem me conhecerem, sem entenderem realmente quem eu sou.
Quer dizer, sem me conhecerem e falam tantas coisas que não são verdade, se se baseiam em meu perfil do Facebook, então, se baseiam muito mal: aquilo deve ser 0,00000000000000000000001% de quem eu sou realmente.
Acusar sem provas, falar coisas das quais não se sabe com o mínimo de embasamento e brincar até por eu usar rivotril - sem saber e entender os motivos do uso desse remédio - é no mínimo triste.
Sim, eu fiquei muito triste de saber que usavam minhas palavras aqui e no twitter para rirem de mim, da minha tristeza, da minha doença e dos meus problemas.
É quase como "chutar cachorro morto" quando me atacam numa crise de depressão... e aí é muito fácil...

Mas todos as pessoas que admiro também sofreram calúnias, difamações, bullying e elas ficaram, preservaram seus nomes. Por que eu, um ser tão pequeno perto dessas pessoas, não posso aguentar essa gotinha?
Serei forte e continuarei com minha vida aberta como era antes. Como dizem: os cães ladram e a caravana passa.
Quem tem a consciência tranquila sofre com coisas como essas, mas sabe que a verdade, cedo ou tardíssimo, sempre vem à tona.

Eu não vou esperar pela verdade vir à tona, vou viver minha vida, com a cabeça erguida, porque eu posso.

17 maio 2011

9 meses e o bebê da esperança nasceu!

Todo mundo que acompanha esse blog sabe que eu já passei por coisas que até eu tenho horas que duvido de que aguentei tanta coisa...

Todo mundo já cansou de me ver reclamar, reclamar, reclamar de Londres. Afinal, não foi pouca coisa que passei e meu sonho virou mesmo pesadelo.

Só que agora, há 9 meses na Terra da Rainha, parece que a ficha caiu.
As decisões já estão meio tomadas (é, porque a gente nunca sabe se podem mudar...) e eu estou me sentindo bem.
Bem no sentido de estar bem comigo e numas meio caminhoneira: fé em Deus e pé na tábua!
Estou com o pé na tábua e com fé de que algo ainda vai dar certo e pra que isso aconteça é preciso que eu me ajude. Coisa que pouco conseguir fazer, desanimei muitas e muitas vezes, para vocês terem uma ideia, cheguei a acordar quase uma da tarde: não saía nem da cama por desânimo... passava o dia no pc e quando tinha tv, me dividi entre a tv e o pc.
Pra que sair na rua?
Pra que olhar pra cara das pessoas?
Pra que estar aqui?

Uma hora eu ia ter que sair do casulo ou morrer nele... e, graças a Deus eu decidi sair... sai, naquelas no começo, comecei a trabalhar, mas sempre pensando "o que que eu tô fazendo aqui?" e sempre deprê, sempre abalada, sempre remoendo o passado - que é passado...
Acho que quando você fica sozinha, morando sozinha (sem família e amigos) você se torna solitária e eu sempre fui um ser solitário, sempre preferi o "antes só do que mal acompanhado" mesmo sem saber se eram más companhias mesmo, o antes só sempre foi mais forte em mim.
Só que é diferente ser antissocial quando se tem família e amigos por perto, por mais que eu me diga antissocial, tímida, fechadona, com pessoas que amamos tudo é mais fácil.
Agora, morando em outro país, em casas onde só o meu dinheiro é bem vindo, tudo fica pior.
Ainda mais num país onde as amizades que se faz não são tão fortes, ainda não consegui nenhuma realmente forte, porque as pessoas estão 24 horas por dia ocupadas...

E eu na minha sede de solidão, fui ficando ainda mais só, mais só... mais angustiada: ninguém tem tempo pra vc, a maioria só quer ganhar dinheiro. Eu sei, muita gente veio pra cá pra ganhar dinheiro ou querendo ter uma vida diferente e melhor do que no Brasil, mas as grande maioria dos brasileiros que vivem aqui não têm vida: só trabalho, trabalho, trabalho.
A outra palavra é dinheiro, dinheiro, dinheiro...

Descobri que grande parte dos brasileiros aqui se tornarem meio ingleses: materialistas totais, egoístas e mesquinhos. Claro, não é que eles pegaram isso dos ingleses, não, só acharam um campo fértil para ser assim sem ter que se explicar... sem ter que fazer aquele tipo "receptividade brasileira, calor humano", não precisam fazer esse tipo, é só dizer: aqui é diferente.
Não, aqui não é diferente, as pessoas é que preferem ser diferentes e entrar nessa linha individualista porque sempre foram, só precisavam, como eu disse, do lugar certo.

Eu cansei de falar mal dos ingleses aqui, falei mesmo! Mas muito foi do que recebi por parte deles... e coisas muito rudes que aconteceram comigo - quem acompanha bem esse blog, sabe.
Mas o que posso realmente dizer deles é que são pessoas muito diferentes: fechados, alguns tímidos, outros muito arrogantes, outros estranhos... outros engraçados rs
É uma mistura, mas uma mistura de gêneros diferente do que eu estava acostumada, são realmente blasè e quando se está se sentindo solitária gente blasè não ajuda em nada....

A verdade é que precisei de 9 meses, completados domingo, dia 15, para entender, pra me reerguer e, espero, conseguir o que almejo: falar com certa facilidade o inglês e escrever razoavelmente.
Na verdade, cheguei aqui querendo ficar fluente, pra isso, teria que ficar mais um ano, o que eu não aguento... só se ganhar na mega-sena rs

Passei por maus bocados até aqui, mas acho que aprendi lições valiosas de paciência, resignação, comedimento, humildade, abnegação e desprendimento.
Imagine entrar na HMV e não poder comprar cds que você deseja muito que custam apenas 3 libras? Faz tempo que não entro lá... nem quero olhar...

Neste momento eu só penso em uma coisa: arrumar mais trabalho, mais algumas horas na manhã, quem sabe, para juntar dinheiro para estudar mais e viajar, só isso...
Imagine o povo que pensa em juntar dinheiro aqui? Fica louco! Fica louco de tanto trabalhar, de tanto querer dinheiro e fica louco porque acha que EU sou louca de querer viajar e estudar...
Isso é problema deles, não meu... eu vim pra ser feliz e a partir de agora, eu quero, com fé em Deus, parar de reclamar e chegar onde desejo, ou quase perto.
Pelo menos do ladinho de Praga rs

14 abril 2011

Deprê pré 8 meses

Amanhã fará oito meses que estou aqui...

Ontem conversei bastante com minha mãe no telefone e chorei muito. Chorei porque me sinto muito fracassada, apesar de estar aqui e foi uma escolha minha. Sinto que a barra está tão pesada que me chamei três vezes de lixo enquanto falava com a minha ela.
Isso porque ela não sabe nem a metade do que passo aqui.

Sinceramente?
Não consigo ver vantagem nenhuma em ter vindo pra cá: todo um sonho se desmoronou e eu não vejo nenhum progresso na minha vida... estou esperando um emprego: talvez eu comece a dar aulas de português em maio - porque aqui também tudo já parou porque escolas estão de férias e todo mundo só volta à vida normal (se é que é vida e normal viver aqui) depois do casamento dos pombinhos reais...

Chorei muito porque falava pra minha mãe que não volto antes do casamento de uma prima minha: o cara a enrola há 6 anos e decide casar com ela quando eu queria voltar: em dezembro. Que saco! Que raiva!
Eu não vou a casamento nenhum!
Minha mãe tentou me persuadir, mas eu sei muito bem o que me espera, perguntas idiotas que se eu estiver aí vou responder com uma educação britânica: NÃO QUERO CASAR, ALGUM PROBLEMA PRA VC?
Claro que isso é mentira, mas que resposta eu darei para um bando de gente que vai me ver lá e perguntar: e aí? Não arrumou um inglês, não?
NÃO TÁ VENDO ELE SENTADO AQUI DO MEU LADO?

Falei para minha mãe, abri o jogo mesmo que eu não vou aguentar, porque a barra vai ser muito pesada pra mim, eu contei pra ela que uma das minhas tias, a irmã mais nova dela, eu a bloqueei no msn porque não a suporto mais: não arrumou um inglês? arruma um de outra raça!
Minha mãe me disse: fez bem, não fala mais com ela, então!
rsrs nunca pensei que minha  mãe pudesse concordar que eu bloqueasse uma irmã dela, mas ela sabe o quanto esse tipo de perguntinha idiota, imbecil, acaba comigo...
Sabe o quanto eu já sofri e sabe que não é culpa minha se estou sozinha.

E ainda tem uma aqui pra me pôr pra baixo porque ela se acha a gostosa... que inferno de vida! (isso é história pra depois)

A ideia que tenho vai pro outro blog (o Sex and the City dos Podres) e lá eu me alongo sobre essa questão, mas eu queria voltar logo pro Brasil, mas esse casamento só faz eu adiar tudo... e fazer com que eu sofra mais um pouco por aqui.
Como disse pra meu irmão e pra minha mãe: eu prefiro passar o Natal sozinha - se for obrigada - ir no casamento da minha prima.
Eu sei, parece ruindade e inveja da minha parte, mas quem disse que eu não tenho inveja?
Vamos ser honestos: é claro que eu queria ter conquistado essa fase no video-game life (lembram dele quem já me lê há séculos?), mas não cheguei nessa fase e acho que não vou chegar porque a pessoa que eu queria encontrar talvez não exista: alguém que realmente me ame, me respeite e seja um companheiro de jornada.
Isso é muito difícil, a grande maioria dos homens só pensa nele, só pensa em como a vida dele comigo seria uma prisão, é porque homem acha que ter um relacionamento sério é ficar no cárcere, não poder pegar vadia por aí...

Então, fiquem com as vadias e não venham me procurar quando estiverem indo pro asilo!
Não quer ser feliz enquanto tem uma vida pela frente, não me procure pra ser enfermeira quando estiver abandonado, eu estudei Letras, lembram? Enfermagem não é meu ramo.
E nem me venham falar do meu lado Madre Tereza, esse eu vou guardar para pessoas importantes... quem disse que eu chego a ser um madre de verdade?
Vai muita encarnação pela frente... assim como eu acho que vão muitas encarnações até que os homens descubram que amor não é prisão e sexo não é tudo, muito menos com uma cada dia...

... enquanto isso...
vamos sofrendo cada um no seu canto: vocês, homens, fingindo que pegar gostosas é tudo na vida e eu fingindo que Londres é legal.
Quem sabe na próxima encarnação, né?

Nesse momento que tento escrever a Bruxa do Centro-Oeste está aqui... pra cima e pra baixo e eu mal posso escrever e chorar... ela está de folga... que porcaria!
Em breve, quem não lê o meu twitter, saberá quem é essazinha.

A verdade é que eu me sinto extremamente cansada de tudo aqui, só me prendo ainda por conta desse tal emprego que se eu conseguir isso sim vai ser bom pra minha carreira no Brasil e porque tenho ingresso pro Pulp dia 03 de julho... mas com o casamento da minha prima, que minha mãe não sabe a data exata, talvez eu volte só em janeiro pro Brasil...

É, eu sei, eu sou teimosa, mas eu não vou aguentar parente e conhecido com gracinha e perguntinha sem vergonha. Prefiro continuar o sofrimento daqui...
Aí vocês podem dizer: então não reclama!
E eu: NÃO ESTOU LHE OBRIGANDO A LER MEU BLOG! VOCÊ TÁ LENDO PORQUE QUER, NÃO QUER? NÃO APAREÇA POR AQUI... simples assim...
Não faço questão nenhuma de que leiam pra ainda me repreenderem, já sou repreendida a todo momento aqui e muitas vezes fazendo o certo, não aceito queixa de quem não está sendo obrigado a ler, não faço questão que continuem se acham que eu só reclamo.
O blog é meu e eu desabafo, sim!
Não gosta?
Tchau!

10 março 2011

Amanheci meio Madre Tereza

abri o blog de novo e o twitter...

não sei o que estou fazendo e pode ser que logo feche tudo de novo rs

só sei que estou cansada de ser eu... preciso me reinventar...

é muita coisa junta - e nada boa - acontecendo na minha vida aqui... o problema deve estar em mim...

26 fevereiro 2011

sobre a italiana ainda

depois da postagem, depois de ter ido embora da casa da mulher, ela me mandou também uma mensagem pra eu verificar se meu dinheiro tinha caído na minha conta, ela tinha feito o depósito via internet.

claro que quando saí do trabalho olhei...
claro que não mandei mensagem pra ela confirmando na mesma hora... fui mandar só no outro dia depois do almoço e ela me respondeu

"Great. Thank you for helping over the past two months. Good luck"

Será que a mulher escreveu isso porque percebeu que pegou muito pesado?
Não sei, só sei que não respondi e não preciso responder nada.

E eu ainda mostrei que sou honesta pra ela: antes de ir embora, ela queria saber quantas horas eu havia trabalhado no mês de fevereiro e ela, contando pelo calendário, confundiu 31 de janeiro, uma segunda-feira e eu mostrei o erro pra ela. Poderia muito bem ter passado por "só poderia ser brasileira mesmo" e ganhado mais 4 horas, mas como sou uma pessoa honesta e que em nenhum momento tentou levar vantagem as custas dela ou de qualquer pessoa e sempre fui transparente, mostrei isso pra ela mais uma vez, como se adiantasse, né?

E outra, na última segunda ainda lavei os banheiros e organizei todo o quarto das crianças e tirei o pó da casa, coisas que não faço e que precisavam ser feitas... nunca que ela vai reparar nisso... mas tudo bem. O importante é ter consciência tranquila de ter feito sempre meu trabalho correto e honesto e, infelizmente, ter passado por uma fatalidade como a do gás.


++++
mais uma coisa: antes de ir embora da casa, ela queria que eu me despedisse das crianças, que estavam dormindo (às 4 e meia da tarde, que horas ela vão dormir à noite????) e eu disse que deixasse elas dormirem,,, que tudo bem...
cada uma...

23 fevereiro 2011

Patada merecida?

Acabei de fazer um marcador novo: patadas, porque o que eu mais ganho aqui é isso...

Tá certo, a situação foi até grave, eu sei, eu admito, foi grave e a culpa é minha.

A história da casa em Dalston, região de Hackey, e Stewart Leetle vai ter que esperar mais um pouco, porque agora vem novo desabafo... senta e pega o lenço que lá vem história...

Antes, gostaria de agradecer todo mundo que anda me mandando emails e me desculpem por não responder, a minha vida parece que é uma sucessão de acontecimentos que não me dá tempo e, muitas vezes, ânimo de responder a todos, mas obrigada pelo carinho e espero responder todos!
Obrigada, de coração!

Bem, a história é a seguinte...
Estava trabalhando na casa de uma italiana que tem dois filhos gêmeos, um casal, de 4 anos. Limpava a casa, passava roupa e pegava as crianças na escola, isso toda a segunda desde o começo de janeiro.

Essa segunda as crianças não foram pra escola, porque aqui, de dois em dois meses, eles têm uma semana de férias que chamam de half term.

Aí ela tinha que resolver algumas coisas de manhã - porque no curso dela também é half term e ela não teve ou deu aula, até hoje não sei - e pediu pra eu ficar das 8:30 da manhã ás 15:30 com as crianças.

Daí fiquei, ia ganhar um pouco mais, as crianças já me conhecem, não vi problema, dei café, levei as crianças no parque, dei almoço... daí, na volta do parque, quase na porta de casa, a menina cai no chão, de cara no chão, e rala o nariz um pouquinho.
Tudo bem, limpei e tal, a menina chorou e logo parou e tranquilo, continuamos a vida.
Aí a mãe liga mais tarde, acho que depois do almoço e ela pergunta se está tudo bem, eu digo q sim... pra mim, tudo bem... 

Quando a mulher chegou em casa...  ela sentiu um cheiro forte de gás... ela ficou desesperada! e perguntava pra mim se eu não sentia, se as crianças não sentiam. E nós não sentíamos, estávamos dentro de casa todo aquele tempo, acostumamos com o cheiro... 

Ela foi olhar e uma das bocas do fogão e estava aberta, não tinha chama, mas estava ligada... eu devo ter limpado o fogão e virado o negócio e não percebi, porque os botões ficam de lado na parte de cima, do lado das bocas e é só virar que abre o negócio, só acende se você força, mas o gás sai e estava sumindo as letrinhas de informação...  (tipo que lado está ligado e tal, qual boca é aquele botão...)

A mulher surtou, claro e ainda viu o nariz da menina raladinho e eu falei pra ela que a menina tinha caído a mulher abriu toda a casa, ajudei a abrir, eu também fiquei assim, sem ação... eu também me assustei... ela abriu a casa pegou as crianças e foi com elas pro parque, antes, ela abraçava as crianças como uma desesperada e olhava feio pra mim...  me senti arrasada, como se eu fosse um monstro...

Bem, eu sei, foi gravíssimo, eu não me conformava, eu fui embora transtornada... a mulher se disse em choque eu disse q também estava...

Fui embora pensando fiz merda, e a mulher vai me mandar embora, dito e feito, ontem me mandou uma mensagem pra eu devolver a chave, que segunda que vem seria meu último dia e que depois dos acontecimentos não daria pra eu continuar na casa dela, eu respondi que a entendia e que levava a chave no outro dia que ela não precisaria se preocupar que eu entendia e respeitava a decisão dela e esperava por isso.

Também pensei: ela quer que eu vá mais uma segunda com que clima? Ou só por que ela quer que eu passe aquele monte de camisa social do marido? Porque eu passo umas 7 por semana... essa semana não passei, deve ter umas 14 me esperando lá... e vão continuar...

Então, aí eu fui lá na casa dela levar e nem ia entrar na casa, só deixar a chave e ir embora, não tinha mais o que falar, eu estava arrasada com tudo... mas ela quis que eu entrasse e começou:  ela disse que o pior de tudo foi eu não ter falado no telefone que a menina tinha caído, porque acidentes acontecem (do gás)... aí eu expliquei pra ela que não lembrei de falar no telefone porque a menina estava bem e eu não quis preocupá-la, aí a mulher virou bicho e disse que quem tem que decidir se fica preocupada era ela, não eu, que eu ESCONDI que a menina tinha caído e que quando ela chegou, além do gás, dá de cara com o machucado no rosto da menina e que claro que eu não entendo, eu não tenho filhos, eu não poderia entender.

Nossa, fui pro ponto do ônibus desolada, chorei lá... porque, poxa vida, ela não precisava arrasar tanto assim comigo, eu não lembro se ela sabe minha idade, então, se eu tinha dito, já deixa claro a indiretinha dela, eu só dizia pra ela "tudo bem" "eu entendo você" (eu vou ser canonizada ou não?)
Fiquei no ônibus chorando pensando "realmente eu não tenho filhos, não sei se os quero, mas se ela soubesse que se eu quiser, eu talvez não consiga ter (tenho problemas hormonais que dificultam que eu engravide e a idade já não ajuda), será que isso teria deixado ela menos seca comigo ou ela usaria isso ainda mais pra me cutucar?

Fiquei muito triste com tudo, não queria que tivesse acontecido o que aconteceu, gosto das crianças... foi um grande descuido que eu tomo agora como lição para tomar mais cuidado agora.

 Eu sei, eu fiz besteira, mas que fogão de merda que não é seguro! e outra: p*rra, a menina estava bem!

Fiquei pensando que no Brasil, não me lembro de uma mãe ficar tão louca porque o filho caiu... caiu, levanta, brinca de novo... não consigo mesmo entender isso, talvez porque eu não seja mãe... mas o problema é que

poxa vida, minha vida é só patada nessa terra?
Até quando vou continuar teimando em viver aqui? Quero teimar até o final do ano, será que consigo?

15 fevereiro 2011

6 meses...

... e lá se vão seis meses!!

Seis meses, eu achei que não aguentaria tanto... e espero aguentar um pouco mais...

Bem, vocês sabem de tudo: que a vida aqui é difícil (uma merda mesmo rs), que Londres só como turista.
Descobri que realmente eu não tenho nada a ver com esse povo, tirando o rock daqui, pra mim, nada faz sentido: não tomar banho ou só dentro da banheira (nojo!), comida apimentada, dormir sem "lençol de cima", aquecimento (ODEIO!!! e me mata de alergia), carne que tem um gosto estranho (a de vaca), parece que é velha...
odeio aquele fogão de chapa, sem boca com chamas, ODEIO! minha comida sempre queima por baixo e fica aguada por cima.

E o bolo de aniversário daqui?
É HORRÍVEL!
Um pão-de-ló sem graça com uma cobertura totalmente feita de açúcar, dá até um nó na garganta de tanta açúcar... horrível... saudade dos meus bolos, que não faço porque não tem batedeira na casa...

Saudade de uma manga de verdade, de uma laranja de verdade, porque elas não têm gosto aqui... como a maioria das frutas que vêm de longe...

Saudade de um churrascão com maionese, farofa e salada de acelga com shoyo. Um bolinho de mandioca com carne seca!

DA COMIDA DA MINHA MÃE!!!

Saudade da família e dos amigos, saudade dos meus bichos fofos...

Saudade da minha cama, do meu colchão e do meu travesseiro!
Do meu guarda-roupa e todas as roupas que estão lá e que gosto tanto... dos meus cds, livros, dvds!!! (que logo todos terão novos amiguinhos rs).

Saudade de assistir minhas séries na minha tv da sala, saudade de ficar á toa vendo séries e filmes na tv e batendo papo com a minha mãe.

Saudade de conversar com a minha mãe, ouvir os causos dela, ouvir ela cantando enquanto faz as coisas da casa, saudade das graças do meu irmão e até saudade da rabugice do meu pai!

Saudade de me sentir num lugar que parece meu, onde as coisas fazem sentido, as pessoas fazem sentido, mas até hoje não sei se a vida fazia sentido...
Aqui não faz.

A única coisa que faz sentido aqui é assistir aos shows que estão por vir, só assim pra eu lavar a alma! (Estourei meu cartão de crédito do Brasil rs que se dane rs)

E conhecer o resto da Europa, isso também faz sentido, estando tão perto.

Mas viver aqui e não falar inglês é frustrante e não faz sentido. Não estudar inglês e viver como mendiga (ando como uma na rua, não me reconheceriam...) ou quase sem teto, com roupa de faxineira pra todo canto...
Ser faxineira é um trabalho digno?
Não, em nenhum lugar é porque ninguém respeita e ser uma pessoa com uma formação educacional alta e ter que ouvir um povo mal educado que só fala palavrão sendo seus colegas de trabalho, faz menos sentido ainda (não que no Estado fosse muuuuito diferente rs), mas os portugueses toscos que trabalham comigo, principalmente as portuguesas, não fazem o mínimo sentido em existir pra mim: principalmente se você é uma imigrante ignorante (iminorante rs)e se fica de nariz empinado porque nasceu na rabeira da Europa, não adianta ter história, tem que ter berço e essas fulanas que sairam de um buraco na ilha da madeira podem bancar as "melhores" pro povo do povoado delas, não pra mim que sei de que buraco sairam).

Bem, eu espero que o tempo que eu ainda aguente aqui valha de alguma coisa, mas uma lição eu aprendi com a Dorothy: não há lugar como o nosso lar ahahhahahahah
Pode parecer besteira, mas nada como se sentir em casa, estar em casa, se aconchegar.

Acho que lições valiosas eu tirarei daqui, espero que tudo isso me ajude a ser uma pessoa melhor, como eu sempre brinco: canonizada rs
Porque faquir eu já sou no colchão SÓ de molas...

Mais uma: o que adianta ter caras bonitos se não tiram a cara do jornal, do livro e do facebook em seus iphones e blackberries?
E ainda todo mundo diz que são uma negação rs
E pelo jeito não aprendem nada com os livros que lêem... rs
Preferem jogar paciência no "mobile" a olharem pro lado, então, encham mesmo a cara todo dia no pub e peguem a mocreia dos seus sonhos... que eu tô fora! vocês não fazem o mínimo sentido pra mim!

26 janeiro 2011

ultimatum

Estou dando um ultimatum a mim mesma...

Infelizmente meu dinheiro acabou e fazendo faxinas estou ganhando várias dores pelo corpo: coluna, joelhos, pernas de modo geral, e na sola do pé (talvez seja esporão), mas o pior é amanhecer com as mãos formigando e sem conseguir fechá-las direito.
A dona da casa aqui, a qual eu ajudo, fez uma cirurgia na mão na véspera de Natal, já tinha feito na outra, ela sentia as mesmas coisas que estou sentindo agora. Tiveram que abrir e acho que mexer ou retirar um nervo, músculo da mão...
Não quero chegar a esse ponto!
Estou com medo de me aleijar, sim, aleijar porque eu era uma pessoa normal antes disso.

Estou dando um ultimatum a mim mesma (estou usando a forma no latim da palavra, né?):
preciso de dinheiro, mas não vou mais ajudá-la... estou me prejudicando também;
se eu não arrumar logo outro emprego que der pra eu sobreviver dignamente aqui, volto logo pro Brasil, com uma mão na frente e outra atrás, mas tentando manter um pouco do que restou da minha saúde.

20 janeiro 2011

As últimas de London

Tive um desabafo enorme no twitter ontem, não quis apagar e fingir que nunca escrevi.
Tenho depressão e ela parece voltar agora... a vida não anda fácil aqui e eu me sinto esmagada pela cidade.
É como se o Big Ben caisse em cima de mim.

Eu sabia que não seria fácil minha vida aqui, mas não pensei que seria uma "patada" atrás da outra, que eu não tivesse mais vida...

Cinco meses aqui e o que ganhei foram quilos, só isso.

Estou gorda, acabada, cansada, deprimida, ansiosa, revoltada, sufocada e nem consigo chorar: não tenho mais privacidade pra isso.

Não tenho dinheiro para ir aos shows que gostaria e comprar os cds e dvds que queria, entre tantas coisas, pra mim, a vida tem sido muito irônica: eu amava a música daqui e nem ouço o rádio.
Agora eu não tenho mais tv, eu não tenho mais a privacidade para ficar até uma da manhã na internet conversando com meus amigos e família.
Minhas roupas estão todas em malas e todas as minhas coisas num minúsculo guarda-roupa, tudo amontoado.
Não cortei mais meu cabelo, não fiz mão ou pé. A última vez que fiz foi no Brasil, antes de viajar.
Precisava de uma limpeza de pele, minha pele tá só o bagaço... os produtos que trouxe pra limpar estão amontoados, até eu achar onde estão e tirar tudo do armário, eu já cansei... já perdi a vontade de qualquer coisa, fora que o tempo também, muitas vezes é o que eu menos tenho: tempo.

Trabalho, trabalho, trabalho.
Dinheiro?
Uma miséria por semana que vai pra cama que eu alugo por 50 libras por semana  também. Porque eu só alugo uma cama, com um colchão que é só mola, espuma não existe...
Ainda bem que meu irmão mandou pra mim meu rivotril, tomo e durmo direto, nem sinto a dor das molas no meu corpo e nem a dor das minhas mãos e costas inflamadas de tanto faxinar.

Minha amiga Fabiana me perguntou se tudo isso está valendo a pena e eu digo: não, não está, mas eu sou teimosa, eu ainda vou tentar aguentar mais um pouco... ainda vou tentar conseguir outro emprego pra ganhar mais e pelo menos viajar pela Europa e voltar pro Brasil.
Quero tirar ainda meu certificado de Cambridge aqui... eu disse que era questão de honra, sou teimosa e estou sendo, eu sei, orgulhosa.

Infelizmente eu sou mesmo, eu sei que vou chegar no Brasil e minhas tias vão continuar comparando eu e minhas primas, principalmente a que teve uma vida muito mais fácil nos States, sendo babysitter e não pagava aluguel nem comida, e ainda tinha curso pago.
Eu sei que todo mundo vai falar "mas a nossa queridinha ficou 8 meses nos States e sempre consegue bom emprego, ele é fluente! como você voltou do mesmo jeito?"

E outra: acho que não vale a pena ter sofrido tudo isso pra não ter um retorno quando voltar...

Estou cansada, triste e extremamente mal-humorada. Falei palavrão e mandei o povo se fuder no twitter, mas eu tenho meus ataques de raiva porque eu não aguento mais me sentir tão sozinha...

Tô de saco cheio de uma das roommates dormir às 9 da noite e eu ter que usar a internet na sala/quarto da Landlord. Tô cansada de ter que ligar pros meus pais do busão para poder conversar com privacidade - se é que há no busão com tanto brasileiro... mas pelo menos não me conhecem...
Tô cansada de não comer bem, de ter um mísero espaço na geladeira da mulher, cansada de estender minha roupa num varalzinho improvisado no quarto que logo vem a chata e sempre, SEMPRE, tem que lavar as roupas dela em seguida pra tirar as minhas...
Tô cansada da landlord me tratar como se fosse filha dela e querer saber e perguntar da minha vida - ela é gente boa, mas eu não devo satisfação...

Simplesmente, eu estou cansada de não viver.

01 janeiro 2011

Balanço de 2010

Todo mundo que me acompanha desde o Perplexões já sabe que eu sempre faço uma reflexão sobre o ano que termina.

Esse ano foi um ano atípico, não só por conta da minha viagem aqui para Londres, mas também houve coisas que mexeram muito comigo... talvez também por conta da viagem... na verdade, talvez a viagem tenha feito mais modificações em mim do que eu estou pensando...

O ano começou cheio de planos e que eu quase desisti deles por conta de um ex.

É engraçado, eu desistiria de tudo por ele e teria mesmo feito isso, só que é aquela história "não dê preferência para quem te faz de opção" e, realmente, eu não era tão importante na vida dele, não mesmo. Afinal, ele passou anos só falando, e nunca fazendo, nunca teve um gesto realmente de que eu era o que ele tanto dizia, era só falação.  Falar é tão fácil... e como diz a música "palavras, apenas palavras, ao vento".
E pra coroar ele ainda editou um e-mail meu para poder me responder mal, para poder me chamar depois de tantos anos de compreensão, de egoísta e rancorosa. Eu posso ter sempre dito coisas a ele, falado um monte, mas nunca, NUNCA eu disse uma palavra inventada, nunca precisei modificar frases dele para ter razão. E isso eu realmente não aceito. Não tem volta.

Foi uma parte do ano totalmente frustrante... eu quase desisti de tudo por uma pessoa que nunca fez um esforço realmente para ficar comigo... sempre choramingando por meu amor, mais nada. E ainda foi agressivo ao tentar ter razão, sem ter e editando um e-mail. Isso eu nunca vou poder perdoar, foi sujo, foi baixo.

Depois, com a tristeza e a revolta, resolvi ter um revival com outro ex - o preferido, aquele que guardo muitas recordações maravilhosas - e me senti perfeita, me senti muito, muito bem, mas era só um one night stand... infelizmente para mim não foi... mas tinha que aceitar que não dava para ser mais que isso... por questões minhas e dele e que não era o momento para mais nada, mas fiquei realmente feliz e plena.
Como se tudo o que um me pôs pra baixo o outro vez o inverso e me pôs lá em cima... a mulher mais feliz do mundo... mesmo que isso tenha sido apenas um final de semana.

Fui embora do Brasil sentido que tinha deixado muitas coisas importantes para trás, não só esse rapaz, como a família e os amigos.
No dia da ida disse que voltava, e não mudei de ideia até hoje.

Claro, toda escolha tem uma consequência e eu arco todos os dias com ela. E quem lê aqui sabe o que tenho me passado e ainda vai saber muito mais... tem muito ainda pra ser falado...

O que eu sei com certeza é que não dá pra voltar agora para o Brasil: de mãos abanando. Gastei todas as minhas economias, sofro como uma condenada de saudade de todos (menos do trabalho), fico cada dia mais racista (em todos os sentidos) por conta de coisas que vejo e me irritam - eu nunca estou satisfeita (I can't get enough) e sei que tem outras coisas (como o transporte público e as coisas de marca a preço de banana em libra) que eu sentirei falta e por tudo isso não posso voltar de mãos abanando.
Não adianta passar por tudo isso e voltar sem nada, eu tenho que ganhar algo com tudo isso. NÃO só experiência e minha meta para 2011 é estudar como uma louca para um certificado Cambridge e viajar muito por essas bandas, estou aqui e não posso perder essa oportunidade...

... E depois...
Brasil!

Gostaria muito de juntar dinheiro e chegar no Brasil e comprar um apê pra mim, mas acho isso, no momento, quase impossível, se juntar dinheiro pra viajar e estudar, estará ótimo!

E já digo pra vocês: dividir quarto é o /cu !!!

08 dezembro 2010

Pessimismo

Quase quatro meses aqui e pelo post abaixo já viram que eu ando de novo sem muitas perspectivas por essas bandas.

Como eu disse, ontem foi niver da minha mãe e fiquei muito triste de estar aqui, mais do que no dia do casamento do meu irmão que vi as fotos e fiquei triste também de não estar...
As coisas vão se juntando, ele me manda as fotos, minha mãe faz aniversário, meu pai, finalmente me entende e me dá apoio...
E aí eu já estou me sentindo sozinha, com saudade dos finais de semana que saía com meus amigos e aqui eu não faço nada, trabalho de sábado, na verdade, e às vezes no domingo dando aula ou faxinando.
Outro dia fui a um restaurante, sexta à noite, estava voltando pra casa de dar aulas e resolvi que não ia esquentar comida, mesmo tendo comida em casa, desci na estação de Highbury & Islington e decidi comer, estava com vontade, vejam vocês, de um prato de Fish and Chips - eu que praticamente não comia peixe no Brasil.
Como eu já contei, sempre tem a opção "take away" e eu prefiro sempre comer no lugar. Sentei-me e esperei o atendimento, o lugar está quase cheio e a única pessoa que ia comer sozinha era eu. Quase pensei em ir embora, mas me lembrei que os ingleses não dão a mínima pras outras pessoas, então, ninguém ia ficar me olhando e apontando "olha, vai comer sozinha!" e relaxei, no Brasil, teria saido correndo do lugar.

Fiquei lá olhando, todo mundo com companhia e me lembrando de que eu tinha amigos para sair e comer, conversar, me divertir no Brasil. Aqui, não. Aqui não tenho ninguém. Estou sempre sozinha e não é que eu não queira fazer amizade com as pessoas com a idade próxima a minha, sim, eu quero, mas parece que ninguém se importa em fazer amizade comigo, me convidar pra algo. Principalmente porque a maioria das pessoas que conheço são casadas, então, acabou...
No dia que estava no restaurante comendo mandei pro meu twitter a frase "I need a female friend to go out in London" ou coisa assim... porque eu queria sair, me divertir e assim, sozinha, anda muito difícil. E como me animar assim?

Daí fico nessa busca por emprego, uma canseira atrás da outra e eu pensando que tinha conseguido um, a mulher me diz que é só um "trial" comigo... tudo bem até aí, desanimei, mas tudo bem. O problema maior que foi a gotinha que faltava pra encher o balde e eu querer chutar foi uma mulher que trabalha no lugar me dizer na hora que estou indo embora.
Ela disse que eu preciso ser mais expansiva, que preciso falar mais o inglês e blábláblá...
E aí percebi que essa mulher poderá ser quem escolherá a pessoa pra trabalhar no lugar. Se ela já me disse isso, é porque colocou defeito, se colocou defeito, não vai ajudar a me escolher pro emprego. Sério! Eu já estou mais do que diplomada nisso! Nem tenho chance... ela já veio falar isso pra mim pra dar desculpinha... já sei...  daí me deprimi de vez...

Eu só permaneci no lugar por volta de duas horas, uma escola em que eu ficaria auxiliando as crianças no intervalo. Não conhecia as pessoas de lá... fico na minha, é normal, eu não conheço, converso, peço ajuda daquilo que não sei, tento me enturmar, mas é aos poucos, não foi me "expandir" do nada. Conversei com as mulheres que trabalham lá, pouco, porque estava ainda vendo tudo como novo... me adaptando... me familiarizando. Quando as crianças chegaram ajudei as que me pediram ajuda. Elas me perguntavam meu nome e eu respondia, tentava brincar um pouco com elas mostrando que meu nome e sobrenome eram difíceis para elas. Estava gostando de ficar ali.
Essa mulher que me falou as coisas foi a que menos ficou comigo no trabalho porque depois ela foi com as outras crianças para o pátio e eu e outra ficamos com as que ainda não tinham terminado o lanche e as outras turmas que chegavam para o lanche - limpando e arrumando o lugar do intervalo.
Então, assim, o que essa mulher sabe de mim para falar as coisas? Eu já sei que se depender dela eu estou fora, só pelo comentário que ela fez, não sou boba, já estou acostumada, mas acho injusto, MUITO injusto esse tipo de julgamento.
Eu luto todos os dias para melhorar meu inglês, para falar e ser entendida, tentei conversar um bom tanto com essa mulher (que também tem sotaque e não é inglesa, imagina Mrs. Félix onde é inglesa?), tentei me explicar, ajudar no trabalho o mais que pude e ainda levo cacetada, porque pra mim é porrada, sim!
Eu estou farta das pessoas me tacharem, estou "por aqui" de me dizerem que eu tenho que fazer isso ou aquilo. Eu tento e só me frustro a cada negativa que recebo...
Estou cansada de me frustrar, acho que é melhor ser faxineira mesmo, estou na base e ninguém me enche o saco e se encher vai dizer "ah, coitada, é só uma cleaner, mesmo"...

Estão me fazendo eu me colocar num lugar muito abaixo do que eu sou, mas eu não aguento mais toda essa pressão e estar sempre sozinha. Eu não aguento mais ouvir "conselhos" de quem não me conhece, mas que deveria entender o meu lado, porque, com certeza, já passou pelo mesmo.
Eu não aguento mais tanta intrasigência de quem não é nada e, na maioria dos casos, menos que eu.
Eu não aguento me esforçar e não ter nunca reconhecimento seja onde eu estiver, aqui ou no Brasil.
Estou farta de não ser nada.
Estava farta de ser a "professora do c@ralh*" como xingou um aluno e estou cansada de ser "saco, mais uma imigrante que não sabe falar direito a nossa língua".

Você não sabem como é frustrante estudar anos de inglês no Brasil e descobrir que só se jogou dinheiro fora - tirando a gramática - que toda sua pronúncia é um lixo, que você não entende p*rra nenhuma que um inglês fala porque você só ouvia aquelas fitinhas e cds malditos que pronunciam ou em inglês americano e lentamente... falando tudo de-va-gar-zi-nho...
Ou pior, ter professores com sotaque americano na Cultura Inglesa ou sem sotaque nenhum, puro sotaque brasileiro e ainda: aprender em todos os lugares que passei - e confirmei isso com uma prima que estudou em outro lugar e ela também aprendeu assim - que "pupil" se pronuncia "pâpil" e chegar aqui e ninguém te entender porque se pronuncia "piulpol" quase como "people"...
Entre outras palavras, mas essa foi assim, o ápice do meu ódio com os cursos que fiz no Brasil.

Junte tudo isso, todo inglês aprendido errado e mal ensinado, saudade da família e dos amigos, estar sozinha e muito solitária e ponha uma grande pitada de veneno, sim, pra mim foi como veneno o que a mulher me disse, e me diz no que que dá...

Dá no  que estou sentido agora...
Frustração, depressão, carência, ódio, raiva, melancolia.

07 dezembro 2010

Desabafo em tempo real

Tenho postado aqui coisas que já aconteceram há um tempinho, ainda não consegui postar de acordo com o que acontece, porque minhas postagens ficaram muito atrasadas graças à história de não haver internet (pra mim) na Mansão do Mal... mas isso logo eu contarei detalhadamente...

Hoje vou finalmente fazer um desabafo em tempo real, como diz o título.
Hoje é aniversário da minha mãe. Liguei pra ela, conversamos, dei parabéns e disse que a amo e ela disse que também me ama, não aguentei e desliguei o telefone e ela também... deve também ter ficado chorando do outro lado... sinto muito a falta dela... é muito difícil... sempre fui muito apegada a ela e está sendo muito, muito, muito difícil e, com certeza, para ela também.

Fui comer minha pizza velha, enquanto sei que em casa, lá no Brasil, tem lasanha e não terá o meu bolo que costumo fazer... e fiquei pensando na minha vida.

Será que valhe a pena tudo que estou fazendo?
Será que valhe a pena não estar com as pessoas que mais amo e que me amam de verdade para estar aqui: numa casa com rato (em breve contarei sobre ele, James Stewart Little), pagando um aluguel que considero abusivo, tomar banho numa banheira (o chuveiro fica dentro da bosta da banheira) que outros já cansaram de fazer a festa antes de você, ouvir de pessoas que não te conhecem que você precisa ser mais expansiva que assim fica difícil para arrumar um emprego... ter que lavar banheiros seguidos durante todo um dia para ganhar 40 ou 50 libras no dia?

Sinceramente, não sei se vale a pena...
A única coisa que sei é que não queria estar no meu trabalho de professora sofredora e para esse serviço é que eu não volto, mas e como fica todo o  resto?
Será que era melhor eu estar sofrendo na escola no Brasil do que aqui vivendo tudo isso e achando que nunca vou falar direito a bosta dessa língua dos infernos e que todo mundo tem que pôr defeito em mim, não ter paciência quando tento conversar e ficar sozinha num quartinho conversando com meus amigos do outro lado do oceano ?

Pondo na balança... não sei, viu?
Estou me sentindo completamente sozinha, solitária e não vejo nada que faça as coisas aqui mudarem porque os brasileiros são, na grande maioria, asquerosos, mais que J.S. Little e os ingleses nunca fazem amizade com estranhos e as demais nacionalidades são ainda mais impacientes e arrogantes que qualquer outro...
Quanto tempo ainda pra eu jogar a toalha?