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26 maio 2012

Mãe é quem cria, não quem manda dinheiro...

Sempre comento sobre Marciana e Bruxa do Centro-Oeste criarem a família no Brasil, mas nunca dei maiores detalhes, hoje é o dia!

Como uma maioria de mães ilegais, elas trabalham na faxina de casas, não se precisa de passaporte ou insurance number, é só comprar as casas de alguma brasileira que esteja vendendo - nos últimos tempos, muitas estavam voltando para o Brasil e começar a limpar, desde que a família goste de você, caso contrário, você perderá seu dinheiro... (aconteceu comigo no caso botocada).

Bruxa do Centro-Oeste, como já comentei, morava há alguns meses a mais que eu em Londres, eu cheguei em agosto e ela em junho ou algo assim. Fugiu da crise espanhola, assim como já tinha fugido da crise portuguesa, onde chegou primeiro e morou pouco, segundo contou.
O engraçado é que se ela tivesse sido esperta e não entrado ilegal na Espanha, teria já o direito a ser residente. Ou seja, fez burrada por não ter permanecido por lá por 3 anos de forma legal, mas como ela tinha entrado e ficado em Portugal, ilegamente, só poderia ir pra Espanha da mesma forma e acabou perdendo essa boquinha que não sei se com a crise do jeito que está a Espanha ainda mantém: 3 anos na Espanha e você se torna residente e com direito a quase ser um cidadão, ou pelo menos andar pela Europa na boa.

Ela chegou e foi trabalhar nas vans, quando me acordava às 4:30 da manhã para sair de casa quase 7. Isso você já sabem, depois ela juntou dinheiro e comprou casas. Assim como Marciana que trabalhou um período para a mesma empresa de limpeza que eu - e mostrava feliz pra mim o aventalzinho "tia do jardim" (aqueles que são fechados com botões dos lados e tem um bolso canguru na frente) como se ter trabalhado na mesma empresa de limpeza que eu era como ter trabalhado na Microsoft...
E depois começou a comprar casas para limpar e só reclamava das patroas porcas.

Bruxa dizia que tinha comprado casa pra mãe no Brasil, junto com a irmã que morava em outro estado, e as filhas dela moravam com a mãe, junto com a sobrinha que ela "bullyingnava" todo dia no telefone.
Já Marciana sonhava com seu apartamento mobiliado e carro na garagem  - algo como prêmio do bau da felicidade! E aparentemente ainda não tinha conseguido comprar nem apê em CDHU, o que seria barato, mas para a arrogância dela, não era bom o suficiente.

Com a crise e cada vez menos casas para se limpar e menos donas de casa pagando bem para isso, o trabalho delas ia ficando mais difícil, afinal, elas sustentavam a família no Brasil.

Marciana quando foi morar em Londres levou junto o filho mais novo, na época com 9 para 10 anos. Seu primeiro plano foi morar com a irmã, que tinha os filhos criados na Inglaterra (foi ilegal, separou do marido  brasileiro e casou com um norte-irlandês, virou residente e reclamava que o marido transava, virava pro lado e continuava a ler o livro... quem escolheu isso? eu?).
Pelo que entendi, ela e a irmã brigaram, o motivo não sei, mas sabendo que brasileiros que se estabelecem em Londres não ajudam ninguém... acho que não abrem mão nem pra irmã... fora que ela teria que ter no mesmo teto uma ilegal com o filho menor de idade - o que é um problemão!

Marciana teve que se virar e procurar outro lugar pra morar e procurar emprego com um filho pequeno. Não sem deixar uma filha noiva e outra com 15 anos em Sampa. 
A filha noiva,ela deixou na casa dela, que ficava no quintal das cunhadas. A menina não aguentou a pressão e foi morar com o noivo - o que Marciana teve que engolir (a religião dela não permite, mas, segundo Woman from Mars, permite que largue os filhos assim e que se virem).
Já a adolescente ficou mal, depressão.
E assim que ela teve um novo teto, mandou buscar a filha adolescente, que chegou em pleno inverno em Londres: muito frio e os dias se acabando às 3:30 da tarde. Não sem antes ter que fazer sozinha a escala em Paris, pra ser mais fácil pra entrar por aeroporto pequeno.

A menina só foi de mal a pior até onde sei: a depressão de se sentir abandonada virou, segundo os médicos ingleses, esquizofrenia, afinal, ela chegou numa época muito ruim para quem já não está bem e já chegou para ajudar na faxina da mãe, enquanto o irmão tinha de tudo.

Marciana contava a história com tristeza, pois a mãe dela teve que vir buscar a menina para viver novamente no Brasil sob os cuidados da avó que nem internet deixa que ela use, e aí ela usa na lan house. E que não voltou mais a estudar enquanto o irmão estava em escolas inglesas.
Marciana falava todos os dias com a mãe e a filha, mas sempre cobrando a menina para que fizesse curso de cabeleireira e voltasse para ganhar dinheiro e a ajudasse em Londres também com as casas.
E sempre dizia "a marcianinha é rápida, é ágil! vai me ajudar a juntar dinheiro aqui" o que ela não tinha conseguido fazer em 6 anos.
Primeiro porque tinha exatamente essas despesas médicas com a filha no Brasil e o casamento da outra que ela pagou tudo, se sentiu culpada de ir pra Londres faltando meses para a filha casar, filha que sempre falavam no telefone parecia jogar na cara que a mãe não estava em seu casamento e que a deixou sozinha com as tias que queriam pegar a casa pra elas.

O filho viveu um pouco mais de 5 anos com ela em Londres, tinha uma vida de inglesinho: blackberry, playstation com acessórios, como a cadeira entre outras coisas, mas ele reclamava - segundo Marciana - que aquilo não era vida.
Bem, se você pensar que você viveu dos seus 9 anos aos quase 15 em várias casas dividindo quarto com sua mãe e estranhos, sem nenhuma privacidade, sem saber mais o que é uma casa e uma família. Bem, você também diria o mesmo, talvez...

Ele quis porque quis voltar pro Brasil e ela com medo que mais um ficasse doente, deixou. Gastou mais um bom dinheiro porque ele só tinha ido de férias ao Brasil, voltou e decidiu voltar novamente e ela teve que pagar a passagem do pai dela para acompanhar o filho de volta ao Brasil.
O ex-marido de Marciana, segundo consta, a traía com todas, não saía do boteco e faliu uma pequena empresa que tinham juntos e quando ela dizia que se separaria dele, ele pegava a Bíblia, colocava debaixo do braço e encontrava novamente Jesus, numa dessas, ela se separou realmente dele e foi pra Londres.
Isso tudo é o que ela contava, não cheguei a conhecer nenhum dos filhos ou parentes dela, tudo são relatos da própria.

O menino voltou ao Brasil e foi morar com uma irmã casada de Marciana, ele que não era bobo de morar com os avós que botavam restrição até pra TV, a irmã que já estava acostumada que aguentasse...

Daí era todo dia as ligações para saber dos filhos. E que não tinha como não se ouvir porque ela ligava do quarto dela, que ela deixava que nós usássemos como sala.
Eu nunca telefonava da casa, só se fosse muito urgente. Nunca, preferia o transporte público ou uma praça perto do trabalho.

O filho queria voltar pra Londres: caiu a ficha dele que ele tinha vida de rei e que no Brasil o pai lhe dava 20 reais que não davam pro Mc do fim de semana...
Ficava a infernizando no telefone porque queria os jogos novos e que no Brasil tudo era muito caro!
Quebrou coisas do ps3 e queria que a mãe mandasse, detonou com o Blackberry e queria um novo, queria roupas de marca que usava em Londres para se exibir pros amigos da nova escola - particular porque a Marciana disse que "Deus me livre meu filho na escola pública no Brasil!". 
Sim, ela tinha gastos com a escola particular (o mais engraçado é que era uma escola católica mesmo eles sendo protestantes, mas achavam que isso iria 'resguardar' o pivete) além da mensalidade, o curso era todo apostilado e tudo que você sabe o que tem que pagar na escola particular, além do luxo de se exibir com tênis e roupas de esporte da Lonslade (super barata) e da GAP (a C&A inglesa... 10 libras e vc compra qualquer camiseta...) para os amiguinhos brasileiros tão fúteis e mimados quanto ele.
Ele sempre dizia pra mãe: NÃO VOLTA! AQUI É HORRÍVEL!
Isso quer dizer: se mata de trabalhar aí e paga meus luxos!

Quando não tinha essa discussão com ele, discustia com a do meio, a que tem problemas de depressão e já estava com 20 e não terminou o segundo grau.
Algumas conversas eram realmente dignos de Marciana!
A filha se tratava com psicólogo e ela perguntava pra filha: 
Foi no psicólogo hoje? E o que vocês conversaram? Do que vocês falaram hoje, oras! Eu quero saber!

 Isso deve ajudar muito em qualquer tratamento... Uma mãe bem participativa!

Ou discutiam sempre por causa de dinheiro que ela sempre dizia que mandava - e mandava toda a semana - e reclamava que os filhos queriam sempre mais. Um dia me disse que gastava quase 3 mil reais por mês com os filhos no Brasil... bem, difícil querer ainda comprar casa no Brasil, com mobilía e um carro "bom" como ela dizia...

 A filha mais velha já casada sofria poque não conseguia engravidar e reclamava da falta da mãe, dizia que deveria ser porque a mãe nunca estava com ela que ela não conseguia engravidar e ainda tinha que ouvir da mãe:
Vi suas fotos com seu marido no orkut! Como é que você, fulana, tira fotos fumando narguile? Você sabe o mal que qualquer uma dessas coisas faz? Vocês tem que ir com sua avó na igreja!

Ou pra irmã que cuidava do filho mais novo:
Ele vai ter prova de espanhol? Mas espanhol é fácil! é igual português! Vai ter prova de biologia? Faz um questionário pra ele estudar e você toma dele!

A irmã, além de aturá-lo em casa, ainda tinha que fazer ele estudar do jeito Marciano...
E as conversas se estendiam assim por horas... ela ligava várias vezes à noite e sempre brigando, reclamando que os filhos tinham que fazer o que ela mandava, ela era a mãe, a que mandava o dinheiro!

Com a Bruxa sucedia algo parecido.
Ela ainda saiu casada do Brasil e deixou as filhas por conta da mãe, o marido ficava com elas, mas quando a Bruxa, voltou ao Brasil, 6 anos depois, antes de ir morar em Londres. Fez a separação e o marido assinou que a guarda da mais nova ficaria com a mãe dela.
A mais velha já era maior de idade, fazia faculdade de publicidade lá no centro-oeste e sempre reclamava que não havia estágio nem emprego e que ela queria um emprego de meio período, não integral, porque ela estava de manhã e não queria estudar à noite... coitada! sofria! porque no Brasil não tem emprego pra ninguém que país horrível! (palavras da Bruxa)

Ela me lembrava a personagem da novela das 7, quando voltei e vi a personagem Grace Kelly na novela das 7 do Falabella, achei igual!

A menina queria tudo da mãe: você me largou aqui? agora vai me dar tudo que eu quero!
E tinham altas discussões porque ela queria, apenas, óculos de sol Dolce & Gabbana (o que mesmo em Londres é caro, é uma marca porsh não é pra qualquer um!) e depois ela vinha desesperada pra gente perguntar se sabíamos se nas promoções tinham óculos D&G... porque a filha queria porque queria... coitada, como a filha sofria por ela não mandar pra ela um d&g entre outras coisas que ela precisava mostrar pras amigas de faculdade.
A filha mais nova ela lutou pra ter a guarda, quer dizer, pra mãe dela ter a guarda porque quando ela foi tentar um "futuro melhor" no estrangeiro a menina só tinha 5 anos e também entrou em depressão. 
Fico imaginando como deve ser para uma menina de 5 anos esperar a mãe que leva 6 anos pra visitá-la...
Ela dizia que nunca ia deixar a filha com a família do marido - família que ela viu que a menina preferia, segundo contava a menina adorava ficar com a avó paterna e ela odiava isso!
Bem, a menina tinha que se identificar com alguém... e Bruxa sempre brigava com a mãe porque tinha deixado a menina ir pra casa da outra avó... bem, você faz o quê do outro lado do Atlântico? Só manda e todos têm que obedecer? 
Só porque pagava escola particular, kumon, inglês etc etc não parecia dar muito jeito das filhas gostaram da mãe, como ela queria.

Ah! A sobrinha que morava com as filhas dela - porque fazia faculdade tb na belissima cidade capital do centro-oeste lindo que ninguém quer morar lá - ela cansava de chamá-la de gorda e outras coisas, tirava o sarro da menina, talvez porque a menina devia ser a única que aturava a conversa dela, diferente das filhas que mal falavam no telefone com ela.

Isso era bem comum: elas queriam falar com as filhas, tentavam e tentavam estabelecer uma conversa e os filhos nem aí... a Marciana era a que mais reclamava: você só diz anh? sou sua mãe! você tá me ouvindo? fala comigo!

Eu também presenciei isso em ônibus, como sempre digo: brasileiro não se toca que Londres está infestada deles e sempre vai ter um ouvindo sua conversa.
Lembro de uma que queria que o bolo do filho no Brasil fosse do jeito, da cor e do SABOR!!! que ela queria... ela já tinha escolhido tudo, só não ia estar lá, né?
Pra ela, deveria parecer porque está mandando, coordenando tudo, é o mesmo que estar lá, mas não é! De jeito nenhum! Por mais que elas adorem se enganar. 

Por tudo que vi, digo que elas não têm filhos, elas os perderam. Pra eles são só umas fulanas que mandam dinheiro e coisas de marca. Nunca estão presentes em festas, doenças ou qualquer outra coisa, elas nunca estão nas fotos... elas só mandam o dinheiro que se vai e não deixa rastro, lembrança nem nada.

Como dizia a Bruxa: eu sou ambiciosa e enquanto o bichinho da ambição estiver comigo eu não sossego!
E quando o bicho da ambição sossegar, sua filha vai falar o quê pra você se nem te chama mais de mãe e sim pelo nome? (a mais nova fazia isso)

Fico triste por elas, porque, por uma ambição, uma ganância um não querer se humilhar ou mesmo ser humilde de trabalhar em trabalhos "menores" no Brasil, preferem mentir e dizer que trabalham bem na Europa e que isso vai fazer que filhos a entendam...
Não, eles não entendem, raras excessões, porque o que eles queriam era uma mãe ao lado. 
E elas perderam a melhor fase da vida deles só para não lavarem chão no Brasil e sim em Londres e outros lugares da Europa.
Quando a ficha cair que o tempo não volta, a ambição não vai ter mais sentido nenhum...








09 outubro 2011

Mês de Janeiro, Londres, Zona Centro Sul (Parafrasendo os Racionais)

Pessoal da feira: Vamô chegando!
Já diriam os Racionais... mais um pouquinho...

Sim, é verdade... eu morava numa Cohab e sim, tinha um feira na rua do lado, a East Street onde, curiosamente nasceu Charles Chaplin. E esse mesmo lugar se tornou um rua com uma feira numa parte e várias "cohabs" por sua extensão até a outra ponta, que era melhor do que a ponta onde eu morava, caminho para Canberwell Green.

Ah! Toda feira, ou market em rua é assim aqui: a rua todo dia é tomada pelos feirantes, só segunda a rua é livre... bonito, né? uma maravilha morar em rua de feira, ainda mais aqui, 6 dias por semana...

Final de dezembro, como eu havia contado, fui morar há dois pontos de ônibus da estação de Elephant & Castle. Uma região boa por ser muito perto do centro de Londres, em 10 minutos de ônibus você está no Big Ben e mais um pouco na Trafalgar Square. A localização é excelente, mas o lugar onde morava, horrível!
Não é que eu tenha preconceito da Cohab, morava no meio de várias em Sampa, a questão é que o negócio por lá era realmente feio e eu contarei porquê, calma!

Fui morar lá por não ter mais nenhuma aula particular pra me sustentar, estava realmente com a corda no pescoço quando perguntei para a Marciana se as outras meninas do quarto que ela tinha me oferecido e eu não quis - relembre as postagens... - aceitariam uma terceira no quarto.
De 65, elas e eu, pagaríamos 50 libras, seria bom pra todas.

Quando não aceitei, veio uma outra menina para o quarto, a qual pertencia a mesma igreja de Marciana, mas mudou-se porque o emprego dela era na zona norte de Londres, ficava longe...
Mas eu acredito que era porque ela não estava aceitando bem ou o controle de Marciana ou ficou de saco cheio da roommate, que agora vocês irão conhecer: a Bruxa do Centro-Oeste!!!!

Uma observação sobre essa garota: era uma ignorante imbecil!
Sim!
Ela tinha vindo com visto de turista pra cá (novidade!!!) para trabalhar de babá para uma prima que era casada com um cara de dinheiro (morava na região de Maida Vale, St John's Wood, algo como morar em Moema ou Itaim Bibi em Sampa) e precisava de uma babá, chamou a prima que virou escrava. E isso é muuuuito comum aqui: ela  ficava com a criança todas as horas do dia e da noite e ganhava uma miséria, porque morava com a "família" e estudar, não conseguia porque tinha uma criança pra cuidar.
A menina resolveu pedir ajuda para o pessoal da igreja que arrumou a casa da marciana e estava vendo um novo emprego pra ela.
Região em questão  é onde fica duas ruasfamosas no mundo da música: Warwick Avenue e Abbey Road.
Quando a imbecil me disse que morava perto da Abbey Road eu fiquei surpresa e falei de ser a rua dos... e ela já me cortou e disse:

É aquela rua mesmo que aqueles imbecis ficam tirando foto na rua e pichando o muro, bando de babacas! Nem sabem que ficam lá tirando foto (sic) e depois pintam aquele muro toda a semana! Bando de gente idiota! O que escreveram já era!

Quando passávamos pela rua e aparecia alguém vestido de algum jeito mais diferente ou as inglesas andando de bicicleta de saia (sim, elas fazem isso) ela ficava: olha que ridículo!
E eu só pensando: e você com esse seu cabelo destruído que nunca corta, com cara de ter mais de 40 e é mais nova que eu, com roupa de velha, parece o que, hein?
Daí ela estava preocupada porque precisava do dinheiro pra residência e o Insurance Number (lembram dele?) e que iria custar 100 libras...
E eu, muito da ingênua perguntei (e eu acho que já citei essa situação por aqui):
Tudo isso? Mas por quê?
E ela: é falso!
Mais um ilegal nessa Londres... e quem era mesmo o imbecil?
E aí ela falou que precisava fumar, disse pra eu não contar pra Marciana, mas era a única coisa que ela ainda não tinha conseguido se livrar e que o povo da igreja não poderia saber.
É claro que disse que não falaria e não falei, não era problema meu. Mas aí a ingênua era ela se achava que não Marciana não ia perceber o cheiro de cigarro... qualquer um que não fuma sente fácil o cheiro...

Eu conheci essa garota, Marciana me apresentou a ela para procurarmos emprego juntas, daí os diálogos acima. Fomos procurar um pub de brasileiros e poloneses em Victoria Station, centrão londrino, algo como trabalhar na região da Sé e República em Sampa.
Na casa, além de Marciana, a Landlady, essa garota e a Bruxa, também havia um terceiro quarto de um casal polonês. O polonês em questão falou sobre esse emprego para Marciana que nos avisou, as indicações do emprego?
Facílimas!
O pub - ou 'pumb' como diria Marciana, sim, ela dizia e deve dizer se ninguém a corrigiu "pâmbi" - ficava na saída da estação de Victoria, perto de um mercado Sansbury's e da Orange (mobiles).
Muuuuuito fácil!
Qual saída da estação de Victoria? Deve ter pelo menos 4, qual Sansbury's ? Havia 2 e não achamos nenhuma loja da Orange nesse lugar... andamos como camelas pela região e nada de pub de brasileiros e poloneses...
Nada!
Para depois a Marciana dizer que o pub era "orange" e não perto de uma Orange, e disse com uma cara de desconfiada, achando que não achamos porque não quisemos... uma das maiores irritações do tempo que morei com Marciana era isso: sempre, mas SEMPRE ela desconfiava da gente...

Bem, a menina foi, e veio outra, a Roommate do Bem, como comecei a chamá-la quando falei dela no Twitter, até pensei em ser Rutinha, porque a outra era a Raquel...

Com a Room do Bem e a Bruxa do 21 (nosso flat) eu fui dividir minha vida.
Marciana era de Marte, mas não era boba: o quarto dela, era só dela.

Então era assim começou meu ano de 2011 em Londres: um apErtamento caindo aos pedaços literalmente (em breve fotos, vão se preparando psicologicamente...), 3 quartos com: 1 marciana, 3 estranhas e 1 casal polonês; uma cozinha minúsculas com janelas que não abriam, só a parte de cima e a fumaça da comida impregnava por todos os (in)comôdos e nos casacos de quem deixava no lugar perto da porta, um banheiro só com o "toilet' e outro com  pia e a maldita banheira (é costume aqui nas casas divididas por muitos a privada ser separada da banheira, para não haver muitos problemas, só o problema de não ter pia e a pessoa sair do vaso e ir lavar a mão na pia da cozinha... claro, quando lava a mão ou quando resolve escovar os dentes na pia da cozinha). Ah, nos banheiros também só se abria as janelinhas finais e muitas vezes, Marciana e Bruxa sentiam frio e fechavam até a janelinha única do toilet, o que eu acho uma grande ignorância, afinal, banheiro tem que ficar com janela aberta até quando o inverno está tenebroso, porque... nem preciso dizer... ou preciso?

Os apelidos logo vocês entenderão...

12 setembro 2011

3 meses pra voltar ao Brasil

Exatamente de hoje há 3 meses estarei novamente no Brasil.

Existem dois lados pra comentar.

O primeiro é que muitas pessoas, quando digo que estou voltando acham super cedo minha volta. Muita gente que está aqui há um bom tempo diz que o primeiro ano é assim mesmo, depois as coisas entram nos eixos...
Pode até ser, só que eu acho que não tenho idade e nem saúde para esperar mais.
Tenho 36 anos, já percebi que envelheci horrores aqui, além dos 8 kilos a mais...
Não me reconheço quando olho no espelho e nem nas fotos que tiro.
Vejo uma mulher pálida, gorda e feia.
Que deve estar cheia de varizes na pernas (mas nem olho pra não me deprimir), com algum problema de coluna, com toda certeza, pelo "colchão" que dormia na casa da Marciana - e logo vocês saberão mais sobre minha cama de faquir...

Eu acho que se tivesse 10 anos a menos, talvez eu arriscasse ficar mais tempo, tipo, ver se as coisas realmente entrariam nos trilhos... mas não tenho, além do que disse acima, não tenho paciência...

Acho que depois de todas as humilhações e sufocos que passei aqui não tenho pique para aguentar mais...
Semana passada mesmo eu estava deprê total - acho que foi a tpm, mas... tem horas que é muito barra pesada estar sozinha num país já não tão estranho, mas sem com quem contar, sem ter onde chorar tranquila...
Ah, que saudade de chorar na minha cama! Nunca mais tive essa privacidade... acabei chorando em banheiro e ou na rua... que se dane, os outros não me conhecem...

O que acontece é que muita gente por aqui (Londres) não me entende...
Não só por tudo que falei acima, mas porque muitas pessoas vieram acompanhadas, estão com família, amigos, namorado, alguém que dê um apoio, que ajude nos momentos críticos e eu não, eu vim sozinha e continuei sozinha.
Fiz amizades, mas não é a mesma coisa de passar muita raiva e correr pra contar, ainda são amizades muito novas e que, a maioria das pessoas, como não passaram pelo mesmo, não conseguem, mesmo, me entender.

O segundo ponto é o do outro lado do Atlântico.
Voltar e encontrar minha família não será fácil. Os problemas que deixei continuam lá e prefiro eles a estar aqui, pelo menos é sofrimento coletivo, todo mundo junto, sofendo e se ajudando.

Mas o problema maior do outro lado da Atlântico, sim, serão minhas tias que fazem o favor de tudo ficarem no meu pé.
Tanto que teria o casamento de uma prima para ir e só volto dois dias depois.
Fiz de propósito.

Eu sei e já desabafei aqui como será.
Eu passei a vida inteira sendo vista como menos por elas, sempre minhas primas eram superiores a mim.
Então, chega, né?
A vida inteira foi:
"a F ganhou a boneca tal de Natal, você não".
Claro que eu não ganhei, meu pai nunca teve dinheiro pra isso...
"Nós fomos no Playcenter ontem! Fomos na Montanha Encantada que você queria ir, mas não fomos da vez que você foi!"
"Ah, você tá gorda! Essa roupa nunca vai servir pra você, serve na A"
"Você é muito portuguesa, mesmo, né? Por que não pode gostar de axé e pagode como suas primas ao invés desse barulho?"
"Ih, a S trouxe batons e perfumes pra todo mundo, mas esquecemos de guardar pra você... ah, tem esse aqui!"
sempre a coisa pior que ninguém queria...
"Nossa, como seu irmão é mole! Demora tanto pra arrumar uma antena de TV pra gente!"
Sim, meu irmão fazia as coisas e também sempre foi tachado.

E agora uma dessas minhas tias diz que eu sou antissocial e que se eu não arrumo inglês que eu deveria arrumar outra raça, assim, fácil, num estalo!
Antissocial foi porque disse que estava difícil dividir quarto - logo saberão o inferno que vivi.
Só que essa minha tia não me perguntou porque era tão difícil, não quis saber como era, como sempre, foi jogando tudo no ventilador. Não pensa, só fala o que vem na cabeça e, de preferência, tudo que seja pra detonar logo comigo.
Daí a bloqueei no msn e tive que bloquear todo mundo para, como disse pra minha mãe, os outros não ficarem com ciúmes.

Agora ela veio dizer pra minha mãe que tem saudades de falar comigo e que eu nunca mais falei com ela...
Já disse pra minha mãe: ou você diz que estou magoada ou ela espere pra eu jogar na cara quando voltar...
Infelizmente, anos e anos sendo tratada como lixo uma hora tem que acabar... Seja de forma doce ou amarga, acaba.
E sei que quando voltar e ter perdido o casamento todo mundo vai falar e eu vou dizer: pensei que eu não faria falta no casamento, ou eu fiz falta porque não estava lá pra fazer parte da turma de perdedoras que vocês queriam mostrar pros outros?

Não acho que sou perdedora, mas elas acham, sempre acharam e esse seria, pra elas, o momento de coroação da bela, classe média, doce, fã de axé e pagode sobre a pobretona, gorda, baixinha, portuguesa (por ser brava pra elas, e sim porque eu sempre tive opinião).

Acho que tive uma vida muito dura desde criança, com vários problemas familiares e me tornei uma pessoa extremamente tímida e sonhadora, cheia de traumas e se hoje estou sozinha, tenho certeza, não foi porque perdi, não se perde, não se ganha, pelo menos eu acredito nisso, diferente delas que acham que isso é uma vitória.
Talvez eu seja vitoriosa só por conseguir colocar tudo isso no "papel".
E serei vitoriosa só por ter feito o que sonhava, ter descoberto por mim mesma que Londres não é meu lugar.
Hoje sei que não vou passar o resto da vida falando "ah, Londres que era o lugar para eu viver"...
Eu sei por experiência própria que não é assim e se elas continuarão me criticando, seja pelo que for, só que talvez eu esteja mais preparada para dar um basta nesse bullyig familiar.

29 junho 2011

Casas que morei em fotos

Casa do GG e da Pureza:


Abertura da Porta para Leetle

Quintal do GG (dos fundos)

Banheiro do GG, azulejo da banheira... o que é isso? não quero saber!!!!

entre a máquina de lavar e secar...
Mansão do Horror:

Prateleira da Geladeira de Soudemorte, eu levantei o leite para bater a foto

Microondas de Soudemorte


11 junho 2011

10 meses ou como eu mudaria tudo...

Depois de 10 meses em Londres a ficha realmente cai. Quer dizer, agora você já sabe tudo que fez errado e como deveria ter feito se fosse hoje que estaria planejando sua viagem.

Vou fazer uma listagem:

1 - Nunca, NUNCA, aceite morar na zona 4 ou mesmo zona 3: você só gastará muito dinheiro com transporte, o mais viável é o metrô, que é caro. Prefira morar na zona 1 e 2 e use ônibus. Se você carregar seu bilhete único daqui (top up your Oyster or Traveller Card), para uma semana de ônibus, você pagará bem menos que de metrô e poderá andar quantas vezes quiser de ônibus num dia por todas as zonas da cidade - se tiver paciência pra isso rs;

2 - NUNCA aceite morar numa casa em que a pessoa fala pra você:  tem um probleminha, depois te conto. NUNCA deixe esse "probleminha" para saber quando chegar em Londres, você poderá estar morando na Mansão do Terror e nem sabe...

3 - Se sua meta é estudar e não pagou curso no Brasil, tenha isso como a primeira coisa a resolver aqui. Estou há 10 meses e só fiz aulas particulares, são boas, mas não dão certificado de que você estudou em Londres. E se você deixar isso pra depois, como duas pessoas me disseram (e é a pura verdade): Londres te engole! Não seja engolido por Londres como eu, vá procurar um curso no centro, na Oxford Street existe pra todos os gostos e preços e os "General English" costumam começar toda a semana. Diferente de quando eu morava em Richmond (zona 4) que tinha datas fechadas como outubro e janeiro... e isso fez com que eu pensasse que era assim na cidade toda;

observação: Richmond é um lugar maravilhoso de se morar e você tem muito mais contato com ingleses - o bom das zonas mais distantes é isso, são bons locais pra se praticar inglês com nativos - , mas é distante dos trabalho e escolas...

4 - Procure alugar uma casa para morar que não seja com brasileiros ou portugueses, senão você, como eu, não falará inglês e passará por muitas situações de raiva - não que não passe com outras nações, mas eles são muito mais na deles e não se metem na sua vida, além de cuidar melhor da casa;

5 - Dê preferência por casa de ingleses natos que alugam, eles cuidam muito da casa e qualquer problema estão atentos a fazer o melhor possível - como acontece onde mora uma moça que conheço;

6 - Se seu landlord (senhorio) não der conta daquilo que você reclamou, espere alguns dias, nada resolvido, vá procurar outro lugar: ele não vai resolver, vai empurrar com a barriga enquanto puder, pode ser por anos;

7 - Vá procurar emprego depois de já estar estudando e procure um horário que não atrapalhará seus estudos;

8 - Procure fazer amizades com falantes de qualquer outro idioma menos o português, isso será bom pra treinar o inglês, mesmo que os outros, nem você, falem corretamente, é um treino;

9 - Não pense que será fácil fazer amizades, até com brasileiros será difícil: cada um se fecha no seu mundo e só pensa em ganhar dinheiro. O que você mais vai ouvir será: estou busy. As pessoas, definitivamente, não  têm tempo para serem sociáveis e legais nem com elas mesmas. A ganância do dinheiro e, talvez, por terem passado perrengues aqui, faz com que as pessoas não ajudem ninguém. Ninguém ajuda ninguém em Londres, isso é fato. Nunca conte com a ajuda e boa vontade das pessoas, isso não existe aqui. Claro, isso é 1% do que pode acontecer... mas tenha sempre um plano b porque é ele que você vai usar na grande maioria das vezes;


Conselhos de coisas que não vivi, mas já vi gente passando sufocos:


10 - Venha com dinheiro, não seja louco de chegar aqui com pouco achando que vai arrumar emprego rápido - o país está em recessão e até pra ser cleaner a coisa está complicada;


11 - Se você tiver como tirar uma cidadania de algum país da comunidade européia, tire antes de vir, você passará pela imigração sem dor; caso não tenha como: venha com visto de estudante ou de trabalho. Não tente ser mais um "indocumentado" aqui (como os ilegais se 'qualificam'), a vida é difícil para quem tem visto ou cidadania, imagine chegar aqui e ficar escondido ou arrumar um emprego de escravo, os empregos já são de trabalhos forçados... sem documento então... espere pela pior exploração possível.


****
Queria fazer uma observação aqui nessa postagem porque magoei pessoas queridas:  Patrícia e sua mãe, a Rita. Elas fazem parte do um por cento de brasileiros que são dignos, honestos e amigos em Londres. Outra coisa: as aulas particulares de inglês da Patrícia são muito melhores que qualquer curso da Oxford st. Se você quer aprender inglês, com ela você aprende, nas escolas da Oxford e etc só repete o que viu no Brasil ou nem isso...  só quero frizar que: você quer um papel dizendo "estudei em Londres" pra provar no Brasil, aí você faz qualquer escola mesmo...

Espero ter acabado com esse mal entendido terrível!

26 abril 2011

A hora e a vez de Stewart Leetle parte 2 - GG e Pureza

Só uma coisinha: este, eu acredito, será meu último texto, calma gente! em português rsrs
Estou tentando traduzir todo o blog, se não conseguir, porque é um trabalho pra Hércules, e não pra mim rs, as postagens serão em inglês a partir da próxima. Não, gente! Não é frescura! É aprendizado, quanto mais eu escrever em inglês, mais eu aprendo ;)

O casal que eram os donos da casa, ou que sub-alugavam (com ou sem hífen? não lembro...) eram mineiros.
GG, era assim que Pureza o chamava sempre. O nome dele é fácil:

(o nome já apareceu logo de cara no video rs)

E Pureza também era uma personagem da turma de Chico Anysio, homenageado duplamente aqui rs




Bem, o caso era assim: ele alugava quartos e fui parar lá em Dalston Junction (pertencente a região de Hackney, indo pro nordeste de Londres).
Fez várias considerações para que eu já soubesse de tudo na casa para alugar, coisas do tipo: se for fumante, não aceito (eu odeio fumante rs) ; namorado você pode trazer, mas não é pra ele morar aqui (namorado? o que é isso?); e coisas como limpar a borda da banheira depois de tomar banho; lavar a louça depois de comer e guardar... etc...
Disse-me que a casa seria limpa pela Pureza toda a semana, que isso já era descontado no aluguel.
Tudo bem, o quarto era pequeno, mas era só meu e tinha chave!

Na casa de Soudemorte não tinha, eu algumas vezes cheguei a dormir com a cadeira trancando a porta. Quando perguntei da chave da porta pra Collorida ela me olhou com cara de que eu a tivesse xingado "não se tranca portas aqui"... deveria, quando se mora com gente como eles...

Bem, eu não traria grandes problemas para o casal, só achei o fim da picada, quando GG fez a minha mudança - de Richmond pra Lewisham - ele o tempo todo passar ao celular com Pureza e ouvindo Latino... e eu que reclamei do carro do meu tio...

O casal era assim (e deve continuar): passam  dia se ligando e GG me disse "estamos juntos há 5 anos, mas mantemos como começo de namoro" tá bom... pra mim, sempre foi exibição ou vocês não achariam a visão do inferno dar de cara com os dois saindo do banheiro juntos - depois de longas horas de "banho" - de roupões na ponta da escada (o banheiro ficava na parte de cima e o quarto deles embaixo, o meu quarto tb  era em cima) eu querndo subir e eles querendo descer. Aí Pureza dá um beijaço no GG antes de descer a escada pra eu subir, nossa, super gato ele, morri de inveja: careca, feio, meio velho, meio gorducho, morri de inveja dela... noooossa!

Eles pareciam simpáticos, ele mais que ela. Sempre fazia brincadeiras comigo, do tipo que minha comida estava cheirando bem e que paulista (eu) gosta de trabalhar, diferente de carioca e baiano (ele disse isso, não eu... ele tinha os preconceitos dele, não eu) e disse que carioca e baiano nem apareciam por aqui por conta do frio. Fiquei na minha, mas conheci algumas nordestinas que moram há mais de 20 anos em Londres (Collorida, NaLgini e minha depiladora que é muito gente boa!), não quis entrar nessa de ficar estereotipando pessoas, ainda mais porque a escola onde trabalho de sábado, o coordenador é um baiano super gente boa também, o casal tinha aquela cabecinha: moram fora do país de origem e não aprendem nada no novo, afinal, Londres é um caldeirão cultural, é uma Babel, é pra vc sempre aprender com as diferenças e são grandes! (tenho que escrever apenas sobre isso)

A minha simpatia por eles acabou quando comecei a me irritar e ficar com nojo que eles tomavam banhos juntos no banheiro que é COLETIVO! Se eles tivessem o banheiro deles é uma coisa, estão na intimidade do lar deles, do quarto deles, do banheiro deles, mas... era uma única maldita banheira para 6 pessoas...
Comecei a ter nojo de tomar banho ali, pagava 85 libras por semana - pagava 70 na casa da Collorida - e ele, no meio de todas as regras que pôs ele disse que a casa seria limpa toda a semana, já descontando do aluguel que pagamos.
Passou um mês sem eu ver o banheiro ser limpo, um mês sem a cozinha ser limpa.
Meu quarto, às vezes, eu passava aspirador (tinha um maldito carpete do século passado) duas vezes na semana por conta da minha rinite, que só foi ficando pior ali e eu, como sempre, achando que estava gripada e com uma dor de garganta horrível. Cheguei a comprar até vitamina C, tomei chá de romã (que tem em cada esquina), fiz de tudo e aí minha mãe me dá a dica:

Regina, você não lembra que tiramos o tapete do seu quarto por conta da sua alergia?

Verdade, era o carpete e o heating, outra maldição, ele ficava na cabeceira da minha cama, nas noites frias ele tinha que ficar ligado e eu comecei a dormir nos pés. Depois comecei a desligá-lo. Deixar ligado de dia, quando não estava, aquecia o quarto, e desligava quando eu chegava.

Falo a verdade pra vocês: cheguei a ficar sem tomar banho. Sim, eu fiquei de um dia pro outro sem tomar banho porque eu chegava morta de casanço em "casa" e o casal estava no banho... horas a fio... e eu ia dormir. No outro dia, claro, eu tomava banho. Mas é duro você estar morta de cansada, querer um banho pra relaxar e outros relaxando bastante no banho...

Isso porque ele sempre deixou claro: ambiente familiar! Nunca entre nessa de que realmente exista ambiente familiar em casas para alugar por brasileiros e nas quais não são de uma família mesmo vivendo lá...
Eu entrei e veja só...

19 janeiro 2011

Big NaLgini Strikes Again

NaLgini levava os super gêmeos numa escolinha de filhos de brasileiros e eu tinha visto o anúncio e pensado em ir até lá. NaLgini me apoiou no fatídico dia que fui à casa dela, mas estava sem emprego, precisava ver conseguia algo ali e consegui uma vaga de assistente de professora. O que foi muito bom pra mim, sábado se tornou o melhor dia para mim, por conta de ganhar uns trocados, não muitos, porque a escola funciona praticamente como uma ONG.
Como não fui pra casa de NaLgini e não dei satisfações a ela, não sabia o que dizer, ela e os filhos sumiram da escolinha. Fiquei com medo de ela fazer minha caveira na escola e eu perder o emprego que eu mal tinha começado, afinal, ela tinha feito amizade com todo mundo lá e o povo já se perguntava onde estava a NaLgini, tão simpática e que fazia um bolo de macaxeira delicioso...
Depois de alguns sábados, as crianças voltaram, mas não me cumprimentaram, ou quando cumprimentam é com cara de c*... a mãe já os envenenou e tudo bem, eles não são do estágio que trabalho, o que é ainda melhor pra mim para não haver problemas, eu os vejo pouco, ainda bem!
Mas NaLgini não satisfeita me mandou um de seus torpedos bíblicos – ela adora mandar enormidades de textos.
R acabei de te ligar, gostaria de te dizer não fiz faculdade mais com certeza tenho educacao. Educacao venhe de berco, qd vc veio a minha casa eu tenho certeza que te tratei muito bem. Te enviei uma msg a duas atraz e vc nunca respondeu. Outra se vc não se enterecou de alugar o quarto aqui em casa, o minimo q vc poderia fazer era pelo menos me mandar uma msg dizendo q nao estava mais interessada. Enfim ja conheci outras pessoas pessoas iguais a vc.
O que fazer diante disso?
Mentir!
Respondi que não havia lhe respondido porque meu pai estava doente e pedia desculpas.
R eu sinto muito pelo seu pai, espero de coracao que o mesmo se recupere logo. Apezar que nao o conheco minhas palavras sao sinceras. Olha vc nao imagina qtos problemas eu tenho, mais mesmo assim nunca deixo de responder as msgs que recebo. Te pesso desculpas pela msgem q te mandei, mais eu te falei sou uma pessoa muito sincera. Tudo de bom para te, obg pela msg. Nalgini
Mandei outra agradecendo, somente, mas ela respondeu mesmo assim...
R tudo bem? Voce  teve noticias do seu pai? Espero que o mesmo fique logo bem. Creio que vc deve esta bem apreensiva por esta longe. Pense positivo porque ajuda bastante, pensamentos positivos atrai coisas boas. Se precisar de alguem para conversar eu estarei aqui. Apezar q vc nao nos  conhecemos bem. Mais vc so sabe quem e uma pessoa qd vc da uma chance.
Só disse que agradecia a força e felizmente ela parou.
E fiquei pensando na história dela de “cada um é cada um” de não se julgar os outros? Mas eu ia responder e ia aumentar a história... não, melhor não...
Outra história que Ad e Collorida me contaram era que ela tinha perdido uma filha no Brasil (a NaLgini), ela também havia me contado isso só que de forma diferente...
Para as duas ela perdeu ainda na cidade dela, em Pernambuco e a filha mais velha confirmou isso a elas – filha que acho que mora na Dinamarca porque, segundo as Ad e Collorida, quer ficar bem longe da mãe. Para mim, NaLgini contou que a filha foi atropelada na porta de casa, na calçada, quando ela morou em São Paulo, antes de vir pra cá.
Segundo a filha mais velha, a mãe as deixou com o pai e foi viver com outro homem. Num sábado, foram encontrar a mãe na praia e na hora de atravessar a rua, a menina não fui e ficou debaixo do carro...
Se isso afetou a cabeça de NaLgini? Eu acredito que sim, largar as filhas, uma morrer quando ia ao encontro dela e ainda largou a mais velha no nordeste e foi pra Sampa... imagina a cabeça...

Não pus “sic” nos torpedos porque vocês nem iam conseguir ler  e entender com tanto “sic”.

16 janeiro 2011

NaLgini

Agora vem a parte mais assustadora...
Como disse no post anterior, a carta era de Collorida, era resposta à carta que NaLgini havia deixado para ela e Nalgini me dizia “por que ela não entrou pra falar comigo e aproveitava e levava você pra casa!?” Pensei nisso também, mas não quis entrar no jogo da outra... continuei na minha...
E aí ela continuava a falar mal de Collorida e sempre dizia, era seu  bordão:  se fosse eu não faria isso, mas cada um é cada um! Temos que aceitar! Como  se ela fosse a boa samaritana.
Aí me pediu pra entregar a nova  resposta para  Collorida, eu não quis, disse que era melhor ela entregar e ela resolveu que ia me levar em casa, quando o marido chegasse e me leveria de carro com ele e deixaria a carta lá. Eu estava vendo que a coisa estava feia... era algo pesado pelo jeito e estava com medo que sobrasse pra mim (e sobrou...).
No caminho, fiquei achando NaLgini meio estranha, começou a cantar alto uma música no carro, foi uma coisa muito estranha... o marido não abria a boca, não dava a mínima e Collorida me disse que ele a traía... mas não sei se é verdade. NaLgini chegou a me dizer “como todo casal temos problemas, mas isso não tem problema para você morar aqui”, me disse isso quando o marido chegou e se cumprimentaram com um aperto de mão... como ele é marroquino, encantador de serpentes, achei que talvez fosse da cultura dele.
NaLgini e o marido me levaram até a mansão do Mal, fechei a porta, Collorida estava em casa e conversava com Soudemorte. Ela desceu as escadas e viu a nova carta resposta da super amiga NaLgini e começou a gritar e falar palavrões. Eu me preparava para ir tomar banho quando Collorida bate na minha parte, socava na verdade e me chamava de FDP. Abri espantada e ela falava:
Sua fdp já está mancumunada com aquela lá? Eu te pus dentro da minha casa, confiei e é isso que eu ganho, sua fdp!!! Você também quer pôr no meu rabo? Como dizem os ingleses “pôr merda no meu c*?
Eu a olhava assustadíssima, sabia que só podia ser a nova carta de NaLgini, mas o que eu ia fazer? Eu não estava do lado de ninguém e não quis me meter em nada... Olhava assustada pra Collorida, que estava com tudo roxo e fiquei sem ação. Nunca, NUNCA, havia sido tratada daquela forma na vida... foi horrível! E ela perguntava se eu tinha deixado a carta lá porque eu não tinha entregado pra ela, que ela me considerava (sei...) e eu só dizia que não sabia de nada! E ela perguntava se eu não sabia e eu neguei até o fim. O que foi o melhor que fiz, não sabia do que se tratava...  e nem tinha nada com isso.
Collorida foi conversar com o filho na cozinha, gritava como uma louca e eu fui lá. Fui lá falar que não tinha  nada com aquilo que nem sabia do que se tratava e que se era pra arrumar confusão eu não iria me mudar pra casa de NaLgini, que ia procurar outro canto pra mim. E ela falou que deixou a carta lá pra outra e que agora a carta estava lá de volta. E eu falei que sim, que a NaLgini viu a carta, mas que eu não sabia o que ela havia feito.
Collorida se acalmou, o filho e Ad a acalmaram – ela ligou pra Ad – e aí ela veio me dizer que ELA que não queria que eu fosse pra casa de NaLgini agora ela que iria me ajudar a achar um lugar pra morar (estou esperando até hoje), Ad conversou bastante com nós duas por viva-voz e Collorida me pediu desculpas, mas o cristal quebrou... aquilo foi barra pesada demais pra mim e eu só pensava em cada vez mais sair daquele hospício.
Alguns dias depois, Ad foi até a casa do espanto e Collorida contou do que se tratava a carta.
Disse que NaLgini era doida, que cismou que Collorida disse que ela bebeu águas demais no jantar que foram e estava pagando ali por essa água, pois achava que Collorida, quando falou das águas, se falou, sei lá, estava cobrando NaLgini e aí que começou o leva e traz dessa carta que cada uma respondia embaixo com seu português mais lindo que o outro, tão lindo quanto o inglês delas de quem vive aqui há 20 anos e nunca fez esforço pra falar bem.  Collorida pediu a LMBros levasse o tal envelope para doar pra Charity, poderiam ter doado pra mim, fosse quanto fosse, se queriam fazer caridade, eu estava precisando...
Daí as duas começaram a contar sobre a vida de NaLgini, que ela já havia tentado se matar, que fez uma macumba forte para Collorida (do jeito que Collorida contou, parecia digna de coisa de magia negra... só Soudemorte poderia saber... ) no começo, me arrepiei, acreditei... depois, como sabia que  Collorida falava mais que a boca e mais do que a verdade (sim, NaLgini pôs a semente da dúvida em mim) achei tudo absurdo ou forte demais... poderia ser, mas eu só acredito vendo o tal travesseiro com sangue etc...  achei muito fantasioso e outra: eu acredito que essas coisas só “pegam” se você acredita nelas e aí Collorida disse que só queria ajudar NaLgini quando estava me mandando pra casa dela, mas que NaLgini já tinha aprontado várias...
Ainda, Collorida me disse que uma irmã dela lhe aconselhou a rezar sempre e Collorida ainda teve a cara de pau de me dizer: Eu revava sempre, quando parei, NaLgini voltou a me procurar...
Minha vontade era dizer pra ela:  mulher de pouca fé, por que paraste de rezar? Sua imbecil!
Se a magia negra é verdade ou não, se ela rezou pra outra sumir ou não, não sei, sei que não se trata mal as pessoas sabendo que a outra que aprontou tudo é uma louca...
Fiquei muito mais indignada de saber que Collorida ia me mandar pra casa de uma louca desequilibrada  - que já havia sido internada para  tratamento psiquiátrico – e ainda me ofende, me julga e nunca, NUNCA, tentou saber se eu era uma pessoa boa ou não... nunca fez o mínimo esforço e preferiu me acusar e xingar.
Dias depois, Collorida falou que eu poderia ficar na casa dela quanto quisesse, que Soudemorte estava de acordo, mas que eu teria que pagar mais. Pensei, falou... pagar mais para morar com Soudemorte e BocaSujaCollorida, sem internet, sem uma tv pra mim... Vão esperando...
A partir daí, era ponto de honra pra mim achar uma casa o mais rápido possível e sair daquela zona e, de preferência, nunca mais olhar pra cara daqueles seres.
Achei uma casa nos anúncios da Leros, fui ver e tentei mudar o mais rápido possível, só que a menina do quarto iria ficar mais uma semana... quando mais precisei de pessoas para me ajudar, a pelo menos dormir  num sofá de sala uma semana e não ficar mais na casa de Soudemorte, não tive ninguém.
Ad falou de um quarto que estava pra ser alugado perto da casa dela, desce-se na estação de Wimbledon e ainda pegar o tram, mais 5 estações (tram= um bonde moderno, bem legal e rápido). O cara queria 120 num quarto só porque ele tinha banheiro com chuveiro nele - um espanto para quem mora em Londres, praticamente um milagre ter um banheiro seu -, mas 120 LIBRAS POR SEMANA? na pqp de Londres? Porque Wimbledon é chique pra quem pode viver bem (com carro e bom emprego), mas 5 estações de tram, não é mais Wimbledon, é o fim do mundo!!
Vi um lugar que gostei na Leros em West Kensington, quase centro de Londres, quarto com cama de casal por 130 (compare, um quarto em Kensington quase zona 1 londrina e o fim do mundo perto de Wimbledon zona 4 ou 5 já...), mas a própria dona, uma brasileira, me abriu os olhos: gostei de você, alugaria para você, mas pense bem, você ainda não tem emprego, será muito difícil você pagar esse valor por semana, não acha que vai gastar um dinheiro que poderia economizar até se estabilizar e, quem sabe, um dia morar aqui?
Foi uma das poucas pessoas conselheiras que tinha encontrado até esse momento.



Na ponta temos Wimbledon e mais acima West Kensington

O dono da casa onde ia morar me ofereceu um quarto provisório por uma semana em Lewisham e pra lá fui e fiquei uma semana num quarto que
 servia de cozinha para os quitutes que a mulher dele vende. De dia cozinha, de noite, meu quarto, quando eu colocava o colchão no chão. Tudo era melhor do que morar na casa do Horrores e preferi ficar assim nessa uma semana com tv com sky, frigobar e internet.
No sábado quando ia mudar, o meu novo Landlord e eu nos desencontramos nas informações e hoários e ele me pediu pra perguntar a Soudemorte se eu poderia ficar até domingo de manhã, que seria melhor pra ele fazer a minha mudança, o novo Landlord também fazia a mudança.
Muito a contragosto fui falar com Soudemorte que me disse “não tem como ele vir, vai de táxi, chama outra pessoa pra fazer sua mudança, sinto muito”
E contei ao GG (o novo Landlord, depois entenderão o nome) que  ficou indignado, porque se eu entrei na casa num domingo a tarde, eu teria até segunda de manhã para sair, esse é o trato que todos fazem e eu “não ele”.
GG deu jeito e foi me buscar, assim que ele chegou pra mudança, Soudemorte saiu de carro, ele só esperava a hora que eu ia embora pra sair. Detalhe, eu já tinha devolvido a chave pra ele e todas as minhas coisas estavam do lado de fora da casa.
Durante a semana em Lewisham me senti mais leve, mesmo no dia da mudança tendo chorado muito – ver o post sobre os três meses aqui . Mas Collorida me ligou na sexta por conta de uma ligação que fiz que dava quase 20 libras. Eu estava usando um cartão de ligação à distância sacana que me cobrava rios de dinheiro e eu nem sabia e infelizmente nesse dia não tinha créditos no meu celular, esqueci de pôr e fui obrigada a pedir para Soudemorte se eu poderia usar o telefone...
Fui lá pagar a dívida, quando cheguei, acho que ela não achava que eu fosse pagar, ela me tratou com beijos e abraços e LMBros também... nunca tinham sido tão simpáticos comigo... Claro, eu ia pagar,né? Eu fui lá mostrar que não sou da laia deles.
Soudemorte disse pra mim, quando eu ia embora, “Nice to see you!” E eu não respondi absolutamente nada para ele, afinal, pra mim foi um desgosto revê-los. A última coisa que eu queria era revê-los tão cedo... e espero que tenha sido a última vez. Talvez ele tenha pensado que eu não entendi o inglês dele ou não sabia responder, mas eu sabia o que eu queria dizer era “Not for me” mesmo que isso esteja gramaticamente errado.

26 outubro 2010

Ambiente Familiar

É muito complicado ir morar numa casa de família em que a família tem problemas sérios e você escuta eles gritarem uns com os outros. Ou quando fazem algo gostoso pra comer, mas nem lhe oferecem, ou saem, vão ao cinema, etc e nem lhe chamam...
Ou quando você está vendo tv e mudam de canal, sem cerimônia, ou desligam a tv porque vão fazer exercícios no Wii...
Como disse, andei assistindo a alguns programas que Collorida assistia, um deles é How to be look good naked, não, não é programa de pornografia. Parece estranho, mas tem uma conotação boa o programa: o apresentador faz um reality show (é só o que se tem na tv daqui, principalmente no Channel 4) em que escolhe uma mulher que está, por algum motivo, com a estima lá embaixo e a transforma, quer dizer, dá dicas de como ela pode ficar bonita sem gastar muito, como se cuidar, o que fica melhor pra ela usar (roupa, maquiagem, cor de cabelo etc) e no final, ela fica tão bem consigo que se sente bem até nua, se sente bem com seu corpo.
Perdi exatamente o programa que uma mulher que tinha um seio defeituoso por ter tirado um câncer dele, Collorida chegou toda efusiva do trabalho, louca para se exercitar e disse pra mim “Depois você assiste na internet!” que internet??? Eu pergunto... (outro post). Parei de assistir tv. Isso porque ela já tirou também um nódulo do seio...
Se algum de vocês pensa em ir morar um tempo em outro lugar e quer ir morar em casa de família, só se for uma casa de família aceita por algum comitê de intercâmbio, porque casa de família tem o pior da familia: as brigas.
Esse negócio de ambiente familiar é o pior, não pense em aconchego.
A família que fiquei tinha um simples probleminha: dinheiro.  O casal vive junto há anos, uns 15 pelos menos, e nunca casaram no papel e aqui, você pode viver com a pessoa 80 anos e continuar sendo como se nunca tivesse nada com a pessoa, não tem direito nunca a nada que construirem juntos.
Acontece que a mulher comprou a casa e usou na compra um empréstimo do amado Soudemorte, Soudemorte foi na justiça pedir uma parte da casa. Com certeza provou que emprestou o dinheiro e o juiz deu a ele 25% da casa. Collorida, pelo que conta e berra aqui, se sentiu enganada, traída, a casa era de todos, claro, a maior parte ainda é dela, mas tem que conviver com Soudemorte no mesmo teto... diz que quando vender, dará o dinheiro pra ele e falará pra ele seguir o rumo dele...
Não sei não... ela diz que não tem nada com ele há anos, mas dormem no mesmo quarto, na mesma cama eu não consigo viver no mesmo teto que um ser assim, quanto mais na mesma cama...
Ele é sempre cara de pau, até onde eu sei, diz que ganha 50 libras por semana de aposentadoria (!!!) e não paga nada porque não tem dinheiro, ganhava 25% do que eu pagava – ou do que ele pensava Segundo Collorida, ele pôs todo o dinheiro que tinha na conta do filho, do filho que ele teve antes de conhecê-la, LuigiMárioBrothers não é filho dele, e agora vive na boa na casa dela...
Outro dia sairam com uns amigos pra jantar e no outro dia queriam fazer a divisão do que foi pago, estavam em 4 pessoas e Soudemorte insistia que deveria ser dividido em 3, ele ficaria de fora...
A coisa mais estranha foi a briga de Collorida com LuigiMárioBrothers, ela abre as faturas de cartão de crédito dele e quer saber o que são aqueles gastos, que ele deveria gastar só o necessário para comprarem outra casa... Bem, um cara de 28 anos que deixa isso acontecer é porque tem certeza que não vai ter uma casa dele, né? Nunca vai ter vida própria, pelo jeito...
E eu fecho minha porta do quarto para fingir que não ouço as brigas, ou finjo estar dormindo enquanto discutem alto. É claro que quando Collorida diz que não confia mais em ninguém ela está jogando uma indiretinha pra mim, mas como eu não tenho nada com isso, pode gritar no meu ouvido, eu não estou de favor na casa, eu não sou sua amiga, sou apenas uma desavisada que caiu de para-quedas na casa... Desavisada, como eu disse no primeiro post sobre Londres, porque eu não sabia na encrenca em que me metia quando cheguei na casa... e em breve contarei uma bem pior...