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26 agosto 2018

O FCE

Como já contei aqui, estudei numa escola de inglês e depois, antes do trabalho ficava num parque pequeno perto da escola (Linconl's Inn Fields), em Horborn. Quando esfriou o tempo, passeando por aquele lugar, achei a Biblioteca da LSE (London School of Economics) e me informei se poderia estudar lá dentro. Sim, consegui fazer a carteirinha para visitante e ia pra lá estudar. Tinha uma mesa que eu sempre usava e também era bom porque tinha acesso à internet nos computadores deles. Não levava o meu porque de lá, ia pro trabalho onde não teria onde guardar o laptop.

Meu estudo consistia em fazer exercícios de gramática do livro famoso do Murphy, o Grammar in Use, nível intermediário e outros dois livros específicos para o FCE. Então eu estudava a gramática, tinha aulas de conversação e escrita e só faltava a parte de listening.

Fiz a maior besteira de deixar a parte de listening por último, para estudar em casa, porque precisaria de fones de ouvido para acompanhar. Esta era minha rotina de todos os dias: aulas na English Studio, almoçava, estudava inglês, ia pro trabalho.

A prova do FCE eu fiz em outra escola, a Kaplan, porque na English Studio não tinha a data que eu queria. Então descobri que a Kaplan fazia o exame em todas as datas que era aplicado.
A Kaplan era tipo a escola que estudaria se tivesse dinheiro rs muito mais cara e com mais recursos.

Era um sábado, de manhã que eu faria a prova. Tudo bem, estava acostumada a acordar relativamente cedo, mas como era uma prova eu quis acordar um pouco mais cedo para não dar nada errado.

Deixei o listening para fazer todinho na véspera, em casa...

Comecei o listening e Anjo? chegou com a filha. Sim, ela tinha uma filha que, pelo que eu entendi, as duas não se falavam há tempos e se encontraram no ônibus e resolveram ir pra casa.
Então, meu teste de audição ficou prejudicado...
Pelo que entendi, a filha de Anjo? estava "indocumentada" em Londres e por isso a briga de mãe e filha...
A filha foi embora e tentei ainda fazer os exercícios de audição, só que eu já contei da insônia de Anjo? Então... ela não dormiu e ficou assistindo TV até umas 2 da manhã sendo que eu acordaria lá pelas 6h para ir fazer o teste às 8h. Não era tão longe, era na Leicester Square, mas eu não queria me atrasar e teria que mudar de linha de metrô, eu morava perto da District Line e precisaria ir até a Picadilly.

Não me lembro, mas imagino que tenha ido até Hammersmith e pegado a Picadilly lá



Cheguei cedo para o teste e ele é todo feito, pelo menos na Kaplan, em computadores. Havia pessoas de outras nacionalidades lá pra fazer. Só não sabia qual era a nacionalidade da menina do meu lado.

Começou o teste, pelo listening...
Duas coisas me prejudicaram: eu ter feito mal feito os exercícios de audição e não ter dormido bem. Estava morta de sono e não conseguia fazer os exercícios direito. Foi tudo no chute.
Falei que tinha tempo pra fazer? Pois é... tem tempo determinado para cada parte da prova.
Quando cheguei na parte de escrita, já estava mais acordada e acredito que tenha ido bem, assim como na parte de gramática.
Como estudei por um livro que imita os exercícios do FCE não foi tão difícil essas partes. Assim como a conversação eu sabia que eu teria que responder a perguntas específicas para os avaliadores.

A parte de conversação era a última.
E a menina ao meu lado viu meu passaporte português e falou comigo, era uma mineira que precisava passar nessa prova para poder continuar com visto de estudante em Londres e assim continuar vivendo em Londres como, claro, faxineira.
Ela me contou que não dormiu bem à noite também, foi para a balada e que deu uma copiada nos meus exercícios de listening... fiquei p*** quando ouvi isso e o pior: a conversação era em duplas e já tinham me colocado com ela. 
Ela disse que faltava muito no curso de inglês que frequentava, mas que sabia que no listening ela teria de descrever coisas - errado, teria que se responder perguntas e falar sobre coisas que fossem pedidas.

Começou o teste, começaram a fazer perguntas que eu respondia, a mineira começou a descrever coisas e me atrapalhar, mas eu tomava a rédea da conversa e continuava - não sei se fui prejudicada por isso...
Sei que sai muito brava da prova e daí uns dias fui viajar. Só soube fora de Londres que tinha passado por pouco na prova...

A lição que tomei foi que nunca deixe pra última hora para estudar algo que é realmente importante e cuidado para não ter um brasileiro no mesmo teste que você. Brasileiros sempre querendo me ferrar!

Quando voltei à Londres fui buscar meu certificado e esqueci de perguntar se a menina tinha passado, lembrei tanto de falar, mas na hora, com o certificado na mão, esqueci tudo!
E esse sufoco foi superado, depois de muito desejar aquele certificado.

01 maio 2016

Ser brasileiro no exterior

De tanto ver esses tempos os protestos de brasileiros que moram fora do Brasil tanto a favor como contra a nossa atual presidente, resolvi falar de como os brasileiros interagem sobre política quando estão fora.

Claro, pode ser uma visão até simplista ou de pouca valia, mas é com a qual convivi 18 meses fora do Brasil.

Marciana era coxinha, engraçado, muito engraçado, porque para ela tudo andava muito errado no Brasil de Lula/Dilma, mas ela estava ilegal em outro país, não pagava impostos nem aos britânicos, muito menos ao governo brasileiro. Então é muito fácil você falar mal dos que governam o seu país de nascimento e até o que você vivia escondida (sim, ela reclamava do governo britânico por ela não ter benefícios que quem está lá legalmente tem), super simples falar mal de todos e torcer para um apocalipse em que ela sairia sã e salva porque o Deus dela faria isso por ela, afinal, era uma mulher extremamente trabalhadora que precisava sustentar filhos marmanjos no Brasil e se os filhos dela também são coxinhas que abominam a bolsa-família, são muito do hipócritas porque a bolsa-família deles se chamava Marciana, uma faxineira ilegal na England.

Ela sempre falava que como ela ia fazer com o governo que estava no Brasil? Fazer o quê? Ela não vivia do outro lado do atlântico? Que tanto se metia na política do Brasil de longe... e como ela dizia: Brasil e Inglaterra precisavam muito de Jesus porque eram dois países pecadores e coitada, nasceu em um e foi 'obrigada' a viver em outro.

O povo da escola também era bem hipócrita. Ia ter um jogo do Brasil lá em Londres contra não sei se a Inglaterra, amistoso e falavam: eu vou no jogo com a camiseta do Brasil pra mostrar quem é que é bom!
Só que o bonzão do Brasil não pagava as contas e casas, terrenos comprados no Brasil... dependiam do país do timeco para terem bens duráveis no Brasil.

Tão bom que muitos não voltavam há anos, ou pelo preço da passagem ou porque estão ilegais e precisam de um passaporte novo. Que eu acho que já disse como se consegue um novo que  tem  4 anos ou mais de visto ultrapassado na Inglaterra, né? Só ir no consulado brasileiro e ficar na fila pra fazer um novo, dizendo que perdeu ou foi roubado... Bruxa do Centro-Oeste contava o golpe.
Eu acho que não disse que fui no consulado brasileiro e como ia pegar uma procuração nem tinha fila porque a de fazer um novo passaporte... é enorme e tem que chegar cedo!

Um cara em um lugar que trabalhei, e deve ser minha próxima postagem, se achava muito esperto e me disse que era do Mato Grosso (Goiás é bem do lado, desconfiei) que os brasileiros e suas brasileirices de falar os nomes do bairros já abrasileirados. Era um lorde, estava lá há bastante tempo, mas só voltou pro Brasil pra casar depois de 4 anos na Inglaterra e seu casou com uma portuguesa (entenderam o golpe?).
O golpe é o seguinte: você arranja alguém de passaporte europeu pra ficar tranquilo na Inglaterra, mas o que você faz? Arruma um passaporte novo e casa no Brasil com a pessoa, quando voltar pra Inglaterra você tem um passaporte não marcado e um europeu do seu lado que lhe garante as idas e vindas ao Brasil e morar tranquilo, como legal, na Zooropa.
Era engraçado esse cara porque pra mim a hipocrisia estava estampada e ele queria esconder e se achar melhor que os outros brasileiros - legais ou não.

Num centro espírita que frequentei (sempre fundados e mantidos por brasileiros), ficamos um domingo arrumando em caixas presentes para crianças de lugares pobres fora da Europa Ocidental que receberiam no Natal e uma moça começou a falar mal:

 - Vocês viram Tropa de Elite 2? Eu baixei o filme e assisti. É, mostra toda aquela podridão que é o Brasil, aquela merda de país que nunca vai pra frente, dá ódio de ver!

Eu não ia dizer que o Brasil é o melhor país do mundo porque não é, mas quando você baixa um filme da internet você também está sendo tão merda quanto seu país... não seja hipócrita, era o que eu deveria dizer a ela, mas fiquei quieta. E outra: ali não era lugar pra falar mal de nada e nem usar esse tipo de linguagem...

Eu assisti Tropa de Elite 2, fui num cinema que estava passando e me divertia com a legenda em inglês. O que a moça também poderia ter feito fácil ao invés de ser hipócrita.

Eu sou o tipo de pessoa que se irrita em ver as "pessoas de fora" protestarem tanto pelo Brasil: não é o Brasil que paga suas contas, então calem a boca!
Quando estava lá não dizia que o Brasil era melhor (apesar de ter chorado em Rio), muitas vezes xinguei estar na Inglaterra, mas sabia que era ela que não conseguia pagar minhas contas e meus impostos e do Brasil preferia me abster, porque nasci no Brasil, não escondia de ninguém, sentia saudade das pessoas e de coisas, mas não era ele que queria pra morar pra sempre, não o Brasil que temos e que deve ficar pior em breve. Tentava pensar no Brasil como o lugar da minha família e dos amigos, mas que não era perfeito e a Inglaterra também não era perfeita, por mais certinha que tentavam parecer, havia muita coisa errada, talvez culpa dos próprios imigrantes que tentavam burlar as regras e as regras se tornavam mais duras para quem estava lá legalmente.

O que acho realmente é que mesmo que você more fora, você não deixa de ser quem é, mas deveria tomar mais cuidado com falar bem ou mal do seu país ou o país onde está, acho que a primeira coisa é ver quem é que lhe sustenta a vida e parar de ser hipócrita e querer reclamar demais onde não deve e nem tem moral pra isso.

29 fevereiro 2016

Artistas brasileiros fora do país

Depois de ouvir alguns comentários sobre um tipo que dizem ser cantor e que estaria fazendo sucesso no exterior e indo fazer shows em Nova Iorque, como se fosse a mais nova comoção mundial. Resolvi contar o que sei sobre esses shows, pelo menos o que descobri sobre isso morando em Londres. Acho que comentei algo sobre isso, mas não lembro se aqui no blog...

Aqui no Brasil são vendidos como "fulano está pondo todo mundo pra dançar com sua música,  na Europa e Estados Unidos".
Isso se chama marketing e não é verdade.

Tirando grandes artistas brasileiros, realmente consagrados, os demais não fazem nenhum sucesso fora de um boteco brasileiro cheio de ilegais que vivem em outro país, mas sem se desvencilhar um segundo de ser brasileiro. Em nenhum momento aproveitam para conhecer a cultura do país onde estão e assim entender, ao invés de tachar disso ou daquilo como sempre fazem, ou seja: ganham em Libra e falam mal de tudo da cultura de quem o abriga, legal ou ilegalmente (o que é beeem pior).

Não lembro se na postagem da Jerusaleme, uma das brasileiras da escolinha, se contei como ela vive o Brasil através de seu laptop: acompanha novelas e os novos sucessos populares (e quando digo popular, eu digo povão mesmo). Quando ela via no meu Facebook que eu tinha ido no show do Pulp, por exemplo, ou qualquer um dos shows que fui ela dizia: mas quem eram aqueles? Nunca ouvi falar!
Bem, acho que um Hyde Park lotado não quer dizer que o Pulp seja uma banda desconhecida na Inglaterra... (cheguei a ouvir a música deles e de outros no supermercado...)
Era sempre a mesma irritação que sentia, como se eu ainda estivesse no Brasil tendo que explicar que banda toca o quê. Mas eu não me explicava, só constatava: bem, o lugar estava cheio, não sou só eu que conheço, você ouve a BBC 2 ou assiste aos programas daqui? Claro que não, nem TVs eles costumam ter, se tem é pra ver a Record que é aberta, só se precisa de uma parabólica em casa pra assistir ou a Globo que aí você tem que assinar a TV paga mas, como bons brasileiros, faziam gato.

Sempre havia alguns bares já conhecidos dos brasileiros e casa noturnas especializadas neles e eram nesses locais bem peculiares que artistas brasileiros se apresentam. Como eu disse, tirando um Gilberto Gil, por exemplo, que vi cartazes do show em Barcelona em vários locais.

Os demais artistas que viram sensação aqui vão a estes locais, totalmente lotado de brasileiros que matam saudade da música ruim do Brasil ali.
Uma revista para brasileiros chegou a fazer uma reportagem de quanto artistas pagam para fazer show nesses locais. Sim! Pagam para fazerem shows na Europa e Estados Unidos para dizerem no Brasil que estão fazendo sucesso no exterior!
Não lembro mais da reportagem agora, mas donos dos locais abriam o jogo e diziam que além de render não pagando show, rendia casa lotada.

Então, quando virem falar de fulano que é sucesso no exterior, não acreditem nesses golpes de programas de TV de que fulano é sucesso em Londres, Roma, Paris, Berlim, Nova Iorque e Miami... é tudo jogo de marketing para que o artista fique como a maior sensação da música brasileira lá fora e só fizeram show para uns poucos ilegais que não tinham o que fazer ($$$) naquela noite e acharam que viram a melhor coisa que a cultura brasileira poderia estar exportando.

26 maio 2015

O povo da escola - parte 2 Hampstead Heath e o Jeitinho Brasileiro

Depois que Badooa deixou JerusalemE serguir o caminho dele e encontramos a outra amiga dela em Victoria Station...

A menina também esculachou com Badooa, falando que nunca mais combinava nada com ela, nem eu... depois daquele dia, toda vez que Badooa falava "vai lá pra casa pra sairmos" nunca mais aceitei.
A moça parece que já a conhecia bem e já tinha passado pelo mesmo com Badooa outras vezes.

Fomos pro parque, demoramos séculos para chegar de busão lá, ainda mais que no meio do caminho passávamos por Camden Townn, totalmente abarrotada de gente.

Chegamos lá e o povo já achava que não iríamos mais e contamos o que Badooa tinha aprontado.
O povo já tinha comido, estávamos todos sentados na sombra e os ingleses todos no sol, sem protetor...

O parque é muito legal, enorme! Como a maioria dos parques ingleses. A diferença é que ele é de mata natural, original da região e tem lagos. Lagos que alguns (muitos ingleses) se aventuravam em nadar.
Eu como não sei nadar bem, não me arrisco.
E outra: havia uma fila para pagar 3 libras e mergulhar.
Três libras que você paga a uma simples máquina sem fiscal.
Adivinha se os brasileiros que estavam comigo (todo mundo) ficaram na fila e pagaram para nadar?

Claro que não! Brasileiro dá jeitinho no mundo todo!
É tipo o Impostor do Pânico: vamos sacanear o mundo porque somos brasileiros! Somos fodões!
Bonito! Lindo!
Só mostra o quanto somos respeitosos e educados... ou você acha que atitudes como essas são bem vistas?
Conheci muito estrangeiro que só de saber que eu era brasileira já me olhava de lado.
Primeiro porque não achavam que eu tinha aparência de uma... na maioria das vezes chutavam que eu era italiana (na França acharam que eu era inglesa rs).
Mas a maioria vê brasileiro como enganador (ou trabalhador quando vê pelo lado bom), brasileiro é visto como traiçoeiro. Esqueça país do futebol e mulheres lindas. Ninguém fala disso!

Uma espanhola me disse sobre o irmão que saiu com uma goiana (ihhh!): she is a bitch!
E ela explicava que por mais que eles (europeus) sejam desencanados, os brasileiros - e brasileiras no caso - acham que é só ir chegando e agarrando, beijando.
O que pra europeu é desrespeitoso.
Você tem que se apresentar, bater um papo pelo menos... não essa coisa de já sair agarrando.
(claro que eles vão pra cama com qualquer um, mas perguntam o nome rs)

Voltando...
O povo se gabava de ter passado por toda a fila.
Como bons brasileiros não paramos de reparar e rir - inclusive eu, porque aquele povo de cueca e calcinha sem canga era muuuito estranho... fora as meninas com o que chamei de maiô Brigite Bardot - depois vieram me dizer que isso era vintage... é, povo em Londres é estiloso, vai com o maiô da avó no parque e dá o nome de vintage... não que não seja estiloso, depois que você entende esse negócio de estilo londrino... acabei incorporando muito disso hoje, mas no começo é tudo meio estranho e engraçado.

A doce professorinha (aquela que só me dava patadas na escola e em todos) estava com seu marido (que também levava umas patadas dele que olha... deu dó...) que levou um amigo, que tinha uma namorada que trabalhava nas famosas vans e na cara dele, ela babava nos caras que achava interessante, quase indo lá falar com os caras (adivinha de onde ela é...), mas como eles eram malhadões não pareciam muito interessados em outra coisa que não se exibir, logo ela concluiu que eram brasileiros e gays...

Enquanto ele, o namorado, de outro canto falava que não existia mulher como a brasileira, não mesmo!
Tinha uma povo realmente parecendo brasileiro que estava entendendo toda aquela graça, mas não vieram até a nossa sombrinha se "confraternizar".

Como disse: até eu ria. Só ria porque nunca tinha passado o verão lá e visto gente de roupa de baixo tomando sol até ficarem pimentão - ingleses são loucos por sol que nem protetor passam e ficam lá se queimando até dar câncer de pele... tadinhos... nunca veem o sol e quando veem ficam assim, alucinados por ele...
Foi um domingo divertido que terminou numa churrascaria brasileira próxima, o povo tinha dito que ela fazia propaganda na Record internacional e se decepcionaram: ela parecia maior e melhor no comercial.
Eu que não conhecia e não comia tanta carne - isso queria dizer um pedacinho de cada - há tempos, passei mal... muito mal... pensei que não chegaria até a cobah...
Tem coisas que realmente você desacostuma, como feijão... imagina depois de meses sem comer como eu fiquei numa feijoada que fui... (e olha que não gosto de feijoada, mas a saudade de feijão era maior... e deu no que deu...).

Pensei que a partir desse passeio seria mais querida pelo pessoal da escola e convidada pra mais passeios... ledo engano...
Será que foi porque eu só ria e não comentava?
Será que ficaram com ciúmes de mim? (o que eu sempre duvido)
Será que eu sempre tenho um jeito mais reservado que dá a impressão de me achar mais que os outros?
Sim, eu penso isso: será que ser reservada por ter percebido que ninguém ligava para o que falava me tornou, aos olhos dos outros, uma pessoa que se achava mais?
Não pode ser... se fosse assim, por que eu iria querer fazer amizade com eles?

Eu só queria fazer amigos e me sentir menos só em Londres, só isso... me sentir um pouco fazendo parte de algo... quase uma coisa de adolescente... de ter uma identidade, talvez... mas pra mim era uma luta inglória...
Doía demais aquela solidão e eu não conseguia fazer amigos...

28 fevereiro 2015

O povo da escola - parte 1 jerusaleme e a mineira louca

Trabalhei numa ONG-escola para brasileiros, era voluntária, mas ganhava um trocadinho que me ajudava, aos sábados.

O trabalho era bem interessante: ensinar português para filhos de brasileiros que praticamente não tinham contato com o português do Brasil - além dos pais e, muitas vezes, nem com os pais: explico!

O mais engraçado lá é que muitos pais brasileiros falavam em inglês com os filhos que os respondiam em inglês... tinha hora que parecia que todo o trabalho de duas horas num sábado tinha ido pro espaço: a criança nem saía da sala de aula e o pai/a mãe já estava ajudando a criança a esquecer o que veio fazer ali.
O coordenador é uma pessoa muito decente que mora há mais de 20 anos na Inglaterra - as duas filhas estudavam com a gente e a mulher dele, inglesa, falava o português.
Engraçado que os melhores brasileiros que conheci são os moram há mais de 20 - tirando Collorida, claro. Parece que foi uma geração que mais se ajudou do que puxou o tapete... aparentemente...

O projeto era bem interessante, apesar de além de perceber que muitos pais não levavam a sério (se levassem falariam em português com os filhos) também muitos iam pra lá pra bater papo.
Como era só por duas horas no sábado, muitos pais passavam a manhã toda só de papo.
Alguns por morarem lá e ter se casado com ingleses ainda se achavam muito - como sempre acontece...

Uma mãe irritante queria dizer o que deveria ser ensinado pra filha dela (como toda mãe analfabeta que arruma um trouxa com passaporte) e ela mal sabia realmente escrever, mas vinha com um: no meu tempo a criança aprendia assim...
Bem, no tempo dela na pqp que ela nasceu e aprendeu o "bêabá" se colocava criança pra joelhar no milho e isso eu duvido que ela ia querer, né?
Na verdade, o que irritava mesmo é que além da mulher mal saber escrever em português (e não espere em inglês) ela ainda se achava a pedagoga e não entendia que estávamos lecionando por 2 horas no sábado, não era o mesmo ritmo da escola normal no Brasil, muito menos na Inglaterra... (que é completamente diferente também)
Tudo ela tinha que vir falar: ah, vc tem que dar isso pra minha filha aprender!
A professora, que era aquela figura doce (já falei da resposta bem direta que me deu quando procurava um quarto), ficava de cara feia e tentava ter jogo de cintura, mas depois reclamava da mulher pra mim.

Numa festa da escola, eu dei uma patada na mulher. Meio que sem querer, mas saiu...
Primeiro ela quis que as crianças cantassem "atirei o pau no gato"... tudo bem... daí, quando terminaram, ela queria que cantassem a versão "politicamente correta" e uma outra assistente virou pra mim e disse:
você não vai cantar?
E eu, com a minha doçura: Não, essa letra é ridícula, mal feita! Se é pra não atirar o pau no gato, nem ensine a atirar, depois fazem essa versão forçada aí!
Eu e meu jeito meigo de dizer não à hipocrisia. 
Afinal, eu acho que ou você ensina ou não ensina atirei o pau no gato e não depois ensinar só pra criança cantar aquela versão ridícula de que o gatinho é nosso amigo... é CLARO QUE ELE É! Quem não é são as pragas de mães que comeram um monte de churrasco de gato antes de chegar em Londres... (e agora arrotam kebab de lamb rsrs - quero ver fazer a musiquinha "a ovelhinha-nha- é nossa amiga-ga)

Voltando, a mulher só me olhou com cara de c* - ia me obrigar a cantar a musiquinha?

Era legal trabalhar lá, mas o povo brasileiro eu tentei e muito fazer amizade... mas era incrível como não rolava... ou até quase rolou...
Nem foi a música do gato! Isso aconteceu quase quando estava indo embora... (ihhh e tem mais...)
Ia embora de trem com o povo, parei de perguntar se ninguém sabia de trabalho ou casa...
Mas percebia que toda vez que tentava conversar, entrar na conversa, minha fala ficava pra trás e alguém me cortava pra falar de outra coisa... notei isso várias vezes e decidi só ouvir.
Então, nem tinha como conhecerem meu lado marrenta... ou legal...
Me senti muito só e achava que só "participar" da conversa estaria tudo bem. Mesmo quando chegava na escola no sábado e todo mundo comentava das festas e passeios que foram juntos.
Sempre tinha uma outra professora que depois vinha falar: mas por que você não foi?
Era óbvio: eu não fui convidada, como iria?
Isso também acontecia com uma outra assistente que não morava em Putney (havia um grupinho que morava lá, pelo menos 3 professoras e 1 assistente).
Mas essa professora queria forçar uma proximidade pra dizer que todo mundo havia mesmo sido convidado. Cheguei a ir no aniversário dela - aí fui mesmo convidada - e depois no aniversário dessa assistente, mas muitas das coisas só vinham dizer depois:
nossa! por que você não foi? Sobrou tanto comida!

Uma vez me convidaram no verão - acho que em maio, um domingo beeem quente (27 graus rs). Primeiro iríamos para Brighton de trem. Acordei cedo, toda animada e quando liguei para essa assistente que vou chamar de Badooa (porque ela cada mês estava com um namorado novo do Badoo) que ela morava em Brixton, que é perto de Elephant & Castle, onde morava.

E ela me avisou que os planos haviam mudado (e ninguém nem pra me mandar uma mensagem) e iam pro parque de Hampstead Heath, norte de Londres. E que seria beeem mais tarde...
Daí Badooa me diz: vem aqui pra casa depois vamos juntas!
Tudo bem, ia voltar pra Cohab Elefante?
Vou lá pra casa da outra e de lá pegamos o bus...

Só que o que ela não me avisou é que ela estava acompanhada...
Sim, o namorado do momento estava no quarto que ela alugava. Isto quer dizer: e eu? onde fico se vc mora num quarto?
Fiquei no quarto da vizinha, amiga dela, uma doida brasileira que não falava coisa com coisa...
Badooa não poderia deixar o "jerusaleme" sozinho... (ela só sabia que ele era de lá e nem sabia como se diz pra quem é de lá... muito menos eu rs acabei de achar no google: jerosolimitano, hierosolimitano ou hierosolimita - sim, ela falava jerusalemE) e eu poderia ficar com a amigona dela!

Era uma senhora já, dizia que morava ali, mas alugava casaS por Londres (sei, e você mora num quarto em Brixton...), que trabalhou muito com um irmão nos restaurantes da região de Kensigton, que já tinha visto do Elton John até...todo mundo famoso... mas que começou a alugar casas e pretendia voltar para o Brasil e abrir um restaurante inglês em Minas, na cidade dos vidros, pra quem sabe onde é... já deu a dica de onde ela era...
Dizia que tinha um filho da idade da filha mais velha da Gretchen, falou horrores da Gretchen, mas se o filho tivesse nascido menina também teria posto o nome de Tammy... (o que você não tem que ouvir enquanto a outra descobria se o jerusalem era circuncidado ou não...).

Ela assistia à tv brasileira pelo pc, por um site que muitos brasileiros assistiam.
Naquele momento: dez da manhã em Londres e seis no Brasil passava a missa do Pe. Marcelo na Globo e ela falava bem e mal do padre... não era uma pessoa de confiança e que me enchia de tomar refrigerante...
Daí começou a falar bem do Edir Macedo e sempre que ele ia à Londres ele ia no culto dele.
Não entendi nada: via a missa do Pe. Marcelo, ia no culto do Macedo... não gosta da Gretchen, mas teria posto o mesmo nome se tivesse uma filha... só sandices...

Depois começou a falar do filho que deixou no Brasil, que tinha morado lá com ela, mas não quis ficar porque tinha namorada e a abandonou (a mãe) que ela já tinha netos e que o filho tinha que vir com os netos pra lá, sem a esposa (pelo jeito, se amavam ela e a nora), porque ele tinha que ajudá-la a juntar mais dinheiro pra voltarem pro Brasil pra abrir o tal restaurante inglês...

Peraí... mas ela não alugava casas? Não estava bem de vida?
Até disse que não queria voltar pro Brasil e depois queria...
whatever... louca ou mentirosa demais que nem se controlava em mentir em cima do que tinha dito...
E eu passei mais de duas horas ali... com vontade de ir embora...
Daí decidi que ia embora e ia sozinha pra Hampstead Heath, era só pegar o metrô até lá e ligar pra alguém pra encontrar os outros... o horário combinado no parque era meio-dia e já estava passando.
Fui e bati na porta da casa-quarto da outra.
Eu já estava com um bico enorme de raiva... ainda se tivesse passado o tempo conversando com alguém que falasse coisa com coisas... dava um desconto...
Ela me olhou com vergonha, afinal, é claro que esqueceu de mim descobrindo se o jerusalemE era mulçumano, judeu ou n.d.a.

O cara viu minha cara brava e quando me cumprimentou insistiu se estava tudo bem comigo. Eu disse que sim, mas com a insistência dele me olhando bravo (como deve tratar a mãe dele na terra dele) eu já fui falando: estou aqui há mais de duas horas a esperando, não é pra eu estar com essa cara?
E ele ficou queito.
Fomos andando, tivemos ainda que ir no mercado levar coisas pro piquenique.
Ela também convidou uma outra amiga que estava p*ta da vida nos esperando em Victoria Station, onde pegaríamos o outros ônibus (ainda tivemos que pegar ônibus), não quis pegar metrô depois de me deixar plantada com a mineira louca de pedra.

Hamstead Heath, um lugar lindo... no próximo post.

26 maio 2012

Mãe é quem cria, não quem manda dinheiro...

Sempre comento sobre Marciana e Bruxa do Centro-Oeste criarem a família no Brasil, mas nunca dei maiores detalhes, hoje é o dia!

Como uma maioria de mães ilegais, elas trabalham na faxina de casas, não se precisa de passaporte ou insurance number, é só comprar as casas de alguma brasileira que esteja vendendo - nos últimos tempos, muitas estavam voltando para o Brasil e começar a limpar, desde que a família goste de você, caso contrário, você perderá seu dinheiro... (aconteceu comigo no caso botocada).

Bruxa do Centro-Oeste, como já comentei, morava há alguns meses a mais que eu em Londres, eu cheguei em agosto e ela em junho ou algo assim. Fugiu da crise espanhola, assim como já tinha fugido da crise portuguesa, onde chegou primeiro e morou pouco, segundo contou.
O engraçado é que se ela tivesse sido esperta e não entrado ilegal na Espanha, teria já o direito a ser residente. Ou seja, fez burrada por não ter permanecido por lá por 3 anos de forma legal, mas como ela tinha entrado e ficado em Portugal, ilegamente, só poderia ir pra Espanha da mesma forma e acabou perdendo essa boquinha que não sei se com a crise do jeito que está a Espanha ainda mantém: 3 anos na Espanha e você se torna residente e com direito a quase ser um cidadão, ou pelo menos andar pela Europa na boa.

Ela chegou e foi trabalhar nas vans, quando me acordava às 4:30 da manhã para sair de casa quase 7. Isso você já sabem, depois ela juntou dinheiro e comprou casas. Assim como Marciana que trabalhou um período para a mesma empresa de limpeza que eu - e mostrava feliz pra mim o aventalzinho "tia do jardim" (aqueles que são fechados com botões dos lados e tem um bolso canguru na frente) como se ter trabalhado na mesma empresa de limpeza que eu era como ter trabalhado na Microsoft...
E depois começou a comprar casas para limpar e só reclamava das patroas porcas.

Bruxa dizia que tinha comprado casa pra mãe no Brasil, junto com a irmã que morava em outro estado, e as filhas dela moravam com a mãe, junto com a sobrinha que ela "bullyingnava" todo dia no telefone.
Já Marciana sonhava com seu apartamento mobiliado e carro na garagem  - algo como prêmio do bau da felicidade! E aparentemente ainda não tinha conseguido comprar nem apê em CDHU, o que seria barato, mas para a arrogância dela, não era bom o suficiente.

Com a crise e cada vez menos casas para se limpar e menos donas de casa pagando bem para isso, o trabalho delas ia ficando mais difícil, afinal, elas sustentavam a família no Brasil.

Marciana quando foi morar em Londres levou junto o filho mais novo, na época com 9 para 10 anos. Seu primeiro plano foi morar com a irmã, que tinha os filhos criados na Inglaterra (foi ilegal, separou do marido  brasileiro e casou com um norte-irlandês, virou residente e reclamava que o marido transava, virava pro lado e continuava a ler o livro... quem escolheu isso? eu?).
Pelo que entendi, ela e a irmã brigaram, o motivo não sei, mas sabendo que brasileiros que se estabelecem em Londres não ajudam ninguém... acho que não abrem mão nem pra irmã... fora que ela teria que ter no mesmo teto uma ilegal com o filho menor de idade - o que é um problemão!

Marciana teve que se virar e procurar outro lugar pra morar e procurar emprego com um filho pequeno. Não sem deixar uma filha noiva e outra com 15 anos em Sampa. 
A filha noiva,ela deixou na casa dela, que ficava no quintal das cunhadas. A menina não aguentou a pressão e foi morar com o noivo - o que Marciana teve que engolir (a religião dela não permite, mas, segundo Woman from Mars, permite que largue os filhos assim e que se virem).
Já a adolescente ficou mal, depressão.
E assim que ela teve um novo teto, mandou buscar a filha adolescente, que chegou em pleno inverno em Londres: muito frio e os dias se acabando às 3:30 da tarde. Não sem antes ter que fazer sozinha a escala em Paris, pra ser mais fácil pra entrar por aeroporto pequeno.

A menina só foi de mal a pior até onde sei: a depressão de se sentir abandonada virou, segundo os médicos ingleses, esquizofrenia, afinal, ela chegou numa época muito ruim para quem já não está bem e já chegou para ajudar na faxina da mãe, enquanto o irmão tinha de tudo.

Marciana contava a história com tristeza, pois a mãe dela teve que vir buscar a menina para viver novamente no Brasil sob os cuidados da avó que nem internet deixa que ela use, e aí ela usa na lan house. E que não voltou mais a estudar enquanto o irmão estava em escolas inglesas.
Marciana falava todos os dias com a mãe e a filha, mas sempre cobrando a menina para que fizesse curso de cabeleireira e voltasse para ganhar dinheiro e a ajudasse em Londres também com as casas.
E sempre dizia "a marcianinha é rápida, é ágil! vai me ajudar a juntar dinheiro aqui" o que ela não tinha conseguido fazer em 6 anos.
Primeiro porque tinha exatamente essas despesas médicas com a filha no Brasil e o casamento da outra que ela pagou tudo, se sentiu culpada de ir pra Londres faltando meses para a filha casar, filha que sempre falavam no telefone parecia jogar na cara que a mãe não estava em seu casamento e que a deixou sozinha com as tias que queriam pegar a casa pra elas.

O filho viveu um pouco mais de 5 anos com ela em Londres, tinha uma vida de inglesinho: blackberry, playstation com acessórios, como a cadeira entre outras coisas, mas ele reclamava - segundo Marciana - que aquilo não era vida.
Bem, se você pensar que você viveu dos seus 9 anos aos quase 15 em várias casas dividindo quarto com sua mãe e estranhos, sem nenhuma privacidade, sem saber mais o que é uma casa e uma família. Bem, você também diria o mesmo, talvez...

Ele quis porque quis voltar pro Brasil e ela com medo que mais um ficasse doente, deixou. Gastou mais um bom dinheiro porque ele só tinha ido de férias ao Brasil, voltou e decidiu voltar novamente e ela teve que pagar a passagem do pai dela para acompanhar o filho de volta ao Brasil.
O ex-marido de Marciana, segundo consta, a traía com todas, não saía do boteco e faliu uma pequena empresa que tinham juntos e quando ela dizia que se separaria dele, ele pegava a Bíblia, colocava debaixo do braço e encontrava novamente Jesus, numa dessas, ela se separou realmente dele e foi pra Londres.
Isso tudo é o que ela contava, não cheguei a conhecer nenhum dos filhos ou parentes dela, tudo são relatos da própria.

O menino voltou ao Brasil e foi morar com uma irmã casada de Marciana, ele que não era bobo de morar com os avós que botavam restrição até pra TV, a irmã que já estava acostumada que aguentasse...

Daí era todo dia as ligações para saber dos filhos. E que não tinha como não se ouvir porque ela ligava do quarto dela, que ela deixava que nós usássemos como sala.
Eu nunca telefonava da casa, só se fosse muito urgente. Nunca, preferia o transporte público ou uma praça perto do trabalho.

O filho queria voltar pra Londres: caiu a ficha dele que ele tinha vida de rei e que no Brasil o pai lhe dava 20 reais que não davam pro Mc do fim de semana...
Ficava a infernizando no telefone porque queria os jogos novos e que no Brasil tudo era muito caro!
Quebrou coisas do ps3 e queria que a mãe mandasse, detonou com o Blackberry e queria um novo, queria roupas de marca que usava em Londres para se exibir pros amigos da nova escola - particular porque a Marciana disse que "Deus me livre meu filho na escola pública no Brasil!". 
Sim, ela tinha gastos com a escola particular (o mais engraçado é que era uma escola católica mesmo eles sendo protestantes, mas achavam que isso iria 'resguardar' o pivete) além da mensalidade, o curso era todo apostilado e tudo que você sabe o que tem que pagar na escola particular, além do luxo de se exibir com tênis e roupas de esporte da Lonslade (super barata) e da GAP (a C&A inglesa... 10 libras e vc compra qualquer camiseta...) para os amiguinhos brasileiros tão fúteis e mimados quanto ele.
Ele sempre dizia pra mãe: NÃO VOLTA! AQUI É HORRÍVEL!
Isso quer dizer: se mata de trabalhar aí e paga meus luxos!

Quando não tinha essa discussão com ele, discustia com a do meio, a que tem problemas de depressão e já estava com 20 e não terminou o segundo grau.
Algumas conversas eram realmente dignos de Marciana!
A filha se tratava com psicólogo e ela perguntava pra filha: 
Foi no psicólogo hoje? E o que vocês conversaram? Do que vocês falaram hoje, oras! Eu quero saber!

 Isso deve ajudar muito em qualquer tratamento... Uma mãe bem participativa!

Ou discutiam sempre por causa de dinheiro que ela sempre dizia que mandava - e mandava toda a semana - e reclamava que os filhos queriam sempre mais. Um dia me disse que gastava quase 3 mil reais por mês com os filhos no Brasil... bem, difícil querer ainda comprar casa no Brasil, com mobilía e um carro "bom" como ela dizia...

 A filha mais velha já casada sofria poque não conseguia engravidar e reclamava da falta da mãe, dizia que deveria ser porque a mãe nunca estava com ela que ela não conseguia engravidar e ainda tinha que ouvir da mãe:
Vi suas fotos com seu marido no orkut! Como é que você, fulana, tira fotos fumando narguile? Você sabe o mal que qualquer uma dessas coisas faz? Vocês tem que ir com sua avó na igreja!

Ou pra irmã que cuidava do filho mais novo:
Ele vai ter prova de espanhol? Mas espanhol é fácil! é igual português! Vai ter prova de biologia? Faz um questionário pra ele estudar e você toma dele!

A irmã, além de aturá-lo em casa, ainda tinha que fazer ele estudar do jeito Marciano...
E as conversas se estendiam assim por horas... ela ligava várias vezes à noite e sempre brigando, reclamando que os filhos tinham que fazer o que ela mandava, ela era a mãe, a que mandava o dinheiro!

Com a Bruxa sucedia algo parecido.
Ela ainda saiu casada do Brasil e deixou as filhas por conta da mãe, o marido ficava com elas, mas quando a Bruxa, voltou ao Brasil, 6 anos depois, antes de ir morar em Londres. Fez a separação e o marido assinou que a guarda da mais nova ficaria com a mãe dela.
A mais velha já era maior de idade, fazia faculdade de publicidade lá no centro-oeste e sempre reclamava que não havia estágio nem emprego e que ela queria um emprego de meio período, não integral, porque ela estava de manhã e não queria estudar à noite... coitada! sofria! porque no Brasil não tem emprego pra ninguém que país horrível! (palavras da Bruxa)

Ela me lembrava a personagem da novela das 7, quando voltei e vi a personagem Grace Kelly na novela das 7 do Falabella, achei igual!

A menina queria tudo da mãe: você me largou aqui? agora vai me dar tudo que eu quero!
E tinham altas discussões porque ela queria, apenas, óculos de sol Dolce & Gabbana (o que mesmo em Londres é caro, é uma marca porsh não é pra qualquer um!) e depois ela vinha desesperada pra gente perguntar se sabíamos se nas promoções tinham óculos D&G... porque a filha queria porque queria... coitada, como a filha sofria por ela não mandar pra ela um d&g entre outras coisas que ela precisava mostrar pras amigas de faculdade.
A filha mais nova ela lutou pra ter a guarda, quer dizer, pra mãe dela ter a guarda porque quando ela foi tentar um "futuro melhor" no estrangeiro a menina só tinha 5 anos e também entrou em depressão. 
Fico imaginando como deve ser para uma menina de 5 anos esperar a mãe que leva 6 anos pra visitá-la...
Ela dizia que nunca ia deixar a filha com a família do marido - família que ela viu que a menina preferia, segundo contava a menina adorava ficar com a avó paterna e ela odiava isso!
Bem, a menina tinha que se identificar com alguém... e Bruxa sempre brigava com a mãe porque tinha deixado a menina ir pra casa da outra avó... bem, você faz o quê do outro lado do Atlântico? Só manda e todos têm que obedecer? 
Só porque pagava escola particular, kumon, inglês etc etc não parecia dar muito jeito das filhas gostaram da mãe, como ela queria.

Ah! A sobrinha que morava com as filhas dela - porque fazia faculdade tb na belissima cidade capital do centro-oeste lindo que ninguém quer morar lá - ela cansava de chamá-la de gorda e outras coisas, tirava o sarro da menina, talvez porque a menina devia ser a única que aturava a conversa dela, diferente das filhas que mal falavam no telefone com ela.

Isso era bem comum: elas queriam falar com as filhas, tentavam e tentavam estabelecer uma conversa e os filhos nem aí... a Marciana era a que mais reclamava: você só diz anh? sou sua mãe! você tá me ouvindo? fala comigo!

Eu também presenciei isso em ônibus, como sempre digo: brasileiro não se toca que Londres está infestada deles e sempre vai ter um ouvindo sua conversa.
Lembro de uma que queria que o bolo do filho no Brasil fosse do jeito, da cor e do SABOR!!! que ela queria... ela já tinha escolhido tudo, só não ia estar lá, né?
Pra ela, deveria parecer porque está mandando, coordenando tudo, é o mesmo que estar lá, mas não é! De jeito nenhum! Por mais que elas adorem se enganar. 

Por tudo que vi, digo que elas não têm filhos, elas os perderam. Pra eles são só umas fulanas que mandam dinheiro e coisas de marca. Nunca estão presentes em festas, doenças ou qualquer outra coisa, elas nunca estão nas fotos... elas só mandam o dinheiro que se vai e não deixa rastro, lembrança nem nada.

Como dizia a Bruxa: eu sou ambiciosa e enquanto o bichinho da ambição estiver comigo eu não sossego!
E quando o bicho da ambição sossegar, sua filha vai falar o quê pra você se nem te chama mais de mãe e sim pelo nome? (a mais nova fazia isso)

Fico triste por elas, porque, por uma ambição, uma ganância um não querer se humilhar ou mesmo ser humilde de trabalhar em trabalhos "menores" no Brasil, preferem mentir e dizer que trabalham bem na Europa e que isso vai fazer que filhos a entendam...
Não, eles não entendem, raras excessões, porque o que eles queriam era uma mãe ao lado. 
E elas perderam a melhor fase da vida deles só para não lavarem chão no Brasil e sim em Londres e outros lugares da Europa.
Quando a ficha cair que o tempo não volta, a ambição não vai ter mais sentido nenhum...








08 abril 2012

Vida entre brasileiros

Em dezembro de 2010 tinha deixado esse rascunho aqui:

Comunidade Brasileira em Londres: nunca eu digo NUNCA espere ajuda de brasileiros aqui, claro, eu achei umas quatro pessoas muito boas aqui... e o resto... é resto! O resto te olha como se você fosse tomar o emprego dele, que quisesse entrar numa ordem secreta e te dizem: ah, tá, eu vou ver se tem alguma vaga e te falo... A ordem secreta se explica, hoje, depois de 5 meses eu entendi que sou mal vista porque tenho passaporte europeu ORIGINAL de família, ou seja, um DIREITO meu garantido. A maioria está ilegal e tem medo de você, tem medo porque você pode conseguir um emprego melhor e medo que você o dedure para a imigração, como muitos fazem. Muitos brasileiros com visto britânico fazem isso e muitos portugueses também são acusados disso, só que eu não quero confusão com ninguém, quero que cada um viva a sua vida e deixe a minha em paz, o que nem sempre acontece. Além disso, há muitos brasileiros com passaporte europeu original e britânico que não te ajudam em nada: "se eu sofri, você merece pastar também", o egoísmo total. 

Meu pensamento não mudou muito, a partir daquele momento até tentei não ter tanto preconceito com "gente da minha terra", mas acabou sendo inevitável.
Os brasileiros realmente se fecham para outros brasileiros - não só por serem ilegais, mas realmente não gosta de ajudar. Ajudam se você for inglês ou alguma nacionalidade considerada superior (brasileiro não perde a mania de se sentir colonizado).

Estava infeliz vivendo com a marcação serrada da xereta Marciana e "não dormindo" no mesmo quarto que a Bruxa do Centro-Oeste. Minha Roommate do bem viria pro Brasil em abril e eu ficaria só, mais só do que já me sentia. Precisava mudar.

Procurei no famoso Gumtree, o site mais popular de classificados na Ilha. E, por isso mesmo, o mais cheio de golpes. O golpe mais comum (e como brasileira eu já reconhecia logo de cara ser um golpe) era da família que iria se mudar pra um outro lugar (US, África etc) e precisava de alguém para cuidar da casa, ou seja, era praticamente só cuidar de um apartamento enorme em Notting Hill (você não desconfiaria?), o preço era irrisório, algo como 100 libras por mês. Havia esse mesmo tipo de anúncio para emprego: você receberia 1000 libras por mês (aumentou 10 vezes!) para ser a governanta da casa.
Não encontrava nada que parecia bom e barato.

A mãe da minha professora de inglês, uma brasileira e elas precisam de alguns capítulos aqui, me falou sobre uma amiga que alugava quartos na região nordeste de Londres, lá na longíqua zona 3 quase 4, na Central Line. Fui ver o quarto.
Chegando lá, descobri que era pra dividir com um rapaz. Bem, como ele é gay você pode dividir sossegada. É o que sempre dizem por lá e muita gente faz isso. Iria me cobrar 60 libras a semana - eu pagava 50, mas era praticamente zona 1 e só pegava um ônibus por 15 minutos e estava no trabalho.

Lá teria que dividir o quarto com um homem - não deixa de ser um pra mim - e pagar 10 libras a mais: além de que teria que gastar dinheiro com transporte pra chegar lá, teria que pagar o metrô ou seria quase inviável. Ou seja: de 1,30 de busão, teria que pagar pelo menos 2,90 (preços só de ida).
Mais 10 do quarto e ainda teria um dia da semana para limpar a casa (onde estava já era incluído na limpeza da Marciana, que reclamava todo final de semana pra limpar, mas era o acordo dela, ela queria o quê? que eu ficasse com dó e além de pagar o aluguel dela ainda ia limpar o muquifo?).

Não achei viável e também ouvi algo que não gostei.
Elas são espíritas (a mãe da teacher e a dona da casa) e eu também.
Frequentava uma casa espírita pequena e que deixavam as crianças atrapalharem as sessões (filhos dos próprios voluntários que chegavam quase no final da sessão) e comecei a me irritar pela falta de indisciplina, tinha saído de lá para ir ver a casa.
E contei para a mulher sobre não estar gostando disso e a dona da casa veio com uma de "ah, mas dever o único horário que a mãe tem pra ir e o filho deve ser o maior necessitado que você".
Sim, todo mundo sempre na minha frente...
Como eu já andava com a tal da estima lá no inferno (sorry, mas tenho que usar MESMO essa palavra). Ouvir alguém me dando lição de moral naquele domingo à noite já bastava, se era tão espírita como dizia por que não conseguiu enxergar que estava diante de alguém que estava extremamente vulnerável a qualquer comentário?
Ainda mais porque a própria mãe da teacher tinha me dito que essa "dona da casa" (ela só era a Landlady e ela limpava a casa e a dona mudou e deixou que ela alugasse porque era de confiança) com a filha que trabalhavam de cleaner estavam ilegais e... faziam o que queriam na casa das donas: inclusive dormiam nas camas das donas das casas quando estava cansadas de limpar, comiam a comida etc.

Então, cadê sua moral pra falar que eu não tenho paciência com uma pobre criança de dez anos que fica jogando bolinha durante a palestra e a mãe que chega no final só pra ser a primeira a receber o passe?
Antes de jogar pedra em mim, olhe se você também não merece um paralelepípedo na cabeça!
Se ela fosse uma madre Tereza de bondade e benfeitora eu engoliria: a mulher é um ser acima que preciso chegar e alcançar, mas se você faz barbaridade na casa das suas patroas, não vem falar de mim porque eu não vou aceitar!
E não aceitei...  o preço e os termos já não compensavam e eu como uma alma perdida em Londres, senti que realmente nunca conseguiria encontrar uma pessoa que me ajudasse e me desse pelo menos uma mão para me dizer: calma, Regina!
Não, ninguém era capaz disso.

Na escola-ong de brasileiros, para dar aulas para filhos de brasileiros (preciso comentar sobre lá, né?) havia uma maioria de legais e nem por isso me tratavam melhor.
A professora para a qual eu era assistente de sala, quando perguntei a  todos se ninguém sabia de algum quarto para alugar veio com as pedras nas mãos:
Você acha mesmo que vai achar algo barato em Putney? (a maioria morava por lá, mas eu não tinha dito que queria morar lá) Olha, nem adianta ficar procurando, nem tem lugar barato para morar lá e ninguém aqui sabe de nada. Ainda se fosse em Parsons Green... (perto de Putney, zona 2 oeste de Londres)


Fiquei tão chocada com a doçura dela que nem falei que não estava procurado exatamente em Putney... A voz não saía... e os outros olharam de lado e ninguém falou nada...

Depois me acostumei com a doçura dela quando a vi xingando o marido na frente de todos... vi que ela era doce assim de natureza e que o marido, mesmo sendo brasileiro, não devia estar dando conta... Deve ser difícil dar conta de tanto fel...
Ela mesma tinha me falado pra eu ser babysitter e procurar no... Gumtree... (todo mundo só me dizia: já procurou no Gumtree?)
Afinal, poderia morar na casa das pessoas...

O que achei no Gumtree não era babysitter nem Nanny, era escrava: moraria na casa, ganharia algo em torno de 80 libras por semana, com uma folga na semana e não teria horário pra estudar.
Uma das mulheres com quem falei, uma norte-americana se me lembro bem, disse: como assim você quer estudar? Não tem horário pra isso, você tem que cuidar das crianças durante o dia e a noite!

E a maioria é assim.
Lembro de ter visto um anúncio em St John's Wood (região bem classe alta londrina) que pagavam 5£ a hora para ser babysitter ( salário real para uma babysitter morando em casa seria por volta de pelo menos 10 se não morar na casa a partir de 12, o salário mínimo era 5,93 - o que ganhava no Império)
Comentei com uma brasileira e ela só me disse: você não quer? vai ter uma filipina pra fazer isso.
Ou seja: filipino é o escravo do londrino.

Também acabei me traumatizando depois do caso italiana... comecei a sentir que sou uma inútil e irresponsável com crianças.

Tentava arrumar um emprego e um quarto por minha conta, ia à agências imobiliárias, procurava empregos no site do governo também e nada... mandava meu c.v para todos os lugares... e nada... tristeza porque tentei muito. Passava o dia todo em sites de emprego.
Fiquei até sem estudar para ver empregos e casas e nada.

Chegava depois do trabalho, cansada e desesperada comentando que precisava achar outro emprego e Marciana vinha como a dona de toda a sabedoria:
Porque você não quer trabalhar o dia todo! Quem quer arruma emprego! Trabalha até de madrugada!

E eu:
E quando vou estudar? Vim aqui pra isso?

Woman from Mars: Estuda de noite... sei lá... Quem quer faz tudo que quer aqui!

Se eu tivesse para onde ir, teria saído dali, mas não tinha... Além de pagar para aquela vaca, ainda tinha de aturar desaforo de quem se acha porque se mata para sustentar família chupim no Brasil...

Outra na escola de brasileiros me disse: por que você veio aqui pra Inglaterra no meio dessa crise? Deveria ter vindo antes!

Eu:  Só agora consegui juntar dinheiro pra vir... não consegui antes... estava juntando... demora...

(ela morava lá já uns 7 anos... o pai pagou curso e tudo e aí ela arrumou um passaporte britânico: um marido inglês que deu emprego pra ela na empresa de telecomunicações de lá)

A todo momento ouvia coisas legais de todos os brasileiros... a mãe da teacher até tentou me arrumar um emprego na escola que trabalhava para ajudar na hora do almoço das crianças, mas a cucaracha me tirou do páreo, pôs uma amiga que ficou uns 3 meses no emprego... e eu sem nada por todo aquele tempo... (quer dizer, só com o Império no final da tarde).

A mãe da Teacher achava que eu não me esforçava... era engraçado pra mim aquilo: todo mundo achava que eu não me esforçava...
Será que era porque todo mundo tinha realmente chegado numa época melhor e não conseguia enxergar porque eu não conseguia me virar logo?

Só quando conheci brasileiros que moram em Londres há 20, 30 anos eles me entenderam e me disseram: essa não é a mesma cidade como a conhecemos, mudou muito... e pra pior... (só isso me consolou).

02 novembro 2011

Vida de gado, vida de cleaner - parte 1 - casas da segunda-feira

Comecei o ano de 2011 sem alunos de português.
A médica monstra sumiu - e eu não queria mais dar aulas mesmo pra ela -, o espanhol deve ter pedido outra professora para a agência, se continuou com as aulas; e o jornalista casado com um brasileiro disse que estava trabalhando muito e não ia continuar.
Sou muito perfeccionista e me cobro demais e acredito que por meu inglês ruim, minhas aulas de português não sairam bem, não só por isso já que os outros dois sabiam bem já o português, mas porque eu não conseguia me concentrar para preparar aulas boas... também porque era minha primeira experiência nessa área e estava mesmo perdida...
Eu não faria aulas comigo de novo naquele momento, sou sincera, precisaria ter melhorado muito e espero que se voltar a dar aulas no Brasil, eu esteja melhor preparada.
Primeiro, eu terei minha casa pra preparar aulas, ambiente com todos os materiais que preciso, principalmente um boa mesa grande pra espalhar as coisas, como gosto de fazer.

A questão é que ainda consegui uma aluna que morava na região de Greenwich (aprendam com os ingreis: "grênich"), mas não pude dar aulas pra ela porque ela só queria na parte do começo da noite e exatamente quando arrumei um emprego de cleaner de escritórios nesse horário...
Só que antes do escritório, mais conhecido como o Império do Fado (logo vocês conhecerão Darthvedrina e seu celular com toque musical do Robie Williams), vou contar a penúria anterior, ser cleaner de casa em Londres, ou diarista que aqui deveria se chamar "horista".

A horista é como o nome diz, trabalha por hora, não há faxineira diarista nas casas daqui. Como tudo gira em torno de se pagar a hora, a diarista não seria diferente e muitas casas pagam por 4 horas num dia ou essas mesmas 4 horas divididas em 2 dias e assim por diante... tudo depende da patroa e da "criná" para organizar os horários.

Como eu acho que contei um pouco aqui na postagem resumão de quando conheci a Marciana e suas amigas cleaners que passavam a perna nos patrões. Agora vou contar como é realmente todo o esquema delas.

Precisava de dinheiro e Marciana teve que operar perto do Natal uma das mãos, a outra também já era operada. Tudo isso graças ao esforço repetitivo de limpar até quatro ou cinco casas por dia na correria. Ela precisava de uma ajudante e me pagava 7 libras a hora, fui, precisava pagar o aluguel.

As casas da segunda-feira era a primeira de um homem, acho que polonês que morava só morava ele e seu rotweiller que veio pra cima de mim. O dono não o amarrava, o cão era bonzinho...
Pegamos uns 4 ônibus pra chegar lá.. era quase na cidade de Kent... sul de Londres.
A casa era um casarão, mas a parte toda de cima ele alugava os quartos. Nosso trabalho era só a casa dele que não tinha heating (em janeiro freezing...) e nas sala de jantar e na de estar não tinha luz também... tudo no escuro, sem aquecimento e os tapetes e carpetes imundos de tanto pelo de cachorro!
Fora os brinquedos do cachorro todos espalhados pela casa, brinquedos não, tinha um monte de garrafa de Lucozade (um refri meio redbull). Calma! São de plástico, mas os pedaços ficavam por toda a casa... fora os pedaços de bola e etc que a pequena criança destruia...
O nome do bichinho?
Jack e eu pus sobrenome, claro: Bauer rs

Tinha que ligar o aspirador na cozinha, imunda (que Marciana diz ter sido ainda mais imunda quando ela chegou e tirou um cascão do chão) e tentar ver se o fio alcançava toda a sala. Até ia... mas no escuro, no inverno, difícil limpar...
Mas como tudo é por hora, Marciana falava pra eu correr porque o tempo era pouco pra limpar aquela casa de cachorro...
Ela foi limpar o quarto do dono que estava inundado de pelo, inclusive na cama porque o cachorro dormia com o seu amigo dono. A casa fedia cachorro...
Tudo era velho e mal cuidado - meses depois o cara resolveu derrubar e começou a fazer a casa tudo de novo - ainda as escadas era preciso passar aspirador... correndo!
Tudo era com carpete... todos os corredores... e aja tomada pra achar ou extensão pra o aspirador...

Marciana é um tipo que tem preconceito de tudo, mas o dinheiro sempre é bem vindo. Ela desconfiava que o dono da casa, por dormi de dia, deveria trabalhar em boate, ela achava que ele deveria ser cafetão. Então, ela falava mal dele e das pessoas nas fotos da casa, tipo, achando que todas as mulheres nas fotos (tirando uma que era óbvio ser a mãe do cara) eram prostitutas.
Estava eu passando aspirador na escada e ele passou.
Daí Marciana veio falar pra mim:

Ele é assim, mas é respeitador! Os homens daqui são respeitadores, fiquei reparando quando ele desceu as escadas e ele não olhou pra trás pra olhar sua bunda!

Que simpático, né? Ela queria dizer: ele é cafetão, mas respeita as que não são suas empregadas à noite!
Achei imbecil o comentário... e mais ainda ela ficar reparando...
Corri como uma louca pra limpar toda aquele carpete... não estava acostumada com o hoover... e eles aqui são pesados e toda casa quer que você use...

Saimos dessa casa e pegamos mais alguns buses para a casa da "porquinha" porque Marciana disse que ouviu o marido da mulher a chamar assim... mas se Marciana não sabia quase nada de inglês... não sei como entendeu... acho que deve ter sido alguma vez que ela levou o filho e ele estava nas escolas daqui, já sabia entendia tudo em inglês. (ele terá sua história contada)

O caso é que era sim uma porca, mas perto da amiga dela (casa da terça-feira) ela era a limpeza em pessoa!
Os ingleses têm uma mania nojenta de usar uma bacia na pia pra lavar a louça, aí fica aquela água já suja pra lavar outras louças... coisas do tempos da guerra... mas é totalmente contraditório porque eu nunca vi tanta gente disperdiçando na vida e depois querem economizar água pra lavar louça... porquice total!
Aí eu joguei toda aquela água nojenta, cheia de gordura e resto de comida fora e fui lavar a louça!
Sim! Eles deixam TUDO pra cleaner limpar! Mesmo que ela só seja paga pra trabalhar por 2 horas...
Daí a correira: só tenho duas horas pra limpar tudo!
E o que dá?
Naquela velha história deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!

Só pra inglês ver!!!!!

Sim, o que seria uma faxina, é só uma enganação porque não dá pra vc limpar uma casa inteira em 2, 3 horas, mesmo em quatro se deixam até camas pra fazer e jogar lixo fora... além da louça e da roupa pra pôr pra lavar, secar e, o pior, passar!

Lavei a louça, limpei a pia... e aí fui pro maldito hoover...
Como Marciana estava com a mão machucada é claro que eu teria que "hoovar" a casa...

O mais engraçado dessa casa é que ficava na única rua sem asfalto que vi em Londres... até pus foto dela no meu facebook...
Hoje não acho essa casa tão suja... vi piores...

Também tive que passar roupas... foi aí que aprendi a passar camisa social, coisa que nunca tinha feito na vida e Marciana me ensinou com aquela cara: essas moças de hoje em dia não sabem fazer nada!
Melhor não saber, assim se se vive com um cara que usa camisa social fala pra ele ir na tinturaria rs
Mas aprendi... naquelas porque eu não tenho saco pra passar roupa... mas dá pra enganar bem... acho rs

A casa era até bonita, cheia de fotos de lugares exóticos que o casal já tinha visitado e o pai da dona da casa, pela foto, deveria ser uma figuraça, tinha foto dele e da esposa quando eram jovens, nos anos de 1960, ele parecia um dos caras dos Animals... é muito interessante entrar em casas realmente inglesas pra ver a história vivida dentro delas...

E claro que eu não poderia terminar essa postagem sem uma linda observação de Marciana quando me mostrou a foto de casamento do casal: ele de camisa rosa e ela:
Só aqui que homem usa camisa rosa e no casamento e ninguém fala nada!

Já perceberam a figuraça, né?

08 setembro 2011

Mais coisas ainda do final de 2010

Quando trabalhava com o casal do sul, eles trabalhavam quase no esquema de vans, ainda em começo de carreira, mas é o que eles deveriam fazer em breve, pelo menos pretendiam. Tinha várias casas e pra trabalhar em várias no mesmo dia precisa-se de um batalhão.

Porque você ganha pra limpar uma casa em 5 horas, como já contei, e com um monte de gente, faz em 1,2 horas e paga uma miséria pros "assistentes".

Voltando, eles estavam procurando um ajudante pra todos os dias, integral e eu não quis, porque nunca foi esse meu objetivo aqui, por menos que ganhasse e passasse sufoco vendo meu dinheiro ir embora...
Trabalhei judando nos dias que pude e eles conseguiram um outro ajudante, um rapaz de São Paulo, de uma cidade próxima da capital, das várias dormitórios ao redor da big city.
Ele me disse que estava aqui há uns 2 anos, que em São Paulo trabalhava no palácio do governo, como garçom, um dia, encheu o saco, pegou férias e veio tentar a vida aqui...
Não fala praticamente nada de inglês, ilegal, procurava uma documentação ou um casamento fajuto. Eu fiquei beeem quieta...

O nosso grande amigo de trabalho é o famoso Henry, um dos aspiradores de pó mais usados nas casas aqui, ele tem uma carinha simpática:

Só a cara simpática... porque é pesado que a p*rr@! rs

O rapaz me disse que achava esse "hoover" (já até esqueço o nome em português de tanto que falo 'hoover', 'cleaner', 'shower', 'toilet', 'feather', 'mop', 'brush', 'brum', 'kitchen', 'tissue', 'wepping', 'bin', 'cloth'... esse é o vocabulário da "criner" rs), então, o rapaz achava que esse hoover é muito bom e disse que comprou um e mandou de presente pra mãe dele...
Eu fiquei só olhando e pensando: coitada dessa mãe, homem só acha que mulher tem que ganhar mais trabalho, né? aff mais uma vez, fiquei quieta...

A mulher só ouvia no rádio do carro, indo de uma casa pra outra, uma rádio no estilo Antena 1 e virou pra mim e disse: só músicas do NOSSO tempo!
E eu: ãh?????? Bee Gees e outros não são do MEU tempo... quem ela pensa que eu sou?
Mais uma vez, não lembro se falei minha idade pra figura... mas ela é mais velha que eu e tem um filho de 20 anos...
Não que eu não pudesse ser, se tivesse sido precoce... mas daí a ouvir Bee Gees e dizer que é do meu tempo??? Vai a PQP!!!!!

****
Nem tudo foi ruim na casa de GG, lá, finalmente, consegui ir em um Job Centre e tirar meu famoso insurance number e num GP (posto de saúde) e tirar minha carteirinha pra usar...
A carteirinha pra usar o GP do NHS (INSS daqui) eu consegui até mais fácil que da vez que tive alergia na casa da Collorida... depois, não sei se comentei, descobri que não era bicho que tinha me mordido em Portugal e sim, que naquele colchão tinha o famoso bedbug...
Imagine: só chove, faz frio, nunca a casa e o colchão tomam sol... o que acontece? Claro que não ia descobrir isso pela Collorida, por ela, que os bichos me comessem, desde que pagassem o aluguel...

Dessa vez quis marcar um médico porque não aguenta, achava que tinha gripe e era minha alergia ataca à enésima potência, graças ao meu amigo do coração: o heating, ou o aquecimento e o meu carpete fedido de rato e que a Pureza (lembram?) falou que se eu quisesse ela tinha a máquina pra EU lavar o traste...

O que acontecia era o seguinte: minha garganta ardia como fogo, não conseguia falar direito como se tivesse perdido a voz de tanta dor de garganta e nada disso era gripe.
Cansei de tomar chá de pomegranate, ou a famosa romã que todo mundo come aqui e eu só via se tomar chá pra garganta no Brasil. E lá se foi xarope, remédio pra gripe que diziam ser tiro e queda...
Claro que não faziam o mínimo efeito: o problema era a alergia.
O heating também devia ser tão limpo quanto o carpete e ficava bem na cabeceira da minha cama... troquei de lado, comecei a pôr a cabeça pra dormir no lado dos pés. O ruim é que era onde ficava a tv e ficava complicado. Desligava o heating durante à noite, deixava o quarto quente e desligava pra conter o transtorno...
Só depois percebi que a garrafinha de água que deixava no quarto enchia de bolhas, como se estivesse esquentando... não era só esquentando por conta do heating, era porque ela ia secando, como minha garganta, porque esses aquecedores dos infernos, para aquecer, precisam tirar toda a umidade do quarto, inclusive a umidade da pessoa que dorme ali...

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Nesse mesmo período ia até a casa da Marciana, fiz amizade com ela, porque estava numa fase de quase perguntar a todo mundo: você quer ser meu amigo? eu queria taaaaaanto um amigo...

E é aquela coisa: você só conhece realmente a pessoa quando convive diariamente com ela...

Só que depois de quase 4 meses em Londres e sozinha, já não aguentava mais me sentir sozinha...
Um amigo que mora em Dublin até esteve aqui e me senti a pessoa mais feliz do mundo de ter alguém pra passar uma tarde de sábado batendo papo num Costa (uma cafeteria famosa aqui e mil vezes melhor que o Star-água-bucks). É horrível estar sozinha, tão sozinha...

Foi assim que comecei a engordar... descontava toda a minha tristeza na comida, comia potes de Haagen Dazs  (é barato, ainda mais no inverno), um chocolate delícia com gostinho de laranja... e eu nunca curti esse tipo de coisa, mas esse... nossa:
Ele é assim, todo em gomos, como se fosse laranja e eu comia sem ver assistindo Friends na TV rs
Entre outros quitutes... me enchia...

E aí resolvi ser amiga da Marciana, mas muito em dúvida se ia ou não pra casa dela... tinha que ter outro jeito... (mas não teve).

Um dos fatos mais loucos foi quando fui até a casa de um casal de amigos dela, eles voltariam pro Brasil e a moça trabalhava com casas, e um dessas casas que ela limpava era de uma italiana, como ela soube que eu estudei italiano, passou a casa pra mim, antes de voltar pro Brasil.

Dois jovens de BH que moraram aqui por 3 anos, se mataram de  tanto trabalhar, ela nas casas e ele em restaurante para juntar dinheiro.
Juntaram tanto que a primeira vez que juntaram, pra comprar um terreno na cidade onde moravam, deram pros parentes comprarem, segundo conta a história, compraram de uma imobiliária de mentira que levou o dinheiro deles...
Da segunda vez, não foram bobos, guardaram pra comprar quando voltaram...
Só que ele abriu um negócio e ela comprou seu próprio apartamento, fizeram bem, apesar de ilegais, como sempre...
Ele teve a graça de me mostrar o passaporte e identidade portugueses para comparar com o meu, original, pesado e bem feito. E ficava: nossa, o seu é bem pesado, mais bem feito (dã!).

Daí descobri a nova: inglês de rua...
Ele me disse que falava bem o inglês, mas o de rua, assim como a irmã dessa menina também me falou o mesmo...
Nova definição...
Não, não se trata de gíria, de slang, se trata de brasileiro que mal sabe falar seu idioma e falar o dos outros mal e porcamente... daí inglês de rua...
Não que ele falasse mal, o cara tinha fluência, mas não queria dizer 100% aprendizado Murphy rs - nem 50% acho rs
Porque você aprende falar inglês "na rua" com outros estrangeiros que também falam como lords na câmara...
Aí a irmã falava: eXcRusivi e me dizia:

eu prestei o IELTS, na parte de gramática eu não devo ter passado, mas na conversação eu passei! Eu falo inglês de rua, mas falo!

Ela fazia curso de inglês aqui só pra ter visto, mais faltava do que ia na escola, o que interessa é o visto de estudante... por 6 longos anos... (no caso dela).
Fazia numa das famosas escolas da chamada "fábrica de visto"... (já deu pra sacar o nível só pela aluna rs)

Eles juntaram dinheiro e coisas... mandaram por navio 200 kilos de coisas antes de viajarem... e fui com Marciana no aeroporto dar tchau pras figuras...
Levaram mais 4 malas, chegaram atrasados, se eu não tinha falado pra Marciana de ficar na fila, teriam perdido o voo...
Chegaram no guichê: peso extra (isso porque mandaram 200 kilos por navio...).
E vai a correria da irmã da menina ir comprar outra mala no aeroporto e eles abrirem mala pra todo lado, no meio do caminho e pesar na balança que fica perto do guichê da TAM... (o preferido pelos brasileiros).
E daí só se via tênis com perfume dentro, um monte de tranqueira saindo das malas... como até patins...
A menina tão simplória, eu diria, levava na mão um Toblerone enorme que comprou, queria comer dentro do avião... tive que avisar que ela não poderia fazer aquilo... que seria barrada, só se comprasse lá dentro e levasse na sacolinha do freeshop...
Ajudei com as malas e ficava vendo aquele desespero louco, primeiro porque chegaram atrasados, segundo porque não ia dar pra levar tudo...
E não deu: a irmã ficou com algumas coisas por aqui...
A maior parte das coisas que compraram eram futilidades para mostrar pros parentes e amigos no Brasil, como uma câmera digital que você pode fotografar no escuro que sai perfeito e que tira fotos de uma plano maior do que se consiguiria numa câmera normal: não se precisa tirar várias fotos pra pegar um plano todo... ela faz isso...
Babei na câmera, mas... não deixa de ser futilidade...

Conseguiram embarcar... na volta, de metrô, a irmã dessa garota e a prima falavam das casas que lipam aqui. Que fazem as casas de gato e sapato.
Limpam de qualquer jeito porque tem várias casas no mesmo dia (mesmo esquema do dono da van, mas sem escravos, digo, empregados), ou seja, eu tenho 4 casas de 4 horas. 16 horas de trabalho? Claaaaro que não! Eu faço a famosa limpeza "pra inglês ver", almoço na casa (pegam comida da casa ou fazem comida com os alimentos dos donos da casa) e vou pra outra!
Outra palavra bem comum entre as "cleaners" aqui é tapa "ah, eu dou um tapa" é, pra mim, de tapear...

Não que toda faxineira é desonesta, mas uma grande parte sacaneia o patrão na cara dura...

Soube de casos em que se a cleaner ficou cansada e tem tempo sobrando, dorme na cama do dono da casa, ele está trabalhando mesmo...

A maioria das faxineiras têm chave da casa, os donos foram trabalhar e deixam um chave cópia pra cleaner. Ela vai a hora que convir e limpa, do jeito que convir também...
Deixam também o dinheiro de pagamento. Bom para pessoas ilegais, bom para ingleses que querem fugir do "tax" (imposto) de ter um empregado em sua casa e parecer rico pro leão daqui.
Mas não se preocupem! Em breve eu vou contar o outro lado da moeda: de que muitos desses patrões ainda tem empregadas muito legais para a porquice que são as casas deles... não é porquice de falta de limpeza, em alguns casos, falta de higiene mesmo...