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15 maio 2016

O emprego na lanchonete estilo francês

Eu ficava procurando emprego no Job Centre, um site de um local feito pelo governo inglês para se procurar emprego, na verdade, primeiro tive que ir até o local para me cadastrar... Na verdade, você pode procurar empregos só pela internet, mas fui até o local para ver se algo acontecia mais rápido.
Fica longinho perto do famoso bairro de Hackney, Madonna morou por aquelas bandas e tem uma vida cultural e noturna famosa. Longinho para que está do outro lado da cidade...

Fui chamada em dois locais para trabalhar, o primeiro que conto hoje era um bar/restaurante ao estilo francês, com música francesa e tudo mais. Ficava na região da estação St. John's Wood,  região de Maida Vale, onde fica a Abbey Road e a casa do Paul McCartney. Algo como morar no Alto de Pinheiros, quase uma Vila Madalena.

este ainda é de plástico, aquele era de ferro...
Conversei com o dono - marroquino há muitos anos na Inglaterra, falava muito bem o inglês - que me aceitou pro dia seguinte. Eu teria que limpar todo dia de manhã, por duas horas, o estabelecimento antes de abrir. Parece simples se eu não tivesse que levar um balde de carrinho super pesado e subir escadas com ele e ainda pôr a placa dos pratos do dia pro lado de fora do bar. 

 Trabalho realmente para homem e quem fazia antes de mim era um rapaz, que foi me ajudar no primeiro dia a mostrar o serviço que consistia em limpar toda a parte das mesas e cadeiras, banheiros e o lado de fora da loja. Não era muita coisa, mas eu teria que trabalhar todos os dias, sem sábado, sem domingo, todos os dias sem descanso por duas horas de manhã cedo.
Aceitei, precisava do dinheiro, é claro.

Trabalhei lá por duas semanas, o que me preocupava é que os sábados eu tinha que acordar ainda mais cedo, pois depois tinha que ir até a escola dar aulas de português para crianças e era longe. Também me preocupava o fato de eu querer em breve viajar e não poderia dia nenhum, porque eu trabalhava todos e isso pesou para que eu não ficasse.

O rapaz que me ensinou o trabalho não era inglês, lógico, acho que era palestino, parecia muito de saco cheio deste emprego e sempre dizia pra mim: "cuide  de você! não se preocupe se não conseguir, não vai se matar carregando esse balde, cuidado com as costas!".

Marciana e Bruxa do Centro-Oeste se sentiam realizadas me vendo acordar 6 da manhã, parecia que pra elas, agora, eu tinha valor, eu estava vendo a dureza que era viver em Londres (como se eu não soubesse já). Pegava dois ônibus, um até Lancaster Gate (fundos do Hyde Park) e outro que passava perto da estação de St. John's Wood para economizar, ao invés de pegar o metrô direto em Elephant & Castle (Bakerloo Line) até Baker Street.
Caminho com os dois ônibus

Até que teve um dia que esqueci a chave em casa... cheguei pra trabalhar cedinho no lugar e era eu quem abria o bar, não servia ninguém, mas o cozinheiro (brasileiro) chegava depois e continuava por lá antes de abrirem em definitivo.
Cheguei e esqueci a chave, no desespero peguei o metrô, busquei a chave e voltei, era rápido de metrô e ninguém descobriu que cheguei bem atrasada para limpar, mas fiquei só o bagaço de tanta correria, minha sorte é que minhas companheiras de casa já tinham ido trabalhar, o meu medo era encontrar uma delas pra me encher o saco.
Disse a elas desde o começo que era um emprego temporário, não pretendia mesmo ficar.
Levantar mesas, cadeiras, limpar tudo com aquele balde velho e pesadão, tirar placa de horário e pratos da casa não era a pior parte, a pior parte era ter que lavar banheiro, como sempre, e banheiro masculino também. Deixar tudo pronto em duas horas.
Às vezes eu ficava com fome e sede e não pensava duas vezes em beber alguma água de garrafa já aberta que era pro consumo dos fregueses, não ia beber a água da torneira, como uma vez me deu uma das meninas que lá serviam. E roubava (roubava sim!) uns biscoitinhos que eram pra um prato doce, tipo aqueles biscoitos que se põe em sorvete. Era cansativo e exaustivo, não tinha ninguém além de mim e eu aproveitava, como aprendi a fazer com o Império do Fado. Não vou dizer que era legal fazer isso, não era, mas eu precisava muitas vezes sentir algo bom pra ficar bem. Tomar água de garrafa era um prazer mínimo, mas era melhor que a água de torneira para quem trabalhava muito.

O cozinheiro brasileiro chegou mais cedo um dia que eu limpava e veio conversar comigo, falei dele no post anteior, morava lá há anos, casou com portuguesa e disse ser do Mato Grosso. Ele veio com arrogância pra mim quando ele me perguntou onde eu morava e eu "em Elefante" ele disse que mania que brasileiro tinha de abrasileirar tudo e blábláblá. Não quis abrasileirar por mania, achei que seria mais fácil a identificação com ele do que gastar meu inglês dizendo "Elefânt and Castol", e não é que lá veio mais um pra implicar comigo?

Depois de quinze dias disse ao dono que não poderia ficar, ele já tinha feito minha papelada do trabalho, estava tudo certinho, como se eu fosse registrada aqui no Brasil, e teria que pedir pra cancelar. Tanto que recebi o formulário do trabalho que fiz lá em casa, com o tempo e valor do trabalho.
Poderia ter ficado mais, eu sei, mas na minha cabeça só passava o foto de chegar atrasada na escola aos sábados e não ter nunca um dia de folga. Nem era algo que me importava tanto, mas o dinheiro sim, eu sei, mas esperava conseguir algo melhor.
Mas o sábado estava muito corrido, tinha que pegar o Overground, o trem que atravessa a cidade sem passar pelo centro, e pegar um ônibus até a escola. Fiz uma escolha, não me arrependo, era mais um emprego em que era abusada dentro das minhas possibilidades.


Caminho em vermelho, do Overground até Richond e o bus pra escola em preto




26 abril 2014

A Puffy Shirt

Como comentei várias vezes, ainda procurava mais um emprego que me garantisse dinheiro para sair da casa da Marciana, precisava ganhar mais pra pagar algum lugar mais decente e, de preferência, sem dividir quarto...

Uma amiga da minha Roommate, que estava voltando pro Brasil, estava vendendo as casas dela e Roommate me ligou perguntando se eu não queria duas casas que essa amiga vendia, uma casa de dois dias e outra penas um. O pagamento total era de 200 libras - o que a menina fazia durante o mês nessas casas.
Fiquei na dúvida, mas precisava arriscar e aceitei.
A menina que era a cleaner das casas ia viajar e quando voltasse, eu pagaria para ela.
Não me levou na casas para conhecer e ver como seria o trabalho - como a maioria faz - apenas me deu os celulares e mandei mensagem para as donas.

A botocada vocês já conhecem o caso. Durou uma semana, perdi o dinheiro com essa...

Puffy Shirt eu nunca falei dela aqui, só no Twitter. Fiquei na casa dela até ir embora de Londres, quer dizer, até começar a viajar (tem que ter algo de bom, né?) em outubro.

Ela queria que a casa dela fosse sempre limpa às sextas-feiras, porque ela queria que a casa estivesse limpa no final de semana, fui até à casa dela num dia à noite para conhecê-la e ela me dar a chave da casa - claro, conhecer com o marido do lado como sempre fazem, por precaução.

Como fui depois que saí do Império, cheguei tarde em casa e não havia contado nada para a Marciana - que nunca soube que trabalhei nessas casas nem o que aconteceu com a italiana - e como sempre chegava por volta das 9 da noite, Marciana me liga no meu celular para saber se estou bem (isso por volta de umas 10:30), na verdade, só para xeretar e controlar a vida dos inquilinos, já que os filhos dela ela não poderia controlar...

Acertei de ficar na casa, eram só duas horas na sexta, a casa não era grande, mas casa velha, com sala e quartos com pisos daqueles de madeira, de ripas, com buracos  (que, sim, eu me aproveitava e jogava a poeira lá porque não dava tempo de ser de outro jeito), uma cozinha que se caía qualquer coisa no chão, digamos, sábado à noite, só seria limpo por mim na sexta que vem.; um quarto de hóspedes, mas que Puffy usava como closet e um pequeno banheiro, corredor da parte da cozinha e o quarto de hóspedes com carpete pra me ajudar.
E, claro: tinha que passar roupa! Tudo isso em DUAS horas numa sexta-feira.

Nos primeiros dias, para mostrar serviço, fiz muito mais que duas horas, para dar aquela limpezona ou a tal "spring clean" deles: a origem da palavra é que o povo esperava a primavera para limpar a casa - o que mesmo com aquecedores em casa e um monte de produtos de limpeza, ainda fazem hoje, ou não rs...

Ela sempre me deixava uma folha de caderno de coisas para fazer, chegava e lá estava a lista.
Do tipo:
Faça
- tire a capa do edredon da cama e a roupa de cama e ponha na máquina no programa 4, o sabão tem que se o que está debaixo da pia e não é o azul, é o rosa; pegue a roupa que está seca no varalzinho da cozinha e coloque a roupa limpa na cama; (esse ela pedia toda semana e eu já sabia de cor, como se eu fosse uma débil mental e não entendesse que toda semana era pra ser, além de cleaner, arrumadeira de hotel e trocar aquele edredon fedido e sujo e colocar a roupa de cama que foi lavada na semana passada: sim, ela só tinha duas roupas de cama, a que eu lavava essa semana e a que eu tinha lavado semana passada);
Entre a cama dela e o colchão, ou no chão debaixo da cama também havia a mesma prática da porcona patroa da marciana: papéis higiênicos jogados, que eu pegava com o hoover (aspirador)...

- tire o pó e varra a sala;

- mop (aquele esfregão nojento) e limpe o banheiro (limpe a pia, o chão, a banheira e a privada - precisa dizer o que precisa ser limpo no banheiro ou vc gosta mesmo de escrever?) e a cozinha;

- passe o aspirador em tudo;

- passe a roupa que está na cadeira da direita (na maior parte das vezes eram sempre as mesmas roupas, inclusive a tal puffy shirt, ela adorava blusas assim, dão um gosto de passar quando você tem que limpar uma casa inteira e mais essas roupas em duas horas...);

Não contente com esse pingo de coisas que ela me dava pra fazer, ela ainda cismava muitas vezes que a casa não estava bem limpa e a roupa mal passada - claro, né?
A menina anterior da casa e a anterior a ela, segundo soube, todas pediram por mais uma hora de trabalho para dar conta de tudo, e a muquirana sul-africana negava, deveria estar acostumada na terra dela a escravizar os outros... só não sabia que isso tinha acabado...

Eu corria como uma louca naquela casa para dar conta de tudo!
Eu chegava correndo e não parava! Não poderia ficar sempre fazendo horas sem serem pagas e fui desandando aos poucos: passava hoover quando era realmente essencial. E o cabelo da mulher estava por toda a parte... parecia que ela devia sofrer de uma queda muito da agressiva porque os bichos (carpete e o hooover) ficava entupidos de tanto cabelo loiro tingido...

Ah! O hoover!
No primeiro dia que cheguei na casa, o hoover não funcionava. Tentei de todas as maneiras, todas as potências fazê-lo funcionar e ele funcionava mal e porcamente (como a casa), troquei o filtro, nada... ele estava mesmo pedindo arrego...
o aspirador da barbie
Descobri que muitas casas em Londres são alugadas com tudo que está dentro, então, acreditava que aquele hoover deveria ter sido da casa do Jack Stripador... ou, na melhor das hipóseses da Yoko Ono, já não seria tão velho e imprestável assim...

Vivia pedindo para  a mulher um hoover novo... sempre dizia que não funcionava e ela sempre pedindo pra eu usá-lo. Até que um dia ela me apareceu com um totalmente de plástico, pensei que era brincadeira com a minha cara: nem o cano ficava no lugar, caía toda hora, não encaixava, mas a adEvogada era mesmo uma muquirana, junto com o bocó do marido irlandês que nem servia pra olhar um aspirador... era mais fácil culpar a faxineira de preguiçosa, já que não dava pra pôr no tronco...

Ela reclamava horrores do tapete da sala, que não precisava ser "hoovado" e sim lavado, propus isso a ela: iria lá um dia só pra lavar o tapete - ela tinha quintal no fundo como todo mundo. Nunca me respondeu, mas reclamava das manchas nele. O que eu ia fazer se já tinha chegado com aquelas manchas feitas no tempo de Winston Churchill? Se eu resolvesse passar algum produto tira-manchas ela teria que comprar e ela nem comprava bombril quando eu pedia...

Ela era tão pão dura, mas tão pão dura que pedi Brillo (a versão 'ingrish' do bombril) e ela me comprou uma daquelas esponjinhas brilhosas, sabem? aquelas que são moles e parecem cheias de glitter e que não limpam panela nenhuma? Que não arejam panela nenhuma... Panelas com marcas de terem sido queimadas na primeira filmagem do Monty Phynton Flying Circus...


fotos explicativas
Num dos refratários dela eu cheguei a deixar de molho na cândida e não saiu... nem com um produto tenebroso de limpeza hiper forte (viacal)... que ela tinha posto no lixo e eu peguei: outro ela não ia comprar e eu ia ter que me matar pra limpar, né?




o maravilhoso mop e o maravilhoso chão



Foi o único produto que consegui tirar a sujeira que um "pedreiro" fez no banheiro quando tentou arrumar um encanamento e jogou tinta para todos os cantos - adivinha quem teve que tirar as manchas porque ela reclamou que o banheiro estava cheio de manchas (como se fosse culpa minha)?

No quarto que ela usava de closet só tinha que tirar o pó e trocar roupa de cama quando algum amigo deles iria dormir lá.
Uma vez uma amiga dela dormiu lá, saiu quando eu cheguei e na outra semana Puffy veio me acusar: você deixou a porta do quintal aberta, não deixe!
Nunca abria ali, nunca me foi pedido limpar lá fora, por que eu abriria a porta?

Ela não queria pagar para limpar a casa, mas jogava fora de tudo: até um Dior que peguei pra mim. O negocinho que você aperta do spray tinha enroscado na tampa, daí ela não pensou duas vezes: pôs no lixo do closet e eu peguei, tirei o negocinho da tampa, arrumei e peguei pra mim.
Fiquei esperando ela jogar o ipod dela, mas não rolou, só ficava jogado no chão enchendo de poeira (sim, no chão do quarto de hóspedes).
As roupas que ela jogava fora - novas e de marcas caras - ela jogava sem dó no lixo, até mesmo misturado com lixo mesmo, não doava nada  (e olha que tem várias lojas de ONGs pela cidade, como Oxfam, os famosos car boot sales etc...  e muito menos ela separava o lixo para a reciclagem que a cidade faz e dá os sacos para separar: amarelos para recicláveis, pretos para lixo comum) nenhuma das roupas me servia, porque ela era menor que eu...

Eu já disse que esse povo tem uma mania louca de largar tudo no chão?
TU-DO!
Principalmente roupa, fica tudo pelo chão... e ela não era diferente, fora as roupas de ginástica e tudo mais...

Não contente, um dia, queria que pegasse a roupa que ela tinha deixado na máquina, estendesse tudo e dobrasse a roupa seca do varal. E eu escrevi: se eu tiver tempo, farei isso.
Assim como a louça seca da máquina - que eu tirava para pôr as novas imundices - ela queria que eu guardasse no armário. Disse o mesmo, nem sabia quais eram os lugares das coisas, pra depois ela ainda reclamar que pus no lugar errado? E ela começou a toda semana pedir e eu a não fazer: não tinha tempo!

Dessas roupas que tirava da máquina para colocar a roupa de cama também veio a porqueira total: elas têm mania de tirarem a calcinha, jogarem no chão e quando vão lavar, jogam tudo misturado, sem ver se precisaria de, digamos, um cuidado melhor. E fui, numa dessas vezes tirar as roupas e dou de cara com calcinhas que é melhor eu não descrever... senão vocês não vão querer mais ler meus relatos... mas imagine como fica um pano que você usou para limpar graxa e como ele continua do mesmo jeito se você não faz uma limpeza separada e com água quente, por exemplo, não deixa de molho...
Ou mesmo a famosa freada...
Peguei tudo com a luva e estendi no maravilhoso varal na cozinha (sim, a roupa tinha sido lavada... apesar de não parecer...), ela e o marido também estendiam roupas todas pela casa nos heatings... ficava lindo!

E ainda tem mais: o cabo da escovinha do banheiro tinha quebrado, era só um cotoco... tive que comprar com meu dinheiro um porque a mulher nunca se deu ao trabalho de comprar. Assim como também comprei um mop decente porque ela não comprava um novo (que eu sempre pedia porque o outro eram 3 paninhos pendurados) e estava sempre cobrando uma limpeza mais bem feita no chão do banheiro e da cozinha.
Como faria essa limpeza mais bem feita se o mop era ruim, os produtos de limpeza acabam e ela não comprava e sempre ela inventava mais coisas para eu fazer? EM DUAS HORAS?

Acredito que ela também tenha ficado ainda mais no meu pé, porque eu um dia deixei um bilhete perguntando se ela não tinha amigas que precisavam de cleaner: ela deve ter percebido que eu precisava de trabalho e aí pisou mesmo...

Eu sempre quis largar a casa se conseguisse outro trabalho, o que acabou não acontecendo, então continuei porque bem ou mal eram vinte libras que aliviavam no aluguel semanal...

Um dia, cheguei na casa e estava tudo como tinha deixado na semana anterior, inclusive o mesmo bilhete da semana passada e nada de dinheiro (ela "esqueceu" algumas vezes de me pagar e pagava tudo na outra semana), percebi que só poderia ser uma coisa: ela e o marido deveriam ter viajado. Mandei mensagem e ela me respondeu muito depois dizendo que tinha esquecido de me avisar que iria viajar.
Na outra semana me deixou de presente uma caixa de bombom para que eu a perdoasse (essa mulher era bipolar, né?). 
Até que o chocolate era bom...
Numa dessas viagens pediu para eu limpar por três horas a casa - porque a casa tinha ficado sem limpar na semana anterior, ou seja: pagaria 30 juntando as duas semanas e eu tomava o prejuízo de 10 libras...
Em outra vez que foi viajar disse para eu limpar a geladeira e o micro-ondas que nunca devem ter sabido na vida o que era ser limpo... 

Não "vendi a casa", não dava pra vender: seria muita safadeza da minha parte cobrar um mês dessa casa para passá-la para outra pessoa. Dei a casa para uma brasileira, amiga de outras que entrarão na história em breve e eram da geração de 20 anos em Londres.
A brasileira que ficou com a casa me disse que pediu mais cinco libras para a muquirana, porque disse pra Puffy que morava longe e chegaria tarde em casa e a puffy concordou!! Ela me disse que assim, se se atrasasse, o dia estava ganho... essa foi até esperta, mas eu sei que ela vai limpar muito menos do que eu limpava...

Quando fui embora, no último dia que limpei a casa ela me deixou de presente uma garrafa de champagne. Fiquei com raiva: bando de bebuns que acham que a gente é bebum como eles, porra! 
Eu queria dinheiro!
Dinheiro era o que eu precisava e sempre precisei vivendo lá - era difícil entender isso?

BEBIDA NÃO É PRESENTE! É VÍCIO! é assim que penso e ODEIO quando alguém dá bebida de presente, é o mesmo que dar um baseado pro drogado, não que eu seja alcóolatra, mas passei a vida vendo isso acontecer com um.

Não bebi, deixei na minha última casa, como o vinho da história da mala...
A dona deve ter feito melhor uso que eu... já era perto do Natal mesmo... e na minha mala pra voltar já ia pagar muito de bagagem extra...
a calça que a figura usava

Demorei pra postar porque não achei a foto que queria: da puffy shirt, não sei o que aconteceu, se encontrar um dia a foto da camisa verdadeira, posto aqui

08 abril 2012

Vida entre brasileiros

Em dezembro de 2010 tinha deixado esse rascunho aqui:

Comunidade Brasileira em Londres: nunca eu digo NUNCA espere ajuda de brasileiros aqui, claro, eu achei umas quatro pessoas muito boas aqui... e o resto... é resto! O resto te olha como se você fosse tomar o emprego dele, que quisesse entrar numa ordem secreta e te dizem: ah, tá, eu vou ver se tem alguma vaga e te falo... A ordem secreta se explica, hoje, depois de 5 meses eu entendi que sou mal vista porque tenho passaporte europeu ORIGINAL de família, ou seja, um DIREITO meu garantido. A maioria está ilegal e tem medo de você, tem medo porque você pode conseguir um emprego melhor e medo que você o dedure para a imigração, como muitos fazem. Muitos brasileiros com visto britânico fazem isso e muitos portugueses também são acusados disso, só que eu não quero confusão com ninguém, quero que cada um viva a sua vida e deixe a minha em paz, o que nem sempre acontece. Além disso, há muitos brasileiros com passaporte europeu original e britânico que não te ajudam em nada: "se eu sofri, você merece pastar também", o egoísmo total. 

Meu pensamento não mudou muito, a partir daquele momento até tentei não ter tanto preconceito com "gente da minha terra", mas acabou sendo inevitável.
Os brasileiros realmente se fecham para outros brasileiros - não só por serem ilegais, mas realmente não gosta de ajudar. Ajudam se você for inglês ou alguma nacionalidade considerada superior (brasileiro não perde a mania de se sentir colonizado).

Estava infeliz vivendo com a marcação serrada da xereta Marciana e "não dormindo" no mesmo quarto que a Bruxa do Centro-Oeste. Minha Roommate do bem viria pro Brasil em abril e eu ficaria só, mais só do que já me sentia. Precisava mudar.

Procurei no famoso Gumtree, o site mais popular de classificados na Ilha. E, por isso mesmo, o mais cheio de golpes. O golpe mais comum (e como brasileira eu já reconhecia logo de cara ser um golpe) era da família que iria se mudar pra um outro lugar (US, África etc) e precisava de alguém para cuidar da casa, ou seja, era praticamente só cuidar de um apartamento enorme em Notting Hill (você não desconfiaria?), o preço era irrisório, algo como 100 libras por mês. Havia esse mesmo tipo de anúncio para emprego: você receberia 1000 libras por mês (aumentou 10 vezes!) para ser a governanta da casa.
Não encontrava nada que parecia bom e barato.

A mãe da minha professora de inglês, uma brasileira e elas precisam de alguns capítulos aqui, me falou sobre uma amiga que alugava quartos na região nordeste de Londres, lá na longíqua zona 3 quase 4, na Central Line. Fui ver o quarto.
Chegando lá, descobri que era pra dividir com um rapaz. Bem, como ele é gay você pode dividir sossegada. É o que sempre dizem por lá e muita gente faz isso. Iria me cobrar 60 libras a semana - eu pagava 50, mas era praticamente zona 1 e só pegava um ônibus por 15 minutos e estava no trabalho.

Lá teria que dividir o quarto com um homem - não deixa de ser um pra mim - e pagar 10 libras a mais: além de que teria que gastar dinheiro com transporte pra chegar lá, teria que pagar o metrô ou seria quase inviável. Ou seja: de 1,30 de busão, teria que pagar pelo menos 2,90 (preços só de ida).
Mais 10 do quarto e ainda teria um dia da semana para limpar a casa (onde estava já era incluído na limpeza da Marciana, que reclamava todo final de semana pra limpar, mas era o acordo dela, ela queria o quê? que eu ficasse com dó e além de pagar o aluguel dela ainda ia limpar o muquifo?).

Não achei viável e também ouvi algo que não gostei.
Elas são espíritas (a mãe da teacher e a dona da casa) e eu também.
Frequentava uma casa espírita pequena e que deixavam as crianças atrapalharem as sessões (filhos dos próprios voluntários que chegavam quase no final da sessão) e comecei a me irritar pela falta de indisciplina, tinha saído de lá para ir ver a casa.
E contei para a mulher sobre não estar gostando disso e a dona da casa veio com uma de "ah, mas dever o único horário que a mãe tem pra ir e o filho deve ser o maior necessitado que você".
Sim, todo mundo sempre na minha frente...
Como eu já andava com a tal da estima lá no inferno (sorry, mas tenho que usar MESMO essa palavra). Ouvir alguém me dando lição de moral naquele domingo à noite já bastava, se era tão espírita como dizia por que não conseguiu enxergar que estava diante de alguém que estava extremamente vulnerável a qualquer comentário?
Ainda mais porque a própria mãe da teacher tinha me dito que essa "dona da casa" (ela só era a Landlady e ela limpava a casa e a dona mudou e deixou que ela alugasse porque era de confiança) com a filha que trabalhavam de cleaner estavam ilegais e... faziam o que queriam na casa das donas: inclusive dormiam nas camas das donas das casas quando estava cansadas de limpar, comiam a comida etc.

Então, cadê sua moral pra falar que eu não tenho paciência com uma pobre criança de dez anos que fica jogando bolinha durante a palestra e a mãe que chega no final só pra ser a primeira a receber o passe?
Antes de jogar pedra em mim, olhe se você também não merece um paralelepípedo na cabeça!
Se ela fosse uma madre Tereza de bondade e benfeitora eu engoliria: a mulher é um ser acima que preciso chegar e alcançar, mas se você faz barbaridade na casa das suas patroas, não vem falar de mim porque eu não vou aceitar!
E não aceitei...  o preço e os termos já não compensavam e eu como uma alma perdida em Londres, senti que realmente nunca conseguiria encontrar uma pessoa que me ajudasse e me desse pelo menos uma mão para me dizer: calma, Regina!
Não, ninguém era capaz disso.

Na escola-ong de brasileiros, para dar aulas para filhos de brasileiros (preciso comentar sobre lá, né?) havia uma maioria de legais e nem por isso me tratavam melhor.
A professora para a qual eu era assistente de sala, quando perguntei a  todos se ninguém sabia de algum quarto para alugar veio com as pedras nas mãos:
Você acha mesmo que vai achar algo barato em Putney? (a maioria morava por lá, mas eu não tinha dito que queria morar lá) Olha, nem adianta ficar procurando, nem tem lugar barato para morar lá e ninguém aqui sabe de nada. Ainda se fosse em Parsons Green... (perto de Putney, zona 2 oeste de Londres)


Fiquei tão chocada com a doçura dela que nem falei que não estava procurado exatamente em Putney... A voz não saía... e os outros olharam de lado e ninguém falou nada...

Depois me acostumei com a doçura dela quando a vi xingando o marido na frente de todos... vi que ela era doce assim de natureza e que o marido, mesmo sendo brasileiro, não devia estar dando conta... Deve ser difícil dar conta de tanto fel...
Ela mesma tinha me falado pra eu ser babysitter e procurar no... Gumtree... (todo mundo só me dizia: já procurou no Gumtree?)
Afinal, poderia morar na casa das pessoas...

O que achei no Gumtree não era babysitter nem Nanny, era escrava: moraria na casa, ganharia algo em torno de 80 libras por semana, com uma folga na semana e não teria horário pra estudar.
Uma das mulheres com quem falei, uma norte-americana se me lembro bem, disse: como assim você quer estudar? Não tem horário pra isso, você tem que cuidar das crianças durante o dia e a noite!

E a maioria é assim.
Lembro de ter visto um anúncio em St John's Wood (região bem classe alta londrina) que pagavam 5£ a hora para ser babysitter ( salário real para uma babysitter morando em casa seria por volta de pelo menos 10 se não morar na casa a partir de 12, o salário mínimo era 5,93 - o que ganhava no Império)
Comentei com uma brasileira e ela só me disse: você não quer? vai ter uma filipina pra fazer isso.
Ou seja: filipino é o escravo do londrino.

Também acabei me traumatizando depois do caso italiana... comecei a sentir que sou uma inútil e irresponsável com crianças.

Tentava arrumar um emprego e um quarto por minha conta, ia à agências imobiliárias, procurava empregos no site do governo também e nada... mandava meu c.v para todos os lugares... e nada... tristeza porque tentei muito. Passava o dia todo em sites de emprego.
Fiquei até sem estudar para ver empregos e casas e nada.

Chegava depois do trabalho, cansada e desesperada comentando que precisava achar outro emprego e Marciana vinha como a dona de toda a sabedoria:
Porque você não quer trabalhar o dia todo! Quem quer arruma emprego! Trabalha até de madrugada!

E eu:
E quando vou estudar? Vim aqui pra isso?

Woman from Mars: Estuda de noite... sei lá... Quem quer faz tudo que quer aqui!

Se eu tivesse para onde ir, teria saído dali, mas não tinha... Além de pagar para aquela vaca, ainda tinha de aturar desaforo de quem se acha porque se mata para sustentar família chupim no Brasil...

Outra na escola de brasileiros me disse: por que você veio aqui pra Inglaterra no meio dessa crise? Deveria ter vindo antes!

Eu:  Só agora consegui juntar dinheiro pra vir... não consegui antes... estava juntando... demora...

(ela morava lá já uns 7 anos... o pai pagou curso e tudo e aí ela arrumou um passaporte britânico: um marido inglês que deu emprego pra ela na empresa de telecomunicações de lá)

A todo momento ouvia coisas legais de todos os brasileiros... a mãe da teacher até tentou me arrumar um emprego na escola que trabalhava para ajudar na hora do almoço das crianças, mas a cucaracha me tirou do páreo, pôs uma amiga que ficou uns 3 meses no emprego... e eu sem nada por todo aquele tempo... (quer dizer, só com o Império no final da tarde).

A mãe da Teacher achava que eu não me esforçava... era engraçado pra mim aquilo: todo mundo achava que eu não me esforçava...
Será que era porque todo mundo tinha realmente chegado numa época melhor e não conseguia enxergar porque eu não conseguia me virar logo?

Só quando conheci brasileiros que moram em Londres há 20, 30 anos eles me entenderam e me disseram: essa não é a mesma cidade como a conhecemos, mudou muito... e pra pior... (só isso me consolou).

17 fevereiro 2012

O Império do Fado - parte 1, do começo

Já citei várias vezes aqui e citei muito no meu twitter sobre o Império do Fado, mas ainda não contei sobre lá... 
Let's go! 
 
Estava eu desesperada para arrumar um emprego (janeiro 2010), procurava no JobCentre, ligava pra ex-alunos de português e fiquei fazendo algumas faxinas, como já leram. 
E ai minha roommate tinha uma lista de lugares que poderiam contratar, uma lista de agências e empresas de limpeza e serviços. 
Liguei para todas, algumas o número já havia mudado, outras não tinham nada ou ficaram de me ligar e eis que em uma o cara me disse: venha amanhã e traga seu c.v. 
Fui. 
Do lado da Victoria Station, mas eu ainda errei o caminho e me apavorei porque estava atrasada e nem tive problemas com isso, o cara que disse para eu ir até lá não estava e um português pediu pra eu falar com um outro português. 
Tudo bem até aí, o que me atenderia era do leste europeu e eu não vou lembrar de onde... O português, vamos chamá-lo de Extreme (mesmo nome do vocalista portuga da banda), falou que sim, tinham vagas e precisavam urgente de alguém para um prédio ali perto, só que como estávamos numa quinta e sexta seria fechamento do pagamento. 
Então, comecei na segunda. 

Os pagamentos, na maior parte dos lugares ou é feita semanalmente ou quinzenal, alguns lugares preferem quatro semanas trabalhadas, não se conta mês e sim as semanas trabalhadas. 

Teria que trabalhar das 5:30 às 8:30 da noite, limpando escritórios da TfL (Transport for London) eles têm vários prédios e a minha vaga era no prédio da Saint James Station, em frente à New Scotlan Yard. O que era bem fácil pra mim, tinha um busão que me deixava do lado do trabalho. 

Quando cheguei, dei de caras com um mundo de portugueses, o prédio é dominado pela Ilha da Madeira principalmente, Minha supervisora, que deveria me ensinar o trabalho também era portuga. 
No primeiro dia, disse o que eu deveria fazer e o outro supervisor que tinha o mesmo nome de um falecido tio meu me explicou o que deveria ser feito. 
Ela me disse que se eu não entendesse muito bem tudo, durante aquela semana, colocaria uma pessoa pra me treinar. Tudo bem. Então, na terça ela já pediu pra outra portuguesa me ensinar o trabalho. 
Aí começa o problema... 
No primeiro dia ela, como dizem, mostrou os dentes como se fosse uma pessoa decente, no segundo dia, mostrou as garras, mostrou que pertencia ao lado sombrio da força e que ela não era Anakina e sim... 

 Darth Vedrina (o nome dela terminava em drina mesmo... feminino de Alexandre... daí precisa emendar um nome do mal, né?) 

No segundo dia e no resto da semana ela pediu para que uma outra amiga dela me ensinasse, só que o ensinasse era apenas organizar meu tempo entre todas as tarefas, o que eu ainda não tinha noção pra fazer. Era uma andar todo pra mim, menos os banheiros, eu tinha que limpar quatro alas. 
Uma ala por dia era a limpeza mais pesada e nos outros eu só teria q passar pra verificar o que tinha pra fazer de urgente durante a semana e na sexta fazer uma checagem geral. 

O que se fazia em cada ala: tirar pó das mesas e cadeiras, limpar com mop as pernas das mesas e cadeiras (e isso eu fazia quase nunca porque não dava tempo), passar aspirador na ala toda, limpar todos os dias a copa do andar e outra pia que ficava na parte de serviço, passar o pano (ou "mopar") as cozinhas (copa e esse lugar com outra pia), limpar armários e portas e limpar portas de vidro de todas as alas por causa das malditas marcas de mãos nos vidros. SÓ isso em 3 horas. 
Mas, claro, eu poderia descer 8:20 para me trocar! 

A rapariga que era pra me ajudar, me pôs pra ajudá-la a limpar o andar dela também - não tinha alguém pra substituí-la, então, tínhamos dois andares pra fazer e correndo como louca! 
A gorducha que me ensinava não teve a coragem me dizer o nome e nem de me perguntar o dela... Só para vocês terem ideia da simpatia... na verdade, ela não era uma pessoa ruim, mas vai ser antissocial assim lá na Casa do Cara***, opa! 

Até que eu disse o meu nome e perguntei o dela, lá pra quinta-feira... era mais um Maria entre 500 que tinham lá com um segundo nome pra diferenciar uma da outra. 
Apesar de conhecer a fama boca suja dos portugueses e ter um exemplo em casa, minhas tias nunca foram assim, mas as portugas por lá eram, e muito: adoravam um cara*** na boca, cara*** era a palavra mais usada por elAs, sim, elAs... Freud faria um belo trabalho ali... 

Afinal, as portuguesas por lá tem fama de odiarem brasileiras. Muitos dizem que é porque as brasileiras roubam os maridos e que tais delas, mas eu digo: do jeito que são bocas sujas, mal humoradas e carrancudas, só era pra eles preferirem a gente... 

Que homem vai gostar de mulher que só resmunga e, eu acredito piamente, ficam com cara de c* na hora H e devem dizer pra eles: já terminou? 
Porque nunca vi tanta carranca na minha vida... bando de mulher mal comida! (também, com aquele jeito doce delas fica difícil fazer bem feito rs) 

Já a Vedrina eu falava diferente: ela f*dia todo dia comigo porque ninguém queria f*der com ela... 

Não dizia pros amigos de pátria, não era doida! mas comentava sempre fora dali. Até onde podia perceber era mais uma solteira com mais de quarenta e a minha teoria era que nem mal comida era, era não comida, e não duvido que tinha perdido noivo ou qualquer outra coisa pra uma brasileira que só de dar oi com um sorriso já faz os portugas fiquem todos alegres! 
 Sim, porque eu não me interessava por eles, mas nunca deixei de ser simpática e todos conversarem simpaticamente comigo, os homens. E acho que se percebe muito facilmente a diferença, não? 

Voltando à Maria das Couves, ela me estressava! Ela me fazia correr e me ameaçar de alguma forma, e já falava mal da Darthvedrina - para ver se eu já falaria mal dela, ehehehe ela pensa que brasileira é burra... - ameaçava eu quero dizer: a Darth vem aí, ela vai olhar, ela vai ver que estamos atrasadas! E o meu andar era imundo! 
Totalmente imuuuuuuundooooooooooooooo! 

Eu não parava de limpar um minuto e a outra me falando que Darthvedrina viria e passaria um papel pra mostrar onde estaria sujo e brigaria comigo... e eu correndo pra terminar até 8:30... Corria como uma louca, não me lembro de ter suado tanto assim e ficado tão atordoada e sempre era a última a chegar pra me arrumar e ir embora... e claro, como Darthvedrina era uma pessoa do bem, ela fazia todos esperarem por mim pra poderem ir embora. 
Todos eram obrigados a esperar a vontade dela pra ir embora, esperar o Let's go. com sotaque luso. Porque havia algumas lituanas, duas russas também lá  nave Serra da Estrela da Morte. 

Acho que foi no segundo dia que realmente Darthvedrina veio com o papel com poeira. 
Ela veio, me parou e mostrou o papel. Eu não sabia que ela fazia isso ainda e apenas olhei pensando que o papel tinha caído em algum lugar... alguém tinha largado e eu não tinha visto, nem reparei se realmente estava sujo ou não. 
E quando eu disse que não tinha visto nenhum papel caído, ela me olhou impaciente e gritou falando que era a sujeira que ela havia achado no andar, que eu precisava ser mais ágil que assim não daria pra eu ficar se não pegasse o jeito. 
No outro dia, ela trouxe o Extreme, o coordenador do lugar, para olhar meu trabalho e ele também veio me dizer o que estava fazendo errado. 

Era tudo pressão em cima de mim que precisa urgentemente daquele emprego. 
No último dia da primeira semana, depois de tanto estresse, correia e preocupações, Maria das Couves acabou, acredito que sem querer, dizendo que aquele andar não era limpo há meses, porque não tinha ninguém para limpar. 
Ou seja: o andar estava imundo que não dava pra ficar limpo em uma semana em 3 horas por dia. Eu havia me matado porque Darthvedrina me chamava praticamente de incompetente por uma sujeira que eu não tinha como dar conta de limpar naquele curto espaço de tempo. 
Quando ouvi aquilo, no final do expediente fiquei tão revoltada, tão cansada e me perguntava que pqp eu estava fazendo em Londres... 
Revolta, desânimo e cansaço, mas tinha que continuar se quisesse fazer o que pretendia. 

Vontade de matar a Darthvedrina não me faltava, mas eu sabia só de uma coisa: ela fazia aquilo comigo porque era muito ruim, tão ruim que era uma pessoa infeliz e eu não seria nenhum pouco como ela. Tanto que a tratava bem sempre, só pra deixá-la com raiva, por dentro ela deveria ficar...

Sabem quando o capitão gancho ouve o som do jacaré atrás dele e se apavora? 
Eu me apavorava só de ouvir o toque do celular da capacete com voz de rouquidão: Take That, era o comecinho dessa...  era o maior sucesso na época...

Mulher com mais de 40, solteira, carrancuda, fã de Take That... é pra se pôr na camisa de força! principalmente se for portuguesa emigrada na Inglaterra...

06 dezembro 2011

Vida de Gado, Vida de Cleaner - parte 2 (terça-feira e sexta)

Como andei contando sobre os donos das casas, terça-feira era pior dia, era o dia da casa da "Feiona" ou porcona mesmo... o nome dela é o mesmo da esposa do Shrek, daí feiona...

Bem, começávamos por ela... era uma casa longe... longe... longe... todas as casas de Marciana são longe... na região de Lewisham, sul de Londres, e do outro lado da rua ficava a casa da amiga dela que também era cliente de Marciana, iriamos pra lá depois... e mais história...

Mas Feiona tinha dois filhos e uma casa como as tradicionais inglesas e não lembro se já falei aqui sobre isso: por fora, você não dá nada, por dentro, ela expande para o fundo e para cima... são enormes!

A Feiona deixava a casa simplesmente emporcalhada... eu não cheguei a conhecer uma pessoa mais imunda que ela, mas várias que chegaram beeem perto, porque inglesa não liga muito pra manter a casa limpa, acha que é só se faxinada algumas horas na semana por uma cleaner...

O primeiro dia que cheguei, já assustei com a cozinha: ela também deixa a louça naquela bacia nojenta, só que a bacia nojenta dela é mais do que nojenta! Toda a louça estava lá no meio da gordura e restos de comida.
Marciana não sabia ligar a máquina de lavar louça (já estou dando uma pista do porquê do apelido dela...) e não me avisou que havia uma e lavei aquela nojeira na mão, claro, jogando beeem longe aquela bacia imunda. E Marciana reclamando comigo porque tem um jeito próprio de se lavar louça na bacia, que é uma combinação com as torneiras fria e quente e eu pouco ligando pro puxassaquismo dela. Combinação de água quente com fria? Jeito certo de lavar? Economizar água?
O caralho pra aquela porquice!

Imagine: o fogão estava todo cheio de porridge, o mingau de café da manhã dos ingleses, cheio de leite grudado com aveia e... Feiona é tão boa dona de casa que para fazer tudo mais rápido, pelo rastro que deixou no chão, tirava correndo do fogão imundo e jogava na mesa de jantar para que comessem, também tinha restos do café da manhã pela mesa e chão, claro!
Todos os cereais das crianças e suas canequinhas etc.

A cozinha, como deu pra perceber era imunda. E Marciana ficava mandando eu limpar melhor a cozinha. Juro que quando vi aquela cozinha desanimei e fiquei pensando que dar uma enganada naquela casa seria o melhor, mas Marciana ia lá e falava pra eu deixar brilhando o vidro do fogão... era pra tirar uma meleca danada! E imagina que Marciana fazia isso toda a semana!
Quer dizer, só uma vez na semana o fogão era limpo.

A sala era enorme, dividida em sala e sala pras crianças brincarem, ou seja: muita bagunça. Era fácil achar pedaços de doces no meio dos sofás.
O banheiro não era tão imundo, afinal, ainda bem! Era janeiro e eles não tomam banho! Mas... a mulher deixava cabelo por todo o lado...acho que ela precisava de um tratamento pra queda de cabelo porque era um inferno de cabelo pra todo canto!
Eu não tinha muito saco mesmo pra limpar aquela imundice toda e tentava dar um jeitinho, mas Marciana pra mostrar serviço (pra mim, claro) ia lá e mostrava como limpar bem. Então que limpasse, a minha mão estava bem, a dela que não estava e numa casa daquelas, não se merecia muita coisa.
O quarto das crianças também não eram tão problemáticos, mas o problema é sempre o carpete... aspirar os malditos carpetes...

Mas não é só isso!
Como diriam aquelas propagandas...
Tinha o quarto da figura pra limpar e eu já disse, elas querem que se faça até a cama, como se fôssemos camareiras de hotel.
Bem, cama desarrumada já era de se esperar, né? mas roupas todas jogada pelo chão?
As inglesas tem uma péssima mania de largar todas as roupas pelo chão ao invés de guardarem no armário ou pôr numa cadeira... fica tudo jogado... não jogado porque ela e o marido tiveram muito o que fazer durante à noite, jogado porque largam a roupa pra qualquer canto, bangunçado mesmo. No quarto que ela tinha pras roupas, com armários, era igual!
Só que ainda há o pior!
Entre os cantos que sobram entre o colchão e a cama havia vários papéis higiênicos dobrados... não tiramos... nem a Marciana dessa vez pôs a mão... e ficaram lá por quatro semanas, porque o casal Shrek não tirou (ogros...), daí, na última semana resolvemos fazer algo: aspirador neles! rs
Só poríamos a mão com luva, mas até assim ficamos com nojo!

Nas outras semanas, dona Marciana me falou da existência da máquina de lavar louça e eu joguei tudo lá, toda aquela melequice e não via a hora de passarem os dias pra não ir mais naquela casa e ao mesmo tempo pensava que precisava daquele dinheiro...

Ah! tinha que se passar a roupa também! E a feiona queria que passasse até a toalha de banho... mulherzinha dos infernos, a casa uma imundice e cada vez inventava uma coisa: pra limpar rodapé, limpar sei lá o quê... como se em quatro horas (quando eu ia era em 2 horas, duas horas pra cada) desse pra limpar a imundice que ela acumulava a semana toda e ainda queria mais coisas!
Só com um "spring cleaning" a casa ficaria decente.
Spring Cleaning é isso mesmo: a limpeza da primavera, porque no inverno (e em todo o resto do ano rs) a sujeira fica lá se acumulando até que um belo dia de "primavera" a dona da casa pensa: oh! essa casa precisa de uma limpeza pesada!

Marciana me pagava 7 libras a hora para ajudá-la. Nessa casa, na da segunda-feira e da próxima, elas eram amigas e pagavam igual: £8,50 a hora. Em algumas casas ela ganhava 12, em outras 10.

Dessa casa, íamos pra amiga da Feiona que tinha um casal de filhos, casa mais bem arrumada, tinham acabado de reformar e para me alegrar a vida colocaram nos quatro andares carpete creme... ah! como eu amava ir naquela casa e passar aspirador cômodo por cômodo, escada por escada... e sempre os malditos carpetes felpudinhos pegavam e não largavam os fiapos de roupa... ah, que lindo que era ver aquele monte de bolinha de roupa naquela merda creme...
E o aspirador que pesava uns 10 kilos... ah, que vontade de jogá-lo pelos 4 andares abaixo... ou na cabeça de quem comprou aquela merda que mal aspirava, só pesava.
A menina, de graça, tinha uma beliche no quarto, só pra ela e eu pensava: vc tem uma beliche porque é divertido quando é criança, né? Vai dormir na minha!

Eu ficava olhando... a mãe levava a menina pra escola e o menino, muito pequeno, pra passear no parque, aí ela voltava, mas como ela era uma mãe estranha... ou todas as inglesas têm essa estranhice maternal?
Ela não fazia almoço, comia um lanchinho como todo inglês e fazia o mesmo com o menino de uns 2 anos que amava Toy Story e tinha os bonecos. Um menino fofo!!
Um dia, ela voltava pra casa com o menino dormindo no carrinho e empurrava, empurrava o carrinho pra entrar e não entrava, tive que ir lá falar e mostrar pra ela: o pézinho do menino ia se enfiando cada vez mais debaixo do carrinho, dobrando por conta da pressão que ela fazia pra empurrar e o tapete de entrada.
O menino não chegou a chorar, mas eu a vi como uma louca que não reparou um só momento e que nem ficou preocupda quando mostrei, só tirou o pé do bebê... e ficou lá... mandando mensagens sem parar no celular, como sempre a via fazer.

Marciana, como boa puxa-saco, achando que a dona da casa se importava com ela, começou a falar que estava com saudade do filho que tinha ido pro Brasil (história pra outro post) e também comentou da enchente no Rio de Janeiro que aconteceu naquele mês de janeiro.
Falava no inglês dela: see the flódi in Rio de Janeiro? My son is in Brazil.
A mulher só olhou pra ela e disse: não sei disso não. E continou com a vida atarefada de mandadora de mensagens por IPhone.

Dessa casa, tínhamos uma terceira, ainda mais longe e que pra voltar tínnhamos que pegar o trem até London Bridge se estivéssemos com pressa.
Era a casa de um espanhol e como bom latino, a casa de um homem solteiro era mais limpa que qualquer casa de uma inglesa casada.
Aí sim fazíamos o que a faxineira faz no Brasil: limpa o que não dá pra limpar no dia a dia com a correria. Era uma casa tranquila, sem grandes problemas por ser muito limpa e organizada.

Mas Marciana acabou dando um grande fora e a máscara de boa mãe, religiosa, temente a Deus, fiel aos bons costumes e honesta começou a cair...
Ela, dias depois, acabou comentando que o espanhol era tão gente boa que como não a dispensou do trabalho por conta de ela estar com a mão operada resolveu pagar além da hora para ela, para a ajudante (ou seja, eu!). Ela sem perceber me contou que era pra eu estar ganhando mais, não só 7 por 1 hora e meia nessa casa... mas acho que 10 por 3 horas! 10,50 para 30 libras é uma boa diferença no bolso meu e, claro, de Marciana...

Quarta e quinta-feira as donas das casas, algumas a dispensaram e até pagaram pra ela ficar em casa, outras não queriam ajudante e só fui numa das casas de quinta, de, como diria a própria Marciana: a casa do gay. Nunca o conheci, mas era uma casa também tranquila e longe, essa era preciso pegar o metrô e era em outro sentido, noroeste de Londres, perto de Wembley.
Só tinha muitas camisas sociais para passar e aí aprendi a passar (ou a enganar) essas horripilantes roupas...
Ela o chamava assim porque fazia a casa do companheiro dele, então, ela sabia bem a vida dos patrões...
Ela não fala inglês, entende pouco, mas acredito que muita das coisas que tenha percebido sobre a vida deles, foi porque anotou e mostrou pro filho, não só esse casal, mas das outras famílias.
O filho mandava e respondia as mensagens do celular para ela. Como já disse, outra história.

E sexta tinha mais! Tinha uma casa também tranquila que era de 15 em 15 dias que se tinha que passar roupa e uma de uma professora quase para se aposentar que Marciana, finíssima, chamava de "a casa da sapatona".
A dona da casa era simpática e até deu uma garrafa de vinho para Marciana e outra pra mim, pelo Ano Novo que se iniciava - o vinho da minha mala, sabem já a história toda dele... - ela conversava bastante e saia para podermos limpar a casa tranquilamente.
Eu não vou esquecer de um dia, arrumando a cama de um dos quartos da casa, que era uma espécie de duas camas juntas formando uma cama de casal com um aparato tipo aqueles de deixar a cama mais alta igual em macas e a mulher de Marte disse: sei lá que cama maluca é essa, deve ser pra imundices de sapatona!
Não sei que tipo de cama era aquela, me parecia pra algum tipo de problema de coluna ou algo assim, mas Martian (rs) como uma pessoa sem preconceito, já tinha julgado e condenado a professora.

Salvem a professorinha!

Havia outra casa na sexta, mas era a mesma de uma mulher da quarta que a dispensou.
E assim minhas semanas de janeiro se passaram, mas antes que janeiro terminasse, tive que conciliar esse trabalho com um durante os finais da tarde, limpando escritórios, nooooooooooo

Império do Fado!
(próxima parada)

02 novembro 2011

Vida de gado, vida de cleaner - parte 1 - casas da segunda-feira

Comecei o ano de 2011 sem alunos de português.
A médica monstra sumiu - e eu não queria mais dar aulas mesmo pra ela -, o espanhol deve ter pedido outra professora para a agência, se continuou com as aulas; e o jornalista casado com um brasileiro disse que estava trabalhando muito e não ia continuar.
Sou muito perfeccionista e me cobro demais e acredito que por meu inglês ruim, minhas aulas de português não sairam bem, não só por isso já que os outros dois sabiam bem já o português, mas porque eu não conseguia me concentrar para preparar aulas boas... também porque era minha primeira experiência nessa área e estava mesmo perdida...
Eu não faria aulas comigo de novo naquele momento, sou sincera, precisaria ter melhorado muito e espero que se voltar a dar aulas no Brasil, eu esteja melhor preparada.
Primeiro, eu terei minha casa pra preparar aulas, ambiente com todos os materiais que preciso, principalmente um boa mesa grande pra espalhar as coisas, como gosto de fazer.

A questão é que ainda consegui uma aluna que morava na região de Greenwich (aprendam com os ingreis: "grênich"), mas não pude dar aulas pra ela porque ela só queria na parte do começo da noite e exatamente quando arrumei um emprego de cleaner de escritórios nesse horário...
Só que antes do escritório, mais conhecido como o Império do Fado (logo vocês conhecerão Darthvedrina e seu celular com toque musical do Robie Williams), vou contar a penúria anterior, ser cleaner de casa em Londres, ou diarista que aqui deveria se chamar "horista".

A horista é como o nome diz, trabalha por hora, não há faxineira diarista nas casas daqui. Como tudo gira em torno de se pagar a hora, a diarista não seria diferente e muitas casas pagam por 4 horas num dia ou essas mesmas 4 horas divididas em 2 dias e assim por diante... tudo depende da patroa e da "criná" para organizar os horários.

Como eu acho que contei um pouco aqui na postagem resumão de quando conheci a Marciana e suas amigas cleaners que passavam a perna nos patrões. Agora vou contar como é realmente todo o esquema delas.

Precisava de dinheiro e Marciana teve que operar perto do Natal uma das mãos, a outra também já era operada. Tudo isso graças ao esforço repetitivo de limpar até quatro ou cinco casas por dia na correria. Ela precisava de uma ajudante e me pagava 7 libras a hora, fui, precisava pagar o aluguel.

As casas da segunda-feira era a primeira de um homem, acho que polonês que morava só morava ele e seu rotweiller que veio pra cima de mim. O dono não o amarrava, o cão era bonzinho...
Pegamos uns 4 ônibus pra chegar lá.. era quase na cidade de Kent... sul de Londres.
A casa era um casarão, mas a parte toda de cima ele alugava os quartos. Nosso trabalho era só a casa dele que não tinha heating (em janeiro freezing...) e nas sala de jantar e na de estar não tinha luz também... tudo no escuro, sem aquecimento e os tapetes e carpetes imundos de tanto pelo de cachorro!
Fora os brinquedos do cachorro todos espalhados pela casa, brinquedos não, tinha um monte de garrafa de Lucozade (um refri meio redbull). Calma! São de plástico, mas os pedaços ficavam por toda a casa... fora os pedaços de bola e etc que a pequena criança destruia...
O nome do bichinho?
Jack e eu pus sobrenome, claro: Bauer rs

Tinha que ligar o aspirador na cozinha, imunda (que Marciana diz ter sido ainda mais imunda quando ela chegou e tirou um cascão do chão) e tentar ver se o fio alcançava toda a sala. Até ia... mas no escuro, no inverno, difícil limpar...
Mas como tudo é por hora, Marciana falava pra eu correr porque o tempo era pouco pra limpar aquela casa de cachorro...
Ela foi limpar o quarto do dono que estava inundado de pelo, inclusive na cama porque o cachorro dormia com o seu amigo dono. A casa fedia cachorro...
Tudo era velho e mal cuidado - meses depois o cara resolveu derrubar e começou a fazer a casa tudo de novo - ainda as escadas era preciso passar aspirador... correndo!
Tudo era com carpete... todos os corredores... e aja tomada pra achar ou extensão pra o aspirador...

Marciana é um tipo que tem preconceito de tudo, mas o dinheiro sempre é bem vindo. Ela desconfiava que o dono da casa, por dormi de dia, deveria trabalhar em boate, ela achava que ele deveria ser cafetão. Então, ela falava mal dele e das pessoas nas fotos da casa, tipo, achando que todas as mulheres nas fotos (tirando uma que era óbvio ser a mãe do cara) eram prostitutas.
Estava eu passando aspirador na escada e ele passou.
Daí Marciana veio falar pra mim:

Ele é assim, mas é respeitador! Os homens daqui são respeitadores, fiquei reparando quando ele desceu as escadas e ele não olhou pra trás pra olhar sua bunda!

Que simpático, né? Ela queria dizer: ele é cafetão, mas respeita as que não são suas empregadas à noite!
Achei imbecil o comentário... e mais ainda ela ficar reparando...
Corri como uma louca pra limpar toda aquele carpete... não estava acostumada com o hoover... e eles aqui são pesados e toda casa quer que você use...

Saimos dessa casa e pegamos mais alguns buses para a casa da "porquinha" porque Marciana disse que ouviu o marido da mulher a chamar assim... mas se Marciana não sabia quase nada de inglês... não sei como entendeu... acho que deve ter sido alguma vez que ela levou o filho e ele estava nas escolas daqui, já sabia entendia tudo em inglês. (ele terá sua história contada)

O caso é que era sim uma porca, mas perto da amiga dela (casa da terça-feira) ela era a limpeza em pessoa!
Os ingleses têm uma mania nojenta de usar uma bacia na pia pra lavar a louça, aí fica aquela água já suja pra lavar outras louças... coisas do tempos da guerra... mas é totalmente contraditório porque eu nunca vi tanta gente disperdiçando na vida e depois querem economizar água pra lavar louça... porquice total!
Aí eu joguei toda aquela água nojenta, cheia de gordura e resto de comida fora e fui lavar a louça!
Sim! Eles deixam TUDO pra cleaner limpar! Mesmo que ela só seja paga pra trabalhar por 2 horas...
Daí a correira: só tenho duas horas pra limpar tudo!
E o que dá?
Naquela velha história deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!

Só pra inglês ver!!!!!

Sim, o que seria uma faxina, é só uma enganação porque não dá pra vc limpar uma casa inteira em 2, 3 horas, mesmo em quatro se deixam até camas pra fazer e jogar lixo fora... além da louça e da roupa pra pôr pra lavar, secar e, o pior, passar!

Lavei a louça, limpei a pia... e aí fui pro maldito hoover...
Como Marciana estava com a mão machucada é claro que eu teria que "hoovar" a casa...

O mais engraçado dessa casa é que ficava na única rua sem asfalto que vi em Londres... até pus foto dela no meu facebook...
Hoje não acho essa casa tão suja... vi piores...

Também tive que passar roupas... foi aí que aprendi a passar camisa social, coisa que nunca tinha feito na vida e Marciana me ensinou com aquela cara: essas moças de hoje em dia não sabem fazer nada!
Melhor não saber, assim se se vive com um cara que usa camisa social fala pra ele ir na tinturaria rs
Mas aprendi... naquelas porque eu não tenho saco pra passar roupa... mas dá pra enganar bem... acho rs

A casa era até bonita, cheia de fotos de lugares exóticos que o casal já tinha visitado e o pai da dona da casa, pela foto, deveria ser uma figuraça, tinha foto dele e da esposa quando eram jovens, nos anos de 1960, ele parecia um dos caras dos Animals... é muito interessante entrar em casas realmente inglesas pra ver a história vivida dentro delas...

E claro que eu não poderia terminar essa postagem sem uma linda observação de Marciana quando me mostrou a foto de casamento do casal: ele de camisa rosa e ela:
Só aqui que homem usa camisa rosa e no casamento e ninguém fala nada!

Já perceberam a figuraça, né?

09 outubro 2011

Mês de Janeiro, Londres, Zona Centro Sul (Parafrasendo os Racionais)

Pessoal da feira: Vamô chegando!
Já diriam os Racionais... mais um pouquinho...

Sim, é verdade... eu morava numa Cohab e sim, tinha um feira na rua do lado, a East Street onde, curiosamente nasceu Charles Chaplin. E esse mesmo lugar se tornou um rua com uma feira numa parte e várias "cohabs" por sua extensão até a outra ponta, que era melhor do que a ponta onde eu morava, caminho para Canberwell Green.

Ah! Toda feira, ou market em rua é assim aqui: a rua todo dia é tomada pelos feirantes, só segunda a rua é livre... bonito, né? uma maravilha morar em rua de feira, ainda mais aqui, 6 dias por semana...

Final de dezembro, como eu havia contado, fui morar há dois pontos de ônibus da estação de Elephant & Castle. Uma região boa por ser muito perto do centro de Londres, em 10 minutos de ônibus você está no Big Ben e mais um pouco na Trafalgar Square. A localização é excelente, mas o lugar onde morava, horrível!
Não é que eu tenha preconceito da Cohab, morava no meio de várias em Sampa, a questão é que o negócio por lá era realmente feio e eu contarei porquê, calma!

Fui morar lá por não ter mais nenhuma aula particular pra me sustentar, estava realmente com a corda no pescoço quando perguntei para a Marciana se as outras meninas do quarto que ela tinha me oferecido e eu não quis - relembre as postagens... - aceitariam uma terceira no quarto.
De 65, elas e eu, pagaríamos 50 libras, seria bom pra todas.

Quando não aceitei, veio uma outra menina para o quarto, a qual pertencia a mesma igreja de Marciana, mas mudou-se porque o emprego dela era na zona norte de Londres, ficava longe...
Mas eu acredito que era porque ela não estava aceitando bem ou o controle de Marciana ou ficou de saco cheio da roommate, que agora vocês irão conhecer: a Bruxa do Centro-Oeste!!!!

Uma observação sobre essa garota: era uma ignorante imbecil!
Sim!
Ela tinha vindo com visto de turista pra cá (novidade!!!) para trabalhar de babá para uma prima que era casada com um cara de dinheiro (morava na região de Maida Vale, St John's Wood, algo como morar em Moema ou Itaim Bibi em Sampa) e precisava de uma babá, chamou a prima que virou escrava. E isso é muuuuito comum aqui: ela  ficava com a criança todas as horas do dia e da noite e ganhava uma miséria, porque morava com a "família" e estudar, não conseguia porque tinha uma criança pra cuidar.
A menina resolveu pedir ajuda para o pessoal da igreja que arrumou a casa da marciana e estava vendo um novo emprego pra ela.
Região em questão  é onde fica duas ruasfamosas no mundo da música: Warwick Avenue e Abbey Road.
Quando a imbecil me disse que morava perto da Abbey Road eu fiquei surpresa e falei de ser a rua dos... e ela já me cortou e disse:

É aquela rua mesmo que aqueles imbecis ficam tirando foto na rua e pichando o muro, bando de babacas! Nem sabem que ficam lá tirando foto (sic) e depois pintam aquele muro toda a semana! Bando de gente idiota! O que escreveram já era!

Quando passávamos pela rua e aparecia alguém vestido de algum jeito mais diferente ou as inglesas andando de bicicleta de saia (sim, elas fazem isso) ela ficava: olha que ridículo!
E eu só pensando: e você com esse seu cabelo destruído que nunca corta, com cara de ter mais de 40 e é mais nova que eu, com roupa de velha, parece o que, hein?
Daí ela estava preocupada porque precisava do dinheiro pra residência e o Insurance Number (lembram dele?) e que iria custar 100 libras...
E eu, muito da ingênua perguntei (e eu acho que já citei essa situação por aqui):
Tudo isso? Mas por quê?
E ela: é falso!
Mais um ilegal nessa Londres... e quem era mesmo o imbecil?
E aí ela falou que precisava fumar, disse pra eu não contar pra Marciana, mas era a única coisa que ela ainda não tinha conseguido se livrar e que o povo da igreja não poderia saber.
É claro que disse que não falaria e não falei, não era problema meu. Mas aí a ingênua era ela se achava que não Marciana não ia perceber o cheiro de cigarro... qualquer um que não fuma sente fácil o cheiro...

Eu conheci essa garota, Marciana me apresentou a ela para procurarmos emprego juntas, daí os diálogos acima. Fomos procurar um pub de brasileiros e poloneses em Victoria Station, centrão londrino, algo como trabalhar na região da Sé e República em Sampa.
Na casa, além de Marciana, a Landlady, essa garota e a Bruxa, também havia um terceiro quarto de um casal polonês. O polonês em questão falou sobre esse emprego para Marciana que nos avisou, as indicações do emprego?
Facílimas!
O pub - ou 'pumb' como diria Marciana, sim, ela dizia e deve dizer se ninguém a corrigiu "pâmbi" - ficava na saída da estação de Victoria, perto de um mercado Sansbury's e da Orange (mobiles).
Muuuuuito fácil!
Qual saída da estação de Victoria? Deve ter pelo menos 4, qual Sansbury's ? Havia 2 e não achamos nenhuma loja da Orange nesse lugar... andamos como camelas pela região e nada de pub de brasileiros e poloneses...
Nada!
Para depois a Marciana dizer que o pub era "orange" e não perto de uma Orange, e disse com uma cara de desconfiada, achando que não achamos porque não quisemos... uma das maiores irritações do tempo que morei com Marciana era isso: sempre, mas SEMPRE ela desconfiava da gente...

Bem, a menina foi, e veio outra, a Roommate do Bem, como comecei a chamá-la quando falei dela no Twitter, até pensei em ser Rutinha, porque a outra era a Raquel...

Com a Room do Bem e a Bruxa do 21 (nosso flat) eu fui dividir minha vida.
Marciana era de Marte, mas não era boba: o quarto dela, era só dela.

Então era assim começou meu ano de 2011 em Londres: um apErtamento caindo aos pedaços literalmente (em breve fotos, vão se preparando psicologicamente...), 3 quartos com: 1 marciana, 3 estranhas e 1 casal polonês; uma cozinha minúsculas com janelas que não abriam, só a parte de cima e a fumaça da comida impregnava por todos os (in)comôdos e nos casacos de quem deixava no lugar perto da porta, um banheiro só com o "toilet' e outro com  pia e a maldita banheira (é costume aqui nas casas divididas por muitos a privada ser separada da banheira, para não haver muitos problemas, só o problema de não ter pia e a pessoa sair do vaso e ir lavar a mão na pia da cozinha... claro, quando lava a mão ou quando resolve escovar os dentes na pia da cozinha). Ah, nos banheiros também só se abria as janelinhas finais e muitas vezes, Marciana e Bruxa sentiam frio e fechavam até a janelinha única do toilet, o que eu acho uma grande ignorância, afinal, banheiro tem que ficar com janela aberta até quando o inverno está tenebroso, porque... nem preciso dizer... ou preciso?

Os apelidos logo vocês entenderão...

08 setembro 2011

Mais coisas ainda do final de 2010

Quando trabalhava com o casal do sul, eles trabalhavam quase no esquema de vans, ainda em começo de carreira, mas é o que eles deveriam fazer em breve, pelo menos pretendiam. Tinha várias casas e pra trabalhar em várias no mesmo dia precisa-se de um batalhão.

Porque você ganha pra limpar uma casa em 5 horas, como já contei, e com um monte de gente, faz em 1,2 horas e paga uma miséria pros "assistentes".

Voltando, eles estavam procurando um ajudante pra todos os dias, integral e eu não quis, porque nunca foi esse meu objetivo aqui, por menos que ganhasse e passasse sufoco vendo meu dinheiro ir embora...
Trabalhei judando nos dias que pude e eles conseguiram um outro ajudante, um rapaz de São Paulo, de uma cidade próxima da capital, das várias dormitórios ao redor da big city.
Ele me disse que estava aqui há uns 2 anos, que em São Paulo trabalhava no palácio do governo, como garçom, um dia, encheu o saco, pegou férias e veio tentar a vida aqui...
Não fala praticamente nada de inglês, ilegal, procurava uma documentação ou um casamento fajuto. Eu fiquei beeem quieta...

O nosso grande amigo de trabalho é o famoso Henry, um dos aspiradores de pó mais usados nas casas aqui, ele tem uma carinha simpática:

Só a cara simpática... porque é pesado que a p*rr@! rs

O rapaz me disse que achava esse "hoover" (já até esqueço o nome em português de tanto que falo 'hoover', 'cleaner', 'shower', 'toilet', 'feather', 'mop', 'brush', 'brum', 'kitchen', 'tissue', 'wepping', 'bin', 'cloth'... esse é o vocabulário da "criner" rs), então, o rapaz achava que esse hoover é muito bom e disse que comprou um e mandou de presente pra mãe dele...
Eu fiquei só olhando e pensando: coitada dessa mãe, homem só acha que mulher tem que ganhar mais trabalho, né? aff mais uma vez, fiquei quieta...

A mulher só ouvia no rádio do carro, indo de uma casa pra outra, uma rádio no estilo Antena 1 e virou pra mim e disse: só músicas do NOSSO tempo!
E eu: ãh?????? Bee Gees e outros não são do MEU tempo... quem ela pensa que eu sou?
Mais uma vez, não lembro se falei minha idade pra figura... mas ela é mais velha que eu e tem um filho de 20 anos...
Não que eu não pudesse ser, se tivesse sido precoce... mas daí a ouvir Bee Gees e dizer que é do meu tempo??? Vai a PQP!!!!!

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Nem tudo foi ruim na casa de GG, lá, finalmente, consegui ir em um Job Centre e tirar meu famoso insurance number e num GP (posto de saúde) e tirar minha carteirinha pra usar...
A carteirinha pra usar o GP do NHS (INSS daqui) eu consegui até mais fácil que da vez que tive alergia na casa da Collorida... depois, não sei se comentei, descobri que não era bicho que tinha me mordido em Portugal e sim, que naquele colchão tinha o famoso bedbug...
Imagine: só chove, faz frio, nunca a casa e o colchão tomam sol... o que acontece? Claro que não ia descobrir isso pela Collorida, por ela, que os bichos me comessem, desde que pagassem o aluguel...

Dessa vez quis marcar um médico porque não aguenta, achava que tinha gripe e era minha alergia ataca à enésima potência, graças ao meu amigo do coração: o heating, ou o aquecimento e o meu carpete fedido de rato e que a Pureza (lembram?) falou que se eu quisesse ela tinha a máquina pra EU lavar o traste...

O que acontecia era o seguinte: minha garganta ardia como fogo, não conseguia falar direito como se tivesse perdido a voz de tanta dor de garganta e nada disso era gripe.
Cansei de tomar chá de pomegranate, ou a famosa romã que todo mundo come aqui e eu só via se tomar chá pra garganta no Brasil. E lá se foi xarope, remédio pra gripe que diziam ser tiro e queda...
Claro que não faziam o mínimo efeito: o problema era a alergia.
O heating também devia ser tão limpo quanto o carpete e ficava bem na cabeceira da minha cama... troquei de lado, comecei a pôr a cabeça pra dormir no lado dos pés. O ruim é que era onde ficava a tv e ficava complicado. Desligava o heating durante à noite, deixava o quarto quente e desligava pra conter o transtorno...
Só depois percebi que a garrafinha de água que deixava no quarto enchia de bolhas, como se estivesse esquentando... não era só esquentando por conta do heating, era porque ela ia secando, como minha garganta, porque esses aquecedores dos infernos, para aquecer, precisam tirar toda a umidade do quarto, inclusive a umidade da pessoa que dorme ali...

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Nesse mesmo período ia até a casa da Marciana, fiz amizade com ela, porque estava numa fase de quase perguntar a todo mundo: você quer ser meu amigo? eu queria taaaaaanto um amigo...

E é aquela coisa: você só conhece realmente a pessoa quando convive diariamente com ela...

Só que depois de quase 4 meses em Londres e sozinha, já não aguentava mais me sentir sozinha...
Um amigo que mora em Dublin até esteve aqui e me senti a pessoa mais feliz do mundo de ter alguém pra passar uma tarde de sábado batendo papo num Costa (uma cafeteria famosa aqui e mil vezes melhor que o Star-água-bucks). É horrível estar sozinha, tão sozinha...

Foi assim que comecei a engordar... descontava toda a minha tristeza na comida, comia potes de Haagen Dazs  (é barato, ainda mais no inverno), um chocolate delícia com gostinho de laranja... e eu nunca curti esse tipo de coisa, mas esse... nossa:
Ele é assim, todo em gomos, como se fosse laranja e eu comia sem ver assistindo Friends na TV rs
Entre outros quitutes... me enchia...

E aí resolvi ser amiga da Marciana, mas muito em dúvida se ia ou não pra casa dela... tinha que ter outro jeito... (mas não teve).

Um dos fatos mais loucos foi quando fui até a casa de um casal de amigos dela, eles voltariam pro Brasil e a moça trabalhava com casas, e um dessas casas que ela limpava era de uma italiana, como ela soube que eu estudei italiano, passou a casa pra mim, antes de voltar pro Brasil.

Dois jovens de BH que moraram aqui por 3 anos, se mataram de  tanto trabalhar, ela nas casas e ele em restaurante para juntar dinheiro.
Juntaram tanto que a primeira vez que juntaram, pra comprar um terreno na cidade onde moravam, deram pros parentes comprarem, segundo conta a história, compraram de uma imobiliária de mentira que levou o dinheiro deles...
Da segunda vez, não foram bobos, guardaram pra comprar quando voltaram...
Só que ele abriu um negócio e ela comprou seu próprio apartamento, fizeram bem, apesar de ilegais, como sempre...
Ele teve a graça de me mostrar o passaporte e identidade portugueses para comparar com o meu, original, pesado e bem feito. E ficava: nossa, o seu é bem pesado, mais bem feito (dã!).

Daí descobri a nova: inglês de rua...
Ele me disse que falava bem o inglês, mas o de rua, assim como a irmã dessa menina também me falou o mesmo...
Nova definição...
Não, não se trata de gíria, de slang, se trata de brasileiro que mal sabe falar seu idioma e falar o dos outros mal e porcamente... daí inglês de rua...
Não que ele falasse mal, o cara tinha fluência, mas não queria dizer 100% aprendizado Murphy rs - nem 50% acho rs
Porque você aprende falar inglês "na rua" com outros estrangeiros que também falam como lords na câmara...
Aí a irmã falava: eXcRusivi e me dizia:

eu prestei o IELTS, na parte de gramática eu não devo ter passado, mas na conversação eu passei! Eu falo inglês de rua, mas falo!

Ela fazia curso de inglês aqui só pra ter visto, mais faltava do que ia na escola, o que interessa é o visto de estudante... por 6 longos anos... (no caso dela).
Fazia numa das famosas escolas da chamada "fábrica de visto"... (já deu pra sacar o nível só pela aluna rs)

Eles juntaram dinheiro e coisas... mandaram por navio 200 kilos de coisas antes de viajarem... e fui com Marciana no aeroporto dar tchau pras figuras...
Levaram mais 4 malas, chegaram atrasados, se eu não tinha falado pra Marciana de ficar na fila, teriam perdido o voo...
Chegaram no guichê: peso extra (isso porque mandaram 200 kilos por navio...).
E vai a correria da irmã da menina ir comprar outra mala no aeroporto e eles abrirem mala pra todo lado, no meio do caminho e pesar na balança que fica perto do guichê da TAM... (o preferido pelos brasileiros).
E daí só se via tênis com perfume dentro, um monte de tranqueira saindo das malas... como até patins...
A menina tão simplória, eu diria, levava na mão um Toblerone enorme que comprou, queria comer dentro do avião... tive que avisar que ela não poderia fazer aquilo... que seria barrada, só se comprasse lá dentro e levasse na sacolinha do freeshop...
Ajudei com as malas e ficava vendo aquele desespero louco, primeiro porque chegaram atrasados, segundo porque não ia dar pra levar tudo...
E não deu: a irmã ficou com algumas coisas por aqui...
A maior parte das coisas que compraram eram futilidades para mostrar pros parentes e amigos no Brasil, como uma câmera digital que você pode fotografar no escuro que sai perfeito e que tira fotos de uma plano maior do que se consiguiria numa câmera normal: não se precisa tirar várias fotos pra pegar um plano todo... ela faz isso...
Babei na câmera, mas... não deixa de ser futilidade...

Conseguiram embarcar... na volta, de metrô, a irmã dessa garota e a prima falavam das casas que lipam aqui. Que fazem as casas de gato e sapato.
Limpam de qualquer jeito porque tem várias casas no mesmo dia (mesmo esquema do dono da van, mas sem escravos, digo, empregados), ou seja, eu tenho 4 casas de 4 horas. 16 horas de trabalho? Claaaaro que não! Eu faço a famosa limpeza "pra inglês ver", almoço na casa (pegam comida da casa ou fazem comida com os alimentos dos donos da casa) e vou pra outra!
Outra palavra bem comum entre as "cleaners" aqui é tapa "ah, eu dou um tapa" é, pra mim, de tapear...

Não que toda faxineira é desonesta, mas uma grande parte sacaneia o patrão na cara dura...

Soube de casos em que se a cleaner ficou cansada e tem tempo sobrando, dorme na cama do dono da casa, ele está trabalhando mesmo...

A maioria das faxineiras têm chave da casa, os donos foram trabalhar e deixam um chave cópia pra cleaner. Ela vai a hora que convir e limpa, do jeito que convir também...
Deixam também o dinheiro de pagamento. Bom para pessoas ilegais, bom para ingleses que querem fugir do "tax" (imposto) de ter um empregado em sua casa e parecer rico pro leão daqui.
Mas não se preocupem! Em breve eu vou contar o outro lado da moeda: de que muitos desses patrões ainda tem empregadas muito legais para a porquice que são as casas deles... não é porquice de falta de limpeza, em alguns casos, falta de higiene mesmo...