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30 maio 2015

My English Teacher

Quando cheguei a Londres, fui procurar escolas de inglês e me assustei com os preços exorbitantes dos cursos próximos a Richmond, onde morava na época.
Lembro de comentar com a maravilhosa Collorida sobre os cursos e o meu querido Soudemorte responder: mas você só vai morar aqui por 2 meses, como pensa continuar fazendo curso por aqui? 

Vocês que me acompanham sabem bem como vivia feliz e saltitante naquela casa e não respondi nada, só pensei, afinal, poderia arrumar emprego pela região e moradia, eu achava...

Quando me mudei para o outro lado da cidade, para Dalston Kingsland e pensei que seria pra sempre, fui atrás com mais afinco por cursos de inglês. Pesquisei na Revista brasileira que todo mundo lia e sempre tinha propagandas de professores, como fiz quando consegui aulas de português.
Achei um interessante: brasileira que desde criança estava lá e era bilíngue. Parecia ser uma escolha acertada por saber os dois idiomas e eu achei que aulas particulares me ajudariam a aprender mais rapidamente o inglês, de falar mais fluentemente. Liguei para o número e era da mãe dela, era quem marcava, porque as aulas eram na casa delas e nunca se sabia quem estaria ligando.
Marquei e fui conhecê-la.
Ela morava com a família num bairro distante do centro, lá pela quase final da Central Line, a leste de Londres - pra lá de Stratford... super longe...

Gostei dela e da mãe, foram bem simpáticas comigo e resolvi que iria fazer as aulas por 20 libras duas horas de aula. Minha mãe me mandou dinheiro, queria que não me faltasse dinheiro e aprendesse o mais rápido pra voltar o mais rápido rs ela tirou dinheiro da pequena poupança só pra me ajudar. O dinheiro que tinha estava acabando já e ainda não tinha arrumado um emprego, só os bicos das aulas de inglês.

Comecei as aulas e decidimos por aulas de conversação, ela ia me explicando gírias que se usavam lá, expressões, entonação etc. Ela tinha um sotaque inglês, ninguém dizia que era brasileira quando estava falando em inglês. Poderia ser até uma entonação falsa que ela usava sempre, de forma a impressionar e se acostumou, afinal, ela estudava Inglês na faculdade, mas era atriz e esta era a carreira que ela realmente queria seguir.

Fui me adaptando muito as aulas dela porque estava extremamente carente, então, como eu tinha que conversar sobre minha vida, eu sempre tinha muita coisa ruim pra contar e aprender a contar em inglês. Fui me apegando a ela e a mãe dela. Gostava muito delas, mesmo! Achava que tinha encontrado novas amigas, até uma família amiga com a qual poderia contar.
Eu estava extremamente fragilizada e contava todas as minhas tristezas lá, não era uma aula de inglês, era quase um divã...
A mãe dela foi quem me indicou àquela casa que contei aqui, de dividir o quarto com um rapaz gay e pra lá ainda da estação da casa delas... inviável morar tão longe e trabalhar no centro fora dividir o quarto com um rapaz, me desculpe, ele poderia ser uma moça num corpo de rapaz, mas não ia conseguir dividir o quarto...

A mãe me falava de amigos que moravam por aqueles lados ou um pouco mais pro centro, mas com quartos por 100 libras por semana, que eram simpáticos e tudo mais, mas 100 libras por semana era ser rica... eu pensava: mas gente! onde essa mulher tá com a cabeça pra me indicar casas longe dos empregos e por esse preço?? ela acha que tá barato? eu falo tudo que sofro aqui e ainda acha que tenho 100 libras pra dar por semana? e o transporte? Sim, porque quanto mais longe do centro, mais caro o metrô se você tiver que ir pro centro, principalmente.
Ela não conseguia entender o meu problema...
E isso era comum: ninguém conseguia me entender: entender que eu não tinha esse dinheiro, entender que procurava como louca emprego e não conseguia, entender que eu não tinha a agilidade The Flash para limpar casas e entender que eu sofria com tudo isso... que eu me sentia frustrada, me sentia culpada por não conseguir fazer essas coisas todas... era angustiante!!!

Aos poucos, fazendo as aulas, eu fui percebendo que não dava mais pra pagar... fiz por uns 6 meses, acho, nos últimos tempos eu ia de ônibus para economizar - comprava a cota pro mês todo de ônibus que era mais barato - e pegava três ônibus pra chegar lá: de Elephant & Castle eu ia até Liverpool Street, lá pegava outro bus até o terminal de ônibus de Walthamstow e de lá para a casa da professora. Devia levar mais de duas horas. Daí comecei a ficar frustrada com a aula: a professora falava mais que eu e então não adiantava... ela contava muito papo sobre os grandes namorados que teve, sobre os bullyings que sofreu quando chegou na Inglaterra e na escola e não falava inglês. Uma coisa me irritou um dia: ela contava sobre o namorado novo na frente do pai, e o pai brincou com ela, ela virou para ele o xingou... achei aquilo muito chato... 
eu me sentia a filha do Kevin Spacey ouvindo a amiga gostosa falar das conquistas...
A mãe era uma mãe bem à brasileira: fazia tudo para todos e não recebia nenhuma atenção por isso. A filha chegou a ir embora de casa porque brigou com a mãe, briga boba e voltou. A mãe era espírita, então achava que tinha alguém que tinha algo a ver comigo. Ìamos a uma palestra do Divaldo Franco, a mãe falou pra eu ir com uma amiga, porque teria que fazer a janta para o marido e deixar tudo pronto... engraçado porque ela sempre dizia que o marido a acompanhava em tudo e naquele momento não vi isso...

Fazia tudo para participar da família: fui à peça de teatro da teacher, que estava com um outro namorado e quando fomos cumprimentá-la ela mal deu atenção porque estava com o cara... foi muito chato; fui ao aniversário da mãe e comprei um livro do Chico Xavier de presente; fui à casa ver o cachorrinho novo que tinha comprado e que estava doente... eu queria mesmo fazer parte... se me chamavam pra almoçar ou jantar eu não negava, fazia muito tempo que não comia como gente...
Não tinha como pagar e como trabalhava com portugueses, não usava o inglês quase que pra nada e desisti das aulas.

A mãe me indicou ainda um emprego, eu lembro de ter comentado aqui, mas não acho o post... não sei o que aconteceu... foi quando a mãe quebrou a perna e me indicou na escola onde trabalhava como assistente na hora do intervalo das crianças. Eu fui, fiz um teste e gostei de lá, mas a "chefe" das assistentes, uma mexicana, não gostou de mim e da amizade que logo de cara fui fazendo com as meninas (eu era dedicada e estava contente de estar ali - era uma escola católica só para meninas de até uns 14 anos). A mulher disse que eu não era expansiva e não daria pra eu ficar com a vaga. Fiquei bem triste porque, mesmo sendo bem longe, era um lugar que eu poderia, aos poucos, subir para assistente e trabalhar mais horas além do horário do intervalo (é, era só no intervalo, por umas 2 ou 3 horas, um pouco antes para organizar o pátio, auxiliar as crianças para comer e ficar vendo elas brincarem no pátio aberto e depois limpar tudo e ir embora). Mas a Sheena (era o nome da mulher) era punk rock e não me deu chance, deu a vaga para uma outra amiga, que saiu meses depois, quando eu já estava decidida a voltar pro Brasil. 
A mãe também ficou chateada por estar de licença e não pôde me ajudar a ficar com o emprego. Quando fui a Portugal, no Natal, trouxe encomendas para elas e por tudo que faziam pra mim.

Só que a máscara delas caiu e por mais que eu desse uma chance, eu tive que admitir que elas eram como todos os outros brasileiros: egoístas e mentirosos.
Vi no Facebook que a filha tinha ido pro Brasil e voltado com um namorado anterior que ela sempre falava e dizia que não voltaria, jamais, com ele e falava muito mal do cara (brasileiro). E as fotos e conversas no Facebook eram de amigas no Brasil felizes de a reverem no Brasil e saírem com ela - ela nunca me disse que ia ao Brasil enquanto estava tendo aula e eu não tinha parado há muito tempo -  vi fotos dela em São Paulo, Bahia e Porto Alegre (cidade do namorado) e os muitos comentários... achei estranho, porque elas sabiam da história da mala... e como fiquei com isso.

Estava bem escaldada pelos brasileiros e resolvi fazer um teste... liguei pra casa dela e falei com a mãe e perguntei da filha e a mãe: ela está bem, trabalhando muito e estudando (aham!)  
e aí joguei a isca: pois é, você conhece alguém que venha do Brasil esses tempos para trazer um remédio pra mim que eu só sei que tem lá certinho, porque aqui teria que passar no médico e não sei se me daria o mesmo...
mãe da teacher: ah, tem um consultório brasileiro em Stockwell, lá pode ser que você consiga o remédio que quer.
Bingo!
Era tudo que eu precisava saber: que elas iam se fingir de mortas e não me ajudar, como todos. E ia mentir na minha cara da forma mais deslavada com tudo bem claro e exemplificado no Facebook... Acharam que eu era idiota? Eu nem ia fuçar o perfil, era tão simples... era só ler as últimas atualizações... pronto... dei de cara com a amiga falando como foi legal andar por o bairro onde moravam em Sampa...

Daí deixei-as de lado, eram farinha do mesmo saco de todos os outros... cheguei até a mudar postagem aqui por elas terem se sentido ofendidas por eu ter falado mal dos brasileiros e fiquei super mal de tê-las magoado, mas daí veio a comprovação.

Antes de ir embora, como continuaram no meu Fb e fingi que nada tinha acontecido, a filha me falou de almoçarmos num lugar que adorava em Londres e que foi indicação dela, um restaurante italiano.  E eu disse que tudo bem, vamos marcar e tal... (sem nenhuma vontade que isso realmente acontecesse) e a mãe também queria pra se despedir de mim. E eu disse quais dias poderiam ser e marcar, esperando que nunca desse certo porque eu estava com nojo delas.

E aí foi o golpe final, a mãe me escreve em pleno Facebook com no meu mural para que todos leiam me humilhando mais um pouco do que já tinha sido humilhada por lá:




Agora vocês já sabem porque fechei meu mural para que não escrevam nele...

Consegui não me encontrar com elas, fui embora chateada com elas, pensei que eram as únicas amigas que havia feito lá, ledo engano.


08 abril 2012

Vida entre brasileiros

Em dezembro de 2010 tinha deixado esse rascunho aqui:

Comunidade Brasileira em Londres: nunca eu digo NUNCA espere ajuda de brasileiros aqui, claro, eu achei umas quatro pessoas muito boas aqui... e o resto... é resto! O resto te olha como se você fosse tomar o emprego dele, que quisesse entrar numa ordem secreta e te dizem: ah, tá, eu vou ver se tem alguma vaga e te falo... A ordem secreta se explica, hoje, depois de 5 meses eu entendi que sou mal vista porque tenho passaporte europeu ORIGINAL de família, ou seja, um DIREITO meu garantido. A maioria está ilegal e tem medo de você, tem medo porque você pode conseguir um emprego melhor e medo que você o dedure para a imigração, como muitos fazem. Muitos brasileiros com visto britânico fazem isso e muitos portugueses também são acusados disso, só que eu não quero confusão com ninguém, quero que cada um viva a sua vida e deixe a minha em paz, o que nem sempre acontece. Além disso, há muitos brasileiros com passaporte europeu original e britânico que não te ajudam em nada: "se eu sofri, você merece pastar também", o egoísmo total. 

Meu pensamento não mudou muito, a partir daquele momento até tentei não ter tanto preconceito com "gente da minha terra", mas acabou sendo inevitável.
Os brasileiros realmente se fecham para outros brasileiros - não só por serem ilegais, mas realmente não gosta de ajudar. Ajudam se você for inglês ou alguma nacionalidade considerada superior (brasileiro não perde a mania de se sentir colonizado).

Estava infeliz vivendo com a marcação serrada da xereta Marciana e "não dormindo" no mesmo quarto que a Bruxa do Centro-Oeste. Minha Roommate do bem viria pro Brasil em abril e eu ficaria só, mais só do que já me sentia. Precisava mudar.

Procurei no famoso Gumtree, o site mais popular de classificados na Ilha. E, por isso mesmo, o mais cheio de golpes. O golpe mais comum (e como brasileira eu já reconhecia logo de cara ser um golpe) era da família que iria se mudar pra um outro lugar (US, África etc) e precisava de alguém para cuidar da casa, ou seja, era praticamente só cuidar de um apartamento enorme em Notting Hill (você não desconfiaria?), o preço era irrisório, algo como 100 libras por mês. Havia esse mesmo tipo de anúncio para emprego: você receberia 1000 libras por mês (aumentou 10 vezes!) para ser a governanta da casa.
Não encontrava nada que parecia bom e barato.

A mãe da minha professora de inglês, uma brasileira e elas precisam de alguns capítulos aqui, me falou sobre uma amiga que alugava quartos na região nordeste de Londres, lá na longíqua zona 3 quase 4, na Central Line. Fui ver o quarto.
Chegando lá, descobri que era pra dividir com um rapaz. Bem, como ele é gay você pode dividir sossegada. É o que sempre dizem por lá e muita gente faz isso. Iria me cobrar 60 libras a semana - eu pagava 50, mas era praticamente zona 1 e só pegava um ônibus por 15 minutos e estava no trabalho.

Lá teria que dividir o quarto com um homem - não deixa de ser um pra mim - e pagar 10 libras a mais: além de que teria que gastar dinheiro com transporte pra chegar lá, teria que pagar o metrô ou seria quase inviável. Ou seja: de 1,30 de busão, teria que pagar pelo menos 2,90 (preços só de ida).
Mais 10 do quarto e ainda teria um dia da semana para limpar a casa (onde estava já era incluído na limpeza da Marciana, que reclamava todo final de semana pra limpar, mas era o acordo dela, ela queria o quê? que eu ficasse com dó e além de pagar o aluguel dela ainda ia limpar o muquifo?).

Não achei viável e também ouvi algo que não gostei.
Elas são espíritas (a mãe da teacher e a dona da casa) e eu também.
Frequentava uma casa espírita pequena e que deixavam as crianças atrapalharem as sessões (filhos dos próprios voluntários que chegavam quase no final da sessão) e comecei a me irritar pela falta de indisciplina, tinha saído de lá para ir ver a casa.
E contei para a mulher sobre não estar gostando disso e a dona da casa veio com uma de "ah, mas dever o único horário que a mãe tem pra ir e o filho deve ser o maior necessitado que você".
Sim, todo mundo sempre na minha frente...
Como eu já andava com a tal da estima lá no inferno (sorry, mas tenho que usar MESMO essa palavra). Ouvir alguém me dando lição de moral naquele domingo à noite já bastava, se era tão espírita como dizia por que não conseguiu enxergar que estava diante de alguém que estava extremamente vulnerável a qualquer comentário?
Ainda mais porque a própria mãe da teacher tinha me dito que essa "dona da casa" (ela só era a Landlady e ela limpava a casa e a dona mudou e deixou que ela alugasse porque era de confiança) com a filha que trabalhavam de cleaner estavam ilegais e... faziam o que queriam na casa das donas: inclusive dormiam nas camas das donas das casas quando estava cansadas de limpar, comiam a comida etc.

Então, cadê sua moral pra falar que eu não tenho paciência com uma pobre criança de dez anos que fica jogando bolinha durante a palestra e a mãe que chega no final só pra ser a primeira a receber o passe?
Antes de jogar pedra em mim, olhe se você também não merece um paralelepípedo na cabeça!
Se ela fosse uma madre Tereza de bondade e benfeitora eu engoliria: a mulher é um ser acima que preciso chegar e alcançar, mas se você faz barbaridade na casa das suas patroas, não vem falar de mim porque eu não vou aceitar!
E não aceitei...  o preço e os termos já não compensavam e eu como uma alma perdida em Londres, senti que realmente nunca conseguiria encontrar uma pessoa que me ajudasse e me desse pelo menos uma mão para me dizer: calma, Regina!
Não, ninguém era capaz disso.

Na escola-ong de brasileiros, para dar aulas para filhos de brasileiros (preciso comentar sobre lá, né?) havia uma maioria de legais e nem por isso me tratavam melhor.
A professora para a qual eu era assistente de sala, quando perguntei a  todos se ninguém sabia de algum quarto para alugar veio com as pedras nas mãos:
Você acha mesmo que vai achar algo barato em Putney? (a maioria morava por lá, mas eu não tinha dito que queria morar lá) Olha, nem adianta ficar procurando, nem tem lugar barato para morar lá e ninguém aqui sabe de nada. Ainda se fosse em Parsons Green... (perto de Putney, zona 2 oeste de Londres)


Fiquei tão chocada com a doçura dela que nem falei que não estava procurado exatamente em Putney... A voz não saía... e os outros olharam de lado e ninguém falou nada...

Depois me acostumei com a doçura dela quando a vi xingando o marido na frente de todos... vi que ela era doce assim de natureza e que o marido, mesmo sendo brasileiro, não devia estar dando conta... Deve ser difícil dar conta de tanto fel...
Ela mesma tinha me falado pra eu ser babysitter e procurar no... Gumtree... (todo mundo só me dizia: já procurou no Gumtree?)
Afinal, poderia morar na casa das pessoas...

O que achei no Gumtree não era babysitter nem Nanny, era escrava: moraria na casa, ganharia algo em torno de 80 libras por semana, com uma folga na semana e não teria horário pra estudar.
Uma das mulheres com quem falei, uma norte-americana se me lembro bem, disse: como assim você quer estudar? Não tem horário pra isso, você tem que cuidar das crianças durante o dia e a noite!

E a maioria é assim.
Lembro de ter visto um anúncio em St John's Wood (região bem classe alta londrina) que pagavam 5£ a hora para ser babysitter ( salário real para uma babysitter morando em casa seria por volta de pelo menos 10 se não morar na casa a partir de 12, o salário mínimo era 5,93 - o que ganhava no Império)
Comentei com uma brasileira e ela só me disse: você não quer? vai ter uma filipina pra fazer isso.
Ou seja: filipino é o escravo do londrino.

Também acabei me traumatizando depois do caso italiana... comecei a sentir que sou uma inútil e irresponsável com crianças.

Tentava arrumar um emprego e um quarto por minha conta, ia à agências imobiliárias, procurava empregos no site do governo também e nada... mandava meu c.v para todos os lugares... e nada... tristeza porque tentei muito. Passava o dia todo em sites de emprego.
Fiquei até sem estudar para ver empregos e casas e nada.

Chegava depois do trabalho, cansada e desesperada comentando que precisava achar outro emprego e Marciana vinha como a dona de toda a sabedoria:
Porque você não quer trabalhar o dia todo! Quem quer arruma emprego! Trabalha até de madrugada!

E eu:
E quando vou estudar? Vim aqui pra isso?

Woman from Mars: Estuda de noite... sei lá... Quem quer faz tudo que quer aqui!

Se eu tivesse para onde ir, teria saído dali, mas não tinha... Além de pagar para aquela vaca, ainda tinha de aturar desaforo de quem se acha porque se mata para sustentar família chupim no Brasil...

Outra na escola de brasileiros me disse: por que você veio aqui pra Inglaterra no meio dessa crise? Deveria ter vindo antes!

Eu:  Só agora consegui juntar dinheiro pra vir... não consegui antes... estava juntando... demora...

(ela morava lá já uns 7 anos... o pai pagou curso e tudo e aí ela arrumou um passaporte britânico: um marido inglês que deu emprego pra ela na empresa de telecomunicações de lá)

A todo momento ouvia coisas legais de todos os brasileiros... a mãe da teacher até tentou me arrumar um emprego na escola que trabalhava para ajudar na hora do almoço das crianças, mas a cucaracha me tirou do páreo, pôs uma amiga que ficou uns 3 meses no emprego... e eu sem nada por todo aquele tempo... (quer dizer, só com o Império no final da tarde).

A mãe da Teacher achava que eu não me esforçava... era engraçado pra mim aquilo: todo mundo achava que eu não me esforçava...
Será que era porque todo mundo tinha realmente chegado numa época melhor e não conseguia enxergar porque eu não conseguia me virar logo?

Só quando conheci brasileiros que moram em Londres há 20, 30 anos eles me entenderam e me disseram: essa não é a mesma cidade como a conhecemos, mudou muito... e pra pior... (só isso me consolou).

12 setembro 2011

3 meses pra voltar ao Brasil

Exatamente de hoje há 3 meses estarei novamente no Brasil.

Existem dois lados pra comentar.

O primeiro é que muitas pessoas, quando digo que estou voltando acham super cedo minha volta. Muita gente que está aqui há um bom tempo diz que o primeiro ano é assim mesmo, depois as coisas entram nos eixos...
Pode até ser, só que eu acho que não tenho idade e nem saúde para esperar mais.
Tenho 36 anos, já percebi que envelheci horrores aqui, além dos 8 kilos a mais...
Não me reconheço quando olho no espelho e nem nas fotos que tiro.
Vejo uma mulher pálida, gorda e feia.
Que deve estar cheia de varizes na pernas (mas nem olho pra não me deprimir), com algum problema de coluna, com toda certeza, pelo "colchão" que dormia na casa da Marciana - e logo vocês saberão mais sobre minha cama de faquir...

Eu acho que se tivesse 10 anos a menos, talvez eu arriscasse ficar mais tempo, tipo, ver se as coisas realmente entrariam nos trilhos... mas não tenho, além do que disse acima, não tenho paciência...

Acho que depois de todas as humilhações e sufocos que passei aqui não tenho pique para aguentar mais...
Semana passada mesmo eu estava deprê total - acho que foi a tpm, mas... tem horas que é muito barra pesada estar sozinha num país já não tão estranho, mas sem com quem contar, sem ter onde chorar tranquila...
Ah, que saudade de chorar na minha cama! Nunca mais tive essa privacidade... acabei chorando em banheiro e ou na rua... que se dane, os outros não me conhecem...

O que acontece é que muita gente por aqui (Londres) não me entende...
Não só por tudo que falei acima, mas porque muitas pessoas vieram acompanhadas, estão com família, amigos, namorado, alguém que dê um apoio, que ajude nos momentos críticos e eu não, eu vim sozinha e continuei sozinha.
Fiz amizades, mas não é a mesma coisa de passar muita raiva e correr pra contar, ainda são amizades muito novas e que, a maioria das pessoas, como não passaram pelo mesmo, não conseguem, mesmo, me entender.

O segundo ponto é o do outro lado do Atlântico.
Voltar e encontrar minha família não será fácil. Os problemas que deixei continuam lá e prefiro eles a estar aqui, pelo menos é sofrimento coletivo, todo mundo junto, sofendo e se ajudando.

Mas o problema maior do outro lado da Atlântico, sim, serão minhas tias que fazem o favor de tudo ficarem no meu pé.
Tanto que teria o casamento de uma prima para ir e só volto dois dias depois.
Fiz de propósito.

Eu sei e já desabafei aqui como será.
Eu passei a vida inteira sendo vista como menos por elas, sempre minhas primas eram superiores a mim.
Então, chega, né?
A vida inteira foi:
"a F ganhou a boneca tal de Natal, você não".
Claro que eu não ganhei, meu pai nunca teve dinheiro pra isso...
"Nós fomos no Playcenter ontem! Fomos na Montanha Encantada que você queria ir, mas não fomos da vez que você foi!"
"Ah, você tá gorda! Essa roupa nunca vai servir pra você, serve na A"
"Você é muito portuguesa, mesmo, né? Por que não pode gostar de axé e pagode como suas primas ao invés desse barulho?"
"Ih, a S trouxe batons e perfumes pra todo mundo, mas esquecemos de guardar pra você... ah, tem esse aqui!"
sempre a coisa pior que ninguém queria...
"Nossa, como seu irmão é mole! Demora tanto pra arrumar uma antena de TV pra gente!"
Sim, meu irmão fazia as coisas e também sempre foi tachado.

E agora uma dessas minhas tias diz que eu sou antissocial e que se eu não arrumo inglês que eu deveria arrumar outra raça, assim, fácil, num estalo!
Antissocial foi porque disse que estava difícil dividir quarto - logo saberão o inferno que vivi.
Só que essa minha tia não me perguntou porque era tão difícil, não quis saber como era, como sempre, foi jogando tudo no ventilador. Não pensa, só fala o que vem na cabeça e, de preferência, tudo que seja pra detonar logo comigo.
Daí a bloqueei no msn e tive que bloquear todo mundo para, como disse pra minha mãe, os outros não ficarem com ciúmes.

Agora ela veio dizer pra minha mãe que tem saudades de falar comigo e que eu nunca mais falei com ela...
Já disse pra minha mãe: ou você diz que estou magoada ou ela espere pra eu jogar na cara quando voltar...
Infelizmente, anos e anos sendo tratada como lixo uma hora tem que acabar... Seja de forma doce ou amarga, acaba.
E sei que quando voltar e ter perdido o casamento todo mundo vai falar e eu vou dizer: pensei que eu não faria falta no casamento, ou eu fiz falta porque não estava lá pra fazer parte da turma de perdedoras que vocês queriam mostrar pros outros?

Não acho que sou perdedora, mas elas acham, sempre acharam e esse seria, pra elas, o momento de coroação da bela, classe média, doce, fã de axé e pagode sobre a pobretona, gorda, baixinha, portuguesa (por ser brava pra elas, e sim porque eu sempre tive opinião).

Acho que tive uma vida muito dura desde criança, com vários problemas familiares e me tornei uma pessoa extremamente tímida e sonhadora, cheia de traumas e se hoje estou sozinha, tenho certeza, não foi porque perdi, não se perde, não se ganha, pelo menos eu acredito nisso, diferente delas que acham que isso é uma vitória.
Talvez eu seja vitoriosa só por conseguir colocar tudo isso no "papel".
E serei vitoriosa só por ter feito o que sonhava, ter descoberto por mim mesma que Londres não é meu lugar.
Hoje sei que não vou passar o resto da vida falando "ah, Londres que era o lugar para eu viver"...
Eu sei por experiência própria que não é assim e se elas continuarão me criticando, seja pelo que for, só que talvez eu esteja mais preparada para dar um basta nesse bullyig familiar.

29 agosto 2011

Mais acontecimentos, ainda na casa do GG

Durante os dois meses que morei na casa de GG e Pureza, além de morar com um rato, também passei por várias situações.

A primeira foi conhecer a neve, o primeiro dia que caiu neve aqui, dia 30 de novembro do ano passado, ainda me lembro, começou a nevar... estava na rua. Fiquei emocionada, ria como criança, deviam me achar uma boba no meio da rua, mas foi muito, muito legal!
Aquelas bolinhas que não eram gotas de chuvas e caiam forte, todos se protegiam, menos eu, eu queria sentir, ter certeza de que o que via era neve... incrível essa sensação... realmente voltei a ser criança naquele dia, de tão feliz.

Comecei a trabalhar numa escola para filhos de brasileiros, para que eles aprendam português e a cultura do Brasil, sou praticamente um voluntária, mas meus sábados mudaram e conheci pessoas diferentes que tenho amizade hoje.

Também comecei a trabalhar com faxina... infelizmente não  tinha como: meu dinheiro estava acabando, a semana a 85 libras de aluguel pra dividir com um rato e dormir com um carpete imundo que me dava uma alergia louca, não me davam alternativa: tinha que ver o primeiro trabalho que viesse e tinha que ver outro lugar pra morar.

Uma prima da minha mãe, contou para a minha tia que uma mulher que ela conhecia, que tinha uma perua em que vende ovos etc tinha uma filha que morava em Londres e ela alugava quartos.
Minha mãe achou que talvez esse fosse o caminho para eu mudar de casa.

Minha tia passou o contato da mulher e fui eu em Elephant & Castle (parte centro-sul de Londres, impregnada de brasileiros, latinos e caribenhos) é um lugar muito perto do centro. De ônibus você leva uns 15 minutos até o Big Ben, por exemplo.
Só que chegando lá, conforme as indicações da dona, fui achando o lugar extremamente horrível: me vi numa Cohab (desculpa você que mora na Cohab, mas aqui é pior) imunda, caindo aos pedaços, um lugar que não imaginava achar em Londres, pessoas com caras mal encaradas, rua principal entre as cohabs suja porque todos os dias tinha feira ali (aqui, a rua da feira, ou do market, é todo dia feira, menos segunda).
Ia andando e pensando: não pode ser nesse lugar! Prédios iguais, não pareciam velhos, mas muito mal cuidados. A mulher me disse pelo celular que me encontraria no caminho porque o elevador estava quebrado...
Eu pensei seriamente em voltar pra trás... mas não tinha dinheiro pra ficar de luxo e precisava pelos menos ver...
Encontrei a mulher, que nomeei de Marciana, em breve entenderão o porquê, uma mulher bem simpática e que me levou até o prédio certo que eu não acharia.
Entramos por outro prédio, pelo elevador do outro prédio.
Ela se gabava de morar tendo como vista a London Eye, se via quase todos os principais "heritages" de Londres dali: Big Ben, London Eye, Saint Paul...

Daí conheci a casa... cheia de mofos pelos cantos das paredes, meio escura, precisando seriamente de uma reforma e na qual teria que dividir com outra pessoa o quarto...
Até aquele momento, parecia até tranquilo, mas não queria, iria aguentar mais um pouco na casa do GG, o rato iria sumir...
Ela prometeu me ajudar, que logo eu arrumaria um emprego fixo, que ela tinha muitos contatos e dizia porque eu morava tão longe, ali era uma ótima localização!
Realmente, geograficamente, a localização é ótima, as moradias é que não prestam... por conta de seus donos e landlords... eles naõ cuidam como todos fazem: só querem dinheiro no bolso.

Para ir embora, ela me disse pra descer as escadas, que ficaria mais fácil...
Conforme descia as escadas, cinco andares, mal iluminadas e sujas... fui pensando que não queria morar ali de jeito nenhum! Encontrei até um absorvente feminino sujo na escada e sai como louca, corri nas escadas e só pensava: aqui eu não quero morar!!!

Marciana realmente me indicou empregos, falou porque eu não trabalhava nas vans (já contei aqui sobre elas, né?) e achei aquilo o fim da picada, mas ela me passou a indicação de uma mulher que precisava de ajuda apenas por alguns dias na limpeza de casas...

E lá fui eu acordar às 4:30 da manhã num domingo, o domingo em que o rapaz goiano levou peixe pra casa e ouvi aquela conversa que me pareceu muito estranha...
Teria que pegar o trem, era beeem longe onde encontraria a mulher para a limpeza... e teria que estar na estação certa às 7 da manhã.

Cheguei, a encontrei, ela e o marido, do sul do Brasil, me levaram até a primeira casa. Na verdade, não era a casa, só um escritório que ficava bem nos fundos do quintal. Um escritório que ficava cheio de folhas das árvores que caiam e só era limpado uma vez por ano...

Depois fomos limpar a casa de um senhor inglês viúvo e que tinha estado na 2a Guerra. Ele ficava na dele enquanto limpávamos e eu só pensava: cadê a família dele? é Domingo!
Daí ele foi no forno pôr um congelado pra ser o almoço dele... que vida triste, gente!
Só que no final eu entendi: quando íamos embora, ele dava bye-bye pra gente quase nos botando porta pra fora... educação britânica!

A moça me dizia que muita gente gostava de trabalhar com ela e o marido, porque as pessoas diziam que riam muito com eles.
Eu não ri nenhuma vez: só via ela dar altas cortadas nele e ele, quieto...
E ela ainda me dizia: já consegui casar, tá bom, ou seja: casei e pronto, ninguém pode falar o contrário, seja bom ou ruim.
Ele tinha cidadania italiana e ela ganhou de lambuja...

Nesse dia, voltei cedo pra casa, cansada, mas tudo bem...
O problema foram as casas que fiz durante a semana: 7 casas num dia...
E ela sempre me dizia:
Você fica com o banheiro.

E virei uma expert em limpar banheiro... morria de raiva, nem era raiva, era tristeza mesmo... tinha que me sujeitar porque as aulas eram poucos, o dinheiro acabava e o aluguel que eu queria manter era arrasador...

Cheguei em casa depois de sete casas e só quis deitar na cama.
Fiquei lá estirada, tentando descansar, não aguentava mais. Estava extremamente cansada, acabada, moída... e ainda tinha GG e Pureza no seu banho de espuma... e pra eu tomar banho?

Fiquei pensando enquanto estava derrotada na cama: se aquilo era vida, se isso seria só por aquele momento, que precisava fazer algo... pensar... pensar... sofrer... sofrer...

E nada mudou muito na minha vida, ainda comecei a fazer aulas de inglês, minha mãe mandou dinheiro pra que eu fizesse, e parti pras aulas particulares para ver se isso adiantaria meu aprendizado, fiz amizade com a professora e a mãe da professora que me ajudou em muitos momentos.

Tive que pedir dinheiro para o meu pai, para, pelo menos, ter um Natal digno: ir pra Portugal na casa das minhas tias, quando voltei de lá, voltei para morar na Cohab...não teve jeito, foi a única alternativa que me restou naquele momento.

10 março 2011

Amanheci meio Madre Tereza

abri o blog de novo e o twitter...

não sei o que estou fazendo e pode ser que logo feche tudo de novo rs

só sei que estou cansada de ser eu... preciso me reinventar...

é muita coisa junta - e nada boa - acontecendo na minha vida aqui... o problema deve estar em mim...

28 fevereiro 2011

de volta à saga... ou A Hora e a Vez de Stewart Leetle - parte I - a dama do busão e o marido from Goiás...

Na casa nova, em Dalston, Hackney, me senti bem melhor, com um quarto (minúsculo) todo só pra mim, com tv paga, frigobar... comecei a sentir que assim, sim, era vida! Ninguém cuidando da minha vida e ninguém se importando comigo.

Claro, é complicado viver com pessoas que não dão a mínima pra você, nem pra ajudar a dar uma dica de emprego... mas, tudo bem, já estava aprendendo a saber que ninguém ajuda ninguém aqui e manda você se virar rápido.
Estava com algumas aulas de português para estrangeiro e na escola para filhos de brasileiros, não era grande coisa, mas era melhor que nada... só que o dinheiro ia embora... aluguel por semana: 85 pounds.

Moravam na casa um rapaz num quarto grande, um casal no outro quarto grande e os donos da casa, na parte debaixo da casa, num quarto grande também. Aqui é assim: sua casa é um quarto, sua vida é ali, cozinha, banheiro é tudo dividido.
Todos eram brasileiros, o rapaz sozinho de Sampa, o casal que alugava de Goiás (ihhh) e os donos de Minas.

Todo mundo me cumprimentou quando cheguei e disseram: se precisar de algo, pode bater aqui na minha porta... ahã... bate na porta e dá com ela na cara... não beeem na cara, mas quase...
Eu acho que se você não quer ajudar ninguém não se ofereça, NUNCA!
Porque fica extremamente chato depois eu ir perguntar se sabem de algo de emprego e falarem "ah, vou ver..." e nada... deixam pra lá e tal...

A goiana, ao se apresentar pra mim, errou o nome, achei estranho, mas não liguei, disse que a irmã morou  com ela e ela sempre acabava confundindo...
Depois comecei a entender, perguntei para ela sobre trabalho e ela disse que ia ver com o marido, no emprego dele. Depois perguntei pra ele e ele disse que ia ver e perguntei do trabalho da mulher - tipo, por que não podem me indicar no dela???? (fui ingênua) e ele disse que ela trabalhava num pub, mas que ia ver no trabalho dele...
Certo, a menina mal falava inglês, com português "tiririco" e trabalhava de garçonete? então eu poderia!
Daí comecei a perceber que ela trabalhava pouco pra alguém que trabalha em pub e sexta à noite, chegava em casa, dei de cara com ela na cozinha, às 9 da noite... que pub é esse?
Até o dia que ela escondeu de mim que ia sair super maquiada (eu a encontrava sempre na cozinha, estava numa fase cozinheira, querendo reverter a situação fast-food instalada desde a casa de Soudemorte), bem, não precisaria esconder de mim, quer sair maquiadéssima, sai! Mas ela escondeu com a touca de frio do casaco... não queria de jeito nenhum que eu visse e aí reparei que ela usava umas sapatilhas e saía com uma maletinha... daí comecei a entender... ou não... ou pensar errado, sei lá... mas estava muuuuito frio, tipo zero grau para usar uma sapatilha à noite...
E ela ia sempre pra academia, ela e o marido, só que em academias diferentes porque ela me disse que na do marido era mais de homens puxando ferro e preferia a outra com mais mulheres.
Ela me encontrava na cozinha e falava, falava, falava... escutava sempre, sempre, ela no celular no quarto dela (ela falava sem parar e super alto, acho que é mal de goiana, já percebi... falar alto e muito).
Ela é aquele tipo de pessoa que se vê frequentemente aqui (dos brasileiros) está aqui ilegalmente, gasta rios de dinheiro com roupas de marca para mandar pros parentes no Brasil só pra mostrar para cidadezinha do fim do mundo que está ganhando horrores (mas não diz que se mata aqui pra isso, sempre quer estar por cima, mostrar que é o rei/rainha de Londres, Elizabeth que se cuide com esses brasileiros ilegais! só para todo mundo os invejarem lá em tiririca da serra)...

Então, é aquela história, a pessoa está aqui e, ao invés da pessoa abrir a cabeça, expandir os horizontes, não conhece nada (porque nem passa na imigração), não aprende o inglês e não entende a cultura deles nem um tiquinho! Vive como se estivesse no Brasil e vendo a Record rs (que é só ter parabólica pra ver)...

Voltando, aí comecei a perceber que ela sempre, mesmo quando não estava tão frio, chegava ou saía com o capuz na cabeça... daí comecei a ligar o fato dela errar o próprio nome, a maquiagem e a maletinha... gastar dinheiro com academia em Londres? mas você não tá juntando pra comprar casa no Brasil?
Tudo ficou meio estranho... fora o fato de eu ter ido perguntar pra ela sobre uma mulher que ela conhecia que fazia barras nas calças (que ficou igual a cara dela, um c*) e ela estava com uma amiga que ia fazer depilação nela e ela ficou conversando comigo e tirando a roupa na boa... eu é que fiquei com vergonha rs

O marido dela era uma figura também estranha... um dia, acordei hipercedo porque ia trabalhar numa faxina, uma mulher que fazia com ajudantes ia me pagar para fazer no domingo. Acordei tipo 5 da manhã naquele dia, estava tomando café na cozinha e ele chega da rua com um outro cara com vários peixes e começam a cortar na pia - estavam limpos já.
Daí o cara fala pra ele:
"Pô cara! De graça! Vamos faturar!"
E o marido da dama diz: "Não fala isso, não, cara!" e faz um gesto para o amigo lembrar que eu estava ali.

Estranhei... e estranhei mais num outro domingo que eu ia sair e uns caras o chamam na porta (caras que não falavam português e muito dos mal encarados, cara de bandido mesmo, maloqueiro, como se diz em Sampa, meu!) e ele foi lá conversar com os caras, que pareciam querer entrar de qualquer jeito na casa e ele pedindo pra os caras se acalmarem... assustei... mas não era da minha conta, desde que não invadissem a casa e levassem o Ewan (meu laptop).

Ele trabalhava num restaurante durante o dia e durante à noite também, fazendo entregas de comida chinesa, ele tinha uma moto, como muitos "brazucas", era motoboy...

Outra coisa muito estranha era o fato de ela sempre falar do sobrinho (com nome do rei da Távola Redonda) e sempre mandar coisas pra ele, até aí, tia mimando, mas uma tatuagem no braço com o nome do menino? Só mãe pra fazer essa breguice, que eu saiba...

Via as coisas, mas nada disso me importava se isso não fosse mexer com a minha vida... ainda bem que não mexeu... e fico até feliz de ela não ter arrumado um emprego onde ela trabalhava... acho que eu não iria, não iria com certeza se fosse realmente o que estava pensando...

15 fevereiro 2011

6 meses...

... e lá se vão seis meses!!

Seis meses, eu achei que não aguentaria tanto... e espero aguentar um pouco mais...

Bem, vocês sabem de tudo: que a vida aqui é difícil (uma merda mesmo rs), que Londres só como turista.
Descobri que realmente eu não tenho nada a ver com esse povo, tirando o rock daqui, pra mim, nada faz sentido: não tomar banho ou só dentro da banheira (nojo!), comida apimentada, dormir sem "lençol de cima", aquecimento (ODEIO!!! e me mata de alergia), carne que tem um gosto estranho (a de vaca), parece que é velha...
odeio aquele fogão de chapa, sem boca com chamas, ODEIO! minha comida sempre queima por baixo e fica aguada por cima.

E o bolo de aniversário daqui?
É HORRÍVEL!
Um pão-de-ló sem graça com uma cobertura totalmente feita de açúcar, dá até um nó na garganta de tanta açúcar... horrível... saudade dos meus bolos, que não faço porque não tem batedeira na casa...

Saudade de uma manga de verdade, de uma laranja de verdade, porque elas não têm gosto aqui... como a maioria das frutas que vêm de longe...

Saudade de um churrascão com maionese, farofa e salada de acelga com shoyo. Um bolinho de mandioca com carne seca!

DA COMIDA DA MINHA MÃE!!!

Saudade da família e dos amigos, saudade dos meus bichos fofos...

Saudade da minha cama, do meu colchão e do meu travesseiro!
Do meu guarda-roupa e todas as roupas que estão lá e que gosto tanto... dos meus cds, livros, dvds!!! (que logo todos terão novos amiguinhos rs).

Saudade de assistir minhas séries na minha tv da sala, saudade de ficar á toa vendo séries e filmes na tv e batendo papo com a minha mãe.

Saudade de conversar com a minha mãe, ouvir os causos dela, ouvir ela cantando enquanto faz as coisas da casa, saudade das graças do meu irmão e até saudade da rabugice do meu pai!

Saudade de me sentir num lugar que parece meu, onde as coisas fazem sentido, as pessoas fazem sentido, mas até hoje não sei se a vida fazia sentido...
Aqui não faz.

A única coisa que faz sentido aqui é assistir aos shows que estão por vir, só assim pra eu lavar a alma! (Estourei meu cartão de crédito do Brasil rs que se dane rs)

E conhecer o resto da Europa, isso também faz sentido, estando tão perto.

Mas viver aqui e não falar inglês é frustrante e não faz sentido. Não estudar inglês e viver como mendiga (ando como uma na rua, não me reconheceriam...) ou quase sem teto, com roupa de faxineira pra todo canto...
Ser faxineira é um trabalho digno?
Não, em nenhum lugar é porque ninguém respeita e ser uma pessoa com uma formação educacional alta e ter que ouvir um povo mal educado que só fala palavrão sendo seus colegas de trabalho, faz menos sentido ainda (não que no Estado fosse muuuuito diferente rs), mas os portugueses toscos que trabalham comigo, principalmente as portuguesas, não fazem o mínimo sentido em existir pra mim: principalmente se você é uma imigrante ignorante (iminorante rs)e se fica de nariz empinado porque nasceu na rabeira da Europa, não adianta ter história, tem que ter berço e essas fulanas que sairam de um buraco na ilha da madeira podem bancar as "melhores" pro povo do povoado delas, não pra mim que sei de que buraco sairam).

Bem, eu espero que o tempo que eu ainda aguente aqui valha de alguma coisa, mas uma lição eu aprendi com a Dorothy: não há lugar como o nosso lar ahahhahahahah
Pode parecer besteira, mas nada como se sentir em casa, estar em casa, se aconchegar.

Acho que lições valiosas eu tirarei daqui, espero que tudo isso me ajude a ser uma pessoa melhor, como eu sempre brinco: canonizada rs
Porque faquir eu já sou no colchão SÓ de molas...

Mais uma: o que adianta ter caras bonitos se não tiram a cara do jornal, do livro e do facebook em seus iphones e blackberries?
E ainda todo mundo diz que são uma negação rs
E pelo jeito não aprendem nada com os livros que lêem... rs
Preferem jogar paciência no "mobile" a olharem pro lado, então, encham mesmo a cara todo dia no pub e peguem a mocreia dos seus sonhos... que eu tô fora! vocês não fazem o mínimo sentido pra mim!

02 janeiro 2011

Balanço de 2010 - 2 : a missão

No final, nem falei qual é o meu balanço do ano que terminou.
Acredito que tenha sido um ano muito bom para mim, mesmo falando de todas aquelas coisas que me chatearam no post abaixo.

2010 sempre será "o ano que fui morar em Londres", o ano que deixei uma vida cômoda e infeliz em vários aspectos e fui tentar outras coisas, outros voos, que nem sempre podemos dizer que foram os melhores, mas com esse aqui eu estou aprendendo demais, talvez mais do que eu quisesse.

Talvez seja uma lição de vida morar sozinha num país estranho - mesmo que seja um país que eu desejava muito conhecer - você aprende a se virar, a fazer comida e aguentar a fome que bate, a dar valor ao que deixou pra trás, aprende a lavar roupa, a fingir que não vê muita coisa para poder viver com certa paz, limpar casa dos outros, a sufocar o choro porque não tem com quem contar.
Aprende a contar consigo e ter confiança em si.
Se não aprender esse último, volte correndo para o Brasil, pois morar fora, trabalhar, estudar e pagar as contas não é para qualquer um.

2010 foi o ano da minha virada que saí do marasmo e desmotivação educacional de professorinha sofredora da rede pública estadual e fui ver o que a Europa tem.
Tem uma vida dura para quem não domina totalmente a língua estrangeira, mas que só com persistência e perseverança eu poderei conseguir algo para que 2010 realmente seja o ano que consegui pôr em prática planos de vida e que, por conta deles, colhi os frutos desse plantio tão amargo.
Plantio amargo de uma colheita doce, eu espero.

08 dezembro 2010

Pessimismo

Quase quatro meses aqui e pelo post abaixo já viram que eu ando de novo sem muitas perspectivas por essas bandas.

Como eu disse, ontem foi niver da minha mãe e fiquei muito triste de estar aqui, mais do que no dia do casamento do meu irmão que vi as fotos e fiquei triste também de não estar...
As coisas vão se juntando, ele me manda as fotos, minha mãe faz aniversário, meu pai, finalmente me entende e me dá apoio...
E aí eu já estou me sentindo sozinha, com saudade dos finais de semana que saía com meus amigos e aqui eu não faço nada, trabalho de sábado, na verdade, e às vezes no domingo dando aula ou faxinando.
Outro dia fui a um restaurante, sexta à noite, estava voltando pra casa de dar aulas e resolvi que não ia esquentar comida, mesmo tendo comida em casa, desci na estação de Highbury & Islington e decidi comer, estava com vontade, vejam vocês, de um prato de Fish and Chips - eu que praticamente não comia peixe no Brasil.
Como eu já contei, sempre tem a opção "take away" e eu prefiro sempre comer no lugar. Sentei-me e esperei o atendimento, o lugar está quase cheio e a única pessoa que ia comer sozinha era eu. Quase pensei em ir embora, mas me lembrei que os ingleses não dão a mínima pras outras pessoas, então, ninguém ia ficar me olhando e apontando "olha, vai comer sozinha!" e relaxei, no Brasil, teria saido correndo do lugar.

Fiquei lá olhando, todo mundo com companhia e me lembrando de que eu tinha amigos para sair e comer, conversar, me divertir no Brasil. Aqui, não. Aqui não tenho ninguém. Estou sempre sozinha e não é que eu não queira fazer amizade com as pessoas com a idade próxima a minha, sim, eu quero, mas parece que ninguém se importa em fazer amizade comigo, me convidar pra algo. Principalmente porque a maioria das pessoas que conheço são casadas, então, acabou...
No dia que estava no restaurante comendo mandei pro meu twitter a frase "I need a female friend to go out in London" ou coisa assim... porque eu queria sair, me divertir e assim, sozinha, anda muito difícil. E como me animar assim?

Daí fico nessa busca por emprego, uma canseira atrás da outra e eu pensando que tinha conseguido um, a mulher me diz que é só um "trial" comigo... tudo bem até aí, desanimei, mas tudo bem. O problema maior que foi a gotinha que faltava pra encher o balde e eu querer chutar foi uma mulher que trabalha no lugar me dizer na hora que estou indo embora.
Ela disse que eu preciso ser mais expansiva, que preciso falar mais o inglês e blábláblá...
E aí percebi que essa mulher poderá ser quem escolherá a pessoa pra trabalhar no lugar. Se ela já me disse isso, é porque colocou defeito, se colocou defeito, não vai ajudar a me escolher pro emprego. Sério! Eu já estou mais do que diplomada nisso! Nem tenho chance... ela já veio falar isso pra mim pra dar desculpinha... já sei...  daí me deprimi de vez...

Eu só permaneci no lugar por volta de duas horas, uma escola em que eu ficaria auxiliando as crianças no intervalo. Não conhecia as pessoas de lá... fico na minha, é normal, eu não conheço, converso, peço ajuda daquilo que não sei, tento me enturmar, mas é aos poucos, não foi me "expandir" do nada. Conversei com as mulheres que trabalham lá, pouco, porque estava ainda vendo tudo como novo... me adaptando... me familiarizando. Quando as crianças chegaram ajudei as que me pediram ajuda. Elas me perguntavam meu nome e eu respondia, tentava brincar um pouco com elas mostrando que meu nome e sobrenome eram difíceis para elas. Estava gostando de ficar ali.
Essa mulher que me falou as coisas foi a que menos ficou comigo no trabalho porque depois ela foi com as outras crianças para o pátio e eu e outra ficamos com as que ainda não tinham terminado o lanche e as outras turmas que chegavam para o lanche - limpando e arrumando o lugar do intervalo.
Então, assim, o que essa mulher sabe de mim para falar as coisas? Eu já sei que se depender dela eu estou fora, só pelo comentário que ela fez, não sou boba, já estou acostumada, mas acho injusto, MUITO injusto esse tipo de julgamento.
Eu luto todos os dias para melhorar meu inglês, para falar e ser entendida, tentei conversar um bom tanto com essa mulher (que também tem sotaque e não é inglesa, imagina Mrs. Félix onde é inglesa?), tentei me explicar, ajudar no trabalho o mais que pude e ainda levo cacetada, porque pra mim é porrada, sim!
Eu estou farta das pessoas me tacharem, estou "por aqui" de me dizerem que eu tenho que fazer isso ou aquilo. Eu tento e só me frustro a cada negativa que recebo...
Estou cansada de me frustrar, acho que é melhor ser faxineira mesmo, estou na base e ninguém me enche o saco e se encher vai dizer "ah, coitada, é só uma cleaner, mesmo"...

Estão me fazendo eu me colocar num lugar muito abaixo do que eu sou, mas eu não aguento mais toda essa pressão e estar sempre sozinha. Eu não aguento mais ouvir "conselhos" de quem não me conhece, mas que deveria entender o meu lado, porque, com certeza, já passou pelo mesmo.
Eu não aguento mais tanta intrasigência de quem não é nada e, na maioria dos casos, menos que eu.
Eu não aguento me esforçar e não ter nunca reconhecimento seja onde eu estiver, aqui ou no Brasil.
Estou farta de não ser nada.
Estava farta de ser a "professora do c@ralh*" como xingou um aluno e estou cansada de ser "saco, mais uma imigrante que não sabe falar direito a nossa língua".

Você não sabem como é frustrante estudar anos de inglês no Brasil e descobrir que só se jogou dinheiro fora - tirando a gramática - que toda sua pronúncia é um lixo, que você não entende p*rra nenhuma que um inglês fala porque você só ouvia aquelas fitinhas e cds malditos que pronunciam ou em inglês americano e lentamente... falando tudo de-va-gar-zi-nho...
Ou pior, ter professores com sotaque americano na Cultura Inglesa ou sem sotaque nenhum, puro sotaque brasileiro e ainda: aprender em todos os lugares que passei - e confirmei isso com uma prima que estudou em outro lugar e ela também aprendeu assim - que "pupil" se pronuncia "pâpil" e chegar aqui e ninguém te entender porque se pronuncia "piulpol" quase como "people"...
Entre outras palavras, mas essa foi assim, o ápice do meu ódio com os cursos que fiz no Brasil.

Junte tudo isso, todo inglês aprendido errado e mal ensinado, saudade da família e dos amigos, estar sozinha e muito solitária e ponha uma grande pitada de veneno, sim, pra mim foi como veneno o que a mulher me disse, e me diz no que que dá...

Dá no  que estou sentido agora...
Frustração, depressão, carência, ódio, raiva, melancolia.

30 outubro 2010

Nooooossa!!!!!

Uma das coisas mais insuportáveis de se ouvir é isso, mas se você ouve de um inglês ou sei lá o quê você, digamos, entende que ele seja um alienado e ache que o Brasil é o país dos macaquitos e a capital Buenos Aires... que todo mundo vive mais ou menos ainda como o Brucutu ou Fred Flintstone... o pior, MUITO PIOR é ouvir isso de brasileiro...
LuigiMárioBrothers  disse isso algumas vezes, uma quando estávamos perto de uma lanchonete e disse que era no estilo Subway e ele “tem subway no Brasil?” ou quando vi a coleção dele de filmes e seriados e havia Alias e disse que já tinha assistido a série toda “nooossa! Passa no Brasil?”
LuigiMárioBrothers veio morar aqui com 6 ou 10 anos, é uma história complicada, ele fala 10 a mãe fala 6 e que ele teve um trauma e esqueceu esse período, eu não acredito mais em ninguém nesse lugar... depois entenderão rs
O certo é que ele já foi ao Brasil outras vezes desde então, fez uma espécie de monografia final de curso no Brasil, pesquisando o Brasil e como é que diz esse tipo de coisa?
Ele aprendeu o português escrito aqui, português de Portugal, então, tem horas que é muito estranho ouví-lo dizer, ao invés de “licença” um “desculpa”, como os lusitanos dizem...
Mesmo com essas coisas, a mãe dele ainda consegue me dar mais ainda nos nervos, tudo que falo sobre o Brasil, do tipo ela falando das casas enormes de lá que são dos lordes, aí ela veio com um “ah, lorde no Brasil deve ser tipo...” e eu “não existe no Brasil, Collorida, não tem uma mesma nomeação pra comparar porque não existe monarquia no Brasil e nem vestígios grandiosos como aqui”, mas ela teve que ligar pra LuigiMárioBrothers pra perguntar como se dizia lorde em português e como deveria ser um no Brasil... eu fiquei muito p&ta!! Tipo, eu não conheço o meu país? Tá, tem 15 dias que sai de lá e já não sei mais nada... já mudou tudo! Uma revolução e eu não sei!
Isso aconteceu em outras situações... o filho pra ela é o ser que tudo sabe... e eu sou uma idiota que não sei o que  se comemora no 7 de setembro... teimou comigo que não era a independência... foi perguntar pra LuigiMárioBros...
Fui à uma entrevista num Starbucks não muito longe de onde moro – aqui tem um em casa esquina, no meu bairro tem 2 e em Kingston deve ter uns 3 – a gerente também se espantou quando eu disse que tinha Starbucks em São Paulo... (andei distribuindo meu cv pra tudo que é canto de Richmond), o que não adiantou muito, mas isso é outra história...
Acho, na verdade, que os ingleses são pessoas bem cultas, a maior parte com os quais conversei, sabem que a capital do Brasil é Brasília e que lá se fala português. Não ficam com perguntas do tipo “ah, mas tem macdonalds no Brasil?”
O único chato continua sendo Soudemorte, ele conhece o Brasil, graças a Collorida e teima em dizer que São Paulo é uma cidade feia, poluída que Londres tem uma área verde e blábláblá... parece que quer sempre me rebaixar.  Sei que Sampa tem seus problemas, mas conhecendo mais Londres agora (2 meses e meio) sei que existem lugares tão ou mais barra pesada do que em Sampa e que não tem um parque para o povo se divertir... lembrei dos Racionais agora rs e em breve eu conto do subúrbio, longe dos parques aristocráticos de Londres...  a real Londres... que nem a rainha conhece rs