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05 março 2017

A nova vida em Olympia

Depois de tanto contar sobre trabalho e outras coisas, finalmente falo um pouco de Anjo?

Anjo? com esse ponto de interrogação porque eu não sei até que ponto foi um anjo na minha vida ou não. Por ter me aceito na casa dela e me tirado de Elephant & Castle e me colocado a 10 minutos de High Street Kensignton é um bom motivo, mas custou um pouco caro... vamos ver na balança...

Ela é esteticista e como eu ia até ela - já contei isso - ela acabou me oferecendo morada. Depois fui percebendo que ela precisava de alguém pra dividir o lugar, não era só por bondade...

Como todo mundo ela tinha defeitos, o primeiro era a insônia... enquanto uma me acordava às 5 da matina, a outra ia dormir às 2h. Ficava até tarde na TV pra pegar no sono. Ela tomava remédios pra dormir e usava até um que grudava na testa, mas não pareciam surtir efeito. Era uma pessoa boa, conversava bastante comigo sobre os problemas do Reino  Unido e na diferença que era para quando ela chegou lá, há 25 anos, para trabalhar com diplomatas.
Pagava 55 a semana, cinco a mais pela eletricidade gasta, nada que me impediria de estar numa casa mais limpa e num bairro melhor.
A insônia de Anjo? atrapalhava um pouco porque eu queria dormir e não conseguia com a TV ligada.
Ela também me levou aos almoços que faziam com outros brasileiros amigos dela de  tempo de embaixada e outros que foram se somando. 
Relembrei o que era comida de verdade rs

Conversávamos sobre o Brasil e na época se falava bem pela economia do país e não ter entrado na crise que assolava a Europa naquele tempo... era fácil conviver com ela, apesar de não ser a pessoa mais arrumadinha no quesito cozinha, e deixava a comida estragar no fogão sem guardar na geladeira, por exemplo, não me sentia mal com ela. Era tranquilo, mas a vontade de ir embora era grande demais!

Anjo? Trabalhava também como cuidadora de uma senhora idosa e limpava casa de algumas clientes porque o dinheiro não estava dando, acabei sendo ajudante dela em pelo menos 2 casas. E assim ia ganhando minha vida.
Fui atrás de cursos de inglês, finalmente, me senti um pouco mais segura para ver isso, o que era desde o começo meu intuito, finalmente ia se realizar morando ali.

Farei postagens específicas sobre a escola e as que fui ver além das casas que trabalhei, entre outras coisas. See ya!

30 outubro 2016

Anjo?

Finalmente, em julho de 2011, eu consegui sair da casa da Marciana!!!!

Ia, quando tinha dinheiro sobrando, a uma esteticista que me foi indicada pela Ad, amiga da Collorida, essa mulher fazia depilação e eu precisava muito, algumas vezes, porque a Floresta Amazônica tomava conta das minhas pernas e não dava pra viver além de tudo, peluda, né? Só o que me faltava...

Depilação na Inglaterra não existe em que a virilha pode ser dividida em cavada ou não cavada ou é beeeeeeem cavada ou Brazilian Bikini (lindo, né?) ou você deixa um fio ou deixa nada... ainda estou falando de virilha, mas parece que ela não existe nesse tipo de depilação...
E Anjo foi indicada porque talvez me desse um desconto, não no dinheiro, mas de não precisar radicalizar na "virilha"...
Sempre que ia na casa dela, conversava bastante, ela era (é) uma pessoa que vive em Londres há quase 30 anos. Veio com diplomatas pelo consulado brasileiro no Rio de Janeiro para trabalhar na casa deles e tinha muitas amigas que chegaram na mesma situação e ficaram, não quiseram voltar ao Brasil, preferiram a vida na Europa, também para ajudar a família no Brasil. Ela tinha muitas freguesas não só brasileiras, mas inglesas, sul-africanas, australianas e conseguia se comunicar bem com elas; não fazia só depilação, era uma esteticista completa: com limpeza de pele e massoterapia.
Conversava bastante e num dos meus papos com ela, ela conhecia NaLgini, lembram dela? A cobra? Afinal, Nalgini estava há uns bons 18 anos em Londres e nessa época que chegou havia poucos brasileiros que se encontravam em comunidade, um desses lugares era a Igreja Católica que elas participavam.
 Anjo me contou que NaLgini ficou internada num hospital psiquiátrico em Hammersmith (!!!!) e percebi que realmente a culpa do imbróglio todo não era mesmo minha na casa da Collorida...

Um desses dias que fui e falava da minha vida triste para Anjo ela me disse: por que você não vem morar aqui? Quanto você paga lá por semana? E eu disse que eram 50 libras, e ela me disse que faria por 55 por causa do gás do heater... um alívio percorreu pelo meu corpo, quase chorei! E descobri um anjo na minha vida!
Primeiro quis saber onde dormiria e ela me mostrou que tinha no quarto dela (que também era o salão de estética) uma caminha baixinha debaixo da dela, para quando alguém precisasse dormir lá. Nada demais, melhor do que o colchão estragado da Marciana, era cama de espuma!!!

Era em Olympia, perto da High Street Kensington, o preço era bom para o lugar onde moraria, dois pontos de ônibus da estação de Hammersmith e do Apollo Hammersmith, onde vi a Adele.
Eu ia pegar ou o metrô até HighStreet Kensington e um bus pra casa do trabalho ou dois buses, era só o que atrapalhava ou pegar o metrô até Olympia que era uma linha meio desabitada, não sei por que a linha de Richmond deixava apenas de meia em meia hora passar um trem até Olympia então ficava inviável, mas eu tentei algumas vezes quando só ia na depilação... e chegava atrasada no trabalho...


Vejam no mapa: é um braço da linha e muitas vezes não ia, quando fui embora, parece que fechariam essa parte do metrô e ficaria só a do trem, que é a linha com duas faixas laranjas que passam lá. Marquei também que trabalhava na estação St Jame's Park para verem como seria facinho de metrô, mas eu preferia pegar o bus pra pagar menos, ia até próximo da Notting Hill Gate e lá pegava outro bus.

Então, assim, me senti liberta de Marciana e sua corja! Estava tão feliz e aliviada de que poderia me mudar e não aguentaria mais aquilo! Numa casa pequena, mas aconchegante, bem mais limpa! E com geladeira, micro-ondas bem mais novos e sem medo de dizerem que eu entupi com meu cabelo ruim (sqn) a banheira! Não tinha banheira! Era só chuveiro num banheiro pequenininho!! Mas muito mais com cara de limpo do que o velho da Marciana!

Cheguei na casa da Marciana para avisar que ia me mudar e havia chegado mais um colchão box, estava no quarto dela e ela disse que ia pôr pra ela, neste mesmo momento falei que sairia da casa. Ela se espantou, achou que eu era a trouxa que aguentaria sempre tudo calada. E falou que tudo bem, que se eu ia ficar até sábado que era meu dia de pagamento, aí eu não precisaria pagar, era só levar as coisas. Quando avisei Marciana, eu já tinha levado muita coisa embora, para não ter que levar tudo de uma vez num único dia, como elas trabalhavam o dia todo, tive meu tempo para ir sumindo aos poucos com minhas coisas.
Até hoje a Marciana reclama que saí da casa dela, falou pra mãe dela aqui no Brasil que não esperava isso de mim, que me ajudou tanto. Disse isso para a prima da minha mãe, que foi quem arrumou o contato da Marciana. Uma tia minha que me contou, se um dia tiver a oportunidade de conversar com essa prima da minha mãe, contarei a ela o que passei na casa e que nada tive como favor, tudo eu paguei, saí sem dever nada a ela e ela sim a me dever respeito por me tratar tão mal por ser documentada. Por achar que eu trabalhava pouco e que deveria trabalhar como ela, mula de carga pra sustentar filho mimado no Brasil. Não, ela não fez nada demais por mim, eu que fiz por ela: fui uma inquilina fiel e que não trazia problemas, nem quando ela me cobrava adiantado o aluguel.

Ela ficou mais assustada ainda quando viu que eu já tinha levado praticamente tudo embora. Depois a Santa e a Bruxa vieram falar pra mim (porque voltei um outro dia lá para ver se tinha cartas pra mim) que Marciana queria saber porque eu fui embora e elas disseram que foi por causa do colchão, pelo menos foi o que me contaram. E que ela ficou pensativa e perguntou o que mais de errado tinha na casa rs aí elas falaram da banheira, da toalha da mesinha da cozinha que nunca foi trocada etc etc e ela trocou a toalha e pôs até tapetinho no banheiro! Isso eu vi quando fui lá.
Acho que foi até no show do Morrissey... passei lá antes, era no Brixton Academy, "aquele lugar de pretos!" como diria Marciana... loira dinamarquesa, diria Caco Antibes...

Meu último contato com Marciana foi por mensagem de celular, quis dar um troco bem dado a ela, antes de voltar ao Brasil, mandei mensagem perguntando se tinha aparecido mais alguma carta em meu nome na casa dela. E ela disse que tinha mudado de lá (ela disse que mudaria para um lugar menor quando a filha viesse no final do ano) e as meninas (Santa e Bruxa) também tinham mudado. Eu disse que só queria saber porque estava indo embora pro Brasil e só estava esperando me entregarem meu certificado de inglês. rsrsrs ela disse que era legal eu ter conseguido e tal - não com a ajuda dela que achava que eu passava todo meu tempo brincando na internet e não estudando...
E assim fui para a minha quinta casa em menos de um ano de Londres...
Feliz por não ouvir mais Marciana dizer "o tempo avoa!" e "vou depositar dinheiro na óquisfórdí".

14 agosto 2011

1 ano em Londres

Dia 15 de agosto, amanhã, fará um ano que estou aqui em Londres e agora posso fazer um balanço melhor da vida na cidade.

Fiquei lembrando das discussões que lia nas comunidades, no orkut, de brasileiros em Londres. Uns odiavam Londres e não viam a hora de voltar, outros, amavam Londres e achavam babacas os outros que odiavam...
Nunca interferi nas discussões, afinal, eu não sabia exatamente o que me esperava e não sabia de que lado ficaria.

Na verdade, hoje, eu sei que não ficaria de nenhum dos lados, porque entendo ambos: adoro Londres, é uma cidade incrível para se viver DESDE QUE você tenha um bom emprego e um bom lugar para morar de forma confortável.

Muitas pessoas vêm para cá com um sonho de que tudo é perfeito, como eu, e se decepciona.
Sim, eu me decepcionei demais com a vida aqui, mas porque a vida não é fácil para uma brasileira que fala mal o inglês e que acabou perdidaça sem saber o que fazer direito... planejamento malfeito ou nem tanto... acho que  foi confiança nas pessoas que eu pensei que me ajudariam mais e acreditei que as coisas eram mais simples, como me diziam...

Então, como eu já disse aqui uma vez, que faria diferente muita coisa, não tem porque eu falar mal da cidade. A cidade tem sujeira, tem muita gente mal-educada, se paga mal - ainda mais com essa crise na Europa toda-, mas realmente, não posso culpá-la, me dei mal aqui, sim, estão todos cansados de saber, mas a verdade é que um conjunto de acontecimentos destruíram meu sonho.

Não sei se é a mesma coisa que acontece com as pessoas que odeiam essa cidade e querem ir embora correndo... mas muita gente vêm com uma ilusão diferente da minha: ganhar muito dinheiro e fácil. O que você não consegue em lugar nenhum, pelo menos de forma honesta.
Daí as pessoas reclamam da cidade, porque queriam poder mostrar logo pro povo no Brasil que está por cima da carne seca... e estão na verdade debaixo do quarter pound rs
Trabalham como eu: se sentindo escravizados, trabalhos duros, mal remunerados, sendo humilhados, vivendo mal, comendo mal e não aproveitando nada, fazendo contas para mandar dinheiro pro Brasil - o que não é meu caso, só vou levar dívidas pro Brasil, por escolha, escolhi não trabalhar como louca e aproveitar o que pudesse.

Os que amam, se apegaram demais à cidade, podem morar mal, podem trabalhar como condenados, mas amam as diferenças, amam o poder aquisitivo de andar com roupa de marca e ter um iphone ou um blackberry, amam se sentir livres, principalmente se não moram com um bando de brasileiros xeretas... o que acontece muito também.

Acredito que se as coisas tivessem acontecido de um jeito diferente na minha vida, eu moraria aqui de vez: a proximidade com o resto da Europa e poder viajar por ela, além ver os shows dos artistas que amo me prenderiam fácil aqui.

INFELIZMENTE as coisas que já contei por aqui e ainda irei contar - porque estou ainda em novembro pra dezembro do ano passado na trilha da história rs - só mostrarão o quanto foi difícil minha vida por aqui e uma coisa eu posso dizer: se soubesse de tudo isso, acho que viria do mesmo jeito, só pelos shows que acabei assistindo, os lugares que conheci e por toda a experiência de vida que, espero do fundo do coração, tenham me tornado uma pessoa melhor.

Porque, eu acredito, que nada do que vivi e ainda viverei são por acaso, acredito num plano maior que eu aceitei há muito tempo... numa galáxia distante (rs) e se eu não tinha cumprido no Brasil, tinha mesmo que quebrar a cara em Londres para aprender algumas coisas e, principalmente, ter certeza do que era viver em Londres e não passar o resto da vida me lamentando do tipo: ah, se eu tivesse ido pra Londres... aqui não é vida... Londres que é!