17 fevereiro 2012

O Império do Fado - parte 1, do começo

Já citei várias vezes aqui e citei muito no meu twitter sobre o Império do Fado, mas ainda não contei sobre lá... 
Let's go! 
 
Estava eu desesperada para arrumar um emprego (janeiro 2010), procurava no JobCentre, ligava pra ex-alunos de português e fiquei fazendo algumas faxinas, como já leram. 
E ai minha roommate tinha uma lista de lugares que poderiam contratar, uma lista de agências e empresas de limpeza e serviços. 
Liguei para todas, algumas o número já havia mudado, outras não tinham nada ou ficaram de me ligar e eis que em uma o cara me disse: venha amanhã e traga seu c.v. 
Fui. 
Do lado da Victoria Station, mas eu ainda errei o caminho e me apavorei porque estava atrasada e nem tive problemas com isso, o cara que disse para eu ir até lá não estava e um português pediu pra eu falar com um outro português. 
Tudo bem até aí, o que me atenderia era do leste europeu e eu não vou lembrar de onde... O português, vamos chamá-lo de Extreme (mesmo nome do vocalista portuga da banda), falou que sim, tinham vagas e precisavam urgente de alguém para um prédio ali perto, só que como estávamos numa quinta e sexta seria fechamento do pagamento. 
Então, comecei na segunda. 

Os pagamentos, na maior parte dos lugares ou é feita semanalmente ou quinzenal, alguns lugares preferem quatro semanas trabalhadas, não se conta mês e sim as semanas trabalhadas. 

Teria que trabalhar das 5:30 às 8:30 da noite, limpando escritórios da TfL (Transport for London) eles têm vários prédios e a minha vaga era no prédio da Saint James Station, em frente à New Scotlan Yard. O que era bem fácil pra mim, tinha um busão que me deixava do lado do trabalho. 

Quando cheguei, dei de caras com um mundo de portugueses, o prédio é dominado pela Ilha da Madeira principalmente, Minha supervisora, que deveria me ensinar o trabalho também era portuga. 
No primeiro dia, disse o que eu deveria fazer e o outro supervisor que tinha o mesmo nome de um falecido tio meu me explicou o que deveria ser feito. 
Ela me disse que se eu não entendesse muito bem tudo, durante aquela semana, colocaria uma pessoa pra me treinar. Tudo bem. Então, na terça ela já pediu pra outra portuguesa me ensinar o trabalho. 
Aí começa o problema... 
No primeiro dia ela, como dizem, mostrou os dentes como se fosse uma pessoa decente, no segundo dia, mostrou as garras, mostrou que pertencia ao lado sombrio da força e que ela não era Anakina e sim... 

 Darth Vedrina (o nome dela terminava em drina mesmo... feminino de Alexandre... daí precisa emendar um nome do mal, né?) 

No segundo dia e no resto da semana ela pediu para que uma outra amiga dela me ensinasse, só que o ensinasse era apenas organizar meu tempo entre todas as tarefas, o que eu ainda não tinha noção pra fazer. Era uma andar todo pra mim, menos os banheiros, eu tinha que limpar quatro alas. 
Uma ala por dia era a limpeza mais pesada e nos outros eu só teria q passar pra verificar o que tinha pra fazer de urgente durante a semana e na sexta fazer uma checagem geral. 

O que se fazia em cada ala: tirar pó das mesas e cadeiras, limpar com mop as pernas das mesas e cadeiras (e isso eu fazia quase nunca porque não dava tempo), passar aspirador na ala toda, limpar todos os dias a copa do andar e outra pia que ficava na parte de serviço, passar o pano (ou "mopar") as cozinhas (copa e esse lugar com outra pia), limpar armários e portas e limpar portas de vidro de todas as alas por causa das malditas marcas de mãos nos vidros. SÓ isso em 3 horas. 
Mas, claro, eu poderia descer 8:20 para me trocar! 

A rapariga que era pra me ajudar, me pôs pra ajudá-la a limpar o andar dela também - não tinha alguém pra substituí-la, então, tínhamos dois andares pra fazer e correndo como louca! 
A gorducha que me ensinava não teve a coragem me dizer o nome e nem de me perguntar o dela... Só para vocês terem ideia da simpatia... na verdade, ela não era uma pessoa ruim, mas vai ser antissocial assim lá na Casa do Cara***, opa! 

Até que eu disse o meu nome e perguntei o dela, lá pra quinta-feira... era mais um Maria entre 500 que tinham lá com um segundo nome pra diferenciar uma da outra. 
Apesar de conhecer a fama boca suja dos portugueses e ter um exemplo em casa, minhas tias nunca foram assim, mas as portugas por lá eram, e muito: adoravam um cara*** na boca, cara*** era a palavra mais usada por elAs, sim, elAs... Freud faria um belo trabalho ali... 

Afinal, as portuguesas por lá tem fama de odiarem brasileiras. Muitos dizem que é porque as brasileiras roubam os maridos e que tais delas, mas eu digo: do jeito que são bocas sujas, mal humoradas e carrancudas, só era pra eles preferirem a gente... 

Que homem vai gostar de mulher que só resmunga e, eu acredito piamente, ficam com cara de c* na hora H e devem dizer pra eles: já terminou? 
Porque nunca vi tanta carranca na minha vida... bando de mulher mal comida! (também, com aquele jeito doce delas fica difícil fazer bem feito rs) 

Já a Vedrina eu falava diferente: ela f*dia todo dia comigo porque ninguém queria f*der com ela... 

Não dizia pros amigos de pátria, não era doida! mas comentava sempre fora dali. Até onde podia perceber era mais uma solteira com mais de quarenta e a minha teoria era que nem mal comida era, era não comida, e não duvido que tinha perdido noivo ou qualquer outra coisa pra uma brasileira que só de dar oi com um sorriso já faz os portugas fiquem todos alegres! 
 Sim, porque eu não me interessava por eles, mas nunca deixei de ser simpática e todos conversarem simpaticamente comigo, os homens. E acho que se percebe muito facilmente a diferença, não? 

Voltando à Maria das Couves, ela me estressava! Ela me fazia correr e me ameaçar de alguma forma, e já falava mal da Darthvedrina - para ver se eu já falaria mal dela, ehehehe ela pensa que brasileira é burra... - ameaçava eu quero dizer: a Darth vem aí, ela vai olhar, ela vai ver que estamos atrasadas! E o meu andar era imundo! 
Totalmente imuuuuuuundooooooooooooooo! 

Eu não parava de limpar um minuto e a outra me falando que Darthvedrina viria e passaria um papel pra mostrar onde estaria sujo e brigaria comigo... e eu correndo pra terminar até 8:30... Corria como uma louca, não me lembro de ter suado tanto assim e ficado tão atordoada e sempre era a última a chegar pra me arrumar e ir embora... e claro, como Darthvedrina era uma pessoa do bem, ela fazia todos esperarem por mim pra poderem ir embora. 
Todos eram obrigados a esperar a vontade dela pra ir embora, esperar o Let's go. com sotaque luso. Porque havia algumas lituanas, duas russas também lá  nave Serra da Estrela da Morte. 

Acho que foi no segundo dia que realmente Darthvedrina veio com o papel com poeira. 
Ela veio, me parou e mostrou o papel. Eu não sabia que ela fazia isso ainda e apenas olhei pensando que o papel tinha caído em algum lugar... alguém tinha largado e eu não tinha visto, nem reparei se realmente estava sujo ou não. 
E quando eu disse que não tinha visto nenhum papel caído, ela me olhou impaciente e gritou falando que era a sujeira que ela havia achado no andar, que eu precisava ser mais ágil que assim não daria pra eu ficar se não pegasse o jeito. 
No outro dia, ela trouxe o Extreme, o coordenador do lugar, para olhar meu trabalho e ele também veio me dizer o que estava fazendo errado. 

Era tudo pressão em cima de mim que precisa urgentemente daquele emprego. 
No último dia da primeira semana, depois de tanto estresse, correia e preocupações, Maria das Couves acabou, acredito que sem querer, dizendo que aquele andar não era limpo há meses, porque não tinha ninguém para limpar. 
Ou seja: o andar estava imundo que não dava pra ficar limpo em uma semana em 3 horas por dia. Eu havia me matado porque Darthvedrina me chamava praticamente de incompetente por uma sujeira que eu não tinha como dar conta de limpar naquele curto espaço de tempo. 
Quando ouvi aquilo, no final do expediente fiquei tão revoltada, tão cansada e me perguntava que pqp eu estava fazendo em Londres... 
Revolta, desânimo e cansaço, mas tinha que continuar se quisesse fazer o que pretendia. 

Vontade de matar a Darthvedrina não me faltava, mas eu sabia só de uma coisa: ela fazia aquilo comigo porque era muito ruim, tão ruim que era uma pessoa infeliz e eu não seria nenhum pouco como ela. Tanto que a tratava bem sempre, só pra deixá-la com raiva, por dentro ela deveria ficar...

Sabem quando o capitão gancho ouve o som do jacaré atrás dele e se apavora? 
Eu me apavorava só de ouvir o toque do celular da capacete com voz de rouquidão: Take That, era o comecinho dessa...  era o maior sucesso na época...

Mulher com mais de 40, solteira, carrancuda, fã de Take That... é pra se pôr na camisa de força! principalmente se for portuguesa emigrada na Inglaterra...

10 fevereiro 2012

Changes (Turn and face the strange)

Uma das coisas que tenho percebido é que eu ando mais antissocial do que era.

Bem, acho que sim...

Como passei por muitas aporrinhações na minha solidão londrina, acho que acabei por me acostumar a ser sozinha e ando meio de saco cheio de gente... é muito estranho... mas parece que eu não tenho vontade de nada que tenha o tema "gente" no meio.

Já fui convidada para festas e não fui, só de pensar em estar no meio de um monte de gente eu já me sinto sufocada. E muitas vezes já me cansa só de pensar em festa... (a depressão parece estar me dando um oi)

Claro que também não tenho nenhum tostão, vocês sabem e saberão como tive uma vida de privações das brabas...

Outra coisa, parece que tudo que fazia sentido antes não faz mais agora...
Por exemplo, eu fazia depilação com a mesma mulher aqui em Sampa há muitos anos, fui até lá, fiz e não pretendo voltar lá!Só porque eu achei que ela não deu a mínima para conversar comigo e ficou só falando do caso do BigBosta...Vai ver eu ando carente demais que queria a atenção de todos... não sei... eu tenho atenção das pessoas, mas sei lá o que deu... saco cheio...
E outra: meus pelos estão todos encravados, coisa que nunca aconteceu comigo. Um ou outro é normal, mas agora foi demais! Talvez eu tenha me acostumado com o método de lá e minhas pernas se adaptaram e agora voltou ao antigo método e o calor...

Mas a questão é que parece que muita coisa que fazia antes, com pessoas que conhecia antes não fazem o menor sentido pra mim.

Não estou falando de TODOS os amigos, mas algumas pessoas, ao menor sinal de que não estou agradando, eu não pretendo me prender...

Eu já andei comentando, antes de sair de Londres que me acostumei a ficar sozinha e isso pra mim tem sido bom, porque não vou mais ficar chorando pelas pessoas, você tem a certeza de que é sozinha e sempre será sozinha: live together die alone! Já diria o doutor Jack Shepard...

E depois de um acontecimento ontem, tive mais certeza de que não me prendo a ninguém...
Uma amiga não entendeu o texto sarcástico que compartilhei no facebook e começou a me dizer sobre "se você fosse mãe não postava isso porque isso é exu" disse algo assim...

E, quem acompanha esse blog desde o começo sabe o que esse "como você não é mãe" já me fez sofrer duramente. Então, mais um pouco, e realmente, é menos uma amizade que preferiu ficar falando da sua nova ordem no mundo e agora "mulher de bem" do que entender que havia um "SARCASMO" escrito em letras garrafais. Afinal, essa pessoa deveria entender porque era uma foto da nossa antiga faculdade, e que ela deveria ser a primeira pessoa a lembrar como as coisas funcionam lá e conhecer muito bem esse sarcamos pra ficar dando uma de "mulher de bem"... e não se tocou da frase acima...o pior é que eu escrevi na postagem respondendo a tal amiga: realmente, fulana, eu não sei como é ser mãe e talvez nunca saiba porque há 95% de chance de eu não saber...
E nada! E a pessoa não entendeu o que eu quis dizer! Continuou na história de mãe de bem...

Não fico chateada mais por não ser mãe, não estar casada. A verdade é que eu nem me enxergo mais assim. Não consigo me ver desse jeito, nessa vida de filhos e marido... parece que não se encaixa comigo mais... acho que as coisas tem prazo pra acontecer e se não aconteceu, sua vida anda e pronto, não tem volta.
Posso estar enganada, mas assim que me sinto. E não me sinto mal por isso, só pensativa sobre o que seria melhor.
A verdade é que se estivesse amarrada a marido e filhos, não tinha feito toda essa minha trajetória e nunca saberia como seria. Eu pelo menos sei como é morar fora e conhecer lugares e pessoas diferentes que casada, pagando contas e sem vida, naõ saberia... São escolhas...
Foi a minha e não acho que os outros têm o direito de jogar um "como você não é mãe" na minha cara.

Acho que se as pessoas não conseguem pensar antes de falar e escrever e não conseguem ver meu lado, também não pretendo ver o lado de ninguém e seguir em frente sem gente para me falar coisas inúteis, das quais nem estávamos falando...

É, eu também ando beeeem egoísta.

E na escola? Na escola eu não dou mais a mínima pros alunos. Só faço meu trabalho. Dou atenção se se interessam, senão, fuck off!

Não pretendo me estressar nunca mais com gente boçal! (fiquei arrogante também...)





A postagem no facebook continua lá, menos a conversa nessa parte, preferi deletar aquelas postagens a deletar a amiga, por enquanto. Assim como bloqueei pessoas que possam vir a me estressar, mesmo não estando entre meus amigos, estou cautelosa a encrencas... porque, sabem, se um amigo pode lhe estressar, imagine alguém que não gosta de você e pode entender mal uma postagem sua no mural de amigo em comum...

27 janeiro 2012

Da depressão, do colchão e tudo mais...

Quando comecei a morar na casa da Marciana, foi tudo muito duro pra mim, principalmenter por ter que dividir quarto. Eu sempre direi isso: foi uma das experiências mais horríveis da minha vida. Tanto que hoje, penso muito em Londres, mas não troco meu quarto no Brasil pra dividir com nenhum fdp em terras londrinas.

Um quarto com três pessoas, um quarto não muito grande, mas cabia a cama da bruxa, a beliche, 3 pequeníssimos guarda-roupas (apenas duas portas sem nada, sem gavetas) uma cômoda caindo aos pedaços - as gavetas, se você mexia, desmontavam e o nosso maravilhoso varal que já contei que a Bruxa se sentia a dona.

Era um ambiente extremamente triste pra mim, que relutei até o dinheiro acabar para dividir quarto. A maior parte das minha coisas ficavam em sacolas, caixas de sapato dentro do guarda-roupa, em cima dele e, uma mala cheia de roupas debaixo da beliche - que consegui colocar com muito custo.
Minha vida estava enfiada dentro daquelas coisas, sem espaço, meu laptop, dentro da mochila. 
E um colchão, um colchão de faquir como cansei de falar, porque o que existia era um retângulo coberto por um pano cheio de molas dentro. Só se sentia as molas, se dormia mal, quando se dormia...

A bruxa preferiu ficar sem cama: colocou o colchão no chão e tinha um edredon a mais só para "acertar" o problema do colchão. Eu e a roommate da beliche não tínhamos outro jeito senão mudar de lado e ver se dava jeito, o que não adiantava muito. Eu dormia na parte de cima, cheguei por último... e foi o que tive...
Demorava até meses pra lavar minha roupa de cama por causa do trabalho de tirar a roupa de lá e, por conta também do problema de estender no varal e a Bruxa tirar, levava na lavanderia pra secar.
Na verdade, eu estava era muito deprimida pra dar bola pra lavar roupa. Usava uma mesma roupa por quase um mês. Sério! Tudo isso para não ter que usar o "varal da bruxa" e não me estressar e eu pensava: e daí? tá frio, ninguém repara, ninguém liga...

As molas realmente machucavam, no começo fiquei preocupada. Achava que era por causa do trabalho pesado de limpeza das casas que acordava com meus braços dormentes. Depois percebi que só poderia ser aquilo que chamavam de colchão...
Muitas vezes tinha que tentar dormir de um mesmo jeito sem me mover para que a mola não me machucasse, principalmente na costela e perto do estômago.
Fiquei realmente preocupada achando que estava com um problema muito grave de saúde (o que com certeza eu ganhei...) de acordar com aqueles braços sem movimento. Imagina você acordar e seu dedo mindinho parece não estar ali... não ter movimento, não sentí-lo!
Algumas vezes me desesperava de medo com isso.
Não tinha mais como chorar sozinha à noite. Se quisesse chorar era quando todos já tinham ido trabalhar, mas tendo certeza disso.
O banheiro era ainda pior que da outra casa, não tinha casais tomando banho, mas a banheira sempre entupia e duas vezes aconteceu comigo e Marciana me olhava como a culpada e não a velharia mal cuidada que aquele lugar era...
O microondas esquentava a caneca e não o que tinha nela. O elevador sempre cheio de xixi... uma vez era cheirando maconha, outra vez, até fralda suja (e você achava que não poderia ouvir que isso acontece em Londres, né? como eu já disse, morava na Cohab Elefante Castro onde o fim da linha da humanidade de qualquer canto do mundo morava).
A única coisa legal era numa das casas vizinhas que tinha um senhor que sempre passeava com a labradora dele, a Kia, já idosa e fofa e ele também um senhor simpático que falava comigo, um inglês.

No mais do tempo, principalmente enquanto só ajudava Marciana, ficava muito mal. 
Minha depressão deve ter estado num dos estados piores porque eu comecei a sofrer demais. A achar que ninguém realmente se importava comigo e cheguei, aqui, a fechar meu blog porque ninguém comentava. 
A carência era grande, a tristeza insuportável em alguns momentos, mas tentava me focar no que tinha ido fazer lá e por mais que me dissessem: volta pro Brasil e para com isso!
Eu dizia não.
Porque na minha cabeça voltar era o mesmo que dizer: só gastei dinheiro e piorei minha depressão. Tinha que ter algo além daquilo, tinha que tentar mais um pouco.
Fui teimosa e doente.
Sofri muuuito ali dentro.
E morando com a Marciana que sempre jogava uma indireta do tipo: quem quer trabalhar trabalha até virando a noite - percebam, eu não nunca deixei de pagar aluguel pra ela, mas ela se sentia no direito de julgar as pessoas. Sempre se achou a dona da razão, achava que eu tinha que trabalhar o dia todo e estudar quando desse, só que ele não conseguia entender que não tinha ido lá pra trabalhar como uma mula com ela!!!!
E ela me ajudava mais ainda, a Bruxa não deixava eu dormir e minha Roommate me convidava pra sair todo o final de semana, mas eu estava muito mal para achar que me divertiria de verdade. Até me divertia, mas...  a Roommate tinha toda a atenção sempre e eu fui me sentindo ainda pior! (isso deverá ser uma postagem)
Quando comecei então a trabalhar no Império do Fado e sofrer assédio moral por Darthvedrina aí que eu não via mais solução para nada...

Nesse período ainda, um ex-namorado meu começou a namorar e aí sim eu me senti um lixo, porque todo mundo que o conhecia o achava o maior loser da face da terra e quando ele arrumou uma namorada eu pensei: eu sou pior que o maior loser da face da terra! 
Então, imaginem que eu devia me sentir o pior ser vivente e que não queria viver nesse mundo.
Essa história do ex ainda deu mais problemas: a atual namorada me descobriu (ou ele deu toda a minha ficha pra ela) e ela apenas tirava o sarro da minha cara com os amigos via twitter. (tenho que contar melhor depois...)
E aí, nesse tempo ainda tiveram os casos da Italiana 1, 2 e da Botocada para me ajudarem ainda mais!

Agora, as imagens:
Minha mala debaixo da cama e meus sapatos
tampa do vaso sanitário
conseguem perceber como era a "cortina"?



teto do quarto



a tal cômoda e as coisas da bruxa
nossa maravilhosa veneziana
minha cama na parte debaixo, qdo a room foi embora
cantos da parede do quarto
meu guarda-roupa
cama da bruxa no chão






a bagunça da minha cama - já no chão




O que eu queria mesmo nessa postagem era pedir desculpa a todos os amigos que de algum modo eu tenha magoado de tão louca que fiquei nessa época.

Desculpem! Minha consciência pesa e sofro muito por ter magoado pessoas que tentavam me ajudar de alguma forma. Sinto muitíssimo e espero nunca mais agir da mesma forma.

11 janeiro 2012

1 mês de volta ao Brasil

Amanhã, exatamente, fará um mês que estou de volta ao Brasil.

Calma! Ainda tenho muito o que contar, esse blog não acaba assim, falta muita coisa ainda... mas talvez o meu antigo blog volte a funcionar, tudo depende de o quanto eu consigo me virar em atualizar tanta coisa, mas por enquanto tenho o que contar de lá e da minha readaptação de cá.

O que mais tem sido difícil pra mim é a educação das pessoas.
Depois que você se acostuma às pessoas evitarem qualquer tipo de contato com você - não no quesito antissocial, mas sim no quesito, respeitar seu espaço. O inglês tem um jeito diferente de dizer que te respeita, e eles têm o maior respeito para não encostar em você e te aborrecer.
Para eles é simplesmente ruim esbarrar em alguém, mesmo que seja numa balada todos estejam bêbados, ele sempre dirá: sorry! I am so sorry!

O brasileiro não, parece que faz questão absoluta em te esbarrar e praticamente se esfregar em você pra mostra a presença dele.
Nem em ônibus cheio um inglês esbarra em você e se isso acontecer, ele falará sorry e ficará muito, muito sem graça.

Então, você começa a andar por aí e todo mundo quer passar literalmente por cima de você num frenesi (nem é o filme do tio Hitch) maluco para estar na frente, na frente na entrada do busão, na entrada do metrô (do trem eu nem falo) passar na sua frente na escada, passar na frente na rua...
Brasileiro parece ser um total obcecado para que fique sempre na frente, sempre levando vantagem em tudo, nem que seja na calçada atropelando a velhinha que vai de bengala.
E aí começa a te empurrar com o corpo, com a bolsa, com o que puder porque ele TEM que ficar na frente, mesmo que ele vá descer no ponto final, na última estação, ele quer ficar na sua frente, na porta, ele é o porteiro-mór.

A linguagem que as pessoas usam, pelo menos como eu moro em findomundópolis..., vocè só ouve imbecilidades, conversas totalmente baixas e muitos, muitos palavrões. O brasileiro não tem vergonha de expor sua vida pra qualquer um. É legal andar no trem e falar do cara que pegou, da mina que catou, da vizinha que quase você meteu a mão na cara.


As pessoas tomam conta do seu espaço e do outro em bancos, filas e tudo mais.


Segunda-feira, no trem, um cara estava com um altofalante e foi o caminho todo tocando a porcaria, quando desceu em Itaquera (Curintia!! aeee!) talvez alguém tenha avisado aos guardas do que o cara fazia, mas quando o cara desceu em Itaquera ele mostrou a língua por guarda!!!!!!!!!

Daí que educação não é só o problema, o problema é que quem tem que cumprir leis, não as cumpre, faz papel de idiota e, vai continuar sendo chamado de coxinha enquanto fizer vista grossa pra tudo. Nunca em Londres um cara sairia sem algum tipo de advertência, no minimo, por ter feito de bobo uma "autoridade". E olha que nem arma eles usam.
Mas existe algo lá que não existe aqui e é muito grave: respeito. E que se faça respeitar.

Não é proibido agora o celular no banco?
Fui na CEF e várias pessoas receberam ou fizeram chamadas na minha frente, na cara do guarda que fez, novamente, vista grossa.
Eu acredito que um dos bancos onde as pessoas devem ser mais assaltadas seja a CEF, por conta do FGTS etc, e deveria ser o local que mais essa lei deveria ser cumprida.

Lei não pega no Brasil porque não é cumprida e quem deveria garantir seu cumprimento finge que não tem nada com isso.

É medo?
Bem, a maioria dos funcionários públicos não parecem ter medo e deixam em todas as repartições que desacato a eles dá cadeia ou multa. Então, quando um segurança ou policial vão se mexer e fazer o mesmo e fazer valer o cumprimento de leis?

Vai dizer que vem de cima?
A lei veio de cima, agora é cumprir.

O transporte público é ruim e caro. As novas estações do metrô da linha amarela consigo enumerar o que tem de errado, como a plataforma pequena e com a escada rolante quase em cima do trilho, um mix de metrô de Paris e Londres, mas onde as plataformas são realmente espaçosas nas estações mais novas.
Mesmo assim, ainda achei boa a linha e ela até está tentando colocar o povo pra ficar na escada rolante do lado direito, se "pegar" vai ser ótimo!

Você começa a ver as condições de trabalho e vida das pessoas e percebe a diferença gritante.

Não soube da existência de uma "cracolândia" em Londres, mas sei que eles são muito coerentes e certinhos e não fariam essa coisa de jogar todo mundo na rua sem ter pra onde ir e continuarem a se drogar cidade a fora.
Por mais que não pareça pelos meus relatos, Londres acaba sendo muito mais humana nesse tipo de caso.
Londres não foi humana comigo porque vivi cercada sempre, infelizmente, de brasileiros que, como eu disse lá no começo, só querem levar vantagem em tudo e muita, muita falta de sorte (acho que não era pra eu viver mesmo lá, destino, talvez).

Os preços das coisas também me assustam e é engraçado lembrar que McDonalds aqui tem status classe média... enquanto lá é comido em larga escala por ser barato e considerado ruim, mas algo como um mal necessário. Os atendentes aqui tem um sorriso no rosto, os de lá, chegam até a serem sarcásticos e parecem te odiar por entrar na loja. Daí as lendas de que eles fazem de tudo com o seu prato antes de chegar em você e nem quero saber o que fizeram com o meu!

Claro que já estranhei o calor - o "frio" dos dias chuvosos que só andei de camiseta e minha mãe falando pra eu pôr uma blusa porque estava 20 graus (e isso era o máximo da felicidade pra um inglês) - não peguei um verão forte por lá, mas entendo perfeitamente porque o inglês gosta tanto do verão e até do horário de verão: eles mal conhecem dias quentes e no verão, quando tem sol até as 9 da noite é a alegria total! Afinal, agora, deve estar escuro às 4 da tarde por lá...

Fiquei pondo na balança tudo.
Por enquanto, o melhor pra mim é ficar aqui.
Porque é cômodo: tenho um quarto pra mim, tenho todas as minhas coisas por perto e o principal: tenho amigos de verdade e família do lado.
Não me sinto tão solitária como me sentia lá, mas aprendi muito com essa solidão, ela me ajudou a encarar as coisas de outra forma.
Talvez até de uma forma ruim, quem sabe?
Porque eu percebi que não preciso de ninguém e já não me importo muito.
Não, calma!
Com as pessoas que amo e sei que gostam de mim nada mudou. O que mudou é com o restante, já não me importo tanto se vão ou não gostar de mim, se falam isso ou aquilo: que se dane!
Parece que criei uma carapaça, fiquei mais dura pra enfrentar as coisas.
Até minha fluoxetina eu parei há meses e não estou tendo problemas de depressão... mesmo com minha volta que pensei que teria que tomar assim que comecei a ouvir os noticiários da TV...

A questão da segurança também mexeu comigo: no primeiro SPTV que assisti, virei pra minha mãe e falei: quero ir embora!
Nos primeiros dias, pensei que ia ter uma síndrome de pânico.
Saí para resolver coisas e escondi meu computador, máquina fotográfica, ipod e tudo mais de medo de ser roubada, coisa que não faria antes...
Mas você desacostuma a ouvir a todo momento falar de assaltos, sequestros, mortes e roubos...
E isso é muito estranho!
É muito estranho ter ônibus noturno e chegar em casa às 3 da manhã andando duas quadras a pé sozinha. E aqui ter medo de sair de dia pra ir na esquina.
Cheguei a reclamar com a minha mãe por terem falado pros vizinhos que eu estava em Londres, falei: vão fazer um sequestro relâmpago comigo, vão achar que ganhei dinheiro em Londres!

Mas agora passou, estou mais calma.
Meu medo agora é ser ainda mais intolerante com as coisas erradas do Brasil, afinal, eu descobri que SIM existe lugares em que as coisas são feitas de acordo com o que deve ser e existe um respeito mútuo...

Meu primeiro passo intolerante já estou pensando em dar: nunca mais votar e só pagar multa.
Acho que o noticiário fez  mais mal pra mim do que um monte de gente esbarrando em mim a todo momento... mas o tempo dirá o que vai ser...
E se for pra voltar pra Londres, eu já digo: só morando sozinha, não divido quarto nem casa com ninguém, muito menos se for brasileiro! Esses, eu pretendo ver beeeem longe se voltar pra lá.
Claro, tirando algumas raríssimas exceções, não mais que umas 3 ou 4 pessoas.

Dividir quarto foi a pior experiência que já tive na vida.
Até brinquei dizendo que nem com o Gerard Butler eu dividiria quarto.

Mas em breve saberão de mais traumas que minhas roommates me trouxeram...

Em resumo: só volto pra Londres se for pra ter vida, senão fico aqui que tem gente que ainda me atura rs
Ou quem sabe uma tentativa em Edimburgo, um dia, quem sabe?

20 dezembro 2011

Marciana... e quem foi que disse que as mulheres são de Vênus?

Marciana é o exemplo perfeito do imigrante que o único objetivo é juntar, pensar, falar e se obcecar por dinheiro.
Ela está há quase 7 anos em Londres, chegou com um filho de 9 anos que, quando fez 15 (ano passado) não quis mais ficar, mas vocês entenderão o porquê...

Como boa parte dos imigrantes sem formação alguma no Brasil, ela também mente ou manda a família mentir no Brasil sobre seu trabalho: faxineira "horista", como já expliquei que diarista aqui não existe. No Brasil, a mãe diz para todo mundo que a filha é babá de uma família bem sucedida espanhola e que a filha fala o inglês e o espanhol na casa. E não que ela fala o português da maioria: pra MIM comprar, pra MIM ganhar... e assim por diante além do famoso bordão que ela sempre usava: "o tempo não passa, Avoa em Londres".
Avoa é a mulher do avon, né? Pois é...
Não que tudo isso fosse problema se ela fosse uma pessoa humilde. Se você é humilde, diz que estudou pouco e tenta aprender o correto, eu sempre lhe verei como uma pessoa boa e esforçada, mas quando você mente e ainda por cima quer dar aula de "ingrêis", portunhol e português pra mim, perdeu! perdeu!
Além de querer da aula de lição de moral ou qualquer outra coisa sem ter o mínimo de, digamos, jeito pra coisa, por favor: não se meta no meu caminho porque eu não aturo!

Uma das palavras mais famosas no meu twitter é: puMbi.
Quem ainda não sabe, Marciana queria dizer pub.
Como ela nunca se mostrou uma pessoa que quer aprender o correto, deixamos que falasse errado, ela se achava superior, então... pumbi é pumbi!
Ou pãmbi, na sua pronúncia que daria inveja à duquesa de Cambridge. A qual marciana diria: QUEM???

Sim, quase 7 anos no Reino Unido não fizeram com que ela soubesse algo do lugar onde estava, como muitos dos brasileiros ilegais (e acho que legais também) que lá vivem (sim, já estou no Brasil, primeira postagem aqui).

Marciana é o tipo de pessoa que confia em quem não deveria e desconfia de quem não merece desconfiança...
Por exemplo, em seus 6 anos dividindo casa com brasileiros, ela acreditava mesmo que alguns dos seus "convivas" eram ricos no Brasil - e, pelo menos, 3 contaram essa história da Carochinha pra ela - diziam ser fazendeiros em... adivinhem...
E uma dessas tantas vezes eu perguntei:
Como assim se ele é filho de fazendeiros vem trabalhar como cleaner em Londres? Não era pra vir pra estudar e morar sozinho?
E ela:
Você não está entendendo! Ele quer ser independente da família! Fazer as coisas dele! Fazer a vida dele! Está batalhando!

Sei... acredito... e... não saber falar inglês, né? A família má nunca pagou um curso pro coitado que vivia rodeado por ectares e ectares de terra e cabeças de gado... devia até estudar na escola da fazenda, nunca foi até a capital... que judiação!

Ela acreditava em coisas imbecis como essa... e realmente, ouvi outros brasileiros contarem essa asneira de serem ricos no Brasil e trabalharem na faxina etc em Londres... mas... era eu só fazer a minha cara de "como eu acredito em você, tá escrito trouxa na minha testa?" que paravam, mudavam de assunto ou tentavam dar como verdadeira essa história pra outro...
Comigo, só mostrando a escritura da fazenda, que ainda assim desconfiaria se era verdadeira...
Bem, a pessoa pode ser rica e querer fazer sua própria vida, claro, mas se você fica ilegal em Londres, por favor, né? E se teve tanto dinheiro a seu favor, nunca aprendeu nem a falar sua língua direito?
Me engana que eu gosto! Já diria Marciana!

Ela ficava a noite toda brigando com os filhos no Brasil.
Ela e a Bruxa e ainda ouvi uma mulher no ônibus também fazendo isso: se eu estou pagando tudo e me matando aqui, vocês têm que fazer o que mando aí no Brasil! (acho que é melhor fazer uma postagem só sobre isso...)

Minha outra roommate, a quase do bem (claro que isso vai ter postagem rs) tentava ser legal com ela na maior parte das vezes, ela como uma pessoa extrovertida, tentava animar Marciana para fazer outras coisas que não apenas juntar dinheiro pros filhos gastarem no Brasil.
(Marciana acredita piamente que ainda vai comprar uma casa BOA e MOBILIADA DO JEITO QUE ELA QUER e ainda ter um carro BOM na garagem no Brasil, depois de 6 anos em Londres e mal conseguir comprar um apartamento num local que foi um lugar de brigas entre polícia e ex-moradores que lá tinham se assentado - na zona leste de Sampa - ela tentou comprar e não deu certo, então... )

Bem, a roommate tentava animá-la a sair com a gente nos finais de semana.
Marciana sempre cuidava do que fazíamos, sempre dava um jeito pra "jogar o verde" pra descobrir, como se não soubéssemos que ela estava se mordendo de curiosidade pra saber onde estávamos, mas muitas vezes nem adiantava dizer, ela simplesmente não sabia onde ficava a maior parte das coisas em Londres, só conhecia  "ócsfórrrdí" porque era lá a agência de remessa de dinheiro pro Brasil e alguns outros pontos que ela era obrigada a passar de busão pra ir até a Oxford St.
(as filhas devem ter passado o Natal com ela e no telefone ela falava pra filha: o que vocês vão fazer no Natal aqui? ué? eu vou fazer um almoço e a gente vai ficar aqui em casa, não tem NADA pra fazer em Londres - né verdade?)
Ela também cuidava se chegássemos mais tarde que o horário costumeiro de semana e, se ela pudesse, cuidaria até do que fazíamos quando ela não estava presente.

Numa dessas "animações" da roommate, que adorava mostrar as roupas etc que comprava nas lojas em liquidação depois do boxing day, Marciana também se animava e comprava coisas que via na casa das patroas.
Ela comprou uma dessas bandejas de plástico (tipo loja de um real) com a Union jack flag (QUÊ???? HÃ??? diria Marciana) e falava toda feliz:
Vocês não acham o máximo, super chique levar pro Brasil pra receber as pessoas na minha casa?

A Roommate sempre dizia "fan-tás-ti-co" (era a palavra preferida dela), ela queria encorajar Marciana, deixá-la alegre, eu no começo também queria porque sabia que ela sofria por estar longe dos filhos, mas quando você começa a conhecer melhor as pessoas você entende porque os filhos devem preferir ficar longe...
Achei brega, claro e uma coisa que na 25 você vai achar, não precisa trazer de Londres, foi feito na China mesmo!

Daí, numa dessas compras, Marciana comprou um livro absolutamente interessantíssimo e muito bem feito sobre a Segunda Guerra, capa dura, páginas com fotografias e documentos de época. Ela tinha visto um igual na casa de uma das patroas e comprou, falou que era muito "fã" da Segunda Guerra que sempre pesquisava sobre o assunto e tudo mais.
E então eu olho pra capa e digo:
Churchill!!!
E ela: HÃ????
Churchill! O Primeiro Ministro na Segunda Guerra!
E ela continuou com cara de paisagem... parecia que eu acabei de falar em grego com ela... quer dizer, em inglês.

Marciana queria ser igual suas patroas ou melhor - mania de toda brasileira em Londres ou no Brasil... e que deveria mudar, cada um ser o que é e não ser igual ao outro ou melhor -  então, comprou o livro porque deveria ser chique tê-lo e não porque, talvez, alguém da família dessa patroa presenciou a Guerra... imagina! Não pode ser História da família da patroa, é minha também! Meu pai foi amigo do Churchill... quem?

Com essa história de Marciana ser "fã" da Segunda Guerra e morávamos super perto do Museu da Guerra, a Roommate sempre falava de irmos, mas com a Marciana junto. Ficava na minha, estava me adaptando à casa e tentando fazer amigos.

E fomos! Depois de inúmeras vezes que Marciana não pode, conseguimos.
O Museu, para quem gosta de História é maravilhoso! Eu adorei!
Mas só eu levei a câmera para tirar fotos...
Daí Marciana queria MANDAR nas fotos que eu tirava, falando pra tirar foto daqui e dali, porque depois ela ia querer as fotos pra pôr no orkut...
Já cheguei de saco cheio, já tive que virar fotógrafa dos outros na entrada, onde tem até um pedaço do muro de Berlim, mas marciana queria tirar foto do jardim e os canhões do jeito dela (depois quando viu a foto que tirei e pus de capa do álbum ficou: é, você tirou uma boa foto, né?)
Você querer tirar fotos suas é uma coisa, outra coisa e encher o saco falando onde e como quer as fotos e ainda queria que EU fizesse pose pra ela tirar fotos minhas tipo... na frente de canhões... adoro!
E naquele momento da minha vida, eu estava passando por uma crise brava de depressão... amigos chegados devem lembrar de como fiquei, afinal, não dormi à noite e dividir quarto num moquifo não era nenhum pouco fácil.
Daí ela queria que eu fizesse pose pra fotos e eu falava: ESTOU GORDA! e ela ficava falando que eu não tinha que ficar deprimida que isso, que aquilo, pra eu me animar...
Really? No Museu da Guerra na frente de um canhão?

Bem, resumindo, visitar o Museu foi uma bosta com elas. A Roommate já tinha visitado com umas amigas e ficou dando uma de guia chata de turismo que controla sua visita, sabe?
Ah, essa galeria é chata! Só tem quadros! Vamos pra outro lugar.
Que ódio!
Eu estava em menor número e tentando ser legal, mas quando vou num lugar como esse e GRATUITO eu quero ver tudo!
E, claro, galerias têm quadros...
E a cada sala que passávamos, as duas entendiam muito pouco e eu toda animada só dizia "ah, isso é aquele acontecimento tal, igual no filme tal" e as DUAS com cara de paisagem e eu:
Vocês nunca viram a Lista de Schindler? Resgate do Soldado Ryan? O Pianista? Arquitetura da Destruição (é, esse eu forcei ahahaha) etc; não sabem quem é Anne Frank?

Quase virei pra elas e disse: por que vocês não morrem e me deixam curtir esse momento de cultura em paz? Se vocês dizem saber bastante da Segunda Guerra não precisam de mim...

Em um dos momentos altos da visita, Marciana vira para a Roommate e diz: nossa, essas crianças morreram de anemia! (vendo uma das fotos de uma das salas de exposição)
E a Roommate ri a plenos pulmões fingindo ser de outra coisa que ela lembrou e eu de saco cheio, já não prestava mais atenção nas placas etc
deixei passar...
Ela foi me contar em casa que estava escrito "enemy" (inimigo, Marciana, é inimigo em inglês!) e Marciana achava que era anemia...
Perdi a piada bem na hora que aconteceu!

Em um dos locais, havia como era a vida nos anos antecedentes à Guerra, uma casa montada no estilo inglês da época e tudo mais, além de uma estrada de tijolos amarelos e uma tv na parede passando cenas de O Mágico de Oz, 1939. E Marciana simplesmente NUNCA tinha ouvido falar do filme...

Foi aí que eu fiquei ainda mais indignada...
Como alguém que nasceu em 1962 (gente! ela nasceu numa época de mudanças!) nunca na vida tinha ouvido falar em Mágico de Oz e nunca visto nem a propaganda da exibição dele na Globo??? Como????

Daí eu tirei a conclusão: ela não é desse planeta!
Ela é de Marte!

E daí surgiu o apelido...

Não se preocupem, logo vocês saberão ainda mais dessa figura... como no episódio, do show dos Manic Street Preachers, em Brixton, que ela falou: mas você vai naquele bairro de PRETO?

Detalhe, Marciana é afro-descendente.

06 dezembro 2011

Vida de Gado, Vida de Cleaner - parte 2 (terça-feira e sexta)

Como andei contando sobre os donos das casas, terça-feira era pior dia, era o dia da casa da "Feiona" ou porcona mesmo... o nome dela é o mesmo da esposa do Shrek, daí feiona...

Bem, começávamos por ela... era uma casa longe... longe... longe... todas as casas de Marciana são longe... na região de Lewisham, sul de Londres, e do outro lado da rua ficava a casa da amiga dela que também era cliente de Marciana, iriamos pra lá depois... e mais história...

Mas Feiona tinha dois filhos e uma casa como as tradicionais inglesas e não lembro se já falei aqui sobre isso: por fora, você não dá nada, por dentro, ela expande para o fundo e para cima... são enormes!

A Feiona deixava a casa simplesmente emporcalhada... eu não cheguei a conhecer uma pessoa mais imunda que ela, mas várias que chegaram beeem perto, porque inglesa não liga muito pra manter a casa limpa, acha que é só se faxinada algumas horas na semana por uma cleaner...

O primeiro dia que cheguei, já assustei com a cozinha: ela também deixa a louça naquela bacia nojenta, só que a bacia nojenta dela é mais do que nojenta! Toda a louça estava lá no meio da gordura e restos de comida.
Marciana não sabia ligar a máquina de lavar louça (já estou dando uma pista do porquê do apelido dela...) e não me avisou que havia uma e lavei aquela nojeira na mão, claro, jogando beeem longe aquela bacia imunda. E Marciana reclamando comigo porque tem um jeito próprio de se lavar louça na bacia, que é uma combinação com as torneiras fria e quente e eu pouco ligando pro puxassaquismo dela. Combinação de água quente com fria? Jeito certo de lavar? Economizar água?
O caralho pra aquela porquice!

Imagine: o fogão estava todo cheio de porridge, o mingau de café da manhã dos ingleses, cheio de leite grudado com aveia e... Feiona é tão boa dona de casa que para fazer tudo mais rápido, pelo rastro que deixou no chão, tirava correndo do fogão imundo e jogava na mesa de jantar para que comessem, também tinha restos do café da manhã pela mesa e chão, claro!
Todos os cereais das crianças e suas canequinhas etc.

A cozinha, como deu pra perceber era imunda. E Marciana ficava mandando eu limpar melhor a cozinha. Juro que quando vi aquela cozinha desanimei e fiquei pensando que dar uma enganada naquela casa seria o melhor, mas Marciana ia lá e falava pra eu deixar brilhando o vidro do fogão... era pra tirar uma meleca danada! E imagina que Marciana fazia isso toda a semana!
Quer dizer, só uma vez na semana o fogão era limpo.

A sala era enorme, dividida em sala e sala pras crianças brincarem, ou seja: muita bagunça. Era fácil achar pedaços de doces no meio dos sofás.
O banheiro não era tão imundo, afinal, ainda bem! Era janeiro e eles não tomam banho! Mas... a mulher deixava cabelo por todo o lado...acho que ela precisava de um tratamento pra queda de cabelo porque era um inferno de cabelo pra todo canto!
Eu não tinha muito saco mesmo pra limpar aquela imundice toda e tentava dar um jeitinho, mas Marciana pra mostrar serviço (pra mim, claro) ia lá e mostrava como limpar bem. Então que limpasse, a minha mão estava bem, a dela que não estava e numa casa daquelas, não se merecia muita coisa.
O quarto das crianças também não eram tão problemáticos, mas o problema é sempre o carpete... aspirar os malditos carpetes...

Mas não é só isso!
Como diriam aquelas propagandas...
Tinha o quarto da figura pra limpar e eu já disse, elas querem que se faça até a cama, como se fôssemos camareiras de hotel.
Bem, cama desarrumada já era de se esperar, né? mas roupas todas jogada pelo chão?
As inglesas tem uma péssima mania de largar todas as roupas pelo chão ao invés de guardarem no armário ou pôr numa cadeira... fica tudo jogado... não jogado porque ela e o marido tiveram muito o que fazer durante à noite, jogado porque largam a roupa pra qualquer canto, bangunçado mesmo. No quarto que ela tinha pras roupas, com armários, era igual!
Só que ainda há o pior!
Entre os cantos que sobram entre o colchão e a cama havia vários papéis higiênicos dobrados... não tiramos... nem a Marciana dessa vez pôs a mão... e ficaram lá por quatro semanas, porque o casal Shrek não tirou (ogros...), daí, na última semana resolvemos fazer algo: aspirador neles! rs
Só poríamos a mão com luva, mas até assim ficamos com nojo!

Nas outras semanas, dona Marciana me falou da existência da máquina de lavar louça e eu joguei tudo lá, toda aquela melequice e não via a hora de passarem os dias pra não ir mais naquela casa e ao mesmo tempo pensava que precisava daquele dinheiro...

Ah! tinha que se passar a roupa também! E a feiona queria que passasse até a toalha de banho... mulherzinha dos infernos, a casa uma imundice e cada vez inventava uma coisa: pra limpar rodapé, limpar sei lá o quê... como se em quatro horas (quando eu ia era em 2 horas, duas horas pra cada) desse pra limpar a imundice que ela acumulava a semana toda e ainda queria mais coisas!
Só com um "spring cleaning" a casa ficaria decente.
Spring Cleaning é isso mesmo: a limpeza da primavera, porque no inverno (e em todo o resto do ano rs) a sujeira fica lá se acumulando até que um belo dia de "primavera" a dona da casa pensa: oh! essa casa precisa de uma limpeza pesada!

Marciana me pagava 7 libras a hora para ajudá-la. Nessa casa, na da segunda-feira e da próxima, elas eram amigas e pagavam igual: £8,50 a hora. Em algumas casas ela ganhava 12, em outras 10.

Dessa casa, íamos pra amiga da Feiona que tinha um casal de filhos, casa mais bem arrumada, tinham acabado de reformar e para me alegrar a vida colocaram nos quatro andares carpete creme... ah! como eu amava ir naquela casa e passar aspirador cômodo por cômodo, escada por escada... e sempre os malditos carpetes felpudinhos pegavam e não largavam os fiapos de roupa... ah, que lindo que era ver aquele monte de bolinha de roupa naquela merda creme...
E o aspirador que pesava uns 10 kilos... ah, que vontade de jogá-lo pelos 4 andares abaixo... ou na cabeça de quem comprou aquela merda que mal aspirava, só pesava.
A menina, de graça, tinha uma beliche no quarto, só pra ela e eu pensava: vc tem uma beliche porque é divertido quando é criança, né? Vai dormir na minha!

Eu ficava olhando... a mãe levava a menina pra escola e o menino, muito pequeno, pra passear no parque, aí ela voltava, mas como ela era uma mãe estranha... ou todas as inglesas têm essa estranhice maternal?
Ela não fazia almoço, comia um lanchinho como todo inglês e fazia o mesmo com o menino de uns 2 anos que amava Toy Story e tinha os bonecos. Um menino fofo!!
Um dia, ela voltava pra casa com o menino dormindo no carrinho e empurrava, empurrava o carrinho pra entrar e não entrava, tive que ir lá falar e mostrar pra ela: o pézinho do menino ia se enfiando cada vez mais debaixo do carrinho, dobrando por conta da pressão que ela fazia pra empurrar e o tapete de entrada.
O menino não chegou a chorar, mas eu a vi como uma louca que não reparou um só momento e que nem ficou preocupda quando mostrei, só tirou o pé do bebê... e ficou lá... mandando mensagens sem parar no celular, como sempre a via fazer.

Marciana, como boa puxa-saco, achando que a dona da casa se importava com ela, começou a falar que estava com saudade do filho que tinha ido pro Brasil (história pra outro post) e também comentou da enchente no Rio de Janeiro que aconteceu naquele mês de janeiro.
Falava no inglês dela: see the flódi in Rio de Janeiro? My son is in Brazil.
A mulher só olhou pra ela e disse: não sei disso não. E continou com a vida atarefada de mandadora de mensagens por IPhone.

Dessa casa, tínhamos uma terceira, ainda mais longe e que pra voltar tínnhamos que pegar o trem até London Bridge se estivéssemos com pressa.
Era a casa de um espanhol e como bom latino, a casa de um homem solteiro era mais limpa que qualquer casa de uma inglesa casada.
Aí sim fazíamos o que a faxineira faz no Brasil: limpa o que não dá pra limpar no dia a dia com a correria. Era uma casa tranquila, sem grandes problemas por ser muito limpa e organizada.

Mas Marciana acabou dando um grande fora e a máscara de boa mãe, religiosa, temente a Deus, fiel aos bons costumes e honesta começou a cair...
Ela, dias depois, acabou comentando que o espanhol era tão gente boa que como não a dispensou do trabalho por conta de ela estar com a mão operada resolveu pagar além da hora para ela, para a ajudante (ou seja, eu!). Ela sem perceber me contou que era pra eu estar ganhando mais, não só 7 por 1 hora e meia nessa casa... mas acho que 10 por 3 horas! 10,50 para 30 libras é uma boa diferença no bolso meu e, claro, de Marciana...

Quarta e quinta-feira as donas das casas, algumas a dispensaram e até pagaram pra ela ficar em casa, outras não queriam ajudante e só fui numa das casas de quinta, de, como diria a própria Marciana: a casa do gay. Nunca o conheci, mas era uma casa também tranquila e longe, essa era preciso pegar o metrô e era em outro sentido, noroeste de Londres, perto de Wembley.
Só tinha muitas camisas sociais para passar e aí aprendi a passar (ou a enganar) essas horripilantes roupas...
Ela o chamava assim porque fazia a casa do companheiro dele, então, ela sabia bem a vida dos patrões...
Ela não fala inglês, entende pouco, mas acredito que muita das coisas que tenha percebido sobre a vida deles, foi porque anotou e mostrou pro filho, não só esse casal, mas das outras famílias.
O filho mandava e respondia as mensagens do celular para ela. Como já disse, outra história.

E sexta tinha mais! Tinha uma casa também tranquila que era de 15 em 15 dias que se tinha que passar roupa e uma de uma professora quase para se aposentar que Marciana, finíssima, chamava de "a casa da sapatona".
A dona da casa era simpática e até deu uma garrafa de vinho para Marciana e outra pra mim, pelo Ano Novo que se iniciava - o vinho da minha mala, sabem já a história toda dele... - ela conversava bastante e saia para podermos limpar a casa tranquilamente.
Eu não vou esquecer de um dia, arrumando a cama de um dos quartos da casa, que era uma espécie de duas camas juntas formando uma cama de casal com um aparato tipo aqueles de deixar a cama mais alta igual em macas e a mulher de Marte disse: sei lá que cama maluca é essa, deve ser pra imundices de sapatona!
Não sei que tipo de cama era aquela, me parecia pra algum tipo de problema de coluna ou algo assim, mas Martian (rs) como uma pessoa sem preconceito, já tinha julgado e condenado a professora.

Salvem a professorinha!

Havia outra casa na sexta, mas era a mesma de uma mulher da quarta que a dispensou.
E assim minhas semanas de janeiro se passaram, mas antes que janeiro terminasse, tive que conciliar esse trabalho com um durante os finais da tarde, limpando escritórios, nooooooooooo

Império do Fado!
(próxima parada)

02 novembro 2011

Vida de gado, vida de cleaner - parte 1 - casas da segunda-feira

Comecei o ano de 2011 sem alunos de português.
A médica monstra sumiu - e eu não queria mais dar aulas mesmo pra ela -, o espanhol deve ter pedido outra professora para a agência, se continuou com as aulas; e o jornalista casado com um brasileiro disse que estava trabalhando muito e não ia continuar.
Sou muito perfeccionista e me cobro demais e acredito que por meu inglês ruim, minhas aulas de português não sairam bem, não só por isso já que os outros dois sabiam bem já o português, mas porque eu não conseguia me concentrar para preparar aulas boas... também porque era minha primeira experiência nessa área e estava mesmo perdida...
Eu não faria aulas comigo de novo naquele momento, sou sincera, precisaria ter melhorado muito e espero que se voltar a dar aulas no Brasil, eu esteja melhor preparada.
Primeiro, eu terei minha casa pra preparar aulas, ambiente com todos os materiais que preciso, principalmente um boa mesa grande pra espalhar as coisas, como gosto de fazer.

A questão é que ainda consegui uma aluna que morava na região de Greenwich (aprendam com os ingreis: "grênich"), mas não pude dar aulas pra ela porque ela só queria na parte do começo da noite e exatamente quando arrumei um emprego de cleaner de escritórios nesse horário...
Só que antes do escritório, mais conhecido como o Império do Fado (logo vocês conhecerão Darthvedrina e seu celular com toque musical do Robie Williams), vou contar a penúria anterior, ser cleaner de casa em Londres, ou diarista que aqui deveria se chamar "horista".

A horista é como o nome diz, trabalha por hora, não há faxineira diarista nas casas daqui. Como tudo gira em torno de se pagar a hora, a diarista não seria diferente e muitas casas pagam por 4 horas num dia ou essas mesmas 4 horas divididas em 2 dias e assim por diante... tudo depende da patroa e da "criná" para organizar os horários.

Como eu acho que contei um pouco aqui na postagem resumão de quando conheci a Marciana e suas amigas cleaners que passavam a perna nos patrões. Agora vou contar como é realmente todo o esquema delas.

Precisava de dinheiro e Marciana teve que operar perto do Natal uma das mãos, a outra também já era operada. Tudo isso graças ao esforço repetitivo de limpar até quatro ou cinco casas por dia na correria. Ela precisava de uma ajudante e me pagava 7 libras a hora, fui, precisava pagar o aluguel.

As casas da segunda-feira era a primeira de um homem, acho que polonês que morava só morava ele e seu rotweiller que veio pra cima de mim. O dono não o amarrava, o cão era bonzinho...
Pegamos uns 4 ônibus pra chegar lá.. era quase na cidade de Kent... sul de Londres.
A casa era um casarão, mas a parte toda de cima ele alugava os quartos. Nosso trabalho era só a casa dele que não tinha heating (em janeiro freezing...) e nas sala de jantar e na de estar não tinha luz também... tudo no escuro, sem aquecimento e os tapetes e carpetes imundos de tanto pelo de cachorro!
Fora os brinquedos do cachorro todos espalhados pela casa, brinquedos não, tinha um monte de garrafa de Lucozade (um refri meio redbull). Calma! São de plástico, mas os pedaços ficavam por toda a casa... fora os pedaços de bola e etc que a pequena criança destruia...
O nome do bichinho?
Jack e eu pus sobrenome, claro: Bauer rs

Tinha que ligar o aspirador na cozinha, imunda (que Marciana diz ter sido ainda mais imunda quando ela chegou e tirou um cascão do chão) e tentar ver se o fio alcançava toda a sala. Até ia... mas no escuro, no inverno, difícil limpar...
Mas como tudo é por hora, Marciana falava pra eu correr porque o tempo era pouco pra limpar aquela casa de cachorro...
Ela foi limpar o quarto do dono que estava inundado de pelo, inclusive na cama porque o cachorro dormia com o seu amigo dono. A casa fedia cachorro...
Tudo era velho e mal cuidado - meses depois o cara resolveu derrubar e começou a fazer a casa tudo de novo - ainda as escadas era preciso passar aspirador... correndo!
Tudo era com carpete... todos os corredores... e aja tomada pra achar ou extensão pra o aspirador...

Marciana é um tipo que tem preconceito de tudo, mas o dinheiro sempre é bem vindo. Ela desconfiava que o dono da casa, por dormi de dia, deveria trabalhar em boate, ela achava que ele deveria ser cafetão. Então, ela falava mal dele e das pessoas nas fotos da casa, tipo, achando que todas as mulheres nas fotos (tirando uma que era óbvio ser a mãe do cara) eram prostitutas.
Estava eu passando aspirador na escada e ele passou.
Daí Marciana veio falar pra mim:

Ele é assim, mas é respeitador! Os homens daqui são respeitadores, fiquei reparando quando ele desceu as escadas e ele não olhou pra trás pra olhar sua bunda!

Que simpático, né? Ela queria dizer: ele é cafetão, mas respeita as que não são suas empregadas à noite!
Achei imbecil o comentário... e mais ainda ela ficar reparando...
Corri como uma louca pra limpar toda aquele carpete... não estava acostumada com o hoover... e eles aqui são pesados e toda casa quer que você use...

Saimos dessa casa e pegamos mais alguns buses para a casa da "porquinha" porque Marciana disse que ouviu o marido da mulher a chamar assim... mas se Marciana não sabia quase nada de inglês... não sei como entendeu... acho que deve ter sido alguma vez que ela levou o filho e ele estava nas escolas daqui, já sabia entendia tudo em inglês. (ele terá sua história contada)

O caso é que era sim uma porca, mas perto da amiga dela (casa da terça-feira) ela era a limpeza em pessoa!
Os ingleses têm uma mania nojenta de usar uma bacia na pia pra lavar a louça, aí fica aquela água já suja pra lavar outras louças... coisas do tempos da guerra... mas é totalmente contraditório porque eu nunca vi tanta gente disperdiçando na vida e depois querem economizar água pra lavar louça... porquice total!
Aí eu joguei toda aquela água nojenta, cheia de gordura e resto de comida fora e fui lavar a louça!
Sim! Eles deixam TUDO pra cleaner limpar! Mesmo que ela só seja paga pra trabalhar por 2 horas...
Daí a correira: só tenho duas horas pra limpar tudo!
E o que dá?
Naquela velha história deeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!!!!

Só pra inglês ver!!!!!

Sim, o que seria uma faxina, é só uma enganação porque não dá pra vc limpar uma casa inteira em 2, 3 horas, mesmo em quatro se deixam até camas pra fazer e jogar lixo fora... além da louça e da roupa pra pôr pra lavar, secar e, o pior, passar!

Lavei a louça, limpei a pia... e aí fui pro maldito hoover...
Como Marciana estava com a mão machucada é claro que eu teria que "hoovar" a casa...

O mais engraçado dessa casa é que ficava na única rua sem asfalto que vi em Londres... até pus foto dela no meu facebook...
Hoje não acho essa casa tão suja... vi piores...

Também tive que passar roupas... foi aí que aprendi a passar camisa social, coisa que nunca tinha feito na vida e Marciana me ensinou com aquela cara: essas moças de hoje em dia não sabem fazer nada!
Melhor não saber, assim se se vive com um cara que usa camisa social fala pra ele ir na tinturaria rs
Mas aprendi... naquelas porque eu não tenho saco pra passar roupa... mas dá pra enganar bem... acho rs

A casa era até bonita, cheia de fotos de lugares exóticos que o casal já tinha visitado e o pai da dona da casa, pela foto, deveria ser uma figuraça, tinha foto dele e da esposa quando eram jovens, nos anos de 1960, ele parecia um dos caras dos Animals... é muito interessante entrar em casas realmente inglesas pra ver a história vivida dentro delas...

E claro que eu não poderia terminar essa postagem sem uma linda observação de Marciana quando me mostrou a foto de casamento do casal: ele de camisa rosa e ela:
Só aqui que homem usa camisa rosa e no casamento e ninguém fala nada!

Já perceberam a figuraça, né?

28 outubro 2011

A Bruxa do Centro-Oeste (antes fosse só do leste...)

Bem, eu sei que todo mundo esta curioso pra conhecer a Bruxa do Centro-Oeste, entao vamos logo a ela!

Quando fui morar na Cobah de Elefante Castro (eu comentei na postagem anterior que a primeira vez que ouvi dessa forma o nome do bairro, Elephant & Castle, foi justamente falado pela iNgnorante que morou do lado da Abbey Road?). Sim, o Elefante tem sobrenome e é Castro, aquele castelinho nas costas dele nao quer dizer absolutamente nada! Ou vai ver acham que "castro" que dizer "castelo" em inglês... esse povo ilegal inteligente que mora aqui tem cada uma...

Voltando a nossa amiga: quando fui morar lá sabia que ia dividir o quarto com duas e sabia também que uma delas trabalhava nas famosas vans e que acordava beeem cedo (4:30) para trabalhar...
Tudo bem, eu sabia que teria que chegar no quarto de mansinho para não acordá-la pq ela ia dormir às 9 da noite...
Entendi tudo, para pagar menos aluguel e poder ainda sobreviver em "Landan"...
O problema e que ela ia dormir cedo, mas não ia realmente dormir: ficava no escuro pra dizer que ia dormir pra ninguém encher o saco no quarto, enquanto ela ligava pro Brasil e queria tomar conta das filhas que largou la há 6 ou 7 anos... (largou, sim! depois eu conto isso)

E acordava às 4 porque era uma GRANDISSIMA FILHA DA PUTA! Sim! Porque ela acordava às 4:30 e ficava ate quase 6 se arrumando e fazendo barulho...

Primeiro: a vaca, ops, bruxa tomava café DENTRO do quarto. Ela esquentava na cozinha, mas ficava comendo e parecia que eu estava com um novo rato roendo algo do meu lado, e toda hora fazendo barulho com a caneca de café... daí, ela esquentava a marmitinha de pães e levava pra embrulhar NO QUARTO.
No comeco eu pensei que ela embrulhava com sacola de supermercado, era esse o barulho infernal toda madrugada, depois eu e a outra roomate percebemos que era papel alumínio...
Ela escondia boa parte das coisas dela no "guarda-roupa"... então, tudo ficava lá enfurnado e de manhãzinha ela pegava o pão que esquentou e embrulhava correndo, fazendo mais barulho, pra sair, pq já tinha tomando banho, já tinha se enchido de creme pra pele de escama de cobra, já tinha passado protetor solar (pq ela nao vivia sem, devia ser vampira do mal também) e estava ficando atrasada!!!!

Fiquei várias vezes sem dormir, muitas vezes não consegui dormir de novo...
Como estava trabalhando com a Marciana limpando casas (e conto em breve) um dia eu caí de sono no ônibus e contei pra ela que não dormia mais depois que a Bruxa acordava.
(o celular tocava no vibrador que fazia falta pra ela... )
Daí Marciana disse que falaria com ela, o que não adiantou nada, porque a Bruxa simplesmente disse:
EU NÃO POSSO FAZER NADA!
Claro que ela não poderia, coitada! Tomar café na cozinha não era possível, assim como embrulhar pães pra João e Maria teria que ser no quarto...

Os pães. Como todo brasileiro morto de fome que vem pra essas bandas, ela tinha que economizar pra mandar dinheiro pro Brasil pros filhos usarem roupa e acessórios de marcas caras e falarem: minha mãe mora na Europa e manda pra mim e eu gasto todo dinheiro que a trouxa se mata pra ganhar!

Então, aí, como ela precisa economizar pras filhas, ela fazia os pães no final de semana, assava e colocava no freezer pra semana.
Ela é toda chata: sexta era dia de lavar roupa, azar o seu se deixou sua roupa no varalzinho do quarto, eu arranco tudo porque MEU dia é sexta! (mas nada é combinado)
Sábado ou domingo era dia de fechar a cozinha pra ela: fazia os pãesinhos, pães de queijo, bolo etc pra levar de marmita pra semana na van. E esqueça se você tem que fazer comida, a cozinha era dela!

Ela é assim: ela era a dona da casa.
Marciana, era um idiota, talvez porque tinha medo de falar e perder o dinheiro do aluguel, não se metia. E todo mundo só ficava muito puto...

Imagine você lavar sua roupa na quarta, só que com o heating desligado maior parte do tempo, sua roupa não seca. Daí você chega e sua roupa está numa cadeira, lá jogada e os trapos da bruxa no varal, mesmo sobrando espaço lá, sua roupa foi jogada de lado, porque era dia da bruxa lavar a roupa... Aí você fala com a Marciana e ela diz: mas é assim, mesmo, se o outro precisa pôr a roupa, vai tirar a do outro que está seca.
E eu dizendo que está molhada e ela só olhando tipo: ah, estava? mas não muito, você tem que se acostumar porque é assim mesmo!

Assim mesmo a PQP!!

As pessoas têm que ter respeito, ter um rodízio de dia de lavar a roupa e respeitar a roupa que está ali, pelo menos falar, mas como parte da minha fase gente boa eu comecei a lavar minha roupa na terça pra ver se até sexta estavam secas... isso quando lavava... ou lavava e pagava o "lauderete", levava lá pra secar...
Cheguei a ficar mais de um mês pra lavar roupa de cama... ainda mais que dormia na parte de cima da beliche... inferno!

Queria me ver puta de raiva era a Bruxa tirar minha roupa, mesmo quando ela não ia lavar a dela, ela tirava a roupa da gente do varalzinho só pra desarmar, porque ficava na porta do guarda-tralha dela. Só que eu cansei de pôr o varal em outra parte do quarto para não  ter problema com isso e a vaca ia lá e colocava do lado do guarda-lixo dela... Era de propósito! Não era possível!!!
Ela é tão controladora que ela tirava as nossas calcinhas do varal e colocava - certinho - na cama de cada uma (a minha e da outra roommate), ela sabia já de quem era cada calcinha...

Bem, já que dormir não ai ser possível, resolvi tomar rivotril pra dormir.
Tomava toda noite para poder dormir e não escutar a Bruxa e seus engasgos.
Além do meu QUERIDO colchão de faquir! (outra história)

Então era assim: dormir só com rivotril, fazer comida no final de semana nem pensar! E à noite, coitado de você que queria também, porque ela fazia comida TODO DIA, ela não comia comida requentada! Só pão...
Não lave roupa perto da sexta-feira porque é o dia da Bruxa.

...e o mais lindo de tudo: antes de dormir e antes de sair pra trabalhar, a bruxa lia a Bíblia!
Era uma coisa tãaaaaaaao reconfortante ver uma pessoa fudendo com você e por se achar a certa e temente a Deus ler a Bíblia!
Eu via que ela aprendia taaaaaanto! Cheguei a ver se era escrita em português e era sim, mas nem na língua mãe da Bruxa ela entendia uma palavra do que estava ali...
Era só ler pra dizer: sou religiosa! leio a Bíblia e vou na missa todo domingo! (outra história) E faço um inferno a vida dessas cidadãs europeias! (eu e a roommate do bem temos passaporte português o que todo ilegal ODEIA! finge que não, mas te odeiam - outra história rs)

Bem, acho que esse é um bom resumo da Bruxa... ela aparecerá muito mais por aqui.
Mas antes de terminar, só uma palavra que ela inventou: INDOCUMETADO -  é uma espécie de eufemismo para ilegal. Ela não dizia que era ilegal, era indocumentada, assim como boa parte dos "conhecidos" dela, ela sempre chamava o povo de conhecido...
Daí, eu por graça ou pra ficar mais fácil abreviei para "indoc", também fica mais english...
Quando eu falar em indoc já saberão do que eu falo...e muitas vezes será diretamente relacionado com a Bruxa... por que será?

09 outubro 2011

Mês de Janeiro, Londres, Zona Centro Sul (Parafrasendo os Racionais)

Pessoal da feira: Vamô chegando!
Já diriam os Racionais... mais um pouquinho...

Sim, é verdade... eu morava numa Cohab e sim, tinha um feira na rua do lado, a East Street onde, curiosamente nasceu Charles Chaplin. E esse mesmo lugar se tornou um rua com uma feira numa parte e várias "cohabs" por sua extensão até a outra ponta, que era melhor do que a ponta onde eu morava, caminho para Canberwell Green.

Ah! Toda feira, ou market em rua é assim aqui: a rua todo dia é tomada pelos feirantes, só segunda a rua é livre... bonito, né? uma maravilha morar em rua de feira, ainda mais aqui, 6 dias por semana...

Final de dezembro, como eu havia contado, fui morar há dois pontos de ônibus da estação de Elephant & Castle. Uma região boa por ser muito perto do centro de Londres, em 10 minutos de ônibus você está no Big Ben e mais um pouco na Trafalgar Square. A localização é excelente, mas o lugar onde morava, horrível!
Não é que eu tenha preconceito da Cohab, morava no meio de várias em Sampa, a questão é que o negócio por lá era realmente feio e eu contarei porquê, calma!

Fui morar lá por não ter mais nenhuma aula particular pra me sustentar, estava realmente com a corda no pescoço quando perguntei para a Marciana se as outras meninas do quarto que ela tinha me oferecido e eu não quis - relembre as postagens... - aceitariam uma terceira no quarto.
De 65, elas e eu, pagaríamos 50 libras, seria bom pra todas.

Quando não aceitei, veio uma outra menina para o quarto, a qual pertencia a mesma igreja de Marciana, mas mudou-se porque o emprego dela era na zona norte de Londres, ficava longe...
Mas eu acredito que era porque ela não estava aceitando bem ou o controle de Marciana ou ficou de saco cheio da roommate, que agora vocês irão conhecer: a Bruxa do Centro-Oeste!!!!

Uma observação sobre essa garota: era uma ignorante imbecil!
Sim!
Ela tinha vindo com visto de turista pra cá (novidade!!!) para trabalhar de babá para uma prima que era casada com um cara de dinheiro (morava na região de Maida Vale, St John's Wood, algo como morar em Moema ou Itaim Bibi em Sampa) e precisava de uma babá, chamou a prima que virou escrava. E isso é muuuuito comum aqui: ela  ficava com a criança todas as horas do dia e da noite e ganhava uma miséria, porque morava com a "família" e estudar, não conseguia porque tinha uma criança pra cuidar.
A menina resolveu pedir ajuda para o pessoal da igreja que arrumou a casa da marciana e estava vendo um novo emprego pra ela.
Região em questão  é onde fica duas ruasfamosas no mundo da música: Warwick Avenue e Abbey Road.
Quando a imbecil me disse que morava perto da Abbey Road eu fiquei surpresa e falei de ser a rua dos... e ela já me cortou e disse:

É aquela rua mesmo que aqueles imbecis ficam tirando foto na rua e pichando o muro, bando de babacas! Nem sabem que ficam lá tirando foto (sic) e depois pintam aquele muro toda a semana! Bando de gente idiota! O que escreveram já era!

Quando passávamos pela rua e aparecia alguém vestido de algum jeito mais diferente ou as inglesas andando de bicicleta de saia (sim, elas fazem isso) ela ficava: olha que ridículo!
E eu só pensando: e você com esse seu cabelo destruído que nunca corta, com cara de ter mais de 40 e é mais nova que eu, com roupa de velha, parece o que, hein?
Daí ela estava preocupada porque precisava do dinheiro pra residência e o Insurance Number (lembram dele?) e que iria custar 100 libras...
E eu, muito da ingênua perguntei (e eu acho que já citei essa situação por aqui):
Tudo isso? Mas por quê?
E ela: é falso!
Mais um ilegal nessa Londres... e quem era mesmo o imbecil?
E aí ela falou que precisava fumar, disse pra eu não contar pra Marciana, mas era a única coisa que ela ainda não tinha conseguido se livrar e que o povo da igreja não poderia saber.
É claro que disse que não falaria e não falei, não era problema meu. Mas aí a ingênua era ela se achava que não Marciana não ia perceber o cheiro de cigarro... qualquer um que não fuma sente fácil o cheiro...

Eu conheci essa garota, Marciana me apresentou a ela para procurarmos emprego juntas, daí os diálogos acima. Fomos procurar um pub de brasileiros e poloneses em Victoria Station, centrão londrino, algo como trabalhar na região da Sé e República em Sampa.
Na casa, além de Marciana, a Landlady, essa garota e a Bruxa, também havia um terceiro quarto de um casal polonês. O polonês em questão falou sobre esse emprego para Marciana que nos avisou, as indicações do emprego?
Facílimas!
O pub - ou 'pumb' como diria Marciana, sim, ela dizia e deve dizer se ninguém a corrigiu "pâmbi" - ficava na saída da estação de Victoria, perto de um mercado Sansbury's e da Orange (mobiles).
Muuuuuito fácil!
Qual saída da estação de Victoria? Deve ter pelo menos 4, qual Sansbury's ? Havia 2 e não achamos nenhuma loja da Orange nesse lugar... andamos como camelas pela região e nada de pub de brasileiros e poloneses...
Nada!
Para depois a Marciana dizer que o pub era "orange" e não perto de uma Orange, e disse com uma cara de desconfiada, achando que não achamos porque não quisemos... uma das maiores irritações do tempo que morei com Marciana era isso: sempre, mas SEMPRE ela desconfiava da gente...

Bem, a menina foi, e veio outra, a Roommate do Bem, como comecei a chamá-la quando falei dela no Twitter, até pensei em ser Rutinha, porque a outra era a Raquel...

Com a Room do Bem e a Bruxa do 21 (nosso flat) eu fui dividir minha vida.
Marciana era de Marte, mas não era boba: o quarto dela, era só dela.

Então era assim começou meu ano de 2011 em Londres: um apErtamento caindo aos pedaços literalmente (em breve fotos, vão se preparando psicologicamente...), 3 quartos com: 1 marciana, 3 estranhas e 1 casal polonês; uma cozinha minúsculas com janelas que não abriam, só a parte de cima e a fumaça da comida impregnava por todos os (in)comôdos e nos casacos de quem deixava no lugar perto da porta, um banheiro só com o "toilet' e outro com  pia e a maldita banheira (é costume aqui nas casas divididas por muitos a privada ser separada da banheira, para não haver muitos problemas, só o problema de não ter pia e a pessoa sair do vaso e ir lavar a mão na pia da cozinha... claro, quando lava a mão ou quando resolve escovar os dentes na pia da cozinha). Ah, nos banheiros também só se abria as janelinhas finais e muitas vezes, Marciana e Bruxa sentiam frio e fechavam até a janelinha única do toilet, o que eu acho uma grande ignorância, afinal, banheiro tem que ficar com janela aberta até quando o inverno está tenebroso, porque... nem preciso dizer... ou preciso?

Os apelidos logo vocês entenderão...

04 outubro 2011

Sal Grosso!

Como disse uma amiga minha, quando voltar ao Brasil precisarei tomar um banho de sal grosso, porque só assombração me aparece...

Há um tempo eu devo ter comentado aqui sobre não ter respondido ao recado de uma pessoa que conhecia de algum tempo na internet.
Cheguei aqui e tive dificuldades no começo com a internet, lembrem que a Collorida me cortou o acesso ao invés de dizer: pague mais dez libras pra ter internet, mas preferiu mentir descaradamente dizendo que os cabos haviam sido roubados, sim, da internet hi-fi...

Também respondia muita coisa correndo e demorei meses para responder alguns emails...

O que percebo agora que não é diferente do que falo dos outros brasileiros aqui: se reclamo de eles nunca terem tempo para nada, que a vida de trabalho e problemas pra resolver consome, consome a mim também e deveria entender que aqui não é lugar mesmo pra fazer muitas amizades logo de cara...

Bem, com a demora de uma resposta para essa pessoa, recebi, DOIS dias depois a seguinte mensagem via direct message do Twitter:



Achei a coisa mais BOPE do mundo: primeiro atira, depois pergunta. Devo ter desabafado aqui e bloqueei a pessoa. Afinal, estava aqui há 2 meses, cheia de problemas de mudança de casa, de ter saída da casa do terror, sem trabalho, dinheiro acabando e vem alguém do nada, porque não respondi um recado do tipo "tenho novidades!", dizer que sou metida a besta SÓ porque estou em Londres...

Odeio esse tipo de coisa, é como minhas tias que citei antes, fazem o mesmo: primeiro eu te julgo e dou veredicto, saber o que é e o que não é, não é da minha alçada (só pra ficar tudo no mundo jurídico, a pessoa pertence a ele...).

Quase um ano depois e me aparece a pessoa com essa:


Bem, eu sou malcriada além de metida a besta, ok!

E eu queria muuuuito entender porque alguém que sabe que foi bloqueada (por que será?) me acha metida a besta e malcriada ainda quer falar comigo e, pelo jeito, me encontrar!!!!
Sim, eu preciso de um banho de sal grosso pra ver se todo esse povo me deixa em paz!

Será que a metida a besta e malcriada faz falta de alguma forma? Será que a minha amizade era importante?
Bem, se era, não tem volta: ou as pessoas primeiro perguntam pra poder entender os meus motivos ou, por favor, me deixem em paz e esqueçam que eu existo!
Não dá pra darem o veredicto de culpada sem um julgamento digno.
O dia que me julgarem de modo digno, podem vir falar comigo, se eu for culpada, eu aceiterei, porque se eu quero que sejam justos comigo, preciso ser justa com os outros.
Então, quando forem justos comigo, acatarei a sentença.


Desculpem amigos que aparecem aí acima, se quiserem eu apago todos.