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07 janeiro 2011

Mais um Reveillon Frustrante...

Vou parar mais uma vez a saga para contar da véspera de Ano Novo.

Passei o Natal em Portugal, na gelada Póvoa, mas cheia de calor humano, torcendo para conseguir chegar em Londres para ver os fogos na London Eye. Mostrei o video do ano passado pra meio mundo, porque achei que veria um espetáculo parecido...

Eu e uma das minhas roommates fomos para lá por volta de quase dez da noite.
Todas as pessoas para as quais perguntávamos diziam que era um bom horário para chegar e tal.
Todo mundo sempre dizia ser maravilhoso, o problema seria andar muito na volta, pois o metrô está aberto, mas não as estações próximas ao local, como iríamos de ônibus já sabia que ia andar para pegar onde ele pararia agora, com as ruas fechadas.

Chegamos e encontramos uma multidão, o ônibus nos deixou na Victoria Station, a partir daí teríamos que andar. as ruas fechadas e andamos junto a uma multidão de turistas, em grande parte, que iam a pé também para a famosa London Eye, que deve ser o outro olho de Londres, não o de cima, acho que já me entenderam...

A cada momento que chegávamos mais perto, ficávamos mais felizes de ver a Abadia de Westminster e o Big Ben e aos poucos enxergávamos a "London Ass"...
Havia uma multidão toda sentada em uma praça que já não era mais praça, parecia um campo de refugiados, gente até sentada na lama.

Não se esqueçam: inverno, frio e não há mais grama, só lama, mas havia gente sentada ali...

Andamos mais e chegamos perto da estação de Westminster, pertinho da ponte que tem o grande visual. Simplesmente chegamos num ponto que não poderíamos mais andar, era um senhor tumulto: caras bêbados que se trombavam com outros no meio da multidão (e nós com medo de apanharmos ali, caso houvesse uma briga), pessoas tentando passar pela gente de qualquer forma sem ter espaço, gente tentando roubarmos - tipo a estação da Sé 6 da tarde, sabe?

Sim! Um aglomerado de uma manada desembestada que não sabia para onde ir e sofrendo por isso.
Levando cotoveladas no seio, passadas de mão na bunda, tentativas de roubo à bolsa que estava rente ao corpo e aí aproveitavam para passar a mão mais um pouco...
Até que conseguimos nos desvencilhar, pensamos em ir para o outro lado, tentar ver da outra ponto, quase na Ponte de Londres e fomos andar para o outro lado, onde fomos barradas por guardas que não queriam que nós passássemos.

Eu era a primeira e não conseguia sair dali, a roommate falava que nossos pais estavam do outro lado e precisávamos passar, e as pessoas nos empurravam para tentar passar pelos guardas e erámos empurradas. Até que os guardas resolveram abrir ali, não dava mais pra conter a multidão, eu já estavam brava e ele me dizia, primeiro que não tinha como passar e eu dizia como eu faria pra voltar com aquela multidão vindo pra cima de mim; daí ele disse, vendo toda aquela pressão de gente que iriam abrir em um segundo e eu:
ok, one, two, three, four...
ele olhou bravo pra mim, pensei que ia acabar na cadeia rs - seria um passeio diferente conhecer uma cadeia londrina... e os caras abriram e pudemos passar...
Começamos a ficar chocadas com a multidão que ia e vinha sem motivo aparente, tentando achar um lugar para vermos a tal queima de fogos. No caminho, mais um bloqueio, a multidão gritava e berrava, vaiava a polícia que estava em seus cavalos: quem estava de um lado não passava para o outro e começamos a nos revoltar.
Fizemos o caminho de volta e tentamos novamente passar pela ponte principal de Westminster e para nossa surpresa, depois de novas passadas de mãos e tentativas de roubo: havia uma espécie de parede de latão separando todo mundo. Quem chegou 6 da manhã pegou lugar, vocês ficam de fora.
Achei aquilo o cú --- mulo! Onde está a tal democracia que eles são tão fãs e onde está a informação de que se você não chega cedo já era? Onde está informação "ponto fechada para conter a multidão"?
Nenhuma informação, nenhum luminoso, apenas plaquinhas minúsculas dizendo locais para se ver os fogos.

Voltamos para a praça dos refugiados e constatamos que havia mais gente doida que nós: mulheres com carrinhos de bebês (alguns com duplos), gente de cadeira de roda, bebê no colo, criança amarrada pela mão para não se perder dos pais... bando de loucos! Aquilo não é lugar nem pra gente normal, quanto mais para crianças, bebês e cadeirantes...

Muita, mas muuuuuuuuuuuuuuuuita gente bêbada!
Turista bêbado, turista tentando tirar foto de qualquer jeito e com sorriso mesmo no meio daquele London Asshole... inconformável...

Na praça de refugiados percebemos que não íamos ver absolutamente nada, nem dava pra ver a London Asshole, decidimos voltar e vermos quase perto da Victoria Station porquet tínhamos, de lá, uma visãozinha do meio do ass.
E nos deparamos com nova parede de latão fechando tudo!!!!!
Entramos em pânico: iríamos ficar trancafiadas ali, no meio da democraciazinha londoners.
Uns caras pediram para passar, não sei o que disseram aos guardas e aproveitamos e saímos também, não sabíamos o que iria acontecer ali... e tinha muito espaço ainda por lá.

Voltamos e resolvemos acompanhar a multidão que ia para outra ponte, acredito que a de Vauxhall, que estava totalmente lotada e não dava também para enxergar nada... ficamos procurando um lugar para olhar "o espetáculo" e não achávamos um que desse para ver a roda gigante, cabeças e mais cabeças de orks - como eu já chamava no Brasil os altos que ficam na frente dos baixinhos sem ter o mínimo simancol - e alguns orks com chapeuzinhos ridículos na cabeça para atrapalhar mais um pouco.
Finalmente, achamos um lugar que era o muro do parque da dona Victoria. E, entre as árvores, víamos o big ass, víamos entre galhos algo colorido.

Do nosso lado, havia mais uma muralha de latão de Londres, o povo, inconformado, tentava pular, abrir, gritar, brigar com os policiais para passar...
Até que conseguiram abrir e vimos a multidão correndo para entrar: novamente a manada atropelando tudo e todos, a cena mais chocante foi um homem levando uma senhora de cadeira de rodas e todos tentando passar por cima, quase pisotearam a senhora, totalmente tudo descontrolado, horrível, desconcertante, horroso, desorganizado e muito democrático.

Ficamos atônitas com a cena, foi realmente chocante e eu quase pensei em entrar com a multidão, até ver a cena da mulher de cadeira de rodas.

Vi gente rindo da situação toda e fiquei ainda mais chocada, uma mulher que parecia latina, com o filhinho de uns 3 anos e o marido riam da cena, estavam encostados no tal muro das lamentações da Victoria e eu peguei um cantinho ali, entre eles e uma família francesa muito da mal educada que tentava me tirar dali.
O pai francês me empurrava a todo momento e acho que queria dar espaço para as filhas ficarem ali... imagina se eu ia dar esse gosto pra eles, minha vontade era virar para eles e falar: base toi! (bem, foi assim que me ensinaram rs)

Esperamos, faltava por volta de minutos para o ano novo, dez minutos que pareciam um século entre empurrões dos delicados e educados franceses e a cara de tonta boca aberta da latina com o filhinho quase o jogando pelo muro para ver o nada... sim, acho que foram ali para matar o menino... bando de loucos...
Até que escutamos o povo gritar e começou a queima de fogos...
Que queima de fogos? Vi aquele rabisco pelo tronco das árvores e ainda tinha galho nos atrapalhando.
O francês abriu uma champagnhe com a família, todos felizes e ainda cumprimentaram o guarda...

Eu e a roommate tão cansadas e frustradas só depois nos tocamos de dar Feliz Ano Novo...

Decepcionadas fomos para casa, andamos até encontrar um ponto de ônibus que funcionasse... faltando três pontos para chegarmos em casa... mortas de cansadas de tanto andar, talvez uns 3 kilômetros, não sei, deu 2.2 em milhas, só o pedaço de voltar para casa, sem contar o vai e volta que fizemos para achar um canto para ver a tal London Asshole...

Passando por um monte de turista ainda tirando fotos, bêbados gritando "Happy New Year!" e eu respondendo: "Happy New Liver!", a maioria com garrafas na mão, andando em bandos cantando pelo caminho, jogando garrafa pelo caminho e tiozinho aproveitando e vendendo um hot dog dos mais feios por 4 libras, mais caro que um meal do Big Mac (que custa  2,50 ou 3 libras aqui).

Chegamos por volta de 3 em casa, acabadas, cansadas e decepcionadas... espero que o  resto do ano não seja assim, mas já me fez tomar a iniciativa: final do ano Brasil-sil-sil!!!
Se é pra passar mico no ano novo que seja em casa vendo pela tv em Copacabana...

belíssima foto! a melhor que tirei no meio dos galhos

London Eye Ass Fireworks Nunca Mais!
Só se for de barquinho pelo Tâmisa rs

No outro dia, a menina quis que eu visse no site da BBC o "espetáculo" que foi lindo com 250 mil pessoas... vi a contragosto, cada vez mais decepcionada...

02 janeiro 2011

Balanço de 2010 - 2 : a missão

No final, nem falei qual é o meu balanço do ano que terminou.
Acredito que tenha sido um ano muito bom para mim, mesmo falando de todas aquelas coisas que me chatearam no post abaixo.

2010 sempre será "o ano que fui morar em Londres", o ano que deixei uma vida cômoda e infeliz em vários aspectos e fui tentar outras coisas, outros voos, que nem sempre podemos dizer que foram os melhores, mas com esse aqui eu estou aprendendo demais, talvez mais do que eu quisesse.

Talvez seja uma lição de vida morar sozinha num país estranho - mesmo que seja um país que eu desejava muito conhecer - você aprende a se virar, a fazer comida e aguentar a fome que bate, a dar valor ao que deixou pra trás, aprende a lavar roupa, a fingir que não vê muita coisa para poder viver com certa paz, limpar casa dos outros, a sufocar o choro porque não tem com quem contar.
Aprende a contar consigo e ter confiança em si.
Se não aprender esse último, volte correndo para o Brasil, pois morar fora, trabalhar, estudar e pagar as contas não é para qualquer um.

2010 foi o ano da minha virada que saí do marasmo e desmotivação educacional de professorinha sofredora da rede pública estadual e fui ver o que a Europa tem.
Tem uma vida dura para quem não domina totalmente a língua estrangeira, mas que só com persistência e perseverança eu poderei conseguir algo para que 2010 realmente seja o ano que consegui pôr em prática planos de vida e que, por conta deles, colhi os frutos desse plantio tão amargo.
Plantio amargo de uma colheita doce, eu espero.

01 janeiro 2011

Balanço de 2010

Todo mundo que me acompanha desde o Perplexões já sabe que eu sempre faço uma reflexão sobre o ano que termina.

Esse ano foi um ano atípico, não só por conta da minha viagem aqui para Londres, mas também houve coisas que mexeram muito comigo... talvez também por conta da viagem... na verdade, talvez a viagem tenha feito mais modificações em mim do que eu estou pensando...

O ano começou cheio de planos e que eu quase desisti deles por conta de um ex.

É engraçado, eu desistiria de tudo por ele e teria mesmo feito isso, só que é aquela história "não dê preferência para quem te faz de opção" e, realmente, eu não era tão importante na vida dele, não mesmo. Afinal, ele passou anos só falando, e nunca fazendo, nunca teve um gesto realmente de que eu era o que ele tanto dizia, era só falação.  Falar é tão fácil... e como diz a música "palavras, apenas palavras, ao vento".
E pra coroar ele ainda editou um e-mail meu para poder me responder mal, para poder me chamar depois de tantos anos de compreensão, de egoísta e rancorosa. Eu posso ter sempre dito coisas a ele, falado um monte, mas nunca, NUNCA eu disse uma palavra inventada, nunca precisei modificar frases dele para ter razão. E isso eu realmente não aceito. Não tem volta.

Foi uma parte do ano totalmente frustrante... eu quase desisti de tudo por uma pessoa que nunca fez um esforço realmente para ficar comigo... sempre choramingando por meu amor, mais nada. E ainda foi agressivo ao tentar ter razão, sem ter e editando um e-mail. Isso eu nunca vou poder perdoar, foi sujo, foi baixo.

Depois, com a tristeza e a revolta, resolvi ter um revival com outro ex - o preferido, aquele que guardo muitas recordações maravilhosas - e me senti perfeita, me senti muito, muito bem, mas era só um one night stand... infelizmente para mim não foi... mas tinha que aceitar que não dava para ser mais que isso... por questões minhas e dele e que não era o momento para mais nada, mas fiquei realmente feliz e plena.
Como se tudo o que um me pôs pra baixo o outro vez o inverso e me pôs lá em cima... a mulher mais feliz do mundo... mesmo que isso tenha sido apenas um final de semana.

Fui embora do Brasil sentido que tinha deixado muitas coisas importantes para trás, não só esse rapaz, como a família e os amigos.
No dia da ida disse que voltava, e não mudei de ideia até hoje.

Claro, toda escolha tem uma consequência e eu arco todos os dias com ela. E quem lê aqui sabe o que tenho me passado e ainda vai saber muito mais... tem muito ainda pra ser falado...

O que eu sei com certeza é que não dá pra voltar agora para o Brasil: de mãos abanando. Gastei todas as minhas economias, sofro como uma condenada de saudade de todos (menos do trabalho), fico cada dia mais racista (em todos os sentidos) por conta de coisas que vejo e me irritam - eu nunca estou satisfeita (I can't get enough) e sei que tem outras coisas (como o transporte público e as coisas de marca a preço de banana em libra) que eu sentirei falta e por tudo isso não posso voltar de mãos abanando.
Não adianta passar por tudo isso e voltar sem nada, eu tenho que ganhar algo com tudo isso. NÃO só experiência e minha meta para 2011 é estudar como uma louca para um certificado Cambridge e viajar muito por essas bandas, estou aqui e não posso perder essa oportunidade...

... E depois...
Brasil!

Gostaria muito de juntar dinheiro e chegar no Brasil e comprar um apê pra mim, mas acho isso, no momento, quase impossível, se juntar dinheiro pra viajar e estudar, estará ótimo!

E já digo pra vocês: dividir quarto é o /cu !!!