26 agosto 2018

O FCE

Como já contei aqui, estudei numa escola de inglês e depois, antes do trabalho ficava num parque pequeno perto da escola (Linconl's Inn Fields), em Horborn. Quando esfriou o tempo, passeando por aquele lugar, achei a Biblioteca da LSE (London School of Economics) e me informei se poderia estudar lá dentro. Sim, consegui fazer a carteirinha para visitante e ia pra lá estudar. Tinha uma mesa que eu sempre usava e também era bom porque tinha acesso à internet nos computadores deles. Não levava o meu porque de lá, ia pro trabalho onde não teria onde guardar o laptop.

Meu estudo consistia em fazer exercícios de gramática do livro famoso do Murphy, o Grammar in Use, nível intermediário e outros dois livros específicos para o FCE. Então eu estudava a gramática, tinha aulas de conversação e escrita e só faltava a parte de listening.

Fiz a maior besteira de deixar a parte de listening por último, para estudar em casa, porque precisaria de fones de ouvido para acompanhar. Esta era minha rotina de todos os dias: aulas na English Studio, almoçava, estudava inglês, ia pro trabalho.

A prova do FCE eu fiz em outra escola, a Kaplan, porque na English Studio não tinha a data que eu queria. Então descobri que a Kaplan fazia o exame em todas as datas que era aplicado.
A Kaplan era tipo a escola que estudaria se tivesse dinheiro rs muito mais cara e com mais recursos.

Era um sábado, de manhã que eu faria a prova. Tudo bem, estava acostumada a acordar relativamente cedo, mas como era uma prova eu quis acordar um pouco mais cedo para não dar nada errado.

Deixei o listening para fazer todinho na véspera, em casa...

Comecei o listening e Anjo? chegou com a filha. Sim, ela tinha uma filha que, pelo que eu entendi, as duas não se falavam há tempos e se encontraram no ônibus e resolveram ir pra casa.
Então, meu teste de audição ficou prejudicado...
Pelo que entendi, a filha de Anjo? estava "indocumentada" em Londres e por isso a briga de mãe e filha...
A filha foi embora e tentei ainda fazer os exercícios de audição, só que eu já contei da insônia de Anjo? Então... ela não dormiu e ficou assistindo TV até umas 2 da manhã sendo que eu acordaria lá pelas 6h para ir fazer o teste às 8h. Não era tão longe, era na Leicester Square, mas eu não queria me atrasar e teria que mudar de linha de metrô, eu morava perto da District Line e precisaria ir até a Picadilly.

Não me lembro, mas imagino que tenha ido até Hammersmith e pegado a Picadilly lá



Cheguei cedo para o teste e ele é todo feito, pelo menos na Kaplan, em computadores. Havia pessoas de outras nacionalidades lá pra fazer. Só não sabia qual era a nacionalidade da menina do meu lado.

Começou o teste, pelo listening...
Duas coisas me prejudicaram: eu ter feito mal feito os exercícios de audição e não ter dormido bem. Estava morta de sono e não conseguia fazer os exercícios direito. Foi tudo no chute.
Falei que tinha tempo pra fazer? Pois é... tem tempo determinado para cada parte da prova.
Quando cheguei na parte de escrita, já estava mais acordada e acredito que tenha ido bem, assim como na parte de gramática.
Como estudei por um livro que imita os exercícios do FCE não foi tão difícil essas partes. Assim como a conversação eu sabia que eu teria que responder a perguntas específicas para os avaliadores.

A parte de conversação era a última.
E a menina ao meu lado viu meu passaporte português e falou comigo, era uma mineira que precisava passar nessa prova para poder continuar com visto de estudante em Londres e assim continuar vivendo em Londres como, claro, faxineira.
Ela me contou que não dormiu bem à noite também, foi para a balada e que deu uma copiada nos meus exercícios de listening... fiquei p*** quando ouvi isso e o pior: a conversação era em duplas e já tinham me colocado com ela. 
Ela disse que faltava muito no curso de inglês que frequentava, mas que sabia que no listening ela teria de descrever coisas - errado, teria que se responder perguntas e falar sobre coisas que fossem pedidas.

Começou o teste, começaram a fazer perguntas que eu respondia, a mineira começou a descrever coisas e me atrapalhar, mas eu tomava a rédea da conversa e continuava - não sei se fui prejudicada por isso...
Sei que sai muito brava da prova e daí uns dias fui viajar. Só soube fora de Londres que tinha passado por pouco na prova...

A lição que tomei foi que nunca deixe pra última hora para estudar algo que é realmente importante e cuidado para não ter um brasileiro no mesmo teste que você. Brasileiros sempre querendo me ferrar!

Quando voltei à Londres fui buscar meu certificado e esqueci de perguntar se a menina tinha passado, lembrei tanto de falar, mas na hora, com o certificado na mão, esqueci tudo!
E esse sufoco foi superado, depois de muito desejar aquele certificado.

23 fevereiro 2018

Apartamento da Marciana, em fotos!

Achei um DVD com fotos do meu celular e não é que tinha muita coisa importante?!
Acho que dá pra ter uma ideia maior de como era minha vida na casa da Marciana...

Os armários que separavam o espaço de Bruxa e Santa, atrás a "cortina" na janela, reparem na quina da parede, a sujeira
Assento da privada - reparem no mofo ou seja lá o que for nas dobradiças








Canto da Bruxa, arrumação dela


Canto da Santa, vejam pelo azul no final que ela já tinha ganhado a cama box


Janela remendada, porque deveria proteger do frio...

teto   


mais detalhes do teto

meu canto, do lado do da Bruxa
minhas coisas debaixo da cama
detalhe da dobradiça

05 novembro 2017

A escola de inglês e o Beatles Walk

Chegamos ao curso propriamente dito!

Fazia dois cursos um de conversação e outro de escrita, enquanto estudava toda a gramática no parque e depois na faculdade que contei que fiz a carteirinha da biblioteca (dia desses me mandaram um e-mail pra eu renovar a carteirinha!). 

Tive sorte de não encontrar brasileiros no curso de conversação, fiz amizade com uma japonesa e duas venezuelanas então não tinha problema de conversar em português. No curso de escrita percebi que haviam brasileiros, na verdade elas, brasileiras e como eu não me importei em fazer amizade com elas, elas também não se importaram em fazer comigo. Acho que estavam tão focadas quanto eu em aprender o inglês e não ter contato com brasileiros.

Quando ia pro curso, na entrada, dava de cara com brasileiros que faziam o curso no horário mais cedo, dei graças a Deus que não comigo. Talvez fizessem o curso regular de inglês, diferente de mim que quis fazer específicos.

As aulas com professores ingleses eram legais, não tive problema com nenhum deles ehehehe o que seria esperado de mim por ser professora, como faço sempre, mas foi tranquilo.

Estudava no English Studio, um curso que não era muito caro pros padrões do que eu tinha visitado, o único problema é que não tinha uma sala de estudos, senão ficaria ali até a hora de trabalhar.

Faziam passeios também, um deles eu fui, o "Beatles walk": os locais que os Beatles marcaram por Londres. No passeio conversei com mais pessoas de outras nacionalidades, principalmente com espanholas e duas que se intitularam Barcelonesas, o assunto da separação vai longe!

3 Saville Row, estava em reforma, mas já tinha ido lá antes


Fiz um álbum no Facebook e se você for meu amigo conseguirá ver, lá está toda a andança que mostra lugares onde moraram os Beatles quando pobres procurando a fama, casas já quando famosos, locais onde tocaram, onde morou empresário, o famoso prédio no número 3 da Saville Row, Carnaby Street e, claro, terminamos com a travessia da Abbey Road.

Além deste passeio participei de encontros em pubs organizados pelos alunos mesmos e fiz amizades.
Não mantive os amigos estrangeiros, o que é uma pena, mas como via que não falavam comigo, fui deletando dos amigos, besteira minha, mas foi o que aconteceu e fiquei sem treinar meu inglês que tanto batalhei pra melhorar!

   
Carnaby Street
O professor que fazia a caminhada também tocava - estação de St Jonh's Wood, perto da Abbey Road
Onde está Wally? rs Cafeteria do lado da St. John's Wood
Mais uma vez na Abbey Road (eu já tinha ido até lá)

22 outubro 2017

Procura de escola de inglês

Com dinheiro vindo do Brasil (meu pai) comecei a estudar numa escola de inglês, finalmente. 
Eu queria passar no FCE e queria poder ter a oportunidade de estudar em escolas para estrangeiros e fui pesquisar.

Todo brasileiro que não fala inglês vai dizer para você que a melhor é Callan que trabalha com a repetição de frases, acho que conhecem escolas assim no Brasil, né?
A Roommate do Bem fez, mas fez numa que não usava só esse método, e parecia bem interessante, o professor não aceitava só as repetições e assim elaborou melhor as aulas.

Eu fui na Callan original ver como era, só para dizer que xeretei e posso dizer a verdade. Primeiro o professor me pôs num nível abaixo do que eu sabia que eu tinha (quem nunca...até em Londres...), era um escocês simpático que conversou comigo e mais algumas pessoas. Fui para a sala de aula assistir uma aula de experiência, sala cheia de italianos que reclamavam em italiano de achar uma merda a aula e eu só ria. A menina quando me viu rir pensou que eu fosse italiana também.
O professor chegou a pedir a repetição de "The Book is on the table" e pra mim foi o fim da picada! Achei que ele estava de palhaçada com a nossa cara! The book is on the table? não...

Fui a outra escola e quando vi brasileiros saírem da sala falando em português, não quis mais saber: brasileiros, não! Chega! Vi que era a mesma coisa que estudar no Brasil: você sai da sala e continua sua vida em português.

Lembram da Oxbridge a rua que errei no show do Fran Healy? Pois é, fui no começo dela ver uma escola de inglês, na rua "errada".
Assisti aula numa turma de FCE que tinha quatro alunos e o professor numa mesa grande. Em algum momento uma polonesa pensou que a capital do Brasil fosse Buenos Aires (seria melhor que Brasília...) e me perguntaram sobre o Carnaval do Rio (e de São Paulo, ou do resto do Brasil, se há) e eu expliquei havia um tema, as escolas cantavam um tema escolhido por elas e apresentavam essa história... foi engraçado falar disso, nunca me imaginei explicando pra alguém como é o esquema das escolas de samba, muito menos defender isso...

Achei a escola um pouco fora de mão, e teria que pegar a District Line naquele pedaço, nada animador, já que é uma das linhas mais tartarugas de Londres.

Fui a outra escola em Shepherd' Bush, mas eles não tinham todos os cursos ali, e sim na mesma escola só que Holborn e pelos preços achei que seria o melhor que poderia pagar e o caminho melhor a fazer de onde morava e depois pra ir trabalhar tinha um ônibus até St. James' Park



Fiz um teste e a menina não me achou apta ao FCE, mas quem disse que eu liguei?
Fazia o curso de manhã, almoçava por ali perto, tinha um pequeno parque que eu almoçava e no inverno achei uma faculdade que consegui fazer a carteirinha de sócia da biblioteca e passei a estudar lá. Até a hora de ir trabalhar e pra St. James.

Quando fui fazer o exame do FCE fui em outra escola, pois essa não oferecia todas as datas e essa outra que oferecia a prova na data que queria fazer era muito mais chique,cheia de recursos e se estiver outra vez em Londres pra estudar, irei pra lá, se tiver dinheiro, claro! E parecia sem brasileiros rs

Num outro post conto como foi na escola que escolhi.

20 julho 2017

sobre a última postagem

eu esqueci de dizer o porquê de pão duros, eles demoraram 2 semanas para pagar as casas que limpamos. Disseram não ter dinheiro... Deus sabe...
Heaven knows I'm miserable now...

16 julho 2017

E você pensou que tinham acabado as casas para limpar? Ledo engano...

Anjo?  me apresentou algumas amigas delas, participei de almoços nas casas delas onde sempre fui bem recebida. Um povo simpático e que estava há mais de 20 anos morando em Londres. Um pessoal que viveu outras situações e lembra da cidade de outra forma.
Lembram de um tempo de como era difícil encontrar outros brasileiros para conversar e ter a de qualquer forma se manter firme sem indicações ou outras coisas. 

Mas a maioria deles não precisavam disso, tinham vindo trabalhar pelo consulado então todo mundo se conhecia daí - tirando alguns em outras situações e que fizeram amizade com elas também. Havia pontos específicos e assim os brasileiros se encontraram e fizeram amizade no final dos anos de 1980 e década de 1990. 

Destas amigas que vieram com Anjo? conheci uma pessoa peculiar, vamos chamá-la de Naughty Woman, depois vocês entenderão.

Naughty apesar dos 20 anos de Londres não conseguia fazer uma frase simples em inglês e assim ela não teve a mesma vantagem que as demais que depois do trabalho no consulado e desejaram ficar em Londres fizeram outras coisas de suas vidas, como Anjo? que é esteticista e fez cursos em inglês. Naughty não teve essa chance e limpava casas. Mas não eram qualquer casas, fazia limpeza de casas de gente com um bom dinheiro, não direi qual religião para não dizerem que sou racista ou coisa assim por dizer são fulanos e são ricos e pão duros... (já entenderam rs)

Anjo? me contou que Naughty tinha construído uma casa no Brasil para a mãe e uma sobrinha tomou conta de tudo. Como Nahghty não foi até lá ver nada, a sobrinha fazia o que quiser.


Quanto às casas que ela limpa, ela também limpava uma escola, no horário que as crianças voltavam para sala depois do recreio e assim vivia. Até que me pediu para ajudá-la com uma casa e lá fui eu limpar mais uma...

Era uma casa enorme, na região 2, no máximo 3 de Londres, casa com jardim e piscina. E limpamos a casa cheia de quartos e uma cozinha enorme. Os donos da casa se aproveitavam da falta de conhecimento de Naughty e pagavam até bem, 10 a hora, mas aproveitavam de toda a questão da limpeza de fazê-la limpar até a casa dos filhos e do vizinho (que foi o que fizemos também).

Os donos falavam com ela e diziam somente: coffee? tea?? porque ela não estabelecia um contato maior. O dono percebeu que eu entendia e resolveu ver até onde eu ia dizendo "Fulana is very very naughty, is not she?" Eu disse que não e fiz uma cara de poucos amigos pra ele. E ela do meu lado querendo saber o que ele dizia e eu respondi pra ela: ele disse que você é danada, safadinha. E ela só "ah" sem saber o que mais dizer.

Deram uma carona pra gente pra ir embora e ela me ofereceu de ir na casa do filho limpar e a partir do meu conhecimento da casa eu poderia ficar com ela, mas se eu não quisesse mais era pra devolver a ela. Claro, ela não queria que fosse uma casa vendida como vocês já bem conhecem como funciona. Eu disse que não ficaria com a casa, porque estava voltando pro Brasil e não adiantaria ficar alguns meses só com a casa e deixei com ela.

Fiquei com bastante dó de Naughty Woman afinal até no médico eram as amigas que marcavam e iam com ela porque ela não conseguia se expressar. Ficava pensando "caramba! como alguém conseguiu viver todo esse tempo aqui sem inglês". Mas não foi difícil porque ela trabalhava na casa de algum cônsul ou embaixador brasilero, depois as amigas a auxiliavam, parece até um pouco de preguiça não ter aprendido absolutamente nada de inglês e hoje ela se diverte tendo a Record e Globo internacionais em casa. Numa casa lá pela zona 4 de Londres onde tem um quarto só pra ela.

Foi uma das pessoas mais peculiares, como já disse, que conheci.

15 junho 2017

Escatologia - limpar banheiros

Quando você tem duas horas e quatro andares de banheiro você começa a conhecer melhor o ser humano, ou pelo menos os costumes de alguns...

Eu ia do décimo terceiro ao décimo sexto todo dia, às vezes mais se me dessem mais uma hora de trabalho e essa hora fosse no banheiro.
Minha sorte é que num andar havia um chuveiro, era um a menos, porque lavar bem aquele box significava levar tempo e quem ia levar  tempo num lugar que inglês não leva nem em casa? Eu jogava uma água pra dizer que havia sido lavado, porque um box é sempre preciso lavá-lo em enxugá-lo.
Não sei se alguma vez eu falei aqui, mas não era só lavar as coisas, elas precisavam ser enxugadas, em todos os lugares que trabalhei. Aí você volta pro Brasil, vai num banheiro e está todo molhado porque não secam!!! Imaginem minha felicidade...

Aconteceram  coisas bizarras como sempre encontrar a mesma pomadinha jogada no banheiro dos homens, todo o dia, nunca pesquisei no Google pra que servia, mas todo dia estava lá e não no lixo para eu jogar embora.

Estes andares que eu limpava eram compostos por três banheiros femininos, separados, com lavabo próprio, 3 masculinos do mesmo jeito e um para pessoas com necessidades especiais. E este era o banheiro que eu sempre tinha que me preparar psicologicamente para limpar.
Por quê?

Porque pessoas sem necessidades especiais gostam de fazer o número dois ali, é mais privado, né?

E para saber que fez o número 2 é simples: ou está a latrina toda suja ou tem papel higiênico por cima, cobrindo.
Como todo papel de banheiro é jogado na privada (assim eu não precisava recolher isso também), era simples, a pessoa deu descarga, mas não bem dada ou deixava sujo: papel higiênico por cima!
E o banheiro especial era o escolhido como especial por quem não era especial.
Como trabalhei em outro prédio de dia por duas semanas, entendi que quem mais faz isso são os homens, sempre eu via um normal correr para o banheiro especial, queria privacidade e eu já ficava irritada porque daqui a pouco eu ia ter que dar jeito naquilo...

No banheiro das mulheres contava com um repositório, ou qualquer nome que você queira chamar, só para os absorventes e graças a Deus era outra empresa que ficava responsável por retirar. Não tinha muito problema no banheiro das mulheres quanto a isso.

Também nenhum dos banheiros era escrito, ingleses no trabalho, pelo menos, não têm costume de emporcalhar com frases imbecis as portas e paredes de banheiros. E não me lembro de banheiro de outros lugares ter visto também...

A coisa mais engraçada é que os espelhos iam até o teto e até lá iam as marcas de respingo da água... nunca soube como faziam isso... só brincando de jogar água para cima.

No lugar que trabalhei por 2 semanas durante o dia vieram reclamar comigo que o espelho estava todo respingado e eu tinha acabado de sair dele. Um maldito foi ao banheiro assim que saiu e fez a miséria de respingar pra todo lado... um inferno!

No banheiro do restaurante francês eu limpei aqueles mictórios masculinos e era bem nojento também, jogava bastante produto de limpeza e dava a descarga.

Nos banheiros que sempre trabalhava o supervisor veio reclamar que não estava limpo e eu só disse: acabei de limpar, se alguém foi lá, não posso fazer nada (não com essas palavras, mas dei a entender que banheiro é difícil de se controlar e é).
Assim como é difícil de controlar o povo que quer porque quer ir no banheiro que você está limpando.

Um dia eu limpava um banheiro e deixei o outro com o balde na porta para ninguém ir. A mulher chegou e pulou o balde, tropeçou nele, reclamou e eu falei por que ela não foi no outro que ainda não tinha mexido e ela fechou a porta do limpo na minha cara...
Eram 3 banheiros, um eu limpei, outro estava limpando, sobrava o terceiro que a fresca Kgona não quis ir, quis kgar no limpo só pra me dar trabalho. 
Só que não voltei mais ao banheiro, eu tinha duas horas, lembram? Duas horas e mais três andares.

Limpar banheiro não é coisa simples e lá havia as cores dos panos, lembram? Havia o azul para escritório, verde para cozinha e vermelho para banheiro. Eu só usava nesse momento o vermelho e o que dava pra passar só o pano ia, não tinha tempo de pensar em muita coisa e a pia eu limpava com o mesmo pano que a privada. Deveria ser diferente? Acho que sim, né? Mas só havia um pano, não dois. A gente usava muito o papel de limpar as mãos ou  o papel higiênico para limpar mais rápido também.

Tudo isso de luva, a Rutinha usava duas em cada mão, não conseguia colocar uma, quanto mais duas...  mas limpei muita sujeira dos outros sem me acostumar com isso e chegar todo dia no trabalho sabendo os quatro andares de banheiro que teria de enfrentar e um com um chuveiro para me ajudar.
Virei expert em banheiro e hoje sei como é usar qualquer banheiro público, sem que não é bem limpo por falta de tempo e pelo uso contínuo então tomo cuidado a ir em um.
E dou muuuuuuito valor a quem limpa banheiros.

02 junho 2017

O Império mesclado do Fado

Depois de mudar de prédio, comecei a trabalhar apenas 2 horas o que era melhor que nada, mas não ajudava muito.

Meu supervisor era um português, a gerente dele (ou seja lá como chamavam quem estava acima e no Império do Fado eu não sabia que existia) era uma colombiana que pus o apelido de LaGuerta, a chefe de Dexter. Não houve motivo algum, só achei que se encaixava nela, enquanto o nome verdadeiro lembrava o zodíaco.

Tudo isso eu contei aqui ou quase tudo isso.

Minhas colegas de trabalho eram portuguesas, colombianos, ucranianas e uma brasileira.
A brasileira foi uma das poucas pessoas das quais me tornei amiga, vou chamá-la de Rutinha, já que ela tinha o mesmo nome daquela professora mal educada que trabalhava na escola comigo, mas só uma pode ser a má, a outra tem que ser a boazinha.

Comecei com 2 horas, mas sempre o supervisor pedia pra eu ficar uma hora a mais, então sempre ganhava por três, o que era bom, mas o trabalho era duro. Lavava 4 andares só de banheiros em duas horas e na outra hora fazia todo tipo de serviço: limpar baias de trabalho que alguém faltou pra limpar, tirar os lixos, mais banheiros em algum outro andar, limpar escadas de emergência, limpar hall de entrada e frente de elevadores, etc etc etc sempre tinha serviço e eu agradecia porque era mais 8,40 que entrava no meu pagamento.

Havia umas portuguesas que eu não entendia absolutamente nada do que elas falavam, eram da Ilha da Madeira e uma delas eu não sei se fingia desentendimento ou era sacana mesmo: sempre fechava o lugar de guardar os materiais antes de eu guardar, sempre fazia alguma coisa para me atrapalhar o serviço e com o tanto que conhecia as portuguesas imagina que era provocação com mais uma brasileira.

Rutinha era gente fina, conversávamos muito e íamos até embora juntas, não tínhamos nenhum problema, uma ajudava a outra e por que não pôde ser assim logo de cara e só quando estou louca para ir embora encontro alguém assim?

As ucranianas eram na delas, mas pareciam boas pessoas. 
Das portuguesas também fiz amizade com uma mais nova, era uma garota super nova que a mãe trabalhou como faxineira e ela seguia o mesmo caminho. O que não entendíamos, já que ela estudou em Londres, foi criada lá, não precisava daquilo, tinha inglês fluente.
Ela era uma pessoa legal que pensava diferente das outras portuguesas, imagino por ser mais nova e ter sido criada lá. Protetora dos animais, ajudava num abrigo e tinha seu cão que sempre comentava comigo.

Um dia ela explodiu com o supervisor e foi embora, ele brigou com ela e ela respondeu a altura, em inglês, porque ela disse que quando ficava nervosa só conseguia brigar em inglês, saiu e foi trabalhar numa loja. Mantenho contato com ela e com a Rutinha até hoje por terem sido pessoas legais que conheci em Londres, as poucas porque a maioria eu deletei.
Devem  ter sobrado elas duas, a Roommate do bem e Anjo? os demais não tenho contato, não merecem.

O supervisor não era ruim e havia outra supervisora também, uma ucraniana que todo mundo achava que estava lá por ser namorada de outro supervisor português - um que já apareceu aqui quando eu fui procurar emprego e colocou o dedo pro outro ver que eu tinha colocada que tinha depressão, lembram? ele não era tão ruim quanto pensei.
Ele me chamou para trabalhar durante o dia nas férias de outra ucraniana, num outro prédio encostado em Victoria Station e se eu não fosse embora, teria trabalhado em outro prédio depois.

Fico pensando que talvez depois conseguisse meu próprio prédio durante o dia, mas estava indo embora e não queria mais saber de nada.
Conto na próxima como foi trabalhar o dia todo porque o dinheiro disso eu já contei que foi levado pelo IR e fiquei sem dinheiro.

23 abril 2017

A casa da goiana

Anjo? tinha uma amiga goiana que morava fora de Londres, numa cidade que faz divisa com Londres, algo como ir pra Santo André. Ela tinha acabado de fazer um salão de beleza na parte debaixo da casa e continuava morando em cima.

Daí que ela precisava de alguém para limpar a bagunça que estava a casa dela e talvez o salão, mas fiquei só com a casa, onde fui 3 dias e ia ganhar 10 libras a hora.
Até aí tudo bem, ótimo pra mim que precisava de dinheiro, mas só depois descobri se tratar de mais uma goiana enganadora. Vamos do princípio.

Cheguei lá de trem e fui pelo caminho que vi no googlemaps, era só duas estações saindo de Londres, mas como saí de Londres tinha que pagar a diferença ao chegar. 
Já contei que você passa o bilhete na entrada e na saída do trem e do metrô, né? Que é na saída que se calcula o valor da passagem. Acho justo, mas lá não havia local para passar o cartão, tive que procurar e além disso, tudo era aberto, como na estação de Olympia. 
Todo mundo paga, pode ficar tranquilo, todo mundo  tem medo do fiscal da estação... eu não contei como funciona? Sempre passa alguém no trem, no metrô ou no trem pra verificar se você passou seu bilhete ou não, não há escapatória.

Voltando, cheguei na casa dela e ela me deu a sala para limpar. Claro, estava imunda e tive que passar o aspirador de pó em tudo, fora a bagunça das coisas fora do lugar. Me distraí arrumando vendo um canal de TV do tipo VH só com rock britânico, foi fácil trabalhar assim. Ainda mais vendo os vinis que o marido dela tinha, vinis incríveis dos anos de 1980. Fiquei com vontade de surrupiar um ou outro... depois que você começa a pegar coisas, como comecei a pegar no Império do Fado, fica difícil desfazer o hábito, mas fui forte e não cometi esse deslize.

Na hora do almoço nada de almoço, a goiana não tinha o que oferecer, disse que ia se virar por lá mesmo e que não estava com fome. Tive que ir procurar algum lugar com lanche para comer. A cidade, se o centro for perto da estação, não tinha absolutamente nada, mas achei um lugarzinho com lanches para comer, uma espécie de padaria.

Ao voltar, o marido dela, que era químico, estava ao telefone no salão, ele anotava pra ela os números que as pessoas falavam para ligar, ou seja, quem tentava marcar e deixava o número ela não conseguia anotar e pedia para ele que era nativo.
Em dado momento ela reclamou de algo e ele jogou na cara: e o dinheiro disso tudo é de quem?
Ela me olhou e eu desviei o olhar, não queria estar naquele momento ali e acho que isso foi um grande ponto contra mim, pois ela ficou intratável. Começou a cobrar mais meu serviço.

Limpei a sala e um quarto que estavam em petição de miséria de sujeira, limpei a cozinha que tinha uma saída pra outro lado e que tinha também uma espécie de garagem e jardim para limpar. Mas ela veio com um papo de limpar o quarto dela e pior: arrumar as roupas no guarda-roupa.
Me digam se não tem coisa mais íntima do que arrumar roupas em suas gavetas? Pra mim foi o fim da picada... ela queria tudo dobradinho... até roupa de frio que não dobra direito e queria na parte de cima, que eu não chegava, só com cadeira...
Tudo bem, vamos arrumar o quarto e deixar a roupa por último...
Arrumei, arrumei gaveta de calcinhas que tinham algumas de fantasia, tipo oncinha, com cinto e dois revolvinhos presos (sério rs), com outros fru-frus e assim foi.
Arrumei a tal parte de cima com as roupas de frio ruins de dobrar, do meu jeito e ela não gostou. Disse para no outro dia eu continuar (já era o segundo dia).

No último dia lá vou eu limpar de novo a cozinha e voltar pras roupas, tentei arrumar mais uma vez, mas para mim é tão íntimo arrumar roupas na gaveta... afinal, cada um gosta de um jeito e eu não sabia exatamente qual era o jeito dela.
Nas camisetas achei aquela famosa camiseta do Killers "I got a soul but I'm not a soldier" que ficava pequena pra mim (falei que ela era um pau de virar tripa?). Cheguei a experimentar e tirar foto até rs eu não tomo jeito rs

                   Sim, eu também quis levar essa camiseta embora... cheguei a embrulhá-la rsrs


Comentei da camiseta com ela e ela disse que foi num show do Killers com ela, além de ter dançado no palco com o  Ricky Wilson (historinha de goiana, claro que não acreditei) e mais uma vez ela não gostou do jeito como arrumei as roupas na parte de cima do guarda-roupa...

Fui limpar o salão e ela ia vender produtos da Natura, vindos da França, achava que fariam sucesso por lá e pretendia dar uma recepção (não fui convidada) pra marcar a chegada e venda dos produtos e ela pediu para que eu arrumasse os itens tirando eles da caixa e colocando em cima de uma mesa para depois separá-los. Pus os produtos em pé para visualizar melhor os produtos que eram, saber seus nomes e ela chegou na fúria dizendo que assim não teria espaço ali, me pôs de lado e começou a pôr tudo deitado e depois eu segui.
O salão estava começando, a única coisa que funcionava era a cabine de bronzeamento que uma moça chegou para fazer e eu não soube explicar como era - e a goiana veio pra cima reclamando como eu não sabia, e explicou pra moça - parece que era só entrar e colocar uma moeda e sair com a cor do verão... falso...
Nunca tinha visto ou mexido num troço daquele, como eu iria adivinhar?
Não via a hora de acabar tudo naquele dia e ir embora.

Fiquei no telefone e uma mulher ligou querendo fazer depilação do buço, como vi que a goiana estava sem o que fazer, falei pra mulher ir naquele momento mesmo. A mulher foi e a goiana não quis atender e marcou um outro horário e explicou o que era que a mulher queria, porque eu não havia entendido (não entendi mesmo, mas quis ser prestativa...).

A hora de ir embora chegou e a goiana não quis me pagar todas as horas que me devia porque eu não arrumei direito o guarda-roupa e descontou 20 libras do meu trabalho. Fiquei sem o que dizer, já estava tão acostumada às pessoas me pisarem que já nem doía mais e peguei meu dinheiro e fui embora.

Depois Anjo? me contou que moraram as duas juntas, que goiana era ilegal e ia aos pubs procurar um incauto para casar e conseguiu. No Brasil, Goiana deixou os filhos já crescidos com a mãe e foi pra Inglaterra. Um dos filhos resolveu seguir os passos e foi pra Portugal, casou-se com uma portuguesa e estavam morando na Inglaterra também.
Goiana queria que o filho e a nora fossem morar com ela, o marido, inglês não aceitou porque não acha normal alguém adulto, com filho, ainda depender dos pais para morar e parece que estavam mal com isso. 
Só que como sempre eu não tinha nada com isso e virei o saco de pancada. O filho chegou a aparecer lá para falar com a mãe, mas ficaram no salão para que eu não ouvisse a conversa, mas lavasse os copos deles.

E assim mais uma história da minha empatia por goianos.

20 março 2017

mais camelagem com Anjo

Anjo? era esteticista, mas as coisas não iam tão bem para ela, assim como de modo geral na Inglaterra em 2011. Perdeu muitas freguesas e precisou se virar: limpava a casa de duas ou três freguesas e cuidava de uma senhora de idade.

Ela ia cedinho todo dia para a casa dessa senhora para ajudá-la a tomar café e tudo mais, depois a senhora ia para o clube e ficava por lá. Às vezes dormia com ela quando ficava sozinha, fazia companhia.

Duas das casas que ela limpava eu conheci, fui junto limpar, mais uma vez fui faxinar casas, oh vida!

A primeira era Chelsea e quem não ia gostar de ir até Chelsea, perto do parque do bairro que é lindo e ainda tem um templo budista?
O apartamento era de uma mulher separada que tinha um filho. Casa cheia de brinquedos, mas bem mais organizada e limpa que as casas que conheci com Marciana.

A segunda casa sim, é digna de nota: de uma naturalista radical. Não se podia usar produtos de limpeza normais porque afetam o ambiente. E com produtos mais "fracos" era trabalhoso limpar, assim como passar a roupa sem produtos que a deixassem mais fácil, era um tormento, que ficou por conta de Anjo? que já tinha as manhas com aqueles tecidos horríveis e que não ficavam passado nem com reza brava!
O ferro também era de outro tipo, que demorava a esquentar, mas que consumia menos energia elétrica... tudo muito politicamente certo, mas que ajudava a escravizar mais sua faxineira... por um lado o meio ambiente, por outro a vida das pessoas que precisam trabalhar... complicado...
E não pagava lá grandes coisas para Anjo? A dona da casa era cheia de manias, mas também não pagava tão bem pelas manias que tinha. O que seria justo, afinal pessoas fazem parte da nossa biosfera, né não?

Não recebi pagamento, preferi que fosse descontado no meu aluguel o trabalho que fiz, já era uma ajuda na minha limitada vida financeira...

Daí fui trabalhar na casa de uma amiga de Anjo? só que essa é outra história longa... imagina... mais um goiana na minha vida! (arrepios!)