Mostrando postagens com marcador insurance number. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador insurance number. Mostrar todas as postagens

05 fevereiro 2017

Eu, Daniel Blake: a pura realidade e os benefícios ingleses

Vi hoje a "I, Daniel Blake" e muita coisa do sistema inglês me fez rememorar coisas que aconteceram comigo.
Vocês devem se lembrar da questão "insurance number" e conta bancária, se não lembram, o link está aí.
Tudo me lembrou muito o que passei para conseguir ser uma cidadã, imigrante, mas uma pessoa, não um número ou seja lá como nos veem. Imagina quando você é um cidadão inglês de direito... você está dentro dos seus direitos e só recebe deveres, deveres irracionais, perguntas imbecis, desconfiança.

A verdade é que o sistema inglês é muito defensivo, como você vê no filme. Você tem sempre que provar tudo e mais um pouco. Eu me lembro como fiquei desanimada, frustrada para conseguir o insurance e não conseguir quem me ajudasse.
No filme a moça, Katie, diz que as pessoas em New Castle são muito mais gentis do que em Londres, realmente... eu só fui perceber isso quando fui para Irlanda e Escócia, mas isso é outra história, para outro dia, o que quero falar sobre isso é exatamente essa falta de gentileza das pessoas: isso mata aos poucos... quando você é honesto (meu caso e de mr. Blake) e estão desconfiando de você enquanto ilegais conseguem tudo por outros meios, mas conseguem.

Não vivi esse período em que as pessoas estão perdendo suas casas do governo como acontece com Katie. Explico:

Há uma lei inglesa que diz que se você é uma moça solteira e tem filho, você  tem direito a uma casa do governo. Não quer dizer que você não pague essa casa, paga. Menos que um aluguel normal, mas se paga. Acredito que no filme Katie esteja dentro dessa lei de benefício.
Quando estava para voltar ao Brasil, havia estourado a questão da máfia das casas alugadas (aquela questão que a pessoa consegue do governo e subaluga ao preço que quiser e quem aluga pode "subsubalugar" os quartos). Essa máfia estava sendo descoberta e parece que a coisa iria feder para os beneficiários (pelo menos espero que para os safados).

Os benefícios ingleses dão casas de aluguel por esse preço menor aos mais pobres, e cidadãos europeus da comunidade europeia e cidadãos europeus que não nasceram na Europa, mas estão há mais de 3 anos na Europa.
Se eu tivesse ficado, poderia ter tentando conseguir um studio flat, o que estaria de muito bom tamanho para mim, mas hoje essa lei deve cair, já que a Inglaterra pediu saída da comunidade europeia.
Dão benefício a você ter um salário que complemente o seu salário se não chega a 100 libras por semana.
Dão benefício se você é sem teto e pode morar num hotel custeado pelo governo e que se paga também um pouquinho ou é totalmente bancado pelo governo. Deve ter sido desse albergue que Katie também fala que morou.

Vejam que há muitos benefícios interessantes para proteger a população britânica, o problema é que o cerco se fecha para se conseguir esses benefícios.

No filme você vê o quanto é burra a burocracia e quanto os personagens sofrem para conseguir o mínimo de dignidade através dos agentes governamentais que fazem pouco caso e são extremamente frios e impacientes.
Isso eu sentia muito, porque não adianta você ter um motivo, tentar conversar, eles não ouvem mesmo. Não é como no Brasil que você conta uma história triste e amolece o pessoal, não, eles não amolecem! E eu sentia muita falta desse "amolecimento" brasileiro, porque é duro você tentar expor suas dificuldades e a outra pessoa só dizer: fuck off! Era praticamente isso e o filme mostra bem.

Teve um perrengue que passei quase antes de vir embora, eu ia contar no momento que chegasse na minha narrativa, mas o filme me faz contar agora.

Trabalhava no outro prédio que não o Império do Fado, como contei da última vez, comecei a trabalhar com alguns portugueses, colombianos e ucranianas. 
Um dos gerentes da empresa ainda era aquele português que deu sinal para o outro quando coloquei na minha ficha que havia tido depressão - deu sinal querendo dizer "melhor não contratar".
Ele não devia mais se lembrar disso e foi com a minha cara, talvez do mesmo jeito que o amigo que era noivo, lembram?
Se não lembram, o amigo que me deu o emprego parecia ter se interessado por mim, sempre era legal comigo até o dia que o vi com a noiva - de aliança e tudo - no metrô e fingiu não me conhecer rs


Voltando, o cara perguntou se eu queria trabalhar umas horas a mais por duas semanas, cobriria as férias de uma menina num prédio encostado na Victoria Station, o que daria uns dois pontos de ônibus de onde eu trabalhava e daria pra emendar: iria trabalhar das 8 às 17 e entraria no meu trabalho às 18, como sempre. Daria pra ir caminhando fácil. Aceitei! Era tudo que eu precisava para ganhar mais um pouco e juntar dinheiro para a famosa viagem pela Europa que queria fazer, eu não poderia perder essa de jeito nenhum!

Depois conto como foi o trabalho, que era com aquele maravilhoso carrinho de limpeza, limpando o dia todo os banheiros e copas de uns 4 andares que cada um tinha duas alas.

Quando, toda feliz, fui receber esse dinheiro no meu pagamento o que aconteceu?
Não é possível como acontecia tanta desgraça comigo, né?

O dinheiro foi comido pelo leão britânico... sim... eu mal ganhava para mim quanto mais para pagar quase tudo em imposto de renda.
Fiquei sem chão. 
O QUE ACONTECEU COM O MEU DINHEIRO QUE TRABALHEI TANTO PRA GANHAR? E MINHA VIAGEM???
Tive que conversar com todo mundo no trabalho para me dizerem que foi algum erro em algum dos formulários onde trabalhei, que era preciso eu ir em todos os lugares onde estava em aberto o formulário de trabalho para ver em qual estava errado...
Não descobri qual estava errado... talvez a de limpeza das mudanças, onde fui e pedi minha ficha, formulário... whatever! dei baixa para não ser cobrada por isso...
Enquanto eu deveria estar num tipo de desconto, ou seja, zero, estava numa numeração em que tinha que pagar o imposto.

Foi simplesmente um inferno!
Fui a vários lugares que me mandaram para resolver isso, ia de um lado pro outro, ia na sede da antiga empresa do Império do Fado, fui na sede da empresa atual... ninguém resolvia, muito menos o local do governo responsável por isso...
Eu só queria saber onde estava meu dinheiro que suei tanto e sofri tanto para conseguir e nada...

Anjo?, a mulher que morei por último, era autônoma e tinha um contador, me levou até ele para resolver o caso.
Consegui receber uma parte ainda lá, mas só quando estava no Brasil, depois de meses é que recebi o restante, descontado impostos e taxas por ser enviado para outro lugar o que deu uns 100 reais... não mais que isso...

Sei bem o que Daniel Blake sentiu, sei bem o que é ser honesto e não ter razão num país extremamente fechado para o diálogo e que não percebe o quanto é imbecil sua burocracia. Sei o que é passar muita raiva e sofrer só mais um pouquinho para ter certeza que Londres não era meu lugar.

10 janeiro 2016

Férias Frustradas, mas nem tanto...1 - Porto

Depois do último post, vamos ao que veio depois, na outra semana...



Primeiro, acho que contei aqui que você pode tirar férias por semana, né?
Sim: você espera 3 meses de trabalho e já tem 1 semana de férias para tirar. E tem outra coisa, o ano fiscal inglês começa em abril. Primeiro de abril não é só dia da mentira, é o novo ano que se inicia trabalhisticamente falando e se você não tirar suas férias até essa data, você as perde... não se pode deixar de tirar o que tem acumulado, como acontece no Brasil.

Assim como é a partir daí que se conta o imposto de renda, que é muuuuuito mais simples que no Brasil, além de ser descontado do seu holerite, payslip na terra da Rainha, tudo, mas TUDO onde você usou seu insurance number fica registrado e pode ser que você tenha que pagar mais de imposto ou ressarcir o que foi pago a mais, você NÃO precisa fazer uma declaração para entregar no começo do ano, o governo faz isso só pelos registros do seu insurance number (emprego se tem mais de um, compras com bens duráveis etc... não tem como você deixar de dizer o que comprou e o que não comprou pro Leão não levar...).

Como comecei a trabalhar no Império do Fado em janeiro, até abril tinha 4 dias para tirar de férias. Um desses dias eu tirei para ir no show do Foo Fighters, lembram?
Com esses três dias, próximos ao meu níver, a Roommate também ia tirar férias, na outra semana e falou por que eu não tirava junto com ela e íamos para algum lugar no sábado e voltávamos na quarta, achei interessante e fomos pesquisar na Easy Jet e RyanAir (duas empresas de voos low cost, explicarei como funcionam já já) quais opções poderíamos ter.

A primeira coisa que queríamos era ir pra Barcelona, fechado!
E para achar algum local que desse certo de pegar outro avião pela mesma empresa e depois voltar pra Londres?
Fizemos várias tentativas de voos nesses dias e locais, essas empresas costumam trabalhar com aeroportos menores, em cidades próximas, por exemplo, não desceríamos em Barcelona e sim Girona, cidade há mais ou menos uma hora de Barça.
Depois de várias tentativas de cidades, virei pra Roommate e disse: e o Porto?
Tinha ido lá de passagem rápida e tinha ficado fascinada com gostinho de quero mais, queria conhecer de verdade.
E conseguimos nos organizar para ficar sábado e domingo no Porto, segunda de manhã ir pra Barcelona e ficar lá até quarta. Tudo pela RyanAir.

Por esse motivo, tive que trabalhar no meu niver (e fui no domingo, dia anterior, pra Brighton) que era coisa que não queria... mas fui. Passei no Sunsbury's na volta e comprei uma torta de morango para dividir  "cazmiga" que moravam comigo. A torta estava congelada e tive que colocar no microondas... deu pro gasto, pra um aniversário digno de quem trabalhava duramente no Império do Fado.

No sábado fomos pro aeroporto Stansted pegar nosso voo, pegamos o mesmo trem que vai pra Brighton, não era tão longe, meia hora de Londres e que aeroporto! a estação era dentro do aeroporto praticamente!
É um aeroporto pequeno, mas bem organizado, sem grandes filas, mas com os famosos saquinhos para pôr os líquidos porque não levaríamos bagagem maior sem ser a de mão.

Porque isso: quando você escolhe um voo low cost só leva mala de mão e ainda ela deve entrar num caixotinho com o tamanho e dimensões que são as adequadas, além do peso não exceder 10 kilos, você pode levar bagagem a mais que vai no fundo da aeronave, mas se faz isso seu custo sai, dependendo da passagem, mais caro que o valor da passagem. Por exemplo: você faz o trecho Londres-Paris por 40 libras e se tiver bagagem a mais  (sem ser a de mão), paga 50 libras só pela bagagem.
E!! Se você tentar pôr mais do que tem e não passar no peso ou não entrar no caixote, adeus! é pagar bagagem excedente! Ah! a bolsa de mão (essa que nós mulheres usamos) conta! então, o jeito é enfiar na malinha também!


Caixote da RyanAir
Caixote Easy Jet


Fiz outras viagens depois por essas low cost e vi gente brigando porque passou do peso, mulherada se enchendo de roupa no corpo pra diminuir o peso da mala... umas moças enrolavam montes de lenços de pescoço e eu não entendia por que elas levaram tantos rs

O certo é que nós ficamos com medo de passar do peso e colocamos o que conseguimos, vimos as medidas no site das empresas para não ter problema, tudo nos conformes para não ter dor de cabeça e fomos para o Porto!

 Chegando lá percebemos como é bom ter cidadania europeia: só passávamos uma catraca em que liam nosso rosto e código de barras do passaporte e estávamos dentro de Portugal e assim em outros lugares.

No Porto há um metrô na estação também, pegamos e fomos para onde tínhamos reservado quarto, perto do centro do Porto, mas chegamos com uma chuva danada... e nosso hotel era subindo umas ladeiras... mesmo com as roupas dentro das malas, quando abrimos estavam molhadas perto dos zíperes.
Tudo tranquilo no hotel que parecia quase abandonado, não sei se pela época do ano - que disseram que é mesmo de chuva -, mas a rua de hotéis simples estava bem deserta e ficamos num quarto grande com TV e banheiro. Uma camareira bem simpática, boazinha, chamada Ana foi um doce com  a gente. A Roommante deu um fora esperado, por mim não mais porque tenho uma prima em Portugal com esse nome e quase errei da mesma forma.
Roommate: ah, muito obrigada! qual seu nome, moça?
Ana: meu nome éiana!
Roommate: obrigada, Iana!
eu ia interferir, mas não deu tempo...
Ana: não, ANA!

Expliquei para a Roommate sobre esse caso, um caso de sotaque, pois não?
Fomos almoçar porque chegamos mortas de fome no Porto e percebemos que pelo horário muitos lugares já estavam fechados e encontramos um pequeno bar e restaurante que ainda nos serviram comida. O senhor dono do lugar conversou com a gente e disse que tinha morado no Brasil por muitos anos e voltado. Então, ele entendia o jeito brasileiro de ser.

Andamos pela cidade para fazer um reconhecimento, tínhamos pouco tempo e o jeito era sair mesmo na chuva e conhecer uma parte próxima ao hotel e deixar que no outro dia fôssemos para os locais mais conhecidos, sábado à tarde já encontramos muitas lojas fechadas e a moça no hotel nos avisou que domingo tudo estaria fechado (não tinha café no hotel) então tínhamos que achar um mercado e comprar as coisas para o outro dia.

No primeiro dia, ficamos mais fascinadas com as igrejas de azulejo, muitas igrejas são feitas naqueles azulejos famosos portugueses, os azuis e brancos. Conhecemos uma parte da cidade onde têm as igrejas mais famosas, como a Igreja do Carmo e a Igreja e Torre dos Clérigos.
No segundo dia fomos para a parte das pontes, onde ficam também outros monumentos, andamos cidade toda naquela parte, compramos souvenirs e cartões postais, fomos nos pontos mais altos pra tirar fotos da imponência da cidade, muito linda e, pra finalizar fomos comer e tomar um bom vinho do Porto!

Na segunda, terceiro dia, saímos cedo para ir pra Barcelona, gratas pelas belezas da cidade e a hospitalidade diferente da que eu havia experimentado antes em Portugal.

09 outubro 2011

Mês de Janeiro, Londres, Zona Centro Sul (Parafrasendo os Racionais)

Pessoal da feira: Vamô chegando!
Já diriam os Racionais... mais um pouquinho...

Sim, é verdade... eu morava numa Cohab e sim, tinha um feira na rua do lado, a East Street onde, curiosamente nasceu Charles Chaplin. E esse mesmo lugar se tornou um rua com uma feira numa parte e várias "cohabs" por sua extensão até a outra ponta, que era melhor do que a ponta onde eu morava, caminho para Canberwell Green.

Ah! Toda feira, ou market em rua é assim aqui: a rua todo dia é tomada pelos feirantes, só segunda a rua é livre... bonito, né? uma maravilha morar em rua de feira, ainda mais aqui, 6 dias por semana...

Final de dezembro, como eu havia contado, fui morar há dois pontos de ônibus da estação de Elephant & Castle. Uma região boa por ser muito perto do centro de Londres, em 10 minutos de ônibus você está no Big Ben e mais um pouco na Trafalgar Square. A localização é excelente, mas o lugar onde morava, horrível!
Não é que eu tenha preconceito da Cohab, morava no meio de várias em Sampa, a questão é que o negócio por lá era realmente feio e eu contarei porquê, calma!

Fui morar lá por não ter mais nenhuma aula particular pra me sustentar, estava realmente com a corda no pescoço quando perguntei para a Marciana se as outras meninas do quarto que ela tinha me oferecido e eu não quis - relembre as postagens... - aceitariam uma terceira no quarto.
De 65, elas e eu, pagaríamos 50 libras, seria bom pra todas.

Quando não aceitei, veio uma outra menina para o quarto, a qual pertencia a mesma igreja de Marciana, mas mudou-se porque o emprego dela era na zona norte de Londres, ficava longe...
Mas eu acredito que era porque ela não estava aceitando bem ou o controle de Marciana ou ficou de saco cheio da roommate, que agora vocês irão conhecer: a Bruxa do Centro-Oeste!!!!

Uma observação sobre essa garota: era uma ignorante imbecil!
Sim!
Ela tinha vindo com visto de turista pra cá (novidade!!!) para trabalhar de babá para uma prima que era casada com um cara de dinheiro (morava na região de Maida Vale, St John's Wood, algo como morar em Moema ou Itaim Bibi em Sampa) e precisava de uma babá, chamou a prima que virou escrava. E isso é muuuuito comum aqui: ela  ficava com a criança todas as horas do dia e da noite e ganhava uma miséria, porque morava com a "família" e estudar, não conseguia porque tinha uma criança pra cuidar.
A menina resolveu pedir ajuda para o pessoal da igreja que arrumou a casa da marciana e estava vendo um novo emprego pra ela.
Região em questão  é onde fica duas ruasfamosas no mundo da música: Warwick Avenue e Abbey Road.
Quando a imbecil me disse que morava perto da Abbey Road eu fiquei surpresa e falei de ser a rua dos... e ela já me cortou e disse:

É aquela rua mesmo que aqueles imbecis ficam tirando foto na rua e pichando o muro, bando de babacas! Nem sabem que ficam lá tirando foto (sic) e depois pintam aquele muro toda a semana! Bando de gente idiota! O que escreveram já era!

Quando passávamos pela rua e aparecia alguém vestido de algum jeito mais diferente ou as inglesas andando de bicicleta de saia (sim, elas fazem isso) ela ficava: olha que ridículo!
E eu só pensando: e você com esse seu cabelo destruído que nunca corta, com cara de ter mais de 40 e é mais nova que eu, com roupa de velha, parece o que, hein?
Daí ela estava preocupada porque precisava do dinheiro pra residência e o Insurance Number (lembram dele?) e que iria custar 100 libras...
E eu, muito da ingênua perguntei (e eu acho que já citei essa situação por aqui):
Tudo isso? Mas por quê?
E ela: é falso!
Mais um ilegal nessa Londres... e quem era mesmo o imbecil?
E aí ela falou que precisava fumar, disse pra eu não contar pra Marciana, mas era a única coisa que ela ainda não tinha conseguido se livrar e que o povo da igreja não poderia saber.
É claro que disse que não falaria e não falei, não era problema meu. Mas aí a ingênua era ela se achava que não Marciana não ia perceber o cheiro de cigarro... qualquer um que não fuma sente fácil o cheiro...

Eu conheci essa garota, Marciana me apresentou a ela para procurarmos emprego juntas, daí os diálogos acima. Fomos procurar um pub de brasileiros e poloneses em Victoria Station, centrão londrino, algo como trabalhar na região da Sé e República em Sampa.
Na casa, além de Marciana, a Landlady, essa garota e a Bruxa, também havia um terceiro quarto de um casal polonês. O polonês em questão falou sobre esse emprego para Marciana que nos avisou, as indicações do emprego?
Facílimas!
O pub - ou 'pumb' como diria Marciana, sim, ela dizia e deve dizer se ninguém a corrigiu "pâmbi" - ficava na saída da estação de Victoria, perto de um mercado Sansbury's e da Orange (mobiles).
Muuuuuito fácil!
Qual saída da estação de Victoria? Deve ter pelo menos 4, qual Sansbury's ? Havia 2 e não achamos nenhuma loja da Orange nesse lugar... andamos como camelas pela região e nada de pub de brasileiros e poloneses...
Nada!
Para depois a Marciana dizer que o pub era "orange" e não perto de uma Orange, e disse com uma cara de desconfiada, achando que não achamos porque não quisemos... uma das maiores irritações do tempo que morei com Marciana era isso: sempre, mas SEMPRE ela desconfiava da gente...

Bem, a menina foi, e veio outra, a Roommate do Bem, como comecei a chamá-la quando falei dela no Twitter, até pensei em ser Rutinha, porque a outra era a Raquel...

Com a Room do Bem e a Bruxa do 21 (nosso flat) eu fui dividir minha vida.
Marciana era de Marte, mas não era boba: o quarto dela, era só dela.

Então era assim começou meu ano de 2011 em Londres: um apErtamento caindo aos pedaços literalmente (em breve fotos, vão se preparando psicologicamente...), 3 quartos com: 1 marciana, 3 estranhas e 1 casal polonês; uma cozinha minúsculas com janelas que não abriam, só a parte de cima e a fumaça da comida impregnava por todos os (in)comôdos e nos casacos de quem deixava no lugar perto da porta, um banheiro só com o "toilet' e outro com  pia e a maldita banheira (é costume aqui nas casas divididas por muitos a privada ser separada da banheira, para não haver muitos problemas, só o problema de não ter pia e a pessoa sair do vaso e ir lavar a mão na pia da cozinha... claro, quando lava a mão ou quando resolve escovar os dentes na pia da cozinha). Ah, nos banheiros também só se abria as janelinhas finais e muitas vezes, Marciana e Bruxa sentiam frio e fechavam até a janelinha única do toilet, o que eu acho uma grande ignorância, afinal, banheiro tem que ficar com janela aberta até quando o inverno está tenebroso, porque... nem preciso dizer... ou preciso?

Os apelidos logo vocês entenderão...

08 setembro 2011

Mais coisas ainda do final de 2010

Quando trabalhava com o casal do sul, eles trabalhavam quase no esquema de vans, ainda em começo de carreira, mas é o que eles deveriam fazer em breve, pelo menos pretendiam. Tinha várias casas e pra trabalhar em várias no mesmo dia precisa-se de um batalhão.

Porque você ganha pra limpar uma casa em 5 horas, como já contei, e com um monte de gente, faz em 1,2 horas e paga uma miséria pros "assistentes".

Voltando, eles estavam procurando um ajudante pra todos os dias, integral e eu não quis, porque nunca foi esse meu objetivo aqui, por menos que ganhasse e passasse sufoco vendo meu dinheiro ir embora...
Trabalhei judando nos dias que pude e eles conseguiram um outro ajudante, um rapaz de São Paulo, de uma cidade próxima da capital, das várias dormitórios ao redor da big city.
Ele me disse que estava aqui há uns 2 anos, que em São Paulo trabalhava no palácio do governo, como garçom, um dia, encheu o saco, pegou férias e veio tentar a vida aqui...
Não fala praticamente nada de inglês, ilegal, procurava uma documentação ou um casamento fajuto. Eu fiquei beeem quieta...

O nosso grande amigo de trabalho é o famoso Henry, um dos aspiradores de pó mais usados nas casas aqui, ele tem uma carinha simpática:

Só a cara simpática... porque é pesado que a p*rr@! rs

O rapaz me disse que achava esse "hoover" (já até esqueço o nome em português de tanto que falo 'hoover', 'cleaner', 'shower', 'toilet', 'feather', 'mop', 'brush', 'brum', 'kitchen', 'tissue', 'wepping', 'bin', 'cloth'... esse é o vocabulário da "criner" rs), então, o rapaz achava que esse hoover é muito bom e disse que comprou um e mandou de presente pra mãe dele...
Eu fiquei só olhando e pensando: coitada dessa mãe, homem só acha que mulher tem que ganhar mais trabalho, né? aff mais uma vez, fiquei quieta...

A mulher só ouvia no rádio do carro, indo de uma casa pra outra, uma rádio no estilo Antena 1 e virou pra mim e disse: só músicas do NOSSO tempo!
E eu: ãh?????? Bee Gees e outros não são do MEU tempo... quem ela pensa que eu sou?
Mais uma vez, não lembro se falei minha idade pra figura... mas ela é mais velha que eu e tem um filho de 20 anos...
Não que eu não pudesse ser, se tivesse sido precoce... mas daí a ouvir Bee Gees e dizer que é do meu tempo??? Vai a PQP!!!!!

****
Nem tudo foi ruim na casa de GG, lá, finalmente, consegui ir em um Job Centre e tirar meu famoso insurance number e num GP (posto de saúde) e tirar minha carteirinha pra usar...
A carteirinha pra usar o GP do NHS (INSS daqui) eu consegui até mais fácil que da vez que tive alergia na casa da Collorida... depois, não sei se comentei, descobri que não era bicho que tinha me mordido em Portugal e sim, que naquele colchão tinha o famoso bedbug...
Imagine: só chove, faz frio, nunca a casa e o colchão tomam sol... o que acontece? Claro que não ia descobrir isso pela Collorida, por ela, que os bichos me comessem, desde que pagassem o aluguel...

Dessa vez quis marcar um médico porque não aguenta, achava que tinha gripe e era minha alergia ataca à enésima potência, graças ao meu amigo do coração: o heating, ou o aquecimento e o meu carpete fedido de rato e que a Pureza (lembram?) falou que se eu quisesse ela tinha a máquina pra EU lavar o traste...

O que acontecia era o seguinte: minha garganta ardia como fogo, não conseguia falar direito como se tivesse perdido a voz de tanta dor de garganta e nada disso era gripe.
Cansei de tomar chá de pomegranate, ou a famosa romã que todo mundo come aqui e eu só via se tomar chá pra garganta no Brasil. E lá se foi xarope, remédio pra gripe que diziam ser tiro e queda...
Claro que não faziam o mínimo efeito: o problema era a alergia.
O heating também devia ser tão limpo quanto o carpete e ficava bem na cabeceira da minha cama... troquei de lado, comecei a pôr a cabeça pra dormir no lado dos pés. O ruim é que era onde ficava a tv e ficava complicado. Desligava o heating durante à noite, deixava o quarto quente e desligava pra conter o transtorno...
Só depois percebi que a garrafinha de água que deixava no quarto enchia de bolhas, como se estivesse esquentando... não era só esquentando por conta do heating, era porque ela ia secando, como minha garganta, porque esses aquecedores dos infernos, para aquecer, precisam tirar toda a umidade do quarto, inclusive a umidade da pessoa que dorme ali...

****

Nesse mesmo período ia até a casa da Marciana, fiz amizade com ela, porque estava numa fase de quase perguntar a todo mundo: você quer ser meu amigo? eu queria taaaaaanto um amigo...

E é aquela coisa: você só conhece realmente a pessoa quando convive diariamente com ela...

Só que depois de quase 4 meses em Londres e sozinha, já não aguentava mais me sentir sozinha...
Um amigo que mora em Dublin até esteve aqui e me senti a pessoa mais feliz do mundo de ter alguém pra passar uma tarde de sábado batendo papo num Costa (uma cafeteria famosa aqui e mil vezes melhor que o Star-água-bucks). É horrível estar sozinha, tão sozinha...

Foi assim que comecei a engordar... descontava toda a minha tristeza na comida, comia potes de Haagen Dazs  (é barato, ainda mais no inverno), um chocolate delícia com gostinho de laranja... e eu nunca curti esse tipo de coisa, mas esse... nossa:
Ele é assim, todo em gomos, como se fosse laranja e eu comia sem ver assistindo Friends na TV rs
Entre outros quitutes... me enchia...

E aí resolvi ser amiga da Marciana, mas muito em dúvida se ia ou não pra casa dela... tinha que ter outro jeito... (mas não teve).

Um dos fatos mais loucos foi quando fui até a casa de um casal de amigos dela, eles voltariam pro Brasil e a moça trabalhava com casas, e um dessas casas que ela limpava era de uma italiana, como ela soube que eu estudei italiano, passou a casa pra mim, antes de voltar pro Brasil.

Dois jovens de BH que moraram aqui por 3 anos, se mataram de  tanto trabalhar, ela nas casas e ele em restaurante para juntar dinheiro.
Juntaram tanto que a primeira vez que juntaram, pra comprar um terreno na cidade onde moravam, deram pros parentes comprarem, segundo conta a história, compraram de uma imobiliária de mentira que levou o dinheiro deles...
Da segunda vez, não foram bobos, guardaram pra comprar quando voltaram...
Só que ele abriu um negócio e ela comprou seu próprio apartamento, fizeram bem, apesar de ilegais, como sempre...
Ele teve a graça de me mostrar o passaporte e identidade portugueses para comparar com o meu, original, pesado e bem feito. E ficava: nossa, o seu é bem pesado, mais bem feito (dã!).

Daí descobri a nova: inglês de rua...
Ele me disse que falava bem o inglês, mas o de rua, assim como a irmã dessa menina também me falou o mesmo...
Nova definição...
Não, não se trata de gíria, de slang, se trata de brasileiro que mal sabe falar seu idioma e falar o dos outros mal e porcamente... daí inglês de rua...
Não que ele falasse mal, o cara tinha fluência, mas não queria dizer 100% aprendizado Murphy rs - nem 50% acho rs
Porque você aprende falar inglês "na rua" com outros estrangeiros que também falam como lords na câmara...
Aí a irmã falava: eXcRusivi e me dizia:

eu prestei o IELTS, na parte de gramática eu não devo ter passado, mas na conversação eu passei! Eu falo inglês de rua, mas falo!

Ela fazia curso de inglês aqui só pra ter visto, mais faltava do que ia na escola, o que interessa é o visto de estudante... por 6 longos anos... (no caso dela).
Fazia numa das famosas escolas da chamada "fábrica de visto"... (já deu pra sacar o nível só pela aluna rs)

Eles juntaram dinheiro e coisas... mandaram por navio 200 kilos de coisas antes de viajarem... e fui com Marciana no aeroporto dar tchau pras figuras...
Levaram mais 4 malas, chegaram atrasados, se eu não tinha falado pra Marciana de ficar na fila, teriam perdido o voo...
Chegaram no guichê: peso extra (isso porque mandaram 200 kilos por navio...).
E vai a correria da irmã da menina ir comprar outra mala no aeroporto e eles abrirem mala pra todo lado, no meio do caminho e pesar na balança que fica perto do guichê da TAM... (o preferido pelos brasileiros).
E daí só se via tênis com perfume dentro, um monte de tranqueira saindo das malas... como até patins...
A menina tão simplória, eu diria, levava na mão um Toblerone enorme que comprou, queria comer dentro do avião... tive que avisar que ela não poderia fazer aquilo... que seria barrada, só se comprasse lá dentro e levasse na sacolinha do freeshop...
Ajudei com as malas e ficava vendo aquele desespero louco, primeiro porque chegaram atrasados, segundo porque não ia dar pra levar tudo...
E não deu: a irmã ficou com algumas coisas por aqui...
A maior parte das coisas que compraram eram futilidades para mostrar pros parentes e amigos no Brasil, como uma câmera digital que você pode fotografar no escuro que sai perfeito e que tira fotos de uma plano maior do que se consiguiria numa câmera normal: não se precisa tirar várias fotos pra pegar um plano todo... ela faz isso...
Babei na câmera, mas... não deixa de ser futilidade...

Conseguiram embarcar... na volta, de metrô, a irmã dessa garota e a prima falavam das casas que lipam aqui. Que fazem as casas de gato e sapato.
Limpam de qualquer jeito porque tem várias casas no mesmo dia (mesmo esquema do dono da van, mas sem escravos, digo, empregados), ou seja, eu tenho 4 casas de 4 horas. 16 horas de trabalho? Claaaaro que não! Eu faço a famosa limpeza "pra inglês ver", almoço na casa (pegam comida da casa ou fazem comida com os alimentos dos donos da casa) e vou pra outra!
Outra palavra bem comum entre as "cleaners" aqui é tapa "ah, eu dou um tapa" é, pra mim, de tapear...

Não que toda faxineira é desonesta, mas uma grande parte sacaneia o patrão na cara dura...

Soube de casos em que se a cleaner ficou cansada e tem tempo sobrando, dorme na cama do dono da casa, ele está trabalhando mesmo...

A maioria das faxineiras têm chave da casa, os donos foram trabalhar e deixam um chave cópia pra cleaner. Ela vai a hora que convir e limpa, do jeito que convir também...
Deixam também o dinheiro de pagamento. Bom para pessoas ilegais, bom para ingleses que querem fugir do "tax" (imposto) de ter um empregado em sua casa e parecer rico pro leão daqui.
Mas não se preocupem! Em breve eu vou contar o outro lado da moeda: de que muitos desses patrões ainda tem empregadas muito legais para a porquice que são as casas deles... não é porquice de falta de limpeza, em alguns casos, falta de higiene mesmo...

25 novembro 2010

A BuRRocracia Inglesa e o Jeitinho Brasileiro

Depois das simpáticas patadas de Soudemorte, comecei a sair de casa todos os dias, todos os dias eu inventava o que fazer: distribuir cv, comprar algo, ver emprego etc.
Alguns empregos era só preciso ligar, mas eu já estava traumatizada com o telefone, não pela questão do Soudemorte, mas porque uma atendente não me entendeu e pediu pra que eu chamasse alguém pra falar com ela... uma atendente do insurance number. Só tinha o Soudemorte para fazer isso, eu NUNCA pediria um favor para ele e não pedi, pedi para a Ad e disse que Soudemorte foi rude comigo e não iria pedir para ele, pedi para que ela não contasse à Collorida, mas do jeito que aquelas duas falam mais que a boca, nunca vi duas pessoas se juntarem pra falar e nem pararem pra respirar, duvido que Collorida hoje não saiba, só não sabe o que aconteceu exatamente porque não contei para Ad.
Para se trabalhar aqui e fazer tudo, você precisa de um número, de um documento que se chama “nacional insurance number”, para tirar o negócio é simples: você precisa apresentar uma carta, uma conta, para confirmar o seu endereço. Se não for uma conta sua, não vale. Eu tinha acabado de chegar e não tinha conta nenhuma em meu nome... bem, então, abra uma conta de banco aqui para mandarem correspondência pra você: o banco só abre conta pra vc de cartão de débito pra tirar dinheiro no caixa eletrônico, nada de compras; nada de compras, nada de dívidas, nada de contas a pagar que vai até o seu endereço... e minha conta no banco de 4 letras que tem no mundo todo? Só posso transformar minha conta numa conta inglesa depois de um ano aqui... e então vou mudar meu celular de pré-pago para pós-pago, terei uma conta pra pagar e provar meu endereço! Pós-pago só pode com cartão de crédito de conta inglesa...
E estou esperando, até o momento que escrevo esse post, um caridoso empregador que me empregue e tire o insurance pra mim... pelo empregador seria a outra maneira...
Para se ir ao médico também, há os postos de saúde daqui que se chamam GP e o INSS é o NHS.
Estava com uma alergia que não aguentava mais, com certeza tinha sido ainda em Portugal, tinha sido mordida por algum bicho e não aguentava de coceira nas pernas e braços há dias... Resolvi ir no GP, eles fariam meu cadastro e poderia começar a usar o posto de saúde. Ledo engano: quanto tempo você vive aqui: 3 semanas. Ah, então não pode... você precisa ter 6 meses pra ter um cadastro/ficha aqui, mas pode ir ao hospital que atende a região pra ser medicada...
Foi o que eu fiz, fui até ao hospital e a médica me pergunta porque eu tinha ido a um hospital por conta de uma alergia simples e eu disse o que a mulher do GP me falou... ela ficou quieta, pegou a pomada, marcou quantas vezes eu deveria usar e sai com a pomada – de graça – do hospital.
Mais uma: ia fazer um curso de inglês perto da estação de Richmond, todo mundo falando que os cursos são bons e não são caros por ser uma escola do governo e tem desconto pra união europeia. Vou lá.
Chego, faço prova de nível, passo por uma outra professora para escolher horário de acordo com o nível que tenho e vou fazer a matrícula...
Há quanto tempo você mora aqui?
Há algumas semanas.
Algumas semanas e antes você não morava em Portugal, morava no Brasil? (por conta do passaporte português)
Sim, morava no Brasil.
Então, sinto muito, você terá que pagar o preço normal porque você precisa estar há 3 anos num país da comunidade europeia pra ter direito ao desconto....
Eu entendia mal o que a menina dizia e tentei falar mais com ela, ela correu e chamou outra mulher pra falar comigo... se descontrolou total porque, eu acho, já estava o dia todo fazendo matrículas de estrangeiros que não a entendiam direito... deve ser desgastante, eu sei, mas ela saiu da poltrona dela e chamou a outra moça, bem mais simpática, que falava devagar e com calma do que ela, saiu da cadeira como se eu a tivesse ofendido, sei lá... saiu na maior braveira... eu não tenho culpa se o trabalho dela é esse: atendente numa escola de idiomas em Londres... e olha que a moça deveria ser descente de indus e tal... alguém da família dela também já deve ter passado o mesmo que eu ...
A burrocracia, sim, buRRocracia aqui chega à enésima potência... Tudo o que você ganha e está no banco é sabido pelo “tax” se aparece uma dinheiro a mais, eles vão querer saber de onde saiu aquele dinheiro... se você não está enganando o governo...
Todo mundo que tem outro emprego aqui, informal tipo manicure, pede pra se pagar em dinheiro, pra não ir para a conta da pessoa. Os brasileiros sempre sabem dar seu jeitinho...
Tanto jeitinho que tem ilegais aqui que tem insurance number, falso, claro, mas tem! Tem insurance number, visto falso, passaporte português ou italiano falsos para estarem “elegíveis” para trabalhar aqui, conta pra compravar endereço que também é falsa. Aqui, você pagando consegue tudo! E me ofereceram! Mas como eu não sou ilegal, ando na lei e me ferrando com a burrocracia, crente que uma hora ela venha a sorrir pra mim... espero!
Porque, eu acredito, que quem está ilegal é como um assassino: não fica só em um, tem que matar os outros que descobrem o que ele fez... cada vez a coisa complica e aumenta mais o seu trabalho pra parecer na lei...
Três meses em Londres e finalmente consegui abrir uma conta no banco de 4 letrinhas! Eu não sei o que acontece... cada agência que você vai a pessoa tem que ir com sua cara, talvez... tenho um cartão de débito, acho que vou poder com ele transformar em pós-pago meu celular, porque pré-pago aqui é um absurdo! Você põe 10 libras e acaba em menos de uma semana! Um horror! E o pós-pago tem promoções do tipo “pague 35 por mês e ganha 2 mil minutos...”
Num banco muito famoso aqui, quase consegui abrir uma conta porque tem duas atendentes brasileiras, mas também precisava da tal conta com meu nome. O que brasileiros me disseram para fazer: pedir para alguém colocar uma conta de gás, água etc no meu nome por um mês para a conta vir no meu nome... brasileiros e seus jeitinhos.
Resisti até o último momento e deu certo, não precisei de conta com meu nome, só disse que estava trabalhando e tinha um cheque pra depositar (o que era verdade) e a menina não viu o cheque, não comprovou meu endereço, só pediu uma conta do Brasil, do mesmo banco, mostrei e ela abriu com meu passaporte português (original). No banco famoso aqui – um Brad... daqui, o Barcl... – elas queriam uma conta comprovando meu endereço no Brasil também, mas só poderia ser conta de telefone FIXO (celular não vale aff!), água, luz e estrato bancário, nada de fatura de cartão...
Estava já ficando de saco cheio, liguei pro meu irmão e desabafei: esse bando de idiotas pedem um monte de coisa, só dificultam a vida de quem está certinho por culpa desses fdps ilegais e que ainda se dão bem porque usam tudo falso e ninguém se toca!
Estava revoltada... como podem ser tão idiotas... não saber que alguém pode mudar por um mês a pessoa que vai pagar a conta ou qualquer outra coisa assim... (Collorida deveria saber disso, mas nunca se ofereceu, sempre pôs dificuldades) ou outro caso que fiquei sabendo aqui.
Celulares tem um seguro irrisório, todo mundo aqui, ou 80% da população londrina (seja inglês, ilegal, legal, adolescente) tem ou blackberry ou iphone. Você paga quando compra esse valor mínimo e quando diz “fui roubada, perdi meu celular” eles te dão um novinho em folha, não questionam, não pedem B.O. simplesmente você angaria blackberries ou iphones pra família toda... Isso é o mais engraçado, enquanto em algumas coisas eles desconfiam demais, em outras “abrem as pernas” (odeio esse tipo de termo, mas é a verdade). Depois, quando descobrirem (ohhhhh!) o que o povo faz, farão nova lei, nova burrocracia, que eu duvido parará o jeitinho brasileiro!
Como o outro dia uma menina me falou:
Só preciso de 100 libras para meu insurance number e a identidade de imigrante legal, sai em 2 dias
E eu, tonta:
Ah, você conseguiu tirar tudo?
Ela, sussurando: É falso!!
Ainda não tenho um insurance number, mas acho que agora as coisas ficarão mais fáceis com a conta aberta... foi um sufoco, foi angustiante esse tempo, mas acho que agora vai... e graças a Deus não preciso me sujar para nada aqui, estou limpa, sou legal, sou honesta e sou brasileira, mas não compactuo com erros, safadezas, sujeiras dos meus conterrâneos.
Parece que estou sendo má com os brasileiros ilegais, né? Mas se eu contar o que fazem aqui, vão me entender, num próximo post.