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23 fevereiro 2018

Apartamento da Marciana, em fotos!

Achei um DVD com fotos do meu celular e não é que tinha muita coisa importante?!
Acho que dá pra ter uma ideia maior de como era minha vida na casa da Marciana...

Os armários que separavam o espaço de Bruxa e Santa, atrás a "cortina" na janela, reparem na quina da parede, a sujeira
Assento da privada - reparem no mofo ou seja lá o que for nas dobradiças








Canto da Bruxa, arrumação dela


Canto da Santa, vejam pelo azul no final que ela já tinha ganhado a cama box


Janela remendada, porque deveria proteger do frio...

teto   


mais detalhes do teto

meu canto, do lado do da Bruxa
minhas coisas debaixo da cama
detalhe da dobradiça

20 março 2017

mais camelagem com Anjo

Anjo? era esteticista, mas as coisas não iam tão bem para ela, assim como de modo geral na Inglaterra em 2011. Perdeu muitas freguesas e precisou se virar: limpava a casa de duas ou três freguesas e cuidava de uma senhora de idade.

Ela ia cedinho todo dia para a casa dessa senhora para ajudá-la a tomar café e tudo mais, depois a senhora ia para o clube e ficava por lá. Às vezes dormia com ela quando ficava sozinha, fazia companhia.

Duas das casas que ela limpava eu conheci, fui junto limpar, mais uma vez fui faxinar casas, oh vida!

A primeira era Chelsea e quem não ia gostar de ir até Chelsea, perto do parque do bairro que é lindo e ainda tem um templo budista?
O apartamento era de uma mulher separada que tinha um filho. Casa cheia de brinquedos, mas bem mais organizada e limpa que as casas que conheci com Marciana.

A segunda casa sim, é digna de nota: de uma naturalista radical. Não se podia usar produtos de limpeza normais porque afetam o ambiente. E com produtos mais "fracos" era trabalhoso limpar, assim como passar a roupa sem produtos que a deixassem mais fácil, era um tormento, que ficou por conta de Anjo? que já tinha as manhas com aqueles tecidos horríveis e que não ficavam passado nem com reza brava!
O ferro também era de outro tipo, que demorava a esquentar, mas que consumia menos energia elétrica... tudo muito politicamente certo, mas que ajudava a escravizar mais sua faxineira... por um lado o meio ambiente, por outro a vida das pessoas que precisam trabalhar... complicado...
E não pagava lá grandes coisas para Anjo? A dona da casa era cheia de manias, mas também não pagava tão bem pelas manias que tinha. O que seria justo, afinal pessoas fazem parte da nossa biosfera, né não?

Não recebi pagamento, preferi que fosse descontado no meu aluguel o trabalho que fiz, já era uma ajuda na minha limitada vida financeira...

Daí fui trabalhar na casa de uma amiga de Anjo? só que essa é outra história longa... imagina... mais um goiana na minha vida! (arrepios!)

30 outubro 2016

Anjo?

Finalmente, em julho de 2011, eu consegui sair da casa da Marciana!!!!

Ia, quando tinha dinheiro sobrando, a uma esteticista que me foi indicada pela Ad, amiga da Collorida, essa mulher fazia depilação e eu precisava muito, algumas vezes, porque a Floresta Amazônica tomava conta das minhas pernas e não dava pra viver além de tudo, peluda, né? Só o que me faltava...

Depilação na Inglaterra não existe em que a virilha pode ser dividida em cavada ou não cavada ou é beeeeeeem cavada ou Brazilian Bikini (lindo, né?) ou você deixa um fio ou deixa nada... ainda estou falando de virilha, mas parece que ela não existe nesse tipo de depilação...
E Anjo foi indicada porque talvez me desse um desconto, não no dinheiro, mas de não precisar radicalizar na "virilha"...
Sempre que ia na casa dela, conversava bastante, ela era (é) uma pessoa que vive em Londres há quase 30 anos. Veio com diplomatas pelo consulado brasileiro no Rio de Janeiro para trabalhar na casa deles e tinha muitas amigas que chegaram na mesma situação e ficaram, não quiseram voltar ao Brasil, preferiram a vida na Europa, também para ajudar a família no Brasil. Ela tinha muitas freguesas não só brasileiras, mas inglesas, sul-africanas, australianas e conseguia se comunicar bem com elas; não fazia só depilação, era uma esteticista completa: com limpeza de pele e massoterapia.
Conversava bastante e num dos meus papos com ela, ela conhecia NaLgini, lembram dela? A cobra? Afinal, Nalgini estava há uns bons 18 anos em Londres e nessa época que chegou havia poucos brasileiros que se encontravam em comunidade, um desses lugares era a Igreja Católica que elas participavam.
 Anjo me contou que NaLgini ficou internada num hospital psiquiátrico em Hammersmith (!!!!) e percebi que realmente a culpa do imbróglio todo não era mesmo minha na casa da Collorida...

Um desses dias que fui e falava da minha vida triste para Anjo ela me disse: por que você não vem morar aqui? Quanto você paga lá por semana? E eu disse que eram 50 libras, e ela me disse que faria por 55 por causa do gás do heater... um alívio percorreu pelo meu corpo, quase chorei! E descobri um anjo na minha vida!
Primeiro quis saber onde dormiria e ela me mostrou que tinha no quarto dela (que também era o salão de estética) uma caminha baixinha debaixo da dela, para quando alguém precisasse dormir lá. Nada demais, melhor do que o colchão estragado da Marciana, era cama de espuma!!!

Era em Olympia, perto da High Street Kensington, o preço era bom para o lugar onde moraria, dois pontos de ônibus da estação de Hammersmith e do Apollo Hammersmith, onde vi a Adele.
Eu ia pegar ou o metrô até HighStreet Kensington e um bus pra casa do trabalho ou dois buses, era só o que atrapalhava ou pegar o metrô até Olympia que era uma linha meio desabitada, não sei por que a linha de Richmond deixava apenas de meia em meia hora passar um trem até Olympia então ficava inviável, mas eu tentei algumas vezes quando só ia na depilação... e chegava atrasada no trabalho...


Vejam no mapa: é um braço da linha e muitas vezes não ia, quando fui embora, parece que fechariam essa parte do metrô e ficaria só a do trem, que é a linha com duas faixas laranjas que passam lá. Marquei também que trabalhava na estação St Jame's Park para verem como seria facinho de metrô, mas eu preferia pegar o bus pra pagar menos, ia até próximo da Notting Hill Gate e lá pegava outro bus.

Então, assim, me senti liberta de Marciana e sua corja! Estava tão feliz e aliviada de que poderia me mudar e não aguentaria mais aquilo! Numa casa pequena, mas aconchegante, bem mais limpa! E com geladeira, micro-ondas bem mais novos e sem medo de dizerem que eu entupi com meu cabelo ruim (sqn) a banheira! Não tinha banheira! Era só chuveiro num banheiro pequenininho!! Mas muito mais com cara de limpo do que o velho da Marciana!

Cheguei na casa da Marciana para avisar que ia me mudar e havia chegado mais um colchão box, estava no quarto dela e ela disse que ia pôr pra ela, neste mesmo momento falei que sairia da casa. Ela se espantou, achou que eu era a trouxa que aguentaria sempre tudo calada. E falou que tudo bem, que se eu ia ficar até sábado que era meu dia de pagamento, aí eu não precisaria pagar, era só levar as coisas. Quando avisei Marciana, eu já tinha levado muita coisa embora, para não ter que levar tudo de uma vez num único dia, como elas trabalhavam o dia todo, tive meu tempo para ir sumindo aos poucos com minhas coisas.
Até hoje a Marciana reclama que saí da casa dela, falou pra mãe dela aqui no Brasil que não esperava isso de mim, que me ajudou tanto. Disse isso para a prima da minha mãe, que foi quem arrumou o contato da Marciana. Uma tia minha que me contou, se um dia tiver a oportunidade de conversar com essa prima da minha mãe, contarei a ela o que passei na casa e que nada tive como favor, tudo eu paguei, saí sem dever nada a ela e ela sim a me dever respeito por me tratar tão mal por ser documentada. Por achar que eu trabalhava pouco e que deveria trabalhar como ela, mula de carga pra sustentar filho mimado no Brasil. Não, ela não fez nada demais por mim, eu que fiz por ela: fui uma inquilina fiel e que não trazia problemas, nem quando ela me cobrava adiantado o aluguel.

Ela ficou mais assustada ainda quando viu que eu já tinha levado praticamente tudo embora. Depois a Santa e a Bruxa vieram falar pra mim (porque voltei um outro dia lá para ver se tinha cartas pra mim) que Marciana queria saber porque eu fui embora e elas disseram que foi por causa do colchão, pelo menos foi o que me contaram. E que ela ficou pensativa e perguntou o que mais de errado tinha na casa rs aí elas falaram da banheira, da toalha da mesinha da cozinha que nunca foi trocada etc etc e ela trocou a toalha e pôs até tapetinho no banheiro! Isso eu vi quando fui lá.
Acho que foi até no show do Morrissey... passei lá antes, era no Brixton Academy, "aquele lugar de pretos!" como diria Marciana... loira dinamarquesa, diria Caco Antibes...

Meu último contato com Marciana foi por mensagem de celular, quis dar um troco bem dado a ela, antes de voltar ao Brasil, mandei mensagem perguntando se tinha aparecido mais alguma carta em meu nome na casa dela. E ela disse que tinha mudado de lá (ela disse que mudaria para um lugar menor quando a filha viesse no final do ano) e as meninas (Santa e Bruxa) também tinham mudado. Eu disse que só queria saber porque estava indo embora pro Brasil e só estava esperando me entregarem meu certificado de inglês. rsrsrs ela disse que era legal eu ter conseguido e tal - não com a ajuda dela que achava que eu passava todo meu tempo brincando na internet e não estudando...
E assim fui para a minha quinta casa em menos de um ano de Londres...
Feliz por não ouvir mais Marciana dizer "o tempo avoa!" e "vou depositar dinheiro na óquisfórdí".

10 setembro 2016

Finalmente chegamos a ela: a Santa do Pau Duro...

Depois de umas duas semanas morando apenas no mesmo quarto eu e a Bruxa do Centro-Oeste, Marciana chega e pergunta se pode trazer uma terceira pessoa para o nosso quarto. Disse que era uma moça de ótimas referências, e que ela não ia pôr qualquer uma na casa dela.
Eu e Bruxa aceitamos, porque íamos deixar de pagar 70 libras a semana e passar a pagar novamente 50.  Marciana ganharia mais 10 libras nessa empreitada, ou seja, de 140 por semana só o nosso quarto, passaria a ganhar 150.

A moça veio, toda com cara de coitada, cachorro sem dono. Disse que sofria na casa que estava, veio com uma família brasileira que veio morar em Londres e a trouxe como babá do filho, sem direitos, é claro!
Ia começar a trabalhar nas famosas vans de limpar casa, mas parecia bem desolada, só parecia...
Marciana a conheceu através de uma mulher da igreja dela.
Eu falei que a Marciana frequentava a igreja dela em Londres? Sim, frequentava, a mesma igreja com brasileiros, como eu acho que disse que acontecia com as igrejas católicas e centros espíritas ou não falei? hmmmm
Voltando, a mulher da igreja e outras pessoas ficaram com dó da moça e procuravam alguém para ajudá-la com uma canto e sair da casa onde a Santa morava.
Na primeira semana, ela disse que tinha um namorado croata e ficou exibindo a foto do cara para todo mundo (sim, o cara era lindão), parece que era segurança de uma boate e morava com um amigo também croata. Às vezes a Santa dormia pela casa do croata e não aparecia. 
E nesta mesma semana ficou doente, também não dormiu no nosso quarto, dormiu no quarto de Marciana que cuidava dela como uma filha. Disse que a coitada estava com alguma infecção e vejam só! Até infecção ginecológica a coitada ganhou de tanto sofrimento com a mudança e de começar a trabalhar nas vans!

Depois de melhor, vivia reclamando do trabalho e que ela vivia muito melhor no Brasil, disse que era enfermeira e dividia uma casa enorme com uma amiga, que tinha o próprio carro e o namorado era piloto (sei, acreditei em tudo... ah, ela era paulistana). Morava em Campinas. Queria arrumar um emprego melhor, mas como boa brasileira em Londres era ilegal, veio trabalhar para a família brasileira exatamente por isso: era ilegal e não teriam que pagar os direitos trabalhistas a ela, nem os brasileiros, nem os ingleses.

Aos poucos ela foi se soltando e mostrando quem realmente era: comprou uma documentação falsa, uma identidade portuguesa para se manter lá. Um dia, ela deixou em cima da mesa da cozinha e minha vontade era pegar aquilo e jogar no lixo!! Afinal, eu gastei tempo e dinheiro e muito transtorno com o consulado português para conseguir a minha identidade verdadeira e aquelazinha andava com um falso dizendo que tinha nascido num lugar lindo como Sintra...

Vivia num tal de Badoo, uma site de relacionamento, onde encontrou o croata. Uma amiga dela - que também vivia indocumentada também procurava homens lá.
Ela estava com o croata pensando que a nacionalidade dele garantiria uma boa estada no Reino Unido, afinal, ela não sabia falar inglês e muito menos croata, só se entendiam os dois na cama. Porque eu, boba, perguntei como ela o entendia se nem sabia o inglês direito...

Quando terminou chegou falando que "pinto tem de todos os tipos, tamanhos e cores" que não precisava exatamente daquele e ainda emendou: "né, Marciana?" 
Marciana se achando A mulher moderna, concordou e eu vi que as coisas por ali não iam dar mais certo comigo: 3 indocumentadas e uma cidadã europeia... estava perdendo o jogo...
E Marciana sempre defendendo essa moçoila que dizia que tinha bunda grande e como "toda calcinha enfiava mesmo, resolvi só comprar fio dental, mais prático, não preciso ficar tentando tirar do rabo".
Daí eu não poderia dar melhor apelido do que esse Santa do Pau Oco! ou melhor! Do Pau Duro...

Ela tinha um biotipo que enlouquecia os gringos e se aproveitava bem disso. Ia caçar outro no Badoo e com a ajuda de Marciana, do lado. 
Vieram as duas um dia falar pra mim porque eu não entrava também no site e encontrava alguém, virei pras duas e disse que meu objetivo era outro: era estudar e voltar ao Brasil, não ia me comprometer com ninguém pra depois ir embora. 

Como estava carente de amigos, aceitei sair com ela algumas vezes, levei ela pra conhecer a noite britânica em Camden Town que ela adorou e fez amizade com uma brasileira no banheiro...
E em alguns pubs que conhecia ou lugares que eu queria conhecer, como o Walkabout (que eu comentei na postagem sobre as baladas londrinas) e a levei, porque ela não sabia nem andar de ônibus por Londres...
Levei-a a lojas que achava muito legal e mais baratas, mostrei uma Londres que ela não conhecia.
Eu, na minha ingenuidade achava que era só diversão e não me tocava que ela queria achar um "documentado", bom partido.
Como um alemão que eu fiquei de olho, mas ele ficou de olho nela e ela até conseguiu falar com ele (quer dizer, a trouxa aqui foi a tradutora...), mas morreu ali. Ainda bem, senão eu ia ter que traduzir na casa dele também... 

A Santa reclamou da TV, Marciana de muito mal humor foi pagar pra usar (você só usa TV na Inglaterra se paga para usar, não é de graça como aqui, mesmo sendo canais abertos). Como Marciana começou a fazer aula de inglês com a Bruxa numa igreja aos sábados, achou que seria útil.
Vi um dia, tentando arrumar muito a TV um Jools Holland.

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Inglês com Marciana: ela vinha todo sábado feliz por aprender um pouquinho de inglês e vinha me sabatinar: você sabe como se diz gêmeos em inglês? Eu: sim! twin! E ela: como? Twin! e me olhava estranha a cada palavra que eu acertava rs
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Marciana começou a ficar contra mim: um dia o ralo da banheira entupiu justamente comigo e começou a reclamar que eu entupi: depois de todas as 3 que faziam tudo quanto era química no cabelo tomarem banho e deixarem seus cabelos no ralo, a culpa era minha. 
Marciana vivia pegando no meu pé, achava sempre que eu nunca fazia nada, achava que eu era sempre a errada (sempre achou por eu não me matar como ela). A verdade é que eu fazia o que deveria ser feito: pagava toda semana meu aluguel. Um dia ela veio me cobrar na sexta-feira! Sendo que eu pagava todo domingo. Veio com uma desculpa de que ia até a "ócsfórdi" mandar o dinheiro pro Brasil e no sábado seria melhor pra ela.
Marciana ainda dizia que eu é que usava o dia inteiro a internet e por isso aumentaram a conta dela, depois ela descobriu que foi o argentino do outro quarto que deixava seu pc ligado o dia todo baixando filmes...  
Ela não sabia da casa que limpava e nem que eu tomava café da manhã e passava o dia estudando no parque.

Aconteceram duas gotas d'água:
A primeira com Marciana, depois de tanto tempo de reclamações com os colchões, conseguiu a troca deles com o "landlord", o dono do apartamento, ele trouxe dois colchões no estilo cama box. E adivinhem o que aconteceu?
Um ficou pra bruxa que estava lá a mais tempo e outro com a Santa! Porque a Santa reclamava muuuuuito dos colchões e que tinha problema nas costas e eu, a idiota, fiquei com as molas nas costas...
Fiquei muito desesperada pra sair de lá. A vida já era uma bosta morando lá e estava ficando cada vez mais ruim para o meu lado. EU TINHA QUE SAIR DE LÁ! Não dava mais...


A outra gota d'água foi com a Santa, fomos a Walkabout e dançávamos, amarrei meu cabelo porque estava com calor e escuto ela falar (ela achou que com o barulho eu não iria ouvir): já é feia de óculos, amarrando o cabelo, então... eu entendi aquilo como um "você faz todos os homens correr daqui" e decidi que aquela seria a última vez e que ela não era minha amiga como a Roommate, ela era só uma biscate querendo um bom casamento e vida boa na Inglaterra. 
Talvez tenha conseguido o que queria, não sei da vida dela, apaguei meus contatos no Facebook. Só sei que existiam muitas Santas do PD pelo mundo e ela era só mais uma.

15 maio 2016

O emprego na lanchonete estilo francês

Eu ficava procurando emprego no Job Centre, um site de um local feito pelo governo inglês para se procurar emprego, na verdade, primeiro tive que ir até o local para me cadastrar... Na verdade, você pode procurar empregos só pela internet, mas fui até o local para ver se algo acontecia mais rápido.
Fica longinho perto do famoso bairro de Hackney, Madonna morou por aquelas bandas e tem uma vida cultural e noturna famosa. Longinho para que está do outro lado da cidade...

Fui chamada em dois locais para trabalhar, o primeiro que conto hoje era um bar/restaurante ao estilo francês, com música francesa e tudo mais. Ficava na região da estação St. John's Wood,  região de Maida Vale, onde fica a Abbey Road e a casa do Paul McCartney. Algo como morar no Alto de Pinheiros, quase uma Vila Madalena.

este ainda é de plástico, aquele era de ferro...
Conversei com o dono - marroquino há muitos anos na Inglaterra, falava muito bem o inglês - que me aceitou pro dia seguinte. Eu teria que limpar todo dia de manhã, por duas horas, o estabelecimento antes de abrir. Parece simples se eu não tivesse que levar um balde de carrinho super pesado e subir escadas com ele e ainda pôr a placa dos pratos do dia pro lado de fora do bar. 

 Trabalho realmente para homem e quem fazia antes de mim era um rapaz, que foi me ajudar no primeiro dia a mostrar o serviço que consistia em limpar toda a parte das mesas e cadeiras, banheiros e o lado de fora da loja. Não era muita coisa, mas eu teria que trabalhar todos os dias, sem sábado, sem domingo, todos os dias sem descanso por duas horas de manhã cedo.
Aceitei, precisava do dinheiro, é claro.

Trabalhei lá por duas semanas, o que me preocupava é que os sábados eu tinha que acordar ainda mais cedo, pois depois tinha que ir até a escola dar aulas de português para crianças e era longe. Também me preocupava o fato de eu querer em breve viajar e não poderia dia nenhum, porque eu trabalhava todos e isso pesou para que eu não ficasse.

O rapaz que me ensinou o trabalho não era inglês, lógico, acho que era palestino, parecia muito de saco cheio deste emprego e sempre dizia pra mim: "cuide  de você! não se preocupe se não conseguir, não vai se matar carregando esse balde, cuidado com as costas!".

Marciana e Bruxa do Centro-Oeste se sentiam realizadas me vendo acordar 6 da manhã, parecia que pra elas, agora, eu tinha valor, eu estava vendo a dureza que era viver em Londres (como se eu não soubesse já). Pegava dois ônibus, um até Lancaster Gate (fundos do Hyde Park) e outro que passava perto da estação de St. John's Wood para economizar, ao invés de pegar o metrô direto em Elephant & Castle (Bakerloo Line) até Baker Street.
Caminho com os dois ônibus

Até que teve um dia que esqueci a chave em casa... cheguei pra trabalhar cedinho no lugar e era eu quem abria o bar, não servia ninguém, mas o cozinheiro (brasileiro) chegava depois e continuava por lá antes de abrirem em definitivo.
Cheguei e esqueci a chave, no desespero peguei o metrô, busquei a chave e voltei, era rápido de metrô e ninguém descobriu que cheguei bem atrasada para limpar, mas fiquei só o bagaço de tanta correria, minha sorte é que minhas companheiras de casa já tinham ido trabalhar, o meu medo era encontrar uma delas pra me encher o saco.
Disse a elas desde o começo que era um emprego temporário, não pretendia mesmo ficar.
Levantar mesas, cadeiras, limpar tudo com aquele balde velho e pesadão, tirar placa de horário e pratos da casa não era a pior parte, a pior parte era ter que lavar banheiro, como sempre, e banheiro masculino também. Deixar tudo pronto em duas horas.
Às vezes eu ficava com fome e sede e não pensava duas vezes em beber alguma água de garrafa já aberta que era pro consumo dos fregueses, não ia beber a água da torneira, como uma vez me deu uma das meninas que lá serviam. E roubava (roubava sim!) uns biscoitinhos que eram pra um prato doce, tipo aqueles biscoitos que se põe em sorvete. Era cansativo e exaustivo, não tinha ninguém além de mim e eu aproveitava, como aprendi a fazer com o Império do Fado. Não vou dizer que era legal fazer isso, não era, mas eu precisava muitas vezes sentir algo bom pra ficar bem. Tomar água de garrafa era um prazer mínimo, mas era melhor que a água de torneira para quem trabalhava muito.

O cozinheiro brasileiro chegou mais cedo um dia que eu limpava e veio conversar comigo, falei dele no post anteior, morava lá há anos, casou com portuguesa e disse ser do Mato Grosso. Ele veio com arrogância pra mim quando ele me perguntou onde eu morava e eu "em Elefante" ele disse que mania que brasileiro tinha de abrasileirar tudo e blábláblá. Não quis abrasileirar por mania, achei que seria mais fácil a identificação com ele do que gastar meu inglês dizendo "Elefânt and Castol", e não é que lá veio mais um pra implicar comigo?

Depois de quinze dias disse ao dono que não poderia ficar, ele já tinha feito minha papelada do trabalho, estava tudo certinho, como se eu fosse registrada aqui no Brasil, e teria que pedir pra cancelar. Tanto que recebi o formulário do trabalho que fiz lá em casa, com o tempo e valor do trabalho.
Poderia ter ficado mais, eu sei, mas na minha cabeça só passava o foto de chegar atrasada na escola aos sábados e não ter nunca um dia de folga. Nem era algo que me importava tanto, mas o dinheiro sim, eu sei, mas esperava conseguir algo melhor.
Mas o sábado estava muito corrido, tinha que pegar o Overground, o trem que atravessa a cidade sem passar pelo centro, e pegar um ônibus até a escola. Fiz uma escolha, não me arrependo, era mais um emprego em que era abusada dentro das minhas possibilidades.


Caminho em vermelho, do Overground até Richond e o bus pra escola em preto




01 maio 2016

Ser brasileiro no exterior

De tanto ver esses tempos os protestos de brasileiros que moram fora do Brasil tanto a favor como contra a nossa atual presidente, resolvi falar de como os brasileiros interagem sobre política quando estão fora.

Claro, pode ser uma visão até simplista ou de pouca valia, mas é com a qual convivi 18 meses fora do Brasil.

Marciana era coxinha, engraçado, muito engraçado, porque para ela tudo andava muito errado no Brasil de Lula/Dilma, mas ela estava ilegal em outro país, não pagava impostos nem aos britânicos, muito menos ao governo brasileiro. Então é muito fácil você falar mal dos que governam o seu país de nascimento e até o que você vivia escondida (sim, ela reclamava do governo britânico por ela não ter benefícios que quem está lá legalmente tem), super simples falar mal de todos e torcer para um apocalipse em que ela sairia sã e salva porque o Deus dela faria isso por ela, afinal, era uma mulher extremamente trabalhadora que precisava sustentar filhos marmanjos no Brasil e se os filhos dela também são coxinhas que abominam a bolsa-família, são muito do hipócritas porque a bolsa-família deles se chamava Marciana, uma faxineira ilegal na England.

Ela sempre falava que como ela ia fazer com o governo que estava no Brasil? Fazer o quê? Ela não vivia do outro lado do atlântico? Que tanto se metia na política do Brasil de longe... e como ela dizia: Brasil e Inglaterra precisavam muito de Jesus porque eram dois países pecadores e coitada, nasceu em um e foi 'obrigada' a viver em outro.

O povo da escola também era bem hipócrita. Ia ter um jogo do Brasil lá em Londres contra não sei se a Inglaterra, amistoso e falavam: eu vou no jogo com a camiseta do Brasil pra mostrar quem é que é bom!
Só que o bonzão do Brasil não pagava as contas e casas, terrenos comprados no Brasil... dependiam do país do timeco para terem bens duráveis no Brasil.

Tão bom que muitos não voltavam há anos, ou pelo preço da passagem ou porque estão ilegais e precisam de um passaporte novo. Que eu acho que já disse como se consegue um novo que  tem  4 anos ou mais de visto ultrapassado na Inglaterra, né? Só ir no consulado brasileiro e ficar na fila pra fazer um novo, dizendo que perdeu ou foi roubado... Bruxa do Centro-Oeste contava o golpe.
Eu acho que não disse que fui no consulado brasileiro e como ia pegar uma procuração nem tinha fila porque a de fazer um novo passaporte... é enorme e tem que chegar cedo!

Um cara em um lugar que trabalhei, e deve ser minha próxima postagem, se achava muito esperto e me disse que era do Mato Grosso (Goiás é bem do lado, desconfiei) que os brasileiros e suas brasileirices de falar os nomes do bairros já abrasileirados. Era um lorde, estava lá há bastante tempo, mas só voltou pro Brasil pra casar depois de 4 anos na Inglaterra e seu casou com uma portuguesa (entenderam o golpe?).
O golpe é o seguinte: você arranja alguém de passaporte europeu pra ficar tranquilo na Inglaterra, mas o que você faz? Arruma um passaporte novo e casa no Brasil com a pessoa, quando voltar pra Inglaterra você tem um passaporte não marcado e um europeu do seu lado que lhe garante as idas e vindas ao Brasil e morar tranquilo, como legal, na Zooropa.
Era engraçado esse cara porque pra mim a hipocrisia estava estampada e ele queria esconder e se achar melhor que os outros brasileiros - legais ou não.

Num centro espírita que frequentei (sempre fundados e mantidos por brasileiros), ficamos um domingo arrumando em caixas presentes para crianças de lugares pobres fora da Europa Ocidental que receberiam no Natal e uma moça começou a falar mal:

 - Vocês viram Tropa de Elite 2? Eu baixei o filme e assisti. É, mostra toda aquela podridão que é o Brasil, aquela merda de país que nunca vai pra frente, dá ódio de ver!

Eu não ia dizer que o Brasil é o melhor país do mundo porque não é, mas quando você baixa um filme da internet você também está sendo tão merda quanto seu país... não seja hipócrita, era o que eu deveria dizer a ela, mas fiquei quieta. E outra: ali não era lugar pra falar mal de nada e nem usar esse tipo de linguagem...

Eu assisti Tropa de Elite 2, fui num cinema que estava passando e me divertia com a legenda em inglês. O que a moça também poderia ter feito fácil ao invés de ser hipócrita.

Eu sou o tipo de pessoa que se irrita em ver as "pessoas de fora" protestarem tanto pelo Brasil: não é o Brasil que paga suas contas, então calem a boca!
Quando estava lá não dizia que o Brasil era melhor (apesar de ter chorado em Rio), muitas vezes xinguei estar na Inglaterra, mas sabia que era ela que não conseguia pagar minhas contas e meus impostos e do Brasil preferia me abster, porque nasci no Brasil, não escondia de ninguém, sentia saudade das pessoas e de coisas, mas não era ele que queria pra morar pra sempre, não o Brasil que temos e que deve ficar pior em breve. Tentava pensar no Brasil como o lugar da minha família e dos amigos, mas que não era perfeito e a Inglaterra também não era perfeita, por mais certinha que tentavam parecer, havia muita coisa errada, talvez culpa dos próprios imigrantes que tentavam burlar as regras e as regras se tornavam mais duras para quem estava lá legalmente.

O que acho realmente é que mesmo que você more fora, você não deixa de ser quem é, mas deveria tomar mais cuidado com falar bem ou mal do seu país ou o país onde está, acho que a primeira coisa é ver quem é que lhe sustenta a vida e parar de ser hipócrita e querer reclamar demais onde não deve e nem tem moral pra isso.

19 setembro 2014

A Roommate do Bem

Ainda não contei sobre ela, né?

Bem, a Roommate foi uma das poucas pessoas que me dei bem em Londres. Brasileira com cidadania europeia como eu, dividimos a mesma beliche: como ela chegou primeiro, pegou a cama debaixo e eu a de cima... eu não era a única que sofria dormindo no mesmo teto com dona Bruxa do Centro-Oeste... sim, éramos 3 pessoas pagando 50 libras por semana pelo nosso pedacinho do chiqueiro...

Como ela era um pouco mais nova que eu e estava lá já há uns 6 meses pelo menos, já tinha alguns amigos por lá, ficado com alguns estrangeiros (coisa que a Marciana tinha grande curiosidade em saber... ela, a santa... perguntou uma vez se era melhor o italiano que o brasileiro... Roommate desconversou e só disse: é diferente).
Ela já conhecia a cidade melhor que eu, saía e comecei a ter finais de semana mais animados indo a pubs e casas noturnas, conhecendo a noite londrina. Um grande passo, não?

Nos conhecemos quando voltei do Natal em Portugal, e passei aquele ano novo de frente pra London Eye, super empolgante! Ela estava comigo naquele dia digno de lembrança...

Ela tinha dois empregos, teve sorte de ter subido de cargo na empresa de clean que trabalhava: ela era monitora de limpeza durante o dia (aquela pessoa que passa o dia limpando, checando tudo no escritório - nos andares, sabe? bem, eu fiz isso também e conto direitinho quando chegar a hora...) e à noite limpava outro escritório perto do meu, só que saía mais cedo desse - era de 2 horas e o meu de 3h. Trabalhávamos perto da Victoria Station, uma espécie de região como o centro antigo de São Paulo, a República: centrão cheio de prédios de escritórios. O meu era do TfL (Transport for London) - o Império do Fado perto da Scotland Yard -  o dela era um local que alugava escritórios para vários ramos diferentes, bem diversificado.
Um cara que foi embora largou até um livro que ela pegou pra mim, imaginou que eu iria gostar:



E gostei! Parece que eu nunca deixo transparecer meu gosto musical... rs

Tínhamos os finais de semana vazios a serem preenchidos, ela, como já estava em Londres a mais tempo, já tinha aprendido isso: preencha seu final de semana porque ficar num quarto em que a única coisa sua são suas coisas e a cama que paga é muito deprê!

Um dos primeiros finais de semana que saímos, precisei, antes, ir até à casa do GG para buscar correspondência, ainda não tinha mudado o endereço do emprego, por exemplo, e meu holerite estava lá.
Encontrei Pureza acabada fazendo salgados e bolos pra festas... ela nos olhou, arrumadas, com uma cara de "que sorte a sua!".
Roommate comentou comigo que achou a menina acabada - apesar de ser mais nova que nós duas - e que isso não era vida pra um sábado à noite.

Pensei muito depois na Pureza, coitada, ela saiu do interior de Minas para não viver a mando da mãe num salão de cabeleireiros e estava agora, a mando do GG em Londres, dentro de uma pequena cozinha, suada, cansada. Porque, estava na cara que ela era ilegal lá, GG era casado (ou foi) com uma italiana (ou brasileira com a cidadania) pra ter cidadania e estar lá, alugando casas (dos outros...).
Fiquei pensando que não via vantagem na vida que ela levava, a não ser ter um IPhone rs

Voltando a Roommate,  a partir dali, não tive mais finais de semanas vazios, só os que não saímos juntas por falta de dinheiro ou outras coisas, mas ainda assim andávamos por locais próximos. Como ir a lojas de departamento em Brixton (que era perto) e pegámos a raspa do tacho do Boxing Day. Em Brixton também há muitas lojinhas "internacionais" com opções de se poder comprar coisas de imigrantes dos mais variados lugares. Nosso preferido?
Claro, o loja e açougue português! Tinha coisas brasileiras também, como ovo de páscoa rs

Apesar da fama de Brixton nos anos de 1980 com a música do Clash, muita gente que não viveu essa época em Londres, porque chegou depois, ainda era influenciada pela fama de outros tempos e cheguei a ouvir coisas do tipo, imagina se não foi a Marciana rsrs: Brixton é bairro de pretos!
Não sei se já tinha dito isso, mas há um preconceito, por brasileiros, de quem mora em Brixton ou no norte da cidade, imagina quando morei em Dalston, cabelos em pé por ser no norte/nordeste da cidade...
E isso porque era perto de um lugar super badalado: Shoreditch, no bairro de Hackney (berço dos descolados e artistas de rua, Madonna morava por lá, na época casada com Guy Ritchie).

Então, voltando novamente, conheci muitos lugares que não conhecia na cidade e aprendi a não ficar em casa nenhum fim de semana! Eu tinha que aproveitar tudo que Londres tinha, já que a vontade de ir embora de lá era grande, mas precisava pelo menos passar no FCE e até lá, era preciso de válvulas de escapes como o lindo Convent Garden (merece ser visitado!) e seus artistas de vários estilos, artesãos e doces rs
Os pubs da cidade, também comecei a conhecer, apesar de não beber, de vez enquando bebia meia pint (rsrsrs) de Guinness que é a única exceção na minha vida de abstêmica. Os pubs da região da Picadilly, da Leicester Square, do Soho...  Mayfair... nada como a Mayfair...

E aí começou minha insegurança: achando a maior gorda da cidade, ia aos lugares sempre achando que todos os olhares era pra Roommate, não pra mim. Na verdade, minha estima não existia - se é que um dia ela existiu... - e RM (Roommate, mais fácil, né?) é uma pessoa desinibidade, simpática, que realmente chamava a atenção pela extroversão - mas eu só via a linda, magra e alta. Comecei a sair e ficar deprimida, os rapazes não me dava a mínima (mas eles nunca dão, na verdade, o inglês NUNCA chega em você se não estiver extremamente chapado e nesse caso seriam uns 2 barris de Guinness).

Conversava sobre isso com a minha prof de inglês  (que ainda não foi comentada aqui) e ela não me ajudava a me sentir bem, só a me deixar mais pra baixo, porque a prof  se achava a última bolacha do pacote e queria que eu lesse O Segredo...

Íamos nas festas nacionais que rolavam na Trafalgar Square (como a de Saint Patrick) que eram muito legais, íamos a clubes noturnos, como o Tiger Tiger (cheio de brasileiros fingido serem gringos) e eu ri, conversava, mas sempre reparava no cara que vinha falar com ela (não, não eram ingleses). Um chegou a dar o telefone dele na rua... e ela não quis saber, me disse que sabia que era fria e eu me sentindo péssima com tanto assédio e eu nada...
Às vezes eu não queria sair: sair pra quê se ninguém nota que eu existo? Mas eu ia, era pior ficar com a Marciana falando mal dos filhos e a Bruxa fazendo comida pra semana toda.

Hoje eu tenho consciência de que era um problema meu e que a RM me ajudava bastante, porque conversava com ela, inclusive do caso da Fofona me perseguindo e se ainda gostava do meu ex. Era a única pessoa com quem podia realmente contar, mas eu estava muito pra baixo pra perceber isso, senão, teria aproveitado mais.

21 dezembro 2013

Arquivos do Twitter - apenas a melhor: Marciana!

Fiz um apanhado de todos os twitters que achei com a palavra "marciana" e "Marte" para achar minha grande amiga.
Algumas situações ainda não foram contadas aqui, mas vocês entenderão... e uma das novas personagens eu tenho certeza que ficarão curiosos pra conhecer... mas terão que esperar eu chegar em maio de 2011 rsrs

Comento algumas coisas para vocês entenderem o que ocorria no momento que falo.

Revejam, também, a postagem "mãe é quem cria, não quem manda dinheiro" e vão entender essa coisa da Marciana falando todo dia no telefone com a família no Brasil...

Então, vamos aos arquivos! (tinha coisa que eu nem lembrava mais rs)


Fevereiro 2011

agora está salsicha e dona marciana (pq a landlady daqui só pode ser de marte) tentando desentupir a banheira, vão me culpar, eu sei
@menciclopedia
20 de fevereiro de 2011

salsicha pq ela tem a voz do salsicha do scooby-doo rs e não para um minuto de falar... qdo não fala, a sacola fala por ela
@menciclopedia
20 de fevereiro de 2011

cheguei ontem à noite em casa e estava tendo um jantar dos "indocumentados" é assim q bruxa salsicha goiana chama os ilegais
@menciclopedia
20 de fevereiro de 2011

- É, o apelido da Bruxa era pra ser Salsicha, por conta da voz igual rs


a marciana landlady tá lá reclamando: "quando eu precisei, não tive ninguém!" a mulher só sabe reclamar, não é a toa q o filho foi embora
@menciclopedia
20 de fevereiro de 2011

marciana brigando com a filha no telefone, até qdo vou aturar isso? nova campanha: #reginaparaSanta rsrs do pau oco rs
@menciclopedia
22 de fevereiro de 2011

as miguxas sairam juntas... que bunitinhuuu! marciana e bruxa do centro-oeste super miguxas indocumentadas! q amor!
@menciclopedia
26 de fevereiro de 2011

Março

mas passei pra falar da minha indignação de ontem: marciana veio me perguntar se eu não ia tomar banho!!!!!!!!!!! sim... eu tomei, calma lá!
@menciclopedia
4 de março de 2011

tomei banho antes de ir pro tronco, pq eu lavei a cabeça e precisava secar o cabelo, o q ñ dá pra fazer com bruxa do centro-oeste dormindo
@menciclopedia
4 de março de 2011

na hora ela se desculpou, disse q ela estava esperando eu tomar pra ir tomar depois, só q ela não foi...foi no horário q sempre vai, + tarde
@menciclopedia
4 de março de 2011

ou seja, ela estava de olho se eu sou uma porca como os ingleses e não tomo banho... mas tomo, sim, só não espere q seja na hora q ela quer
@menciclopedia
4 de março de 2011

legal, ron sexsmith nos TT London pq ele está no Channel Four e eu aqui, né? sem tv nessa cohab... morando com a bruxa e a marciana
@menciclopedia
4 de março de 2011

marciana acredita q o reino unido será o próximo a ter tremor de terra, e no caso, aqui, ser engolido totalmente e vcs?devo voltar correndo?
@menciclopedia
12 de março de 2011

mais uma coisa: marciana acredita na teoria de 2012... acha q é O ano...
@menciclopedia
12 de março de 2011

 pergunta de marciana: como esse povo sabe que dá terremoto e quer morar lá? (japão) eu: a maioria nasceu e cresceu lá
@menciclopedia
15 de março de 2011

-terremoto/tsumani no Japão

que irritante: marciana no telefone com os filhos é o c*! que saudade da minha mãe, aquele doce de pessoa q eu abandonei snif snif
@menciclopedia
16 de março de 2011

e a mulher de marte ainda acha q o problema são os poloneses quietos? eu quero ir embora com eles! me leva junto!!!!!
@menciclopedia
18 de março de 2011


a mulher de marte já alugou vaga pra bandido, traficante, assassino e prostituta, adivinha de q estado brasileiro!!!
@menciclopedia
18 de março de 2011

eu acho q não contei, mas dentre os brasileiros os mais mal vistos aqui são eles - a própria marciana conta cada história ...
@menciclopedia
18 de março de 2011


o apelido agora está completo: Marciana Messiânica e ontem ela soltou mais uma de suas graaaandes pérolas pq o casal polonês está se mudando
@menciclopedia
18 de março de 2011 

como o casal polonês é discreto e fica na deles, ela acha q por isso, podem ser pessoas de má índole, se fossem brasileiros poderiam ter +
@menciclopedia
18 de março de 2011

+ inventado uma história triste q ela acreditaria e ficaria feliz de ser roubada rs eu quase disse: brasileiro a gente sabe: goiás rs
@menciclopedia
18 de março de 2011

então, dona Marciana Messiânica disse: escondam seus laptops, a gente nunca sabe... se fossem brasileiros a gente sabia, mas eles não falam
18 de março de 2011

- a mesma língua que ela: Marcianês

marciana brigando com o filho no telefone, toda vez a mesma coisa: presta atenção e para de falar ãh? pra mim! rs
@menciclopedia
24 de março de 2011

Abril

marciana disse q vai fazer mochilão antes de ir embora pro Brasil... aí eu pergunto: indocumentada entra COMO nos outros países?
1 de abril de 2011

- acho que ela disse por ser primeiro de abril rs
 
pronto! começou a discussão: marciana ligando pro brasil e reclamando q o filho chegou da escola 4:30 da tarde e ele estuda de manhã...
@menciclopedia
5 de abril de 2011

marciana pro filho: vc já sabe o q aconteceu no Rio? acho q ele ficou com vontade de responder: se vc q tá em Marte já sabe... imagina eu...
@menciclopedia
7 de abril de 2011


mais: marciana acho q o cara q matou as crianças no rio tinha "esclerofrenia"
@menciclopedia
7 de abril de 2011

god! marciana pergunta pra irmã se fez questionário pro filho estudar pra prova... eu me sinto nos anos 80... ou antes rsrs
@menciclopedia
7 de abril de 2011

marciana: espanhol é muito fácil, eu não sei, mas é fácil procura no google (falando pro filho dela sobre a prova q ele vai ter de espanhol)
@menciclopedia
7 de abril de 2011

como diz marciana "o tempo Avoa"
@menciclopedia
7 de abril de 2011

marciana no telefone: eu falo no banco q é "pra mim fazer uma aplicação"
@menciclopedia
7 de abril de 2011

@HelenFoguinho eu moro com uma bruxa e uma marciana e não consigo emagrecer, sai do kfc quase agora rs
@menciclopedia
7 de abril de 2011

faça como marciana: leia todos os emails correntes, pps, conselhos da polícia e fique paranóica...
@menciclopedia
12 de abril de 2011

@nairbello A esquizofrenia serve para você poder ser feliz por vários ângulos.
 Retweetado por @menciclopedia
@menciclopedia
15 de abril de 2011

@nairbello Nonna, e pra marciana q dividi apê comigo q diz esclerofrenia? como é a vida? rs
@nairbello
15 de abril de 2011

marciana no tel com o filho: sua tia foi no shopping?? como? uma hora dessas? fazer o q? (no brasil são 19:45, né?)
@menciclopedia
16 de abril de 2011

#aprenda-ingles-com-marciana báat=but "ela tem duas childrenS" depois de 6 anos, revolveu q tem q aprender e tá se achando rs
@menciclopedia
21 de abril de 2011

é dose chegar e aturar marciana: "se pronuncia quetford, não catifórdi" tá se achando agora pq estuda inglês há 1 mês e mora aqui há 6 rs
@menciclopedia
24 de abril de 2011

@ernani1977 vc leu o outro dia q disse q a marciana falou "duas childrenS" e bát pra but? rs
@menciclopedia
24 de abril de 2011


Maio

marciana: estou com problema no menisculo, menistro... - menisco...
7 de maio de 2011

minha "madreterezice" tem limites e gente de Marte vai rodar na minha mão, mano!
@menciclopedia
12 de maio de 2011

odeio gente q fica com indireta e não fala as coisas na cara: não vai com a minha cara? tipo kiko, vou falar isso pra marciana, saco cheio
@menciclopedia
13 de maio de 2011

como diria o cara aí no Brasil: MORRE DIABO! rsrs ops! MORRE MARCIANA!! e me deixa em paz! eu quero estudar, eu quero viajar, não sofrer
@menciclopedia
13 de maio de 2011

a marciana acha q eu devo trabalhar como escrava aqui, mas eu não vim aqui pra "enricar! (ahauauahahaha elas acham q vão conseguir rs)
@menciclopedia
13 de maio de 2011

a libra valendo 2,60 não vai torná-las ricas, mesmo pq estõa sustentando toda a família no Brasil...
@menciclopedia
13 de maio de 2011

 marciana: o video da banda mostra ela tocando na trafalgar square "hey tchu", essa música é brasileira, né? +
@menciclopedia
15 de maio de 2011

+ e eu: tem uma versão em português , mas é original dos Beatles e marciana: "ah, tá... mas cantaram em português!"
@menciclopedia
15 de maio de 2011

tentando ver jools holland na tv velha q a marciana finalmente pagou a bbc... antena q não presta e ela olhando de vez enquando, cara de c*
@menciclopedia
17 de maio de 2011

+ só q marciana q chegou ontem d marte ainda tá achando a fofolete uma santa! eu acho q é "santa do pau duro" rs é, inventei agora rs
@menciclopedia
23 de maio de 2011

- Espero escrever e chegar em maio logo pra vocês conhecerem a roommate que ganhei: Santa do Pau Duro, pelo apelido que dei, já entenderam no que vai dar... ou o que ela vai dar rs

marciana é o c*, viu? o mulher pra tomar conta da vida dos outros... por isso o filho voltou pro Brasil, nem ele aturava, saco de mulher
@menciclopedia
28 de maio de 2011

fica: se eu tivesse documento, eu estaria trabalhando em banco aqui, esse site é pra quem quer arrumar emprego, indiretinhas imbecis
@menciclopedia
28 de maio de 2011

eu não devo aluguel pra ela, naõ devo nada pra ela... vou abrir mesmo a comu no orkut: confundo inquilinos com família... hunf
@menciclopedia
28 de maio de 2011

só pq falam "trabarrar, tica, mutcho" marciana e bruxa pensam q falam espanhol c boliviano e a filha q moram aqui, ela jura q ele é espanhol
@menciclopedia
30 de maio de 2011

- eles ficaram com o quarto do casal polonês que não roubou nada de ninguém, ainda deixaram a esteira e outras coisas que não levaram...

Junho

santa do pau duro falando do croata q ela largou pra marciana: ah, ele gostava mesmo de mim e eu aqui pensando: o boquete foi bom, né?
5 de junho de 2011


eu sei... q coisa feia de se falar, né Regina? mas ela agora tá sondando um italiano... é assim q se faz a fama da brasileira na europa...
@menciclopedia
5 de junho de 2011

essas vagabas chegam pra caçar cidadania... croácia não é uma boa cidadania pra ser ter, né? só dá visto de emprego, qdo dá, parte p outra +
@menciclopedia
5 de junho de 2011

+ parte pra outra cama... como uma camiseta q vi ontem: shut up legs! rsrs eu entendi certo, né? rs mas se ela fizer isso, continua indoc
@menciclopedia
5 de junho de 2011

@armandomoya vc tem cidadania européia? se não tiver, ela não quer rs ela quer cidadania rs
@menciclopedia
5 de junho de 2011


ontem a marciana me mostrou uma calça pra eu experimentar, enorme, diga-se de passagem e qdo eu disse q ia ficar grande em mim ela disse: +
@menciclopedia
7 de junho de 2011


+ não serviu pra mim é claro q serve pra vc! (ela pensa q eu sou só um número a menos q ela, né? ) -- eu engordei aqui, mas assim tb não!
@menciclopedia
7 de junho de 2011

cada dia + chato morar num lugar q as pessoas te excluem por vc é DOCUMENTADA olha o preconceito! só pq o meu é de verdade e o delas falso
@menciclopedia
7 de junho de 2011

ai, dels! marciana ensinando inglês! nightmare!!!!!
@menciclopedia
10 de junho de 2011

a santa do pau duro tá quase chorando pra marciana!!! gente! q falsa!
@menciclopedia
10 de junho de 2011

marciana: eu já passei cada situaçaõ difícil aqui... - tá, virei a monstra, né? azar o delas...
@menciclopedia
10 de junho de 2011

preciso pegar uns videos na net e músicas de festa junina... o problema: aturar marciana com cara de c* e sua amiguíssima santa do pau duro
@menciclopedia
10 de junho de 2011

- a irmã de um amigo vinha pra cá e eu comentei, a Santa queria que eu pedisse pra menina trazer coisas dela, ir buscar com a família dela... imagina... a menina estava ali há uma mês e queria que eu abusasse desse jeito da irmã do Bruno só porque ela ia me trazer (eu fui burra, comentei) umas roupas que pedi pra minha mãe (coisa super pouca se você procurar pela postagem do imbróglio da mala, saberá...). Não conhecia a fulana e ela chorando pra Marciana falando que não deixaram ela trazer umas coisas dela pra trazer bolacha pra criança que ela ia ser babá (olha se eu acredito nisso... Marciana, claro, acreditou...).

marciana falando no tel q vai mudar de casa pras filhas ficarem bem no final do ano qdo vierem, pra não reclamarem rs
11 de junho de 2011

"a escócia é aqui na inglaterra" segundo Marciana, pérola da noite
Ver no Twitter
@menciclopedia
11 de junho de 2011

marciana passou por aqui e deu uma bela olhada no meu pc, pra ver o q eu via... vai me interpretar mal por causa do clipe q vcs verão já já
Mais Discos Q Amigos
@mdiscosqamigos
11 de junho de 2011

verão o clipe no trash covers do @1001covers rs em homenagem ao @BrunoAlencar q lembrou dessa pérola!
@menciclopedia
11 de junho de 2011

- era a Simony na versão da música da Kylie Minogue...

hj estou eu na cozinha e a sta (Santa do p...) na sala, uma hora dessas no skype e marciana acha tudo lindo, nem reclama q acorda cedo amanhã, é indoc
@menciclopedia
12 de junho de 2011

bem, vou dormir q tá tarde aqui... a sta  (a Santa) já parou de falar com a família no skype e deve estar de fuxico com a marciana...
@menciclopedia
12 de junho de 2011

e eu na cozinha q a luz queimou - com um abajour fazendo claridade pra mim, lindo, não acham? q vida buuuuniiiitaaaa!!!
@menciclopedia
12 de junho de 2011

marciana: já era no tempo dos bitchus (beatles) rsrs
@menciclopedia
13 de junho de 2011 

a filha da marciana vem pra cá no natal e ela já avisou a filha: aqui não tem nada pra fazer: só neve, faz um almoço e fica todo mundo junto
@menciclopedia
15 de junho de 2011

ela falando do dia 26 de dezembro e os super descontos: mas agora já tá em saaaleee" sim, leia como se escreve rs
@menciclopedia
15 de junho de 2011
 
marciana: compra o vitória sigretchis
@menciclopedia
15 de junho de 2011


marciana: ainda bem q meu filho voltou pro brasil pq aqui é o país da droga, da bebida e do sexo --- e o q ela tá fazendo aqui? rs
15 de junho de 2011


Julho

ah! hj eu disse pra marciana q vou me mudar e ela: p q? vc tem alguma reclamação? --- rsrsrsrs
@menciclopedia
3 de julho de 2011

bom dia pra vc q não foi acordado pela bruxa do centro-oeste do 21 rsrs (apê 21 aqui) --- contando: 3 dias pra morar em Kensington! \o/
@menciclopedia
6 de julho de 2011

depois a marciana pergunta com cara de espanto: pq vc vai mudar? alguma reclamação? -- Claro que não, moro no Buckinham Palace...
@menciclopedia
6 de julho de 2011

ainda tenho duas sacolas pra pegar na casa da marciana... ir todo dia em marte e voltar pra terra, é complicado, maior trânsito!
@menciclopedia
10 de julho de 2011


bem, a Europa tá quebrada mesmo... vendo o noticiário... agora eu estou de volta à terra, em Marte era difícil saber o q acontecia
@menciclopedia
10 de julho de 2011

é, eu sofro aqui pra pagar as regalias q me proponho, senão, ficaria louca só trabalhando como escrava e me tornaria uma "marciana" aquela
@menciclopedia
22 de julho de 2011

bom dia! ontem fiquei muito brava: descobri q a marciana roubava minhas fotos de Londres e colocava no perfil dela do orkut, sabe como é +
@menciclopedia
24 de julho de 2011

+ gente q mora há 6 anos em londres e não conhece um décimo do q vc conhece... eu sou uma pessoa boa, só a denunciei por direitos autorais +
@menciclopedia
25 de julho de 2011


@mushisan ahahha boa rs não, ela só fica com a cabeça enfiada no dinheiro q ela junta, olhando pra ele e mandando pros filhos torrerem ai
@menciclopedia
25 de julho de 2011

se ela tivesse pedido as fotos, era outra história, mas ficar roubando na cara de pau, vai pqp! marciana dos infernos!
@menciclopedia
25 de julho de 2011

eu sempre tive o seguinte pensamento: a pessoa rouba minha foto pq é uma coitada, não viu pessoalmente o q eu vi, mas ela merece se fu...
@menciclopedia
25 de julho de 2011


bem, dormir que amanhã tem mais, como disse pra minha mãe, sai da casa da marciana e minha vida começou a andar pra frente ;)
@menciclopedia
31 de julho de 2011


Outubro
tá, agora vou me arruma q é daqui 2 horas o show e espero q a jubilee (ou JÙbili pra marciana) esteja funciona…
@menciclopedia
30 de outubro de 2011

26 maio 2012

Mãe é quem cria, não quem manda dinheiro...

Sempre comento sobre Marciana e Bruxa do Centro-Oeste criarem a família no Brasil, mas nunca dei maiores detalhes, hoje é o dia!

Como uma maioria de mães ilegais, elas trabalham na faxina de casas, não se precisa de passaporte ou insurance number, é só comprar as casas de alguma brasileira que esteja vendendo - nos últimos tempos, muitas estavam voltando para o Brasil e começar a limpar, desde que a família goste de você, caso contrário, você perderá seu dinheiro... (aconteceu comigo no caso botocada).

Bruxa do Centro-Oeste, como já comentei, morava há alguns meses a mais que eu em Londres, eu cheguei em agosto e ela em junho ou algo assim. Fugiu da crise espanhola, assim como já tinha fugido da crise portuguesa, onde chegou primeiro e morou pouco, segundo contou.
O engraçado é que se ela tivesse sido esperta e não entrado ilegal na Espanha, teria já o direito a ser residente. Ou seja, fez burrada por não ter permanecido por lá por 3 anos de forma legal, mas como ela tinha entrado e ficado em Portugal, ilegamente, só poderia ir pra Espanha da mesma forma e acabou perdendo essa boquinha que não sei se com a crise do jeito que está a Espanha ainda mantém: 3 anos na Espanha e você se torna residente e com direito a quase ser um cidadão, ou pelo menos andar pela Europa na boa.

Ela chegou e foi trabalhar nas vans, quando me acordava às 4:30 da manhã para sair de casa quase 7. Isso você já sabem, depois ela juntou dinheiro e comprou casas. Assim como Marciana que trabalhou um período para a mesma empresa de limpeza que eu - e mostrava feliz pra mim o aventalzinho "tia do jardim" (aqueles que são fechados com botões dos lados e tem um bolso canguru na frente) como se ter trabalhado na mesma empresa de limpeza que eu era como ter trabalhado na Microsoft...
E depois começou a comprar casas para limpar e só reclamava das patroas porcas.

Bruxa dizia que tinha comprado casa pra mãe no Brasil, junto com a irmã que morava em outro estado, e as filhas dela moravam com a mãe, junto com a sobrinha que ela "bullyingnava" todo dia no telefone.
Já Marciana sonhava com seu apartamento mobiliado e carro na garagem  - algo como prêmio do bau da felicidade! E aparentemente ainda não tinha conseguido comprar nem apê em CDHU, o que seria barato, mas para a arrogância dela, não era bom o suficiente.

Com a crise e cada vez menos casas para se limpar e menos donas de casa pagando bem para isso, o trabalho delas ia ficando mais difícil, afinal, elas sustentavam a família no Brasil.

Marciana quando foi morar em Londres levou junto o filho mais novo, na época com 9 para 10 anos. Seu primeiro plano foi morar com a irmã, que tinha os filhos criados na Inglaterra (foi ilegal, separou do marido  brasileiro e casou com um norte-irlandês, virou residente e reclamava que o marido transava, virava pro lado e continuava a ler o livro... quem escolheu isso? eu?).
Pelo que entendi, ela e a irmã brigaram, o motivo não sei, mas sabendo que brasileiros que se estabelecem em Londres não ajudam ninguém... acho que não abrem mão nem pra irmã... fora que ela teria que ter no mesmo teto uma ilegal com o filho menor de idade - o que é um problemão!

Marciana teve que se virar e procurar outro lugar pra morar e procurar emprego com um filho pequeno. Não sem deixar uma filha noiva e outra com 15 anos em Sampa. 
A filha noiva,ela deixou na casa dela, que ficava no quintal das cunhadas. A menina não aguentou a pressão e foi morar com o noivo - o que Marciana teve que engolir (a religião dela não permite, mas, segundo Woman from Mars, permite que largue os filhos assim e que se virem).
Já a adolescente ficou mal, depressão.
E assim que ela teve um novo teto, mandou buscar a filha adolescente, que chegou em pleno inverno em Londres: muito frio e os dias se acabando às 3:30 da tarde. Não sem antes ter que fazer sozinha a escala em Paris, pra ser mais fácil pra entrar por aeroporto pequeno.

A menina só foi de mal a pior até onde sei: a depressão de se sentir abandonada virou, segundo os médicos ingleses, esquizofrenia, afinal, ela chegou numa época muito ruim para quem já não está bem e já chegou para ajudar na faxina da mãe, enquanto o irmão tinha de tudo.

Marciana contava a história com tristeza, pois a mãe dela teve que vir buscar a menina para viver novamente no Brasil sob os cuidados da avó que nem internet deixa que ela use, e aí ela usa na lan house. E que não voltou mais a estudar enquanto o irmão estava em escolas inglesas.
Marciana falava todos os dias com a mãe e a filha, mas sempre cobrando a menina para que fizesse curso de cabeleireira e voltasse para ganhar dinheiro e a ajudasse em Londres também com as casas.
E sempre dizia "a marcianinha é rápida, é ágil! vai me ajudar a juntar dinheiro aqui" o que ela não tinha conseguido fazer em 6 anos.
Primeiro porque tinha exatamente essas despesas médicas com a filha no Brasil e o casamento da outra que ela pagou tudo, se sentiu culpada de ir pra Londres faltando meses para a filha casar, filha que sempre falavam no telefone parecia jogar na cara que a mãe não estava em seu casamento e que a deixou sozinha com as tias que queriam pegar a casa pra elas.

O filho viveu um pouco mais de 5 anos com ela em Londres, tinha uma vida de inglesinho: blackberry, playstation com acessórios, como a cadeira entre outras coisas, mas ele reclamava - segundo Marciana - que aquilo não era vida.
Bem, se você pensar que você viveu dos seus 9 anos aos quase 15 em várias casas dividindo quarto com sua mãe e estranhos, sem nenhuma privacidade, sem saber mais o que é uma casa e uma família. Bem, você também diria o mesmo, talvez...

Ele quis porque quis voltar pro Brasil e ela com medo que mais um ficasse doente, deixou. Gastou mais um bom dinheiro porque ele só tinha ido de férias ao Brasil, voltou e decidiu voltar novamente e ela teve que pagar a passagem do pai dela para acompanhar o filho de volta ao Brasil.
O ex-marido de Marciana, segundo consta, a traía com todas, não saía do boteco e faliu uma pequena empresa que tinham juntos e quando ela dizia que se separaria dele, ele pegava a Bíblia, colocava debaixo do braço e encontrava novamente Jesus, numa dessas, ela se separou realmente dele e foi pra Londres.
Isso tudo é o que ela contava, não cheguei a conhecer nenhum dos filhos ou parentes dela, tudo são relatos da própria.

O menino voltou ao Brasil e foi morar com uma irmã casada de Marciana, ele que não era bobo de morar com os avós que botavam restrição até pra TV, a irmã que já estava acostumada que aguentasse...

Daí era todo dia as ligações para saber dos filhos. E que não tinha como não se ouvir porque ela ligava do quarto dela, que ela deixava que nós usássemos como sala.
Eu nunca telefonava da casa, só se fosse muito urgente. Nunca, preferia o transporte público ou uma praça perto do trabalho.

O filho queria voltar pra Londres: caiu a ficha dele que ele tinha vida de rei e que no Brasil o pai lhe dava 20 reais que não davam pro Mc do fim de semana...
Ficava a infernizando no telefone porque queria os jogos novos e que no Brasil tudo era muito caro!
Quebrou coisas do ps3 e queria que a mãe mandasse, detonou com o Blackberry e queria um novo, queria roupas de marca que usava em Londres para se exibir pros amigos da nova escola - particular porque a Marciana disse que "Deus me livre meu filho na escola pública no Brasil!". 
Sim, ela tinha gastos com a escola particular (o mais engraçado é que era uma escola católica mesmo eles sendo protestantes, mas achavam que isso iria 'resguardar' o pivete) além da mensalidade, o curso era todo apostilado e tudo que você sabe o que tem que pagar na escola particular, além do luxo de se exibir com tênis e roupas de esporte da Lonslade (super barata) e da GAP (a C&A inglesa... 10 libras e vc compra qualquer camiseta...) para os amiguinhos brasileiros tão fúteis e mimados quanto ele.
Ele sempre dizia pra mãe: NÃO VOLTA! AQUI É HORRÍVEL!
Isso quer dizer: se mata de trabalhar aí e paga meus luxos!

Quando não tinha essa discussão com ele, discustia com a do meio, a que tem problemas de depressão e já estava com 20 e não terminou o segundo grau.
Algumas conversas eram realmente dignos de Marciana!
A filha se tratava com psicólogo e ela perguntava pra filha: 
Foi no psicólogo hoje? E o que vocês conversaram? Do que vocês falaram hoje, oras! Eu quero saber!

 Isso deve ajudar muito em qualquer tratamento... Uma mãe bem participativa!

Ou discutiam sempre por causa de dinheiro que ela sempre dizia que mandava - e mandava toda a semana - e reclamava que os filhos queriam sempre mais. Um dia me disse que gastava quase 3 mil reais por mês com os filhos no Brasil... bem, difícil querer ainda comprar casa no Brasil, com mobilía e um carro "bom" como ela dizia...

 A filha mais velha já casada sofria poque não conseguia engravidar e reclamava da falta da mãe, dizia que deveria ser porque a mãe nunca estava com ela que ela não conseguia engravidar e ainda tinha que ouvir da mãe:
Vi suas fotos com seu marido no orkut! Como é que você, fulana, tira fotos fumando narguile? Você sabe o mal que qualquer uma dessas coisas faz? Vocês tem que ir com sua avó na igreja!

Ou pra irmã que cuidava do filho mais novo:
Ele vai ter prova de espanhol? Mas espanhol é fácil! é igual português! Vai ter prova de biologia? Faz um questionário pra ele estudar e você toma dele!

A irmã, além de aturá-lo em casa, ainda tinha que fazer ele estudar do jeito Marciano...
E as conversas se estendiam assim por horas... ela ligava várias vezes à noite e sempre brigando, reclamando que os filhos tinham que fazer o que ela mandava, ela era a mãe, a que mandava o dinheiro!

Com a Bruxa sucedia algo parecido.
Ela ainda saiu casada do Brasil e deixou as filhas por conta da mãe, o marido ficava com elas, mas quando a Bruxa, voltou ao Brasil, 6 anos depois, antes de ir morar em Londres. Fez a separação e o marido assinou que a guarda da mais nova ficaria com a mãe dela.
A mais velha já era maior de idade, fazia faculdade de publicidade lá no centro-oeste e sempre reclamava que não havia estágio nem emprego e que ela queria um emprego de meio período, não integral, porque ela estava de manhã e não queria estudar à noite... coitada! sofria! porque no Brasil não tem emprego pra ninguém que país horrível! (palavras da Bruxa)

Ela me lembrava a personagem da novela das 7, quando voltei e vi a personagem Grace Kelly na novela das 7 do Falabella, achei igual!

A menina queria tudo da mãe: você me largou aqui? agora vai me dar tudo que eu quero!
E tinham altas discussões porque ela queria, apenas, óculos de sol Dolce & Gabbana (o que mesmo em Londres é caro, é uma marca porsh não é pra qualquer um!) e depois ela vinha desesperada pra gente perguntar se sabíamos se nas promoções tinham óculos D&G... porque a filha queria porque queria... coitada, como a filha sofria por ela não mandar pra ela um d&g entre outras coisas que ela precisava mostrar pras amigas de faculdade.
A filha mais nova ela lutou pra ter a guarda, quer dizer, pra mãe dela ter a guarda porque quando ela foi tentar um "futuro melhor" no estrangeiro a menina só tinha 5 anos e também entrou em depressão. 
Fico imaginando como deve ser para uma menina de 5 anos esperar a mãe que leva 6 anos pra visitá-la...
Ela dizia que nunca ia deixar a filha com a família do marido - família que ela viu que a menina preferia, segundo contava a menina adorava ficar com a avó paterna e ela odiava isso!
Bem, a menina tinha que se identificar com alguém... e Bruxa sempre brigava com a mãe porque tinha deixado a menina ir pra casa da outra avó... bem, você faz o quê do outro lado do Atlântico? Só manda e todos têm que obedecer? 
Só porque pagava escola particular, kumon, inglês etc etc não parecia dar muito jeito das filhas gostaram da mãe, como ela queria.

Ah! A sobrinha que morava com as filhas dela - porque fazia faculdade tb na belissima cidade capital do centro-oeste lindo que ninguém quer morar lá - ela cansava de chamá-la de gorda e outras coisas, tirava o sarro da menina, talvez porque a menina devia ser a única que aturava a conversa dela, diferente das filhas que mal falavam no telefone com ela.

Isso era bem comum: elas queriam falar com as filhas, tentavam e tentavam estabelecer uma conversa e os filhos nem aí... a Marciana era a que mais reclamava: você só diz anh? sou sua mãe! você tá me ouvindo? fala comigo!

Eu também presenciei isso em ônibus, como sempre digo: brasileiro não se toca que Londres está infestada deles e sempre vai ter um ouvindo sua conversa.
Lembro de uma que queria que o bolo do filho no Brasil fosse do jeito, da cor e do SABOR!!! que ela queria... ela já tinha escolhido tudo, só não ia estar lá, né?
Pra ela, deveria parecer porque está mandando, coordenando tudo, é o mesmo que estar lá, mas não é! De jeito nenhum! Por mais que elas adorem se enganar. 

Por tudo que vi, digo que elas não têm filhos, elas os perderam. Pra eles são só umas fulanas que mandam dinheiro e coisas de marca. Nunca estão presentes em festas, doenças ou qualquer outra coisa, elas nunca estão nas fotos... elas só mandam o dinheiro que se vai e não deixa rastro, lembrança nem nada.

Como dizia a Bruxa: eu sou ambiciosa e enquanto o bichinho da ambição estiver comigo eu não sossego!
E quando o bicho da ambição sossegar, sua filha vai falar o quê pra você se nem te chama mais de mãe e sim pelo nome? (a mais nova fazia isso)

Fico triste por elas, porque, por uma ambição, uma ganância um não querer se humilhar ou mesmo ser humilde de trabalhar em trabalhos "menores" no Brasil, preferem mentir e dizer que trabalham bem na Europa e que isso vai fazer que filhos a entendam...
Não, eles não entendem, raras excessões, porque o que eles queriam era uma mãe ao lado. 
E elas perderam a melhor fase da vida deles só para não lavarem chão no Brasil e sim em Londres e outros lugares da Europa.
Quando a ficha cair que o tempo não volta, a ambição não vai ter mais sentido nenhum...








08 abril 2012

Vida entre brasileiros

Em dezembro de 2010 tinha deixado esse rascunho aqui:

Comunidade Brasileira em Londres: nunca eu digo NUNCA espere ajuda de brasileiros aqui, claro, eu achei umas quatro pessoas muito boas aqui... e o resto... é resto! O resto te olha como se você fosse tomar o emprego dele, que quisesse entrar numa ordem secreta e te dizem: ah, tá, eu vou ver se tem alguma vaga e te falo... A ordem secreta se explica, hoje, depois de 5 meses eu entendi que sou mal vista porque tenho passaporte europeu ORIGINAL de família, ou seja, um DIREITO meu garantido. A maioria está ilegal e tem medo de você, tem medo porque você pode conseguir um emprego melhor e medo que você o dedure para a imigração, como muitos fazem. Muitos brasileiros com visto britânico fazem isso e muitos portugueses também são acusados disso, só que eu não quero confusão com ninguém, quero que cada um viva a sua vida e deixe a minha em paz, o que nem sempre acontece. Além disso, há muitos brasileiros com passaporte europeu original e britânico que não te ajudam em nada: "se eu sofri, você merece pastar também", o egoísmo total. 

Meu pensamento não mudou muito, a partir daquele momento até tentei não ter tanto preconceito com "gente da minha terra", mas acabou sendo inevitável.
Os brasileiros realmente se fecham para outros brasileiros - não só por serem ilegais, mas realmente não gosta de ajudar. Ajudam se você for inglês ou alguma nacionalidade considerada superior (brasileiro não perde a mania de se sentir colonizado).

Estava infeliz vivendo com a marcação serrada da xereta Marciana e "não dormindo" no mesmo quarto que a Bruxa do Centro-Oeste. Minha Roommate do bem viria pro Brasil em abril e eu ficaria só, mais só do que já me sentia. Precisava mudar.

Procurei no famoso Gumtree, o site mais popular de classificados na Ilha. E, por isso mesmo, o mais cheio de golpes. O golpe mais comum (e como brasileira eu já reconhecia logo de cara ser um golpe) era da família que iria se mudar pra um outro lugar (US, África etc) e precisava de alguém para cuidar da casa, ou seja, era praticamente só cuidar de um apartamento enorme em Notting Hill (você não desconfiaria?), o preço era irrisório, algo como 100 libras por mês. Havia esse mesmo tipo de anúncio para emprego: você receberia 1000 libras por mês (aumentou 10 vezes!) para ser a governanta da casa.
Não encontrava nada que parecia bom e barato.

A mãe da minha professora de inglês, uma brasileira e elas precisam de alguns capítulos aqui, me falou sobre uma amiga que alugava quartos na região nordeste de Londres, lá na longíqua zona 3 quase 4, na Central Line. Fui ver o quarto.
Chegando lá, descobri que era pra dividir com um rapaz. Bem, como ele é gay você pode dividir sossegada. É o que sempre dizem por lá e muita gente faz isso. Iria me cobrar 60 libras a semana - eu pagava 50, mas era praticamente zona 1 e só pegava um ônibus por 15 minutos e estava no trabalho.

Lá teria que dividir o quarto com um homem - não deixa de ser um pra mim - e pagar 10 libras a mais: além de que teria que gastar dinheiro com transporte pra chegar lá, teria que pagar o metrô ou seria quase inviável. Ou seja: de 1,30 de busão, teria que pagar pelo menos 2,90 (preços só de ida).
Mais 10 do quarto e ainda teria um dia da semana para limpar a casa (onde estava já era incluído na limpeza da Marciana, que reclamava todo final de semana pra limpar, mas era o acordo dela, ela queria o quê? que eu ficasse com dó e além de pagar o aluguel dela ainda ia limpar o muquifo?).

Não achei viável e também ouvi algo que não gostei.
Elas são espíritas (a mãe da teacher e a dona da casa) e eu também.
Frequentava uma casa espírita pequena e que deixavam as crianças atrapalharem as sessões (filhos dos próprios voluntários que chegavam quase no final da sessão) e comecei a me irritar pela falta de indisciplina, tinha saído de lá para ir ver a casa.
E contei para a mulher sobre não estar gostando disso e a dona da casa veio com uma de "ah, mas dever o único horário que a mãe tem pra ir e o filho deve ser o maior necessitado que você".
Sim, todo mundo sempre na minha frente...
Como eu já andava com a tal da estima lá no inferno (sorry, mas tenho que usar MESMO essa palavra). Ouvir alguém me dando lição de moral naquele domingo à noite já bastava, se era tão espírita como dizia por que não conseguiu enxergar que estava diante de alguém que estava extremamente vulnerável a qualquer comentário?
Ainda mais porque a própria mãe da teacher tinha me dito que essa "dona da casa" (ela só era a Landlady e ela limpava a casa e a dona mudou e deixou que ela alugasse porque era de confiança) com a filha que trabalhavam de cleaner estavam ilegais e... faziam o que queriam na casa das donas: inclusive dormiam nas camas das donas das casas quando estava cansadas de limpar, comiam a comida etc.

Então, cadê sua moral pra falar que eu não tenho paciência com uma pobre criança de dez anos que fica jogando bolinha durante a palestra e a mãe que chega no final só pra ser a primeira a receber o passe?
Antes de jogar pedra em mim, olhe se você também não merece um paralelepípedo na cabeça!
Se ela fosse uma madre Tereza de bondade e benfeitora eu engoliria: a mulher é um ser acima que preciso chegar e alcançar, mas se você faz barbaridade na casa das suas patroas, não vem falar de mim porque eu não vou aceitar!
E não aceitei...  o preço e os termos já não compensavam e eu como uma alma perdida em Londres, senti que realmente nunca conseguiria encontrar uma pessoa que me ajudasse e me desse pelo menos uma mão para me dizer: calma, Regina!
Não, ninguém era capaz disso.

Na escola-ong de brasileiros, para dar aulas para filhos de brasileiros (preciso comentar sobre lá, né?) havia uma maioria de legais e nem por isso me tratavam melhor.
A professora para a qual eu era assistente de sala, quando perguntei a  todos se ninguém sabia de algum quarto para alugar veio com as pedras nas mãos:
Você acha mesmo que vai achar algo barato em Putney? (a maioria morava por lá, mas eu não tinha dito que queria morar lá) Olha, nem adianta ficar procurando, nem tem lugar barato para morar lá e ninguém aqui sabe de nada. Ainda se fosse em Parsons Green... (perto de Putney, zona 2 oeste de Londres)


Fiquei tão chocada com a doçura dela que nem falei que não estava procurado exatamente em Putney... A voz não saía... e os outros olharam de lado e ninguém falou nada...

Depois me acostumei com a doçura dela quando a vi xingando o marido na frente de todos... vi que ela era doce assim de natureza e que o marido, mesmo sendo brasileiro, não devia estar dando conta... Deve ser difícil dar conta de tanto fel...
Ela mesma tinha me falado pra eu ser babysitter e procurar no... Gumtree... (todo mundo só me dizia: já procurou no Gumtree?)
Afinal, poderia morar na casa das pessoas...

O que achei no Gumtree não era babysitter nem Nanny, era escrava: moraria na casa, ganharia algo em torno de 80 libras por semana, com uma folga na semana e não teria horário pra estudar.
Uma das mulheres com quem falei, uma norte-americana se me lembro bem, disse: como assim você quer estudar? Não tem horário pra isso, você tem que cuidar das crianças durante o dia e a noite!

E a maioria é assim.
Lembro de ter visto um anúncio em St John's Wood (região bem classe alta londrina) que pagavam 5£ a hora para ser babysitter ( salário real para uma babysitter morando em casa seria por volta de pelo menos 10 se não morar na casa a partir de 12, o salário mínimo era 5,93 - o que ganhava no Império)
Comentei com uma brasileira e ela só me disse: você não quer? vai ter uma filipina pra fazer isso.
Ou seja: filipino é o escravo do londrino.

Também acabei me traumatizando depois do caso italiana... comecei a sentir que sou uma inútil e irresponsável com crianças.

Tentava arrumar um emprego e um quarto por minha conta, ia à agências imobiliárias, procurava empregos no site do governo também e nada... mandava meu c.v para todos os lugares... e nada... tristeza porque tentei muito. Passava o dia todo em sites de emprego.
Fiquei até sem estudar para ver empregos e casas e nada.

Chegava depois do trabalho, cansada e desesperada comentando que precisava achar outro emprego e Marciana vinha como a dona de toda a sabedoria:
Porque você não quer trabalhar o dia todo! Quem quer arruma emprego! Trabalha até de madrugada!

E eu:
E quando vou estudar? Vim aqui pra isso?

Woman from Mars: Estuda de noite... sei lá... Quem quer faz tudo que quer aqui!

Se eu tivesse para onde ir, teria saído dali, mas não tinha... Além de pagar para aquela vaca, ainda tinha de aturar desaforo de quem se acha porque se mata para sustentar família chupim no Brasil...

Outra na escola de brasileiros me disse: por que você veio aqui pra Inglaterra no meio dessa crise? Deveria ter vindo antes!

Eu:  Só agora consegui juntar dinheiro pra vir... não consegui antes... estava juntando... demora...

(ela morava lá já uns 7 anos... o pai pagou curso e tudo e aí ela arrumou um passaporte britânico: um marido inglês que deu emprego pra ela na empresa de telecomunicações de lá)

A todo momento ouvia coisas legais de todos os brasileiros... a mãe da teacher até tentou me arrumar um emprego na escola que trabalhava para ajudar na hora do almoço das crianças, mas a cucaracha me tirou do páreo, pôs uma amiga que ficou uns 3 meses no emprego... e eu sem nada por todo aquele tempo... (quer dizer, só com o Império no final da tarde).

A mãe da Teacher achava que eu não me esforçava... era engraçado pra mim aquilo: todo mundo achava que eu não me esforçava...
Será que era porque todo mundo tinha realmente chegado numa época melhor e não conseguia enxergar porque eu não conseguia me virar logo?

Só quando conheci brasileiros que moram em Londres há 20, 30 anos eles me entenderam e me disseram: essa não é a mesma cidade como a conhecemos, mudou muito... e pra pior... (só isso me consolou).