04 outubro 2011

Sal Grosso!

Como disse uma amiga minha, quando voltar ao Brasil precisarei tomar um banho de sal grosso, porque só assombração me aparece...

Há um tempo eu devo ter comentado aqui sobre não ter respondido ao recado de uma pessoa que conhecia de algum tempo na internet.
Cheguei aqui e tive dificuldades no começo com a internet, lembrem que a Collorida me cortou o acesso ao invés de dizer: pague mais dez libras pra ter internet, mas preferiu mentir descaradamente dizendo que os cabos haviam sido roubados, sim, da internet hi-fi...

Também respondia muita coisa correndo e demorei meses para responder alguns emails...

O que percebo agora que não é diferente do que falo dos outros brasileiros aqui: se reclamo de eles nunca terem tempo para nada, que a vida de trabalho e problemas pra resolver consome, consome a mim também e deveria entender que aqui não é lugar mesmo pra fazer muitas amizades logo de cara...

Bem, com a demora de uma resposta para essa pessoa, recebi, DOIS dias depois a seguinte mensagem via direct message do Twitter:



Achei a coisa mais BOPE do mundo: primeiro atira, depois pergunta. Devo ter desabafado aqui e bloqueei a pessoa. Afinal, estava aqui há 2 meses, cheia de problemas de mudança de casa, de ter saída da casa do terror, sem trabalho, dinheiro acabando e vem alguém do nada, porque não respondi um recado do tipo "tenho novidades!", dizer que sou metida a besta SÓ porque estou em Londres...

Odeio esse tipo de coisa, é como minhas tias que citei antes, fazem o mesmo: primeiro eu te julgo e dou veredicto, saber o que é e o que não é, não é da minha alçada (só pra ficar tudo no mundo jurídico, a pessoa pertence a ele...).

Quase um ano depois e me aparece a pessoa com essa:


Bem, eu sou malcriada além de metida a besta, ok!

E eu queria muuuuito entender porque alguém que sabe que foi bloqueada (por que será?) me acha metida a besta e malcriada ainda quer falar comigo e, pelo jeito, me encontrar!!!!
Sim, eu preciso de um banho de sal grosso pra ver se todo esse povo me deixa em paz!

Será que a metida a besta e malcriada faz falta de alguma forma? Será que a minha amizade era importante?
Bem, se era, não tem volta: ou as pessoas primeiro perguntam pra poder entender os meus motivos ou, por favor, me deixem em paz e esqueçam que eu existo!
Não dá pra darem o veredicto de culpada sem um julgamento digno.
O dia que me julgarem de modo digno, podem vir falar comigo, se eu for culpada, eu aceiterei, porque se eu quero que sejam justos comigo, preciso ser justa com os outros.
Então, quando forem justos comigo, acatarei a sentença.


Desculpem amigos que aparecem aí acima, se quiserem eu apago todos.

24 setembro 2011

Natal em Portugal etc

Ainda em dezembro, fui pra Portugal e tive um Natal digno. Junto com minhas tias fofas e conheci uma das minhas primas que mora nos States, uma pessoa muito bondosa.
Comi os mesmos bolinhos que meu pai sempre comentava que minha avó fazia pra ele e vi como era o original.
Conheci frio de verdade, sem aquecimento, só a bolsa de água quente nos pés e mil cobertores, além de lençóis grossos pro inverno.
Também vi essa minha rprima se desesperar quando  seu voo não saiu de Lisboa, por conta da neve nos States e justamente em New Jersey, onde ela mora.

Não que eu não tenha passado o mesmo na minha ida: o frio de -4 graus fez com que meu voo saisse, mas atrasasse e todos perdemos nossa conexão em Madrid, onde dormi para pegar o voo no dia seguinte. Infelizmente o hotel era perto do aeroporto e não vi nada da cidade...

O certo é que foi um dia estressante, mas que eu nem senti, sabe? Acho que sair de Londres e passar o Natal com família não tem preço.
Fiquei em Heathrow apavorada para que o meu voo estivesse entre os que não seriam cancelados e dei sorte, mas horas dentro do avião sem decolar, passando um calor horroroso foi barra pesada. Sim, o avião ficou hiper quente e as aeromoças tinham que trazer água toda hora para as pessoas...
Jogavam água quente no avião para tirar a neve de cima dele...
Eu entendi o problemão que ela traz, a conheci pessoalmente (ela e o trabalhão rs).

Meu laço com minhas tias, prima e os primos do meu pai ficaram mais forte: pessoas que guardo no coração com grande carinho e devo muito a eles todo carinho, dedicação, bondade e amor.
Não senti solidão e passei um Natal diferente: comendo bacalhau que eu nunca comi no Brasil (rsrs como a vida dá voltas rs) porque não aceitei que minha tia quebrasse uma tradição por minha causa. Minha prima me mostrou como se faz o arroz doce português, que é sequinho e eu achei mais gostoso que do jeito que fazemos no Brasil.
Além de ganhar roupas dela, uma colcha de cama feita de crochê pela minha outra tia.
A colcha ficou em Lisboa na casa da prima do meu pai, que é uma mulher fabulosa, me contou muito da vida dela e me mostrou o que é ser uma mulher de coragem, resignação e fé.

E, quando for a Portugal rever minhas tias e tio (que estava nos States com os filhos, netos e bisnetos - o tio do cd bonito), vou rever também os primos do meu pai, ela e o irmão dela (que é outro exemplo de vida), vou querer voltar sempre porque sei que não é só geneticamente que uma parte de mim está lá.



(voltei pra Londres pra nova casa e pra ver a desatrosa queima de fogos da London Eye)

12 setembro 2011

3 meses pra voltar ao Brasil

Exatamente de hoje há 3 meses estarei novamente no Brasil.

Existem dois lados pra comentar.

O primeiro é que muitas pessoas, quando digo que estou voltando acham super cedo minha volta. Muita gente que está aqui há um bom tempo diz que o primeiro ano é assim mesmo, depois as coisas entram nos eixos...
Pode até ser, só que eu acho que não tenho idade e nem saúde para esperar mais.
Tenho 36 anos, já percebi que envelheci horrores aqui, além dos 8 kilos a mais...
Não me reconheço quando olho no espelho e nem nas fotos que tiro.
Vejo uma mulher pálida, gorda e feia.
Que deve estar cheia de varizes na pernas (mas nem olho pra não me deprimir), com algum problema de coluna, com toda certeza, pelo "colchão" que dormia na casa da Marciana - e logo vocês saberão mais sobre minha cama de faquir...

Eu acho que se tivesse 10 anos a menos, talvez eu arriscasse ficar mais tempo, tipo, ver se as coisas realmente entrariam nos trilhos... mas não tenho, além do que disse acima, não tenho paciência...

Acho que depois de todas as humilhações e sufocos que passei aqui não tenho pique para aguentar mais...
Semana passada mesmo eu estava deprê total - acho que foi a tpm, mas... tem horas que é muito barra pesada estar sozinha num país já não tão estranho, mas sem com quem contar, sem ter onde chorar tranquila...
Ah, que saudade de chorar na minha cama! Nunca mais tive essa privacidade... acabei chorando em banheiro e ou na rua... que se dane, os outros não me conhecem...

O que acontece é que muita gente por aqui (Londres) não me entende...
Não só por tudo que falei acima, mas porque muitas pessoas vieram acompanhadas, estão com família, amigos, namorado, alguém que dê um apoio, que ajude nos momentos críticos e eu não, eu vim sozinha e continuei sozinha.
Fiz amizades, mas não é a mesma coisa de passar muita raiva e correr pra contar, ainda são amizades muito novas e que, a maioria das pessoas, como não passaram pelo mesmo, não conseguem, mesmo, me entender.

O segundo ponto é o do outro lado do Atlântico.
Voltar e encontrar minha família não será fácil. Os problemas que deixei continuam lá e prefiro eles a estar aqui, pelo menos é sofrimento coletivo, todo mundo junto, sofendo e se ajudando.

Mas o problema maior do outro lado da Atlântico, sim, serão minhas tias que fazem o favor de tudo ficarem no meu pé.
Tanto que teria o casamento de uma prima para ir e só volto dois dias depois.
Fiz de propósito.

Eu sei e já desabafei aqui como será.
Eu passei a vida inteira sendo vista como menos por elas, sempre minhas primas eram superiores a mim.
Então, chega, né?
A vida inteira foi:
"a F ganhou a boneca tal de Natal, você não".
Claro que eu não ganhei, meu pai nunca teve dinheiro pra isso...
"Nós fomos no Playcenter ontem! Fomos na Montanha Encantada que você queria ir, mas não fomos da vez que você foi!"
"Ah, você tá gorda! Essa roupa nunca vai servir pra você, serve na A"
"Você é muito portuguesa, mesmo, né? Por que não pode gostar de axé e pagode como suas primas ao invés desse barulho?"
"Ih, a S trouxe batons e perfumes pra todo mundo, mas esquecemos de guardar pra você... ah, tem esse aqui!"
sempre a coisa pior que ninguém queria...
"Nossa, como seu irmão é mole! Demora tanto pra arrumar uma antena de TV pra gente!"
Sim, meu irmão fazia as coisas e também sempre foi tachado.

E agora uma dessas minhas tias diz que eu sou antissocial e que se eu não arrumo inglês que eu deveria arrumar outra raça, assim, fácil, num estalo!
Antissocial foi porque disse que estava difícil dividir quarto - logo saberão o inferno que vivi.
Só que essa minha tia não me perguntou porque era tão difícil, não quis saber como era, como sempre, foi jogando tudo no ventilador. Não pensa, só fala o que vem na cabeça e, de preferência, tudo que seja pra detonar logo comigo.
Daí a bloqueei no msn e tive que bloquear todo mundo para, como disse pra minha mãe, os outros não ficarem com ciúmes.

Agora ela veio dizer pra minha mãe que tem saudades de falar comigo e que eu nunca mais falei com ela...
Já disse pra minha mãe: ou você diz que estou magoada ou ela espere pra eu jogar na cara quando voltar...
Infelizmente, anos e anos sendo tratada como lixo uma hora tem que acabar... Seja de forma doce ou amarga, acaba.
E sei que quando voltar e ter perdido o casamento todo mundo vai falar e eu vou dizer: pensei que eu não faria falta no casamento, ou eu fiz falta porque não estava lá pra fazer parte da turma de perdedoras que vocês queriam mostrar pros outros?

Não acho que sou perdedora, mas elas acham, sempre acharam e esse seria, pra elas, o momento de coroação da bela, classe média, doce, fã de axé e pagode sobre a pobretona, gorda, baixinha, portuguesa (por ser brava pra elas, e sim porque eu sempre tive opinião).

Acho que tive uma vida muito dura desde criança, com vários problemas familiares e me tornei uma pessoa extremamente tímida e sonhadora, cheia de traumas e se hoje estou sozinha, tenho certeza, não foi porque perdi, não se perde, não se ganha, pelo menos eu acredito nisso, diferente delas que acham que isso é uma vitória.
Talvez eu seja vitoriosa só por conseguir colocar tudo isso no "papel".
E serei vitoriosa só por ter feito o que sonhava, ter descoberto por mim mesma que Londres não é meu lugar.
Hoje sei que não vou passar o resto da vida falando "ah, Londres que era o lugar para eu viver"...
Eu sei por experiência própria que não é assim e se elas continuarão me criticando, seja pelo que for, só que talvez eu esteja mais preparada para dar um basta nesse bullyig familiar.

08 setembro 2011

Mais coisas ainda do final de 2010

Quando trabalhava com o casal do sul, eles trabalhavam quase no esquema de vans, ainda em começo de carreira, mas é o que eles deveriam fazer em breve, pelo menos pretendiam. Tinha várias casas e pra trabalhar em várias no mesmo dia precisa-se de um batalhão.

Porque você ganha pra limpar uma casa em 5 horas, como já contei, e com um monte de gente, faz em 1,2 horas e paga uma miséria pros "assistentes".

Voltando, eles estavam procurando um ajudante pra todos os dias, integral e eu não quis, porque nunca foi esse meu objetivo aqui, por menos que ganhasse e passasse sufoco vendo meu dinheiro ir embora...
Trabalhei judando nos dias que pude e eles conseguiram um outro ajudante, um rapaz de São Paulo, de uma cidade próxima da capital, das várias dormitórios ao redor da big city.
Ele me disse que estava aqui há uns 2 anos, que em São Paulo trabalhava no palácio do governo, como garçom, um dia, encheu o saco, pegou férias e veio tentar a vida aqui...
Não fala praticamente nada de inglês, ilegal, procurava uma documentação ou um casamento fajuto. Eu fiquei beeem quieta...

O nosso grande amigo de trabalho é o famoso Henry, um dos aspiradores de pó mais usados nas casas aqui, ele tem uma carinha simpática:

Só a cara simpática... porque é pesado que a p*rr@! rs

O rapaz me disse que achava esse "hoover" (já até esqueço o nome em português de tanto que falo 'hoover', 'cleaner', 'shower', 'toilet', 'feather', 'mop', 'brush', 'brum', 'kitchen', 'tissue', 'wepping', 'bin', 'cloth'... esse é o vocabulário da "criner" rs), então, o rapaz achava que esse hoover é muito bom e disse que comprou um e mandou de presente pra mãe dele...
Eu fiquei só olhando e pensando: coitada dessa mãe, homem só acha que mulher tem que ganhar mais trabalho, né? aff mais uma vez, fiquei quieta...

A mulher só ouvia no rádio do carro, indo de uma casa pra outra, uma rádio no estilo Antena 1 e virou pra mim e disse: só músicas do NOSSO tempo!
E eu: ãh?????? Bee Gees e outros não são do MEU tempo... quem ela pensa que eu sou?
Mais uma vez, não lembro se falei minha idade pra figura... mas ela é mais velha que eu e tem um filho de 20 anos...
Não que eu não pudesse ser, se tivesse sido precoce... mas daí a ouvir Bee Gees e dizer que é do meu tempo??? Vai a PQP!!!!!

****
Nem tudo foi ruim na casa de GG, lá, finalmente, consegui ir em um Job Centre e tirar meu famoso insurance number e num GP (posto de saúde) e tirar minha carteirinha pra usar...
A carteirinha pra usar o GP do NHS (INSS daqui) eu consegui até mais fácil que da vez que tive alergia na casa da Collorida... depois, não sei se comentei, descobri que não era bicho que tinha me mordido em Portugal e sim, que naquele colchão tinha o famoso bedbug...
Imagine: só chove, faz frio, nunca a casa e o colchão tomam sol... o que acontece? Claro que não ia descobrir isso pela Collorida, por ela, que os bichos me comessem, desde que pagassem o aluguel...

Dessa vez quis marcar um médico porque não aguenta, achava que tinha gripe e era minha alergia ataca à enésima potência, graças ao meu amigo do coração: o heating, ou o aquecimento e o meu carpete fedido de rato e que a Pureza (lembram?) falou que se eu quisesse ela tinha a máquina pra EU lavar o traste...

O que acontecia era o seguinte: minha garganta ardia como fogo, não conseguia falar direito como se tivesse perdido a voz de tanta dor de garganta e nada disso era gripe.
Cansei de tomar chá de pomegranate, ou a famosa romã que todo mundo come aqui e eu só via se tomar chá pra garganta no Brasil. E lá se foi xarope, remédio pra gripe que diziam ser tiro e queda...
Claro que não faziam o mínimo efeito: o problema era a alergia.
O heating também devia ser tão limpo quanto o carpete e ficava bem na cabeceira da minha cama... troquei de lado, comecei a pôr a cabeça pra dormir no lado dos pés. O ruim é que era onde ficava a tv e ficava complicado. Desligava o heating durante à noite, deixava o quarto quente e desligava pra conter o transtorno...
Só depois percebi que a garrafinha de água que deixava no quarto enchia de bolhas, como se estivesse esquentando... não era só esquentando por conta do heating, era porque ela ia secando, como minha garganta, porque esses aquecedores dos infernos, para aquecer, precisam tirar toda a umidade do quarto, inclusive a umidade da pessoa que dorme ali...

****

Nesse mesmo período ia até a casa da Marciana, fiz amizade com ela, porque estava numa fase de quase perguntar a todo mundo: você quer ser meu amigo? eu queria taaaaaanto um amigo...

E é aquela coisa: você só conhece realmente a pessoa quando convive diariamente com ela...

Só que depois de quase 4 meses em Londres e sozinha, já não aguentava mais me sentir sozinha...
Um amigo que mora em Dublin até esteve aqui e me senti a pessoa mais feliz do mundo de ter alguém pra passar uma tarde de sábado batendo papo num Costa (uma cafeteria famosa aqui e mil vezes melhor que o Star-água-bucks). É horrível estar sozinha, tão sozinha...

Foi assim que comecei a engordar... descontava toda a minha tristeza na comida, comia potes de Haagen Dazs  (é barato, ainda mais no inverno), um chocolate delícia com gostinho de laranja... e eu nunca curti esse tipo de coisa, mas esse... nossa:
Ele é assim, todo em gomos, como se fosse laranja e eu comia sem ver assistindo Friends na TV rs
Entre outros quitutes... me enchia...

E aí resolvi ser amiga da Marciana, mas muito em dúvida se ia ou não pra casa dela... tinha que ter outro jeito... (mas não teve).

Um dos fatos mais loucos foi quando fui até a casa de um casal de amigos dela, eles voltariam pro Brasil e a moça trabalhava com casas, e um dessas casas que ela limpava era de uma italiana, como ela soube que eu estudei italiano, passou a casa pra mim, antes de voltar pro Brasil.

Dois jovens de BH que moraram aqui por 3 anos, se mataram de  tanto trabalhar, ela nas casas e ele em restaurante para juntar dinheiro.
Juntaram tanto que a primeira vez que juntaram, pra comprar um terreno na cidade onde moravam, deram pros parentes comprarem, segundo conta a história, compraram de uma imobiliária de mentira que levou o dinheiro deles...
Da segunda vez, não foram bobos, guardaram pra comprar quando voltaram...
Só que ele abriu um negócio e ela comprou seu próprio apartamento, fizeram bem, apesar de ilegais, como sempre...
Ele teve a graça de me mostrar o passaporte e identidade portugueses para comparar com o meu, original, pesado e bem feito. E ficava: nossa, o seu é bem pesado, mais bem feito (dã!).

Daí descobri a nova: inglês de rua...
Ele me disse que falava bem o inglês, mas o de rua, assim como a irmã dessa menina também me falou o mesmo...
Nova definição...
Não, não se trata de gíria, de slang, se trata de brasileiro que mal sabe falar seu idioma e falar o dos outros mal e porcamente... daí inglês de rua...
Não que ele falasse mal, o cara tinha fluência, mas não queria dizer 100% aprendizado Murphy rs - nem 50% acho rs
Porque você aprende falar inglês "na rua" com outros estrangeiros que também falam como lords na câmara...
Aí a irmã falava: eXcRusivi e me dizia:

eu prestei o IELTS, na parte de gramática eu não devo ter passado, mas na conversação eu passei! Eu falo inglês de rua, mas falo!

Ela fazia curso de inglês aqui só pra ter visto, mais faltava do que ia na escola, o que interessa é o visto de estudante... por 6 longos anos... (no caso dela).
Fazia numa das famosas escolas da chamada "fábrica de visto"... (já deu pra sacar o nível só pela aluna rs)

Eles juntaram dinheiro e coisas... mandaram por navio 200 kilos de coisas antes de viajarem... e fui com Marciana no aeroporto dar tchau pras figuras...
Levaram mais 4 malas, chegaram atrasados, se eu não tinha falado pra Marciana de ficar na fila, teriam perdido o voo...
Chegaram no guichê: peso extra (isso porque mandaram 200 kilos por navio...).
E vai a correria da irmã da menina ir comprar outra mala no aeroporto e eles abrirem mala pra todo lado, no meio do caminho e pesar na balança que fica perto do guichê da TAM... (o preferido pelos brasileiros).
E daí só se via tênis com perfume dentro, um monte de tranqueira saindo das malas... como até patins...
A menina tão simplória, eu diria, levava na mão um Toblerone enorme que comprou, queria comer dentro do avião... tive que avisar que ela não poderia fazer aquilo... que seria barrada, só se comprasse lá dentro e levasse na sacolinha do freeshop...
Ajudei com as malas e ficava vendo aquele desespero louco, primeiro porque chegaram atrasados, segundo porque não ia dar pra levar tudo...
E não deu: a irmã ficou com algumas coisas por aqui...
A maior parte das coisas que compraram eram futilidades para mostrar pros parentes e amigos no Brasil, como uma câmera digital que você pode fotografar no escuro que sai perfeito e que tira fotos de uma plano maior do que se consiguiria numa câmera normal: não se precisa tirar várias fotos pra pegar um plano todo... ela faz isso...
Babei na câmera, mas... não deixa de ser futilidade...

Conseguiram embarcar... na volta, de metrô, a irmã dessa garota e a prima falavam das casas que lipam aqui. Que fazem as casas de gato e sapato.
Limpam de qualquer jeito porque tem várias casas no mesmo dia (mesmo esquema do dono da van, mas sem escravos, digo, empregados), ou seja, eu tenho 4 casas de 4 horas. 16 horas de trabalho? Claaaaro que não! Eu faço a famosa limpeza "pra inglês ver", almoço na casa (pegam comida da casa ou fazem comida com os alimentos dos donos da casa) e vou pra outra!
Outra palavra bem comum entre as "cleaners" aqui é tapa "ah, eu dou um tapa" é, pra mim, de tapear...

Não que toda faxineira é desonesta, mas uma grande parte sacaneia o patrão na cara dura...

Soube de casos em que se a cleaner ficou cansada e tem tempo sobrando, dorme na cama do dono da casa, ele está trabalhando mesmo...

A maioria das faxineiras têm chave da casa, os donos foram trabalhar e deixam um chave cópia pra cleaner. Ela vai a hora que convir e limpa, do jeito que convir também...
Deixam também o dinheiro de pagamento. Bom para pessoas ilegais, bom para ingleses que querem fugir do "tax" (imposto) de ter um empregado em sua casa e parecer rico pro leão daqui.
Mas não se preocupem! Em breve eu vou contar o outro lado da moeda: de que muitos desses patrões ainda tem empregadas muito legais para a porquice que são as casas deles... não é porquice de falta de limpeza, em alguns casos, falta de higiene mesmo...

29 agosto 2011

Mais acontecimentos, ainda na casa do GG

Durante os dois meses que morei na casa de GG e Pureza, além de morar com um rato, também passei por várias situações.

A primeira foi conhecer a neve, o primeiro dia que caiu neve aqui, dia 30 de novembro do ano passado, ainda me lembro, começou a nevar... estava na rua. Fiquei emocionada, ria como criança, deviam me achar uma boba no meio da rua, mas foi muito, muito legal!
Aquelas bolinhas que não eram gotas de chuvas e caiam forte, todos se protegiam, menos eu, eu queria sentir, ter certeza de que o que via era neve... incrível essa sensação... realmente voltei a ser criança naquele dia, de tão feliz.

Comecei a trabalhar numa escola para filhos de brasileiros, para que eles aprendam português e a cultura do Brasil, sou praticamente um voluntária, mas meus sábados mudaram e conheci pessoas diferentes que tenho amizade hoje.

Também comecei a trabalhar com faxina... infelizmente não  tinha como: meu dinheiro estava acabando, a semana a 85 libras de aluguel pra dividir com um rato e dormir com um carpete imundo que me dava uma alergia louca, não me davam alternativa: tinha que ver o primeiro trabalho que viesse e tinha que ver outro lugar pra morar.

Uma prima da minha mãe, contou para a minha tia que uma mulher que ela conhecia, que tinha uma perua em que vende ovos etc tinha uma filha que morava em Londres e ela alugava quartos.
Minha mãe achou que talvez esse fosse o caminho para eu mudar de casa.

Minha tia passou o contato da mulher e fui eu em Elephant & Castle (parte centro-sul de Londres, impregnada de brasileiros, latinos e caribenhos) é um lugar muito perto do centro. De ônibus você leva uns 15 minutos até o Big Ben, por exemplo.
Só que chegando lá, conforme as indicações da dona, fui achando o lugar extremamente horrível: me vi numa Cohab (desculpa você que mora na Cohab, mas aqui é pior) imunda, caindo aos pedaços, um lugar que não imaginava achar em Londres, pessoas com caras mal encaradas, rua principal entre as cohabs suja porque todos os dias tinha feira ali (aqui, a rua da feira, ou do market, é todo dia feira, menos segunda).
Ia andando e pensando: não pode ser nesse lugar! Prédios iguais, não pareciam velhos, mas muito mal cuidados. A mulher me disse pelo celular que me encontraria no caminho porque o elevador estava quebrado...
Eu pensei seriamente em voltar pra trás... mas não tinha dinheiro pra ficar de luxo e precisava pelos menos ver...
Encontrei a mulher, que nomeei de Marciana, em breve entenderão o porquê, uma mulher bem simpática e que me levou até o prédio certo que eu não acharia.
Entramos por outro prédio, pelo elevador do outro prédio.
Ela se gabava de morar tendo como vista a London Eye, se via quase todos os principais "heritages" de Londres dali: Big Ben, London Eye, Saint Paul...

Daí conheci a casa... cheia de mofos pelos cantos das paredes, meio escura, precisando seriamente de uma reforma e na qual teria que dividir com outra pessoa o quarto...
Até aquele momento, parecia até tranquilo, mas não queria, iria aguentar mais um pouco na casa do GG, o rato iria sumir...
Ela prometeu me ajudar, que logo eu arrumaria um emprego fixo, que ela tinha muitos contatos e dizia porque eu morava tão longe, ali era uma ótima localização!
Realmente, geograficamente, a localização é ótima, as moradias é que não prestam... por conta de seus donos e landlords... eles naõ cuidam como todos fazem: só querem dinheiro no bolso.

Para ir embora, ela me disse pra descer as escadas, que ficaria mais fácil...
Conforme descia as escadas, cinco andares, mal iluminadas e sujas... fui pensando que não queria morar ali de jeito nenhum! Encontrei até um absorvente feminino sujo na escada e sai como louca, corri nas escadas e só pensava: aqui eu não quero morar!!!

Marciana realmente me indicou empregos, falou porque eu não trabalhava nas vans (já contei aqui sobre elas, né?) e achei aquilo o fim da picada, mas ela me passou a indicação de uma mulher que precisava de ajuda apenas por alguns dias na limpeza de casas...

E lá fui eu acordar às 4:30 da manhã num domingo, o domingo em que o rapaz goiano levou peixe pra casa e ouvi aquela conversa que me pareceu muito estranha...
Teria que pegar o trem, era beeem longe onde encontraria a mulher para a limpeza... e teria que estar na estação certa às 7 da manhã.

Cheguei, a encontrei, ela e o marido, do sul do Brasil, me levaram até a primeira casa. Na verdade, não era a casa, só um escritório que ficava bem nos fundos do quintal. Um escritório que ficava cheio de folhas das árvores que caiam e só era limpado uma vez por ano...

Depois fomos limpar a casa de um senhor inglês viúvo e que tinha estado na 2a Guerra. Ele ficava na dele enquanto limpávamos e eu só pensava: cadê a família dele? é Domingo!
Daí ele foi no forno pôr um congelado pra ser o almoço dele... que vida triste, gente!
Só que no final eu entendi: quando íamos embora, ele dava bye-bye pra gente quase nos botando porta pra fora... educação britânica!

A moça me dizia que muita gente gostava de trabalhar com ela e o marido, porque as pessoas diziam que riam muito com eles.
Eu não ri nenhuma vez: só via ela dar altas cortadas nele e ele, quieto...
E ela ainda me dizia: já consegui casar, tá bom, ou seja: casei e pronto, ninguém pode falar o contrário, seja bom ou ruim.
Ele tinha cidadania italiana e ela ganhou de lambuja...

Nesse dia, voltei cedo pra casa, cansada, mas tudo bem...
O problema foram as casas que fiz durante a semana: 7 casas num dia...
E ela sempre me dizia:
Você fica com o banheiro.

E virei uma expert em limpar banheiro... morria de raiva, nem era raiva, era tristeza mesmo... tinha que me sujeitar porque as aulas eram poucos, o dinheiro acabava e o aluguel que eu queria manter era arrasador...

Cheguei em casa depois de sete casas e só quis deitar na cama.
Fiquei lá estirada, tentando descansar, não aguentava mais. Estava extremamente cansada, acabada, moída... e ainda tinha GG e Pureza no seu banho de espuma... e pra eu tomar banho?

Fiquei pensando enquanto estava derrotada na cama: se aquilo era vida, se isso seria só por aquele momento, que precisava fazer algo... pensar... pensar... sofrer... sofrer...

E nada mudou muito na minha vida, ainda comecei a fazer aulas de inglês, minha mãe mandou dinheiro pra que eu fizesse, e parti pras aulas particulares para ver se isso adiantaria meu aprendizado, fiz amizade com a professora e a mãe da professora que me ajudou em muitos momentos.

Tive que pedir dinheiro para o meu pai, para, pelo menos, ter um Natal digno: ir pra Portugal na casa das minhas tias, quando voltei de lá, voltei para morar na Cohab...não teve jeito, foi a única alternativa que me restou naquele momento.

14 agosto 2011

1 ano em Londres

Dia 15 de agosto, amanhã, fará um ano que estou aqui em Londres e agora posso fazer um balanço melhor da vida na cidade.

Fiquei lembrando das discussões que lia nas comunidades, no orkut, de brasileiros em Londres. Uns odiavam Londres e não viam a hora de voltar, outros, amavam Londres e achavam babacas os outros que odiavam...
Nunca interferi nas discussões, afinal, eu não sabia exatamente o que me esperava e não sabia de que lado ficaria.

Na verdade, hoje, eu sei que não ficaria de nenhum dos lados, porque entendo ambos: adoro Londres, é uma cidade incrível para se viver DESDE QUE você tenha um bom emprego e um bom lugar para morar de forma confortável.

Muitas pessoas vêm para cá com um sonho de que tudo é perfeito, como eu, e se decepciona.
Sim, eu me decepcionei demais com a vida aqui, mas porque a vida não é fácil para uma brasileira que fala mal o inglês e que acabou perdidaça sem saber o que fazer direito... planejamento malfeito ou nem tanto... acho que  foi confiança nas pessoas que eu pensei que me ajudariam mais e acreditei que as coisas eram mais simples, como me diziam...

Então, como eu já disse aqui uma vez, que faria diferente muita coisa, não tem porque eu falar mal da cidade. A cidade tem sujeira, tem muita gente mal-educada, se paga mal - ainda mais com essa crise na Europa toda-, mas realmente, não posso culpá-la, me dei mal aqui, sim, estão todos cansados de saber, mas a verdade é que um conjunto de acontecimentos destruíram meu sonho.

Não sei se é a mesma coisa que acontece com as pessoas que odeiam essa cidade e querem ir embora correndo... mas muita gente vêm com uma ilusão diferente da minha: ganhar muito dinheiro e fácil. O que você não consegue em lugar nenhum, pelo menos de forma honesta.
Daí as pessoas reclamam da cidade, porque queriam poder mostrar logo pro povo no Brasil que está por cima da carne seca... e estão na verdade debaixo do quarter pound rs
Trabalham como eu: se sentindo escravizados, trabalhos duros, mal remunerados, sendo humilhados, vivendo mal, comendo mal e não aproveitando nada, fazendo contas para mandar dinheiro pro Brasil - o que não é meu caso, só vou levar dívidas pro Brasil, por escolha, escolhi não trabalhar como louca e aproveitar o que pudesse.

Os que amam, se apegaram demais à cidade, podem morar mal, podem trabalhar como condenados, mas amam as diferenças, amam o poder aquisitivo de andar com roupa de marca e ter um iphone ou um blackberry, amam se sentir livres, principalmente se não moram com um bando de brasileiros xeretas... o que acontece muito também.

Acredito que se as coisas tivessem acontecido de um jeito diferente na minha vida, eu moraria aqui de vez: a proximidade com o resto da Europa e poder viajar por ela, além ver os shows dos artistas que amo me prenderiam fácil aqui.

INFELIZMENTE as coisas que já contei por aqui e ainda irei contar - porque estou ainda em novembro pra dezembro do ano passado na trilha da história rs - só mostrarão o quanto foi difícil minha vida por aqui e uma coisa eu posso dizer: se soubesse de tudo isso, acho que viria do mesmo jeito, só pelos shows que acabei assistindo, os lugares que conheci e por toda a experiência de vida que, espero do fundo do coração, tenham me tornado uma pessoa melhor.

Porque, eu acredito, que nada do que vivi e ainda viverei são por acaso, acredito num plano maior que eu aceitei há muito tempo... numa galáxia distante (rs) e se eu não tinha cumprido no Brasil, tinha mesmo que quebrar a cara em Londres para aprender algumas coisas e, principalmente, ter certeza do que era viver em Londres e não passar o resto da vida me lamentando do tipo: ah, se eu tivesse ido pra Londres... aqui não é vida... Londres que é!

10 agosto 2011

imitando o classe média sofre

postando a conversa com a mala sem alça, reparem as datas...

27 julho 2011

O imbróglio mala e encomendas para o Brasil

Durante os meses de junho e de julho estive totalmente ansiosa por uma mala minha que iria mandar para o Brasil...

Tudo começou quando a irmã de um amigo viria para cá no começo de junho e ficou até 03 de julho. Ele me avisou que ela entraria em contato e se eu poderia ajudá-la. É claro que sim! Adoro ser guia! (Os amigos fora de Sampa, que a conheceram um pouquinho comigo, que levantem as mãos agora rs).
Sim, estava contente de ver um rosto conhecido e poder mostrar um pouco de Londres, dos lugares que amo e gostaria MUITO de compartilhar com quem quer que fosse que viesse para cá...
Adoro a cidade, apesar dos pesares, e adoro mostrar os lugares mais diferentes e legais que conheço, compartilhar tudo isso é muito bom.

Voltando, daí pedi para ela se poderia trazer umas roupas de verão pra mim - verão que não apareceu... - e ela disse que a mala dela estava bem vazia, que não teria problema. Meu irmão levou as coisas que minha mãe separou pra ela (inclusive minha meia de compressão porque o negócio de trabalhar como condenada tá f*dendo minhas pernas).
Ela trouxe, a encontrei e perguntei se ela poderia levar de volta uma mala minha, pois estou juntando muita coisa e seria bom ter essa oportunidade para conseguir levar aos poucos as coisas para o Brasil.
Ela me disse que tudo bem, disse para ela que me irmão buscaria as coisas no aeroporto, que eu levaria minha mala no aeroporto com ela e que se fosse coisa demais pagaria o excesso de bagagem e ela sempre dizendo: tudo bem, sem problema.

Liguei para a minha mãe e disse que mandaria uma mala para o Brasil. Como tenho vários parentes fazendo aniversário em julho (2 tias, 1 tio, 1 primo e meu irmão), minha mãe me pediu presentes daqui para todos, depositou até dinheiro na minha conta para isso...
E lá fui eu às compras...

Final do mês de junho, nem sinal da cara de banana (já sacaram o nome dela rs), não me passou o número do telefone que usava aqui, mesmo eu sempre pedindo e ligando para o número dela do Brasil que sempre ia pra caixa postal...
Cansei de ligar e deixar mensagens no Facebook da figura...
Estava preocupada, porque ela queria ir no show do Pulp no Hyde Park, só que a viagem de volta dela era no mesmo dia e não sabia se ela havia mudado a data ou não, se teria que ir de manhã no aeroporto com ela despachar as malas ou não... fora que pensava em ir no sábado, véspera da viagem e do Pulp, pra Kent ver um festival que fecharia, naquele dia, com o Morrissey.
Fiquei nessa de esperar uma resposta... que nunca chegava...
Até que na sexta, dia primeiro de julho, a banana me responde que tinha muita coisa pra levar pro Brasil, que a mala dela já não cabia mais nada e que havia comprado outra, que iria pesar e ver se dava pra pôr algo meu...
Isso na sexta à noite e eu já tinha desencanado do show do Morrissey, com raiva de perder, além dele, Lou Reed, Patti Smith e The Stooges... acabei resolvendo ficar por Londres e fazer outra coisa, já tinha combinado outras coisas porque já tinha perdido o tempo hábil que teria, principalmente porque achava que não conseguiria sair de Kent super tarde e voltar pra Londres no mesmo dia... já acreditava que teria que dormir por lá e como faria se tivesse que ir no aeroporto com a mala?
Além do mais, nem tinha procurado hotel em Kent pra dormir...

Só vi a mensagem da menina no sábado, quando tudo já estava terminado...
Daí respondi para ela que tudo bem, que já tinha perdido mesmo o show do Morrissey esperando uma resposta dela e que não precisava se preocupar com nada...
Daí, a menina só me responde, no domingo, acho que do aeroporto falando:

Cara de Banana 03 de julho às 20:51
ai, fui embora no hives... tive que deixar coisa por aqui, abandonei guias... droga! mas desculpa qq coisa?         

DESCULPA QUALQUER COISA?????


CLARO... eu vim pra Londres para, com toda a certeza, passar pela maior prova de vida que alguém pode ter... pra ser canonizada quando voltar pro Brasil rsrs

Não respondi, melhor do que falar um monte, não? Afinal, o malfeito estava feito...
Estava revoltada e fiquei mais ainda com essa respostinha infantil de uma quase trintona infantiloide que veio estudar aqui um mês e ainda fala que queria ir no show do "pÛlpi" (pior que pupil rs é, eu não perdoo, né? rs)

A preocupação veio: e os presentes que seriam entregues no dia 10 na casa da minha tia no aniversário do meu primo e que todos os outros iriam receber o seu presente também  eestavam todos comigo?

A ideia foi mandar por uma empresa de entrega rápida... minha mãe pagou para eu mandar, já que as coisas chegariam no máximo em 3 dias no Brasil. Fiz a caixa e mandei pela empresa de três letras nas cores linda que combinam tanto: amarelo e vermelho...

Mandei na segunda dia 4 de julho e chegaram no Brasil na quarta, dia 6, e ficaram paradas lá... e nada de entregarem em casa e o aniversário chegando... no sábado, vejo no site de rastreamento que as coisas iriam voltar pra mim e fiquei mais do que surpresa, fiquei sem entender e totalmente nervosa...
Tive que esperar segunda para entender o porquê da volta das coisas... as moças da loja de postagem achavam que tinha sido o perfume (é, a burra aqui colocou na lista "perfume, vinho, cd, dvd, azeite"). Eu achava que não teria problema discriminar nada disso, porque tinha pago imposto e tal na postagem...
Um primo da minha mãe que trabalha em outra empresa dessa disse ao meu tio - é, família toda acionada - que se disseram que iria voltar que não teria mesmo jeito...
Meu irmão ligou para a empresa em Sampa que disse que o problema todo era o vinho, vinho é proibido ser mandado, o azeite também, mas que o azeite ainda passando pela anvisa poderia liberar assinando um termo de responsabilidade...
A empresa aqui pediu se poderia tirar o vinho para fazer a entrega, mas não se poderia mexer no pacote que estava em poder da polícia federal... e que iria voltar mesmo...
A moça da loja me manda um email de que iriam me cobrar a viagem de volta das coisas, aí eu entrei em parafuso e falei pra ela que não queria mais nada de volta... que não aguentava tanto estresse (i couldn't cope all this!) e aí pedi pro meu irmão ligar de volta em Sampa e eles confirmaram que não me cobrariam porque as coisas não deram entrada no Brasil, só se tivessem legalmente entrado eu pagaria... ufa!
As coisas iriam voltar e não teria papo... uma pena não conhecer um corrupto numa hora dessas...
Revolta e mais revolta... e não tinha o que fazer... estressei legal... passei quase dois meses nervosona... nervos a flor da pele, mas não adiantou nada...
Só conseguia culpar uma única pessoa que se não tivesse fugido de mim e tivesse conversado como gente grande teria poupado muito sofrimento meu e da minha família. Afinal, ninguém recebeu os presentes e minha mãe ficou muito chateada e gastou uma grana...
Todo mundo ficou muito chateado...

Uma frase adulta teria mudado tudo isso: Regina, eu não posso levar suas coisas, me desculpe, mas acredito que voltarei com muita coisa para o Brasil.

Não ficaria bonitinho?
Minha mãe não teria pensado nos presentes, eu não teria ido comprá-los, eu teria ido pra Kent e dormido lá e ido pro Pulp sem preocupação e não teria rolado todo o grande estresse da transportadora...

O pacote voltou, chegou segunda agora, dia 25, fui buscar na loja e a moça me disse que se eu quiser mandar sem o vinho, eles cobrariam de mim SÓ (rsrs) metade do preço... e que nunca tiveram problema com o envio de vinho para países como States e outros da Europa...
Não sei se é verdade, mas uma outra menina que conheço, e trabalha em outra transportadora, investigou as coisas para mim e disse que deveriam ter me informado do que pode e o que não pode ser enviado, mas que se eu entrasse com uma queixa, elas poderiam alegar que eu insisti que fosse as coisas fossem enviadas - porque se o cliente insiste no risco eles mandam - e que seria a minha palavras contra a dela...

Bem, esse é todo o imbróglio...
E tudo que só consigo pensar agora é na música do Falcão , porque tudo é culpa de uma grandissima mala...

16 julho 2011

Portuguese Teacher: a médica monstra

Durante o período que morei na região da estação de Dalston Junction, norte de Londres, zona 2,  na casa do Leetle (Doolitle ?) , comecei também a dar aulas de português para estrangeiros.

Tive três alunos nessa época, dois por uma agência de aulas de idiomas.
Todos eram aulas particulares e enquanto a agência ganhava por volta de 34 libras a hora, me pagavam míseras 15 com muito sufoco.

A primeira aluna era uma inglesa, médica, que fazia pesquisas sobre doenças silvestres e iria para moçambique, onde já conhecia algumas pessoas via internet; e pretendia, em um futuro breve, ir ao Brasil para estudo também.
O segundo aluno era um espanhol que parecia um robozinho que só fazia copiar as lições, além de um dia esconder praticamente na minha cara a aliança, mas esqueceu do quadro da noiva...
O terceiro era um inglês, meia-idade, jornalista que vivia com o seu "patner" brasileiro. E falava já bem o inglês, dado o convívio e as visitas ao Brasil.

Bem, começarei pela médica.

Quando fui chamada pela escola de inglês, achei num anúncio no Gumtree, conversei com a dona da agência ou gerente, não sei o que ela era... uma mulher com um sotaque horroroso, que depois de meses vim saber que era sotaque indiano e eu mal entendia a mulher...

Eu dizia a ela: bem, o meu inglês não é tão bom, não sei se poderei dar aulas para turmas básicas e ela só dizia que meu inglês era ótimo - o que eu sei até hoje que não é.

E me passou para ir dar aulas para essa mulher.
Tudo bem, tentei falar com ela que não entendia absolutamente de português, mas tinha como parâmetro o francês, no qual ela era fluente, e o espanhol que o marido estudava e que me atrapalhava...
Sim, começou aí, na primeira aula o marido ficou para ver e me incomodava com palavras em espanhol, parecem o português? Parecem, mas não é português, muito menos o do Brasil.
Aí começou toda a tragédia, perguntei para ela qual o português ela queria: Brasil ou Portugal e ela não sabia (aff!!!) disse que tinha amigos em Moçambique e talvez fosse melhor o português da terra de Camões - só que fui contratada para aulas de português do Brasil - daí, ela pediu para eu conversar por telefone com o amigo moçambicano que disse que a influência dos programas de tv brasileiros era muito grande por lá e todo mundo entende o sotaque brasileiro.
Assim, por responsabilidade do rapaz, a escolha foi o português do Brasil.

Ela foi simpática comigo, o marido não participou mais das aulas - ficou lá só pra não deixar a esposinha sozinha - coitadinha! eu poderia ser um monstro! - e, como bom adEvogado: me julgar.

A partir dessa aula, foram marcadas as datas para as outras, que ela mudava sempre em cima da hora e mudou a maior parte das aulas para o hospital St Mary onde ela trabalhava.

Perdi muito dinheiro com essas mudanças em cima da hora: ela teria que assinar num papel que a aula foi mudada de última hora para que eu ganhasse e para essa mulher assinar?
Caminho que fiz em Rosa

Assinou uma de má vontade e ligou pra indiana maluca que cancelou que eu recebesse o dinheiro, como se eu tivesse agido de má-fé, com meu inglês péssimo, só entendi que não iam me pagar as aulas, com argumentos delas e eu, sem poder me defender, fiquei quieta e aguentei... como pegar um overground de Dalston Juction e quando estava chegando em Richmond, ligando para a mulher dizendo que estava a caminho da casa dela para a aula, ela me diz que não estava em casa e sim no trabalho e que não ia dar pra ter a aula naquele dia...
Voltei no mesmo trem.
Eu ainda teria que descer na estação de Richmond, pegar o metrô, andaria umas 4 estações de metrô e mais uns 15 minutos a pé...

E aconteceram outras vezes... mas eu me acostumei a ligar para confirmar se ela ia estar DISPONÍVEL para as aulas antes de sair de casa ou de um compromisso anterior à aula.

Aos poucos, fui percebendo que as aulas não fluiam, eu estava de saco cheio dela, porque ela sempre se atrasava, sempre desmarcava, NUNCA fazia as lições que pedia para ela fazer...
Ela viajava muito a trabalho, numa dessas, ficou 2 semanas sem aula e voltou toda bronzeada, feliz da vida e nada de ter feito as lições extras que pedi... era difícil dar aulas se eu tinha um inglês minúsculo e se ela era uma aluna relapsa.
No final, cansadíssima e não vendo a hora de terminar aquelas 10 aulas que foram combinadas, ela também já estava de saco cheio, claro, ela deveria achar que a culpa era minha.
Sim, de alguma forma, por não falar bem o inglês a aula não tinha como ser boa, mas eu me esforçava muito e ela, não.
E quando eu ia dar aulas para ela no escritório do hospital ela ficava caçando uma sala para termos aulas e estava preocupada com reuniões que teria ou que já tivera naquele dia... ela não se concentrava e jogava todo o estress em mim.
Além de querer traduzir tudo pelo francês ou usar palavras em espanhol, que com certeza o marido insistia em colocar no vocabulário dela para "ajudá-la" a aprender...

Num desses dias, na casa dela, ela queria saber o que era "temporada" e eu disse que naquele caso era season e ela não acreditou em mim, ela abriu o laptop e foi no google procurar e não achou, porque nem saber procurar o significado de uma palavra, um dicionário on line ela não sabia - ou estava tão estressada com o trabalho que nem isso conseguia fazer.

Fiquei muito, muito, muito chateada porque eu não diria algo que não soubesse e outra: sabendo do meu inglês eu preparava as aulas e procurava todo o vocabulário da aula para fazer o melhor possível. Eu sabia da minha deficiência e tentava driblá-la.
Mas naquele dia, pra mim, não dava mais. As outras aulas ela me tratou como se eu fosse a melhor amiga dela, ela sempre me cumprimentava com beijinho no rosto e como ela havia sido tão rude comigo e parecia tão irritada pensei que ela não faria isso. Tipo, eu me esquivei, dei um oi, mas ela insistiu no cumprimento de beijo para se achar meio brasileira.
Não sei se ela percebeu meu recuo, afinal, não é estranho uma pessoa que te trata mal num dia no outro vir cheia de amor pra dar?
Para mim é estranhíssimo, nunca vi isso no Brasil, só quando a pessoa é extremamente falsa e precisa de algo de você...
Na última aula ela também desmarcou e dei graças a Deus, avisei a indiana maluca - a qual eu sempre pedia pra me mandar emails explicando tudo e não me mandava (era melhor ler do que ouvir o inaudível), e aí a aula também não me foi paga porque a mulher não quis assinar o papel, mas eu, de saco cheio deixei pra lá, não aguentava mais aquilo...
Foi um alívio não dar aulas mais para aquela médica estressada e preguiçosa.

Mas ela me ensinou algo: ela queria saber o que era "aluno" e eu disse "pãpil" e ela não entendia o que eu queria dizer e disse que era como "student" e ela "ah! PIUPOL"  ou seja, toda a minha vida de estudante de inglês no Brasil aprendi errado a pronunciar essa palavra... e confirmei com uma prima minha - acho que já contei isso - que ela também aprendeu a pronunciar pãpil, e ela não estudou nos mesmos lugares que eu...
Ou seja, professor de inglês que nunca estudo fora do Brasil e as escolas vão aceitando só por ter um nível alto só quer dizer: gente que aprendeu errado com outros e que vai se propagando por uma nação inteira de estudantes brasileiros...
A palavra se escreve pupil e nunca mais a esquecerei e o quanto sua pronúncia verdadeira é parecida com people.

29 junho 2011

Casas que morei em fotos

Casa do GG e da Pureza:


Abertura da Porta para Leetle

Quintal do GG (dos fundos)

Banheiro do GG, azulejo da banheira... o que é isso? não quero saber!!!!

entre a máquina de lavar e secar...
Mansão do Horror:

Prateleira da Geladeira de Soudemorte, eu levantei o leite para bater a foto

Microondas de Soudemorte