11 junho 2011

Stewart Leettle, parte final

Finalmente chegamos aos outros dois personagens que faltavam nessa casa: o rapaz do video-game, que era até gente boa não fosse ele chegar de madrugada e jogar video-game com o volume no último e ainda gritar: meerda! merda! meeeerda! enquanto jogava às 2 da manhã...

Ele morava no outro quarto, ao lado do meu, gostava de ouvir a Rihanna e Duffy, paulista, está aqui há 3 anos e chegou pra estudar e foi ficando... passaporte italiano, vai embora quando  tiver vontade, se tiver.

Uma bela tarde de quarta-feira, me dei ao luxo de ir ao cinema ver a De Volta para o Futuro na comemoração de 25 anos do filme. Cheguei na casa cansadona... e me joguei na cama e liguei a tv para descansar... eis que então que só escuto um barulho debaixo da minha cama e um pequeno vulto saindo desembestado por debaixo da porta: era meu novo amiguinho que parecia dividir quarto comigo: Stewart Leetle ou Leetle Stweart, cheguei a alcunhá-lo de James Stewart Leetle, mas o James verdadeiro nunca mereceu isso...

Fiquei passada, apavorada... um rato acabava de sair pela porta do meu quarto!
E percebi que havia um buraco enorme no canto da porta por onde ele teria livre acesso... pensei na janela que deixava sempre aberta, teria ele vindo de fora?
Fazia muito tempo que se precisava carpir aquele quintal da parte de trás...

Apavorada, fui contar pro GG sobre o que tinha acontecido. Ele e Pureza riram, riram na minha cara e ele ainda disse:

"ah, então vou ter que cobrar aluguel dele também!"

Aí ficou sério e começou a perguntar: você deixa resto de comida no seu quarto?
E fez outras perguntas como se eu fosse a pessoa mais porca do mundo e pra todos eu respondi o óbvio: não!

O meu pavor foi tanto que fui dormir morta de medo, na verdade, não dormi direito aquela noite pensando que o Leetle deveria ser o Lee amigo de Soudemorte que o transformou em rato pra terminar de acabar com minhas poucas alegrias em Londres...
Falando sério, fiquei pensando que se ele saiu pela porta tão rapidamente era porque conhecia muito bem o caminho e que saberia fazer o caminho de volta...
Acordei no meio da noite assustada, toquei em algo do lado do meu travesseiro: era meu relógio de pulso que eu deixava ali porque tenho mania de olhar as horas toda vez que acordo... imaginem... eu pensando estar tocando um rato que estaria dormindo beeem no meu rosto... minha pressão deve ter chegado a 30...

Dormi apavorada e fui comprar panos e adesivos pra tentar vedar minha porta, só abria a janela quando estava no quarto e de olho, olhei todos os cantos pra ver se ele poderia estar em algum lugar ou se havia algum buraco...
Tentei vedar a porta, mas descobri que ele poderia ir pela parte de cima dela, que dava uma falha... é... as belas e bem conservadas casas de Londres alugadas por brasileiros...
Dava uma falha na porta porque ela ficava torta e também percebi que a porta era só duas folhas: era oca por dentro... o ratinho poderia fazer a festa ali... e, mesmo assim, colocava os panos debaixo só pra tentar dormir tranquila...

Avisei o rapaz do quarto ao lado, queria saber se ele já tinha tido algum problema, GG tinha me dito que nunca tinham  tido problema de rato lá... falou com a maior cara de "oh! que surpresa!" por isso ficou me culpando e tal... tentando me fazer ser culpada.
O moço do video-game me disse que nunca tinha visto e que ficaria esperto... pro outro casal não avisei, quase não os via e achei que o problema era mesmo da janela e que talvez o bicho tinha ido embora...

Algum tempo depois, o bicho aparece de novo no quarto do rapaz do lado. Ele disse que o bicho fazia barulho no guarda-roupa dele, mas ele não o viu.
Corri pra ver meu guarda-roupa, não achei nada, só do lado de fora, num canto que guardava sacolas estavam molhadas... morri de nojo e medo!
Não tinha cheiro de urina e achei que poderia ser por essas sacolas estarem do lado do aquecedor... em todo caso, joguei tudo fora com raiva, porque tinha planos pras coisas que estavam ali.

GG não viu o rato, Pureza não viu o rato e não resolviam nada, só deu uma pequeníssima  ratoeira para o moço do video-game pôr no quarto dele, parecia ratoeira de brinquedo... uma palhaçada!
Pureza chegou a me perguntar se eu tinha nojo de rato, que não era tão grande coisa assim e eu disse que não tinha nojo, tinha pavor e ela me olhou com uma cara do tipo: credo, que menina mais nojentinha!
Como se rato fosse um animal de estimação... talvez o dela... além do GG...

Mais alguns dias e contei pro casal goiano sobre o Stewart... eles não o tinham visto também, parecia meu karma: só eu o conhecia pessoalmente...

Passado algum tempo não soube mais da criatura e fiquei tranquila. Até que um domingo, na cozinha, esquentando meu jantar só vejo um barulho estranho e uma coisa correndo na minha direção: gritei como uma louca!!!!!!! O bicho, antes de chegar em mim, desviou, outro buraco para ele, debaixo da mesinha da cozinha, daquelas só de parede, tinha um vão numa portinha, ali era a entrada pra debaixo da escada... meu amigo tinha mais um esconderijo...
O engraçado é que o casal goiano estava na casa e não foi lá ver o que estava acontecendo, e se eu tivesse tido um ataque do coração? Morria ali...
Uns dias depois o rapaz desse casal veio me perguntar se tinha sido o rato, porque ele foi passear no quarto dele e que ele só não o matou, porque a mulher gritou e assustou o bicho.
E ele me disse para eu olhar atrás da privada, havia mesmo um buraco ali também que tentaram tampar com uma bucha de lavar prato... ou seja, o problema era antigo... só disfarçado...



Estava ficando cansada daquilo, ainda mais que comecei a acordar de manhã e todos os dias encontrava cocô de rato no chão.
Já não aguentava mais morar ali por conta da minha rinite atacada pelo carpete do quarto e pelo aquecedor que eu comecei a desligar durante à noite, mesmo com -2 graus Celsius -, com um outro morador me sugando a tranquilidade e o meu dinheiro ficando cada vez mais raro... tinha que me mudar... o cara não dava jeito... não tomava providência, só tinha posto na pia uma daquelas placas de pegar rato... só!
Leetle era muito esperto pra não passar por ali...

Alguns dias depois encontrei minhas coisas no armário da cozinha roídas: uma caixa daquele After 8 e até um rolo de papel toalha, no plástico fechado, estava roído... joguei a grande maioria das coisas fora e vi que realmente a coisa estava cada vez pior!
O casal fofo não me reembolsou os gastos com a comida roída e não ia mais ficar ali...

Fora a limpeza da casa: pagava 85 a semana e, em dois meses que fiquei lá, vi duas vezes a casa ser limpa - banheiro principalmente!!!!

No meio de muita pressa, resolvi ir morar com Marciana - logo saberão mais a respeito - antes de sair, era perto do Natal e fui pra Portugal ver minhas tias e passar o Natal em família.
Deixei minhas coisas na casa da Marciana antes de viajar.

Um dia antes de deixar a casa, Pureza veio me dizer que não ia mais deixar o forro de aluminio nas bocas de fogão, porque ela fazia isso pra não precisar limpar o fogão, sujava e se jogava fora, mas cada um teria que limpar a partir de agora porque ela havia achado restos de comida ali parado e cocôs de rato.
E eu: bem, eu estou saindo e já não estou mais cozinhando aqui.
(preferia comer, novamente fast food do que naquele nojo de cozinha)

Ela ficou com cara de c* pra mim...  tipo: é, né? Joga na cara...

Mas eu havia dito que tinha pavor de rato, eu tinha avisado sobre o bicho... não ia ficar pagando 85 libras por semana por um quarto que eu dividia com um rato, não dormia porque tinha um cara jogando video-game no último volume e gritando, com a garganta moída e doendo e o nariz sangrando por conta do aquecimento e do carpete de 50 anos no chão - eu passava aspirador até 2 vezes por semana, mas o negócio era velho... (GG ainda me falou que tinha um aparelho pra lavar carpete: ah tá! agora vou lavar pra você, né?)

Não, não dava mais pra morar assim... e saí antes de um presente maior de Natal do Leetle...

10 meses ou como eu mudaria tudo...

Depois de 10 meses em Londres a ficha realmente cai. Quer dizer, agora você já sabe tudo que fez errado e como deveria ter feito se fosse hoje que estaria planejando sua viagem.

Vou fazer uma listagem:

1 - Nunca, NUNCA, aceite morar na zona 4 ou mesmo zona 3: você só gastará muito dinheiro com transporte, o mais viável é o metrô, que é caro. Prefira morar na zona 1 e 2 e use ônibus. Se você carregar seu bilhete único daqui (top up your Oyster or Traveller Card), para uma semana de ônibus, você pagará bem menos que de metrô e poderá andar quantas vezes quiser de ônibus num dia por todas as zonas da cidade - se tiver paciência pra isso rs;

2 - NUNCA aceite morar numa casa em que a pessoa fala pra você:  tem um probleminha, depois te conto. NUNCA deixe esse "probleminha" para saber quando chegar em Londres, você poderá estar morando na Mansão do Terror e nem sabe...

3 - Se sua meta é estudar e não pagou curso no Brasil, tenha isso como a primeira coisa a resolver aqui. Estou há 10 meses e só fiz aulas particulares, são boas, mas não dão certificado de que você estudou em Londres. E se você deixar isso pra depois, como duas pessoas me disseram (e é a pura verdade): Londres te engole! Não seja engolido por Londres como eu, vá procurar um curso no centro, na Oxford Street existe pra todos os gostos e preços e os "General English" costumam começar toda a semana. Diferente de quando eu morava em Richmond (zona 4) que tinha datas fechadas como outubro e janeiro... e isso fez com que eu pensasse que era assim na cidade toda;

observação: Richmond é um lugar maravilhoso de se morar e você tem muito mais contato com ingleses - o bom das zonas mais distantes é isso, são bons locais pra se praticar inglês com nativos - , mas é distante dos trabalho e escolas...

4 - Procure alugar uma casa para morar que não seja com brasileiros ou portugueses, senão você, como eu, não falará inglês e passará por muitas situações de raiva - não que não passe com outras nações, mas eles são muito mais na deles e não se metem na sua vida, além de cuidar melhor da casa;

5 - Dê preferência por casa de ingleses natos que alugam, eles cuidam muito da casa e qualquer problema estão atentos a fazer o melhor possível - como acontece onde mora uma moça que conheço;

6 - Se seu landlord (senhorio) não der conta daquilo que você reclamou, espere alguns dias, nada resolvido, vá procurar outro lugar: ele não vai resolver, vai empurrar com a barriga enquanto puder, pode ser por anos;

7 - Vá procurar emprego depois de já estar estudando e procure um horário que não atrapalhará seus estudos;

8 - Procure fazer amizades com falantes de qualquer outro idioma menos o português, isso será bom pra treinar o inglês, mesmo que os outros, nem você, falem corretamente, é um treino;

9 - Não pense que será fácil fazer amizades, até com brasileiros será difícil: cada um se fecha no seu mundo e só pensa em ganhar dinheiro. O que você mais vai ouvir será: estou busy. As pessoas, definitivamente, não  têm tempo para serem sociáveis e legais nem com elas mesmas. A ganância do dinheiro e, talvez, por terem passado perrengues aqui, faz com que as pessoas não ajudem ninguém. Ninguém ajuda ninguém em Londres, isso é fato. Nunca conte com a ajuda e boa vontade das pessoas, isso não existe aqui. Claro, isso é 1% do que pode acontecer... mas tenha sempre um plano b porque é ele que você vai usar na grande maioria das vezes;


Conselhos de coisas que não vivi, mas já vi gente passando sufocos:


10 - Venha com dinheiro, não seja louco de chegar aqui com pouco achando que vai arrumar emprego rápido - o país está em recessão e até pra ser cleaner a coisa está complicada;


11 - Se você tiver como tirar uma cidadania de algum país da comunidade européia, tire antes de vir, você passará pela imigração sem dor; caso não tenha como: venha com visto de estudante ou de trabalho. Não tente ser mais um "indocumentado" aqui (como os ilegais se 'qualificam'), a vida é difícil para quem tem visto ou cidadania, imagine chegar aqui e ficar escondido ou arrumar um emprego de escravo, os empregos já são de trabalhos forçados... sem documento então... espere pela pior exploração possível.


****
Queria fazer uma observação aqui nessa postagem porque magoei pessoas queridas:  Patrícia e sua mãe, a Rita. Elas fazem parte do um por cento de brasileiros que são dignos, honestos e amigos em Londres. Outra coisa: as aulas particulares de inglês da Patrícia são muito melhores que qualquer curso da Oxford st. Se você quer aprender inglês, com ela você aprende, nas escolas da Oxford e etc só repete o que viu no Brasil ou nem isso...  só quero frizar que: você quer um papel dizendo "estudei em Londres" pra provar no Brasil, aí você faz qualquer escola mesmo...

Espero ter acabado com esse mal entendido terrível!

06 junho 2011

Quase uma bipolar... ou ... vencendo o bullying

Estou reabrindo o blog...
Eu sei, vocês devem ficar: decide o que você quer, Regina!

E, na verdade, eu quero ele aberto, nunca tive blog fechado.

Pensei muito sobre o motivo de restringir esse blog e percebi que quem estava perdendo era eu e meus amigos. Afinal, estava fechando meu blog para o bullying e a única coisa que ele causa é revolta, medo e traumas. Como eu não estou mais na escola, não sou mais adolescente e acho que tenho maturidade suficiente pra lidar com isso, estou reabrindo.
Abaixo a censura! rs

Estava no trabalho refletindo: a esperança tem que vencer o medo! (lembram disso? rs)

Pois é!
Eu não posso ser fraca a ponto de me esconder se não faço nada de errado (sou uma pessoa de altos e baixos e gostaria de saber quem não é) não vou mais me esconder como uma criminosa, não sou criminosa, não sou culpada de nada.
Sou apenas uma pessoa que desabafa muito e, às vezes, até demais, o que gera mal entendidos, principalmente para quem não conhece a "raíz" da questão.

Não tenho que me explicar para ninguém, é fato, mas preciso deixar claro que fiquei extremamente chateada e angustiada por falarem mal de mim, rirem de mim, sem me conhecerem, sem entenderem realmente quem eu sou.
Quer dizer, sem me conhecerem e falam tantas coisas que não são verdade, se se baseiam em meu perfil do Facebook, então, se baseiam muito mal: aquilo deve ser 0,00000000000000000000001% de quem eu sou realmente.
Acusar sem provas, falar coisas das quais não se sabe com o mínimo de embasamento e brincar até por eu usar rivotril - sem saber e entender os motivos do uso desse remédio - é no mínimo triste.
Sim, eu fiquei muito triste de saber que usavam minhas palavras aqui e no twitter para rirem de mim, da minha tristeza, da minha doença e dos meus problemas.
É quase como "chutar cachorro morto" quando me atacam numa crise de depressão... e aí é muito fácil...

Mas todos as pessoas que admiro também sofreram calúnias, difamações, bullying e elas ficaram, preservaram seus nomes. Por que eu, um ser tão pequeno perto dessas pessoas, não posso aguentar essa gotinha?
Serei forte e continuarei com minha vida aberta como era antes. Como dizem: os cães ladram e a caravana passa.
Quem tem a consciência tranquila sofre com coisas como essas, mas sabe que a verdade, cedo ou tardíssimo, sempre vem à tona.

Eu não vou esperar pela verdade vir à tona, vou viver minha vida, com a cabeça erguida, porque eu posso.

25 maio 2011

My life in London

This is my life in London, my frustration, my dream is made a nightmare...

17 maio 2011

9 meses e o bebê da esperança nasceu!

Todo mundo que acompanha esse blog sabe que eu já passei por coisas que até eu tenho horas que duvido de que aguentei tanta coisa...

Todo mundo já cansou de me ver reclamar, reclamar, reclamar de Londres. Afinal, não foi pouca coisa que passei e meu sonho virou mesmo pesadelo.

Só que agora, há 9 meses na Terra da Rainha, parece que a ficha caiu.
As decisões já estão meio tomadas (é, porque a gente nunca sabe se podem mudar...) e eu estou me sentindo bem.
Bem no sentido de estar bem comigo e numas meio caminhoneira: fé em Deus e pé na tábua!
Estou com o pé na tábua e com fé de que algo ainda vai dar certo e pra que isso aconteça é preciso que eu me ajude. Coisa que pouco conseguir fazer, desanimei muitas e muitas vezes, para vocês terem uma ideia, cheguei a acordar quase uma da tarde: não saía nem da cama por desânimo... passava o dia no pc e quando tinha tv, me dividi entre a tv e o pc.
Pra que sair na rua?
Pra que olhar pra cara das pessoas?
Pra que estar aqui?

Uma hora eu ia ter que sair do casulo ou morrer nele... e, graças a Deus eu decidi sair... sai, naquelas no começo, comecei a trabalhar, mas sempre pensando "o que que eu tô fazendo aqui?" e sempre deprê, sempre abalada, sempre remoendo o passado - que é passado...
Acho que quando você fica sozinha, morando sozinha (sem família e amigos) você se torna solitária e eu sempre fui um ser solitário, sempre preferi o "antes só do que mal acompanhado" mesmo sem saber se eram más companhias mesmo, o antes só sempre foi mais forte em mim.
Só que é diferente ser antissocial quando se tem família e amigos por perto, por mais que eu me diga antissocial, tímida, fechadona, com pessoas que amamos tudo é mais fácil.
Agora, morando em outro país, em casas onde só o meu dinheiro é bem vindo, tudo fica pior.
Ainda mais num país onde as amizades que se faz não são tão fortes, ainda não consegui nenhuma realmente forte, porque as pessoas estão 24 horas por dia ocupadas...

E eu na minha sede de solidão, fui ficando ainda mais só, mais só... mais angustiada: ninguém tem tempo pra vc, a maioria só quer ganhar dinheiro. Eu sei, muita gente veio pra cá pra ganhar dinheiro ou querendo ter uma vida diferente e melhor do que no Brasil, mas as grande maioria dos brasileiros que vivem aqui não têm vida: só trabalho, trabalho, trabalho.
A outra palavra é dinheiro, dinheiro, dinheiro...

Descobri que grande parte dos brasileiros aqui se tornarem meio ingleses: materialistas totais, egoístas e mesquinhos. Claro, não é que eles pegaram isso dos ingleses, não, só acharam um campo fértil para ser assim sem ter que se explicar... sem ter que fazer aquele tipo "receptividade brasileira, calor humano", não precisam fazer esse tipo, é só dizer: aqui é diferente.
Não, aqui não é diferente, as pessoas é que preferem ser diferentes e entrar nessa linha individualista porque sempre foram, só precisavam, como eu disse, do lugar certo.

Eu cansei de falar mal dos ingleses aqui, falei mesmo! Mas muito foi do que recebi por parte deles... e coisas muito rudes que aconteceram comigo - quem acompanha bem esse blog, sabe.
Mas o que posso realmente dizer deles é que são pessoas muito diferentes: fechados, alguns tímidos, outros muito arrogantes, outros estranhos... outros engraçados rs
É uma mistura, mas uma mistura de gêneros diferente do que eu estava acostumada, são realmente blasè e quando se está se sentindo solitária gente blasè não ajuda em nada....

A verdade é que precisei de 9 meses, completados domingo, dia 15, para entender, pra me reerguer e, espero, conseguir o que almejo: falar com certa facilidade o inglês e escrever razoavelmente.
Na verdade, cheguei aqui querendo ficar fluente, pra isso, teria que ficar mais um ano, o que eu não aguento... só se ganhar na mega-sena rs

Passei por maus bocados até aqui, mas acho que aprendi lições valiosas de paciência, resignação, comedimento, humildade, abnegação e desprendimento.
Imagine entrar na HMV e não poder comprar cds que você deseja muito que custam apenas 3 libras? Faz tempo que não entro lá... nem quero olhar...

Neste momento eu só penso em uma coisa: arrumar mais trabalho, mais algumas horas na manhã, quem sabe, para juntar dinheiro para estudar mais e viajar, só isso...
Imagine o povo que pensa em juntar dinheiro aqui? Fica louco! Fica louco de tanto trabalhar, de tanto querer dinheiro e fica louco porque acha que EU sou louca de querer viajar e estudar...
Isso é problema deles, não meu... eu vim pra ser feliz e a partir de agora, eu quero, com fé em Deus, parar de reclamar e chegar onde desejo, ou quase perto.
Pelo menos do ladinho de Praga rs

07 maio 2011

Fran Healy 16th September 2010

Do you remember the post about my journey looking for Umbridge Road and where the veneu of the Fran Healy concert was?

Well, I forgot to tell you about the concert (God!! how I did do this???), one day after my "camel journey" in the wrong Uxbridge Road. The following day I was certain about the place and the "true" Uxbridge Road (I will never forget this street name).

(I still lived in the "Horror House" as Soudemorte ("I'm death" lol) doesn't care about me and anybody in the Horror House, I hadn't problem. I didn't have to tell anyone about my personal life.)

The following day I was certain about the place and the "true uxbridge road" (I will never forget this street name).
I arrived early and I went to Bush Hall. This place is very near Shephard's Bush Tube Station, five minutes, it is very easy to find. It was very early when I arrived at Bush Hall and I decided to eat something because I wouldn't hungry, by tge time the concert started.
There was already a queue and when I came back it was a little bigger, but I was still one of the first. There weer other brazilians in the queue, I heard them.
People that passed by the place asked us: "who's playing tonight?"
Imagine this: it was a wednesday, six o'clock and the queue kept getting bigger.

I was very anxious: it was my first gig in London and Fran Healy and Travis are very important in my life, because of their songs abd charisma of the band.

We got in the place, an alternative, indie, place, by the way. It was a small venue, but it's a very beautiful building. A piano near the stage and I got a place near there, a little space, but just by the stage. I was getting more anxious, I would see Fran Healy very close to me.

Earlier there was another concert. A new guy - like Jack Johnson or John Mayer style - his name is Pete Lawrie and the label (I believe the same of Fran) must believe in his carreer for him to open  the Fran Healy concert.
Pete Lawrie is a very cute guy and his voice is amazing. The people listened whith attention, but a gir (a non sense girl nerar the stage too - a "Joselita" as we say in Brazil) told him:

You're better than Jack Johnson!

Oh, God! I was ashamed for her! She was a very stupid and bizarre girl, at least for me, she wanted to expose herself :

"oh, loook, people!! I'm very cool and smart!!" (yeah, she is very c* - in portuguese is "ass" lol). She was such a pain in the ass...

Ok, ok! I'm very moody. I know it! lol

Fran Healy's concert was booked for 9:15 and Pete Lawrie finished around 9. I was worried because Richmond is very far from this place - Richmond is not far for who lives there and got a car - it's no so far but the tube line is very slow, the worst line of London tube: District Line, I hate it! (Picaddily is os slow too and they said to me Jubilee).

Everyone waited for Fran's time and... he finally appeared on stage! He came out of the blue!!! What a suprise! No entry music, no presenting!

There he was on stage, everyone was very surprisde and happy with him.
I was very surprise too, but I was staring at him: he isn't a tall guy and very thin. And...

FRAN HEALY WAS STANDING CLOSE TO MY FACE!!!!!

He told us "good evening" and he started to play. I was in trance I was mesmerized.

He mixed the song of his solo album and Travis songs. Each song he told us how this song was made, the idea, the first tries.
I had been in London for a month, I didn't understand everything he said, but I understood the context. I laughed at these situations like in "Flowers in the Window", the idea started when Doggie was feeling sick and he vomited out of the window lol imagine it!
Or "Sing" was inspired by MTV' programmes name), Fran told us the word was "swing" and his still in his mind that was already created.
It was very funny Fran singing "swing, swing, swing, swing" lol
"Dear Diary" was a real Fran's diary.

Fran told us about a song in which Paul McCartney plays bass. He told us that he sent an email to Paul and didn't wait for the reply. Healy had sent the music, the melody and it lacked a bass player.
Fran thought "sure, Sir Paul McCartney would never reply to me..."
And...
Three months later, Paul replied to Fran. Fran said that when he saw the email for the first time, he was in shock: Paul McCartney replied to me!!!!
Paul said that he hadn't time, he was very busy (he is always in Brazil now, you!!!), but he loved the song and put the bass in the tune.
Fran told us about this with emotion and happiness.

Me and a couple (I believe russians) behind me, sang all the songs and time this was the first I was weirded out by English people: only some watched, only some recorded (the whole concert!!!) and there was a couple in wich the girl seemed like she didn't know Travis, because she didn't seem to understand the funny things about Travis' songs: she was not participating and her boyfriend understood, but didn't stop recording.
To me is seemed like the majority of people, didn't enjoy or enjoied in another way that I can't understand: no emotion, no feelings...
It was very cold crows, but me and olther foreigns showed to Fran a different welcoming.
I took pictures and recordered some songs, but I still enjoied the concert.

Fran went to the piano and finally the crowd showed some enthusiasm.
I couldn't see him and Joselita girl took a picture for me of Fran in the piano.;
Well... one point for Joselita...

But Joselita tried to talk with Fra when he explained the songs and in the end, she asked him for his towels and a guy from New Zealand asked him the setlist.
I was very shy to asked for anything. I thought "I'm from Brazil, please!" but my embarassement was too big.

Fran was sweating so much during the concert it was unbelieveble and Joselita won every drop of his sweat. I don't think this was good...

I would have prefered something else like pick or mainly a picture with him, but it wasn't possible.

Sometthing else which was funny and different was the come back time when he said:

"Ok, this is the final moment. I pretend to go out and you pretend to call me for more music and the come back started"

Everyone laughed because Fran thought is very hyppocritical the whole come back thing...
He asled us to "YELL!" and he pretended to go out and he came back in.

He was very cool, funny and such a sweet guy!
Fran Healy is the guy!!
The guy all girl would like to meet in their lives.

I went ou happy from Bush Hall and took a taxi in Richmond Station to Horror House wasn't problem for me, I was very happy.

In Travis words:
I'm so happy 'cause you're so happy



Setlist:

20
Writing to reach you
Anything
As you are
Sing to me Sleep
Fly in to Ointment
Dear Diary
In the Morning
As it comes
Flowers in the Window
Rocking Chair
Sing
The Humpty Dumpy Love Song
Driftwood
Buttercups

"Encore"
Turn
Indefinitely
Slide Show

****
This post was only possible because Jac told me about the show and Patrícia held to correct me ;)

27 abril 2011

E se Kate Middleton fosse uma indoc?

Para quem não me acompanha no  twitter ou qualquer outro contato além desse blog, ainda não sabe o que é um "indoc".
Indoc foi um apelido carinhoso que dei aos brasileiros ilegais aqui.
Uma mulher que mora comigo, e eu sei que vocês estão loucos para conhecê-la, a Bruxa do Centro-Oeste, sempre se refere a ela e aos amigos como "indocumentados", ela inventou um eufemismo para ilegais. E quem lembra o que é eufemismo já entendeu a razão... (não lembra? aqui rs)

E eu peguei e abreviei carinhosamente para "indoc", pra ficar meio anglicismo rsrs (hoje tô relembrando como é ser professora de português rs).

Bem, tem coisas sobre os brasileiros ilegais, digo, indocs que eu ainda não contei aqui e vou tentar resumir tudo na figura da Kate se ela fosse uma brasileira indoc vivendo em Londres.
Muitos podem ver preconceitos nas coisas que colocarei, mas não será quando eu escrever sobre exatamente essas coisas no futuro, então, nada é "de graça", tudo é o que eu já vi, ouvi, li e presenciei acontecer aqui. Só juntarei todas as peças em uma única pessoa para exemplificar tudo isso.
Discordem ou não, achem ruim ou não é o que eu vivo, nada a mais, nada a menos.

Se Catherine Elizabeth Middleton fosse indoc ela seria Kate Jennifer da Silva, no mínimo, teria nascido em Goiás e estaria aqui em Londres para juntar dinheiro e comprar uma fazenda (??!!!) na sua terra.
Para todos os que estão aqui ela diria que a família tem fazenda em Goiás (é o estado campeão em pessoas não só aqui como na Europa toda), mas que resolveu ter sua própria vida e buscar sua independência financeira (e tem gente que acredita piamente nisso...). Para os que estão no Brasil ela diz: estou cansada de ganhar dinheiro em Londres, está até chato essa vida de roupas, perfumes e acessórios de marca...

Como ganha dinheiro?

Para a família e amigos do Brasil deve dizer que é nanny, babysitter ou que trabalha em loja de marca, mas na maioria das vezes, a verdade é que ela trabalha de diarista (ou "horista" o que é mais comum aqui) e ganha entre 8 e 12 libras por hora cada casa que faz, muitas vezes se mata para limpar até 4 casas num dia para ganhar mais.
Faz o que a maioria faz: dá um tapa. Essa é a expressão mais usada pelas "cleaners" aqui: eu dou um tapa e vou pra outra casa. E assim limpa 4 casas num dia, por volta de 20 na semana se não trabalhar também no sábado. Esse "tapa" é de "tapiar" mesmo.
Afinal, como eu já disse, quem consegue limpar bem uma casa em 2, 3 horas na semana? Ninguém. Sim, é uma limpeza para inglês ver e que eles acreditam...

Se ela não fizer nada disso, pode estar metida em coisa não tão legal, como prostituição, dançarina de boate e até ajudando a fazer documentação falsa.
Afinal, não se esqueça: ela é uma indoc e a maioria dos indocs aqui pode viver 10 anos e não saber falar inglês, pode entender contextos, mas não sabe falar, muito menos escrever em inglês - mal sabe em português muitas vezes. E o trabalho de cleaner não é registrado, não paga impostos, fácil para quem não tem documentação conseguir.
Nos outros trabalhos pode ficar escondida mesmo sem documentação ou fazer um falso, seria muito comum se ela tivesse um passaporte italiano, espanhol ou português falso, além de todo o restante da documentação como o meu querido e famoso insurance number.

Se as casas são dela, ótimo! Senão, se trabalhar para outra pessoa entrará no famoso (aqui) esquema das vans: uma van pega em determinada região da cidade pessoas para trabalhar em casas de luxo no interior de Londres ou já em cidades vizinhas fora de Londres, leva o povo indoc pra lá para limparem várias casas num dia, divide o pessoal para ir mais rápido e fazer mais casas num dia.
Por exemplo: eu fico com a cozinha, Kate com o banheiro, fulano passa o hoover (aspirador), sicrana passa a roupa. O dono da van é o que ganha a grana e paga 5 libras a hora para cada uma dessas pessoas.
Uma casa que foi paga para ele passar o dia ou, digamos, 6 horas e ganhar 15 a hora (num lugar de luxo), ele faz aquela casa em 2 horas, porque o povo trabalhou junto pra limpar, ele ganha 90 por essas 6 horas, e só paga 2 horas de trabalho para cada indoc, pagando 5 que é menos que salário mínimo daqui, mas se você é indoc não pode reclamar de ganhar menos... o dono da van é sempre alguém "documentado" e que se se irritar com você, lhe denuncia pra imigração, afinal, indoc tem de monte, manda esses pra casa e vem outros...
Daí vão pra outras casas...

Kate Jennifer teria uma dessas vidas e sempre tiraria fotos e mandaria roupas de marca para os parentes no Brasil (ué? mas o povo não é fazendeiro? por que ela tem que mandar roupa de marca pra eles? eles não compram no Brasil!???!  pois é...)

Se ela fosse garota de programa ganharia tão bem que passaria metade do dia na academia cuidando do ganha pão e falando no celular. Estaria muito afim de encontrar um príncipe como Willliam para conseguir sair do mundo dos indocs e passar a ser uma "documentada".
A maioria tenta e até consegue: ou conquista o cara na cama ou paga mesmo pelo passaporte britânico ou europeu. O famoso passaporte da alegria  não é do Playcenter aqui ...

Claro que nem todos conseguem, para comprar uma cidadania tem que juntar uma senhora grana  (já me proporam casamento por 9 mil libras e já me disseram que eu poderia conseguir um "noivo" que pagasse até 12 mil pela minha cidadania) ou realmente "amar" o cara e casar. Claro que muita gente ama de verdade, não vou desmerecer, mas na maioria dos casos não é entre um cidadão e um indoc que rola amor.
Claro que aí você casa e tem que morar no mesmo teto que a pessoa, Kate agora moraria com a rainha, mas mesmo que não goste, teria que aceitar... e aceitar "dormir" com seu príncipe...
E nem sempre é fácil dormir com esse tal príncipe. Já ouvi dizer que inglês é ruim de cama, outras dizem que inglês faz o que tem que fazer e acabou, vira do lado e volta a ler o livro...
Se você ama esse cara, se sentirá uma merda, imagine se não amar...

Bem, eu torço para que se salve algum inglês rs
Mas é muito pior pensar que porque está no mesmo teto que o cara ele poderá querer algo mais de você além das 9 mil libras... e aceitar para não ser denunciada e extraditada.

Kate Jennifer não mediria esforços para casar com esse cara e aturaria tudo isso, falaria depois mal dele para as mais chegadas no celular, dentro do busão e esqueceria que poderia ter mais brasileiros que entenderiam a conversa dela, mas seria só esperar o tempo de conseguir o passaporte britânico e aí partir para outro que quisesse, até um indoc que amaria casar com ela e depois ter também seu passaporte.

E outra: melhor morar só com o príncipe e a avó rainha do que dividir casa com outros indocs ou pior: dividir vaga em quarto - é um roubo o aluguel em Londres e pra ficar mais barato muitas vezes o jeito é alugar uma vaga e dormir no mesmo quarto com gente que você não tem ideia de quem seja... além de saber que são indocs.
E ter um landlord que não se importa se a casa tem rato, se o chuveiro quebrou, se a água do banho está gelada, se a casa está imunda porque ninguém limpou... dane-se, eu só apareço na casa pra receber e falar 'ah, vou ver isso'...

Kate Jennifer ficaria sem ver a família por anos a fio, porque seu passaporte, na hora de ir embora, poderia ser carimbado pela imigração como tendo passado mais tempo do que deveria e não poder mais voltar para Londres, mas quem disse que não há jeito pra isso?
Antes da viagem, um mês antes, ela vai na delegacia e diz que foi assaltada: levaram dinheiro, celular, PASSAPORTE etc.
Faz a queixa, registra b.o. e leva isso no dia da sua partida para garantir: eu fui roubada, não tive tempo hábil para fazer um novo passaporte ou... fui roubada e esse é meu passaporte novo... novinho... sem carimbo de data de entrada...

Mas casando-se com um príncipe todos esses problemas acabam e pode-se visitar quando quiser a família com o maridão estrangeiro, fazer a cidadezinha babar nas suas roupas, sapatos e bolsas de marca - algumas marcas são realmente muito mais baratas aqui, como a GAP - viu brasileiro com camiseta da GAP de Londres? não se engane, ele comprou em promoção por 9,90 £ -, e claro, se seu maridão for bonito, a mulherada vai sonhar em vir pra cá casar com inglês... e vai vir mesmo!
Achando que tudo é um sonho. Um conto de fadas.

26 abril 2011

A hora e a vez de Stewart Leetle parte 2 - GG e Pureza

Só uma coisinha: este, eu acredito, será meu último texto, calma gente! em português rsrs
Estou tentando traduzir todo o blog, se não conseguir, porque é um trabalho pra Hércules, e não pra mim rs, as postagens serão em inglês a partir da próxima. Não, gente! Não é frescura! É aprendizado, quanto mais eu escrever em inglês, mais eu aprendo ;)

O casal que eram os donos da casa, ou que sub-alugavam (com ou sem hífen? não lembro...) eram mineiros.
GG, era assim que Pureza o chamava sempre. O nome dele é fácil:

(o nome já apareceu logo de cara no video rs)

E Pureza também era uma personagem da turma de Chico Anysio, homenageado duplamente aqui rs




Bem, o caso era assim: ele alugava quartos e fui parar lá em Dalston Junction (pertencente a região de Hackney, indo pro nordeste de Londres).
Fez várias considerações para que eu já soubesse de tudo na casa para alugar, coisas do tipo: se for fumante, não aceito (eu odeio fumante rs) ; namorado você pode trazer, mas não é pra ele morar aqui (namorado? o que é isso?); e coisas como limpar a borda da banheira depois de tomar banho; lavar a louça depois de comer e guardar... etc...
Disse-me que a casa seria limpa pela Pureza toda a semana, que isso já era descontado no aluguel.
Tudo bem, o quarto era pequeno, mas era só meu e tinha chave!

Na casa de Soudemorte não tinha, eu algumas vezes cheguei a dormir com a cadeira trancando a porta. Quando perguntei da chave da porta pra Collorida ela me olhou com cara de que eu a tivesse xingado "não se tranca portas aqui"... deveria, quando se mora com gente como eles...

Bem, eu não traria grandes problemas para o casal, só achei o fim da picada, quando GG fez a minha mudança - de Richmond pra Lewisham - ele o tempo todo passar ao celular com Pureza e ouvindo Latino... e eu que reclamei do carro do meu tio...

O casal era assim (e deve continuar): passam  dia se ligando e GG me disse "estamos juntos há 5 anos, mas mantemos como começo de namoro" tá bom... pra mim, sempre foi exibição ou vocês não achariam a visão do inferno dar de cara com os dois saindo do banheiro juntos - depois de longas horas de "banho" - de roupões na ponta da escada (o banheiro ficava na parte de cima e o quarto deles embaixo, o meu quarto tb  era em cima) eu querndo subir e eles querendo descer. Aí Pureza dá um beijaço no GG antes de descer a escada pra eu subir, nossa, super gato ele, morri de inveja: careca, feio, meio velho, meio gorducho, morri de inveja dela... noooossa!

Eles pareciam simpáticos, ele mais que ela. Sempre fazia brincadeiras comigo, do tipo que minha comida estava cheirando bem e que paulista (eu) gosta de trabalhar, diferente de carioca e baiano (ele disse isso, não eu... ele tinha os preconceitos dele, não eu) e disse que carioca e baiano nem apareciam por aqui por conta do frio. Fiquei na minha, mas conheci algumas nordestinas que moram há mais de 20 anos em Londres (Collorida, NaLgini e minha depiladora que é muito gente boa!), não quis entrar nessa de ficar estereotipando pessoas, ainda mais porque a escola onde trabalho de sábado, o coordenador é um baiano super gente boa também, o casal tinha aquela cabecinha: moram fora do país de origem e não aprendem nada no novo, afinal, Londres é um caldeirão cultural, é uma Babel, é pra vc sempre aprender com as diferenças e são grandes! (tenho que escrever apenas sobre isso)

A minha simpatia por eles acabou quando comecei a me irritar e ficar com nojo que eles tomavam banhos juntos no banheiro que é COLETIVO! Se eles tivessem o banheiro deles é uma coisa, estão na intimidade do lar deles, do quarto deles, do banheiro deles, mas... era uma única maldita banheira para 6 pessoas...
Comecei a ter nojo de tomar banho ali, pagava 85 libras por semana - pagava 70 na casa da Collorida - e ele, no meio de todas as regras que pôs ele disse que a casa seria limpa toda a semana, já descontando do aluguel que pagamos.
Passou um mês sem eu ver o banheiro ser limpo, um mês sem a cozinha ser limpa.
Meu quarto, às vezes, eu passava aspirador (tinha um maldito carpete do século passado) duas vezes na semana por conta da minha rinite, que só foi ficando pior ali e eu, como sempre, achando que estava gripada e com uma dor de garganta horrível. Cheguei a comprar até vitamina C, tomei chá de romã (que tem em cada esquina), fiz de tudo e aí minha mãe me dá a dica:

Regina, você não lembra que tiramos o tapete do seu quarto por conta da sua alergia?

Verdade, era o carpete e o heating, outra maldição, ele ficava na cabeceira da minha cama, nas noites frias ele tinha que ficar ligado e eu comecei a dormir nos pés. Depois comecei a desligá-lo. Deixar ligado de dia, quando não estava, aquecia o quarto, e desligava quando eu chegava.

Falo a verdade pra vocês: cheguei a ficar sem tomar banho. Sim, eu fiquei de um dia pro outro sem tomar banho porque eu chegava morta de casanço em "casa" e o casal estava no banho... horas a fio... e eu ia dormir. No outro dia, claro, eu tomava banho. Mas é duro você estar morta de cansada, querer um banho pra relaxar e outros relaxando bastante no banho...

Isso porque ele sempre deixou claro: ambiente familiar! Nunca entre nessa de que realmente exista ambiente familiar em casas para alugar por brasileiros e nas quais não são de uma família mesmo vivendo lá...
Eu entrei e veja só...

20 abril 2011

14 abril 2011

Deprê pré 8 meses

Amanhã fará oito meses que estou aqui...

Ontem conversei bastante com minha mãe no telefone e chorei muito. Chorei porque me sinto muito fracassada, apesar de estar aqui e foi uma escolha minha. Sinto que a barra está tão pesada que me chamei três vezes de lixo enquanto falava com a minha ela.
Isso porque ela não sabe nem a metade do que passo aqui.

Sinceramente?
Não consigo ver vantagem nenhuma em ter vindo pra cá: todo um sonho se desmoronou e eu não vejo nenhum progresso na minha vida... estou esperando um emprego: talvez eu comece a dar aulas de português em maio - porque aqui também tudo já parou porque escolas estão de férias e todo mundo só volta à vida normal (se é que é vida e normal viver aqui) depois do casamento dos pombinhos reais...

Chorei muito porque falava pra minha mãe que não volto antes do casamento de uma prima minha: o cara a enrola há 6 anos e decide casar com ela quando eu queria voltar: em dezembro. Que saco! Que raiva!
Eu não vou a casamento nenhum!
Minha mãe tentou me persuadir, mas eu sei muito bem o que me espera, perguntas idiotas que se eu estiver aí vou responder com uma educação britânica: NÃO QUERO CASAR, ALGUM PROBLEMA PRA VC?
Claro que isso é mentira, mas que resposta eu darei para um bando de gente que vai me ver lá e perguntar: e aí? Não arrumou um inglês, não?
NÃO TÁ VENDO ELE SENTADO AQUI DO MEU LADO?

Falei para minha mãe, abri o jogo mesmo que eu não vou aguentar, porque a barra vai ser muito pesada pra mim, eu contei pra ela que uma das minhas tias, a irmã mais nova dela, eu a bloqueei no msn porque não a suporto mais: não arrumou um inglês? arruma um de outra raça!
Minha mãe me disse: fez bem, não fala mais com ela, então!
rsrs nunca pensei que minha  mãe pudesse concordar que eu bloqueasse uma irmã dela, mas ela sabe o quanto esse tipo de perguntinha idiota, imbecil, acaba comigo...
Sabe o quanto eu já sofri e sabe que não é culpa minha se estou sozinha.

E ainda tem uma aqui pra me pôr pra baixo porque ela se acha a gostosa... que inferno de vida! (isso é história pra depois)

A ideia que tenho vai pro outro blog (o Sex and the City dos Podres) e lá eu me alongo sobre essa questão, mas eu queria voltar logo pro Brasil, mas esse casamento só faz eu adiar tudo... e fazer com que eu sofra mais um pouco por aqui.
Como disse pra meu irmão e pra minha mãe: eu prefiro passar o Natal sozinha - se for obrigada - ir no casamento da minha prima.
Eu sei, parece ruindade e inveja da minha parte, mas quem disse que eu não tenho inveja?
Vamos ser honestos: é claro que eu queria ter conquistado essa fase no video-game life (lembram dele quem já me lê há séculos?), mas não cheguei nessa fase e acho que não vou chegar porque a pessoa que eu queria encontrar talvez não exista: alguém que realmente me ame, me respeite e seja um companheiro de jornada.
Isso é muito difícil, a grande maioria dos homens só pensa nele, só pensa em como a vida dele comigo seria uma prisão, é porque homem acha que ter um relacionamento sério é ficar no cárcere, não poder pegar vadia por aí...

Então, fiquem com as vadias e não venham me procurar quando estiverem indo pro asilo!
Não quer ser feliz enquanto tem uma vida pela frente, não me procure pra ser enfermeira quando estiver abandonado, eu estudei Letras, lembram? Enfermagem não é meu ramo.
E nem me venham falar do meu lado Madre Tereza, esse eu vou guardar para pessoas importantes... quem disse que eu chego a ser um madre de verdade?
Vai muita encarnação pela frente... assim como eu acho que vão muitas encarnações até que os homens descubram que amor não é prisão e sexo não é tudo, muito menos com uma cada dia...

... enquanto isso...
vamos sofrendo cada um no seu canto: vocês, homens, fingindo que pegar gostosas é tudo na vida e eu fingindo que Londres é legal.
Quem sabe na próxima encarnação, né?

Nesse momento que tento escrever a Bruxa do Centro-Oeste está aqui... pra cima e pra baixo e eu mal posso escrever e chorar... ela está de folga... que porcaria!
Em breve, quem não lê o meu twitter, saberá quem é essazinha.

A verdade é que eu me sinto extremamente cansada de tudo aqui, só me prendo ainda por conta desse tal emprego que se eu conseguir isso sim vai ser bom pra minha carreira no Brasil e porque tenho ingresso pro Pulp dia 03 de julho... mas com o casamento da minha prima, que minha mãe não sabe a data exata, talvez eu volte só em janeiro pro Brasil...

É, eu sei, eu sou teimosa, mas eu não vou aguentar parente e conhecido com gracinha e perguntinha sem vergonha. Prefiro continuar o sofrimento daqui...
Aí vocês podem dizer: então não reclama!
E eu: NÃO ESTOU LHE OBRIGANDO A LER MEU BLOG! VOCÊ TÁ LENDO PORQUE QUER, NÃO QUER? NÃO APAREÇA POR AQUI... simples assim...
Não faço questão nenhuma de que leiam pra ainda me repreenderem, já sou repreendida a todo momento aqui e muitas vezes fazendo o certo, não aceito queixa de quem não está sendo obrigado a ler, não faço questão que continuem se acham que eu só reclamo.
O blog é meu e eu desabafo, sim!
Não gosta?
Tchau!