Depois de 10 meses em Londres a ficha realmente cai. Quer dizer, agora você já sabe tudo que fez errado e como deveria ter feito se fosse hoje que estaria planejando sua viagem.
Vou fazer uma listagem:
1 - Nunca, NUNCA, aceite morar na zona 4 ou mesmo zona 3: você só gastará muito dinheiro com transporte, o mais viável é o metrô, que é caro. Prefira morar na zona 1 e 2 e use ônibus. Se você carregar seu bilhete único daqui (top up your Oyster or Traveller Card), para uma semana de ônibus, você pagará bem menos que de metrô e poderá andar quantas vezes quiser de ônibus num dia por todas as zonas da cidade - se tiver paciência pra isso rs;
2 - NUNCA aceite morar numa casa em que a pessoa fala pra você: tem um probleminha, depois te conto. NUNCA deixe esse "probleminha" para saber quando chegar em Londres, você poderá estar morando na Mansão do Terror e nem sabe...
3 - Se sua meta é estudar e não pagou curso no Brasil, tenha isso como a primeira coisa a resolver aqui. Estou há 10 meses e só fiz aulas particulares, são boas, mas não dão certificado de que você estudou em Londres. E se você deixar isso pra depois, como duas pessoas me disseram (e é a pura verdade): Londres te engole! Não seja engolido por Londres como eu, vá procurar um curso no centro, na Oxford Street existe pra todos os gostos e preços e os "General English" costumam começar toda a semana. Diferente de quando eu morava em Richmond (zona 4) que tinha datas fechadas como outubro e janeiro... e isso fez com que eu pensasse que era assim na cidade toda;
observação: Richmond é um lugar maravilhoso de se morar e você tem muito mais contato com ingleses - o bom das zonas mais distantes é isso, são bons locais pra se praticar inglês com nativos - , mas é distante dos trabalho e escolas...
4 - Procure alugar uma casa para morar que não seja com brasileiros ou portugueses, senão você, como eu, não falará inglês e passará por muitas situações de raiva - não que não passe com outras nações, mas eles são muito mais na deles e não se metem na sua vida, além de cuidar melhor da casa;
5 - Dê preferência por casa de ingleses natos que alugam, eles cuidam muito da casa e qualquer problema estão atentos a fazer o melhor possível - como acontece onde mora uma moça que conheço;
6 - Se seu landlord (senhorio) não der conta daquilo que você reclamou, espere alguns dias, nada resolvido, vá procurar outro lugar: ele não vai resolver, vai empurrar com a barriga enquanto puder, pode ser por anos;
7 - Vá procurar emprego depois de já estar estudando e procure um horário que não atrapalhará seus estudos;
8 - Procure fazer amizades com falantes de qualquer outro idioma menos o português, isso será bom pra treinar o inglês, mesmo que os outros, nem você, falem corretamente, é um treino;
9 - Não pense que será fácil fazer amizades, até com brasileiros será difícil: cada um se fecha no seu mundo e só pensa em ganhar dinheiro. O que você mais vai ouvir será: estou busy. As pessoas, definitivamente, não têm tempo para serem sociáveis e legais nem com elas mesmas. A ganância do dinheiro e, talvez, por terem passado perrengues aqui, faz com que as pessoas não ajudem ninguém. Ninguém ajuda ninguém em Londres, isso é fato. Nunca conte com a ajuda e boa vontade das pessoas, isso não existe aqui. Claro, isso é 1% do que pode acontecer... mas tenha sempre um plano b porque é ele que você vai usar na grande maioria das vezes;
Conselhos de coisas que não vivi, mas já vi gente passando sufocos:
10 - Venha com dinheiro, não seja louco de chegar aqui com pouco achando que vai arrumar emprego rápido - o país está em recessão e até pra ser cleaner a coisa está complicada;
11 - Se você tiver como tirar uma cidadania de algum país da comunidade européia, tire antes de vir, você passará pela imigração sem dor; caso não tenha como: venha com visto de estudante ou de trabalho. Não tente ser mais um "indocumentado" aqui (como os ilegais se 'qualificam'), a vida é difícil para quem tem visto ou cidadania, imagine chegar aqui e ficar escondido ou arrumar um emprego de escravo, os empregos já são de trabalhos forçados... sem documento então... espere pela pior exploração possível.
****
Queria fazer uma observação aqui nessa postagem porque magoei pessoas queridas: Patrícia e sua mãe, a Rita. Elas fazem parte do um por cento de brasileiros que são dignos, honestos e amigos em Londres. Outra coisa: as aulas particulares de inglês da Patrícia são muito melhores que qualquer curso da Oxford st. Se você quer aprender inglês, com ela você aprende, nas escolas da Oxford e etc só repete o que viu no Brasil ou nem isso... só quero frizar que: você quer um papel dizendo "estudei em Londres" pra provar no Brasil, aí você faz qualquer escola mesmo...
Espero ter acabado com esse mal entendido terrível!
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11 junho 2011
15 fevereiro 2011
6 meses...
... e lá se vão seis meses!!
Seis meses, eu achei que não aguentaria tanto... e espero aguentar um pouco mais...
Bem, vocês sabem de tudo: que a vida aqui é difícil (uma merda mesmo rs), que Londres só como turista.
Descobri que realmente eu não tenho nada a ver com esse povo, tirando o rock daqui, pra mim, nada faz sentido: não tomar banho ou só dentro da banheira (nojo!), comida apimentada, dormir sem "lençol de cima", aquecimento (ODEIO!!! e me mata de alergia), carne que tem um gosto estranho (a de vaca), parece que é velha...
odeio aquele fogão de chapa, sem boca com chamas, ODEIO! minha comida sempre queima por baixo e fica aguada por cima.
E o bolo de aniversário daqui?
É HORRÍVEL!
Um pão-de-ló sem graça com uma cobertura totalmente feita de açúcar, dá até um nó na garganta de tanta açúcar... horrível... saudade dos meus bolos, que não faço porque não tem batedeira na casa...
Saudade de uma manga de verdade, de uma laranja de verdade, porque elas não têm gosto aqui... como a maioria das frutas que vêm de longe...
Saudade de um churrascão com maionese, farofa e salada de acelga com shoyo. Um bolinho de mandioca com carne seca!
DA COMIDA DA MINHA MÃE!!!
Saudade da família e dos amigos, saudade dos meus bichos fofos...
Saudade da minha cama, do meu colchão e do meu travesseiro!
Do meu guarda-roupa e todas as roupas que estão lá e que gosto tanto... dos meus cds, livros, dvds!!! (que logo todos terão novos amiguinhos rs).
Saudade de assistir minhas séries na minha tv da sala, saudade de ficar á toa vendo séries e filmes na tv e batendo papo com a minha mãe.
Saudade de conversar com a minha mãe, ouvir os causos dela, ouvir ela cantando enquanto faz as coisas da casa, saudade das graças do meu irmão e até saudade da rabugice do meu pai!
Saudade de me sentir num lugar que parece meu, onde as coisas fazem sentido, as pessoas fazem sentido, mas até hoje não sei se a vida fazia sentido...
Aqui não faz.
A única coisa que faz sentido aqui é assistir aos shows que estão por vir, só assim pra eu lavar a alma! (Estourei meu cartão de crédito do Brasil rs que se dane rs)
E conhecer o resto da Europa, isso também faz sentido, estando tão perto.
Mas viver aqui e não falar inglês é frustrante e não faz sentido. Não estudar inglês e viver como mendiga (ando como uma na rua, não me reconheceriam...) ou quase sem teto, com roupa de faxineira pra todo canto...
Ser faxineira é um trabalho digno?
Não, em nenhum lugar é porque ninguém respeita e ser uma pessoa com uma formação educacional alta e ter que ouvir um povo mal educado que só fala palavrão sendo seus colegas de trabalho, faz menos sentido ainda (não que no Estado fosse muuuuito diferente rs), mas os portugueses toscos que trabalham comigo, principalmente as portuguesas, não fazem o mínimo sentido em existir pra mim: principalmente se você é uma imigrante ignorante (iminorante rs)e se fica de nariz empinado porque nasceu na rabeira da Europa, não adianta ter história, tem que ter berço e essas fulanas que sairam de um buraco na ilha da madeira podem bancar as "melhores" pro povo do povoado delas, não pra mim que sei de que buraco sairam).
Bem, eu espero que o tempo que eu ainda aguente aqui valha de alguma coisa, mas uma lição eu aprendi com a Dorothy: não há lugar como o nosso lar ahahhahahahah
Pode parecer besteira, mas nada como se sentir em casa, estar em casa, se aconchegar.
Acho que lições valiosas eu tirarei daqui, espero que tudo isso me ajude a ser uma pessoa melhor, como eu sempre brinco: canonizada rs
Porque faquir eu já sou no colchão SÓ de molas...
Mais uma: o que adianta ter caras bonitos se não tiram a cara do jornal, do livro e do facebook em seus iphones e blackberries?
E ainda todo mundo diz que são uma negação rs
E pelo jeito não aprendem nada com os livros que lêem... rs
Preferem jogar paciência no "mobile" a olharem pro lado, então, encham mesmo a cara todo dia no pub e peguem a mocreia dos seus sonhos... que eu tô fora! vocês não fazem o mínimo sentido pra mim!
07 janeiro 2011
Mais um Reveillon Frustrante...
Vou parar mais uma vez a saga para contar da véspera de Ano Novo.
Passei o Natal em Portugal, na gelada Póvoa, mas cheia de calor humano, torcendo para conseguir chegar em Londres para ver os fogos na London Eye. Mostrei o video do ano passado pra meio mundo, porque achei que veria um espetáculo parecido...
Eu e uma das minhas roommates fomos para lá por volta de quase dez da noite.
Todas as pessoas para as quais perguntávamos diziam que era um bom horário para chegar e tal.
Todo mundo sempre dizia ser maravilhoso, o problema seria andar muito na volta, pois o metrô está aberto, mas não as estações próximas ao local, como iríamos de ônibus já sabia que ia andar para pegar onde ele pararia agora, com as ruas fechadas.
Chegamos e encontramos uma multidão, o ônibus nos deixou na Victoria Station, a partir daí teríamos que andar. as ruas fechadas e andamos junto a uma multidão de turistas, em grande parte, que iam a pé também para a famosa London Eye, que deve ser o outro olho de Londres, não o de cima, acho que já me entenderam...
A cada momento que chegávamos mais perto, ficávamos mais felizes de ver a Abadia de Westminster e o Big Ben e aos poucos enxergávamos a "London Ass"...
Havia uma multidão toda sentada em uma praça que já não era mais praça, parecia um campo de refugiados, gente até sentada na lama.
Não se esqueçam: inverno, frio e não há mais grama, só lama, mas havia gente sentada ali...
Andamos mais e chegamos perto da estação de Westminster, pertinho da ponte que tem o grande visual. Simplesmente chegamos num ponto que não poderíamos mais andar, era um senhor tumulto: caras bêbados que se trombavam com outros no meio da multidão (e nós com medo de apanharmos ali, caso houvesse uma briga), pessoas tentando passar pela gente de qualquer forma sem ter espaço, gente tentando roubarmos - tipo a estação da Sé 6 da tarde, sabe?
Sim! Um aglomerado de uma manada desembestada que não sabia para onde ir e sofrendo por isso.
Levando cotoveladas no seio, passadas de mão na bunda, tentativas de roubo à bolsa que estava rente ao corpo e aí aproveitavam para passar a mão mais um pouco...
Até que conseguimos nos desvencilhar, pensamos em ir para o outro lado, tentar ver da outra ponto, quase na Ponte de Londres e fomos andar para o outro lado, onde fomos barradas por guardas que não queriam que nós passássemos.
Eu era a primeira e não conseguia sair dali, a roommate falava que nossos pais estavam do outro lado e precisávamos passar, e as pessoas nos empurravam para tentar passar pelos guardas e erámos empurradas. Até que os guardas resolveram abrir ali, não dava mais pra conter a multidão, eu já estavam brava e ele me dizia, primeiro que não tinha como passar e eu dizia como eu faria pra voltar com aquela multidão vindo pra cima de mim; daí ele disse, vendo toda aquela pressão de gente que iriam abrir em um segundo e eu:
ok, one, two, three, four...
ele olhou bravo pra mim, pensei que ia acabar na cadeia rs - seria um passeio diferente conhecer uma cadeia londrina... e os caras abriram e pudemos passar...
Começamos a ficar chocadas com a multidão que ia e vinha sem motivo aparente, tentando achar um lugar para vermos a tal queima de fogos. No caminho, mais um bloqueio, a multidão gritava e berrava, vaiava a polícia que estava em seus cavalos: quem estava de um lado não passava para o outro e começamos a nos revoltar.
Fizemos o caminho de volta e tentamos novamente passar pela ponte principal de Westminster e para nossa surpresa, depois de novas passadas de mãos e tentativas de roubo: havia uma espécie de parede de latão separando todo mundo. Quem chegou 6 da manhã pegou lugar, vocês ficam de fora.
Achei aquilo o cú --- mulo! Onde está a tal democracia que eles são tão fãs e onde está a informação de que se você não chega cedo já era? Onde está informação "ponto fechada para conter a multidão"?
Nenhuma informação, nenhum luminoso, apenas plaquinhas minúsculas dizendo locais para se ver os fogos.
Voltamos para a praça dos refugiados e constatamos que havia mais gente doida que nós: mulheres com carrinhos de bebês (alguns com duplos), gente de cadeira de roda, bebê no colo, criança amarrada pela mão para não se perder dos pais... bando de loucos! Aquilo não é lugar nem pra gente normal, quanto mais para crianças, bebês e cadeirantes...
Muita, mas muuuuuuuuuuuuuuuuita gente bêbada!
Turista bêbado, turista tentando tirar foto de qualquer jeito e com sorriso mesmo no meio daquele London Asshole... inconformável...
Na praça de refugiados percebemos que não íamos ver absolutamente nada, nem dava pra ver a London Asshole, decidimos voltar e vermos quase perto da Victoria Station porquet tínhamos, de lá, uma visãozinha do meio do ass.
E nos deparamos com nova parede de latão fechando tudo!!!!!
Entramos em pânico: iríamos ficar trancafiadas ali, no meio da democraciazinha londoners.
Uns caras pediram para passar, não sei o que disseram aos guardas e aproveitamos e saímos também, não sabíamos o que iria acontecer ali... e tinha muito espaço ainda por lá.
Voltamos e resolvemos acompanhar a multidão que ia para outra ponte, acredito que a de Vauxhall, que estava totalmente lotada e não dava também para enxergar nada... ficamos procurando um lugar para olhar "o espetáculo" e não achávamos um que desse para ver a roda gigante, cabeças e mais cabeças de orks - como eu já chamava no Brasil os altos que ficam na frente dos baixinhos sem ter o mínimo simancol - e alguns orks com chapeuzinhos ridículos na cabeça para atrapalhar mais um pouco.
Finalmente, achamos um lugar que era o muro do parque da dona Victoria. E, entre as árvores, víamos o big ass, víamos entre galhos algo colorido.
Do nosso lado, havia mais uma muralha de latão de Londres, o povo, inconformado, tentava pular, abrir, gritar, brigar com os policiais para passar...
Até que conseguiram abrir e vimos a multidão correndo para entrar: novamente a manada atropelando tudo e todos, a cena mais chocante foi um homem levando uma senhora de cadeira de rodas e todos tentando passar por cima, quase pisotearam a senhora, totalmente tudo descontrolado, horrível, desconcertante, horroso, desorganizado e muito democrático.
Ficamos atônitas com a cena, foi realmente chocante e eu quase pensei em entrar com a multidão, até ver a cena da mulher de cadeira de rodas.
Vi gente rindo da situação toda e fiquei ainda mais chocada, uma mulher que parecia latina, com o filhinho de uns 3 anos e o marido riam da cena, estavam encostados no tal muro das lamentações da Victoria e eu peguei um cantinho ali, entre eles e uma família francesa muito da mal educada que tentava me tirar dali.
O pai francês me empurrava a todo momento e acho que queria dar espaço para as filhas ficarem ali... imagina se eu ia dar esse gosto pra eles, minha vontade era virar para eles e falar: base toi! (bem, foi assim que me ensinaram rs)
Esperamos, faltava por volta de minutos para o ano novo, dez minutos que pareciam um século entre empurrões dos delicados e educados franceses e a cara de tonta boca aberta da latina com o filhinho quase o jogando pelo muro para ver o nada... sim, acho que foram ali para matar o menino... bando de loucos...
Até que escutamos o povo gritar e começou a queima de fogos...
Que queima de fogos? Vi aquele rabisco pelo tronco das árvores e ainda tinha galho nos atrapalhando.
O francês abriu uma champagnhe com a família, todos felizes e ainda cumprimentaram o guarda...
Eu e a roommate tão cansadas e frustradas só depois nos tocamos de dar Feliz Ano Novo...
Decepcionadas fomos para casa, andamos até encontrar um ponto de ônibus que funcionasse... faltando três pontos para chegarmos em casa... mortas de cansadas de tanto andar, talvez uns 3 kilômetros, não sei, deu 2.2 em milhas, só o pedaço de voltar para casa, sem contar o vai e volta que fizemos para achar um canto para ver a tal London Asshole...
Passando por um monte de turista ainda tirando fotos, bêbados gritando "Happy New Year!" e eu respondendo: "Happy New Liver!", a maioria com garrafas na mão, andando em bandos cantando pelo caminho, jogando garrafa pelo caminho e tiozinho aproveitando e vendendo um hot dog dos mais feios por 4 libras, mais caro que um meal do Big Mac (que custa 2,50 ou 3 libras aqui).
Chegamos por volta de 3 em casa, acabadas, cansadas e decepcionadas... espero que o resto do ano não seja assim, mas já me fez tomar a iniciativa: final do ano Brasil-sil-sil!!!
Se é pra passar mico no ano novo que seja em casa vendo pela tv em Copacabana...
Passei o Natal em Portugal, na gelada Póvoa, mas cheia de calor humano, torcendo para conseguir chegar em Londres para ver os fogos na London Eye. Mostrei o video do ano passado pra meio mundo, porque achei que veria um espetáculo parecido...
Eu e uma das minhas roommates fomos para lá por volta de quase dez da noite.
Todas as pessoas para as quais perguntávamos diziam que era um bom horário para chegar e tal.
Todo mundo sempre dizia ser maravilhoso, o problema seria andar muito na volta, pois o metrô está aberto, mas não as estações próximas ao local, como iríamos de ônibus já sabia que ia andar para pegar onde ele pararia agora, com as ruas fechadas.
Chegamos e encontramos uma multidão, o ônibus nos deixou na Victoria Station, a partir daí teríamos que andar. as ruas fechadas e andamos junto a uma multidão de turistas, em grande parte, que iam a pé também para a famosa London Eye, que deve ser o outro olho de Londres, não o de cima, acho que já me entenderam...
A cada momento que chegávamos mais perto, ficávamos mais felizes de ver a Abadia de Westminster e o Big Ben e aos poucos enxergávamos a "London Ass"...
Havia uma multidão toda sentada em uma praça que já não era mais praça, parecia um campo de refugiados, gente até sentada na lama.
Não se esqueçam: inverno, frio e não há mais grama, só lama, mas havia gente sentada ali...
Andamos mais e chegamos perto da estação de Westminster, pertinho da ponte que tem o grande visual. Simplesmente chegamos num ponto que não poderíamos mais andar, era um senhor tumulto: caras bêbados que se trombavam com outros no meio da multidão (e nós com medo de apanharmos ali, caso houvesse uma briga), pessoas tentando passar pela gente de qualquer forma sem ter espaço, gente tentando roubarmos - tipo a estação da Sé 6 da tarde, sabe?
Sim! Um aglomerado de uma manada desembestada que não sabia para onde ir e sofrendo por isso.
Levando cotoveladas no seio, passadas de mão na bunda, tentativas de roubo à bolsa que estava rente ao corpo e aí aproveitavam para passar a mão mais um pouco...
Até que conseguimos nos desvencilhar, pensamos em ir para o outro lado, tentar ver da outra ponto, quase na Ponte de Londres e fomos andar para o outro lado, onde fomos barradas por guardas que não queriam que nós passássemos.
Eu era a primeira e não conseguia sair dali, a roommate falava que nossos pais estavam do outro lado e precisávamos passar, e as pessoas nos empurravam para tentar passar pelos guardas e erámos empurradas. Até que os guardas resolveram abrir ali, não dava mais pra conter a multidão, eu já estavam brava e ele me dizia, primeiro que não tinha como passar e eu dizia como eu faria pra voltar com aquela multidão vindo pra cima de mim; daí ele disse, vendo toda aquela pressão de gente que iriam abrir em um segundo e eu:
ok, one, two, three, four...
ele olhou bravo pra mim, pensei que ia acabar na cadeia rs - seria um passeio diferente conhecer uma cadeia londrina... e os caras abriram e pudemos passar...
Começamos a ficar chocadas com a multidão que ia e vinha sem motivo aparente, tentando achar um lugar para vermos a tal queima de fogos. No caminho, mais um bloqueio, a multidão gritava e berrava, vaiava a polícia que estava em seus cavalos: quem estava de um lado não passava para o outro e começamos a nos revoltar.
Fizemos o caminho de volta e tentamos novamente passar pela ponte principal de Westminster e para nossa surpresa, depois de novas passadas de mãos e tentativas de roubo: havia uma espécie de parede de latão separando todo mundo. Quem chegou 6 da manhã pegou lugar, vocês ficam de fora.
Achei aquilo o cú --- mulo! Onde está a tal democracia que eles são tão fãs e onde está a informação de que se você não chega cedo já era? Onde está informação "ponto fechada para conter a multidão"?
Nenhuma informação, nenhum luminoso, apenas plaquinhas minúsculas dizendo locais para se ver os fogos.
Voltamos para a praça dos refugiados e constatamos que havia mais gente doida que nós: mulheres com carrinhos de bebês (alguns com duplos), gente de cadeira de roda, bebê no colo, criança amarrada pela mão para não se perder dos pais... bando de loucos! Aquilo não é lugar nem pra gente normal, quanto mais para crianças, bebês e cadeirantes...
Muita, mas muuuuuuuuuuuuuuuuita gente bêbada!
Turista bêbado, turista tentando tirar foto de qualquer jeito e com sorriso mesmo no meio daquele London Asshole... inconformável...
Na praça de refugiados percebemos que não íamos ver absolutamente nada, nem dava pra ver a London Asshole, decidimos voltar e vermos quase perto da Victoria Station porquet tínhamos, de lá, uma visãozinha do meio do ass.
E nos deparamos com nova parede de latão fechando tudo!!!!!
Entramos em pânico: iríamos ficar trancafiadas ali, no meio da democraciazinha londoners.
Uns caras pediram para passar, não sei o que disseram aos guardas e aproveitamos e saímos também, não sabíamos o que iria acontecer ali... e tinha muito espaço ainda por lá.
Voltamos e resolvemos acompanhar a multidão que ia para outra ponte, acredito que a de Vauxhall, que estava totalmente lotada e não dava também para enxergar nada... ficamos procurando um lugar para olhar "o espetáculo" e não achávamos um que desse para ver a roda gigante, cabeças e mais cabeças de orks - como eu já chamava no Brasil os altos que ficam na frente dos baixinhos sem ter o mínimo simancol - e alguns orks com chapeuzinhos ridículos na cabeça para atrapalhar mais um pouco.
Finalmente, achamos um lugar que era o muro do parque da dona Victoria. E, entre as árvores, víamos o big ass, víamos entre galhos algo colorido.
Do nosso lado, havia mais uma muralha de latão de Londres, o povo, inconformado, tentava pular, abrir, gritar, brigar com os policiais para passar...
Até que conseguiram abrir e vimos a multidão correndo para entrar: novamente a manada atropelando tudo e todos, a cena mais chocante foi um homem levando uma senhora de cadeira de rodas e todos tentando passar por cima, quase pisotearam a senhora, totalmente tudo descontrolado, horrível, desconcertante, horroso, desorganizado e muito democrático.
Ficamos atônitas com a cena, foi realmente chocante e eu quase pensei em entrar com a multidão, até ver a cena da mulher de cadeira de rodas.
Vi gente rindo da situação toda e fiquei ainda mais chocada, uma mulher que parecia latina, com o filhinho de uns 3 anos e o marido riam da cena, estavam encostados no tal muro das lamentações da Victoria e eu peguei um cantinho ali, entre eles e uma família francesa muito da mal educada que tentava me tirar dali.
O pai francês me empurrava a todo momento e acho que queria dar espaço para as filhas ficarem ali... imagina se eu ia dar esse gosto pra eles, minha vontade era virar para eles e falar: base toi! (bem, foi assim que me ensinaram rs)
Esperamos, faltava por volta de minutos para o ano novo, dez minutos que pareciam um século entre empurrões dos delicados e educados franceses e a cara de tonta boca aberta da latina com o filhinho quase o jogando pelo muro para ver o nada... sim, acho que foram ali para matar o menino... bando de loucos...
Até que escutamos o povo gritar e começou a queima de fogos...
Que queima de fogos? Vi aquele rabisco pelo tronco das árvores e ainda tinha galho nos atrapalhando.
O francês abriu uma champagnhe com a família, todos felizes e ainda cumprimentaram o guarda...
Eu e a roommate tão cansadas e frustradas só depois nos tocamos de dar Feliz Ano Novo...
Decepcionadas fomos para casa, andamos até encontrar um ponto de ônibus que funcionasse... faltando três pontos para chegarmos em casa... mortas de cansadas de tanto andar, talvez uns 3 kilômetros, não sei, deu 2.2 em milhas, só o pedaço de voltar para casa, sem contar o vai e volta que fizemos para achar um canto para ver a tal London Asshole...
Passando por um monte de turista ainda tirando fotos, bêbados gritando "Happy New Year!" e eu respondendo: "Happy New Liver!", a maioria com garrafas na mão, andando em bandos cantando pelo caminho, jogando garrafa pelo caminho e tiozinho aproveitando e vendendo um hot dog dos mais feios por 4 libras, mais caro que um meal do Big Mac (que custa 2,50 ou 3 libras aqui).
Chegamos por volta de 3 em casa, acabadas, cansadas e decepcionadas... espero que o resto do ano não seja assim, mas já me fez tomar a iniciativa: final do ano Brasil-sil-sil!!!
Se é pra passar mico no ano novo que seja em casa vendo pela tv em Copacabana...
belíssima foto! a melhor que tirei no meio dos galhos
London Eye Ass Fireworks Nunca Mais!
Só se for de barquinho pelo Tâmisa rs
No outro dia, a menina quis que eu visse no site da BBC o "espetáculo" que foi lindo com 250 mil pessoas... vi a contragosto, cada vez mais decepcionada...
02 janeiro 2011
Balanço de 2010 - 2 : a missão
No final, nem falei qual é o meu balanço do ano que terminou.
Acredito que tenha sido um ano muito bom para mim, mesmo falando de todas aquelas coisas que me chatearam no post abaixo.
2010 sempre será "o ano que fui morar em Londres", o ano que deixei uma vida cômoda e infeliz em vários aspectos e fui tentar outras coisas, outros voos, que nem sempre podemos dizer que foram os melhores, mas com esse aqui eu estou aprendendo demais, talvez mais do que eu quisesse.
Talvez seja uma lição de vida morar sozinha num país estranho - mesmo que seja um país que eu desejava muito conhecer - você aprende a se virar, a fazer comida e aguentar a fome que bate, a dar valor ao que deixou pra trás, aprende a lavar roupa, a fingir que não vê muita coisa para poder viver com certa paz, limpar casa dos outros, a sufocar o choro porque não tem com quem contar.
Aprende a contar consigo e ter confiança em si.
Se não aprender esse último, volte correndo para o Brasil, pois morar fora, trabalhar, estudar e pagar as contas não é para qualquer um.
2010 foi o ano da minha virada que saí do marasmo e desmotivação educacional de professorinha sofredora da rede pública estadual e fui ver o que a Europa tem.
Tem uma vida dura para quem não domina totalmente a língua estrangeira, mas que só com persistência e perseverança eu poderei conseguir algo para que 2010 realmente seja o ano que consegui pôr em prática planos de vida e que, por conta deles, colhi os frutos desse plantio tão amargo.
Plantio amargo de uma colheita doce, eu espero.
Acredito que tenha sido um ano muito bom para mim, mesmo falando de todas aquelas coisas que me chatearam no post abaixo.
2010 sempre será "o ano que fui morar em Londres", o ano que deixei uma vida cômoda e infeliz em vários aspectos e fui tentar outras coisas, outros voos, que nem sempre podemos dizer que foram os melhores, mas com esse aqui eu estou aprendendo demais, talvez mais do que eu quisesse.
Talvez seja uma lição de vida morar sozinha num país estranho - mesmo que seja um país que eu desejava muito conhecer - você aprende a se virar, a fazer comida e aguentar a fome que bate, a dar valor ao que deixou pra trás, aprende a lavar roupa, a fingir que não vê muita coisa para poder viver com certa paz, limpar casa dos outros, a sufocar o choro porque não tem com quem contar.
Aprende a contar consigo e ter confiança em si.
Se não aprender esse último, volte correndo para o Brasil, pois morar fora, trabalhar, estudar e pagar as contas não é para qualquer um.
2010 foi o ano da minha virada que saí do marasmo e desmotivação educacional de professorinha sofredora da rede pública estadual e fui ver o que a Europa tem.
Tem uma vida dura para quem não domina totalmente a língua estrangeira, mas que só com persistência e perseverança eu poderei conseguir algo para que 2010 realmente seja o ano que consegui pôr em prática planos de vida e que, por conta deles, colhi os frutos desse plantio tão amargo.
Plantio amargo de uma colheita doce, eu espero.
Marcadores:
conhecendo Londres,
desmitificando Londres,
estranhamento,
Metas de Ano Novo
12 novembro 2010
Camela
Como eu ia dizendo anteriormente, para não ficar em casa em vou a todos os lugares, mesmo que só por telefone eu resolvesse, tudo pra não ficar com Soudemorte.
A primeira camelagem (ou camelajem? Rs) foi um anúncio que vi para ser cleaner, salário: 12 libras a hora! Uma maravilha! Tentava entrar no site deles e nada, não funcionava, não quis ligar porque é uma encrenca se não me entenderem...
Resolvi ir até o local, a estação de metrô mais próxima era de Old Street e de trem a de Hoxton. Preferi o metrô e fui procurar a tal rua...
A sinalização de informação em Londres é bem feita, ou pelo menos em 90% dos casos. Sempre os pontos de ônibus mostram um mapinha do local, onde você está, as linhas que passam naquele ponto – que é por letras – nos outros pontos, uma lista de ônibus que passam nos locais mais próximos dali etc...
Mas no começo eu não conseguia me guiar muito bem pelas ruas... pra que lado seguir... hoje estou até melhor, mas eu tenho problema de sentido de direção, não adianta rs
Não achava a tal rua que deveria ir... e andava pra um lado, andava pra outro, voltava pro lugar inicial, queria um bus que passasse na estação de trem de Hoxton que aí eu ficaria mais perto... nada... andei por muito tempo, mais de uma hora, por vários lugares até acertar o esquema das letras dos ônibus e começar a caminhar na direção correta... e depois de muito andar, pensei, agora devo estar perto... claro que não... andei mais ainda e comecei a entender outras coisas, a questão do nome das ruas e das “courts”... As courts são prédios residenciais e também, alguns têm outro nome... acho que assemble, não lembro agora... o endereço que eu procurava era dentro de uma dessas courts. O que acontecia nesse bairro era que em cada court existia um prédio diferente, com outro nome, então, depois de achar a rua principal, achei a court e dentro dela teria que achar a rua do prédio que estava procurando... simples, não? NÃO!
Achei o lugar... quando dei por mim... me senti na cohab josé bonifácio... sim, parecia estar diante de uma grande cohab! Vários prédios iguais pelas ruas, mesma estrutura... um do lado do outro, muitos prédios... e achei aquele que procurava.
Aí ficava ligando no interfone pra falar com a pessoa... nada... mas alguém abriu o portão e eu entrei... não gostei de lá... era sujo e o elevador cheirava a urina... queria ir embora correndo dali, mas fui até o sexto ou quinto e último andar do prédio. Chamei, chamei e nada... e até preferi... comecei a achar muito estranho tudo aquilo e fui embora correndo.
Dessa vez peguei um ônibus até o metrô...
A segunda grande camelagem que fiz por aqui foi para o show do Fran Healy, eu quis ir ao local antes do show, um dia antes, só que o nome da rua era Uxbridge, só que eu não sabia que existia sei lá quantas uxbridge por Londres e, claro, fui na errada...
O mapa que estava no site que vendia ingressos me deu a Uxbridge perto da estação de Uxbridge, extremo norte de Londres, praticamente no Acre.
Fui até lá de metrô... umas 2 horas de metrô até chegar lá e... não acho a rua no mapa da estação... o guarda do metrô me diz que eu teria que pegar um ônibus ali na estação. Tudo bem, mesmo vendo um prédio da Herbalife enorme em frente ao ponto do ônibus, pego o bus... eu vou............... vou..........................................vou.........................Chega uma parte que me sinto no Brás dado o comércio nas ruas de roupas e tecidos, deveria ser um bairro mulçumano pelas túnicas e lenços de cabelo que vendiam, andei muito mesmo de ônibus, devo ter visto uma parte de Londres que poucos conhecem, quer dizer, uma boa parte de Londres, porque eu andei muito nesse ônibus...
Acho, depois de uma hora ou mais de bus a tal Uxbridge, desço e vou procurar o número... estava muito longe... era pra eu estar no 300 e alguma coisa e estava no 85, tudo bem... vou andar um pouco... e ando... ando... até o número 200 e qualquer coisa e... cadê o resto??? Já era outra rua!!! Voltei uma parte que tinha feito de ônibus e vi num ponto que Uxbridge tinha a Brodway Street no meio e depois voltava a ser Uxbridge, ok! Vamos até a outra parte... e lá eu ando mais um pouco, voltando todo o caminho que tinha feito de ônibus e não entendendo porque a porr@ do ônibus não me informou como sempre faz onde estava e que eu já tinha passado pela Uxbridge!!
Nos ônibus, há uma espécie de navegador de bordo, como é o nome mesmo daquilo? GPS! Isso! Uma voz de mulher fala as ruas que passa e o ponto, nem sempre funciona, como nesse caso... Então, fiquei esperando a voz da mulher – a mesma em todos os ônibus, essa teve trabalho! – falar Uxbrigde e nada!!!
Ia voltando e achei de novo a outra Uxbridge, outra porque ela começava de novo do número 1. Quis morrer de ódio!!! E lá vou eu andar mais um pouco e não acho mesmo o número que seria o local do show do Fran. Perguntei pras pessoas, ninguém sabia onde era aquele lugar... Depois de uma tarde e começo da noite andando pelo fim do mundo, pego um bus que volta, de novo, todo esse caminho que fiz a pé pra ver se entendendo o que fiz de errado. Pego um bus que vai até a estação de Earling Brodway, perto da Uxbridge onde desci...
Em Earling, procuro uma internet, eu precisava tirar aquela dúvida... como iria no show do Fran??? Achei uma e pesquisei pelo nome do local do show... era uma terceira Uxbridge em Shepperds Bush Market... muito mais perto de onde eu morava e perto do centro...
(Lá em cima Uxbridge, a estação, caminho até Earling Brodway, marquei onde seria o show do Fran e em vermelho onde morava)
Não acreditei que tinha feito todo aquele caminho em vão... E agora anoto o código postal de todas as ruas que tenho que ir pra não acontecer de novo isso... mas ainda bem que fui um dia antes procurar o lugar... imagina se fosse no dia do show? Teria perdido o Fran!!!!!!!
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