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14 fevereiro 2016

A volta pro Brasil da Roommate

Em abril de 2011 a Roommate voltou pro Brasil, chegou no dia de Páscoa a Sampa, mas o sábado de Aleluia não foi nenhum pouco simples e aprendi uma coisa: toda volta de brasileiro é cheia de aventuras... como já contei a volta de um casal aqui e como vou contar um dia a minha volta...

Ela tinha uma outra amiga, que foi de quem comprei a casa da Puffy Shirt e da Botocada, esta amiga tinha ido embora fazia umas duas semanas, mais ou menos, pro Brasil também e pediu para a Roommate se poderia, por favor, levar uma das duas malas que ela havia deixado em  Londres porque não teve como levar. Roommate, toda simpática, disse que levava todas, imagina! Claro, era um prazer! Só que teria que buscar em Stockwell, pertinho de Elephant & Castle se você está motorizada. Foi o caso, Roommate alugou um carro para levá-la até o aeroporto, porque ela também tinha duas malas bem cheias com um pequeno presente que mandava pra minha mãe, de Dia das Mães, e uma boa leva de coisas que a Marciana pediu para que ela levasse para a família dela (Marciana ajudou a pagar o carro), fora as coisas que ela comprou pros outros: pro filho da amiga milhões de roupinhas de criança, para as irmãs e quem mais quisesse um monte de perfumes e Victoria Secret que achamos um lugar perto de casa super barato e ela pretendia vender quando chegasse em Sampa. Daí a mala dela já estava abarrotada e disse:
- Vou pôr um pouco dessas coisas na mala da fulana pra equilibrar minha mala!

Decidi ir com ela me despedir e ajudar a carregar as coisas, fazer companhia antes do voo. 

Chegamos em Stockwell e dois amigos da fulana vieram trazer as malas, eram 3 malas na verdade que a fulana disse que pagaria pra Roommate se passasse do permitido. E eram 3 malas beeeeem cheias! Quando chegamos, ficamos sabendo que só podem 4 por pessoa, mais que isso ficaria bem caro... e outra:como carregar tanta coisa?
A Roommate ficou desolada, não sabia o que fazer e aquele tempo de ter chegado cedo ao aeroporto seria pra decidir o que fazer...

Daí ela abriu as malas da fulana e ficou irritada: um monte de tranqueiras que a fulana não conseguiu levar quando foi embora: shampoos, cremes e até enfeites de Natal! aqueles de pôr em porta...

E aí começaram as tentativas de tirar coisas e colocar outras nas malas e ir toda hora pesar na balança que o aeroporto disponibiliza... nunca vi isso em Guarulhos que me lembre, mas em Heathrow tem balanças para pesar as malas, das grandes, claro.
E foi um tal de ir e voltar pesando malas sem fim... até que ela decidiu que coisas não iam... tinha até biscoito de chocolate em palito - sabe aqueles palito que colocam no sorvete? tipo aqueles - e Roommate estava tão aborrecida que abriu o pacote e começou a comer e eu também rs

Daí ela decidiu que só levaria o que era roupa ou coisa mais importante da fulana, como ela ia levar uma malinha de bordo, deixou comigo pq não conseguiria levar e as coisas não iam pro lixo, tipo shampoo da Tresemmé que nem era vendido ainda no Brasil... e, nem as coisas da dona Marciana... e eu que iria trazer de volta...
Fui com a malinha de volta com shampoo, cremes, bagulhos e mais bagulhos sem importância pra mim, pra ver se serviam pra alguma coisa e as roupas dos filhos da Marciana de volta a Elefante Castro...

Depois de montadas as malas, já em cima da hora do voo, fomos pra fila e nos despedimos. Ela não via a hora de voltar ao Brasil, estava ansiosa e eu fiquei sozinha com a malinha e tendo que aguentar viver com Marciana e Bruxa do Centro Oeste...

No outro quarto já não estava mais o casal polonês, já era um pai e sua filha que se diziam argentinos, mas de argentinos não tinham nada, o pai tinha morado na Espanha e conseguido cidadania e assim trazido a filha que morava com a avó na Argentina. Estavam lá fazia pouco e aquela bandeira do casamento da Kate e do William foram eles que colocaram na sacada - acho que coloquei a foto aqui, se não pus, viram no Fb...

Voltando, quando cheguei e tive que devolver as coisas para a Marciana ela ficou looooouca de raiva! Ficou brava e queria descontar em mim, mas o que eu poderia fazer? Quem ia viajar não era eu, o que mandei para minha mãe era super pouco, nem dava tanto peso. Ela ficou falando um monte e eu devolvi o dinheiro do carro para ela que a Roommate deixou comigo. Ficou mais calma, mas brava do mesmo jeito porque o filho estava esperando as roupas da Adidas e as filhas esperando perfumes caros que a camelona comprou com o suor das banhas e os filhos iam se esbaldar no Brasil... ficaram sem.

Eu não podia fazer nada e nem queria, queria não ter que enfrentar as reclamações da Marciana por uma coisa que outra pessoa fez, mas naquele momento eu percebi que aprendi uma coisa importante pra mim: chegar cedo no aeroporto e nunca levar nada dos outros se não tiver como levar as minhas coisas em primeiro lugar!
Sobre a menina da mala, antes que falem que ela fez o mesmo, ela tinha vindo só com uma mala e voltaria com duas talvez, eu pedi pra levar só uma e meu irmão buscaria ela até no aeroporto e a deixaria em casa só pra pegar minha mala... não é a mesma coisa, hein!



25 janeiro 2016

Férias Frustradas, mas nem tanto... 2 - Barcelona

Depois de sairmos de Portugal com o tempo um pouco melhor, saímos cedo para pegar o voo para Girona, cidade próxima à Barcelona.
Em Girona, no aeroporto, uma escultura de Botero. Um cavalo em suas devidas proporções boterianas...


Chegamos no hostel cedo e deixamos nossas coisas para conhecer logo a cidade, pois teríamos só mais um dia para conhecê-la. 
O rapaz do hostel foi bem enxeridinho, não era espanhol, não lembro de onde era, na verdade, ele não queria deixar isso claro, mas queria saber dos outros, se não me engano era marroquino... e já veio cheio de graça para cima da gente.
Eu, com minha ótima cara de poucos amigos ele não deu muita atenção, mas ficou no pé da Roommate, assim como de toda mulher que aparecia por lá.
Ele era o faz tudo - realmente, fizemos a reserva pela internet e algumas pessoas (brasileiros) falaram bem do hostel por isso a Roommate achou que lá deveria ser bom. Como disse ele era o faz tudo: recepcionista, dom juan fracote, camareiro etc... um dia tivemos o prazer inenarrável de vê-lo saindo do banheiro que tinha acabado de limpar (e não adiantou nada... mais detalhes já já).

Sempre oferecido e querendo ajudar a Roommate, inclusive a convidando para as festas do hostel e até para ir depois na balada com ele. Ela sempre sorrisos, achava graça e dava um olé nele... mas se fosse eu teria sido beeeem mais grossa... ele deve ter lido isso na minha cara e não ficava todo sorrisos comigo - o que achei muito bom!



Fomos conhecer o Parque Guell, com nosso mapinha fomos marcando o caminho, também ajudado pelo Dom Juan de Marco. 
Fizemos o mesmo no Porto: pegamos o mapinha, anotamos onde queríamos ir e fomos nos virando. 
Pegamos ônibus e vimos que tinha mais uma boa ladeira pra subir pra chegar no parque e ficamos nos perguntando se valeria a pena.




 
Se valeria a pena????
O parque é fantástico, um dos lugares mais lindos que conheci - se
não fosse Gaudí talvez Barcelona não seria tudo isso, afinal, o parque e suas casas são as atrações principais da cidade, assim como sua igreja também, a Sagrada Família.

Fomos até a parte mais alta do parque para vermos a cidade que ainda não conhecíamos e ficamos de queixo caído ao ver o tamanho da cidade e o tamanho de suas obras de arte espalhadas pelas cidade.

Castell de Monjuic

Nesse dia, não deu pra mais nada, já fomos à tarde para o parque  e voltamos pro hostel querendo ver mais. No dia seguinte fomos conhecer realmente a cidade e fomos até a Sagrada Família. 
Andamos pela região e vimos a fila para entrar que parecia maior que a igreja  e que deveria ter sido comprado o bilhete pela internet. É perdemos, mas não tínhamos dinheiro pra isso mesmo...
Tiramos fotos ao redor da igreja e de todo jeito, andamos pela região, vimos um local que era de tourada e ainda bem que não estava funcionando...

Casa Milla



Andando pela Sagrada Família, recebi uma graça lá.
Explico: começamos a andar por lá e acho que num dos movimentos de pôr e tirar a câmera do bolso ou da bolsa deixei cair meu bilhete de metrô que valia para 3 dias - o tanto de dias que íamos passar lá. Fomos andar por outras ruas e na hora de voltar pro metrô? Cadê o 'passe'?
Fiquei ansiosa, doidinha, porque como eu ia ter que comprar outro passe se fui com dinheiro contado para lá (e para todas as minhas viagens) ?

Voltamos e no meio de toda aquela sujeira de gente que vai e vem fiquei procurando no chão meu bilhete, tinham outros bilhetes já marcados, usados e eu precisava achar exatamente o meu. E...
ACHEI!!!
ACHEI  e fiquei tão emocionada que me ajoelhei e beijei o bilhete agradecendo à Sagrada Família! Aquele dinheiro estava poupado... menos um problema com dinheiro.

Depois andamos por todo o centro da cidade, procuramos as outras casas de Gaudí, vimos muita arquitetura diferente, espaços culturais interessantes. Achamos um almoço por 5 euros também - como no Porto - e ficamos satisfeitas de comer no McDonald's rsrs (eu não como paella nem a Rommate).
Uma coisa sobre o McDonald's de toda a Europa: não tem mostarda, só ketchup, mas o mais engraçado nesse de Barcelona é que a música ambiente era clássica! Não dance music como em quase todo lugar... estranhamos mesmo!

Fomos até a praia de Barceloneta e no final do dia ainda achamos mais uma casa do Gaudí num local mais distante e difícil de achar, claro compramos souvenirs na rua principal da cidade. E eu comprei um miniatura da Sagrada Família pra minha mãe.

Andamos muito e no final do dia, perto do hostel, achamos um Domino's e sua maravilhosa pizza, dividimos uma pizza as duas, a fome era muita depois do dia todo e a pizza muito boa, apesar de eu ter ficado um grande tempo tentando descobrir os sabores das pizzas com a garçonete que tinha uma senhora paciência em traduzir o catalão para o espanhol e quando ela sabia, para o inglês. Até eu conseguir escolher a metade da minha pizza rssrs

Quarta era sair cedo, se desvencilhar do Dom Juan sem Marco nem Franco - ah! verdade! O banheiro que tomamos banho era um nojo! Aquele ralo nunca havia sido depilado na vida (já entenderam). Ainda bem que usamos chinelo!
Um faz tudo que não faz nada, só paquerava a mulherada...


Quando chegamos em Londres, nosso quarto estava imundo: Bruxa do Centro Oeste não varria e só sujava com suas migalhas e cabelos de tanto passar tranqueira e secador...
Ainda chegamos e varremos o nosso lado e deixamos o dela o chiqueiro.
Ah, todo domingo ou sábado varríamos o quarto e tirávamos o pó. Menos ela.


Ah! Em Barcelona ainda tinha Miró!

 

10 janeiro 2016

Férias Frustradas, mas nem tanto...1 - Porto

Depois do último post, vamos ao que veio depois, na outra semana...



Primeiro, acho que contei aqui que você pode tirar férias por semana, né?
Sim: você espera 3 meses de trabalho e já tem 1 semana de férias para tirar. E tem outra coisa, o ano fiscal inglês começa em abril. Primeiro de abril não é só dia da mentira, é o novo ano que se inicia trabalhisticamente falando e se você não tirar suas férias até essa data, você as perde... não se pode deixar de tirar o que tem acumulado, como acontece no Brasil.

Assim como é a partir daí que se conta o imposto de renda, que é muuuuuito mais simples que no Brasil, além de ser descontado do seu holerite, payslip na terra da Rainha, tudo, mas TUDO onde você usou seu insurance number fica registrado e pode ser que você tenha que pagar mais de imposto ou ressarcir o que foi pago a mais, você NÃO precisa fazer uma declaração para entregar no começo do ano, o governo faz isso só pelos registros do seu insurance number (emprego se tem mais de um, compras com bens duráveis etc... não tem como você deixar de dizer o que comprou e o que não comprou pro Leão não levar...).

Como comecei a trabalhar no Império do Fado em janeiro, até abril tinha 4 dias para tirar de férias. Um desses dias eu tirei para ir no show do Foo Fighters, lembram?
Com esses três dias, próximos ao meu níver, a Roommate também ia tirar férias, na outra semana e falou por que eu não tirava junto com ela e íamos para algum lugar no sábado e voltávamos na quarta, achei interessante e fomos pesquisar na Easy Jet e RyanAir (duas empresas de voos low cost, explicarei como funcionam já já) quais opções poderíamos ter.

A primeira coisa que queríamos era ir pra Barcelona, fechado!
E para achar algum local que desse certo de pegar outro avião pela mesma empresa e depois voltar pra Londres?
Fizemos várias tentativas de voos nesses dias e locais, essas empresas costumam trabalhar com aeroportos menores, em cidades próximas, por exemplo, não desceríamos em Barcelona e sim Girona, cidade há mais ou menos uma hora de Barça.
Depois de várias tentativas de cidades, virei pra Roommate e disse: e o Porto?
Tinha ido lá de passagem rápida e tinha ficado fascinada com gostinho de quero mais, queria conhecer de verdade.
E conseguimos nos organizar para ficar sábado e domingo no Porto, segunda de manhã ir pra Barcelona e ficar lá até quarta. Tudo pela RyanAir.

Por esse motivo, tive que trabalhar no meu niver (e fui no domingo, dia anterior, pra Brighton) que era coisa que não queria... mas fui. Passei no Sunsbury's na volta e comprei uma torta de morango para dividir  "cazmiga" que moravam comigo. A torta estava congelada e tive que colocar no microondas... deu pro gasto, pra um aniversário digno de quem trabalhava duramente no Império do Fado.

No sábado fomos pro aeroporto Stansted pegar nosso voo, pegamos o mesmo trem que vai pra Brighton, não era tão longe, meia hora de Londres e que aeroporto! a estação era dentro do aeroporto praticamente!
É um aeroporto pequeno, mas bem organizado, sem grandes filas, mas com os famosos saquinhos para pôr os líquidos porque não levaríamos bagagem maior sem ser a de mão.

Porque isso: quando você escolhe um voo low cost só leva mala de mão e ainda ela deve entrar num caixotinho com o tamanho e dimensões que são as adequadas, além do peso não exceder 10 kilos, você pode levar bagagem a mais que vai no fundo da aeronave, mas se faz isso seu custo sai, dependendo da passagem, mais caro que o valor da passagem. Por exemplo: você faz o trecho Londres-Paris por 40 libras e se tiver bagagem a mais  (sem ser a de mão), paga 50 libras só pela bagagem.
E!! Se você tentar pôr mais do que tem e não passar no peso ou não entrar no caixote, adeus! é pagar bagagem excedente! Ah! a bolsa de mão (essa que nós mulheres usamos) conta! então, o jeito é enfiar na malinha também!


Caixote da RyanAir
Caixote Easy Jet


Fiz outras viagens depois por essas low cost e vi gente brigando porque passou do peso, mulherada se enchendo de roupa no corpo pra diminuir o peso da mala... umas moças enrolavam montes de lenços de pescoço e eu não entendia por que elas levaram tantos rs

O certo é que nós ficamos com medo de passar do peso e colocamos o que conseguimos, vimos as medidas no site das empresas para não ter problema, tudo nos conformes para não ter dor de cabeça e fomos para o Porto!

 Chegando lá percebemos como é bom ter cidadania europeia: só passávamos uma catraca em que liam nosso rosto e código de barras do passaporte e estávamos dentro de Portugal e assim em outros lugares.

No Porto há um metrô na estação também, pegamos e fomos para onde tínhamos reservado quarto, perto do centro do Porto, mas chegamos com uma chuva danada... e nosso hotel era subindo umas ladeiras... mesmo com as roupas dentro das malas, quando abrimos estavam molhadas perto dos zíperes.
Tudo tranquilo no hotel que parecia quase abandonado, não sei se pela época do ano - que disseram que é mesmo de chuva -, mas a rua de hotéis simples estava bem deserta e ficamos num quarto grande com TV e banheiro. Uma camareira bem simpática, boazinha, chamada Ana foi um doce com  a gente. A Roommante deu um fora esperado, por mim não mais porque tenho uma prima em Portugal com esse nome e quase errei da mesma forma.
Roommate: ah, muito obrigada! qual seu nome, moça?
Ana: meu nome éiana!
Roommate: obrigada, Iana!
eu ia interferir, mas não deu tempo...
Ana: não, ANA!

Expliquei para a Roommate sobre esse caso, um caso de sotaque, pois não?
Fomos almoçar porque chegamos mortas de fome no Porto e percebemos que pelo horário muitos lugares já estavam fechados e encontramos um pequeno bar e restaurante que ainda nos serviram comida. O senhor dono do lugar conversou com a gente e disse que tinha morado no Brasil por muitos anos e voltado. Então, ele entendia o jeito brasileiro de ser.

Andamos pela cidade para fazer um reconhecimento, tínhamos pouco tempo e o jeito era sair mesmo na chuva e conhecer uma parte próxima ao hotel e deixar que no outro dia fôssemos para os locais mais conhecidos, sábado à tarde já encontramos muitas lojas fechadas e a moça no hotel nos avisou que domingo tudo estaria fechado (não tinha café no hotel) então tínhamos que achar um mercado e comprar as coisas para o outro dia.

No primeiro dia, ficamos mais fascinadas com as igrejas de azulejo, muitas igrejas são feitas naqueles azulejos famosos portugueses, os azuis e brancos. Conhecemos uma parte da cidade onde têm as igrejas mais famosas, como a Igreja do Carmo e a Igreja e Torre dos Clérigos.
No segundo dia fomos para a parte das pontes, onde ficam também outros monumentos, andamos cidade toda naquela parte, compramos souvenirs e cartões postais, fomos nos pontos mais altos pra tirar fotos da imponência da cidade, muito linda e, pra finalizar fomos comer e tomar um bom vinho do Porto!

Na segunda, terceiro dia, saímos cedo para ir pra Barcelona, gratas pelas belezas da cidade e a hospitalidade diferente da que eu havia experimentado antes em Portugal.

07 janeiro 2016

Brighton Rock


Não, não vou falar do filme ou do livro... mas que conheci a cidade um dia antes do meu aniversário, dia 20 de março de 2011.
O livro estava até no cinema quando estava em Londres, mas não tive tempo nem dinheiro para ir assistir no cinema... buá!
Tenho que contar sobre Brighton... esqueci... foi uma semana antes  das minhas férias de 3 dias (explicarei isso depois, se não expliquei) que fomos pra lá, eu e a Roommate do Bem, num domingo que amanheceu com sol e felizes 16 graus! Imagina duas pessoas felizes por ver 16 graus centígrados marcando no termômetro... é... uma alegria que só se descobre quando se está há meses vestindo roupas quentes e com outras térmicas por baixo...

Com a facilidade de se ir de trem até Brighton, o litoral mais próximo e mais visitado por quem está em Londres, ainda assim fomos de busão, era mais barato, mas não demorava tanto para ir. Sabíamos do trem e da comodidade e rapidez, mas a economia em nossos bolsos falou mais alto.

Brighton não é uma cidade litorânea como conhecemos no Brasil, ela é daquele tipo de filme que tem Pier e alguns brinquedos para as crianças, inclusive o Helter Skelter (lá no fundo, parece um cone invertido) e o mais diferente de tudo: praia de pedra e não de areia, o que mais nos fascinou, afinal não se suja a roupa e as pedras não machucam de tão bem polidas que estão. E todo mundo de roupa na praia... eram só 16 graus, um solzinho fraco, mas era tudo que queríamos, sol! E pensar que eu que sempre odiei e odeio verão ansiei para ver o sol mais quentinho...

Em Brighton o mais legal é poder andar pela praia, sentir a brisa sem se sujar na areia, sem se molhar, só se você quiser, se for no domingo ver a exposição de veículos antigos que o povo leva pra mostrar, parece que tinha uma parte de praia de nudismo, mas  não tivemos certeza rs

O ponto mais interessante da cidade é o Brigthon Pavillion, uma palácio feito pelos indianos - no melhor estilo Taj Mahal - e dado de presente para a Rainha Vitória. O palácio é enorme e lindo! E toda parte cultural da cidade fica ali.

A cidade é pequena, mas um graça e merece atenção de quem for passear por Londres e tiver tempo.
Here comes the sun!

19 setembro 2014

A Roommate do Bem

Ainda não contei sobre ela, né?

Bem, a Roommate foi uma das poucas pessoas que me dei bem em Londres. Brasileira com cidadania europeia como eu, dividimos a mesma beliche: como ela chegou primeiro, pegou a cama debaixo e eu a de cima... eu não era a única que sofria dormindo no mesmo teto com dona Bruxa do Centro-Oeste... sim, éramos 3 pessoas pagando 50 libras por semana pelo nosso pedacinho do chiqueiro...

Como ela era um pouco mais nova que eu e estava lá já há uns 6 meses pelo menos, já tinha alguns amigos por lá, ficado com alguns estrangeiros (coisa que a Marciana tinha grande curiosidade em saber... ela, a santa... perguntou uma vez se era melhor o italiano que o brasileiro... Roommate desconversou e só disse: é diferente).
Ela já conhecia a cidade melhor que eu, saía e comecei a ter finais de semana mais animados indo a pubs e casas noturnas, conhecendo a noite londrina. Um grande passo, não?

Nos conhecemos quando voltei do Natal em Portugal, e passei aquele ano novo de frente pra London Eye, super empolgante! Ela estava comigo naquele dia digno de lembrança...

Ela tinha dois empregos, teve sorte de ter subido de cargo na empresa de clean que trabalhava: ela era monitora de limpeza durante o dia (aquela pessoa que passa o dia limpando, checando tudo no escritório - nos andares, sabe? bem, eu fiz isso também e conto direitinho quando chegar a hora...) e à noite limpava outro escritório perto do meu, só que saía mais cedo desse - era de 2 horas e o meu de 3h. Trabalhávamos perto da Victoria Station, uma espécie de região como o centro antigo de São Paulo, a República: centrão cheio de prédios de escritórios. O meu era do TfL (Transport for London) - o Império do Fado perto da Scotland Yard -  o dela era um local que alugava escritórios para vários ramos diferentes, bem diversificado.
Um cara que foi embora largou até um livro que ela pegou pra mim, imaginou que eu iria gostar:



E gostei! Parece que eu nunca deixo transparecer meu gosto musical... rs

Tínhamos os finais de semana vazios a serem preenchidos, ela, como já estava em Londres a mais tempo, já tinha aprendido isso: preencha seu final de semana porque ficar num quarto em que a única coisa sua são suas coisas e a cama que paga é muito deprê!

Um dos primeiros finais de semana que saímos, precisei, antes, ir até à casa do GG para buscar correspondência, ainda não tinha mudado o endereço do emprego, por exemplo, e meu holerite estava lá.
Encontrei Pureza acabada fazendo salgados e bolos pra festas... ela nos olhou, arrumadas, com uma cara de "que sorte a sua!".
Roommate comentou comigo que achou a menina acabada - apesar de ser mais nova que nós duas - e que isso não era vida pra um sábado à noite.

Pensei muito depois na Pureza, coitada, ela saiu do interior de Minas para não viver a mando da mãe num salão de cabeleireiros e estava agora, a mando do GG em Londres, dentro de uma pequena cozinha, suada, cansada. Porque, estava na cara que ela era ilegal lá, GG era casado (ou foi) com uma italiana (ou brasileira com a cidadania) pra ter cidadania e estar lá, alugando casas (dos outros...).
Fiquei pensando que não via vantagem na vida que ela levava, a não ser ter um IPhone rs

Voltando a Roommate,  a partir dali, não tive mais finais de semanas vazios, só os que não saímos juntas por falta de dinheiro ou outras coisas, mas ainda assim andávamos por locais próximos. Como ir a lojas de departamento em Brixton (que era perto) e pegámos a raspa do tacho do Boxing Day. Em Brixton também há muitas lojinhas "internacionais" com opções de se poder comprar coisas de imigrantes dos mais variados lugares. Nosso preferido?
Claro, o loja e açougue português! Tinha coisas brasileiras também, como ovo de páscoa rs

Apesar da fama de Brixton nos anos de 1980 com a música do Clash, muita gente que não viveu essa época em Londres, porque chegou depois, ainda era influenciada pela fama de outros tempos e cheguei a ouvir coisas do tipo, imagina se não foi a Marciana rsrs: Brixton é bairro de pretos!
Não sei se já tinha dito isso, mas há um preconceito, por brasileiros, de quem mora em Brixton ou no norte da cidade, imagina quando morei em Dalston, cabelos em pé por ser no norte/nordeste da cidade...
E isso porque era perto de um lugar super badalado: Shoreditch, no bairro de Hackney (berço dos descolados e artistas de rua, Madonna morava por lá, na época casada com Guy Ritchie).

Então, voltando novamente, conheci muitos lugares que não conhecia na cidade e aprendi a não ficar em casa nenhum fim de semana! Eu tinha que aproveitar tudo que Londres tinha, já que a vontade de ir embora de lá era grande, mas precisava pelo menos passar no FCE e até lá, era preciso de válvulas de escapes como o lindo Convent Garden (merece ser visitado!) e seus artistas de vários estilos, artesãos e doces rs
Os pubs da cidade, também comecei a conhecer, apesar de não beber, de vez enquando bebia meia pint (rsrsrs) de Guinness que é a única exceção na minha vida de abstêmica. Os pubs da região da Picadilly, da Leicester Square, do Soho...  Mayfair... nada como a Mayfair...

E aí começou minha insegurança: achando a maior gorda da cidade, ia aos lugares sempre achando que todos os olhares era pra Roommate, não pra mim. Na verdade, minha estima não existia - se é que um dia ela existiu... - e RM (Roommate, mais fácil, né?) é uma pessoa desinibidade, simpática, que realmente chamava a atenção pela extroversão - mas eu só via a linda, magra e alta. Comecei a sair e ficar deprimida, os rapazes não me dava a mínima (mas eles nunca dão, na verdade, o inglês NUNCA chega em você se não estiver extremamente chapado e nesse caso seriam uns 2 barris de Guinness).

Conversava sobre isso com a minha prof de inglês  (que ainda não foi comentada aqui) e ela não me ajudava a me sentir bem, só a me deixar mais pra baixo, porque a prof  se achava a última bolacha do pacote e queria que eu lesse O Segredo...

Íamos nas festas nacionais que rolavam na Trafalgar Square (como a de Saint Patrick) que eram muito legais, íamos a clubes noturnos, como o Tiger Tiger (cheio de brasileiros fingido serem gringos) e eu ri, conversava, mas sempre reparava no cara que vinha falar com ela (não, não eram ingleses). Um chegou a dar o telefone dele na rua... e ela não quis saber, me disse que sabia que era fria e eu me sentindo péssima com tanto assédio e eu nada...
Às vezes eu não queria sair: sair pra quê se ninguém nota que eu existo? Mas eu ia, era pior ficar com a Marciana falando mal dos filhos e a Bruxa fazendo comida pra semana toda.

Hoje eu tenho consciência de que era um problema meu e que a RM me ajudava bastante, porque conversava com ela, inclusive do caso da Fofona me perseguindo e se ainda gostava do meu ex. Era a única pessoa com quem podia realmente contar, mas eu estava muito pra baixo pra perceber isso, senão, teria aproveitado mais.