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26 agosto 2018

O FCE

Como já contei aqui, estudei numa escola de inglês e depois, antes do trabalho ficava num parque pequeno perto da escola (Linconl's Inn Fields), em Horborn. Quando esfriou o tempo, passeando por aquele lugar, achei a Biblioteca da LSE (London School of Economics) e me informei se poderia estudar lá dentro. Sim, consegui fazer a carteirinha para visitante e ia pra lá estudar. Tinha uma mesa que eu sempre usava e também era bom porque tinha acesso à internet nos computadores deles. Não levava o meu porque de lá, ia pro trabalho onde não teria onde guardar o laptop.

Meu estudo consistia em fazer exercícios de gramática do livro famoso do Murphy, o Grammar in Use, nível intermediário e outros dois livros específicos para o FCE. Então eu estudava a gramática, tinha aulas de conversação e escrita e só faltava a parte de listening.

Fiz a maior besteira de deixar a parte de listening por último, para estudar em casa, porque precisaria de fones de ouvido para acompanhar. Esta era minha rotina de todos os dias: aulas na English Studio, almoçava, estudava inglês, ia pro trabalho.

A prova do FCE eu fiz em outra escola, a Kaplan, porque na English Studio não tinha a data que eu queria. Então descobri que a Kaplan fazia o exame em todas as datas que era aplicado.
A Kaplan era tipo a escola que estudaria se tivesse dinheiro rs muito mais cara e com mais recursos.

Era um sábado, de manhã que eu faria a prova. Tudo bem, estava acostumada a acordar relativamente cedo, mas como era uma prova eu quis acordar um pouco mais cedo para não dar nada errado.

Deixei o listening para fazer todinho na véspera, em casa...

Comecei o listening e Anjo? chegou com a filha. Sim, ela tinha uma filha que, pelo que eu entendi, as duas não se falavam há tempos e se encontraram no ônibus e resolveram ir pra casa.
Então, meu teste de audição ficou prejudicado...
Pelo que entendi, a filha de Anjo? estava "indocumentada" em Londres e por isso a briga de mãe e filha...
A filha foi embora e tentei ainda fazer os exercícios de audição, só que eu já contei da insônia de Anjo? Então... ela não dormiu e ficou assistindo TV até umas 2 da manhã sendo que eu acordaria lá pelas 6h para ir fazer o teste às 8h. Não era tão longe, era na Leicester Square, mas eu não queria me atrasar e teria que mudar de linha de metrô, eu morava perto da District Line e precisaria ir até a Picadilly.

Não me lembro, mas imagino que tenha ido até Hammersmith e pegado a Picadilly lá



Cheguei cedo para o teste e ele é todo feito, pelo menos na Kaplan, em computadores. Havia pessoas de outras nacionalidades lá pra fazer. Só não sabia qual era a nacionalidade da menina do meu lado.

Começou o teste, pelo listening...
Duas coisas me prejudicaram: eu ter feito mal feito os exercícios de audição e não ter dormido bem. Estava morta de sono e não conseguia fazer os exercícios direito. Foi tudo no chute.
Falei que tinha tempo pra fazer? Pois é... tem tempo determinado para cada parte da prova.
Quando cheguei na parte de escrita, já estava mais acordada e acredito que tenha ido bem, assim como na parte de gramática.
Como estudei por um livro que imita os exercícios do FCE não foi tão difícil essas partes. Assim como a conversação eu sabia que eu teria que responder a perguntas específicas para os avaliadores.

A parte de conversação era a última.
E a menina ao meu lado viu meu passaporte português e falou comigo, era uma mineira que precisava passar nessa prova para poder continuar com visto de estudante em Londres e assim continuar vivendo em Londres como, claro, faxineira.
Ela me contou que não dormiu bem à noite também, foi para a balada e que deu uma copiada nos meus exercícios de listening... fiquei p*** quando ouvi isso e o pior: a conversação era em duplas e já tinham me colocado com ela. 
Ela disse que faltava muito no curso de inglês que frequentava, mas que sabia que no listening ela teria de descrever coisas - errado, teria que se responder perguntas e falar sobre coisas que fossem pedidas.

Começou o teste, começaram a fazer perguntas que eu respondia, a mineira começou a descrever coisas e me atrapalhar, mas eu tomava a rédea da conversa e continuava - não sei se fui prejudicada por isso...
Sei que sai muito brava da prova e daí uns dias fui viajar. Só soube fora de Londres que tinha passado por pouco na prova...

A lição que tomei foi que nunca deixe pra última hora para estudar algo que é realmente importante e cuidado para não ter um brasileiro no mesmo teste que você. Brasileiros sempre querendo me ferrar!

Quando voltei à Londres fui buscar meu certificado e esqueci de perguntar se a menina tinha passado, lembrei tanto de falar, mas na hora, com o certificado na mão, esqueci tudo!
E esse sufoco foi superado, depois de muito desejar aquele certificado.

22 outubro 2017

Procura de escola de inglês

Com dinheiro vindo do Brasil (meu pai) comecei a estudar numa escola de inglês, finalmente. 
Eu queria passar no FCE e queria poder ter a oportunidade de estudar em escolas para estrangeiros e fui pesquisar.

Todo brasileiro que não fala inglês vai dizer para você que a melhor é Callan que trabalha com a repetição de frases, acho que conhecem escolas assim no Brasil, né?
A Roommate do Bem fez, mas fez numa que não usava só esse método, e parecia bem interessante, o professor não aceitava só as repetições e assim elaborou melhor as aulas.

Eu fui na Callan original ver como era, só para dizer que xeretei e posso dizer a verdade. Primeiro o professor me pôs num nível abaixo do que eu sabia que eu tinha (quem nunca...até em Londres...), era um escocês simpático que conversou comigo e mais algumas pessoas. Fui para a sala de aula assistir uma aula de experiência, sala cheia de italianos que reclamavam em italiano de achar uma merda a aula e eu só ria. A menina quando me viu rir pensou que eu fosse italiana também.
O professor chegou a pedir a repetição de "The Book is on the table" e pra mim foi o fim da picada! Achei que ele estava de palhaçada com a nossa cara! The book is on the table? não...

Fui a outra escola e quando vi brasileiros saírem da sala falando em português, não quis mais saber: brasileiros, não! Chega! Vi que era a mesma coisa que estudar no Brasil: você sai da sala e continua sua vida em português.

Lembram da Oxbridge a rua que errei no show do Fran Healy? Pois é, fui no começo dela ver uma escola de inglês, na rua "errada".
Assisti aula numa turma de FCE que tinha quatro alunos e o professor numa mesa grande. Em algum momento uma polonesa pensou que a capital do Brasil fosse Buenos Aires (seria melhor que Brasília...) e me perguntaram sobre o Carnaval do Rio (e de São Paulo, ou do resto do Brasil, se há) e eu expliquei havia um tema, as escolas cantavam um tema escolhido por elas e apresentavam essa história... foi engraçado falar disso, nunca me imaginei explicando pra alguém como é o esquema das escolas de samba, muito menos defender isso...

Achei a escola um pouco fora de mão, e teria que pegar a District Line naquele pedaço, nada animador, já que é uma das linhas mais tartarugas de Londres.

Fui a outra escola em Shepherd' Bush, mas eles não tinham todos os cursos ali, e sim na mesma escola só que Holborn e pelos preços achei que seria o melhor que poderia pagar e o caminho melhor a fazer de onde morava e depois pra ir trabalhar tinha um ônibus até St. James' Park



Fiz um teste e a menina não me achou apta ao FCE, mas quem disse que eu liguei?
Fazia o curso de manhã, almoçava por ali perto, tinha um pequeno parque que eu almoçava e no inverno achei uma faculdade que consegui fazer a carteirinha de sócia da biblioteca e passei a estudar lá. Até a hora de ir trabalhar e pra St. James.

Quando fui fazer o exame do FCE fui em outra escola, pois essa não oferecia todas as datas e essa outra que oferecia a prova na data que queria fazer era muito mais chique,cheia de recursos e se estiver outra vez em Londres pra estudar, irei pra lá, se tiver dinheiro, claro! E parecia sem brasileiros rs

Num outro post conto como foi na escola que escolhi.

22 janeiro 2015

Amigos, amigos, Londres a parte

Pela leitura deste blog até onde relatei acho que dá no mínimo pra imaginar como eu estava em frangalhos e teimosa. Muuuuito teimosa para que as coisas dessem certo ou pelo menos eu conseguisse meu FCE.

Para quem tem inglês acima disso parece uma bobeira, mas virou meu foco, minha maneira de lutar ainda por mais tempo (sem dinheiro, sem amigos, sem muitas horas de trabalho) em Londres. Eu não admitia de forma alguma ir embora sem pelo menos esse certificado, era como ter ido à Roma e não ver o Papa (e eu vi quando fui rs o Bento XVI, mas vi rs).
Eu sofria muito e podem ler aqui meus desabafos, mas eu não "largava o osso", eu não jogava a toalha.
Algumas pessoas no Brasil torciam para que eu aguentassem e comentaram quando eu voltei:
"Eu falei pra ele (pro marido) ah, ela vai fazer a merda de voltar!"

É fácil falar que eu ia fazer essa merda quando não se estava vivendo o que vivi: me via encurralada num beco sem saída, escuro e sozinha.

Outra pessoas só me diziam: "Menina, larga tudo e volta! Para de sofrer aí! Volta pras pessoas que te amam!". Mas eu não aceitava isso, era como se eu voltasse totalmente fracassada, mais fracassada do que já me sentia.

As horas de diferença no horário de Brasil e Londres atrapalharam um pouco meu convívio com os amigos que aqui deixei, mas teria que ser assim um pouco para que eu me soltasse em Londres, não?
Tentei fazer amizades e digo que consegui, no final, fazer algumas, mas eu já estava totalmente arredia à Londres, odiando com todas as minhas forças morar lá (sim, eu tive ódio mortal).

Nessa vida louca que vivia de estudar, procurar emprego, levar um monte de desaforo e portas na cara, percebi que alguns amigos no Brasil já haviam cansado de mim. Porque eu imagino que deve ser cansativo dar conselhos pra alguém que sofre, mas não larga o motivo de sofrimento por puro orgulho.
A maioria aguentou bem, mas tive fases ruins com eles porque eu simplesmente estava intransigente, obcecada. E no final sei que também estava fraca para qualquer tipo de amizade: eu não tinha como ser amiga de ninguém porque estava fragilizada demais com tudo que vivia... estava escondendo a verdade numa carapuça: eu estava deprimida, ansiosa e com algum tipo de síndrome, talvez. Não estava me aguentando, não tinha como ter um relacionamento legal com ninguém.

Alguns amigos me aguentaram e me aguentam até hoje. Ouço muito estes porque realmente respeitaram a loucura que eu fazia comigo.

Na minha vida londrina de sofrer e lutar, parecendo quase uma Jack Bauer (rsrs) cheguei a ter problemas com amigos que simplesmente me ignoraram, deram respostas atravessadas e outros que nem esperava briguei de forma agressiva quando voltei ao Brasil e nunca mais tive amizade.

Uma dessas pessoas a amizade se desfez ainda em Londres. 
Depois de tudo o que leram  - e mais que falta rs - essa pessoa sempre me aconselhava a voltar pro Brasil e até fazer o FCE aqui, o que era inviável pelo preço, a diferença pra quem estava recebendo em libra era gritante pra mim.

Ela sempre falava comigo e percebi o sumiço, depois de semanas, não era fácil lembrar de todo mundo quando se está com a cabeça a mil e tentando fazer as coisas darem certo mesmo dando murro em ponta de faca.
Resolvi mandar uma mensagem pra ela, dizendo que estava com saudades e ela me respondeu com um "saudade nada!". Fiquei tão arrasada... e perguntei: nossa, fulana, por quê?
E ela: "ah, eu também tenho meus momentos de solidão e o outro dia você disse a um amigo que ele..." não me lembro da situação exata agora, mas ela ficou com ciúmes de uma conversa no Fb com um amigo e, claro, ela entendeu errado achando que ele era querido e ela não...) e eu respondi que não era aquilo, expliquei a conversa em detalhes com esse amigo e disse e "você acha que tudo que eu vivo aqui é pouco?" Ela nunca mais respondeu, como não respondeu nem quando voltei ao Brasil, a deletei dos meus amigos, não quer falar, não fala e também não xereta minha vida...

Resolvi falar sobre isso hoje porque a vi no metrô.
Estava sentada do lado da moça da janela... e só vi quando uma moça entrou correndo no vagão indo para o fundo, de costas a reconheci e fiquei olhando onde ela sentaria: lá no último lugar, de cabeça baixa e eu olhando pra ver se era ela mesma, era ela. Ela não olhava, quando desci, passei, pela plataforma, olhando exatamente onde ela estava sentada, ela estava lá, olhando pra mochila, não olhou e eu fui.
Ela me viu, ninguém entra no metrô correndo em sentido contrário ao que eu estava pra sentar, com tantos lugares sobrando, justamente do lado de uma pessoa lá no fundo - se o banco estive vazio era outra história... - ela me viu quando o trem parava na plataforma e como era ali a porta que ela entraria, entrou correndo para sentar longe.

Tudo bem, se ela não tivesse feito isso poderia ter dado um oi pra ela e ver o que acontecia, mas nestas condições eu só tive certeza de uma coisa, uma teoria que tenho há muito tempo: quando a pessoa mal te conhece e já te chama de melhor amiga e diz coisas como "amo-te, amiga!" é porque é fogo de palha: como te ama num dia e foge de você no outro.