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29 agosto 2011

Mais acontecimentos, ainda na casa do GG

Durante os dois meses que morei na casa de GG e Pureza, além de morar com um rato, também passei por várias situações.

A primeira foi conhecer a neve, o primeiro dia que caiu neve aqui, dia 30 de novembro do ano passado, ainda me lembro, começou a nevar... estava na rua. Fiquei emocionada, ria como criança, deviam me achar uma boba no meio da rua, mas foi muito, muito legal!
Aquelas bolinhas que não eram gotas de chuvas e caiam forte, todos se protegiam, menos eu, eu queria sentir, ter certeza de que o que via era neve... incrível essa sensação... realmente voltei a ser criança naquele dia, de tão feliz.

Comecei a trabalhar numa escola para filhos de brasileiros, para que eles aprendam português e a cultura do Brasil, sou praticamente um voluntária, mas meus sábados mudaram e conheci pessoas diferentes que tenho amizade hoje.

Também comecei a trabalhar com faxina... infelizmente não  tinha como: meu dinheiro estava acabando, a semana a 85 libras de aluguel pra dividir com um rato e dormir com um carpete imundo que me dava uma alergia louca, não me davam alternativa: tinha que ver o primeiro trabalho que viesse e tinha que ver outro lugar pra morar.

Uma prima da minha mãe, contou para a minha tia que uma mulher que ela conhecia, que tinha uma perua em que vende ovos etc tinha uma filha que morava em Londres e ela alugava quartos.
Minha mãe achou que talvez esse fosse o caminho para eu mudar de casa.

Minha tia passou o contato da mulher e fui eu em Elephant & Castle (parte centro-sul de Londres, impregnada de brasileiros, latinos e caribenhos) é um lugar muito perto do centro. De ônibus você leva uns 15 minutos até o Big Ben, por exemplo.
Só que chegando lá, conforme as indicações da dona, fui achando o lugar extremamente horrível: me vi numa Cohab (desculpa você que mora na Cohab, mas aqui é pior) imunda, caindo aos pedaços, um lugar que não imaginava achar em Londres, pessoas com caras mal encaradas, rua principal entre as cohabs suja porque todos os dias tinha feira ali (aqui, a rua da feira, ou do market, é todo dia feira, menos segunda).
Ia andando e pensando: não pode ser nesse lugar! Prédios iguais, não pareciam velhos, mas muito mal cuidados. A mulher me disse pelo celular que me encontraria no caminho porque o elevador estava quebrado...
Eu pensei seriamente em voltar pra trás... mas não tinha dinheiro pra ficar de luxo e precisava pelos menos ver...
Encontrei a mulher, que nomeei de Marciana, em breve entenderão o porquê, uma mulher bem simpática e que me levou até o prédio certo que eu não acharia.
Entramos por outro prédio, pelo elevador do outro prédio.
Ela se gabava de morar tendo como vista a London Eye, se via quase todos os principais "heritages" de Londres dali: Big Ben, London Eye, Saint Paul...

Daí conheci a casa... cheia de mofos pelos cantos das paredes, meio escura, precisando seriamente de uma reforma e na qual teria que dividir com outra pessoa o quarto...
Até aquele momento, parecia até tranquilo, mas não queria, iria aguentar mais um pouco na casa do GG, o rato iria sumir...
Ela prometeu me ajudar, que logo eu arrumaria um emprego fixo, que ela tinha muitos contatos e dizia porque eu morava tão longe, ali era uma ótima localização!
Realmente, geograficamente, a localização é ótima, as moradias é que não prestam... por conta de seus donos e landlords... eles naõ cuidam como todos fazem: só querem dinheiro no bolso.

Para ir embora, ela me disse pra descer as escadas, que ficaria mais fácil...
Conforme descia as escadas, cinco andares, mal iluminadas e sujas... fui pensando que não queria morar ali de jeito nenhum! Encontrei até um absorvente feminino sujo na escada e sai como louca, corri nas escadas e só pensava: aqui eu não quero morar!!!

Marciana realmente me indicou empregos, falou porque eu não trabalhava nas vans (já contei aqui sobre elas, né?) e achei aquilo o fim da picada, mas ela me passou a indicação de uma mulher que precisava de ajuda apenas por alguns dias na limpeza de casas...

E lá fui eu acordar às 4:30 da manhã num domingo, o domingo em que o rapaz goiano levou peixe pra casa e ouvi aquela conversa que me pareceu muito estranha...
Teria que pegar o trem, era beeem longe onde encontraria a mulher para a limpeza... e teria que estar na estação certa às 7 da manhã.

Cheguei, a encontrei, ela e o marido, do sul do Brasil, me levaram até a primeira casa. Na verdade, não era a casa, só um escritório que ficava bem nos fundos do quintal. Um escritório que ficava cheio de folhas das árvores que caiam e só era limpado uma vez por ano...

Depois fomos limpar a casa de um senhor inglês viúvo e que tinha estado na 2a Guerra. Ele ficava na dele enquanto limpávamos e eu só pensava: cadê a família dele? é Domingo!
Daí ele foi no forno pôr um congelado pra ser o almoço dele... que vida triste, gente!
Só que no final eu entendi: quando íamos embora, ele dava bye-bye pra gente quase nos botando porta pra fora... educação britânica!

A moça me dizia que muita gente gostava de trabalhar com ela e o marido, porque as pessoas diziam que riam muito com eles.
Eu não ri nenhuma vez: só via ela dar altas cortadas nele e ele, quieto...
E ela ainda me dizia: já consegui casar, tá bom, ou seja: casei e pronto, ninguém pode falar o contrário, seja bom ou ruim.
Ele tinha cidadania italiana e ela ganhou de lambuja...

Nesse dia, voltei cedo pra casa, cansada, mas tudo bem...
O problema foram as casas que fiz durante a semana: 7 casas num dia...
E ela sempre me dizia:
Você fica com o banheiro.

E virei uma expert em limpar banheiro... morria de raiva, nem era raiva, era tristeza mesmo... tinha que me sujeitar porque as aulas eram poucos, o dinheiro acabava e o aluguel que eu queria manter era arrasador...

Cheguei em casa depois de sete casas e só quis deitar na cama.
Fiquei lá estirada, tentando descansar, não aguentava mais. Estava extremamente cansada, acabada, moída... e ainda tinha GG e Pureza no seu banho de espuma... e pra eu tomar banho?

Fiquei pensando enquanto estava derrotada na cama: se aquilo era vida, se isso seria só por aquele momento, que precisava fazer algo... pensar... pensar... sofrer... sofrer...

E nada mudou muito na minha vida, ainda comecei a fazer aulas de inglês, minha mãe mandou dinheiro pra que eu fizesse, e parti pras aulas particulares para ver se isso adiantaria meu aprendizado, fiz amizade com a professora e a mãe da professora que me ajudou em muitos momentos.

Tive que pedir dinheiro para o meu pai, para, pelo menos, ter um Natal digno: ir pra Portugal na casa das minhas tias, quando voltei de lá, voltei para morar na Cohab...não teve jeito, foi a única alternativa que me restou naquele momento.

29 junho 2011

Casas que morei em fotos

Casa do GG e da Pureza:


Abertura da Porta para Leetle

Quintal do GG (dos fundos)

Banheiro do GG, azulejo da banheira... o que é isso? não quero saber!!!!

entre a máquina de lavar e secar...
Mansão do Horror:

Prateleira da Geladeira de Soudemorte, eu levantei o leite para bater a foto

Microondas de Soudemorte


11 junho 2011

Stewart Leettle, parte final

Finalmente chegamos aos outros dois personagens que faltavam nessa casa: o rapaz do video-game, que era até gente boa não fosse ele chegar de madrugada e jogar video-game com o volume no último e ainda gritar: meerda! merda! meeeerda! enquanto jogava às 2 da manhã...

Ele morava no outro quarto, ao lado do meu, gostava de ouvir a Rihanna e Duffy, paulista, está aqui há 3 anos e chegou pra estudar e foi ficando... passaporte italiano, vai embora quando  tiver vontade, se tiver.

Uma bela tarde de quarta-feira, me dei ao luxo de ir ao cinema ver a De Volta para o Futuro na comemoração de 25 anos do filme. Cheguei na casa cansadona... e me joguei na cama e liguei a tv para descansar... eis que então que só escuto um barulho debaixo da minha cama e um pequeno vulto saindo desembestado por debaixo da porta: era meu novo amiguinho que parecia dividir quarto comigo: Stewart Leetle ou Leetle Stweart, cheguei a alcunhá-lo de James Stewart Leetle, mas o James verdadeiro nunca mereceu isso...

Fiquei passada, apavorada... um rato acabava de sair pela porta do meu quarto!
E percebi que havia um buraco enorme no canto da porta por onde ele teria livre acesso... pensei na janela que deixava sempre aberta, teria ele vindo de fora?
Fazia muito tempo que se precisava carpir aquele quintal da parte de trás...

Apavorada, fui contar pro GG sobre o que tinha acontecido. Ele e Pureza riram, riram na minha cara e ele ainda disse:

"ah, então vou ter que cobrar aluguel dele também!"

Aí ficou sério e começou a perguntar: você deixa resto de comida no seu quarto?
E fez outras perguntas como se eu fosse a pessoa mais porca do mundo e pra todos eu respondi o óbvio: não!

O meu pavor foi tanto que fui dormir morta de medo, na verdade, não dormi direito aquela noite pensando que o Leetle deveria ser o Lee amigo de Soudemorte que o transformou em rato pra terminar de acabar com minhas poucas alegrias em Londres...
Falando sério, fiquei pensando que se ele saiu pela porta tão rapidamente era porque conhecia muito bem o caminho e que saberia fazer o caminho de volta...
Acordei no meio da noite assustada, toquei em algo do lado do meu travesseiro: era meu relógio de pulso que eu deixava ali porque tenho mania de olhar as horas toda vez que acordo... imaginem... eu pensando estar tocando um rato que estaria dormindo beeem no meu rosto... minha pressão deve ter chegado a 30...

Dormi apavorada e fui comprar panos e adesivos pra tentar vedar minha porta, só abria a janela quando estava no quarto e de olho, olhei todos os cantos pra ver se ele poderia estar em algum lugar ou se havia algum buraco...
Tentei vedar a porta, mas descobri que ele poderia ir pela parte de cima dela, que dava uma falha... é... as belas e bem conservadas casas de Londres alugadas por brasileiros...
Dava uma falha na porta porque ela ficava torta e também percebi que a porta era só duas folhas: era oca por dentro... o ratinho poderia fazer a festa ali... e, mesmo assim, colocava os panos debaixo só pra tentar dormir tranquila...

Avisei o rapaz do quarto ao lado, queria saber se ele já tinha tido algum problema, GG tinha me dito que nunca tinham  tido problema de rato lá... falou com a maior cara de "oh! que surpresa!" por isso ficou me culpando e tal... tentando me fazer ser culpada.
O moço do video-game me disse que nunca tinha visto e que ficaria esperto... pro outro casal não avisei, quase não os via e achei que o problema era mesmo da janela e que talvez o bicho tinha ido embora...

Algum tempo depois, o bicho aparece de novo no quarto do rapaz do lado. Ele disse que o bicho fazia barulho no guarda-roupa dele, mas ele não o viu.
Corri pra ver meu guarda-roupa, não achei nada, só do lado de fora, num canto que guardava sacolas estavam molhadas... morri de nojo e medo!
Não tinha cheiro de urina e achei que poderia ser por essas sacolas estarem do lado do aquecedor... em todo caso, joguei tudo fora com raiva, porque tinha planos pras coisas que estavam ali.

GG não viu o rato, Pureza não viu o rato e não resolviam nada, só deu uma pequeníssima  ratoeira para o moço do video-game pôr no quarto dele, parecia ratoeira de brinquedo... uma palhaçada!
Pureza chegou a me perguntar se eu tinha nojo de rato, que não era tão grande coisa assim e eu disse que não tinha nojo, tinha pavor e ela me olhou com uma cara do tipo: credo, que menina mais nojentinha!
Como se rato fosse um animal de estimação... talvez o dela... além do GG...

Mais alguns dias e contei pro casal goiano sobre o Stewart... eles não o tinham visto também, parecia meu karma: só eu o conhecia pessoalmente...

Passado algum tempo não soube mais da criatura e fiquei tranquila. Até que um domingo, na cozinha, esquentando meu jantar só vejo um barulho estranho e uma coisa correndo na minha direção: gritei como uma louca!!!!!!! O bicho, antes de chegar em mim, desviou, outro buraco para ele, debaixo da mesinha da cozinha, daquelas só de parede, tinha um vão numa portinha, ali era a entrada pra debaixo da escada... meu amigo tinha mais um esconderijo...
O engraçado é que o casal goiano estava na casa e não foi lá ver o que estava acontecendo, e se eu tivesse tido um ataque do coração? Morria ali...
Uns dias depois o rapaz desse casal veio me perguntar se tinha sido o rato, porque ele foi passear no quarto dele e que ele só não o matou, porque a mulher gritou e assustou o bicho.
E ele me disse para eu olhar atrás da privada, havia mesmo um buraco ali também que tentaram tampar com uma bucha de lavar prato... ou seja, o problema era antigo... só disfarçado...



Estava ficando cansada daquilo, ainda mais que comecei a acordar de manhã e todos os dias encontrava cocô de rato no chão.
Já não aguentava mais morar ali por conta da minha rinite atacada pelo carpete do quarto e pelo aquecedor que eu comecei a desligar durante à noite, mesmo com -2 graus Celsius -, com um outro morador me sugando a tranquilidade e o meu dinheiro ficando cada vez mais raro... tinha que me mudar... o cara não dava jeito... não tomava providência, só tinha posto na pia uma daquelas placas de pegar rato... só!
Leetle era muito esperto pra não passar por ali...

Alguns dias depois encontrei minhas coisas no armário da cozinha roídas: uma caixa daquele After 8 e até um rolo de papel toalha, no plástico fechado, estava roído... joguei a grande maioria das coisas fora e vi que realmente a coisa estava cada vez pior!
O casal fofo não me reembolsou os gastos com a comida roída e não ia mais ficar ali...

Fora a limpeza da casa: pagava 85 a semana e, em dois meses que fiquei lá, vi duas vezes a casa ser limpa - banheiro principalmente!!!!

No meio de muita pressa, resolvi ir morar com Marciana - logo saberão mais a respeito - antes de sair, era perto do Natal e fui pra Portugal ver minhas tias e passar o Natal em família.
Deixei minhas coisas na casa da Marciana antes de viajar.

Um dia antes de deixar a casa, Pureza veio me dizer que não ia mais deixar o forro de aluminio nas bocas de fogão, porque ela fazia isso pra não precisar limpar o fogão, sujava e se jogava fora, mas cada um teria que limpar a partir de agora porque ela havia achado restos de comida ali parado e cocôs de rato.
E eu: bem, eu estou saindo e já não estou mais cozinhando aqui.
(preferia comer, novamente fast food do que naquele nojo de cozinha)

Ela ficou com cara de c* pra mim...  tipo: é, né? Joga na cara...

Mas eu havia dito que tinha pavor de rato, eu tinha avisado sobre o bicho... não ia ficar pagando 85 libras por semana por um quarto que eu dividia com um rato, não dormia porque tinha um cara jogando video-game no último volume e gritando, com a garganta moída e doendo e o nariz sangrando por conta do aquecimento e do carpete de 50 anos no chão - eu passava aspirador até 2 vezes por semana, mas o negócio era velho... (GG ainda me falou que tinha um aparelho pra lavar carpete: ah tá! agora vou lavar pra você, né?)

Não, não dava mais pra morar assim... e saí antes de um presente maior de Natal do Leetle...

26 abril 2011

A hora e a vez de Stewart Leetle parte 2 - GG e Pureza

Só uma coisinha: este, eu acredito, será meu último texto, calma gente! em português rsrs
Estou tentando traduzir todo o blog, se não conseguir, porque é um trabalho pra Hércules, e não pra mim rs, as postagens serão em inglês a partir da próxima. Não, gente! Não é frescura! É aprendizado, quanto mais eu escrever em inglês, mais eu aprendo ;)

O casal que eram os donos da casa, ou que sub-alugavam (com ou sem hífen? não lembro...) eram mineiros.
GG, era assim que Pureza o chamava sempre. O nome dele é fácil:

(o nome já apareceu logo de cara no video rs)

E Pureza também era uma personagem da turma de Chico Anysio, homenageado duplamente aqui rs




Bem, o caso era assim: ele alugava quartos e fui parar lá em Dalston Junction (pertencente a região de Hackney, indo pro nordeste de Londres).
Fez várias considerações para que eu já soubesse de tudo na casa para alugar, coisas do tipo: se for fumante, não aceito (eu odeio fumante rs) ; namorado você pode trazer, mas não é pra ele morar aqui (namorado? o que é isso?); e coisas como limpar a borda da banheira depois de tomar banho; lavar a louça depois de comer e guardar... etc...
Disse-me que a casa seria limpa pela Pureza toda a semana, que isso já era descontado no aluguel.
Tudo bem, o quarto era pequeno, mas era só meu e tinha chave!

Na casa de Soudemorte não tinha, eu algumas vezes cheguei a dormir com a cadeira trancando a porta. Quando perguntei da chave da porta pra Collorida ela me olhou com cara de que eu a tivesse xingado "não se tranca portas aqui"... deveria, quando se mora com gente como eles...

Bem, eu não traria grandes problemas para o casal, só achei o fim da picada, quando GG fez a minha mudança - de Richmond pra Lewisham - ele o tempo todo passar ao celular com Pureza e ouvindo Latino... e eu que reclamei do carro do meu tio...

O casal era assim (e deve continuar): passam  dia se ligando e GG me disse "estamos juntos há 5 anos, mas mantemos como começo de namoro" tá bom... pra mim, sempre foi exibição ou vocês não achariam a visão do inferno dar de cara com os dois saindo do banheiro juntos - depois de longas horas de "banho" - de roupões na ponta da escada (o banheiro ficava na parte de cima e o quarto deles embaixo, o meu quarto tb  era em cima) eu querndo subir e eles querendo descer. Aí Pureza dá um beijaço no GG antes de descer a escada pra eu subir, nossa, super gato ele, morri de inveja: careca, feio, meio velho, meio gorducho, morri de inveja dela... noooossa!

Eles pareciam simpáticos, ele mais que ela. Sempre fazia brincadeiras comigo, do tipo que minha comida estava cheirando bem e que paulista (eu) gosta de trabalhar, diferente de carioca e baiano (ele disse isso, não eu... ele tinha os preconceitos dele, não eu) e disse que carioca e baiano nem apareciam por aqui por conta do frio. Fiquei na minha, mas conheci algumas nordestinas que moram há mais de 20 anos em Londres (Collorida, NaLgini e minha depiladora que é muito gente boa!), não quis entrar nessa de ficar estereotipando pessoas, ainda mais porque a escola onde trabalho de sábado, o coordenador é um baiano super gente boa também, o casal tinha aquela cabecinha: moram fora do país de origem e não aprendem nada no novo, afinal, Londres é um caldeirão cultural, é uma Babel, é pra vc sempre aprender com as diferenças e são grandes! (tenho que escrever apenas sobre isso)

A minha simpatia por eles acabou quando comecei a me irritar e ficar com nojo que eles tomavam banhos juntos no banheiro que é COLETIVO! Se eles tivessem o banheiro deles é uma coisa, estão na intimidade do lar deles, do quarto deles, do banheiro deles, mas... era uma única maldita banheira para 6 pessoas...
Comecei a ter nojo de tomar banho ali, pagava 85 libras por semana - pagava 70 na casa da Collorida - e ele, no meio de todas as regras que pôs ele disse que a casa seria limpa toda a semana, já descontando do aluguel que pagamos.
Passou um mês sem eu ver o banheiro ser limpo, um mês sem a cozinha ser limpa.
Meu quarto, às vezes, eu passava aspirador (tinha um maldito carpete do século passado) duas vezes na semana por conta da minha rinite, que só foi ficando pior ali e eu, como sempre, achando que estava gripada e com uma dor de garganta horrível. Cheguei a comprar até vitamina C, tomei chá de romã (que tem em cada esquina), fiz de tudo e aí minha mãe me dá a dica:

Regina, você não lembra que tiramos o tapete do seu quarto por conta da sua alergia?

Verdade, era o carpete e o heating, outra maldição, ele ficava na cabeceira da minha cama, nas noites frias ele tinha que ficar ligado e eu comecei a dormir nos pés. Depois comecei a desligá-lo. Deixar ligado de dia, quando não estava, aquecia o quarto, e desligava quando eu chegava.

Falo a verdade pra vocês: cheguei a ficar sem tomar banho. Sim, eu fiquei de um dia pro outro sem tomar banho porque eu chegava morta de casanço em "casa" e o casal estava no banho... horas a fio... e eu ia dormir. No outro dia, claro, eu tomava banho. Mas é duro você estar morta de cansada, querer um banho pra relaxar e outros relaxando bastante no banho...

Isso porque ele sempre deixou claro: ambiente familiar! Nunca entre nessa de que realmente exista ambiente familiar em casas para alugar por brasileiros e nas quais não são de uma família mesmo vivendo lá...
Eu entrei e veja só...

28 fevereiro 2011

de volta à saga... ou A Hora e a Vez de Stewart Leetle - parte I - a dama do busão e o marido from Goiás...

Na casa nova, em Dalston, Hackney, me senti bem melhor, com um quarto (minúsculo) todo só pra mim, com tv paga, frigobar... comecei a sentir que assim, sim, era vida! Ninguém cuidando da minha vida e ninguém se importando comigo.

Claro, é complicado viver com pessoas que não dão a mínima pra você, nem pra ajudar a dar uma dica de emprego... mas, tudo bem, já estava aprendendo a saber que ninguém ajuda ninguém aqui e manda você se virar rápido.
Estava com algumas aulas de português para estrangeiro e na escola para filhos de brasileiros, não era grande coisa, mas era melhor que nada... só que o dinheiro ia embora... aluguel por semana: 85 pounds.

Moravam na casa um rapaz num quarto grande, um casal no outro quarto grande e os donos da casa, na parte debaixo da casa, num quarto grande também. Aqui é assim: sua casa é um quarto, sua vida é ali, cozinha, banheiro é tudo dividido.
Todos eram brasileiros, o rapaz sozinho de Sampa, o casal que alugava de Goiás (ihhh) e os donos de Minas.

Todo mundo me cumprimentou quando cheguei e disseram: se precisar de algo, pode bater aqui na minha porta... ahã... bate na porta e dá com ela na cara... não beeem na cara, mas quase...
Eu acho que se você não quer ajudar ninguém não se ofereça, NUNCA!
Porque fica extremamente chato depois eu ir perguntar se sabem de algo de emprego e falarem "ah, vou ver..." e nada... deixam pra lá e tal...

A goiana, ao se apresentar pra mim, errou o nome, achei estranho, mas não liguei, disse que a irmã morou  com ela e ela sempre acabava confundindo...
Depois comecei a entender, perguntei para ela sobre trabalho e ela disse que ia ver com o marido, no emprego dele. Depois perguntei pra ele e ele disse que ia ver e perguntei do trabalho da mulher - tipo, por que não podem me indicar no dela???? (fui ingênua) e ele disse que ela trabalhava num pub, mas que ia ver no trabalho dele...
Certo, a menina mal falava inglês, com português "tiririco" e trabalhava de garçonete? então eu poderia!
Daí comecei a perceber que ela trabalhava pouco pra alguém que trabalha em pub e sexta à noite, chegava em casa, dei de cara com ela na cozinha, às 9 da noite... que pub é esse?
Até o dia que ela escondeu de mim que ia sair super maquiada (eu a encontrava sempre na cozinha, estava numa fase cozinheira, querendo reverter a situação fast-food instalada desde a casa de Soudemorte), bem, não precisaria esconder de mim, quer sair maquiadéssima, sai! Mas ela escondeu com a touca de frio do casaco... não queria de jeito nenhum que eu visse e aí reparei que ela usava umas sapatilhas e saía com uma maletinha... daí comecei a entender... ou não... ou pensar errado, sei lá... mas estava muuuuito frio, tipo zero grau para usar uma sapatilha à noite...
E ela ia sempre pra academia, ela e o marido, só que em academias diferentes porque ela me disse que na do marido era mais de homens puxando ferro e preferia a outra com mais mulheres.
Ela me encontrava na cozinha e falava, falava, falava... escutava sempre, sempre, ela no celular no quarto dela (ela falava sem parar e super alto, acho que é mal de goiana, já percebi... falar alto e muito).
Ela é aquele tipo de pessoa que se vê frequentemente aqui (dos brasileiros) está aqui ilegalmente, gasta rios de dinheiro com roupas de marca para mandar pros parentes no Brasil só pra mostrar para cidadezinha do fim do mundo que está ganhando horrores (mas não diz que se mata aqui pra isso, sempre quer estar por cima, mostrar que é o rei/rainha de Londres, Elizabeth que se cuide com esses brasileiros ilegais! só para todo mundo os invejarem lá em tiririca da serra)...

Então, é aquela história, a pessoa está aqui e, ao invés da pessoa abrir a cabeça, expandir os horizontes, não conhece nada (porque nem passa na imigração), não aprende o inglês e não entende a cultura deles nem um tiquinho! Vive como se estivesse no Brasil e vendo a Record rs (que é só ter parabólica pra ver)...

Voltando, aí comecei a perceber que ela sempre, mesmo quando não estava tão frio, chegava ou saía com o capuz na cabeça... daí comecei a ligar o fato dela errar o próprio nome, a maquiagem e a maletinha... gastar dinheiro com academia em Londres? mas você não tá juntando pra comprar casa no Brasil?
Tudo ficou meio estranho... fora o fato de eu ter ido perguntar pra ela sobre uma mulher que ela conhecia que fazia barras nas calças (que ficou igual a cara dela, um c*) e ela estava com uma amiga que ia fazer depilação nela e ela ficou conversando comigo e tirando a roupa na boa... eu é que fiquei com vergonha rs

O marido dela era uma figura também estranha... um dia, acordei hipercedo porque ia trabalhar numa faxina, uma mulher que fazia com ajudantes ia me pagar para fazer no domingo. Acordei tipo 5 da manhã naquele dia, estava tomando café na cozinha e ele chega da rua com um outro cara com vários peixes e começam a cortar na pia - estavam limpos já.
Daí o cara fala pra ele:
"Pô cara! De graça! Vamos faturar!"
E o marido da dama diz: "Não fala isso, não, cara!" e faz um gesto para o amigo lembrar que eu estava ali.

Estranhei... e estranhei mais num outro domingo que eu ia sair e uns caras o chamam na porta (caras que não falavam português e muito dos mal encarados, cara de bandido mesmo, maloqueiro, como se diz em Sampa, meu!) e ele foi lá conversar com os caras, que pareciam querer entrar de qualquer jeito na casa e ele pedindo pra os caras se acalmarem... assustei... mas não era da minha conta, desde que não invadissem a casa e levassem o Ewan (meu laptop).

Ele trabalhava num restaurante durante o dia e durante à noite também, fazendo entregas de comida chinesa, ele tinha uma moto, como muitos "brazucas", era motoboy...

Outra coisa muito estranha era o fato de ela sempre falar do sobrinho (com nome do rei da Távola Redonda) e sempre mandar coisas pra ele, até aí, tia mimando, mas uma tatuagem no braço com o nome do menino? Só mãe pra fazer essa breguice, que eu saiba...

Via as coisas, mas nada disso me importava se isso não fosse mexer com a minha vida... ainda bem que não mexeu... e fico até feliz de ela não ter arrumado um emprego onde ela trabalhava... acho que eu não iria, não iria com certeza se fosse realmente o que estava pensando...

12 janeiro 2011

Os animais de estimação de Soudemorte

Voltando à saga de Menina Potter...

Todo mundo que já leu Harry Potter, conhece Nagini, a cobra de estimação de Voldemort. Soudemorte também tem uma cobra de estimação, NaLgini... é que é próximo ao nome da figura que vou descrever aqui... além de um rato.
E, ele não é um animal de estimação, mas é como se fosse pro verdadeiro Vold, é o cara que ficou mais rato que gente, o Peter Pettigrew que também aparece na  casa às vezes, ou, seu nome verdadeiro é o sobrenome do Bruce Lee, ficou fácil? Então: Leetle Stewart. Ele aparecia na casa de vez enquando, Soudemorte o adorava, porque ele era inglês, Leetle morou no meu quarto também, Collorida me disse que o mandou embora porque ele fumava maconha no quarto... mas todos o tratavam como se ele fosse o Charles ou o William, assim que é bom ser animal de estimação!
A primeira vez que o vi, o achei mesmo com cara de rato. Nesse mesmo dia, NaLgini foi até a casa e também foi quando a conheci.
 A família feliz jantou com seus pets, digo, amigos e eu fiquei no meu quarto e não tinha interesse em saber de nada, não ia ser convidada pra comer mesmo e toda vez que se é convidada, pelo menos lá, é como se fosse um favor que eu deveria depois.
Nalgini me viu e ficou toda amiguinha pro meu lado, veio na casa de novo uns dias depois, quando saiu com Collorida e outra amiga. E Collorida falava pra mim “só trabalho com uma condenada! Preciso me divertir um pouco com minhas amigas, fico aqui só sustentando e aturando esse homem”... que foi junto com elas pra balada brasileira e no outro dia, eu já contei esse caso, Soudemorte não queria pagar a  parte dele nos gastos da balada...
No outro dia, um domingo, estava lá NaLgini e seus Super Gêmeos (desativar)  e a outra amiga lá no caso da divisão da conta. Sai, e na hora que ia sair, NaLgini veio me perguntar “ah, vai sair com os amigos?” e eu, sem pensar muito e falando o que realmente sentia: “Não, vou sair sozinha, não tenho amigos aqui”. Não tinha mesmo... NaLgini me deu um abraço forte, como querendo me consolar e ser super legal, me deu um abraço do tipo da cobra que perseguia o Mogli e saí.
No outro dia, Soudemorte veio falar comigo que NaLgini alugava quartos na casa dela e que eu poderia conversar com ela, Collorida havia pensado nisso. Ele me passou o telefone e falei  com a cobra, digo, mulher. Ela foi toda simpática e me disse que iria no outro dia na casa de Collorida passar umas roupas para ajudá-la e que depois eu poderia ir com ela até sua casa pra conhecer e ver o que eu achava. Aceitei. Tudo para sair da mansão do Mal...
Como combinado, ela esteve lá no outro dia e deixou um bilhete na  cozinha para Collorida, não dei a mínima, eram amigas e fui até o covil, digo, casa, de dona NaLgini.
Encontrei os super gêmeos, Willikit e Willikat (eu sei, é outro desenho, tá bom). A menina bem esperta e inteligente, o menino, um debilóide que não saía de frente da tv e só falava como se estivesse chorando, tinham 12 anos e não 2. No caminho, NaLgini me disse que o filho era cheio de modas e também falou muito mal de Collorida, o que estranhei e preferi ignorar para não me meter em história nenhuma...
O quarto era muito bom, mesmo preço do outro e com cama de casal, só que eu estava quase em Heathrow, acho que lá era zona 5, ainda mais longe do centro... e ela ainda me ofereceu a comida da casa, eu não precisaria comprar nada, ela dizia que adorava cozinhar e que poderia pegar o que fosse na geladeira... e comer o que quisesse. Parecia sonho.
Enquanto conversávamos, uma batida na porta, parecia carta jogada pelo buraquinho da porta, como o correio faz aqui. E ela foi ver e era de Collorida...
Bem, mais no próximo capítulo senão vocês não leem rs (suspense rs)