Depois de 10 meses em Londres a ficha realmente cai. Quer dizer, agora você já sabe tudo que fez errado e como deveria ter feito se fosse hoje que estaria planejando sua viagem.
Vou fazer uma listagem:
1 - Nunca, NUNCA, aceite morar na zona 4 ou mesmo zona 3: você só gastará muito dinheiro com transporte, o mais viável é o metrô, que é caro. Prefira morar na zona 1 e 2 e use ônibus. Se você carregar seu bilhete único daqui (top up your Oyster or Traveller Card), para uma semana de ônibus, você pagará bem menos que de metrô e poderá andar quantas vezes quiser de ônibus num dia por todas as zonas da cidade - se tiver paciência pra isso rs;
2 - NUNCA aceite morar numa casa em que a pessoa fala pra você: tem um probleminha, depois te conto. NUNCA deixe esse "probleminha" para saber quando chegar em Londres, você poderá estar morando na Mansão do Terror e nem sabe...
3 - Se sua meta é estudar e não pagou curso no Brasil, tenha isso como a primeira coisa a resolver aqui. Estou há 10 meses e só fiz aulas particulares, são boas, mas não dão certificado de que você estudou em Londres. E se você deixar isso pra depois, como duas pessoas me disseram (e é a pura verdade): Londres te engole! Não seja engolido por Londres como eu, vá procurar um curso no centro, na Oxford Street existe pra todos os gostos e preços e os "General English" costumam começar toda a semana. Diferente de quando eu morava em Richmond (zona 4) que tinha datas fechadas como outubro e janeiro... e isso fez com que eu pensasse que era assim na cidade toda;
observação: Richmond é um lugar maravilhoso de se morar e você tem muito mais contato com ingleses - o bom das zonas mais distantes é isso, são bons locais pra se praticar inglês com nativos - , mas é distante dos trabalho e escolas...
4 - Procure alugar uma casa para morar que não seja com brasileiros ou portugueses, senão você, como eu, não falará inglês e passará por muitas situações de raiva - não que não passe com outras nações, mas eles são muito mais na deles e não se metem na sua vida, além de cuidar melhor da casa;
5 - Dê preferência por casa de ingleses natos que alugam, eles cuidam muito da casa e qualquer problema estão atentos a fazer o melhor possível - como acontece onde mora uma moça que conheço;
6 - Se seu landlord (senhorio) não der conta daquilo que você reclamou, espere alguns dias, nada resolvido, vá procurar outro lugar: ele não vai resolver, vai empurrar com a barriga enquanto puder, pode ser por anos;
7 - Vá procurar emprego depois de já estar estudando e procure um horário que não atrapalhará seus estudos;
8 - Procure fazer amizades com falantes de qualquer outro idioma menos o português, isso será bom pra treinar o inglês, mesmo que os outros, nem você, falem corretamente, é um treino;
9 - Não pense que será fácil fazer amizades, até com brasileiros será difícil: cada um se fecha no seu mundo e só pensa em ganhar dinheiro. O que você mais vai ouvir será: estou busy. As pessoas, definitivamente, não têm tempo para serem sociáveis e legais nem com elas mesmas. A ganância do dinheiro e, talvez, por terem passado perrengues aqui, faz com que as pessoas não ajudem ninguém. Ninguém ajuda ninguém em Londres, isso é fato. Nunca conte com a ajuda e boa vontade das pessoas, isso não existe aqui. Claro, isso é 1% do que pode acontecer... mas tenha sempre um plano b porque é ele que você vai usar na grande maioria das vezes;
Conselhos de coisas que não vivi, mas já vi gente passando sufocos:
10 - Venha com dinheiro, não seja louco de chegar aqui com pouco achando que vai arrumar emprego rápido - o país está em recessão e até pra ser cleaner a coisa está complicada;
11 - Se você tiver como tirar uma cidadania de algum país da comunidade européia, tire antes de vir, você passará pela imigração sem dor; caso não tenha como: venha com visto de estudante ou de trabalho. Não tente ser mais um "indocumentado" aqui (como os ilegais se 'qualificam'), a vida é difícil para quem tem visto ou cidadania, imagine chegar aqui e ficar escondido ou arrumar um emprego de escravo, os empregos já são de trabalhos forçados... sem documento então... espere pela pior exploração possível.
****
Queria fazer uma observação aqui nessa postagem porque magoei pessoas queridas: Patrícia e sua mãe, a Rita. Elas fazem parte do um por cento de brasileiros que são dignos, honestos e amigos em Londres. Outra coisa: as aulas particulares de inglês da Patrícia são muito melhores que qualquer curso da Oxford st. Se você quer aprender inglês, com ela você aprende, nas escolas da Oxford e etc só repete o que viu no Brasil ou nem isso... só quero frizar que: você quer um papel dizendo "estudei em Londres" pra provar no Brasil, aí você faz qualquer escola mesmo...
Espero ter acabado com esse mal entendido terrível!
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11 junho 2011
16 janeiro 2011
NaLgini
Agora vem a parte mais assustadora...
Como disse no post anterior, a carta era de Collorida, era resposta à carta que NaLgini havia deixado para ela e Nalgini me dizia “por que ela não entrou pra falar comigo e aproveitava e levava você pra casa!?” Pensei nisso também, mas não quis entrar no jogo da outra... continuei na minha...
E aí ela continuava a falar mal de Collorida e sempre dizia, era seu bordão: se fosse eu não faria isso, mas cada um é cada um! Temos que aceitar! Como se ela fosse a boa samaritana.
Aí me pediu pra entregar a nova resposta para Collorida, eu não quis, disse que era melhor ela entregar e ela resolveu que ia me levar em casa, quando o marido chegasse e me leveria de carro com ele e deixaria a carta lá. Eu estava vendo que a coisa estava feia... era algo pesado pelo jeito e estava com medo que sobrasse pra mim (e sobrou...).
No caminho, fiquei achando NaLgini meio estranha, começou a cantar alto uma música no carro, foi uma coisa muito estranha... o marido não abria a boca, não dava a mínima e Collorida me disse que ele a traía... mas não sei se é verdade. NaLgini chegou a me dizer “como todo casal temos problemas, mas isso não tem problema para você morar aqui”, me disse isso quando o marido chegou e se cumprimentaram com um aperto de mão... como ele é marroquino, encantador de serpentes, achei que talvez fosse da cultura dele.
NaLgini e o marido me levaram até a mansão do Mal, fechei a porta, Collorida estava em casa e conversava com Soudemorte. Ela desceu as escadas e viu a nova carta resposta da super amiga NaLgini e começou a gritar e falar palavrões. Eu me preparava para ir tomar banho quando Collorida bate na minha parte, socava na verdade e me chamava de FDP. Abri espantada e ela falava:
Sua fdp já está mancumunada com aquela lá? Eu te pus dentro da minha casa, confiei e é isso que eu ganho, sua fdp!!! Você também quer pôr no meu rabo? Como dizem os ingleses “pôr merda no meu c*?
Eu a olhava assustadíssima, sabia que só podia ser a nova carta de NaLgini, mas o que eu ia fazer? Eu não estava do lado de ninguém e não quis me meter em nada... Olhava assustada pra Collorida, que estava com tudo roxo e fiquei sem ação. Nunca, NUNCA, havia sido tratada daquela forma na vida... foi horrível! E ela perguntava se eu tinha deixado a carta lá porque eu não tinha entregado pra ela, que ela me considerava (sei...) e eu só dizia que não sabia de nada! E ela perguntava se eu não sabia e eu neguei até o fim. O que foi o melhor que fiz, não sabia do que se tratava... e nem tinha nada com isso.
Collorida foi conversar com o filho na cozinha, gritava como uma louca e eu fui lá. Fui lá falar que não tinha nada com aquilo que nem sabia do que se tratava e que se era pra arrumar confusão eu não iria me mudar pra casa de NaLgini, que ia procurar outro canto pra mim. E ela falou que deixou a carta lá pra outra e que agora a carta estava lá de volta. E eu falei que sim, que a NaLgini viu a carta, mas que eu não sabia o que ela havia feito.
Collorida se acalmou, o filho e Ad a acalmaram – ela ligou pra Ad – e aí ela veio me dizer que ELA que não queria que eu fosse pra casa de NaLgini agora ela que iria me ajudar a achar um lugar pra morar (estou esperando até hoje), Ad conversou bastante com nós duas por viva-voz e Collorida me pediu desculpas, mas o cristal quebrou... aquilo foi barra pesada demais pra mim e eu só pensava em cada vez mais sair daquele hospício.
Alguns dias depois, Ad foi até a casa do espanto e Collorida contou do que se tratava a carta.
Disse que NaLgini era doida, que cismou que Collorida disse que ela bebeu águas demais no jantar que foram e estava pagando ali por essa água, pois achava que Collorida, quando falou das águas, se falou, sei lá, estava cobrando NaLgini e aí que começou o leva e traz dessa carta que cada uma respondia embaixo com seu português mais lindo que o outro, tão lindo quanto o inglês delas de quem vive aqui há 20 anos e nunca fez esforço pra falar bem. Collorida pediu a LMBros levasse o tal envelope para doar pra Charity, poderiam ter doado pra mim, fosse quanto fosse, se queriam fazer caridade, eu estava precisando...
Daí as duas começaram a contar sobre a vida de NaLgini, que ela já havia tentado se matar, que fez uma macumba forte para Collorida (do jeito que Collorida contou, parecia digna de coisa de magia negra... só Soudemorte poderia saber... ) no começo, me arrepiei, acreditei... depois, como sabia que Collorida falava mais que a boca e mais do que a verdade (sim, NaLgini pôs a semente da dúvida em mim) achei tudo absurdo ou forte demais... poderia ser, mas eu só acredito vendo o tal travesseiro com sangue etc... achei muito fantasioso e outra: eu acredito que essas coisas só “pegam” se você acredita nelas e aí Collorida disse que só queria ajudar NaLgini quando estava me mandando pra casa dela, mas que NaLgini já tinha aprontado várias...
Ainda, Collorida me disse que uma irmã dela lhe aconselhou a rezar sempre e Collorida ainda teve a cara de pau de me dizer: Eu revava sempre, quando parei, NaLgini voltou a me procurar...
Minha vontade era dizer pra ela: mulher de pouca fé, por que paraste de rezar? Sua imbecil!
Se a magia negra é verdade ou não, se ela rezou pra outra sumir ou não, não sei, sei que não se trata mal as pessoas sabendo que a outra que aprontou tudo é uma louca...
Fiquei muito mais indignada de saber que Collorida ia me mandar pra casa de uma louca desequilibrada - que já havia sido internada para tratamento psiquiátrico – e ainda me ofende, me julga e nunca, NUNCA, tentou saber se eu era uma pessoa boa ou não... nunca fez o mínimo esforço e preferiu me acusar e xingar.
Dias depois, Collorida falou que eu poderia ficar na casa dela quanto quisesse, que Soudemorte estava de acordo, mas que eu teria que pagar mais. Pensei, falou... pagar mais para morar com Soudemorte e BocaSujaCollorida, sem internet, sem uma tv pra mim... Vão esperando...
A partir daí, era ponto de honra pra mim achar uma casa o mais rápido possível e sair daquela zona e, de preferência, nunca mais olhar pra cara daqueles seres.
Achei uma casa nos anúncios da Leros, fui ver e tentei mudar o mais rápido possível, só que a menina do quarto iria ficar mais uma semana... quando mais precisei de pessoas para me ajudar, a pelo menos dormir num sofá de sala uma semana e não ficar mais na casa de Soudemorte, não tive ninguém.
Ad falou de um quarto que estava pra ser alugado perto da casa dela, desce-se na estação de Wimbledon e ainda pegar o tram, mais 5 estações (tram= um bonde moderno, bem legal e rápido). O cara queria 120 num quarto só porque ele tinha banheiro com chuveiro nele - um espanto para quem mora em Londres, praticamente um milagre ter um banheiro seu -, mas 120 LIBRAS POR SEMANA? na pqp de Londres? Porque Wimbledon é chique pra quem pode viver bem (com carro e bom emprego), mas 5 estações de tram, não é mais Wimbledon, é o fim do mundo!!
Vi um lugar que gostei na Leros em West Kensington, quase centro de Londres, quarto com cama de casal por 130 (compare, um quarto em Kensington quase zona 1 londrina e o fim do mundo perto de Wimbledon zona 4 ou 5 já...), mas a própria dona, uma brasileira, me abriu os olhos: gostei de você, alugaria para você, mas pense bem, você ainda não tem emprego, será muito difícil você pagar esse valor por semana, não acha que vai gastar um dinheiro que poderia economizar até se estabilizar e, quem sabe, um dia morar aqui?
Foi uma das poucas pessoas conselheiras que tinha encontrado até esse momento.
Foi uma das poucas pessoas conselheiras que tinha encontrado até esse momento.
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| Na ponta temos Wimbledon e mais acima West Kensington |
O dono da casa onde ia morar me ofereceu um quarto provisório por uma semana em Lewisham e pra lá fui e fiquei uma semana num quarto que
servia de cozinha para os quitutes que a mulher dele vende. De dia cozinha, de noite, meu quarto, quando eu colocava o colchão no chão. Tudo era melhor do que morar na casa do Horrores e preferi ficar assim nessa uma semana com tv com sky, frigobar e internet.
servia de cozinha para os quitutes que a mulher dele vende. De dia cozinha, de noite, meu quarto, quando eu colocava o colchão no chão. Tudo era melhor do que morar na casa do Horrores e preferi ficar assim nessa uma semana com tv com sky, frigobar e internet.
No sábado quando ia mudar, o meu novo Landlord e eu nos desencontramos nas informações e hoários e ele me pediu pra perguntar a Soudemorte se eu poderia ficar até domingo de manhã, que seria melhor pra ele fazer a minha mudança, o novo Landlord também fazia a mudança.
Muito a contragosto fui falar com Soudemorte que me disse “não tem como ele vir, vai de táxi, chama outra pessoa pra fazer sua mudança, sinto muito”
E contei ao GG (o novo Landlord, depois entenderão o nome) que ficou indignado, porque se eu entrei na casa num domingo a tarde, eu teria até segunda de manhã para sair, esse é o trato que todos fazem e eu “não ele”.
GG deu jeito e foi me buscar, assim que ele chegou pra mudança, Soudemorte saiu de carro, ele só esperava a hora que eu ia embora pra sair. Detalhe, eu já tinha devolvido a chave pra ele e todas as minhas coisas estavam do lado de fora da casa.
Durante a semana em Lewisham me senti mais leve, mesmo no dia da mudança tendo chorado muito – ver o post sobre os três meses aqui . Mas Collorida me ligou na sexta por conta de uma ligação que fiz que dava quase 20 libras. Eu estava usando um cartão de ligação à distância sacana que me cobrava rios de dinheiro e eu nem sabia e infelizmente nesse dia não tinha créditos no meu celular, esqueci de pôr e fui obrigada a pedir para Soudemorte se eu poderia usar o telefone...
Fui lá pagar a dívida, quando cheguei, acho que ela não achava que eu fosse pagar, ela me tratou com beijos e abraços e LMBros também... nunca tinham sido tão simpáticos comigo... Claro, eu ia pagar,né? Eu fui lá mostrar que não sou da laia deles.
Soudemorte disse pra mim, quando eu ia embora, “Nice to see you!” E eu não respondi absolutamente nada para ele, afinal, pra mim foi um desgosto revê-los. A última coisa que eu queria era revê-los tão cedo... e espero que tenha sido a última vez. Talvez ele tenha pensado que eu não entendi o inglês dele ou não sabia responder, mas eu sabia o que eu queria dizer era “Not for me” mesmo que isso esteja gramaticamente errado.
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12 janeiro 2011
Os animais de estimação de Soudemorte
Voltando à saga de Menina Potter...
Todo mundo que já leu Harry Potter, conhece Nagini, a cobra de estimação de Voldemort. Soudemorte também tem uma cobra de estimação, NaLgini... é que é próximo ao nome da figura que vou descrever aqui... além de um rato.
E, ele não é um animal de estimação, mas é como se fosse pro verdadeiro Vold, é o cara que ficou mais rato que gente, o Peter Pettigrew que também aparece na casa às vezes, ou, seu nome verdadeiro é o sobrenome do Bruce Lee, ficou fácil? Então: Leetle Stewart. Ele aparecia na casa de vez enquando, Soudemorte o adorava, porque ele era inglês, Leetle morou no meu quarto também, Collorida me disse que o mandou embora porque ele fumava maconha no quarto... mas todos o tratavam como se ele fosse o Charles ou o William, assim que é bom ser animal de estimação!
A primeira vez que o vi, o achei mesmo com cara de rato. Nesse mesmo dia, NaLgini foi até a casa e também foi quando a conheci.
A família feliz jantou com seus pets, digo, amigos e eu fiquei no meu quarto e não tinha interesse em saber de nada, não ia ser convidada pra comer mesmo e toda vez que se é convidada, pelo menos lá, é como se fosse um favor que eu deveria depois.
Nalgini me viu e ficou toda amiguinha pro meu lado, veio na casa de novo uns dias depois, quando saiu com Collorida e outra amiga. E Collorida falava pra mim “só trabalho com uma condenada! Preciso me divertir um pouco com minhas amigas, fico aqui só sustentando e aturando esse homem”... que foi junto com elas pra balada brasileira e no outro dia, eu já contei esse caso, Soudemorte não queria pagar a parte dele nos gastos da balada...
No outro dia, um domingo, estava lá NaLgini e seus Super Gêmeos (desativar) e a outra amiga lá no caso da divisão da conta. Sai, e na hora que ia sair, NaLgini veio me perguntar “ah, vai sair com os amigos?” e eu, sem pensar muito e falando o que realmente sentia: “Não, vou sair sozinha, não tenho amigos aqui”. Não tinha mesmo... NaLgini me deu um abraço forte, como querendo me consolar e ser super legal, me deu um abraço do tipo da cobra que perseguia o Mogli e saí.
No outro dia, Soudemorte veio falar comigo que NaLgini alugava quartos na casa dela e que eu poderia conversar com ela, Collorida havia pensado nisso. Ele me passou o telefone e falei com a cobra, digo, mulher. Ela foi toda simpática e me disse que iria no outro dia na casa de Collorida passar umas roupas para ajudá-la e que depois eu poderia ir com ela até sua casa pra conhecer e ver o que eu achava. Aceitei. Tudo para sair da mansão do Mal...
Como combinado, ela esteve lá no outro dia e deixou um bilhete na cozinha para Collorida, não dei a mínima, eram amigas e fui até o covil, digo, casa, de dona NaLgini.
Encontrei os super gêmeos, Willikit e Willikat (eu sei, é outro desenho, tá bom). A menina bem esperta e inteligente, o menino, um debilóide que não saía de frente da tv e só falava como se estivesse chorando, tinham 12 anos e não 2. No caminho, NaLgini me disse que o filho era cheio de modas e também falou muito mal de Collorida, o que estranhei e preferi ignorar para não me meter em história nenhuma...
O quarto era muito bom, mesmo preço do outro e com cama de casal, só que eu estava quase em Heathrow, acho que lá era zona 5, ainda mais longe do centro... e ela ainda me ofereceu a comida da casa, eu não precisaria comprar nada, ela dizia que adorava cozinhar e que poderia pegar o que fosse na geladeira... e comer o que quisesse. Parecia sonho.
Enquanto conversávamos, uma batida na porta, parecia carta jogada pelo buraquinho da porta, como o correio faz aqui. E ela foi ver e era de Collorida...
Bem, mais no próximo capítulo senão vocês não leem rs (suspense rs)
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15 dezembro 2010
A vida de imigrante desempregada
Resolvi sair para procurar emprego depois que arrumei meu currículo, andei por todo o comércio principal de Richomnd distribuindo meu c.v.
Em alguns lugares aceitavam numa boa, em outros já diziam “sem falar bem inglês não aceitamos” e fazia cara fechada, aceitei tudo isso pacientemente e com uma cara de tudo bem, obrigada mesmo assim... eu estou dizendo, serei canonizada. Mostrava um sorriso simpática, sim. Sempre pensava, bem, ele/a não sabem o que eu passo... espero que nunca saibam...
Tinha que sair todo dia da casa do mal então, todo dia inventava onde ir pra levar curriculo, ver emprego, andar pela cidade...
Fui chamada para uma entrevista num Starbucks, aqui tem um em cada esquina, acho que tem mais Starbucks do que McDonalds aqui. E estava marcado para as 11:30, cheguei 11:25 e a menina me disse, a fulana já vem, ela estava te esperando e você está atrasada e eu: mas não são 11:30 e a menina: é, mas pra fulana, é atraso. Imaginei que se trata-se de uma inglesa do exército, e depois de esperar a fulana foi entrevistar outra mulher, porque eu me atrasei, e vi a figura de sotaque e cara latinos que tinha um inglês ruim. Entrevistou-me, como ela tinha um sotaque fácil de entender, latino, não foi difícil falar com ela. Mas nunca me chamaram, acho que é porque eu cheguei 5 minutos antes do horário...
Fui ver um emprego de garçonete num café pequeno, vi o anúncio numa loja – existem lojas que colocam todos os anúncios que você quiser no vidro dela e aí para todo mundo pra ver e anotar. Liguei para a mulher e fui lá, a dona uma polonesa, Ana, (a colônia polonesa é enorme aqui), disse que precisaria de alguém com experiência, mas iria ver como eu me sairia...
Aviso: garçonete é barra, fazer café de milhões de jeitos, chá de outros, pão do jeito queo freguês quer, levar pedidos, anotar pedidos, receber o dinheiro, limpar mesas... trabalhão... fiquei horas sem me sentar ali... me esforçando o máximo, mas a dona e a outra menina que trabalhava com ela, a Mirka (nasceu na Eslováquia e foi criada na República Tcheca e eu já brilhei meus olhinhos pensando em Praga e ela me disse que Praga era umas das cidades preferidas dela...) me empurravam, no bom sentido, tentando fazer com que eu fosse mais ágil em pouco tempo, mas isso não dá para alguém que só ajudou a servir pinga e torresmo no bar do meu pai quando criança e nunca mais trabalhou com isso. E outra coisa, eu tinha muito medo de atender as pessoas, por não entender bem e não ser entendida... esse foi um medo que está passando agora... mas que é muito, muito difícil tirar, pelo menos pra mim que sou perfeccionista e tímida.
Elas falavam com o sotaque delas e eu entendia bem, Mirka tinha um inglês muito bom, 5 anos de Londres, namorado sul-africano descendente de portugueses. Mas teve uma coisa engraçada: o cara pediu 3 torrões de açúcar e elas, no sotaque delas, diziam “free sugar” pra mim, o cara não queria açúcar e elas falando “free!!!” rssrs era Three o que elas falavam, ainda disseram para mim: one, two, free rs daí entendi que para elas não era livre e sim três rs
Foram bacanas comigo, mas Ana procurava alguém com experiência e me dispensou, mas pagou pelas horas que passei lá. Daí conheci uma amiga dela, brasileira, que me ofereceu para ser babá dos filhos, só que ela iria me pagar 20 libras por semana (claro que teria casa e comida), mas era muito pouco e ela nem tinha falado com o marido (iraniano) , que depois soube que não ia querer de jeito nenhum.
Sai de lá achando que não sirvo pra garçonete e balconista... Ainda tentei outro Starbucks que me chamou, em Richmond tem um de cada lado da rua... E eu percebi que a menina me entrevistava sem nenhum pouco de paciência... sem vontade... até que ela parou de anotar no formulário padrão, igual da outra, e me disse que precisava de gente com experiência.
A primeira pergunta de todos é se estou legal pra trabalhar aqui, ou qual é meu passaporte, quando sabem, se tranquilizam, mas não tinha o insurance number.
Achei um site de uma rede de casas noturnas dos principais shows e entrei numa de “assista os shows de graça distribuindo flyers na porta do show”, nunca fui fazer isso... ainda queria que eu pagasse 10 libras pra entrar no clubinho... que clubinho? Ingresso só se sobrasse... imagina se sobra pro show que você quer... mas consegui um contato para distribuir flyers e receber por isso.
E lá fui eu distribuir flyers numa feira de faculdade. Consegui distribuir bastante. Fiz o seguinte: para os rapazes eu dava me sorriso irresistível (ohohoh) e eles pegavam o papel. Para as meninas eu fui com a unha pintada com o Show da Risqué. Elas pegavam o papel para olhar melhor a cor da unha rs Foi divertido, pensei que ia conseguir mais, mas infelizmente não rolou... Depois de 10 libras no café da Ana, ganhei 30 libras em 3 horas dando papelziho de propaganda de um pub. Meus primeiros trocados em Londres.
Cadastrei-me em sites famosos daqui de emprego e outro que é famoso pra tudo, ando recebendo proposta golpista, mas isso eu já estou acostumada desde o Brasil e não caio nelas...
Muita gente quer um escravo, tipo quando você procura vaga pra baby sitter, todas querem que seja full-time, ninguém admite que você estude, você dorme, come na casa e tem que cuidar das crianças, da casa e em algumas do cachorro e do gato também, ganhar uma miséria por semana e mal ter folga. Pode até ser um dinheiro bom, mas um dinheiro que você não tem onde gastar – principalmente onde eu quero: estudando. Você se limita.
Fui em outra entrevista no Starbucks, e a menina parecia muito sem paciência comigo, aí me disse que queria alguém com experiência, não ia poder treinar ninguém naquele momento porque era uma época que ia aumentar o movimento, até janeiro... Ela deveria ter me perguntado, com o sotaque horrível dela quando me ligou se eu tinha experiência ou não, e não ficar preenchendo o formulário cheio de perguntas do Starbucks com má vontade...
Ando fazendo faxinas, me mandaram o telefone de uma brasileira que precisava de ajuda e ando a ajudando, e ela me ajudando... Hoje aplaudo todas as faxineiras, diaristas: que trabalho punk! Acaba com a coluna, com as mãos e tudo mais... cansativo até. E olha que faxina é coisa muito maluca aqui, cheguei a ajudar a limpar 5 casas num dia, das 8 da manhã às 4 da tarde. As faxinas aqui dão uma postagem única... é muita coisa pra comentar.
Consegui um trabalho de professora assistente, aos sábados, numa ong para filhos de brasileiros aprederem o português, é pouco pra mim, mas vale a experiência. Também tenho aulas particulares de português que são outra grande experiência principalmente tem me feito aprender o inglês e ver que havia aprendido muita palavra errada, em inglês, no Brasil.
Depois fiquei muito p da vida semana passada onde foi fazer um teste, numa escola particular católica, para ser assistente no horário do intervalo, ajudar as meninas pequenas com o lanche, ficar vendo o que acontece no intervalo... e apareceu a dona Cucaracha pra me encher...
Dona Cucaracha deve ser mesmo cucaracha ou desses lados rs Sotaque forte espânico, sobrenome Félix e eu nunca fui feliz perto dela...
A Cucaracha trabalha no lugar há 3 anos, segundo me disse, e se acha a chefe das demais mulheres que auxiliam as crianças. Todo mundo trabalha com a mesma coisa, o mesmo tempo – apenas o intervalo e mais nada, mas ela se acha melhor, mandona. E como eu disse no post abaixo, veio dizer que eu preciso ser expansiva (falou do jeito dela, num inglês mal, no qual eu acho que não se refere a pessoas como expansivas, só no espanhol mal falado dela do fim do mundo). Fique realmente revoltada porque ou a mulher tinha alguém indicada para o cargo e que faria teste num outro dia da semana ou ela temeu que eu, como professora formada, viesse a crescer lá, diferente dela. Seja qual for a razão, a Cucaracha ainda caminha, infelizmente ninguém jogou um detefon... e se ela for igual a barata do Níquel Nausea, vai adorar detefon rs
Ela mal viu meu trabalho, não gostou que fui legal com as meninas, é uma escola só de meninas até 12 ou 11 anos. Tirou-me de perto de uma menininha porque disse que a menina era “big trouble”, mas eu só via uma menininha, de uns 6 anos, carente... bem, eu já trabalhei com alunos, não sou burra... não sou idiota, só acho que elas tratam de forma sem paciência as crianças e eu procurei ser atensiosa com elas. Eu acho que meu estudo todos esses anos não foram à toa... acho que sei bem o que faço e como devo tratar crianças. E crianças não se tratam como o ditador da terra da Cucaracha trata/va seu povo, se é assim que ela gosta, ficasse lá... ela deveria se tocar... mas já tá meio velha pra isso...agora já era...
As tiazonas até tocavam um sininho pras meninas falarem mais baixo, achavam ruim! Fiquei pensando: vão no Brasil ver intervalo do fundamental dois com umas 800 crianças ao mesmo tempo... aí elas saberão o que é barulho e algazarra. Não uma refeitório com no máximo 60 meninas.
Em janeiro começo a fazer cleaner numa casa para uma italiana que tem um casal de gêmeos, vou poder treinar as duas línguas, acho que será legal. Irei buscar as crianças na escola e ficar com elas só uma vez por semana enquanto a mãe não chega do curso que faz.
Também me inscrevi numa agência para fazer limpeza em escritórios – trabalharei de manhãzinha limpando ou repondo material e à noitinha limpando tudo. Vamos ver se me chamam.
E essa é a minha luta no momento... algumas boas pessoas me ajudando e passando informações (como a escola da cucaracha foi uma indicação, a italiana e a agência de limpeza também) para mim e ando muito preocupada em não ficar sem dinheiro...
Vou mudar mais uma vez nesse domingo, tenho que economizar dinheiro e dividirei um quarto com outras duas brasileiras, pelo menos me indicaram trabalho, são pessoas boas e que se preocupam com o outro diferente da maior parte dos brasileiros aqui ou qualquer outra nacionalidade. Novas histórias em breve e ainda há história da mansão do mal pra serem contadas rs
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17 outubro 2010
A primeira patada a gente nunca esquece...
Não lembro mais o que aconteceu no sábado daquela semana, lembro de ter visto o tão falado (aqui) X Factor, a versão deles de ídolos etc. Nada demais, um jurado bonzinho, o outro rígido e uma jurada média (ah, gostei tanto de você, mas não...), o próprio estereótipo do programa de calouros. Ainda mais que a mocinha do programa, Cheryl Cole, ex-mulher de um jogador da seleção de futebol que a traía, segundo soube, na maior cara de pau, ela é queridinha da Inglaterra, todas as revistas de fofoca estampam a vida triste da moça famosa, oh, como ela sofre, coitadinha!
Fui no youtube procurar um video dela, nossa, ela deve ser A cantora tsc tsc tsc... alguém que grava umas musiquinhas pop bem fraquinhas nem deveria dar não pra candidatos que cantam mais que ela... ela tenta imitar as americanas, com clipes sensuais – que dão sono –e muita produção, só!
Querem sofrer? Então tá: http://www.youtube.com/watch?v=4umc87T5UMs
Tanto falava no programa a dona da casa que assisti com ela, assim como outros programas que ela também falava tanto. Outra motivo de fofoca é a irmã da Kilie Minogue, não basta a embalsamada da Kilie também existe a plastificada da Danii, um nojo, tinham que ser irmãs rs
Bem, no domingo Ad e marido vieram até a casa de Collorida, também vieram outro casal de amigos de Collorida, V e não lembro o nome dele... só lembro que terminava com aeilson, sabe nome assim? rs pois é...
Antes disso, eu muito injuriada de não ter um pc pra mim, resolvi comprar um, LuigiMárioBrothers e W foram comigo comprar, como na segunda seria um Bank Holiday – o último feriado do ano – e as aulas iriam voltar, havia promoções de laptops. Fomos até New Malden, bairro não muito longe, famoso pela população enorme de coreanos e onde havia duas lojas muito boas vendendo pcs.
Finalmente achei que minha vida sem internet e distante do mundo iria acabar! Que felicidade sair com Ewan da loja – o note.
Voltamos, o papo corria na casa, Collorida resolveu levar eu e V, e os demais, pra conhecer o parque atrás da casa dela. Já tinha visto uma boa parte um dia que fizemos caminhada – que virou maratona pelo tamanho do parque de Richmond e nem andamos um quarto dele...
O vinho já estava na mesa, Collorida tinha comprado no dia que fomos às compras 3 garrafas de vinho e pediu pra que eu escondesse no meu quarto, pois se deixasse na despensa, Soudemorte tomaria tudo antes de domingo – chocada, guardei no meu quarto... Ad já tinha ido lá buscar e disse que tinha trazido de casa pra tomarem...
Sobre o parque de Richmond: era uma das tantas propriedades de Henrique VIII que foi aos poucos transformada em casas, as primeiras casas eram as antigas cochias dos cavalos... – com os séculos, o parque ainda existe e é a casa oficial da irmã da Betinha, que não me lembro o nome agora, acho que Ann...
Só que na rua de trás era a parte da Ham House, uma casa famosa e enorme da redondeza que deve ter sido de mais algum nobre da região e que funciona hoje como um espaço cultural.
Na volta do passeio, V me pergunta se estava trabalhando, disse que não, que estava procurando, que era complicado, tinha 15 dias ali também... V, muito simpática, vira pra mim e diz: “Ah, porque você não vai no Nando’s, todo mundo começa lá, ai, tá cheio de brasileiro!” Foi um comentário muito mais maldoso do que simpático, talvez você não tenham sentido aqui, mas eu senti quando ela falou, do tipo “ah, você tá mole, hein? Não tá procurando direito!”
Engraçado alguém que nem me conhece falar assim comigo – mas brasileiro aqui é (80%) é tudo assim: eu não vou te ajudar, mas você também não presta pra nada, né? Nem pra um empreguinho merda desses! Eu sou superior a você!
Claro que ela é superior! Fisioterapeuta que vai fazer massagens em casa e já encontrou o cliente “em ponto de bala” esperando por ela (Collorida me contou essa), é muito superior a mim... imagina que não... mesmo que o diploma dela aqui não seja reconhecido... Você ser uma mulata de 1,80, brasileira não vai mexer com a fantasia de ninguém... imagina... profissionalismo é tudo! Ainda mais agarrada ao marido perto de outras pessoas, na casa de Collorida, e falando pra ele, e nem se tocando – ou se tocando – que outras pessoas estão ali e fala pra ele “uau! Agora você acertou bem o lugar! Foi beeem lá” e continuam se beijando e se agarrando na entrada da sala.
Depois que as visitas foram embora, fui ligar para minha mãe, como faço todos os dias. Uso o telefone da casa, porque eu tenho um cartão daqueles que você paga 5 libras e tem 2 mil minutos, só preciso do telefone como instrumento pra ligação, não vou gastar da conta deles. A própria Collorida e Soudemorte me falaram do cartão e me ajudaram a comprar. Só que...
Estava eu ligando quando Soudemorte entra na cozinha, eu ligo na cozinha porque fica vazia e assim tenho privacidade, ou pelo menos um pouco. E ele vira pra mim e diz:
You must ask if you can use the phone, is NOT BELONG to you!
Acabou minha graça na hora… me senti mal, muito mal…. Nervosa por dentro, não conseguia mais falar no telefone e a ligação em andamento... como assim, o tel não me pertencia, eu sei! Mas ninguém usa nunca! Eles deixam o telefone tocar até cair na secretária eletrônica de medo que seja telemarketing, nunca atendem e praticamente só usam seus celulares... Se eu posso usar a geladeira, o microondas, eu posso usar o tel, ainda mais que não estou gastando da conta deles... Como assim??? Ainda pedi milhões de desculpas a ele, mesmo sem entender o por quê... ou o porquê...
Me senti péssima, finalmente o Lorde das Trevas mostrou seu poder de fogo...
Continuei péssima, dormi mal, fiquei muito muito muito mal... me senti um lixo... estava tentando entender porque as outras coisas eu poderia usar sem ficar pedindo toda hora e o telefone não... porque teria que pedir permissão para usá-lo... se não ia gastar nada deles!
Meu bruxismo veio com força total, tanto que um dos meus dentes começou a doer... mas isso eu conto depois... fiquei naquele rangido forte...
Segunda de manhã, ia lavar roupas, vi Soudemorte e estava apavorada, não queria nem olhar pra cara dele, tinha medo dele agora. Pus a roupa na máquina como ele me ensinou e fui tomar café enquanto a máquina trabalhava. Ele vai lá olhar a máquina e volta, e lá vai a outra patada:
(ele falou em inglês) porque você usou esse ciclo de lavagem? Não sabe que vai gastar mais tempo e que não é barata a energia? Vai gastar muito mais tempo e custar mais, so expensive!
E eu, morta de medo e me sentindo ainda mais confusa, mas consegui falar: fiz como você me ensinou... e aí ele ficou queito, ele tinha me ensinado a usar aquele ciclo e não outro... saiu da cozinha e foi ler o livro dele – a única coisa que faz o dia todo, ele é aposentado, já disse isso? Já deve ter lido uns 4 ou 5 livros nessas oito semanas que morei lá...
Ainda estava chocada com o dia anterior, e louca pra ir embora dali, sumir! Chorar e falar: o que eu vim fazer nesse lugar, me meter com gente desse tipo? Melhor ficar no Brasil...
Me arrumei pra sair, não ia conseguir ficar ali... não tinha pra onde ir e decidir fazer o que mais faço quando estou assim: pensar e pra pensar eu caminho... fiz novamente o caminho da Ham House e de toda aquela parte do parque. Na hora que ia saindo, Soudemorte me para na porta e diz pra eu não ficar chateada com ele porque estávamos vivendo na mesma casa e era melhor ficarmos bem. E eu, fingindo estar muito bem e nem saber do que ele falava disse: ok, H... Soudemorte, não há problema nenhum.
Claro que havia, e a partir dali, só pensava em uma coisa: ir embra da mansão daquele que não deveria ser nomeado...
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